Quando é hora de dar um tempo na relação?

Izabella Camargo e a psicóloga Pamela Magalhães conversam sobre quando faz sentido dar um tempo na relação. Elas exploram os diferentes tipos de relacionamento, a importância da autorreflexão e os aspectos psicológicos por trás dessa decisão.
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Oi! Tudo bem por aí? Sejam todos muito bem-vindos. Vamos chegar, como diz lá no interior. A conversa de hoje será incrível. Estava super animada, super empolgada, ansiosa pra chegar essa noite de quinta-feira, seis e meia pra gente conversar com a Psy Pamela, Pamela Magalhães, a maravilhosa psicóloga que fala do jeitinho que a gente entende, exatamente o que o nosso coração está pedindo para viver melhor, para viver com mais felicidade. A Psy Pamela aceitou o meu convite para a gente falar quando é hora de dar um tempo. Então, eu já vou dividir tela aqui com a Pâmela pra gente conversar com vocês sobre esse tema que, bom, ou você já pediu um tempo, ou você, ou alguém já pediu um tempo pra você e sempre dá uma dúvida, né, o que que eu faço? Será que é hora de dar um tempo? Isso pra todas as relações. É isso que nós vamos conversar com ela. Tudo bem, lindeza?
Meu amor, como você tá, Isa?
Muito melhor agora, te vendo assim tão linda, com esse cenário aí que eu adorei.
É, eu tô aqui na praia. Então, caso dê algum... não tem dado, tá funcionando bem, mas caso dê um chabuzinho aí, você já sabe que é a mata aqui, é uma boa causa.
Que delícia.
Aqui é bem pegada a mata e aí, por mais que eu tenha buscado uma conexão boa, ainda às vezes dá um... Uma falhada.
Tudo bem. É por um bom motivo, né, Pam? Mas para caso falhar, a gente recomeça no seu tempo.
Tá, no meu tempo. Se alguém que sabe de tempo e fala de tempo e negocia com tempo é você, né?
Mas olha, nós ainda vamos falar sobre isso, Pam. Eu vou tirar aqui os comentários para que todo mundo possa te ver, mas vou deixar o convite para quem quiser te enviar perguntas para colocar aqui naquele pontinho de interrogação. E dito isso, Pamela, eu descobri recentemente que quanto mais coraçõezinhos são enviados aqui na lateral, mais o Instagram entende que esse assunto é relevante. Então, pra quem estiver aqui conosco, eu vou pedir, olha, enviem perguntas e coraçõezinhos também pra gente.
Ah, que delícia. Eu não sabia disso.
Uma boa, uma boa dica.
Exatamente.
Vamos lá. Olha só. Quando a gente conversou meses atrás, no início do isolamento, quanta coisa mudou, não é?
Muito, Isa. Nossa, quanta coisa mudou. Você sabe que ninguém me chamou ainda pra comentar sobre como que tá o emocional agora, né? E hoje, uma cliente minha querida que eu tava atendendo cedo, ela falou, ah, antes da gente entrar nos assuntos, eu queria te fazer uma pergunta. Eu fui em tal bar em São Paulo e tava parecendo que o povo tava de férias, assim, saindo sem máscara e tal. E aí ela falou, o que você acha disso? Eu falei, bom, eu acho que o ser humano ele tem uma característica que ora é virtuosa e ora ela é bem questionável, que chama-se adaptação. O ser humano ele vai se adaptando, ele vai se acostumando e em alguns momentos é bom porque ele vai ficando com menos medo de muita coisa, mas em outros momentos não é tão bom assim, porque ele vai ficando atrevidinho. Então o ser humano ele vai falando, ah, não peguei até agora, não vou pegar mais, ah, não tá tudo certo. Ou então eu já peguei e não pego mais. E acho que passa por vários lugares, né Iza? Eu acho que passa pela falta de empatia, eu acho que a empatia é muito pouco desenvolvida, acho que passa pelo desconhecimento, pela ignorância, acho que passa pela prepotência, né? Eu acho que são várias características e aí o indivíduo tem a sensação de que ele não vai contrair, né? Ele não vai pegar a doença. Sabe o que me lembra? Me lembra adolescente que acha que não engravida ou que não vai pegar AIDS, sabe?
Perfeito.
Comigo não acontece?
Não, vou te falar.
Mas comigo, né? Então acho que é isso que tá acontecendo. Tá passando o tempo, as pessoas tão claro esgotadas, tão cansadas, tão saco na lua de estarem confinadas. Lógico, né? Acho que é natural a sensação de... Que saudade de tudo. Mas a gente tem que entender que é um momento e que tem aí cuidados que são fundamentais, né? Na minha opinião isso é inquestionável. Eu acho que a gente tem que respeitar a vida, né? A nossa vida e a vida dos outros.
Perfeito. Olha, gente, podemos encerrar a live agora. Tudo que pode interferir no nosso estado interno, nosso estado emocional. Pamela, isso que você tá me dizendo, eu me lembro quando eu fazia a previsão do tempo e aí quando esfriava, por exemplo, aqui em São Paulo tá bem frio. Eu não sei se aí no litoral tá bem frio.
Não, aqui tá pra caramba. Agora que eu tirei a casaca, tá bem frio.
Então, aí eu me lembro quando eu falava da previsão do tempo e aí no inverno esfriava, as pessoas falavam, mas eu não gosto de frio. Tudo bem, mas é inverno. Não adianta reclamar. Poupa energia, né? Então agora com tudo que a gente tá vivendo, poxa vida, Pamela, acho que a nossa primeira live nesse turbilhão todo foi há quatro meses. Por mais que a gente estivesse nos falando via zap, mas aqui digitalmente faz quatro meses. E muita coisa mudou neste tempo. Eu já vou querer entrar no tempo dos relacionamentos, tá? Mas pela sua vivência, pelo que você está experimentando, o tempo vai encaixando as coisas no lugar Basta a gente querer.
Você sabe que quando você me falou sobre... Bom, é engraçado que quando você tá falando da pandemia e fala de tempo, tem tudo a ver, né? Eu acho que o tempo vai fazendo com que a gente se adapte a muita coisa O tempo é transformador, né? Eu gosto muito, você falou de previsão do tempo, né? Qual é a previsão do tempo? Ele está passando, né? Aquela história. O tempo está passando. E quando você me falou, eu nem quis conversar com você sobre o tema até pra te contar a minha sensação, né? Porque a gente gosta de conversar, a gente sempre se fala, seria natural. O que a gente vai falar, dar uma brifada, né? Mas eu gosto das coisas espontâneas já, né? Eu curto essa ideia. E a gente é afinada mesmo, então eu falei, tá tudo certo. Eu ia te contar que quando você falou sobre... tempo, me veio duas ideias, né? A primeira do dar um tempo na relação, que as pessoas perguntam muito. Ai, Pamela, funciona dar um tempo na relação e tal? E a outra, a temática que eu falei, será que foi isso que a Isa pensou? Por isso que eu achei legal vir sem saber. Dar um tempo de relacionamento, né? Porque são duas temáticas. Dar um tempo de se relacionar, o quanto isso é viável e válido, né? e dar um tempo na relação. Acho que são duas possibilidades da gente conversar aqui, Pode ser bem interessante e elucidativa pra quem estiver nos escutando. Só pra te falar os caminhos que eu pensei aqui.
Ai, que linda. Não, perfeito, você tá corretíssima. Na verdade, minha mãe, né, porque o processo do meu livro, que se chama Dá um Tempo, começou lá em 2017.
Olha, parabéns, parabéns, parabéns. Pessoalmente, já tinha falado, mas parabéns, parabéns. Que legal, Isaac. Que demais.
É um filho que ficou gestando por quatro anos. Enfim, a história do livro dá um livro, mas eu não vou usar o nosso tempo para falar sobre isso.
Pode usar, pode usar, é importante.
Não, mas você sabe que até o nome do livro me foi roubado durante esses quatro anos. Aí eu tive que mudar o nome anterior para o nome atual, dar um tema. E ficou muito melhor. É mais uma daquelas situações em que na hora você fica triste e depois você vai entender que foi o melhor que poderia ter acontecido.
Você sabe por que, Isa? Porque o que tem que ser seu, será.
Então, só pra você entender as curiosidades Aí ficou, dá um tempo, tá lindo, a capa tá linda, tudo certo O lançamento mesmo vai ser dia 20 Aí esses dias, antes de eu ter marcado contigo, minha mãe falou assim Você escreveu sobre dar um tempo no livro? Falei, como assim, mãe? Dá um tempo nos relacionamentos. E aí essa fala me remeteu lá na década de 90, no início dos meus relacionamentos, em que eu lembrei relacionamentos em que eu pensei em dar um tempo, que eu não sabia o que eu tava sentindo, relacionamentos em que me pediram um tempo e eu me senti super desvalorizada, né? Porque aquilo são ideias contraditórias, né? E aí eu falei, poxa, tem tudo a ver pra falar com a Pamela. Então eu já tava com saudade de você, querendo falar contigo, o livro já tá pra sair. Eu falei, bom, vamos falar então sobre se dar um tempo nas relações. Mas aí, Pam, não só nas relações, eu vou chamar entre namorados, marido e mulher, mas em todas as relações profissionais. nas amizades, porque quando você fala em relação afetiva, todas as relações são afetivas, não são de alguma maneira?
Afeto tá em tudo. O afeto tá em tudo.
E aí eu queria então conversar contigo sobre todos esses tempos de relacionamentos, porque acho que quem pede tá confuso Quem ouve um Quero um Tempo fica mais confuso ainda Então quando é a hora certa de pedir um tempo? Vamos começar entre namorados, marido e mulher.
E assim por diante Olha, é muito engraçado porque não tem como falar desse assunto sem opinar. Psicólogo não opina, né? Eu fui assim, doutrinada desta maneira. Psicólogo não opina, mas como eu tô aqui como Pamela Magalhães e por acaso sou psicóloga, que maravilha, eu posso opinar. Eu acho a história do tempo, de dar um tempo numa relação amorosa, eu sempre associo um pouco com alguém que tá muito ambivalente, Eu associo com uma pessoa que não sabe se ela quer ficar na areia ou quer ficar no mar. Ela fica com o pé na areia ou com o pé no mar. Normalmente é uma situação que é assim, eu gosto de você, mas talvez não goste o suficiente pra um passo a mais. Ou eu gosto de você, mas tô em dúvida com a minha ex. Eu gosto de você, mas eu gosto da vida solteira. Então, eu sinto que essa história do dar um tempo dá uma sensação de colocar o sujeito em banho-maria, sabe? Ó, fica aí, vamos dar um tempo. Eu acho que dar um tempo é algo, num primeiro momento, bastante egoísta. Por isso que eu estou frisando que a minha opinião, a minha experiência pessoal, porque eu sou uma pessoa que já me relacionei bastante na minha vida e também pelas pessoas que eu atendo, sempre. Eu acho que dar um tempo é uma situação que você fica sempre um pouco preocupado. Você não sabe se você pode conhecer alguém, se o outro vai ficar sabendo, se você vai naquela festa e isso vai causar alguma coisa. Você sempre tem a sensação de que você vai ter ao outro lado o que não queria, o que queria continuar. Então, ai meu Deus, mas ele pediu um tempo. Ele pede um tempo, mas ele sente meio que ainda tem uma certa posse daquilo, ele se sente muitas vezes com direito sobre aquela pessoa. Então, é aquela história. Dá um tempo, mas te manda mensagem, tem hora que quer te ver. Ah, vai ficar sem se falar, mas também não pode postar nada com nenhuma pessoa. Você fica meio prisioneiro. Meio prisioneiro do sujeito. Eu já sou a favor de uma outra alternativa. Que eu, inclusive, brinco que eu sou um caso de sucesso, né? Porque eu dei o tempo no formato que eu gosto e voltei com o meu marido e casei com ele, né? que eu nunca acreditei na história do tempo. Olha, vamos dar um tempo? Eu sempre acho que você fica meio amarrado na pessoa. Eu acho assim, a gente tem que ter, aí eu acho que é uma virtude, né? A gente tem que ter uma espécie de humildade, eu acho que a gente tem que ter uma espécie de consideração com o outro, eu acho que a gente tem que honrar as nossas escolhas. Então, assim, a partir do momento que o meu marido chega pra mim, na época, namorando, ah, eu não sei se é isso, porque você quer isso e eu não quero isso, e aí não sei o caminho e tal, papai, a gente começa a brigar e começa a complicar. Ah, vamos dar um tempo? Eu falei, então a gente vai fazer o seguinte, a gente vai terminar, a gente vai terminar. Se em algum momento Nós entendermos que mudou alguma coisa. Porque essa história também de voltar. Passou três dias e já vão voltar. Ah, porque eu tô com saudade. Isso aí é furada, né? Acho que você volta com uma pessoa se alguma coisa mudou. Ah, mudei o pensamento. Trabalhei isso e tô melhor. Ou então eu percebi que eu fazia isso e não vou fazer mais. Agora voltar porque eu senti sua falta. Eu acho isso muito leviano, muito superficial. e muito pequeno diante da complexidade de uma relação. Então, vamos terminar, né? Estamos entendendo que não tá funcionando, a gente pensa diferente, vamos terminar pra ver o que a gente sente. Na hora que você termina, e aí eu acho que concordo com o tempo, você terminou, você deu um tempo mesmo, que aí você terminou a sua relação, você se afasta da pessoa, continuava com o sentimento, continuava querendo, mas eu tinha pra dentro de mim que terminando e dando esse tempo mesmo de rompimento, sem ninguém dever nada pra ninguém, sem ninguém querer saber vida de ninguém, sem ninguém querer stalkear ninguém, Isso era uma oportunidade de você se conhecer, de se perceber e de mudar. Tanto que, às vezes, quando ele me ligava ou dava aquela saudade, né, eu tenho controle bom. Eu lembro que, às vezes, eu falava assim, mudou alguma coisa? Mudou alguma coisa? Eu gostava muito. Não, não mudou e tal. Então, não me ligue. Chegava a ti em casa. Ai, quero te ver e tal. Tô com saudade. Mudou alguma coisa? Então, não vai ter. E depois de um tempo, passaram-se 3, 4 meses que ele me encontrou um dia e falou, não, quero conversar com você porque mudou algumas coisas. Falei, mudou mesmo? Você vai querer conversar comigo só? É real? Ah, mudou. E mudou e ficamos juntos e logo em seguida casamos. Então, eu acho que o tempo tem que existir nesse sentido. De uma postura, num distanciamento e que você, de fato, tá na sua, tá pensando sobre a situação, tá elaborando muito o que aconteceu, tá dando espaço pra se trabalhar. Esse tempo leviano de que cê deu tempo e aí cê tá tocando tua vida, fica vivendo escondido, saindo escondido. Ah, não posso, não pode saber. Ah, é ficar controlando a vida do outro. Aí eu acho que é bem prejudicial. Bem prejudicial.
Perfeito. Gostei muito do que você falou sobre a postura, sobre a integridade. E eu entendo, Poemela, a partir do que você tá dizendo que parece que quando nós somos mais jovens, o nosso tempo, ele não tem ainda a urgência que quando os calendários vão passando, ele nos mostra. Que quando você é mais jovem, né? Ah, tudo bem, né? Tem muito tempo pela frente. Mas aí os anos vão passando. E aí eu acho que aí quando você fala em integridade e postura, tá? Justamente nisso. Se eu estou em dúvida, as dúvidas são minhas. O outro não tem nada a ver. Eu não posso também alugar o tempo do outro. Que aí entra o egoísmo que você falou.
Isso, porque o que acontece muito no tempo da relação é que as pessoas normalmente elas pedem o tempo quando elas estão confusas com alguma coisa e eu vejo que elas não assumem isso. Elas querem tudo. O ser humano tem muito essa história. Ele quer tudo. Ele não quer perder essa pessoa, mas ele também quer experimentar como seria com a outra. Ele não quer abdicar a vida de solteiro, mas também ele se sente super confortável aqui no final de semana com o edredom quentinho, né? Ficar no chameguinho com alguém. Então eu acho que as pessoas têm uma dificuldade de se posicionarem. Toda escolha é uma renúncia. Não tem como. Isso é a vida. Bem-vida à vida. Isso é maturidade. Eu tenho que escolher. Eu escolho sempre. Eu estou escolhendo o tempo inteiro. Você falou, você me ensinou isso. Você me falou isso uma vez e eu me esqueci. Quando você escolhe estar aqui comigo, você está investindo o seu tempo nisso. Então, se a pessoa não se posicionar, ah, eu vou dar um tempo. Aí a outra que gosta, fala, ai meu Deus, eu não posso conhecer ninguém, não posso fazer nada, ai tem que pisar em ovos porque eu não quero perder essa pessoa, eu não quero que ela tenha um pretexto pra não estar comigo. E aí pronto. E o tempo? É como se tivesse... O tempo tá passando e aí você não tá com a pessoa, mas você também não pode tocar a tua vida e eu acho que não rola.
É, acho que a transparência vai ser fundamental porque é muito subjetivo, né? Eu acho que pra quem tá aqui nos acompanhando e depois vai assistir lá no YouTube, que eu vou deixar lá na página, quando alguém te pedir um tempo, O que significa isso pra você? Significa liberou geral? Significa que não, você vai ficar introspectivo e vai... Tipo, o que significa tempo pra você? Porque pra mim dar um tempo é outra coisa, né? E se você não colocar todo mundo na mesma página, puxa, aquilo que poderia ser saudável se torna realmente um fim.
Eu acho um baita do risco, Isa, essa história do tempo, principalmente Porque, infelizmente, falo isso com uma certa propriedade de trabalho com as pessoas. Eu acho que, infelizmente, o ser humano é muito imaturo, isso independe da idade. Eu acho que são poucas ainda, melhorou um pouquinho, mas eu acho que ainda são poucas as pessoas interessadas no autoconhecimento, no reconhecimento de si do outro. E aí as pessoas brincam muito com os sentimentos, né? Quando você fala sobre dar um tempo, me vem muito paralelamente a responsabilidade afetiva, né? Eu acho que as pessoas são muito irresponsáveis afetivamente. Então assim, ah, eu gosto da Isa. A Isa é a mulher que eu quero casar. Nossa, a Isa é a mulher que eu quero casar, mas eu ainda quero curtir aqui um pouco, vai ter uma viagem ali. Deixa eu deixar a Isa meio em banho-maria. Isa, vamos dar um tempo? Quem sabe no finalzinho do ano a gente volta a se falar. Se a Isa gosta da pessoa, ela fica ali meio que vendida na situação. Então eu acho uma proposta muito perigosa se não for bem conversada e se os acordos, acho que essa palavra é muito importante, se os acordos não forem bem definidos. É por isso que eu gosto assim, a pessoa que te pedir um tempo, acorda com ela o que é um tempo pra ela, como você disse, e o que é um tempo pra você.
É, pros combinados né, depois não deixar ninguém triste. Ô Pâmela, você falando eu lembrei do Oswaldo Montenegro? No livro ele fala que a ansiedade de hoje, que gera muita dúvida, é pelo número de oportunidades que nós temos. Então ele brinca assim. Antes, quando eu queria tomar um café, eu chegava na padaria e falava que eu queria um café. Agora eu chego na padaria e é café com isso, é mate, é chocolate.
É não sei o que, é cappuccino.
Aí ele usou um outro termo, que pelo horário eu já posso falar, eu não tenho nem uma criança aqui também. Ele falou assim, o sujeito quer ser fiel à esposa, mas quer transar com outras mulheres. Ele quer fazer isso, mas também ele sabe que tem tudo aquilo Então é uma questão realmente de maturidade e pé no chão, porque é evidente que a gente está vivendo num mundo de excesso de acessos Mas espera aí, nós somos de sentimentos como você falou e cuidado com o que você vai fazer com o outro que pode ser que você também sofra bastante E na verdade eu.
Acho que esse mundo de oportunidades, ele é bem ilusório.
Então?
É bem ilusório. Você entra numa ciranda de um monte de opções e quando você tem muita opção, você de novo, você gasta mais tempo. Porque sempre você tem a sensação de que você vai ter mais vantagem se você tiver algo a mais, algo diferente. Você tá com uma pessoa, mas será que aquele não é melhor? Mas será que aquele... E acho que essa cobiça do ser humano, essa sensação de que ele tem que estar por cima, de que ele tem que ser melhor. Eu falo que na Psicanálise a gente fala muito isso, a inveja de si mesmo. Parece que nunca basta. Parece que sempre você precisa de algo mais, algo diferente, algo surpreendente. Essa neurose do ser humano, de que nunca basta. Nós somos neuróticos, né? Segundo a psicanálise, a gente divide aí esse universo entre os neuróticos, os psicóticos e os psicopatas. E nós somos neuróticos por natureza. Se nós não tivéssemos as nossas neuroses, nós não acordaríamos de manhã e nós não levantaríamos pra fazer alguma coisa. Por que a gente levanta? Porque a gente se conta. Eu preciso trabalhar. Eu preciso tomar banho. Eu preciso escovar os dentes, eu preciso fazer a live, eu preciso. Por isso que eu falei outro dia no vídeo, a importância da gente... recondicionar o pensamento e, ao invés, aí já fica a dica pra você. Ao invés de eu preciso, eu quero, né? Eu quero estar aqui na live com a Isa. Eu quero estar ali, eu quero tomar o meu banho. Essas mudanças, elas tornam a gente mais em paz e, claro, isso favorece e muito na nossa produção de serotonina, né? Regulando o cortisol, fazendo com que a gente se sinta melhor.
Hormônio do amor. Eu quero ao invés de eu preciso. Você falou neuróticos, psicóticos.
Quando a gente pensa numa linha psicanalítica, por isso que eu tô frisando bem, né? Porque não é em todos os universos que se vê dessa forma. O ser humano naturalmente ele tem esse mecanismo da insatisfação, que é uma característica do neurótico. Então, o neurótico, ele sempre precisa fazer alguma coisa, então por isso que eu tenho, eu preciso e tal. Aí você tem os psicóticos, que são as pessoas que têm alucinações, que têm neuroses, que têm algum tipo de transtorno mais obscuro, que acaba sendo uma inabilidade social e você tem o psicopata, que tem um transtorno de personalidade que faz com que ele tenha um zero de empatia, né, o indivíduo. Ele não tem nada de empatia pelo outro. Ele tem uma conduta bastante antissocial diante do mundo.
Pronto. Só psicopatas dariam umas 10 lives, porque tem muito mais psicopata do nosso lado do que a gente poderia imaginar, né, Pam? Muito, muito. Nem vamos falar deles agora.
É um tema bom. Aliás, só uma coisinha disso. Você sabe que psicopata adora pedir tempo, né?
Ele adora.
Porque o psicopata é um manipulador, né? E aí ele fica pedindo tempo. O problema é que muitas vezes ele não pede tempo só pra uma, né? Ele vai pedindo tempo pra várias. Porque, obviamente, como ele tem o mecanismo estratégico, como ele tem o mecanismo da manipulação, Então ele vai sempre brincando com o sentimento das pessoas, sempre dizendo o que você quer ouvir, porque ele sabe o que ele quer com você e ele sabe exatamente como você funciona, como ele vai se posicionar pra conseguir extrair de ti tudo aquilo que ele entende que vai nutri-lo, que vai alimentá-lo, que vai favorecê-lo. Pisa na tua cabeça facilmente e você tá ali, né? Acreditando, muito envolvente, porque você muitas vezes se apaixona pelo que a pessoa vende pra você, né? E não pelo que ela verdadeiramente seja.
Perfeito. Nossa, gente, olha. Mais uma vez podemos encerrar então a live. Obrigada, Pamela. Eu acho que você falar isso sobre os psicopatas porque Outro dia eu comentei com o Thiago, né, meu marido, eu falei, ah, fulano é psicopata, ele, nossa, psicopata? Eu falei, sim, ele não tem empatia, ele não sente nada pela maldade que ele faz, não sei se percebe ou não, e tem muito mais pessoas assim do nosso lado que a gente pode imaginar.
Muito. É que as pessoas tem uma mania de achar que o psicopata é só o cara que sai matando, seria o que?
Isso. Exatamente.
Ai, meu Deus, não é psicopata, o que é isso? Gente, psicopata, tudo bem, é o cara que mata também, seria o quê, mas tem um monte de psicopata andando por aí, né? Que você nunca vai imaginar que seja ele porque ele é a pessoa, num primeiro momento, mais simpática. É que eu não posso citar aqui nomes de pessoas conhecidas, mas você já deve imaginar alguns que eu falo aqui, porque você trabalha, já deve ter trabalhado diretamente com vários. Porque esse universo, eles gostam de luz, câmera, ação e tal. São bastante egocêntricos. Só que o psicopata não é um monstrengo, entendeu, gente? Assim, visualmente. Ele é muito simpático, ele sabe ser charmoso, charmosa. Não é só homem e mulher também. Sabe como falar, como conduzir, como levar. Muito bem.
E ocupa cargos de liderança, chefia. Já vou entrar na parte dos relacionamentos, tá? Neste espaço. Vamos lá. Então, beleza. Então, o dar um tempo numa relação pode funcionar se a gente colocar todo mundo na mesma página e entendemos o que é tempo pra você e aí seguimos. Pode ser que haja um retorno com mudança ou realmente esse tempo, ou seja, essa separação momentânea possa ser depois definitiva. Agora, o tempo entre as relações. Me disseram uma vez... Era isso que.
Eu achei que você fosse falar.
Eu vivi um período que eu tava repetindo muito de série. O que isso significa? Eu tava vivendo relações muito parecidas. Porque eu não estava dando tempo entre uma relação e outra. Então não aprendi a lição na primeira, vai aprender...
Repetir. Vai repetir.
Então eu queria que você falasse um pouquinho sobre a importância da gente respeitar o nosso tempo de faxina, amadurecimento, agora parto com a outra.
Quando você fala sobre a sua situação e você me fala de tempo, eu fico pensando que muitas pessoas quando terminam as suas relações, elas saem de um relacionamento Elas têm um certo desespero de ficarem sozinhas. É muito comum. Muitas delas, inclusive, não terminam as suas relações porque elas receiam a ideia de ficarem sozinhas. Elas vão criando um abismo nessa ideia. Meu Deus, se eu terminar com essa pessoa, eu ficarei sozinha. Como se ficar sozinha fosse um terror. Como se ficar sozinha fosse assim, meu Deus, ficar sozinha é pior do que qualquer outra história. Qualquer morte morrida. Ficar sozinha vira um caos. Eu acho que tem muito mais a ver do quanto a gente vai assombrando e como a gente vai estigmatizando o estar só. Eu vejo muitas pessoas em relacionamentos em que elas já estão sozinhas. Elas já estão há muito tempo solitárias. Elas estão com alguém ali, que por acaso, eu falo que é um corpo perambulando ou mesmo discutindo, mas na proposta do universo que seja compartilhado, elas estão completamente sozinhas. Mas elas estão com esse receio e um pensamento recorrente de uma preocupação do que os outros vão pensar caso elas se separem, a família como vai ficar. Todas aquelas preocupações que são muito mais formuladas pelo temor emocional do que serem verdadeiras, factíveis. Eu acho que elas são muito maiores na nossa cabeça. E, em função disso, elas vão postergando essa possibilidade de viverem esse momento a sós. E, em contrapartida, quando o cenário fica impossibilitado, muitas vezes a outra parte até termina, porque essa parte não consegue. Não, porque eu não vou, porque eu tenho medo e tal. Muitas vezes não revela, mas tá vivendo esse desespero interno. E aí a outra parte termina ou acontece alguma coisa que não tem jeito. Ela é obrigada, a pessoa é obrigada a terminar. E aí ela fica sozinha. Às vezes ela não aguenta nem sentir isso. Ela já vai lá e põe o relacionamento no lugar. Eu falo que a pessoa sai, na hora que tá toda... Imagina uma festa que acaba, né? A festa acabou, ao invés de esperar, limpar tudo, arrumar bagunça, organizar, ver o que ficou, se alguém esqueceu alguma coisa ali que tem que devolver. Não, já vai lá e põe outra festa em cima e depois põe outra festa em cima e depois põe. E é isso que a gente faz muitas vezes na nossa vida. A gente não deixa o banquinho ali esfriar pra gente poder ver o tamanho do banco, se a gente quer alguém ali daquele lado do banco, se a gente quer mudar de banco, se faz sentido. Então eu acho que o ser humano tem um temor muito grande do que ele cria aqui dentro e aí ele vai fazendo o quê? Ele vai emendando o relacionamento. Só que quando eu emendo o relacionamento, eu tô sempre colocando alguém no buraco do outro. Então eu sempre tô... Pensa em uma coisa, Isa, que eu gosto muito. O cérebro, ele tem uma certa previsibilidade, né? Então tem um funcionamento que acontece comigo, com você, com qualquer um, com todo mundo que tá assistindo a gente aqui, que é mais ou menos assim. Se eu tô num relacionamento, exemplo, tá? Se eu tô num relacionamento em que o meu parceiro, sei lá, ele bebe, vai. Ele bebe, ele é agressivo, isso é ruim, mas em contrapartida tem um sexo super legal. É porque o relacionamento dificilmente ele é inteiramente ruim. Ele tem algumas coisas que são ruins e algumas que se tornam insuportáveis. Então o cérebro, ele vai entendendo assim, por exemplo, ele faz um checklist naquilo que tem. Que tem, ah, tem sexo, ah, tem, sei lá, tem uma grana, tem uma estabilidade ali, mas ele bebe e ele é agressivo comigo e a gente não conversa. Então ali você imagina menos, menos, menos e aqui mais, mais, mais, por exemplo. A gente tem uma dificuldade gigante de perceber o que a gente tem. A gente tem uma tendência de olhar para o que a gente não tem. Então, nesse caso, eu não tenho conversa, meu parceiro bebe, isso é estressante, é muito agressivo. Quando eu emendo uma relação, eu tenho uma tendência em colocar que tipo de pessoa ali. O que eu priorizo? Eu priorizo alguém que não beba, alguém que converse comigo e alguém que não seja agressivo. O cérebro, quando você emenda a relação, ele vai buscar o que você não tem. O que é ruim, o que tá gritando na tua cabeça. Só que você esquece de que tem outras coisas que você tem que são muito importantes pra você. Por exemplo, a sexualidade, a estabilidade financeira, sei lá, caráter, alguma outra coisa que tenha ali. E aí, quando você vai emendando, você entra numa relação que não tinha o que a outra tinha, tudo bem, isso é legal, mas as outras coisas que haviam ali, você esqueceu de perceber se é que havia. Você não deu tanta importância, porque você já tinha. Então o emendar, ele tem este perigo muito grande. Quando eu dou um tempo no término, né? Então assim, eu terminei minha relação, eu dou um tempo para mim, para que eu me perceba, para que eu faça o balanço da relação. O que funcionou, o que não funcionou. Quando eu termino uma relação, tem muita coisa que a gente tem que fazer. Tem muita lição de casa. Tem perdão, eu tenho que me perdoar, eu tenho que elaborar, eu tenho que entender. o que que ficou, o que que não ficou, o que que eu quero mais, o que que eu quero, o que que funciona, meu propósito de vida a partir de agora, regatas que eu tenho que fazer, talvez remendar muita coisa aqui dentro pra que eu me perceba essa nova pessoa que eu sou e eu me encontrar comigo pra entender o que que eu quero hoje na minha vida, se eu quero alguém. Então esse tempo pra mim num término, ele é fundamental. Há quanto tempo é isso? Não sei. Isso é relativo. Mas é um tempo suficiente pra você conseguir se integrar, pra você entender o que tá acontecendo. Senão você vai ficar sucessivamente repetindo, repetindo, caindo no mesmo lugar e sempre vivendo a mesma sensação. Porque aí vai mudar o cara, no caso, mas algumas coisas vão ser muito parecidas no sentido de provocações existenciais. No sentido daquilo que eu vou sentir aqui dentro.
É lindo. E aí, Pamela, eu vou te falar uma coisa, experiência própria, tá? Porque tem vários cabelos brancos aqui que foram pintados há pouco tempo, mas tem vários aqui. Vou falar por experiência própria. Houve um período da minha vida em que eu achei que isso tinha a ver com a minha idade. E aí depois, com o tempo, eu fui me relacionando com outras pessoas e que a idade não eram tão jovens. Isso não tem nada a ver com a idade, tá gente? Essa questão de fazer e atropelar.
Adorei a minha idade.
Não, não tem nada a ver com a idade. E aí, o que eu entendi do que você tá me dizendo? Se a gente não fizer essa faxina interna, a chance de você repetir ou de passar perrengue é muito maior. E aí sabe o que eu descobri? Uma coisa que eu tenho procurado entender até pra poder falar, que é a atualização de identidade. Porque você, no início de um relacionamento, é um jeito e quando acaba, não importa quanto tempo, se um dia, um ano ou uma vida, você é outra pessoa. E aí, se eu não... rever quem eu sou, o que eu aprendi dessa história, de repente eu vou estar querendo tapar buracos que eles nem existem mais. É isso.
Por isso que eu te falei que na relação, quando eu tô vivendo uma relação, todos nós, todos nós, não tem perfeição. Não tem perfeição. Todo mundo tem suas características. E eu falo assim, não existe uma pessoa, não existe alguém perfeito. Tem alguém que vai funcionar muito bem com você. Porque as limitações dessa pessoa, elas não te incomodam. E as virtudes delas te são essenciais. Então eu acho que é isso que funciona. Por isso que às vezes uma pessoa funciona pra mim e não funciona pra você. Porque aquilo que essa pessoa que eu tô tendo, tem comigo e é pra mim, te incomoda horrores se fosse com você. E comigo não. E vice-versa. Cada um é um. Cada um tem um propósito, uma sensação, uma história. Agora, quando eu saio de uma relação que tem os buracos e busco alguém que tapa esses buracos, eu esqueço as outras partes que eu tinha nessa relação e que estavam, de alguma forma, me alimentando, sendo bom pra mim, sendo bom pra mim, nessa outra nova relação. Por isso que na hora que eu termino, Dá um tempo pra você. Relaxa. Olha um pouco pra você. Ai meu Deus, eu tô sozinha. Gente, se você não conseguir se sustentar sozinha, no sentido emocional, eu tô falando principalmente, né. Aliás, eu acho que em todo sentido, né. A gente tem que se sustentar, é a minha opinião. Eu acho que a autonomia financeira, ela é muito impossível. Você não precisa ganhar milhões. Mas você se sustentar é muito importante, porque isso evita que você dependa de pessoas. Eu vejo muitos clientes meus, muitas clientes minhas, isso é muito comum. Eu falo meus e minhas, tá? Porque eu vejo, sim, homem e mulher. Eu vejo um lance assim, eu quero alguém pra cuidar de mim. Preciso encontrar alguém, eu preciso encontrar alguém pra minha vida ter sentido. Eu preciso encontrar alguém, nossa, pra que eu me sinta seguro, pra que eu me sinta segura, gente, pelo amor de Deus. A pessoa não tem que chegar na tua vida com dever. A pessoa não tem que chegar na tua vida com dever de fazer feliz. Ela também tá querendo ser feliz, né? Alguém tá ruim na tua vida porque você tá tão bem consigo mesma e essa pessoa também tá. Isso é o ideal, né? Você tá bem com você, essa pessoa também tá. E vocês entendem que vocês podem ser mais felizes juntos. Vocês entendem que podem trilhar mais caminhos gostosos juntos. Essa é a proposta.
Perfeito. Perfeito, Pamela. Olha, sabe quantas perguntas que tem aqui na caixinha de Pandora?
Quantas?
52. Mas antes de passar para a questão do tempo aí nas relações profissionais Eu não sei se você atende muita gente que também vai com esses conflitos profissionais Porque também, conforme o tempo vai passando, nossas ideias mudam e aí como é que você vai agir? Como é que você vai encerrar relacionamentos que você brigou tanto para estabelecer? E aí com o tempo, tem uma frase, Pâmela, depois eu vou falar com você sobre isso A gente só conhece conhecendo Ou, com certeza. Então assim, você se apaixona por aquilo que você criou. Serve pra empresa, serve pra pessoas, né? Você idealiza o Meimar, você se apaixona por aquela marcha. E agora? Então, já vou entrar nesse assunto. Tô aqui de olho no tempo, mas tem uma pergunta aqui que ainda tá relacionada ao nosso primeiro assunto e eu acho que vale a pena. Aqui ó, vou abrir pra cá. Como agir com alguém que hoje pede um tempo e amanhã está apaixonado?
Então, essa inconstância de algumas pessoas, esse jeito de funcionar de algumas pessoas que acreditam que elas possam mudar de opinião porque em algum lugar, em algum momento elas entenderam que elas têm essa abertura e essa liberdade com você, mostram o quanto o combinado e o quanto o limite que nós estamos dando pra essa pessoa precisa ser revisto. Se alguém brinca com você, se alguém vira pra você e hoje diz eu te amo e amanhã não tenho certeza, ai hoje eu quero estar com você, ai hoje eu acho que não. Se essa pessoa sente que ela tem essa liberdade é porque ela também está sentindo que você está muito dependente, que você está muito vulnerável e que você está completamente na mão dela. As pessoas precisam nos respeitar e pra que elas nos respeitem a gente tem que ter fronteiras, a gente tem que ter limites. Ai, mas eu gosto muito de fulano, por isso que ele faz isso comigo. Se você gosta muito de fulano e por isso que ele faz isso com você, por que que você não começa a se gostar bastante justamente pra você não aceitar que ninguém faça o que quiser contigo? Eu acho que é esse o pensamento. Ah, eu gosto muito de fulano, sim, mas eu gosto o suficiente de mim pra que ninguém brinque com as minhas emoções. Se a pessoa uma hora me quer, outra hora não me quer, ela vai se decidir agora, porque eu não vou ficar esperando essa inconstância e ferindo os meus sentimentos. Que que é isso? Eu não sei.
Sabe quem é? Essa é uma personagem de um filme que eu assisti ano passado, sem querer e me apaixonei.
Bonitinha.
Capitã Marvel. Qual que é a diferença dela pra outras, tá? E eu nunca fui nessas negócios de bonequinha, bichinho e tal. Pamela, depois se você puder, assista. Capitão Marvel é a história de uma moça que não sabia reconhecer os limites, ela achava que o poder estava fora e quando ela se dá conta que o poder está nela...
É demais!
Nossa, é demais. Então, eu deixo ela aqui, ó.
Tá no Netflix esse filme?
Tá, Capitã Marvel você vai amar, você vai amar.
Vou assistir, vou assistir as 5 de semana. Que demais, eu achei ela tão bonitinha.
Eu recomendo todos que estão aqui pra assistir Capitã Marvel, homens ou mulheres, tá?
Adorei, adorei.
E fala sobre a questão do amor próprio, da autoconfiança.
Nossa, tem que assistir, tem que assistir. Porque essa é uma dica fundamental, a pergunta que você fez é uma dica fundamental pra todo mundo, mulheres e homens. Ah, mas fulano brinca com meu sentimento, tem hora que ele quer, tem hora que ela não quer. Se você percebe isso na pessoa com você, então primeiro olhe pra si. Quais são suas fronteiras, quais são seus limites? As pessoas só vão brincar com você, isso serve pra amizade também, isso serve no trabalho também, as pessoas só vão te desrespeitar, só vão brincar com você, só vão te abusar e só vão ultrapassar os seus limites se você não tiver. Porque a partir do momento que você tiver e você mostrar, a pessoa não faz. O cara vai ter medo de fazer isso com você, porque ele vai saber que se ele fizer isso, você simplesmente vai virar a página. A pessoa tem que entender que se ela não cuidar, ela vai perder. Ai, Pamela, que radical. Não é radical, é real. Se eu não me respeitar, você vai me perder. Não tem que ter esse stress. Não. Tem que pôr limite. Ah, não sei se eu quero hoje. Ah, sei lá. Tem cada situação que a pessoa humilha a outra. Ai, mas eu não posso perder. Pelo amor de Deus. Se o outro tiver essa certeza, e se essa pessoa tiver uma baixa autoestima, se essa pessoa for perversa, ela vai fazer da tua vida um inferno.
Capitã Marvel.
Boa.
Recomendação da tia Isa. Opa! Agora o seguinte, eu ainda tenho duas perguntas pra te fazer, toque de olho no tempo Aí você escolhe o que você quer pra esse tempo A história do como manter então o afeto com o passar do tempo Como manter esse afeto, esses limites, ou seja, se revisar. Ó, vamos revisar o nosso combinado, né? Porque todo mundo também é milhão e pode ser que alguma coisa passe. E a outra que é a história do ambiente profissional. Como você consegue... Porque se eu não coloquei limite quando eu comecei naquele ambiente, depois fica até um pouco mais difícil, mas não é impossível. Você tem alguma dica quando você tem que ir em uma relação profissional?
Vou falar dos dois. No primeiro, quando você me fala sobre isso, sobre manter o afeto na relação, eu acho que eu fui aprendendo isso na minha terapia, na minha terapia de casal. Eu gosto muito do que eu falo pras pessoas, do que eu falo pra você, eu aplico em mim. Eu sou uma pessoa, eu tô vivendo Eu acho que, pra fazer sentido pra mim, eu aplico muito em mim. E melhorou muito a minha vida, então acho que isso pode ser, eu transmito pros meus clientes e pra quem quiser, eu acho que isso é muito importante. Eu acho que a conversa, mas muito mais do que a conversa simplesmente quando se fala, saber conversar. Eu falo por mim, tá? Eu que trabalho com isso, já trabalhava há muito tempo, eu não sabia conversar. Eu tinha um hábito, eu tinha um hábito de um senso de justiça dentro de mim, que às vezes eu começava a discutir com alguém e eu falava assim, não é justo, eu tinha muito isso. Não, não é justo. O certo é, eu tinha um discurso muito assim, o certo é, né, eu sempre tive uma cabeça assim, meu pai foi muito rígido no sentido de educação, do que é certo, do que é errado e obviamente eu tinha isso. Então eu tinha nas discussões uma cabeça muito fechada. Não, o certo é isso. Então não tinha muito papo, né. O certo é esse ou eu ficava fechada no meu mundo. Se a pessoa não compartilhava daquilo, acabou. Bico pra cá, bico pra lá, fica sem falar e aí rompe, aí briga e fica de cara feia e as coisas crescem. E aí, um dia, fazendo, não era nem terapia, era minha especialização em casal de família, ela nem sabe disso, mas a Denise Mendes, que era minha professora na época, ela olhou pra mim, eu tava falando alguma coisa e eu falei, não, não é, ela tava contando alguma história e eu falei assim, mas não é certo isso, não sei se era um caso, eu falei, não é certo isso. Ela olhou pra mim e falou assim, o que é certo pra você? E aí eu falei, ela falou assim, então, isso é certo no seu mundo. No meu mundo, talvez isso não seja certo. E parece uma besteira pra quem tá escutando, mas aquilo abriu minha cabeça. Porque assim, eu comecei a entender que não tem certo e errado. Tem o que eu sinto. Eu sinto. Então hoje as minhas conversas com meu parceiro, já faz bastante tempo, elas são infinitamente melhores. Não só com ele, na vida, com amigos e tal. Eu exercito muito, como eu falei pra você, que eu acho que todo mundo tem que exercitar, uma humildade de escutar o outro. Então assim, mesmo que eu sinta que eu sou cheia de razão, que eu tô certa, que a gente tem muito isso, né? Eu tô certa, eu tô errada, eu tô certa. Eu costumo fazer assim, me fala. Ontem mesmo, foi muito legal, a gente teve uma puta conversa boa, eu e meu marido, de uma situação, e aí, na hora, eu não tava concordando, sabe? Eu aqui dentro não tava concordando. Mas eu falei, não, eu vou ouvir. Aí ele, o que você acha do que eu tô falando? Eu, num primeiro momento, eu falava assim, nossa, eu não me acho nisso, eu não vejo isso. Mas essa era a verdade, isso que eu sentia. Mas eu viro pra ele e falo assim, não, eu tô te ouvindo. Aí eu recapitulo, eu tô entendendo o que você tá falando, isso, isso, isso, isso é isso que você tá sentindo. Então eu vou pensar. Eu vou pensar. E quando você dá um lugar pro que o outro tá falando, você faz um carinho no outro. Só que é um carinho, eu falo que é um carinho no coração do outro, é um carinho interno. Quando você me diz alguma coisa e eu abraço o que você me fala, eu trago pra dentro de mim Eu dou um lugar, eu dou um espaço e isso também fica comigo pra eu poder olhar praquilo melhor. De repente, o que eu estou achando não é o que o outro tá sentindo. E se o outro está sentindo algo e aquilo está ferindo e aquilo tá machucando, isso tem que ser importante pra mim. Não é essa pessoa que eu escolhi tá comigo, então eu abraço a dor que essa pessoa sinta, mesmo que de alguma forma não consiga acessar num primeiro momento. Então, a capacidade de escutar. escutar, a capacidade de abraçar o que o outro sente, considerar e dar um lugar pra isso, pra mim, é saber conversar, é construir uma ponte de comunicação sólida, fazendo com que esse afeto, ele seja sempre revitalizado, ele vai sendo revitalizado. Porque afeto, na minha visão, ele vai existir se houver respeito. Se não houver respeito, o afeto não se sustenta. O afeto vai acabando. Porque no lugar do afeto, você vai tendo o desafeto. Você vai tendo o desrespeito, você vai tendo a desconsideração. Então, para o afeto permanecer em todas as relações familiares, amizade, amorosa, é você respeitar as emoções do outro assim como as suas emoções você quer que sejam respeitadas. É como eu penso. A outra pergunta, qual era isso? Eu esqueci.
Em relação ao ambiente profissional, levando em conta das relações desde o tio da padaria até as paredes do seu quarto, enfim, o seu ambiente profissional, a gente se relaciona com muitas pessoas E é evidente que umas você vai ter mais afinidade e outras não Então, como eu consigo estabelecer limites num momento em que eu não fiz antes sem me sentir mal. Não sei se é essa palavra. Mas como é que eu organizo a casa? Como é que eu organizo a bagunça nessas relações que com o tempo, lembra? A gente só conhece conhecendo. Eu vi que não é pra mim.
Eu acho que a vida, a gente tá sempre com uma balança, né? Uma balança daquilo que eu dou, daquilo que eu recebo, o quanto eu sinto que há um equilíbrio relacional, o quanto eu percebo que essa pessoa me faz bem, aquela pessoa não me faz bem. Então eu acho que o bom senso tem que ser exercitado pra começar a colocar na balança o que vale a pena e o que não vale a pena. Os meus objetivos, as minhas estratégias, o quanto muitas vezes eu não tô conseguindo me respeitar naquele lugar e colocar limites porque eu tô preocupada se eu vou ser prejudicado, se alguém no trabalho não vai me olhar de um jeito bom e tal. Eu gosto muito da gente se despir da vaidade, né? Eu acho que a pessoa que coloca limite, ela é uma pessoa que num primeiro momento ela se propôs se despir da vaidade. Porque o cara que diz sim pra todo mundo, na minha visão, ele é muito além de ser o legalzão. Eu acho que ele é um cara bem vaidoso, na verdade. Eu acho que ele é um cara que não quer tá mal com ninguém. E quem não quer tá mal com ninguém acaba ficando mal consigo mesmo e num segundo momento acaba ficando mal com as pessoas. Porque você não vai conseguir agradar todos. Esquece, você não vai. E quanto mais você Ousar, tentar fazer isso, você não tá consciente das suas limitações humanas, né? Então nós temos as nossas limitações de prioridade, de tempo, que é o tema que você traz tanto. Então a gente tem que saber colocar limite. Ah, então vai ter quem não goste, que era essa a dica principal, né? Vai ter quem não goste, vai ter quem faça cara feia, vai ter quem fale que você tá com um problema diferente, que você mudou, que você tá metido, que você sei o que. Vai ter, porque as pessoas, primeiro, elas estão acostumadas, você sempre disse sim a tudo, elas estão acostumadas com isso, mas eu penso que as pessoas que só estiverem interessadas naquilo que você tem pra dar pra elas, elas vão embora. Que bom Que bom, né? Porque ficarão aquelas pessoas que te respeitam. Mas vão ficar poucas pessoas, porra, Mela. Nossa, mas aquela amiga foi embora, aquela outra tal. Será que era amiga mesmo? Será que aquela pessoa se interessava na sua saúde, na sua integridade física? Será que aquela pessoa se interessava por você? Ou será que ela te interessa em você? Em algum benefício que ela fosse ter sobre você? Então eu acho que as pessoas que estabelecem limites e que elas percebem que elas têm perdas, mas posteriormente elas têm ganhos, porque algumas pessoas ficarão, entenderão e respeitarão, elas vão entender tudo. Quando a gente é verdadeiro e quando a gente tem fronteiras e a gente tem limites e a gente exercita isso, A gente não vai ter tantos amigos assim. Que bom, a gente vai ser lúcido da verdade da vida. Porque ninguém tem tantos amigos assim. Você não tem mil amigos que nem você tem no Facebook. Aquilo lá é conhecido. Pessoas que se importam, que gostam, que significam na sua vida são raras. E a gente tem que saber quem são.
Um bom exemplo, Pamela, eu vejo assim, se você for fazer hoje, ainda mais que a gente tá vendo esse isolamento, uma festa de aniversário, você só pode convidar 10 pessoas, quem você convidaria?
Você tá me perguntando isso?
É, não. Eu acho que esse é um exercício que a gente precisa fazer sempre.
Ah, tá. Eu já achei que você queria que eu falasse aqui.
Ah, não.
Eu não vou te perguntar.
Eu espero também que você tá me ouvindo.
Não, é que eu sou tão espontânea. Eu até esqueço que a gente tá na live. Eu já achei que você queria que eu falasse.
Olha a vaidade da Isabel. Mas acho que isso faz parte... Tia, você estaria.
Você sabe disso. Você é muito especial. Gosto muito de você. Te respeito e te admiro muito. Eu adoro isso. Esse exercício que você falou é muito importante. E eu complemento. Quem aguenta o seu não? Quem aguenta você dizer não? Não tenho essa grana pra te emprestar. Não, não posso te dar uma carona. Não, não dá pra te receber em casa. Não, eu não consigo ir hoje no seu aniversário, eu tô muito triste, eu tô com vontade de ficar embaixo da coberta e chorando. Quem aguenta ser contrariado por você? Eu acho que quando a gente começa a olhar quem são as pessoas que aguentam, são as pessoas que te respeitam. Porque gostar da outra pessoa não é só porque ela faz pra mim ou ela é boa pra mim nesse sentido, porque eu consigo extrair tudo dela. Mas são as pessoas de verdade e as pessoas de verdade, em muitos momentos, elas vão dizer pra você que não, que elas não querem, que elas não vão, que elas não podem. E que bom você poder dizer isso e o outro respeitar, né? Que bom você poder dizer isso e o outro entender. Isso é maravilhoso.
É perfeito. Pois é. Nessa história de fazer uma lista, como você falou mais cedo, faz uma lista do que é positivo e do que é negativo e eu vejo uma... Deixa eu voltar. Eu vejo tanta solução nisso que a gente não gosta de fazer lista. Aí eu falo, tá, mas se você for no supermercado e não fizer lista, vai chegar lá e você não vai lembrar disso. É bom você ver. É bom, né?
É seguro. Sem dúvida.
E fazer essa lista do que é importante hoje, quem são as pessoas, as relações, faz parte dessa atualização de identidade. Eu faço por isso sempre.
E assim, e aguentar se afastar, e aguentar, entre aspas, perder o que de nada acrescenta. Porque as vezes as pessoas elas querem número, quantidade, mas elas esquecem da qualidade. E em muitos momentos a gente tem que fazer esse balanço sim, né? Quem significa, quem é bom na nossa história, quem faz bem pra nós, quais relações são equilibradas, quem é a pessoa que me aceita com as minhas limitações, do jeito que eu sou, né? Porque é muito fácil alguém te aceitar e te querer porque você faz tudo pra ela, né? Então é bom pôr na balança pra quem que eu tô fazendo um monte de coisa e que, na verdade, tem um retorno tão escasso, né? Ou nem tem retorno.
É isso mesmo. Pamela, eu tô querendo agora, nos últimos sete minutos, eu tô olhando aqui as mensagens... Tanta mensagem. Assim, eu fico com o coração apertado porque eu queria falar aqui, mostrar todo mundo, tentar responder todo mundo, mas... Sorteia.
Aí, dá uma sorteada.
Bom, eu vou seguir meu coração, tá, gente? Minha intuição. Nossa senhora. Os psicopatas são capazes de amar, isso vai ser outra live. Tempo no casamento.
Não, já respondi.
Aqui ó, Aline Bozo. E o tempo no casamento? Nossa, essa pergunta é difícil.
Muito difícil, mas eu penso que assim, o tempo no casamento é um término. É um término. Eu vou terminar Como que eu vou dar um tempo no casamento? Eu vou me afastar da pessoa? Você imagina a loucura que é, a preocupação? Ah, porque vai ficar com alguém, porque vai sair com alguém, porque não tem que sair. Então, assim, gente, uma coisa importante, né? Essa palavra que você falou, sério, foi bom porque é o que todo mundo faz. Na verdade, não é um bicho de sete cabeças. A palavra termina assusta muito, mas o fato de eu terminar por um tempo e eu voltar depois é tão possível. Por quê? Porque eu dar um tempo, eu acho que é como se a gente tivesse uma dozinha de terminar e a gente fica se enganando. Ah, mas eu dei um tempo na minha relação. Gente, você terminou, né? Porque você acha que a pessoa ficou o quê? Rezando? Rezando lá, seis meses, oito meses rezando, né? Toda noite rezando. Ah, mas tem quem faça? Tem, mas gente, ser humano, né? As suas necessidades, as suas carências, a sua necessidade de autoafirmação. Então, assim, eu acho que é muito mais justo Você terminar, né? Então você se afasta, você se desliga daquela pessoa. Você não precisa ir lá no documento já, ou romper meu casamento. Você pode terminar, fazer um acordo. Ó, a gente tá separado por um tempo, tudo bem? Vamos pensar com você? Aí a gente volta a falar. Eu penso nisso no casamento. Então a gente vai ficar separado, faz um acordo, cada um do jeito. Olha, eu vou lá pra um flat, eu vou pra casa da minha mãe, vamos ficar, a gente tá separado. Por que esse combinado é importante? Porque tem gente que faz assim, vai pra casa pra um lugar, mas fica se vendo todo dia, mas fica se falando, controlando. Ou você tá porque você não atendeu o telefone e aí vira uma briga absurda. Tem caso que dá certo, tem gente, mas assim, é um em mil essa história. O melhor é, faz um acordo bom, separa de cópias, deixa cada um tocar.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








