A narradora descobriu burnout após ser diagnosticada por uma médica, apesar de acreditar que amar o trabalho a protegeria. O diagnóstico levou ao afastamento e depois à dispensa, desencadeando uma crise de identidade que a forçou a reconhecer padrões familiares insustentáveis e iniciar uma jornada de reencontro.
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Eu já contei essa história muitas vezes, mas fazia muito tempo que eu não chorava. Quando eu chego no médico sob risco de convulsão e ele me diz: "Você tá vivendo um burnout", eu não reconhecia em mim que eu tinha colocado um livro. Eu já tinha entrevistado o padre Fábio de Mello para falar sobre ansiedade, o Ricardo falar de depressão, uma psicóloga para falar de burnout. E eu não reconheci em mim o burnout. Tamanha a nossa negligência conosco. E aí quando ele me disse que eu estava tendo um burnout, eu falei: impossível, doutora, eu amo o que eu faço, ninguém pode adoecer gostando do que faz. Ele disse: por isso mesmo, pessoas que amam o que fazem têm muito mais chance de ter um burnout. Aí começou uma grande jornada, porque eu fui afastada do meu trabalho, trabalho. Quando eu voltei, eu fui dispensada. E aí começou uma grande jornada de reencontro onde eu tinha me perdido. E foi muito triste saber que eu tinha me perdido em falas da minha família, eu tinha me perdido em comportamentos em que eu admirava da minha mãe, eu tinha me perdido em comportamentos que eu achava que me levariam para uma situação muito boa. De fato me levou, mas de forma insustentável. Aí começa a virada de jogo onde eu descubro que um estilo de vida insustentável.