REACENDA! Com a história da publicitária @jakrocha

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "REACENDA! Com a história da publicitária @jakrocha" created on July 7, 2020. It features a conversation between Isabela and Jaque Rocha, discussing Jaque's experience with burnout syndrome, her career in telecommunications, and her journey of recovery and personal growth. The discussion highlights the challenges of workplace stress, the importance of mental health awareness, and the need for supportive work environments.
Chapters
E bom que estamos começando a Semana Reacenda com você, publicitária, mais de 30 anos na área de telecomunicações e que reacendeu, viveu a experiência com a síndrome de Burnout e reacendeu. Obrigada pelo convite.
Isabela, para mim é um prazer. Eu costumo dizer que eu, na verdade, eu me reformatei, passei por momentos dificílimos, Talvez a grande vantagem que eu tive quando eu descobri, fui diagnosticada pelo burnout em 2017, foi o fato de eu ter sempre desenvolvido uma habilidade humana, um cuidado pelo ser humano, apesar de ter exercido sempre uma posição executiva, ter sido treinada para gerar resultados. Então, você espera que o executivo tenha um distanciamento maior de sua equipe e que ele sempre navegue numa camada do andar de cima. Eu, graças a Deus, sempre tive a preocupação com o ser humano, com as pessoas. E eu sempre, apesar de... A gente sabe que a gente veio da mesma organização, de ter um protocolo a seguir, eu sempre andei na contramão. Então, eu tinha a minha cartilha e eu seguia a minha cartilha porque eu achava que aquelas pessoas eram tratadas de uma forma cruel. Não que eu seja a salvadora da pátria, não que eu seja Robin Hood, como eu já fui chamada diversas vezes, mas a minha área era uma área que exigia uma entrega muito grande Era uma área tratada como uma área... Vão embora nos chicotes, vão embora nos chicotes E eu quando assumi o resultado, ele era um resultado muito baixo As pessoas eram entristecidas, as pessoas viviam adoecendo o tempo inteiro E isso me chamou muito a atenção, porque ao longo da minha carreira eu sempre gostei muito de me envolver com as pessoas, com a vida pessoal da minha equipe E muitos gestores, muitos coaches, muitos psicólogos Muitos colegas meus sempre falaram já que isso não é muito bacana Porque você acaba gerando uma relação, uma expectativa com a sua equipe de aproximação E na hora de um futuro desligamento fica difícil, frigente São duas coisas completamente distintas A gente não pode excluir e evitar o outro já pensando que um dia você vai terminar a relação Que coisa mais sem nexo. Então, eu via que a empresa investia muito em avaliação de desempenho, em avaliação de clima, em dinâmicas muito ortodoxas, e aquilo não combinava comigo. Eu queria entender mais. O que tinha acontecido no passado para a gente viver hoje uma gestão tão dura, uma coisa tão enérgica, uma linguagem tão fria, RH passando no corredor por pessoas e não cumprimentando, não dando bom dia, não dando boa tarde? E eu ficava impactada. E aí eu não conseguia conviver nesse ambiente. Então, Eu sempre buscava viver num casulo com a minha equipe. Eu dizia que vivia num mundo paralelo e a gente combinava essa regra. Então eu comecei a adotar mecanismos para que a gente pudesse trazer o teatro, a música, terapias alternativas que a gente criava, que a gente inventava, tinha muitos talentos dentro da área e eu busquei justamente isso. Cara, o que você tem dentro de você que você quer? Joga aqui. Joga tudo aqui. E a gente vai reinventar o que é gestão, mas uma gestão participativa. E eu fui tocando a vida assim. Só que eu fui inventando Eu fui reformatando junto com eles, a gente foi trazendo melhores resultados Só que eu sou uma pessoa que me dedico a tudo muito intensamente Com nove anos eu estudava piano clássico, falava francês, queria falar inglês, queria falar espanhol Eu fui morar nos Estados Unidos muito cedo, eu fiz N em faculdade porque eu queria muita informação Não queria o diploma, eu não quero título, eu quero informação Porque eu achava o seguinte, eu vou trabalhar em algo que eu amo E eu sempre amei o que eu faço Em 2016 eu comecei a ficar muito, muito, muito acelerada Peguei muitos projetos e, infelizmente, não somente a empresa que a gente trabalhou Mas diversas outras estão com... criaram esse hábito de que líderes urgentes criam profissionais urgentes e essa é a moda Grande mentira, grande bobagem e isso está matando os profissionais Ser urgente não significa ser eficiente E dentro das organizações, o que adoece não é você trabalhar O que adoece é você conviver com relações interpessoais tóxicas As pessoas são tóxicas As pessoas jogam você contra a parede para que você tenha raiva do outro e faça todos os dias numa arena, como se fosse um tatame, uma competição desnecessária Quando comecei a olhar isso, falei, gente, que ambiente é esse? Eu tinha abaixo de mim diretamente 100 pessoas Que eu convivia com porta aberta, Isabela Eu nunca tive nenhuma distinção em função de crachá Que era justamente o contrário da filosofia da empresa Um diretor jamais poderia falar com um assistente E eu sempre fiz questão de falar com todos Porque para mim não há diferença Entre pessoas, um cargo não pode fazer eu ser diferente de você Então você, por exemplo, eu não a conhecia pessoalmente Mas nós éramos colegas de empresa, eu era admiradora do seu trabalho Então quando você foi desligada causou em mim um mal estar, uma tristeza tão profunda Uma sensação de injustiça e eu não suporto injustiça.
Jack, tem muita gente aqui nos acompanhando. Para quem está chegando agora, deixa eu só te apresentar mais uma vez. A gente está começando a semana Reacendo, desmistificando a síndrome de burnout com a publicitária Jacque Rocha, que quando viveu a experiência do burnout, lá em 2017, estava como executiva e liderando 100 pessoas. Uma dessas pessoas foi quem nos apresentou, que é a Yasmin, ela já está aqui, inclusive, mandando vários coraçõezinhos e beijinhos. Obrigada, Yasmin, por ter nos conectado, porque esse nosso assunto já, que as nossas histórias são muito pequenas diante do número que nós hoje temos no Brasil, de acordo com a última pesquisa da USP, que são 20 milhões de brasileiros com diagnóstico da síndrome de burnout. Mas as nossas histórias, elas são muito parecidas com a que Toda essa população está vivendo e é importante que a gente traga vários pontos de vista para falar sobre esse problema E você tocou num ponto muito interessante Você lidava com muitas urgências, você criou a sua própria doutrina de trabalho pelos seus valores, certo? Agora, vamos só dar um passinho para trás Para dizer aqui para a turma que o nosso burnout aconteceu mais ou menos no mesmo período, 2017 E também tivemos um apagão Então antes da gente falar um pouquinho mais profundo de toda a situação E de como você se remontou, como você fala Explique então para nós como foi o seu apagão Isabela.
Eu vinha numa batida muito grande 2016 foi um ano que eu passei muito mal Você tem uma ideia, eu vivia na minha sala milhões de vezes aconteceu isso, eu em reunião e dois fisioterapeutas atrás de mim fazendo massagem nas minhas costas porque eu tinha muitas dores na cervical E aí eu saía de lá, ia pro hospital, estresse, dores de cabeça, muito enjoo Eu suava tanto, eu transpirava tanto que eu achava que eu ia me desmaterializar Eu vivia em estado líquido, eu achava que eu jamais voltaria ao estado sólido Eu ficava muito envergonhada porque as pessoas começavam a olhar para mim de uma forma diferente. A minha equipe foi muito querida comigo, muito. Compreenderam de verdade a situação, viram que algo estava de verdade acontecendo e era grave. Eu não dei a devida importância. Toquei aquele ano todo mal. Viajei, eu fazia muitas viagens para o exterior, eu toda segunda-feira embarcava para São Paulo para reuniões, chegava no aeroporto, passava mal, às vezes não conseguia localizar o voo nos painéis e foram situações bem difíceis. Até que numa dessas viagens internacionais, em uma reunião, Eu tive um apagão muito grande No meio de um coffee break eu tive um apagão que eu não sabia onde eu estava No retorno ao Brasil, minha médica disse, você está no nível de estresse, você tem que parar E aí veio uma situação meio multidisciplinar, você tem que ir ao teu cardiologista, você precisa ir ao seu endócrino, você precisa procurar um psiquiatra E aí quando vem aquela palavra psiquiatra, é muito engraçado, porque quando você tem um Você tem a sensação de que você pode estar entrando na lista de uma pessoa que vai para o hall daqueles pacientes com doença mental Você já entra na fase 1, que é a defesa Defesa. Eu? Não, eu não tenho. Então deixa eu voltar à minha vida normal. Pode marcar. Eu falava com a minha secretária. Marca reunião. Agenda normal. Agenda normal. Aquilo foi só um stresszinho. Aquela dor de cabeça vai passar. O mal-estar também. Tá tudo certo. Vambora. Foi só porque era uma defesa. Eu tinha certeza que era uma defesa, mas eu tinha a percepção que o meu sistema nervoso central não estava normal. Eu já estava impaciente, eu não tinha mais a mesma tolerância de sempre A minha memória não funcionava mais Eu comecei a rejeitar a empresa, eu comecei a rejeitar as pessoas Você tem uma ideia? A voz de determinadas pessoas que me causavam uma ânsia de sair de perto de mim Aquilo me dava vontade de sair correndo e ir embora para casa Então foi a primeira fase. Depois eu tive a resistência. Foi quando eu estive num psiquiatra e ele disse, você está com uma doença que é muito rara, é uma síndrome que se chama síndrome de burnout. Eu falei, tá, boa tarde pra você. Você tem que ficar de licença, você não pode voltar. Eu falei, eu vou voltar porque eu fisicamente estou me sentindo ótima. E aí ele disse, você vai queimar o último fósforo que você tem E aí não tem volta Porque é uma síndrome muito séria, é uma síndrome que tem muito preconceito Porque as pessoas não gostam de falar sobre o tema, que tanto para a empresa quanto para As próprias pessoas é ainda considerado algo muito, como você utiliza sempre, muito debaixo do tapete, mas para o seu conhecimento, o governo, a Previdência Social hoje gasta um bilhão de reais com doenças mentais, afastamento do trabalho. Foi uma informação que ele me deu, eu me lembro como se fosse hoje. Jaque, se afasta, por favor. Porque você vai ter taquicardia, você vai ter doenças, sintomas gastro-indestinais, você vai ter a sudorese, você vai ter... Suas taxas todas vão aumentar porque o seu cortisol tá lá em cima Aí eu falei, é? Ótimo. Voltei pro trabalho, Iza Voltei Passou uma semana, duas e eu cada vez pior Eu todos os dias, meio-dia, entre 11 e meio-dia eu descia um andar onde ficavam os lugares mais tranquilos E eu vomitava, vomitava, vomitava e vomitava Subia gelada, lábios roxos e minha secretária falava, você vai embora pra casa Aí eu falava, não, cadê a reunião das 3, das.
4, das 5 Estava resistindo demais, mesmo sentindo que seu corpo estava muito mal.
Até que eu cheguei à exaustão e fiquei vulnerável a todas as doenças.
E.
Aí, passados dois dias, eu tive um apagão eu dirigindo Você vê como que a gente, quando a gente não respeita os limites, a gente se coloca e se expõe a perigos Eu poderia ter morrido num acidente, eu poderia ter matado alguém num acidente de trânsito E a coisa poderia ter tomado uma proporção muito maior Eu tive um apagão num posto de gasolina indo para o trabalho e eu não sabia quem eu era e onde eu estava Ali, para mim, foi a gota d'água Volto para o meu psiquiátrico...
Depois do primeiro apagão, porque você não falou...
Tive outros pequenos Eu tive outros pequenos, tipo, como você esqueceu a palavra punitiva, que foi gravíssimo, e dali você viu que a coisa realmente tinha... o caldo tinha entornado, eu tive dois como esse, e tive alguns pequenininhos, mas que também me tiraram o equilíbrio emocional total. E aí, quando... O psiquiatra disse, agora chega, eu vou te internar Ele falou, mas existe um lugar em Miami que eu gostaria, se você tiver condições de ir, que você fosse para fazer um teste que existe, desfeci o nome agora, para a gente ter a certeza E eu fui numa clínica em Miami, fui atendida por um psiquiatra e ele, com cinco palavras, no meio da consulta, ele disse, você está com burnout no último nível Você não pode voltar a trabalhar nem tão cedo E aí eu lembro que eu perguntei a ele, mas burnout tem cura? E ele foi categórico, não Alguns colegas vão dizer que sim outros vão dizer que não. Eu cuido de burnout desde a década de 80 e eu nunca vi um paciente ficar curado. Eu já vi ele ficar equilibrado, mas com tratamento psiquiátrico, com mudança de vida, com acompanhamento médico, com atividade esportiva, Com tudo e isolado daquilo que te fez mal Porque a partir do momento que você adoece, o teu corpo tem uma chave que desliga para que você não tenha um desfecho pior daquilo que você já teve Então, tudo vai para o inconsciente Os nossos apagões não tiraram a nossa memória Tudo aquilo foi para o nosso inconsciente, mas sempre quando a gente tem contato com aquilo que nos fez mal, a gente passa mal, porque vai alguma coisinha lá naquela casinha, lá bate, pega, a gente visualiza e aí a gente vai para a nossa crise, porque é o nosso start, é o que aciona o nosso gatilho. Então ele falou para a vida inteira já que você vai se cuidar. Então eu estou desde 2017. em tratamento psiquiátrico, tomando remédios sim, porque eu acho que isso é forma de ser inteligente. Eu acho que quem se cuida e assume e tem coragem, como nós temos, que não há motivo de ter vergonha. Eu acho que quem tem que ter vergonha, tratar os profissionais com o carinho que o ser humano merece, As empresas têm que estar envergonhadas, não somos nós Porque ter uma doença mental não é diferente de ter uma artrite É exatamente igual que ter uma diabetes Então eu tenho vergonha quando eu vejo os números no Brasil E vejo casos como na Alemanha, por exemplo, e na França que fizeram leis novas que são leis da desconexão que forçam o trabalhador, a partir das 18 horas, a não se conectarem com as empresas até as 7 horas da manhã. Por quê? Porque 12% para eles de trabalhadores doentes é calamidade pública praticamente. Eles não querem isso para eles. E aí a gente tem 32% de trabalhadores doentes no Brasil e isso não vira um assunto, uma pauta onde todos se reúnem e dizem o seguinte, gente, para com essa bobeira de mandar executivo pra fora pra fazer curso de eficiência em gestão administrativa lá em Oxford, porque o cara não fala nem inglês. O executivo não fala nem inglês. Eles vão pra lá pra comprar roupa no outlet. É vergonhoso.
Ô, Jacques, Muito bom você trazer esses números. Eu até quero perguntar sobre a experiência que você teve na Espanha recentemente. Você me deu um número. muito lamentável, mas que serve então de base para a gente, mas antes de entrar a questão dos números e toda essa linha que você está puxando, quando então você passou pela fase da defesa, passou pela fase da resistência e começou a fase da aceitação, ou seja, você aceitou a medicação, você fez uma mudança no seu estilo de vida, foi aí que você começou a se remontar, que aí eu quero, como eu estou aquele de olho no tempo, Eu preciso que você compartilhe agora essa fase de quando a ficha caiu E que você, por ser uma executiva de altíssimo rendimento, por fazer tudo o que você fazia Eu entendo que a sua resistência, a sua defesa é como é que eu vou parar de fazer o que eu amo? Que é o que eu ouço de muitas pessoas. Como é que você vai parar algo que você ama? Então, o que você entendeu quando foi esse ponto de virada?
Essa foi a fase mais difícil, mas, ao mesmo tempo, mais fácil Porque quando eu vi que eu ficaria no INSS por burnout e ligada à empresa, eu falei, não gente, eu não posso Então, eu conversei com o meu psiquiatra e disse, Dr. Luiz, pelo amor de Deus, me dá alta Eu preciso sair daquela empresa E aí eu arrumei um intermediário que conversava com a empresa porque eu não conseguia ouvir a voz do RH, pra você ter uma ideia E eu queria ir embora Então eu desconectei Primeiro passo Segundo passo Eu sou uma pessoa muito desafiadora E eu sou uma pessoa de laços e gratidão As pessoas que eram minhas amigas continuaram Aqueles que não eram, graças a Deus, não me procuraram E eu não precisei aturá-los depois que eu saí de lá E aí o que eu fiz? Eu sabia que o meu cognitivo não estava legal E eu sou designer de muitos anos, então eu viajei para Croácia e fui fazer design de canecas, Isabela E as pessoas começaram a falar, peraí, você vai fazer canecas e tal? Isso é até uma piada que virou uma piada E pessoas muito próximas falaram, você ganhava uma fortuna? Como que você vai viver com esse dinheiro? Gente, a resposta que eu dava é a seguinte Eu não cheguei aonde eu cheguei porque eu não sou inteligente Então, é óbvio que eu tenho um plano B, é óbvio que eu me preparei para sair a qualquer momento. Então, eu sempre tive muito tabu, eu não gostava de ter celular da empresa, carro da empresa, nada, eu sempre fui carreira só, ponto. E aí, quando eu saí, eu tive um alívio muito grande. E nesse alívio eu falei, eu quero estudar, eu quero um curso que Me mostre que realmente eu estou no caminho certo Que a minha missão é cuidar as pessoas Que a minha missão é espalhar o bem Eu sou uma pessoa do bem Eu não sou uma pessoa que nasceu para enriquecer Massacrando cabeças, massacrando pessoas Entristecendo o ser humano Então foi quando eu procurei o curso de liderança de alta performance Que tinha um currículo inacreditavelmente feito para mim naquele momento. E o primeiro, que era uma loucura, era a história da sociedade contemporânea.
Qual?
Aí eu falei, cara, que loucura. E aí, no primeiro dia de aula, veio a palavra trabalho, o significado dela. E a palavra trabalho, não sei se você sabe, eu não sabia, ela é derivada do latim, que significa tripálio, que é três paus, que era um instrumento que se usava para torturar, na Idade Média, as pessoas que não tinham recursos para pagar impostos Então, os escravos e os pobres Aquilo já foi um choque para mim Aí eu falei, trabalho, olha como que a gente tem que olhar pra trás E aí fui olhando aquilo, fui olhando aquilo, fui olhando aquilo E a segunda matéria era o quê? Como que você faz as suas emoções terem significado pra você E foi a partir dali que tudo mudou Eu falei, eu vou fazer somente coisas que tenham significado pra mim Eu vou fazer coisas que tenham significado para mim e que eu possa ajudar as outras pessoas formando líderes que não sejam esses que estão no mercado, arrogantes Esses profissionais que trabalham em empresas que têm logomarcas fortes, que são grifes E aí eles acham que podem tudo, não podem nada Porque quando eles saem dali, eles não têm empregabilidade Eles não têm, porque as pessoas não suportam mais isso Aí depois de você.
Ver esses conceitos, o que mudou? Porque no início da nossa conversa, para quem perdeu, você disse que você cuidava de 100 pessoas E mesmo você sendo uma líder, uma executiva que cuidava de 100 pessoas, cuidava, tinha esse olhar acolhedor, mesmo assim você adoeceu Ou seja, você cuidava de todos, mas não viu o burnout chegar em você.
O que aconteceu? Cara, aí o que aconteceu? Aí eu aguenci, eu fiquei doente. Aí eu fiquei doente e, por sorte, tudo não desmoronou dentro daquele barco, aquela casinha de pau que a gente tinha construído, porque eu tinha feito um trabalho de ter formado pessoas capazes de tocar aquele barco sozinhas. Mas eu não queria voltar, Eu não tinha pego aí, foi legal porque foi para confirmar uma coisa, eu não tinha pego aquela cadeira, eu não tinha pego aquele cargo, eu não tinha pego aquela grife, eu não tinha pego a nada, eu só tinha pego aquelas pessoas E aquelas pessoas eram a minha equipe E aí eu resolvi, mudei para o mato, tive mais tempo para mim, consegui olhar tanto para mim que me casei. Eu fui sempre uma pessoa de relacionamentos, eu nunca tive tempo para me relacionar porque as viagens eram mais importantes, as minhas metas, não por questões financeiras, Isabela, é porque eu sou uma pessoa que gosta de desafios. Eu gosto de realizar. Então, aquilo que o outro não conseguia fazer, eu falava, vem, traz pra mim, bora, vamos fazer juntos, vem cá E aí, quando eu via, eu tava com uma sacola de coisas que não me pertenciam no meu colo E, obviamente, eu ia cair doente a qualquer momento E hoje em dia, o que eu faço? Ainda em tratamento, eu faço nada Eu faço aquilo que o meu coração manda, aquilo que a minha mente suporta Não deixo nada que seja tóxico se aproximar de mim Quando a gente viaja, aqueles números que eu te falei Quando a gente olha os números lá fora O Japão, por exemplo, com 70% da população com burnout Você fala, gente, as pessoas não entenderam nada O Brasil está em segundo lugar com 30% A China, 24%, terceiro lugar Estados Unidos, 20% Alemanha, França e Espanha com 17% Você vive um momento de pandemia Olha como o ser humano é burro Nós vivemos um momento de pandemia Isso não é um sinal qualquer Isso é um sinal, eu costumo dizer, está escrito em Negrito em fonte 85 para qualquer um poder ler E as pessoas não estão conseguindo ler essa mensagem É uma grande lavagem É a lavagem da escadaria da Penha, do Senhor do Bonfim, de todas as escadarias. Ninguém está conseguindo ler. Mesmo assim, insistem em ir para as ruas, porque o shopping vale mais a pena, porque ficar na rua, na baderna, não sou puritana, não. Adoro estar com os meus amigos, adoro estar socialmente conectada Mas esse momento é momento de reflexão, exatamente como isso aqui Eu há 10 anos defendi o home office Eu há 10 anos defendi que as viagens eram desnecessárias Porque o orçamento poderia ser enxuto e a gente investir mais nas pessoas Mas ninguém ouvia. Agora estamos aí, vivendo forçadamente um cenário onde todos nós estamos em casa. O que é isso? Castigo. É castigo. Aqui, cara, não aprendeu por bem, você vai aprender por mal Só tem uma coisa que eu aplaudo, que é a oportunidade do colaborador deixar de ser oprimido por esses líderes equivocados mal preparados, que estão sendo demitidos em massa e estão perdidos. Sabe por quê? Porque eles não têm condições de ter BMW, nem Audi, nem Mercedes. Então, quando eles saem lá da grife, eles ficam apavorados, porque não conseguem nem mais tomar aquele vinho de mil reais. E nunca mais vão entrar naquele restaurante da Oscar Freire. Então talvez seja o momento deles aprenderem que o ser humano precisa sim receber um bom dia, receber um sorriso, ser bem tratado e que metas que não são tangíveis não devem ser repassadas a um colaborador, porque isso não é respeito. Essa é a minha posição.
Sim, concordo com você. Jaque, você estava falando sobre o curso que você fez e aquilo que você estava descobrindo sobre trabalho, a ressignificação das emoções Partindo aqui, nós temos ainda 20 minutos O que você trouxe daquele momento, que foi um grande visor de água na sua vida, para agora e para o trabalho que você vem desenvolvendo com as pessoas que te procuram? Porque quando nós trabalhamos com muitas pessoas, você, eu e outros que estarão aqui todos os dias, muitas pessoas nos procuram pedindo ajuda. Nós estamos aqui com mais de 100 corações em sintonia querendo desmistificar o burnout, outros que ainda vão assistir pelo YouTube. Tem muitas perguntas aqui que eu já vou abrir a caixinha. Eu tirei os comentários aqui para a gente poder te ver. E o que você aprendeu lá, que você traz hoje e que você está plantando dia a dia no coração das pessoas para elas se remontarem, para saírem desse ciclo vicioso, que faz parte do nosso sistema, para uma vida que vale a pena ser vivida?
Isabela, para mim a vida tem três pilares. O respeito, a generosidade, e a empatia. As pessoas são muito carencias, as pessoas são muito individualistas. Existem duas formas de a gente oferecer ajuda. Uma é eu ligar pra você e falar, Isabela, oi, Ajaque, tudo bem? Ó, conta comigo, tá? Ó, conta comigo, significa, puta, não conta comigo nunca porque eu só tô aqui fingindo que quero te ajudar. E essa é a maioria que tá lá fora É um conta comigo que não conta comigo E tem um outro que é o que eu faço parte e as pessoas às vezes me criticam Que é, porra, você procura problema? Não, eu não procuro problema Eu nasci com a missão de ajudar as pessoas.
Prevenir o problema Eu gosto, eu me.
Sinto feliz É isso, eu gosto. E quando eu terminei o meu curso, e agora, recentemente, eu peguei meu certificado de coach internacional, porque eu não quero rótulo. Eu não quero rótulo. Eu quero estar capaz de ajudar cada vez mais pessoas em níveis diferentes. Em um desses cursos, o meu par era o vice-presidente de Santander. E a gente só foi descobrir quem nós éramos no último dia.
Ai, que máxima.
E o cara era simplesmente fantástico. Eu me apaixonei pela simplicidade, pelo carinho. Ser humano. Ser humano. Chegou onde chegou porque é um ser humano impecável. Se você pega esse cara nessa posição no Brasil, ele é um idiota. Não todos, porque eu não gosto de generalizar, mas grande parte dos executivos que eu convivi ao longo dos últimos anos, eu tenho vergonha, porque não entenderam nada e não entenderam que quando eles chegassem lá no topo, eles iriam despencar e aí a vida não tem significado. Porque não tem nem quem procurar. Então quando eu digo ofereça carinho, ofereça ajuda, ofereça cuidado, ofereça de coração. Porque palavras soltas, elas não têm a menor relevância. Bota no colo, porque a gente se botando no colo, a gente de verdade vai fazer o mundo melhor. Mas cada um cuidando do seu próprio umbigo, a gente vai destruir esse mundo e as próximas gerações virão coitadas. despreparadas, precisando de muito mais ajuda do que a gente está precisando agora. Então, é o momento de amadurecimento. As pessoas precisam entender a relação do poder e influência. Não é a hora de poder e influência, é a hora de habilidade de comunicação para que as pessoas consigam se entender Você vê que loucura essa pandemia. Bota máscara, tira máscara. Abre loja, fecha loja. Morre gente, não tem respirador. Gente, é uma linguagem só. A Organização Mundial de Saúde diz, bota máscara. Eu não deveria ter que obrigar você a andar com máscara para você salvar a sua vida. Você deu tamanho e ignorância, né?
Assim como nós não precisaríamos investir tanto tempo para convencer as resistências de que o que nós estamos fazendo aqui é uma prestação de serviço para o problema de saúde pública, como você falou, não só fora do país como aqui dentro. O número da USP são quase 20 milhões de brasileiros com esse diagnóstico. E já que tudo que você está falando, tem aqui tantas perguntas para te abrir, eu vou abrir uma. Para tentar contribuir aqui, nós teríamos muito para falar, muito para falar, porque quem vive uma experiência como essa.
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