REACENDA! Cuidando de quem cuida com a @dra.camilamagalhaes

Isabela Camargo talks with Dr. Camila Magalhães about burnout syndrome in healthcare workers and women, what drives it, and how COVID-19 made it worse. They discuss why we need to talk about mental health differently.
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Olá, Luana Lima, Anne, Luciano, boa noite, sejam todos muito bem-vindos a mais uma edição, a mais um dia da Semana Reacenda, em que eu, outros profissionais que reacenderam, recomeçaram, e especialistas na área, estamos com a missão de desmistificar a síndrome de burnout, para que você entenda que quando nós estamos falando sobre o assunto, nós estamos falando sobre produtividade com equilíbrio, com saúde, estamos falando sobre um assunto que hoje, de acordo com a última pesquisa da USP, atinge quase 20 milhões de brasileiros. Então, ele merece estar nas pautas positivas, merece o nosso respeito e também merece cada vez mais espaço pra gente poder lidar com a situação ou conviver com alguém que está vivendo a situação de uma maneira menos dolorosa, tá certo? Nós mais cedo ouvimos a Carol falando direto lá de Amsterdã, viveu uma experiência seis anos, ela foi uma daquelas profissionais precoces e foi de sócia de estagiária, aliás a sócia de uma grande empresa de publicidade em três anos, viveu o burnout, mas hoje está contribuindo aí com a vida de milhares de pessoas, com um livro em que fala sobre as crônicas do que ela viveu, e eu tenho certeza que você vai gostar. Mas agora nós vamos conversar com a médica que mais me emociona, doutora Camila Magalhães, que me acolheu tempo e hoje vai então dividir essa próxima hora conosco para desmistificar a síndrome de burnout. A doutora Camila vai dividir tela com a gente. Oi!
Oi!
Tudo bem, lindeza?
Tudo bem, tudo bem.
Boa noite, obrigada por aceitar o meu convite e investir uma hora do seu dia aí pra gente falar sobre a síndrome de burnout.
Eu que agradeço. Ainda mais com o levantamento que saiu hoje, acho que é um assunto super importante pra gente conversar sobre o burnout.
Não é? Camila, a gente se conheceu em um programa da Jovem Pan há mais de um ano. A fala foi muito acolhedora, me trouxe muitas respostas e se eu pudesse, eu diria assim que você é a médica que todos deveriam ter por perto. Então, minha gratidão pública aqui, sempre que eu puder tocar nesse assunto, eu farei, porque você é uma médica que olha pra gente de forma integral, Não desconsidera. Isso é fundamental pra gente falar sobre a síndrome de burnout porque ela é multifatorial, tanto antes, durante e depois Sim.
Orgulho meu é poder ter uma profissão que me aproxima de pessoas, de gente, que é o que eu acho que eu mais gosto de me dedicar nessa vida Vamos lá, vamos nesse assunto importante aí que é o burnout e diga o que a gente pode conversar.
Antes da gente falar sobre o aumento no número de burnout, eu queria que você brevemente pudesse falar o que você tem visto sobre a síndrome de burnout no consultório, em suas pesquisas, esse esse tema tem ganhado mais espaço, é o que falta a gente compreender dele.
Bom, muito importante isso que você está falando, porque esse é um assunto crescente nos consultórios e na literatura científica. Então, no início, inclusive, da pandemia, a gente fazia uma pesquisa nas bibliotecas médicas, no PubMed, apareciam papers que são ativos científicos sobre o tema, mas ele foi ganhando um espaço cada vez maior na medida em que profissionais da saúde, que já eram um público extremamente exposto ao vulnerável, ao burnout, a esse esgotamento relacionado à vida profissional, a estresses recorrentes da vida profissional, tiveram que se colocar diante de uma situação que há tempos era absolutamente impensada, que era expor médicos a tantos casos de doentes e tantos casos de morte, sabendo que eles eram os próprios alvos de serem contaminados pela doença, de se sentirem devidamente treinados para conduzir o burnout. Então isso tem aparecido muitíssimo no consultório, até uma questão interessante, que no começo isso foi mudando. No começo as pessoas falam, bom, eu vou trabalhar de casa Não só a questão, o profissional da saúde se viu estressado desde o início Porque ele entende que o risco iria virar galope Mas pra quem trabalha? no mercado convencional e estava empregado e tudo mais, o burnout ganhou um espaço ao longo do tempo porque se o limite entre o profissional e a vida pessoal antes da pandemia já estava difuso, depois ficou ainda pior Então esse limite que as pessoas estão tentando aprender a estabelecer ou estão tentando levar alguma coisa do que tá sendo positivo e do que tá sendo difícil também para o pós-pandemia veio dessa crítica Que os meses foram se passando, alguns percebiam que o trabalho era possível você levar adiante, mesmo você tendo de casa E outros falaram assim, não, mas peraí, eu tô trabalhando muito mais E essa percepção, ela foi sendo cada vez maior, até porque na nossa cultura Há pouco tempo ganhava ponto nas empresas quem ficava na cadeira, que eles falavam horas de cadeira Então as pessoas estranharam isso, foram para casa e falaram assim, bom, será que eu vou dar conta? Aqueles intervalos que elas poderiam usar com elas e ter um espaço, digamos assim, para si mesmas, para entrar em contato com todas as vivências que nós estamos passando, o que foi acontecendo? Elas foram ou se debruçando mais no trabalho ou acrescendo mais tarefas Seja com tarefas do lar, tarefa dos filhos, então o burnout foi agravado especialmente, os estudos estão mostrando, nas mulheres Então o burnout foi agravado em mulheres nesse período de pandemia e a gente acredita que os resultados vão ser bastante preocupantes no pós-pandemia.
Camila, podemos falar um pouco mais sobre isso antes de entrar especificamente nos profissionais da saúde? Como é que nós podemos, então, falar um pouquinho mais sobre isso, esse número de burnouts maior em mulheres? Porque a gente já sabe que o burnout é um fenômeno relacionado ao trabalho.
Exato. — Exato, só que o que acontece? O estudo do IBGE de 2019 mostrava que as mulheres trabalham, em média, somando as horas no escritório e as horas no lar, quase 5 horas a.
Mais do que os homens — Ai.
Que medo — Da de 3 a 5 horas em média, né? E aí o que acontece? E isso se agrava ainda mais quando a desigualdade social em bolsões de maior nível de desigualdade Porque essas são mães sozinhas muitas vezes no lar Isso é uma realidade nossa e fora as dificuldades que elas vão ter de se locomover e tudo mais, então tudo é muito mais estressante Só que o que a gente viu? Por que ele piorou em mulheres? Agora a última pesquisa da Fiocruz mostrou que a maior parte das pessoas que referiam que o trabalho formal e o trabalho em casa aumentou importantemente E quando comparado aos homens, duas vezes mais mulheres diziam que assumiram mais tarefas e que estavam exaustas por conta disso Então o que tá acontecendo é, realmente por conta da nossa cultura ainda recai sobre as mulheres um conceito que assim, não, algumas quando tem maior divisão dizem que são ajudadas e não que elas estão dividindo as tarefas, isso é cultural E as mulheres, inclusive pela habilidade da maternidade e uma série de coisas, acabam se colocando nesse lugar de assumir também e muitas vezes até ter uma dificuldade de dividir as tarefas Então isso é algo observado. As empresas, eu tive rodas de conversas interessantíssimas e as mulheres dizendo, você não tem ideia, eu achei que minha relação era super dividida Só que aí eu percebi que não é bem assim Então que eu tenho uma atribuição inclusive psicológica da coisa Se eu não planejo as coisas, as coisas não saem Claro, sem tirar o mérito de uma mudança social que houve um incremento da participação masculina, sim Tanto no cuidado dos filhos quanto no cuidado com a casa Mas isso eu tô dizendo do ponto de vista geral, né? De dados média, a média é realmente um o estresse maior.
Para as mulheres. Uau! Tô chocada aqui com tudo que você me disse, Camila. Antes de continuar, eu quero fazer aqui dois convites. Eu soube recentemente que os algoritmos do Instagram reconhecem que quanto mais coraçõezinhos quem está nos assistindo envia, mais o Instagram entende que esse assunto é relevante. E aí mais essa nossa conversa vai aparecer no feed de quem está nos acompanhando. Então para você que está aqui, faça o convite, envia aqui os coraçõezinhos que aí mais pessoas vão receber essa informação. Eu vou tirar os comentários para todo mundo ver você e vou fazer o convite para quem tiver uma pergunta específica para a doutora Camila, envia aqui nesse pontinho de interrogação para a gente poder continuar e a sua dúvida também. vai poder ser sanada. Camila, então tá bom, já sabemos que mais mulheres podem desenvolver o burnout do que os homens E agora durante esse isolamento, enfim, já entendemos a sobrecarga, como você falou, o limite entre vida profissional e pessoal fica cada vez mais borrado Você acredita, de acordo com as suas pesquisas e o que você tem acessado, o número de burnout vai aumentar no geral? Ele tem.
Condições para aumentar? Só queria comentar que entre profissionais da saúde, provavelmente os estudos mostravam mulheres ainda mais que homens em burnout, mas talvez agora com a Covid seja variado.
Mas vamos lá.
Profissionais de saúde? Profissionais de saúde, mas a gente vai ter que esperar para ver se essas mulheres médicas também assumiram mais atividades em casa. Essa pergunta não foi feita nas últimas pesquisas, então a gente não vai conseguir por hora saber, mas seria importante porque nos estudos internacionais isso está sendo perguntado. Bom, então voltando um pouco essa questão dos transtornos mentais em geral. Primeiro que o burnout vai aumentar sim, assim como já aumentou, não só irá aumentar, mas já aumentou, o burnout Depressão, ansiedade, estresse e transtornos de estresse postral O que que acontece? Então, alguns dos que eu falei são transtornos mentais e outros são sintomas ou condições psicológicas Como o burnout é uma condição psicológica que agora tem um rastreio muito mais interessante Porque burnout era assim, todo mundo falava, nossa, põe um burnout pra qualquer coisa Até recentemente as pessoas diziam, puxa eu tô trabalhando muito em casa, então eu tô em burnout. Hoje a gente sabe que não, burnout é um termo que deve ser usado, e isso vai sair na próxima classificação, como algo relacionado ao ambiente de trabalho, ou seja, um estresse recorrente. E junto dele tem as dimensões que as pessoas se veem mais afetadas. Então para elas estarem em burnout, elas estão em completa exaustão, fadigadas, Por conta desse estresse crônico e essa fadiga, o trabalho começa a ser exercido com um pesar, com uma dificuldade, com um nível até de distanciamento, com uma sensação de que, nossa, tá difícil lidar com o meu trabalho. Muitas vezes as pessoas, inclusive, têm um perfil de alta dedicação e, inclusive, excelência no que fazem, mas elas passam a ter essa sensação. E isso é coroado com uma certa frustração de achar que ela pode estar sendo insuficiente E que o seu rendimento caiu e que a sua... E alguns chegam até a questionar, será que eu era tão bom assim mesmo de tanto que aquele estresse.
Vai.
Tomando corpo? Desvalia. Bom, como a Covid, é como eu disse, tem uma questão que está relacionada ao profissional da saúde, que esse sem dúvida, recentemente os papers foram encontrando assim, qual é o próximo grande enfrentamento que o mundo terá, o próximo grande enfrentamento é diminuir a curva da saúde mental. E isso, no Brasil, no que tange ao estresse relacionado ao ambiente trabalho. Então, ou seja, aquele stress recorrente precisa estar relacionado ao que a pessoa está executando, fazendo. Com a Covid, as pessoas estão diante de uma situação preocupante de morte, que elas demandam materiais, elas demandam conhecimento, elas demandam acolhimento. elas têm que acolher. Elas estão diante de uma situação em que elas têm uma percepção real sobre o problema e acham que a população está pouco norteada, pouco orientada sobre as medidas de segurança. Então o que vai acontecendo é que com o passar da pandemia, isso vai solicitando mais gente para a linha de frente, mais pessoas em contato com doentes ou potenciais doentes e um estresse que vai se avolumando sem que elas tenham uma possibilidade de descanso adequado.
Pode falar, Isa. Não, duas semanas teve o congresso da Isma BR, O nosso braço nacional do maior instituto de estresse, que nem sou eu, estresse no mundo. E lá foi mostrado um gráfico em que o burnout, assim como outros problemas relacionados à saúde mental, faziam parte da quarta onda pós-Covid. Já tem um consenso, Camila, se é a terceira ou.
A quarta onda? Não, é porque é o seguinte, a primeira onda é o Covid propriamente dito. A segunda onda é o que a gente chama de tudo aquilo que era agudo, doenças agudas, que a pessoa deixou de se cuidar porque ela temia um auxílio hospitalar por conta da Covid. A terceira onda são as doenças crônicas, ou seja, que não demandavam a pessoa ter ido naquele momento, mas que foram se delongando para procurar auxílio e vão se agravar E a quarta é a de transtornos mentais, só que assim, a gente tá colocando quarta entendendo que é a onda mais ascendente, ela não faz um pico e desce Ou seja, a pessoa vai lá, procura uma ajuda e consegue já ver um retorno daquilo. O transtorno mental tem uma questão. O curso do sofrimento mental, quanto mais tempo você leva para procurar ajuda, muitas vezes mais problemas você vai acumulando no percurso. E ele não age independente do teu funcionamento, das suas doenças crônicas. Ele agrava as suas doenças crônicas. O teu sofrimento mental interfere no teu sono, interfere nos seus níveis de cortisol, interfere na tua capacidade de inclusive ter essa energia para procurar ajuda. Então, a grande preocupação é que vai havendo uma elevação da curva dos transtornos mentais. As pessoas não vão, agora a nossa sociedade recebe de forma mais tranquila, com menos estigma, com mais informação sobre o transtorno mental ser algo, a depressão, a ansiedade, o burnout, tratáveis, ou seja, você pode cuidar dessas pessoas, você pode estender a mão. Elas vão, inclusive, retornar isso para todo o entorno, especialmente a gente estava vendo em mulheres. As mulheres, elas esperam a última gota d'água, assim, para elas procurarem ajuda. Então, elas já estão em um limite, assim, muito grande. Só que, se elas não vão, não tem esse movimento de ir antes, você vai acumulando uma série de prejuízos, inclusive pra quem tá ao seu lado. Então hoje em dia a gente diz que não é que elas procurem menos ajuda, pelo contrário, mulher procura mais ajuda, mas ela demora muito pra procurar. Então ao a gente já falar mais sobre isso, hoje em dia as pessoas estão reconhecendo.
Mais os sintomas. Perfeito. Camila, eu entendo que o que a gente não vê é muito maior do que aquilo que a gente vê. E o burnout, o sofrimento mental, pela minha vivência e experiência com todos vocês especialistas, o burnout começa pelo corpo, com sintomas e problemas pelo corpo, para você ter um reflexo maior relacionado ao seu raciocínio, às suas habilidades e tal. Quando você fala o sofrimento mental interfere em tudo, Eu preciso trazer essa pergunta, a gente já falou dela milhares de vezes, mas sempre é bom lembrar Por que existe ainda tanta resistência dos médicos, não vou nem falar da sociedade, pra gente trazer a questão mental antes de tudo? Porque é multifatorial? É. Só que se eu continuar ainda alimentando essas crenças de que um problema mental está relacionado a uma pessoa que não pode viver em sociedade, eu vou deixando cada vez mais crítica a situação de quem já está em sofrimento E falta então para os médicos? E aí eu vou trazer aqui a pesquisa da Associação Paulista de Medicina. Depois de todas essas constatações, números, literatura, pesquisa, por que ainda é tão difícil a gente tratar esse assunto como uma pauta positiva? Camila deu uma travadinha aqui. Tomara que você volte.
Agora sim, vamos. Por que.
É tão difícil? A pergunta é tão polêmica que.
Até trava, né? Por que é tão difícil? Qual que era o despecho.
Que os médicos... É, por que é tão difícil a gente trazer o assunto como pauta positiva já que afeta tantas pessoas no Brasil.
E no mundo? Tá, eu acho que é uma somatória de coisas, existe uma... a psiquiatria ela ficou por muitos anos desagregada da... como se fosse a mente separada do corpo, vamos dizer assim Mente e corpo é uma coisa só Ou seja, o teu emocional hoje, você sabe que dores, quando os profissionais avançaram nos critérios diagnósticos, porque os critérios diagnósticos de psiquiatria também são recentes, eles são da década de 70 pra cá. Então, o emocional, ele ficava assim como algo relacionado ao caráter, fraqueza, levanta gente, vamos lá, tá deprimido? Que isso, é falta de trabalho, é falta de coragem, os homens, a imagem do... De alguém chorando até muito pouco tempo na nossa cultura era, assim, uma fraqueza Puxa, não demonstra isso, não mostra o seu sentimento porque isso te fragiliza Quando eu comprei a residência, diziam assim, no trabalho você nunca mostra as aulas de psiquiatria falavam, você se proteja no ambiente de trabalho, você fala isso em casa, você fala para o seu médico, mas você não fala isso no trabalho. Então, isso tudo é muito recente, porque o critério internacional de doença para depressão, para ansiedade, Para burnout, burnout só agora foi bem estruturado, delimitado e vai sair no CIDE 11 em 2022 Essa estrutura que eu tô falando que já delimita melhor para a pessoa entender o que é o burnout Então assim, tudo é muito recente. Ao ser muito recente, até aquilo estar devidamente estudado, as pessoas banalizam, acham assim, não, burnout não existe. Vai ver que isso daí é só uma estafa, é uma sensação de angústia passageira. Então, de fato, com uma literatura recente nesse sentido, com os códigos que vêm de estudos e de percepções dos psicólogos, dos analistas, dos médicos, da percepção de outras especialidades, por exemplo, os cardiologistas, as pessoas que lidam com doenças gástricas, começaram a ver que aumentava muito o desfecho de uma retocolite num indivíduo deprimido. Puxa, não tem uma ligação. Isso foi avançando, avançando, avançando. Pessoas que lidam com dor, metade dos casos são deprimidos ou ansiosos. Então, essa dor ela vem de onde? O que veio primeiro? Essas percepções foram ganhando espaço ao longo dos anos com a psiquiatria moderna e com a psiquiatria dialogando com outras especialidades e dialogando com outras áreas da saúde mental, com os psicólogos, com os jornalistas. Então, realmente, Isabela, isso foi ganhando corpo e sendo entendido como essencial na vida das empresas, na vida das pessoas, Profissionais da saúde, por exemplo, que inclusive esse é o primeiro momento Que uma sociedade médica coloca critérios de burnout Qual a sua sensação de exaustão, de tristeza, de ansiedade? Porque os critérios vão ganhando corpo ao longo do tempo. Então, eu não digo que há uma resistência apenas por conta da informação, mas também a psiquiatria é uma área que, quando ela tá bem alocada na atenção primária, a saúde mental como um todo, ela flui super bem. Mas as pessoas foram de treinamento. Elas precisam de um respaldo da saúde mental, porque quando o caso é grave você tem um cuidado especial para aquilo que o paciente necessita. Então são várias questões. E tem uma cultura que incentivou, ao longo dos últimos anos, uma cultura de Que era uma sociedade do sucesso, uma sociedade do desempenho Uma sociedade em que as pessoas procuravam a sua felicidade, da sua conquista financeira Isso também veio como uma onda bastante cultural E que pegou as pessoas, inclusive com o advento das tecnologias e redes sociais Como algo assim, eu posto o melhor de mim meu sucesso. Então é quase como se você assumisse não estar bem, que o teu ambiente de trabalho estava exigindo demais, metas e uma série de culturas do trabalho também, as pessoas começaram a ter medo de expor as suas fragilidades. Então é algo, como você mesma disse, multifatorial, mas que hoje, e aí eu diria que a pandemia exacerbou traços da saúde mental do brasileiro pré-existentes. Então com a crise, aí veio à tona esse sofrimento mental que não tinha como ser banalizado, porque os próprios médicos assumiram completa exaustão e incapacidade de agir, porque tinham bloqueios, dificuldades de acordar, de enfrentar, de se sentirem tristes. Então o mundo inteiro teve de assumir isso, especialmente entre os.
Profissionais da saúde. Excelente explicação, Camila. Você falou sobre a questão do não leve o seu pessoal para dentro do trabalho Eu quero ver como é que isso vai ficar agora com o home office As crenças que eu sempre comento O não leve o trabalho para casa e o não leve seus problemas pessoais para o ambiente de trabalho Como é que vai ficar isso agora, né.
Gente? Você vê? Não.
Tem como, né? Bom, tem uma pergunta inteirinha disso A pesquisa que saiu da Associação Paulista de Medicina, Camila, entrevistou 1.984 profissionais de todo o país, entre junho e julho, e desse número todo, eles chegaram ao número que, desses 1.900, 63,5% falaram sobre o estresse, ou seja, sobre esses sintomas característicos do burnout. estresse, exaustão física e emocional, 49% foram relatados, além da sensação de sobrecarga, 50,2%. Então, dentro desses 1.900 profissionais do país, está evidente que o estresse, exaustão física, sensação de sobrecarga são as características do burnout, mas é o tempo que vai mostrar se o burnout vai ser desenvolvido ou não. Eu abri aqui as perguntas, antes de eu passar para uma específica, eu queria então trazer essa pesquisa, como você já falou, e a pergunta que está aqui. O que eu preciso viver e por quanto tempo para.
Desenvolver o burnout? Quando eu falo crônico ou recorrente, hoje isso é um critério subjetivo e sem esse tempo bem estipulado, tá? Mas essa pergunta é muito legal porque, por.
Exemplo, a pandemia.
Eu não preciso falar de um ano de um estresse, é um período de meses que nós estamos vivendo, mas apesar de serem meses, foi suficiente para muitos profissionais da saúde já terem sintomas em diversas áreas no sentido da exaustão física e mental decorrentes do trabalho que eles estavam exercendo, do estresse que eles estavam submetidos. Então assim, esse critério de tempo, ele tá mostrando pra gente que o que mais talvez importe seja a dimensão do estresse. Obviamente que se ele for episódico, ou seja, Ah, eu tenho passado algumas dificuldades com determinada pessoa no meu trabalho E aí o dia que eu encontro essa pessoa, aquilo não vai afetar a maneira com que a pessoa desempenha o seu trabalho Porque episodicamente ela é exposta a determinadas situações estressoras Mas assim, no pré-pandemia a gente observava aquilo ao longo do tempo. Vamos dizer assim, como foi o seu ano passado no teu trabalho? Para que a pessoa não se posicionasse diante do mês anterior, vamos dizer assim, porque você precisa de um tempo para se relacionar com o seu trabalho, para aquilo traga um efeito no seu corpo, na sua na maneira de você executar o seu trabalho, e um tempo também para você passar por essas três dimensões, ou seja, você passa pelo estresse recorrente, aí você começa a perceber essa exaustão, essa negação, aí vem um sintoma de indiferença, isso demanda um certo tempo para quando o, vamos dizer, o trigger, o gatilho, ele não é como a COVID. A COVID, o gatilho, para o estresse, ele é da hora que você acorda, Até a hora que você vai dormir e inclusive durante os seus sonhos Por que os médicos estão assim? Não é só pelo medo de ficar doente Não é só por conta do número de horas que eles trabalham É que eles estão sob tensão para conseguir executar Será que eu estou bem assistido? Será que alguém perto de mim vai acontecer alguma coisa quando eu chegar em casa? Será que, estou seguindo os manuais, será que a população está seguindo também as orientações para me proteger? Os médicos se viram diante de muitas questões. Muitos chegavam no ambiente de trabalho e não tinham a.
Máscara.
Por exemplo. Muitos. Muitos chegavam lá e falavam, não tenho a máscara e não tenho a ventala. Então é um estresse real e recorrente. Então todo, não somente todos os dias, mas por vezes todas as horas estavam expostos a determinada situação estressora no trabalho. Então a Covid mostrou algo novo. Que um pequeno intervalo de tempo de meses, vamos dizer assim, podem ser suficientes para já promover todo esse desdobramento do burnout Então é uma pergunta boa porque a gente está aprendendo.
Com isso É, a gente tá aprendendo. Olha, que linda. Camila, você fala a nossa língua, sabe? Olha, da hora que a gente começou até agora, eu tenho pra entender todinho o que você tá falando. Isso é maravilhoso. Eu queria... Tem mais alguma coisa da pesquisa da Associação Paulista que te.
Chamou a atenção? Estava olhando isso. Você sabe que uma coisa que me chamou atenção não foi nem a pesquisa em si, foi um outro paper que eu li, mas que está totalmente atrelado à pesquisa, que é o fato de que mais da metade dos médicos estão tão adoecidos, as estratégias são tão poucas para acolher os médicos, para acolher os enfermeiros, para acolher os psicólogos, para acolher os funcionários que trabalham desde a limpeza até o... que diz assim, eu não tô em contato com o paciente. No começo, alguns da limpeza diziam, não, tá tranquilo. De repente, eles começaram a falar, nossa, que pavor, deu ir pra casa, deu chegar aqui. Então, assim, o que passaram a perceber Então, claro, essa pesquisa foi feita com médicos, por isso que eu tô usando a terminologia da medicina. Mas assim, um outro artigo falou, se são tantos, por que tantos países se organizaram, fizeram manuais para identificação precoce de casos? Não que isso não esteja sendo feito no Brasil, mas isso é pontual. Hospitais... de elite ou algumas locais no SUS, SUS de alguns municípios, alguns estados atuando, mas não como uma diretriz nacional e muito bem estruturada para cuidar desses profissionais logo que os sintomas começam a se tornar mais preocupantes Então o que eu diria é que isso me chamou muita atenção Porque ao não se falar, ao não ter um norte em termos de políticas públicas, esse cuidado cai num certo esquecimento. E aí a gente corre o risco do maior burnout que a nossa sociedade vai passar se avolumar ou ganhar um corpo assim que a vida retornar Então, e isso é uma preocupação mundial, não é uma preocupação do Brasil. Tem vários.
Artigos falando disso. eu ia te perguntar sobre isso. Qual é o cenário pelo mundo, porque de acordo com essa última pesquisa da USP, também com o laboratório, nós temos um grupo de quase 20 milhões de brasileiros com diagnóstica, quase duas vezes a população de Portugal. O burnout também está presente em outros países, especialmente com a cultura muito parecida com a do Brasil, países Você tem muita desigualdade, muita competição, enfim A gente pode colocar Brasil junto com quem? E se isso realmente está assim.
Fora do país? junto com os Estados Unidos e México em termos de estudos, nível de... O que que acontece? O burnout tá elevadíssimo e a nossa curva também de contaminação Isso é muito grave, por isso que a gente se aproxima dos Estados Unidos, por exemplo, e do México Então quando você tem um país em que a contaminação cresce e não é para essa estrutura de cuidado, de base, de políticas públicas fica pouco estruturada, o sofrimento mental cresce junto, tá? O sofrimento mental cresce junto. Associado a isso tem a desigualdade, que é um burnout que não é o profissional de saúde, é o burnout de quem está em casa, que já estava estressado com o trabalho e agora está estressado em perder o trabalho e por conta disso a pessoa começa a Ter ataques de pânico, não consegue trabalhar porque ela fica paralisada com aquilo Ela diz, eu não consigo dividir meu tempo, eu tenho que fazer várias coisas Eu não sei que horas que eu devo começar, que horas eu paro Eu não sei por que eu topo emendar uma reunião na outra E um trabalho ou receber e-mails em horários totalmente inesperados Porque o chefe está trabalhando uma hora, o outro porque está faltando ainda uma conversa nas empresas E muitas estão se estruturando Então quando você falou da pauta positiva, eu achei bem interessante Porque isso também tem trazido crítica para muitas pessoas, para muitos recursos humanos Que falam, nossa, investir em saúde mental é investir em gente, é investir em saúde, é investir em clima Então isso também... Tudo de bom, porque saúde mental leva a todas as outras doenças se agravarem Então isso tem ganho espaço? Tem, mas ainda é muito pontual É muito pontual, é uma conversa, não é um programa bem feito de saúde mental para os seus funcionários, de identificação e cuidado É assim, vamos falar sobre saúde mental Falar sobre saúde mental é importante, mas mais do que falar sobre saúde mental é você dizer não cuidar Eu vou cuidar de vocês. Então, isso que a gente tem visto. E no Brasil, para os médicos do Brasil todo, do SUS e dos profissionais, essa pesquisa hoje mostrou Tá, já tá assim, tá piorando. O que a gente vai fazer? A gente tá cuidando do pessoal urgente E a gente precisa ter um plano, a gente precisa ter uma linha 0800, a gente precisa pegar os psicólogos. Isso está sendo feito em vários níveis. Nas comunidades do Brasil, que estão muitas abandonadas do ponto de vista de políticas públicas para a Covid, o que tem se feito? A vizinhança se ajuda? A gente estrutura, ajuda no que pode um ajudar o outro, identificar o caso, se tá em sofrimento, reporta pra quem tá ligado ao SUS Então a gente precisa de uma articulação dentro dos serviços de saúde, dentro das empresas, dentro dos bairros Porque isso não vai vir de cima pra baixo como supostamente tá sendo feito na Europa No Brasil, nas Américas, ao contrário, pode usar máscara ou pode não Não existe isso, é uso obrigatório para quem tiver, nem sabe que está, para não ter a questão que a gente fala do perdigoto, a possibilidade dela trocar Então, a pesquisa mostrou isso, que os médicos disseram, a população está preparada? Não. As políticas estão sendo bem feitas? Não. Vocês estão se sentindo amparados? Não. A grande maioria dizendo, está faltando um norte para que as pessoas entendam a gravidade e como está piorando ainda. Essa pesquisa que você falou, a EPI, que é a pesquisa que a USP fez junto com o laboratório e que trouxe dados muito preocupantes, o que acontece? Se nós estamos em São Paulo perto dos 11% de casos, o que acontece? Isso foi cinco semanas Dobrou o número de casos, então chegou a 11% em 4 a 5 semanas Daqui 4 semanas se dobrava, estamos com 22% de casos Mais 4 semanas, 40 quadros A gente chega à imunidade de rebanho logo sem nem ter a vacina ainda se essa for a progressão. Então, o que é a conta? E as custas do quê? As custas, não de uma igualdade de progressão, mas nos bolsões mais pobres do Brasil. Então, o que a pesquisa mostrou? No 50% mais pobre comparado com 50% mais rico, o 50% mais pobre já está em 14, 15% de conta Soroconversão, ou seja, já tá convertido, pegou o Covid e já tá com o IgG e o IgG positivo Ou seja, já fez soroconversão, teve o vírus e já tá com defesas no corpo Então isso mostra o quê? Que entre a população mais pobre chega a ser quatro vezes maior De duas a quatro vezes maior, duas vezes e meia, quatro vezes Então eles vão trazer imunidade Para as pessoas de um alto nível socioeconômico que está banalizando algumas medidas Quer dizer, tem coisas que não precisam ser feitas, as pessoas não precisam se expor E os médicos vão pagar esse preço se houver essa progressão Como a pesquisa mostrou hoje, não tem médico suficiente para uma progressão tão rápida Então não dá para banalizar, não dá para sair por aí, não dá.
Para fazer o que não precisa — Camila, você falou que mais da metade dos médicos estão adoecidos Você está falando.
Sobre o burnout, sobre médicos... — Mais da metade, eu digo assim, mais da metade referindo sintomas de burnout Mas em torno de um terço com estresse, ansiedade ou exaustão Então, um em cada três, referindo um.
Sofrimento já de ordem pública. A pesquisa da APM.
Da.
Associação Paulista de Medicina. Exato. Agora eu entendi. Eu não sabia se era do mundo, do Brasil não, em relação à pesquisa. Camila, deixa eu abrir aqui para uma pergunta antes de eu voltar sobre o estresse. Nossa, tanta pergunta. Olha, aqui é uma pergunta rápida, doutora, o Domingos. Burnout não é um nome.
Novo para síndrome do pânico? Não. Não tem nada a ver, mas eu entendo a pergunta, porque às vezes uma manifestação dessa angústia, desse estresse, dessa exaustão, vem com um ataque de pânico. O ataque de pânico, ele pode... Não necessariamente pessoas que tenham ataques de ansiedade, ou seja, do nada ela tá conversando ou ela tá... Não precisa necessariamente estar num momento estressante, do nada ela tem sintomas físicos de ansiedade, taquicardia, mal-estar, sudorese, e aí esse ataque de pânico, quando ele é episódico, ele é normal na nossa vida, mas quando ele ganha um corpo, você tem um, dois, três na mesma semana, você pode estar, além da tua exaustão profissional, estar desenvolvendo Uma síndrome do pânico que envolve esses sintomas de ansiedade ou angústia e sintomas físicos Com ou sem evitação daquela situação pela qual você passou, que é a agorafobia que a gente chama Que é quando a pessoa tem um ataque de pânico em público ou no supermercado e ela não volta mais naquele lugar que ela acha que ela vai ter O ataque de pânico, é um agravamento, vamos.
Dizer, da irritação da situação — Nossa, então eu posso ter algumas crises de pânico.
Até ter o diagnóstico do burnout? Não, ela pode aparecer no contexto do burnout. Então, por exemplo, é muito comum a pessoa que tá com o burnout ter alguma manifestação ansiosa. Pode ser um ataque de pânico, pode ser uma pessoa que tenha insônias recorrentes e por isso ela tá com mais taquicardia. Pode ser uma pessoa que por estar com o burnout se vê triste, mas ainda não desenvolveu tristeza da depressão. Então o ataque de pânico é como se, como pano de fundo ela tá com burnout, mas a manifestação que ela se percebe adoecida é ficar tendo rompantes ansiosos. Não necessariamente ela tem, além do burnout, uma síndrome do pânico. Ela pode estar tendo ataques de ansiedade e isso não.
Configurar ainda um transtorno do pânico. Perfeito. A Jaqueline pergunta se existe cura para o burnout. Ela não vê a hora de lembrar dessa passagem da vida. Camila, mais cedo eu falei com a Carol, uma executiva que foi de estagiária sócia da empresa em três anos e seis anos depois ela se desistiu. E isso é muito subjetivo porque o caminho para o burnout é diverso e o tratamento também Muitas pessoas me perguntam isso.
Se existe cura ou se existe... Eu vou falar de duas formas diferentes. Na psiquiatria, na saúde mental, nós não usamos o termo cura porque o termo cura na medicina é usada para doenças clínicas das quais você reconhece a causa. Ou seja, existe cura para determinada bactéria? Sim, porque eu identifiquei, erradiquei e eu curei. Então a cura é usada nesse sentido. A psiquiatria não usa a palavra cura, mas sim existe tratamento e existe nos códigos de doenças da psiquiatria ou no DSM, que é o diagnóstico médico estatístico americano, a gente usa a palavra remission, remissão, ou seja, recidivou ou remitiu. voltou a ter determinado síntoma mental ou remitiu por anos, ou remitiu, quer dizer, os sintomas zeraram por anos. No linguagem popular, muitas vezes a pessoa fala, eu me curei da depressão, porque eu nunca mais tive. Mas uma vez que ela teve, as pesquisas mostram que ela é mais vulnerável a ter novamente. Então, por um transtorno crônico que acontece ao longo da vida, a gente não usa a palavra cura, porque a cura significaria Erradicação, cura. Bom, agora o burnout propriamente dito, eu acredito que ele vá em alguns anos configurar um critério diagnóstico da saúde mental como doença mas como disorder que a gente fala. Mas ainda hoje ele está numa categoria de situações relacionadas ao trabalho. E essa situação merece um código porque ela afeta um estado emocional. Mas ela ainda não foi classificada dentro de uma categoria A psiquiatria dentro do CID tem uma letra E essa letra sempre designa algo da psiquiatria Então ela está ainda numa outra categoria, mas isso foi um grande avanço no código dessa situação emocional, porque ela foi, inclusive, já bem qualificada em várias esferas emocionais, como a gente estava falando. Então, assim, para o burnout ainda a gente não usa nem termo cura, nem nada, porque ele não é visto como doença, ele é visto como um sofrimento mental. Agora, eu acredito que o burnout tenha cura. Em que aspecto? Vamos colocar a minha impressão. Pode ter cura no sentido daquele stressor ser retirado, ou seja, aquele trabalho. de médico em que você dá três plantões por semana, você retira aquele fator estressor que tava levando a muito sofrimento, que aquele médico maravilhoso, que trabalhava bem, dedicado, Não sentia uma proximidade com o trabalho dele, um reconhecimento, um auto-reconhecimento Ele passa a sentir tudo do burnout, porque ele tava muito plantão, porque ele trabalhou mais de 12 horas Porque só pra te falar, Isa As pessoas mais expostas ao burnout no ambiente médico, isso é uma pesquisa americana já bem encorpada, porque ela é feita com mais de 40 mil médicos, tá? Ela mostra que o burnout tem como fator de risco nos Estados Unidos mais mulheres do que homens, mas não uma porcentagem extremamente maior, mas em torno de 60% das mulheres e 40% dos homens, e eles acham que é porque elas têm acúmulo de tarefas. Pessoas que trabalham mais de 10 horas quem pode estar com risco maior de burnout, quem trabalha mais de 12 horas, quem inverte turno, ou seja, trabalha no turno... trabalha à noite, quem está dando muito plantão, quem tem que preencher muita papelada, porque os Estados Unidos e o Brasil estão caminhando para isso nos hospitais, você tem uma burocracia para conseguir uma cirurgia. Então, meu irmão é cirurgião, às vezes ele fala, eu preciso operar amanhã, eu não posso operar, não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Então, o que acontece? Você já se vê estressado com a burocracia e isso aumentou para os médicos. A tecnologia aumentou o estresse médico, Então, tiveram vários fatores que levaram um risco aumentado de burnout nos últimos anos, especialmente quando tem algumas cidades que tem menos médicos, turnos são mais exagerados. Então, as condições de trabalho e tudo mais. Agora com a pandemia, então, esse estudo que sai a cada dois anos, ele deve se replicar do ano que vem ou até sair esse ano, mas aí vai mostrando que outros fatores de estresse, como esse que está acontecendo agora, vão então exacerbar muito esses fatores de exposição, porque as pessoas acabam trabalhando mais e estão.
Mais expostas a esses medos todos. Entendi. Camila, a gente tem 10 minutos e antes de fazer a pergunta final, como evitar o estresse, evitar o burnout, você mencionou a palavra estresse muitas vezes. E a gente tá vivendo num mundo express, que tudo é rápido, tudo é pra ontem, mas a gente tá com uma sobrecarga de várias coisas, de informação a burocracias e tal. Como fazer para minimizar os efeitos do estresse na minha vida pessoal se eu não consigo minimizar.
O meu estresse na vida profissional? Pergunta difícil, porque assim, o estresse, eu acho que tá tudo errado em termos de a vida nas cidades, como as pessoas estão lidando com as suas demandas pessoais e de trabalho, com o fato da desigualdade, que eu estava dizendo, ter um impacto absurdo em relação a relação que a pessoa vai ter ou não com as oportunidades. Então ela não só tem uma questão relacionada ao trabalho, mas de vida muito mais estressora, como você tá falando, e prejudicial. E com o fato da gente vir de um mundo que tava caminhando muito pra algo individualista, metrificado, usando as tecnologias não pra minimizar o impacto do trabalho, mas usando as tecnologias pra aumentar o tempo produtivo das pessoas. Então eu acho que a gente vinha de um cenário bastante desfavorável E que as políticas não tentavam olhar para tudo isso Condições de vida nas cidades, condições de locomoção, condições do horário do trabalho propriamente dito O que a empresa exige ou fornece de ajuda Eu tô falando empresa, mas isso serve para vários níveis E aí agora a gente tem uma oportunidade nesse freio Porque houve um lado positivo, as pessoas vão entrar dentro de casa E ao elas ficarem dentro de casa, crenças anteriores de que isso não funcionaria não foram reais. Muitas coisas funcionaram. O que está havendo é alguns se aproveitando para que as pessoas trabalhem mais nesse modelo, outros não, para renegociar a vida da pessoa, os seus turnos, ou pautar a vida das pessoas numa divisão um pouco mais interessante da vida pessoal com a vida profissional. Como eu disse, com esse risco de estar dentro de casa se ocupando e tendo que administrar outras tarefas É uma coisa que a gente entende como um momento agora, a vida voltando a gente tem de rever Mas será que eu realmente preciso, o que eu aprendi com isso? Eu consigo me comunicar? Eu consigo fazer coisas à distância? Eu consigo ao mesmo tempo chegar no meu trabalho num horário que não é aquele que me expõem, que eu tenho que acordar cinco da manhã, porque muitas pessoas executivas falavam, eu levantava bem cedo, aí eu fazia meu exercício, aí eu comia correndo, aí eu pegava em trânsito, aí eu chegava no lugar, ou as pessoas no transporte público, então uma massa crítica. vinda disso tudo, é uma forma da gente pensar numa vida diferente emocional e do trabalho. Então assim, como diminuir os estresses, cada um colocando um pouco a sua... a gente aceitando trocar um pouco das experiências das pessoas, sair do individualismo e rumar para uma questão mais coletiva. para uma melhora das condições de vida, não só de trabalho, do coletivo. Então, é sair da cultura, sim, do individualismo ou de uma tecnologia à mercê de uma velocidade. Porque essa pausa, ela mostrou para muitas pessoas que o trabalho podia acelerar, mas para outras uma divisão maior do seu tempo pessoal, do seu tempo dedicado ao nada, ao nada. O Capnê já falou na Folha, no domingo, do ócio Até no Brasil, até o ócio, as pessoas falam do ócio produtivo Ele fala assim, eu não quero ócio só, eu não quero produzir Tem uma hora que eu não quero produzir nada, eu quero... relaxar. Então eu acho que é uma mudança, a gente precisa.
Arrumar para essa mudança de cultura. A gente desaprendeu, né? Domênico de Masi lançou vários livros, tentou trazer a dignidade para o ósseo, que foi mencionada há tantos milênios sobre esse momento de vazio, que é quando você realmente tem grandes insights, embora você não esteja fazendo ou pensando especificamente em nada, é quando você tem Grandes insights. Mas Camila, mais uma coisinha sobre isso Quando você fala sério do individualismo, eu preciso voltar pro autocuidado Porque se eu não tiver condições de dizer não para um turno a mais, não para o meu chefe, não para um trabalho a mais Eu terei que arrumar alguma maneira dentro.
Da minha agenda pra marcar hora pra mim E você tá perfeita porque esse canal de comunicação tá sendo construído agora em alguns meios e ambientes de trabalho e dentro de casa Ele é o que traz a mudança de você dar o limite, de você poder trocar, isso não te enfraquece, muito pelo contrário Isso te habilita a trocar com outro que também terá suas demandas próprias Então essa questão que a gente começou lá, que é o não fale no seu ambiente de trabalho É assim, obviamente existe uma questão que é ser profissional Que é muito diferente de você trazer adequadamente um discurso sobre Olha, eu funciono assim porque eu tenho uma realidade assado, porque eu posso fazer desse jeito E isso não ser para você um carimbo de que você é menos profissional porque você tem demandas pessoais E você tem uma história, então eu acho que essa é a questão, essa abertura desse canal de comunicação E que as lideranças, eu falo com muitos líderes, eu falo assim, vocês podiam puxar essa ponta do fio? Porque vocês são responsáveis, vocês estão percebendo tantas mudanças e não vão fazer nada na vida de vocês? O que você pode fazer? Então eu acho que é um papel da liderança também Poder pensar fora da caixa que a gente fala, né? E é uma expressão que está sendo muito usada, mas é isso mesmo Outras formas.
De trabalho, de reuniões, de trocas — Isso daria só uma live, né? Só isso Sobre essas novas formas de trabalho que esse Mundo Express vai nos exigir Para a gente manter produtividade com.
Equilíbrio Você disse, você não é menos profissional se você Se você expuser ali no teu contexto de trabalho, demanda suas questões emocionais Limites que você possa estar em determinada fase da tua vida Porque isso pode ser criado junto a você uma condição para aquela situação Então, porque isso é humano e tem tantas pessoas em sofrimento que se você estender e abrir essa porta Essa pessoa faz parte, ela retorna e ela, como eu disse, ela contamina o meio de uma outra forma Porque todo mundo vai precisar em algum momento desse olhar cuidadoso Então tendo mais paciência, tendo mais sensibilidade para o que o outro necessita Especialmente agora onde.
Tudo isso pode aumentar muito Muitas pessoas precisam dar essa pausa Camila, que maravilhoso. Nesses últimos dois minutos, então, eu queria suas considerações finais para que não só os profissionais de saúde, mas quem estiver nos assistindo e depois lá no YouTube, Isabela Camargo Real, como é que a gente pode, então, prevenir o burnout? Como é que a gente pode viver uma.
Vida que vale a pena ser vivida? A gente pode prevenir o burnout identificando Nós com a gente mesmo, quanto antes, aquilo que está ofendendo o nosso ideal de exercício, o ideal de eu, o ideal de trabalho, aquilo que a gente insiste, que a gente leva tempo para se olhar, para procurar trocar uma informação com alguém, para procurar ajuda quando precisa. Então, evitar o burnout é corrigir a trajetória. Você vai corrigindo a sua trajetória, você tá ali naquele trabalho, muitas vezes não é aquele que você ama, é aquele que você tem, mas aquele que te traz Um horário oportuno, uma dignidade de execução da sua função, uma troca com as devidas proporções É você trazer, sim, olhar para o outro, seja qual for a sua função Sem diferença entre as pessoas, porque todo mundo tem questão e tem demanda pessoal Então na hora que ela traz algum limite, a gente pode olhar E se você não tiver habilidade para isso, tem que procurar a orientação dos Dos profissionais que a gente quer para o psiquiatra estar o tempo inteiro.
Conversando sobre isso É onde a gente pode ajudar um ao outro Camila, mil vezes obrigada. Eu recomendo para todos que estejam aqui que comecem a te seguir agora Tem mais.
Alguma coisa que você quer nos contar? Da Caliandra! Eu quero contar que a gente se debruçou tanto nisso que a ideia foi eu e do professor Arthur Guerra fundarmos a Caliandra Saúde Mental que é para ajudar da direção norte para muitas pessoas e empresas Isso veio com o tempo e foi redimensionado com a questão da Covid quando a gente se viu com uma necessidade de estruturar isso Estruturar esse apoio e obrigada por essa oportunidade de falar isso porque a gente tá muito feliz com ter um novo braço para o olhar da saúde mental. Tem muitos países, mas que no Brasil a gente acaba ficando restrito ao consultório, então isso vai dar oportunidade. E super agradecer vocês terem sido porta-voz da saúde mental para essa temática e outras, porque sempre que se fala em saúde mental você trabalha informação, quebra de estigma, a partir das pessoas terem essa coragem de reconhecer que elas passam por problemas, que elas atravessam esses problemas e que elas, como você é uma comunicóloga, você é uma pessoa que tem inúmeras pessoas que ficam ali no farol do que você tá trazendo, é sempre um ganho enorme pra saúde mental e pra perda de todos os estigmas, porque isso já acho.
Que tem que ficar pra trás mesmo. Mundo novo, ideias novas.
Camila Magalhães, mil vezes obrigada, vamos juntas. Obrigada. Eu que agradeço e você também Um beijo a todos, obrigada A gente troca.
Mais aí no individual, contem comigo Um beijo Um beijo, eu vou encerrar antes que o Instagram encerre como se não houvesse amanhã Te agradeço mais de uma vez, te desejo saúde Precisamos cuidar de quem cuida e precisamos.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








