REACENDA! Com a doutora Telma Trigo.

Isabela talks with Dr. Telma Trigo about burnout syndrome: what it actually is, why people misunderstand it, and how work stress damages your health and performance.
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Olá, olá. Muito boa noite. Hoje é dia 6 de julho, 7h30 da noite. Eu tô muito feliz em saber que você vai nos acompanhar nessa semana Reacenda, pra gente desmistificar a Síndrome de Burnout. E nesta segunda, eu tenho o privilégio de dividir essa próxima hora com vocês, com a doutora Thelma Trigo, pioneira dos estudos da Síndrome de Burnout no Brasil. Boa noite, doutora. Tudo bem?
Boa noite, tudo bem Isabela? É um mega prazer estar com você, você sabe disso, né? É uma honra e de novo parabéns aí por todo o trabalho, trabalho duro, viu? Parabéns mesmo.
Obrigada, doutora. Eu não faço nada sozinha. Eu só compartilho aquilo que vocês, especialistas, me dão de informação. E por isso, como a gente precisa semear, as palavras são sementes, eu vou abrir então agora a nossa conexão, além aqui do Facebook e do YouTube, que eu já estou vendo aqui um monte de gente entrando, Joel, José, Jeredi, sejam todos bem-vindos. Eu vou abrir então agora pelo Instagram. E aí, assim, nós vamos fazer a nossa transmissão por essas três plataformas. Só vou colocar aqui o nosso tema no Instagram. E a gente vai abaixar totalmente o som do nosso fone agora, doutora.
Então o...
A gente vai abaixar totalmente o som do nosso fone agora.
O fone daqui ou o fone daqui?
O fone do laptop. Tá.
Pronto.
Totalmente baixinho. E a gente vai falar agora aqui pelo Instagram. Agora sim?
Oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi.
Oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, oi, E oi, a doutora Thelma é treinadora cerebral, então você pode sair do esgotamento a alta performance com saúde. E isso faz toda a diferença neste modelo de vida que nós temos, não é doutora? Boa noite mais uma vez.
Boa noite então pra todos, boa noite de novo Isabela, de novo obrigada demais por estar aqui, tá? E aí que você falou, né, da performance, as pessoas realmente, elas acham que performar é estressar e trabalhar cada vez mais, né? E na verdade não é bem isso, isso se chama ilusão da performance. A performance é você entender o que você quer, como você chega e não ter e não desistir diante dos obstáculos para que você seja feliz.
Olha só, a gente já começa a live a Viviane, Janine, que interessante, nunca havia falado sobre isso. Viviane, eu vou até pedir aqui antes da gente falar sobre a Síndrome de Burnout, Thelma, para você trazer mais um pouquinho para quem está chegando agora sobre essa ilusão da performance. Por quê? Nós vamos falar justamente sobre a síndrome de burnout, que é o esgotamento profissional. E essas pessoas só se esgotam porque estão trabalhando demais. Ou seja, muitos estamos pensando que estamos com a performance 100%. E, na verdade, isso, pelo jeito, se eu não sei fazer, me dá um custo muito alto pra minha saúde. É isso?
Exatamente. A gente tem que ter um nível de estresse, que a gente chama de estresse bom, pra que você comece a aumentar a sua produtividade, que não é a produtividade do meu trabalho, é o prazer das vidas, dos obstáculos, de enfrentar as dores, os prazeres, e aí você chega num ponto em que você tá usufruindo do seu potencial. Mas existem pontos em que você vai começar a diminuir essa sua produtividade Só que às vezes, como você tá numa sensação de que tá cumprindo todas as tarefas E que, nossa, olha como eu produzo, você começa a entrar num nível de ilusão E aí como é que a gente pode perceber isso? Por exemplo Não, não, hoje eu já não vou poder sair com ninguém porque eu tenho que fazer tal coisa Ah, vamos lá, Isabela. Não, não dá porque eu tenho uma tarefa, não sei. Ah, você hoje vai ver a sua família. Mãe, não posso te ver, não dá pra falar, viu mãe? Ah, não, tomar banho é coisa rápida. Jantar também é coisa rápida. Já tô com o celular. Então, é uma ilusão que você tá performando. Você deixa de ir no seu cinema, que agora a gente não tá podendo, mas vou falar do dia a dia, né? Deixa de assistir um filme, deixa de estar com as pessoas que você gosta. Porque se tem uma sensação que você está perdendo tempo, Nossa, isso é burnout. É uma ilusão, né?
Eu entendo, Thelma, e aí quero passar a palavra para você, que o burnout Bom, ele vai dando vários sinais no corpo, até que acontece uma grande situação em que você fala, opa, acho que agora tem que parar, eu não ouvi os sinais anteriores, mas muito por conta dessa ilusão da performance e por eu pensar que eu não posso ter esses momentos de descanso, de lazer, e isso a médio e longo prazo é muito prejudicial, não é?
O organismo, ele tem o estresse dele e ele precisa, a partir do momento que você tem o estresse, ele vai lutar pra reequilibrar, isso faz parte. Então, se você teve um machucado ali na sua mão, tá sangrando, ele vai tentar fazer de tudo pra que aquilo se cicatrize. Então, você tem um tempinho pra cicatrizar. Só que se todo dia eu for lá e arrancar a casquinha, e arrancar a casquinha, eu não dou tempo do meu organismo se restabelecer. Então, se você passa um dia no estresse, tudo bem, faz parte, a gente cria um processo inflamatório, mas isso faz parte da vida. Agora, isso não pode ser uma coisa constante, porque o organismo do ser humano, até dos animais, ele não tá preparado pra essa coisa. A gente era e é ainda o animal, vamos dizer assim, entre aspas animal, né, mais perigoso de todos. A gente vivia num ambiente em que nós tínhamos o domínio. Essa coisa de que leão atacava grupo humano, isso aí, eles não se atreviam não, né? A gente que fica com essa coisa de que vai vir um urso, não sei o que não, mas a gente vivia de um jeito Muito mais tranquilo, realmente no meio da natureza, os estresses eram poucos, os homens caçavam grandes animais, não era sempre, era de vez em quando só pra mostrar poder, mas o dia a dia eram com animais pequenos e muita planta, todo mundo perto da família. Então, a gente tá muito diferente, né? Hoje, se você vai ter um filho, muitas vezes você vai ter que ter uma pessoa que nem é do seu sangue pra cuidar da criança. Então, todo esse contexto tirou a gente do ambiente biológico natural. E aí você fica nessa coisa de que a sua produtividade tem que ser todo dia, tem que ser todo dia... vão formando um processo inflamatório com esse estresse crônico e você não dá tempo do seu organismo se recuperar, até porque você nem vive num ambiente natural.
Perfeito. Thelma, eu quero aqui fazer um convite para todos que estão nos acompanhando. Eu vou tirar os comentários para que as pessoas possam te ver, mas faço o convite para vocês enviarem as perguntas aqui nesse pontinho de interrogação pelo Instagram e no Facebook e YouTube, eu tô vendo aqui direto. Então, em muitos momentos, Thelma, em que eu tô olhando aqui para o lado, é que eu tô vendo as mensagens, tá? Eu já vou, antes de tirar aqui os comentários, falar o que o Alison Cohen disse. Frescura. E eu ouço, desde que eu vivia a Síndrome de Burnout, falar que o que estamos falando é frescura. Mas nós temos um estudo da USP, que traz o último número, nós temos quase duas vezes a população de Portugal com a Síndrome de Burnout aqui no Brasil. São quase 20 milhões de habitantes com o diagnóstico da Síndrome de Burnout. E tanto a Organização Mundial da Saúde quanto a ONU já reconhecem que esse é um problema extremamente incapacitante. Né, Thelma? Então, como você é a pioneira dos estudos sobre a Síndrome de Burnout, eu gostaria então de primeiro lhe perguntar, é frescura o que você escolheu estudar há 20 anos? E me conte por que você começou a estudar.
Primeira coisa, eu não conseguiria seguir alguma coisa por frescura, eu sou bastante ortodoxa, eu vou muito a fundo do que tá acontecendo no organismo, eu tenho essa pegada biológica, né, e aí se eu acho que é frescura aí eu realmente começo a não acreditar e acabou, né, mas não foi o caso. Então tudo começou quando eu trabalhava num pronto-socorro, lá naquela época, né, então pouco tempo que eu comecei a carreira, E aí, esse pronto-socorro, eu adorava as pessoas, adorava os pacientes, mas por incrível que pareça, o ambiente físico era um ambiente muito hostil. Porque eu vejo essa coisa do médico, né, que é herói e tal, na verdade, eu fico até preocupada com essa forma de ver, porque você espera muito de um herói. E se o herói não tá à altura, né, ele vira às vezes bandido, vilão, enfim. Então, o médico de plantão, qualquer ser humano, ele tem uma necessidade de ter um sanitário minimamente, uma piazinha. A gente precisa, quando tá de plantão, puxar lá às vezes, porque a partir do momento que você começa a tratar alguém e você tá muito sonolento, vai aumentar muito a chance de você errar. Então, e também comer, né? Então, por exemplo, às vezes eu atravessava a rua, você nem pode pegar carro, você tá de plantão, você atravessa a rua pra comer alguma coisa, então eu me lembro assim que era a base de costinha, porque não tinha nada que eu pudesse comer, meus amigos também, meus colegas. E aí eu comecei a notar um movimento em mim, quando eu chegava na véspera de ir pro plantão, eu começava a ficar estranha. Meio assim irritada, já querendo que a minha vida passasse rápido, pulasse o dia, sabe aquela coisa? Não, mas amanhã é como se fosse... Estou matando esse dia. Esse dia vai para a terra do nunca. Bom, aí eu comecei a perceber essa coisa estranha, e aí o alívio de sair. E eu gostava dos meus amigos, a gente não tinha um clima competitivo de mal-estar, e também o diretor do ponto-socorro, tudo aquilo. Só que, além do ambiente físico, tinha a questão dos valores. Eu pensava assim, poxa vida, eu aprendi tanto na universidade, cheguei aqui e tenho essa estrutura zero pra conhecer os pacientes, isso me dava uma angústia, um treco assim, que eu falava, nossa, o que eu tô fazendo aqui? O que eu posso contribuir de verdade? Que é a tal da síndrome da gota no oceano, né? Você fala, não vai fazer diferença, eu tô aqui, não vai fazer diferença nenhuma. Aí eu comecei a achar que eu não estava realizada naquele lugar. Então eu já estava ficando irritada, já não estava conseguindo ficar realizada, mas aí assim, acho que o problema é meu, né? Aí eu comecei a perceber o movimento dos amigos, de pessoas incríveis, médicos incríveis, que inclusive fora dali tinham outros trabalhos de muita responsabilidade também. E aí eu vi que eles tinham esse movimento, achei estranho, até que eu ouvi assim, quanto mais estou aqui, menos estou.
Quanto mais estou aqui, menos estou.
Menos estou. Falei, gente, não para que tem um treco aqui acontecendo. Porque eu não estava lidando com gente mal carada. Eu não estava lidando com pessoas más ou que não estão nem aí. Ao contrário, pessoas que se dedicavam. Eu acredito que o médico é tipo aquele exército de formigas, sabe? A gente está ali meio que na defesa mesmo. Vamos defender o território, né? E aí chegavam os pacientes. Às vezes eu até ficava assim, ai meu Deus, os pacientes... Aí quando você vê a pessoa, já dava aquela... você derrete. Sabe, você vê, aí você acolhe tudo. Bom, enfim, aí eu comecei a estudar a respeito. Eu queria entender o que estava acontecendo, porque era ali, e o povo saía, parecia assim, que estava se libertando, saltitante, saindo do lugar. E não era só eu. Eu comecei a estudar, estudar, estudar, estudar. Eu me lembro, na época, imaginando, residente ainda, morava até na Andorgácia, literalmente. E até que de repente eu me deparei com esse nome Síndrome de Burnout. Era a primeira vez, isso era 2002, uma coisa assim. E aí eu fui ver quem era a pessoa que estudava isso. Bom, nesse estudo todo, eu me olhei de novo naquele pronto-socorro e eu vi que eu tinha de pensar não só mais naquele lugar, eu vi que ali não dava mais, não era mais pra mim, porque eu realmente era uma gota no acendo. E eu vi aqueles meus colegas e falava assim, poxa vida, tá acontecendo alguma coisa com essas pessoas, essas pessoas cuidam de outras pessoas e elas não são assim, porque são culpadas. Então, o que está acontecendo? Quando eu comecei a estudar, eu me envolvi com esse assunto, né? Falei, gente, tem mais gente no mundo pensando e vendo a mesma coisa. E eu pedi demissão. E a gota d'água foi quando veio um paciente, tadinho, e falou, ô doutor, eu preciso dessa receita. Eu olhei a receita dele, avaliei, falei, caramba, eu não posso prescrever isso. Tá errado esse negócio. Mas eu tava num pronto-socorro. Eu lembro que eu cheguei pro diretor e falei assim, olha, como é que eu vou fazer com essa coisa? Eu não concordo com o diretor. Pelo amor de Deus, quebra um galho. Vai quebrar um galho, galera. Fora que não tem confusão nenhuma no SUS por aí, vamos ter que quebrar galho. eu vou quebrar galho, vou botar esse remédio dentro dessa pessoa. Aí nesse dia que eu ia pedir demissão, e depois eu ouvia assim de alguns colegas, ah Patricia, tá pedindo demissão e não tá nem chegando, tá morrendo. Mas eu sabia que aqui tava na hora de ir, porque aqui eu já tava indo contra os meus valores, então tinha um ambiente físico, físico mesmo, e a sensação de que você encolheu o.
Tempo diante Ou seja, para quem está entrando agora, nós estamos conversando com a médica Thelma Trigo, pioneira dos estudos da Síndrome de Burnout no Brasil e também treinadora cerebral. Falamos já já, você pode inclusive rever pelo YouTube, sobre a ilusão da performance, que é então a chave que ela muda, em que você pode ir do esgotamento até um rendimento de alta performance com saúde, o que é totalmente diferente da Síndrome de Burnout. Thelma, você falou então agora sobre a falta de estrutura que vocês médicos tinham, estrutura para comer, para ir ao banheiro, para tirar o cochilo dentro de uma escala de 12 horas, né? E falou também das condições de trabalho com a falta de autonomia. Isso te fez buscar o significado da síndrome de burnout. O que você achou aqui no Brasil e fora?
Então, quando eu vi aquilo que eu estava percebendo, eu chamava síndrome de burnout, eu fui ver quem que eu estudava aí, como eu media esse negócio, eu procurei e não achei nada. Aí o que é que eu fiz? Já que eu tinha pedido demissão, então eu vou botar na lista das mortes, e fui parar lá na Califórnia, sem nem saber inglês direito, sei lá, é coisa que vai, né, vem, aí peguei E fui lá e trouxe a escala. Só que eu trouxe a escala, mas não tinha estudo nenhum, não tinha projeto de nada. Ninguém nem sabia quem ia virar professor do projeto meu.
Qual o nome da escala? Oi? Qual a escala, perdão?
Eu trouxe a escala de Maslach, que faz uma avaliação, que é a escala mais usada hoje no mundo, e ela é feita por uma psicóloga lá em Palo Alto, onde está a escala, na Universidade da Califórnia. E depois que eu trouxe, eu resolvi então que eu ia chegar nos meus professores e falar que eles iam participar do meu projeto. Então eu queria traduzir, porque eu queria medir, eu queria entender aquele negócio, só que aí quando você traduz uma escala, é uma coisa interessante, eu até era meio inocentinha, porque imaginava que era você traduzir, sabe assim, tipo escala que vai na revista, né? É lógico que eu entendi que era um processo complexo, mas eu não sabia que era tão complexo. Então é todo um processo que você pega o inglês, traduz para o português, aí o especialista que é inglês, tem três especialistas que fazem o back-translation, que é a retradução, e aí depois você tem que validar num grupo pequeno, depois você vai... Bom, eu acabei entrevistando 521 auxiliares de enfermagem do Hospital das Clínicas.
521?
521, e era aquela coisa ali que não tinha internet não, era meia hora de entrevista, conversando, era um tal de bombom que eu dava de chocolate de presente, aí eu comia também, enfim, foi super divertido, mas do 1º ao 9º, ao 10º, ao 11º, era sempre o cirúrgico, entrei, pronto-socorro E aí eu convivi com essas pessoas, né? Eu queria avaliar médicos e enfermeiras e auxiliares, e os auxiliares eram um número muito grande, tinha a escala muito certinha, então era muito mais fácil eu chegar pros auxiliares pra fazer isso. E aí foi que, no final, eu acabei sendo a primeira aí, porque tem todo um processo legal também. Você precisa da autorização da editora, da própria autora, até para você fazer publicação internacional. Não é simplesmente você pega uma escala, traduz e vai usando. uma responsabilidade para chegar nesse ponto. E o caminho aparentemente foi duro porque as pessoas não acreditavam, mas isso eu nunca achei que fosse um obstáculo realmente. Os meus professores, vou chamar eternamente de professor, por exemplo, doutor Jaime, doutor Renério, Eles falam assim, não acredito muito nisso, mas eles nunca me falam que é um absurdo, que é uma novidade. E assim, a prova disso é que o meu projeto foi um dos únicos três aprovados com louvor naquele ano. Então, eu vi ali uma abertura para o assunto.
Perfeito.
Cara, eles estão prontos para ouvir, mas a gente teve uma confusão, a gente não estava sabendo ainda direito o que é e o que não é, como ainda a gente não tem muito essa estrutura para avaliar.
Aí, mesmo tendo, então, essa perspectiva dos médicos, muita gente não conhecendo, você foi em frente. E aí, o que você descobriu há 20 anos? O que estava acontecendo com essas 520 pessoas que você entrevistou da área da saúde?
Olha só, teve uma coisa que era muito interessante, que eu achava que o tempo de transporte era de fatores interessantes. Eu perguntei até o tempo que elas levavam para chegar no local.
De deslocamento.
Eu tinha certeza. Nada a ver. Não influencia. É. Nada. Sua voz sumiu.
É mesmo? Tá me ouvindo?
Agora voltou. E assim, eu me surpreendi com isso porque você vê que a gente tem algumas crenças, né? E na verdade, o que sobrecarregava muito essa coisa dos turnos, o sono, é realmente um negócio impressionante. E essa coisa da sobrecarga mesmo, porque você imagina um hospital, né, que vem todo mundo de todos os lugares e tem uma estrutura. Olha que assim, a gente tem lá medicamento, a gente tem aparelhagem, porque senão é pior ainda. Você se vê realmente impotente diante da situação. Mas a tal da sobrecarga, ele dá, obviamente, uma carga emocional. principalmente assim, PS, né, o pronto-socorro, dava mais pontuação. Tem uma... Pode falar.
Não, não, por favor. Você falou sobre o curro, a sobrecarga de trabalho e a carga emocional.
A carga emocional, então a área de urologia, né? Mas ao mesmo tempo você via que eram pessoas ali que estavam numa área insensível, porque elas viam muita gente que vinha e que não voltava mais pra casa, né? Então, é um negócio duro, sabe? E ela se apega aos pacientes. Assim, a gente se apega aos pacientes. E quando isso acontece, você lida com a vida, a sensibilidade, a fragilidade da vida, né? Como ela escapa, às vezes. E eu não senti nelas tanto peso quanto, por exemplo, eu senti no pronto-recorro. Por incrível que pareça, né? Então, o tipo de trabalho também, como a situação que você tem que lidar, o quanto você se pressiona ou é pressionado, a forma como você lida com as suas necessidades físicas.
O quanto você se doa, como você disse, essas profissionais que conviviam mais e criavam vínculos. Tô entendendo o que é isso, né? Quando você cria um vínculo. Doutora Thelma, eu vou abrir aqui, tem muitas perguntas, tá? E eu tô de olho no tempo e esse é um assunto que se deixar, nós vamos ficar horas falando. Mas enquanto eu abro aqui a pergunta, tem muita gente aqui no Facebook e no YouTube, inclusive, olha só o nome aqui do seguidor pelo YouTube, o Orcaholic News. Eu já te pergunto, só tem burnout quem é workaholic, quem trabalha demais?
Não, assim, é o que eu te falei. Quando a gente trabalhava demais, Mas quando você vê os seus valores, o valor é um negócio muito louco, né? Porque tá dentro de você, tá na sua história, e aí você se depara com um lugar que não te faz feliz. E é isso. E às vezes você se sobrecarrega, sim, isso é um fator. Às vezes você se envolve muito, esse é outro fator que pode te dar mais suscetibilidade. Existem, até por exemplo, se você trabalha num lugar que é perigoso, não necessariamente você vai ter sobrecarga, mas você tá trabalhando num nível de alerta, então é um nível tóxico, ou muito barulho, ou muita luz. Porque a gente é biologia. Então, essas coisas todas que interferem até nas nossas necessidades básicas, que está sempre te colocando em alerta, isso é muito estressante, né? A gente tem que respirar, só que a gente tem que assumir que tem que respirar, porque às vezes a gente não assume porque está na ilusão.
Ilusão da performance. Nossa, necessidades básicas, faz todo sentido, Thelma. Não só pelo que eu vivi, pelo que eu ouço todos os dias, quando as suas necessidades básicas são tolidas, são de alguma maneira proibidas, aí que o bicho pega médio e longo prazo. Um outro dia tudo bem, mas a rotina, os longos períodos com essa falta de estrutura, como você disse, é que pode trazer uma consequência muito ruim que vem na síndrome de burnout. Antes da gente continuar, o Helmo Nóbrega pergunta qual o sintoma mais frequente do burnout, doutora?
Então, você vê que é uma coisa assim, em termos de literatura é o esgotamento. Esgotamento é o carro-chefe, inclusive você nem precisa ter as outras coisas para ter esse diagnóstico. Mas você pode ter as outras coisas sem ter o esgotamento, porque os meus amigos eu fui antes embora, não sei como seria eu continuar lá e depois eles acabaram indo embora também, eles não tinham esgotamento, mas eles tinham uma dificuldade de lidar com aqueles estressores ambientais com uma má alimentação, com um banheiro, com falta de recurso para poder assistir o paciente e assim. Então, o principal é o exortamento, mas tem que ter uma sensibilidade clínica para não levar o critério, sabe aquela coisa da lista que você vai ticando?
O checklist.
É, a gente sabe que a classificação internacional das doenças, até mesmo a classificação americana, elas são guias pra que a gente não fique perdido e fique dando diagnóstico pra lá e pra cá. Mas o caso do burnout, ele está listado num lugar que ele é um fenômeno relacionado ao trabalho, então ele ainda não é considerado uma doença clínica, ele é uma síndrome clínica. um conjunto de manifestações que a gente não vê fora das causas, se a causa é uma coisa ou se é outra, a gente não está ainda certo, a gente já conversou, ah, não tem cortisol alfa, então não tem, tá? é a coisa da sensibilidade, porque tem gente que vai ter o cortisol alto e tem gente que não vai ter, mas você precisa avaliar essa pessoa em todos os aspectos, desde o que ela come, como ela tá dormindo, como é a relação familiar, como é o trabalho, porque é um sentido, uma aventura toda em volta, e quando você vai fazer uma abordagem dos tratamentos, quando você vai fazer uma abordagem, deixar dentro dela, ela tem que descobrir, porque se ela chegou ali, Ela tem tudo isso ao redor. Ela negligenciou aqui. Ela negligenciou aqui. Eu dou conta e vou pra cima. Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será que ela dá conta?
Lógico dá, mas a preço?
Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será que ela dá conta?
Lógico que dá, mas a que preço?
Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a preço? Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço? Será que ela dá conta? Lógico que dá, mas a que preço?
Será que ela dá conta?
Lógico que dá, mas a preço? Será ela dá Deu conta?
L uma travadinha, mas você vai voltar. Aqui no Facebook e no YouTube está ok. Voltou. Voltou para o Instagram.
Agora você voltou também.
Está tudo bem nos três.
Vamos ver. Estou deixando voltar devagarinho. Agora você está travando mais.
Estou te ouvindo.
Então, essa avaliação, né? Essa avaliação é global, tá vindo pra você, né? Eu já vi, já vi um diagnóstico que devia ter sido dado, não é que eu sou dona da verdade, pelo amor de Deus, mas eu também vi gente que chegou com esse diagnóstico, o rosto pegou e não deixou mais vida, Eu vou fazer.
O seguinte, você estava falando sobre essa avaliação global.
Que é.
Necessária a avaliação global. Eu vou fazer o seguinte, como a internet agora tá ficando pior, eu vou encerrar a nossa transmissão pelo Facebook e YouTube e vou manter só aqui do Instagram, tá? A gente vai ver como é que vai ficar assim. Então eu vou pedir para todos vocês que estão aqui no Facebook e no YouTube, irem lá para o Instagram. Patrícia de Saquarema, Marcos Barreto, Emerson Cícero dos Santos, tem pessoal aqui do Norte do Paraná também, Uberlândia, audiência via parabólica, então me desculpem, a internet está muito ruim, vamos todos então lá para o Instagram. Então encerrando aqui essa transmissão.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








