+ reflexão - reação

Isa interviews Flávia Sato, an emotional management specialist, about teaching mindfulness and emotional literacy in schools. They discuss how contemplative practices improve academic performance and reduce bullying, and what parents need to know as kids return to classrooms after COVID.
Chapters
Olá, muito bom dia! Sabadão, provavelmente muito quente em todo o país. Sejam bem-vindos, bem-vindas a essa nossa prosa, esse nosso bate-papo sempre muito interessante, aqui em que eu sempre trago, né, Gisele, pessoas que, se podem trazer coisas boas na minha vida, também podem trazer para a vida de vocês. Hoje, como vocês sabem, todos os sábados eu trago sempre um assunto que expanda um pouquinho aquele óbvio, né, que a gente fala mais durante a semana, baseado também nas principais notícias e tal. E nesse sábado eu tenho o privilégio de conversar com a Flávia Sato. Ela é especialista em gestão emocional e diretora de conteúdo do programa Sou. E o que que a gente vai falar? Ninguém aqui vai discutir sobre volta ou não às aulas, tá? Mas quando tudo isso acontecer de fato, como esta readaptação poderá acontecer da melhor forma? E como as questões emocionais podem inclusive interferir nessa readaptação. É curioso, e eu vou trazer isso com a Flávia também, como as emoções que por tanto tempo ficaram tão negligenciadas são fundamentais pra gente poder viver uma vida que vale a pena ser vivida. Não é? Brechó chique da Carol, sempre aqui presente. Então, sejam todos muito bem-vindos. Olha só quem está aqui, sejam bem-vindos. Deixa eu ver se a Flávia já está por aqui. Já! Respeitar o tempo dela e também o de vocês neste sabadão. Espero que seja um tempo de muita qualidade.
Oi, bom dia!
Tudo bem, Flávia? Bom dia, tudo bem? Tá me ouvindo bem? Tá tudo bem?
Tô tudo bem.
Pronto, ótimo. Obrigada por ter colocado na sua agenda esse nosso encontro nesse sábado de manhã.
Obrigada a vocês, super feliz de estar conversando com vocês.
Vai ser ótimo. É curioso, né, porque quando temos a mesma missão a gente pode até demorar para se encontrar, mas quando se encontra sabemos que vamos juntos, não é? Flávia, você é especialista em gestão emocional e eu gostaria de trazer primeiro esse assunto aqui, gostaria que você se apresentasse também aqui para todos que estão conosco. E como que essa gestão emocional pode mudar, de fato, como nós não só enxergamos a vida, mas como nós lidamos com a vida?
Primeiro, obrigada de novo, Isa, pelo papo que a gente vai ter. Como você disse, a gente se encontra mesmo com as pessoas que estão conversando sobre assuntos que a gente acha que são importantes. Você tem trazido muito essa pauta, nessa questão da saúde mental, do equilíbrio, essa questão do tempo, né, que é essencial a gente conversar hoje em dia. Então, super feliz de estar aqui, né, acho que tem muita coisa para a gente trocar nesse lugar. Eu sou especialista em gestão emocional, mas antes disso eu sou sua colega aí de formação, também sou jornalista, acabei enveredando mais para essa área de desenvolvimento humano, né, em especialização em gestão emocional. Inicialmente trabalhei muito mais focada em empresas, em desenvolvimento de programas de liderança, mas aos poucos, eu digo, costumo dizer que todo mundo acaba chegando na educação, né? A gente vai buscando a raiz, a raiz, a raiz de todas as questões que a gente tá vivendo, dos desafios, mas também das soluções. Eu acho quase inevitável todo mundo colocar um pezinho na educação. E aí mais recentemente eu tô aí com o programa SOU, a gente empreendendo essa jornada de desbravar um caminho aqui no Brasil, né, trazendo muito essa pauta da aprendizagem socioemocional, que já tá bastante em voga, e trazendo a questão das práticas contemplativas, né, do mindfulness, da importância do desenvolvimento disso dentro da educação também. Nossa! É um pouco essa apresentação.
Perfeito, já tá ótimo, Flávia, até pra gente já saber pra onde a nossa conversa vai. Então, Primeiro, eu vou pedir para quem está aqui nos acompanhando para enviarem corações aqui do lado, porque assim o Instagram entende que esse assunto é relevante. E como a Flávia está colocando, né, acho que todos concordam, educação é fundamental para todos, não importa se já passou pela escola, né, porque vai ter um sobrinho, um filho, ou enfim, sempre precisamos investir a nossa energia, nossa atenção para educação, não importa qual seja. Falo isso, Flávia, porque o Thiago Godoy, meu marido, fez uma Fiz uma formação contigo, né? Ele lida com educação financeira e a gente também sempre troca esse tipo de informação. Por que não, né, colocar então desde cedo a educação financeira com essa educação, essa gestão emocional, que faz muita diferença? Então eu vou pedir para que todos enviem seus corações. Eu vou tirar os comentários agora para que a gente possa admirar também toda a beleza da Flávia. E qualquer pergunta relacionada ao assunto envia aqui na caixinha que durante a nossa prosa eu vou tentar trazer o máximo das dúvidas de vocês. Flávia, deixa eu trazer aqui para você um filme para a gente, a partir disso, poder falar sobre a questão socioemocional. Eu não sei se você assistiu um filme em que o Tom Hanks representa um apresentador americano, que esse filme chama Um Lindo Dia na Vizinhança. E ele foi um apresentador americano que fazia um programa para falar das emoções das crianças. E ali ficou muito evidente que aquelas crianças que passavam por aqueles conhecimentos se tornavam adultos muito melhores. Então esse para mim é um exemplo que o cinema traz E que dá pra gente visualizar o todo, como é importante nós aprendermos ainda crianças lidar com as nossas emoções. Ao mesmo tempo eu percebo um sobrinho meu, o Nando, outro dia ele recebeu uma atividade em que ele tinha que colocar: "Em que momento você sentiu raiva?" "Em que momento você se sentiu triste?" Eu achei isso também muito interessante, mas não é tão comum essa abordagem.
É um ponto que acho que é super interessante que você traz, Isa, é essa seriedade com que a gente está enxergando hoje as competências socioemocionais, que a gente chama, né? Então, tradicionalmente a gente sabe que as disciplinas da escola, né, português, matemática, história, geografia, a gente sabe que você precisa de uma progressão, de uma estrutura, a gente sabe que é melhor ensinar lógica para criança desde pequena, né, a gente sabe disso tudo isso. As competências socioemocionais, né, e mesmo quando a gente fala sobre as habilidades que a gente desenvolve, né, com práticas contemplativas, elas não são diferentes, né, elas também deveriam integrar o currículo acadêmico, também deveriam ser trabalhadas desde criança, porque são competências, justamente como a gente está falando, né. Então uma analogia que eu faço, que é sempre bem ilustrativa, é a gente pensar num atleta de alta performance, né, um jogador de futebol, um jogador de tênis, um piloto, qualquer coisa que você faz com alta performance exige que você tenha um tempo de prática, né, de experiência, e vá se aperfeiçoando, né. Então a mesma coisa com as emoções, com a gestão das emoções, né, a gente precisa nos educar primeiro E pensar em educar as crianças sobre esse reconhecimento das emoções que eles estão vivendo, sobre como gerenciar isso da melhor forma. Isso é uma coisa que a gente, na verdade, nunca deveria parar de praticar e a gente deveria praticar com consciência, sabendo o que está fazendo.
E isso nas escolas, o que que já tem mudado? O que que na prática você percebe ou o que o programa SOUL também pode levar isso? Qual é o tipo de escola? Que tem mais abertura também para incluir nessa gestão esta organização emocional.
Eu acho que a gente está vivendo um momento muito feliz da educação, assim, porque finalmente esse aspecto das competências socioemocionais é reconhecido hoje como algo que é essencial ser trabalhado na escola, tanto que está integrando, né, para quem não é da educação, a gente tem uma coisa que chama Base Nacional Comum Curricular, Curricular, que é o que pauta o que deve ser ensinado nas escolas. E hoje a Base Nacional Comum Curricular, BNCC, aqui no Brasil pauta as competências socioemocionais como conteúdo da escola. Então, a partir desse ano, aí como a gente teve essa questão da pandemia do COVID, a gente provavelmente vai ver essa pauta mais forte ano que vem nas escolas, mas já é algo que vai ter que integrar o currículo das escolas e tá todo mundo se sacudindo, né, no bom sentido, Pensando em estratégias de como passar isso para as crianças. O programa SOUL é um dos programas, a gente considera aqui o melhor programa, porque a gente tem uma referência nele internacional que é muito forte, né? A gente está trazendo para o Brasil um programa, um dos primeiros programas de aprendizagem socioemocional, né? Que é muito amplamente disseminado tanto em escolas quanto também no mundo acadêmico, ele é muito pesquisado, né? Portanto, endossado por especialistas, e é uma proposta totalmente estruturada de colocar isso nas escolas como uma disciplina tão importante quanto todas as outras, e que na verdade serve de apoio para o desempenho acadêmico das crianças, né? Então, quando a gente trabalha esse aspecto das emoções e também as funções executivas, que a gente chama, a gente está criando um terreno mais fértil de aprendizado. Então, essas crianças comprovadamente têm um melhor desempenho acadêmico também. Então tá tudo super conectado, é um momento muito bom da educação que a gente tá vivendo.
É, tudo, bom, tem prós e contras, né, tem coisas boas no meio das coisas ruins sempre. Antes de continuar, uma das questões que eu quero trazer para você, eu vi lá na página do programa SOU, o excesso de telas, né, tem muita vida fora das telas. Existem vantagens e desvantagens. A vantagem aqui, por exemplo, né, 10:42, Eu sei que tá quente em todo o país, então nem todas as pessoas estão nos assistindo agora. As pessoas que se interessam pelo assunto, evidentemente essa live vai ficar salva. A tecnologia vai permitir essa pegada digital na história e vai ficar lá no meu canal no YouTube. E se vocês quiserem utilizar, então, além da gente estar ao vivo aqui, quem quiser depois vai assistir no seu próprio tempo. Então essa é uma vantagem da tela. Agora, olha que curioso, Flávia, Eu me lembro, eu sou da década de 80, quando as telas começaram a entrar nas escolas, nossa, aquilo era o máximo, né? Você ter aula num laboratório com alguma tecnologia era fantástico. E hoje a gente tá vivendo o excesso disso. Quando você fala em prática contemplativa, isso tira a tela de fora e volta ao humano. Como é?
É, esse ponto também, Isa, é super interessante que você tá colocando, porque em nenhum momento a gente disse que a tecnologia não é importante ou que as telas não são importantes. De fato, hoje a nossa educação tá dependente desse recurso, né?
Total.
Muito importante, né? A gente tá vendo aqui o quanto a tecnologia ajuda a gente a disseminar conteúdo, né, chegar nas pessoas de alguma forma, a estar próximo, né, sem necessariamente estar junto fisicamente. Então, De nenhuma forma isso não é importante, mas o que a gente sempre contrapõe é o quanto a gente se preocupou no desenvolvimento das chamadas tecnologias externas, né? A gente nunca deu muita atenção para as tecnologias interiores, né? Então qual é o meu funcionamento? Como as emoções aparecem no meu corpo? Como os pensamentos perturbam a minha mente? Então esse tipo de Tecnologia é que a gente acha, né, a gente acredita, e o programa Sol tá aqui por isso, que a gente tem a convicção de que isso deve ser, deve ser tão importante quanto o desenvolvimento dessas tecnologias exteriores que viabilizam a nossa vida, com certeza, né. Então essa questão das telas em si não é o problema, né. O problema é a gente usar tudo isso sem ter esse discernimento, sem ter essa gestão, sem ter esse equilíbrio, técnicas e recursos para manter a gente conectado com a gente mesmo, além de conectado com todo mundo através da tecnologia, com certeza.
E a prática contemplativa significa não fazer nada ou fazer algo numa velocidade menor? Como é na prática?
Adoro essa pergunta, adoro. As pessoas normalmente acham, né, meditação é você ficar fazendo nada um pouquinho por "não fazer nada o tempo inteiro", e na verdade é fazer muita coisa, não é fazer nada de forma alguma, pelo contrário. A prática contemplativa ou de meditação ou de mindfulness, a gente vai ter uma derivação de termos, ela é uma prática de atenção, então estou direcionando a minha atenção para um aspecto específico, e isso é um exercício muito difícil para a gente hoje em dia, E portanto, né, por ser tão difícil, ele é tão necessário. Essa dificuldade que a gente tem de focar atenção mostra que a gente tem uma dificuldade de domínio, né? Nossa atenção, ela tá solta, a gente tá refém do que acontece, né? Raramente a gente tem esse domínio. Então as práticas contemplativas vêm nesse lugar. Então é fazer muita coisa, é direcionar seu lugar que você quer e simplesmente fazer uma observação, sem julgamento, uma postura de abertura, observar a realidade como ela é, tentar observar a realidade como ela é.
Como que as crianças conseguem fazer isso na prática?
Na prática, o que a gente tem é formas diferentes de fazer isso com adultos e com crianças, evidentemente. Então, quando a gente fala de uma prática contemplativa com adulto, Existem algumas instruções, você imagina que a pessoa já tem um controle inibitório um pouco mais desenvolvido, então ela vai ficar paradinha por algum tempo, algumas pessoas adultas mesmo também não têm muito esse controle inibitório, né? Mas com as crianças a gente está realmente desenvolvendo esses aspectos da função executiva na educação. Então não tem assim, não existe a necessidade e a gente nem tem a intenção de deixar a criança parada 20 minutos meditando. Isso na verdade seria contraproducente, a criança teria uma experiência ruim e provavelmente nunca mais faria nenhuma prática meditativa, seria traumático. Então a forma como a gente traz isso para as crianças é através de atividades lúdicas que trabalhem também essa competência, que ajudem a trabalhar controle inibitório, por exemplo, que é uma função executiva muito importante para prestar atenção nas práticas meditativas. E a gente faz isso através de brincadeiras, de jogos, de outras práticas que vão fortalecendo essa competência que mais tarde a criança vai precisar.
O que que é controle inibitório?
Controle inibitório é, por exemplo, vou dar um exemplo claro nesse aspecto que a gente está falando, né, de meditação. Se você está ouvindo uma meditação guiada, né, e eu tô pedindo, solicitando para você, por exemplo, deixar o seu corpo relaxado, mais calmo e sem movimentos necessários, então você vai tentar ficar tática. O seu corpo e a sua vontade vai ser de se mexer, de fazer outras coisas, né? O controle inibitório é o que permite você ouvir essa instrução e respeitar essa instrução da forma como ela está sendo dada. Então, para as crianças, isso é um desenvolvimento aos poucos, né? A gente vai trabalhando isso aos poucos. Isso também é função da escola, né, nos primeiros anos. Nos adultos, a gente pressupõe que isso já esteja um pouco mais trabalhado. Por isso é impossível fazer uma criança meditar por meia hora, não é possível e também não é agradável e não é desejável nesse momento. Tem outras coisas que a gente pode desenvolver com as crianças.
Entendi. A partir de qual idade, Flávia, as crianças já precisam começar a compreender que aquilo que elas sentem se chama emoção e que se ela souber identificar o seu estilo, sabe? Ela pode ou alimentar ou reduzir. Tem alguma idade que a criança começa a ter uma noção melhor sobre tudo isso?
Na verdade, a gente começa a desenvolver isso muito cedo, né? Primeira infância, a criança já tá desenvolvendo essa compreensão. A partir do momento que ela entende o que é o corpinho dela e que ela começa a entender o corpo das pessoas e o mundo separado dela, Ela já começa a ter um pouco mais essa compreensão do que afeta, dos pedidos que ela faz, da resposta que ela obtém. Nesse âmbito das competências socioemocionais, a gente começa a introduzir isso de forma estruturada num currículo tão logo a criança entre na escola. Então, a gente está falando de 4, 5 anos, que é o ensino infantil aqui no Brasil. Isso já é completamente possível, inclusive educá-las em relação à alfabetização emocional, né? Então qual é o nome da emoção que você tá sentindo, o corpinho. Então isso tudo vai começando a fazer parte da linguagem da criança desde cedo.
Fantástico! Ou seja, antes de aprender geografia e história, a gente precisa entender o que que se passa aqui dentro, né? Eu acho isso fantástico, até porque depois que eu fui, eu fiz uma série de entrevistas, Flávia, sobre o futuro do trabalho. E aí o Rui Schausauer do Great Place to Work, ele disse que a maior parte das pessoas são contratadas pelas suas habilidades técnicas, mas são dispensadas pelos seus comportamentos. Então a gente tá falando de adultos que não reconhecem ou nem aceitam as emoções e que têm problemas. Que bom então que essa noção já está vindo um pouco antes, porque senão a gente sabe que depois vai dar ruim, né?
Sim, com certeza, que a gente está vivendo hoje, né, as doenças da nossa época, falta de atenção um pouco também, de todas as questões que a gente vê, né, ansiedade, dificuldade de gerir as próprias emoções, tudo isso assim, obviamente a gente não tá dizendo que as competências socioemocionais e meditação são remédios para todos os distúrbios, de forma alguma. Mas com certeza o desenvolvimento consistente dessas competências ao longo da vida previnem que alguns distúrbios de fato aconteçam, né? Porque esse domínio da emoção e da atenção aos próprios pensamentos e da autorregulação é o que permite a gente ter uma vida equilibrada e plena.
Sim, sim. Agora me dizem, eu não sou mãe ainda, convivo com muitas amigas que são mães, outras já estão para para ter bebê, mas eu sempre ouço que pai estressado, criança estressada. Isso é verdade?
Com certeza, com certeza. A gente sabe disso por experiência própria, né? Não sei, ia falar alguma coisa?
Não, eu tô aqui matutando. Por favor, continue, já eu falo.
Pontos que a gente também conversa muito assim com os educadores, né? É nesse lugar do exemplo e do quanto, na verdade, a criança espelha muitos comportamentos, tanto dos pais, da família de convívio, quanto dos próprios professores considerando que isso é adequado. Então, é incoerente e é muito difícil fazer um trabalho de aprendizagem socioemocional, por exemplo, em que eu estou tentando fortalecer uma habilidade de empatia na criança se ela tá num ambiente em que as pessoas não demonstram empatia a todo momento. Então ela tá aprendendo uma coisa na escola e ela não tá vendo isso ser exercitado ou isso ser factível, isso ser real na vida dela. Então fica desconectado, que é um problema de várias disciplinas, na verdade, da escola, essa desconexão com a realidade. Então quando a gente trabalha esse tema, uma coisa, uma verdade que os pais não gostam tanto de ouvir, mas a melhor forma de trabalhar empatia, capacidade de resolver conflitos, escuta ativa, né, própria atenção, concentração, a melhor forma de facilitar esse processo com seu filho é fazendo parte disso com ele, né, tendo esse compromisso antes de tudo, né, que essa experiência é que vai também ajudar a trazer esse tema com a importância que tem para as crianças.
Perfeito, eu tô tentando ver aqui algumas perguntas. Bom, muitas perguntas. Tá, eu vou trazer aqui uma provocação da Clarícia, porque quando você falou eu quis trazer esse ponto, mas deixei, né? Que momento maravilhoso é esse? A escola pública de modo geral está sofrendo cortes absurdos. Flávia, eu vou aqui fazer só uma ponderação em relação à saúde mental, né? E aí eu passo a palavra para você. Espero que contribua de alguma maneira. A gente está vivendo uma situação absolutamente delicada em todas as áreas da nossa sociedade. Eu nem ia entrar na história da COVID, mas eu sei que isso interferiu também nas famílias de Na maior parte do mundo. Mas quando me perguntam, por exemplo, sobre saúde mental, e eu falo: "Ah, nunca vivemos um momento tão positivo para falar sobre saúde mental." Eu não estou menosprezando os números que nós temos, que são chocantes, de ansiosos, depressivos e burnout. Mas quando eu falo também: "Nunca estivemos num momento tão positivo" é porque nunca tivemos tanta abertura para falar sobre o assunto. Então quando você disse no início da nossa conversa que eu entendo que deve ter Partindo para essa pergunta, é o momento da educação, sim, ela tá muito confusa. Alguns governos querem voltar, outros não, porque cada cidade tem a sua realidade, as suas condições, inclusive de saúde. Mas de maneira geral, você quis dizer também em relação a esse diálogo dessa mudança da base curricular Exatamente, exatamente esse ponto que você trouxe, Igor.
Eu acho que a gente não consegue dizer que esse momento que a gente está vivendo e nenhum contexto ou segmento é o ideal, ou que a gente diminui isso de qualquer forma, né? É um contexto desafiador não só para a educação, né? Para todos os setores. Uma forma de olhar isso é: existem muitas oportunidades que são trazidas com esses desafios, né? Uma oportunidade que é trazida com esse desafio é a gente tomar contato e dar mais importância para essa observação interna, né? O quanto o equilíbrio pode depender de mim, pode estar no meu domínio, e o quanto eu vou deixar a minha felicidade, meu equilíbrio na mão de qualquer outra coisa, qualquer— pode virar um contexto Quando eu digo que, né, esse é um momento maravilhoso da educação, é porque a gente está trazendo para a pauta, colocando curricularmente, como eu citei a Base Nacional Comum Curricular, questões que são muito essenciais de serem trabalhadas na educação. Inclusive, né, eu falei isso, né, que a gente vive até em especificamente da educação, tá muito relacionada à falta dessa prática, desse domínio, dessa experiência que foi, né, a gente foi carregando isso até onde deu. Nesse momento agora é crucial, a gente precisa falar sobre isso, a gente precisa colocar em pauta, e é um pouco dessa consciência que eu comemoro, né, de certa forma, mesmo num contexto difícil.
É como eu com a saúde mental, Flávia, oi, deixa eu ver que agora ficou aqui tudo escuro para mim. Eu tô te ouvindo, mas não tô te vendo, tá uma tela lilás. Você consegue sair e voltar? Vamos lá, é melhor. Pronto, a gente tá conversando com a Flávia Sato sobre um assunto de extrema importância para quem tem filhos ou não, sobrinhos ou não. A gente tá falando sobre educação socioemocional e também meditação na retomada às aulas. A Flávia, ela é especialista em gestão emocional e ela é diretora também de conteúdo do programa Sou, que está trazendo práticas bem interessantes, práticas contemplativas inclusive, para que cada criança se desenvolva emocionalmente e assim viva uma vida com menos atritos, com menos reações. Estamos vivendo um excesso de acessos, né, gente? Então precisamos acordar para o que realmente importa. Então a Flávia já vai voltar aqui, a gente teve um probleminha. Pronto, já voltou. Flávia, Eu queria trazer aqui para você um aspecto agora do isolamento, que muitos pais se viram absolutamente com dificuldade para lidar com tantas mudanças. E eu fico triste também quando aquelas pessoas dizem: "Ah, porque os pais não conhecem os filhos que têm." Todo mundo bota a culpa em alguém, né? Mas esses pais também estão vivendo desafios tremendos. Acho que tem uma frase, se não me engano, é de um documentário do Tony Robbins, que diz: você quer que o homem apareça, cure o menino. Você quer que a mulher apareça, cure a menina. Então, voltando um pouquinho para o que a gente estava conversando, como que esses pais que não tiveram educação emocional, que não sabem lidar com as emoções, podem também se beneficiar deste conteúdo agora que tá entrando na base curricular? Porque aí vai ser o contrário, né? Vai ser o filho que vai ensinar para o pai. É possível?
Sim, claro, é super possível. E como eu tava comentando antes, né, daquela resposta que os pais talvez seja difícil de ouvir, que eles precisam ser exemplo, mas não é no sentido de precisar ser perfeito para educar o seu filho. Acho que é um processo pode ser feito junto, né? E a nossa convicção no programa SOA é justamente essa: a gente pode atender a família por meio da criança. Olha, a gente cria, eles são feitos já para saírem da escola, chegarem em casa e tocar os pais também em relação a esse aprendizado que a gente acha que é essencial para o ser humano, para a vida, né? Não só para criança, não só dentro da escola. Então é essencial, e eu acho que essa visão do ir junto, né, então eu posso não saber o que que é isso, eu posso não entender, né, na prática, de forma estruturada ou conceitual o que significa, mas eu tô disposta a aprender junto, né, um compromisso que eu faço junto com meu filho. Eu acho que essa postura é a ideal, na verdade, né, de aprendizado junto, né, criança também começa a entender O quanto o pai está disposto, o quanto aprendizado, aquilo tudo é importante para ele também, né? O pai, a mãe, a família de uma forma geral, né? Do convívio da criança.
Que lindo! E na retomada das aulas, como eu disse, a gente não vai falar se tá certo, se tá errado. Pera lá que deu uma travadinha, agora voltou. Flá, na retomada das aulas, o que você percebe que será fundamental para esses pais e essas crianças as crianças? Tá todo mundo vivendo uma ansiedade, né? Os pais querem loucamente que os filhos voltem, os filhos também estão querendo voltar. Eu vejo muita criança que tá doida para voltar para aula, para escola, né? Porque esse convívio é muito importante. Mas na retomada, será preciso fazer alguma adaptação?
Com certeza, né? Aspectos, acho que eu não vou entrar porque nem é a minha especialidade, né? Mas aspectos técnicos, né? Isso da escola efetivamente tem que ser um lugar seguro para crianças e aí existem uma série de protocolos para isso. No âmbito das emoções, o que a gente vai ter que encontrar e a gente vai ter que criar são ambientes de muito acolhimento dentro da escola para acolher crianças que a gente está imaginando assim: primeiro que elas estavam acostumadas com uma rotina e isso tudo foi por água abaixo, elas tiveram que ficar presas dentro de casa. A educação delas, talvez, né, o conteúdo mesmo da escola talvez tenha ficado defasado. Então tem uma ansiedade em algumas crianças para aprender, né, e para tirar o atraso. Outra questão que é super essencial a gente pensar é que muitas crianças viveram perdas significativas de pessoas importantes na vida delas, ou elas viram acontecer com amigos. Então esse é um momento assim delicado, e a escola precisa ser um lugar de acolhimento dessas crianças, né, disputa de recebê-las e que elas se sintam seguras nesse lugar, porque nesse momento de insegurança que a gente tá vivendo um pouco generalizado, não é um lugar onde a gente vai conseguir aprender e se desenvolver. A gente precisa de alguma forma encontrar recursos e fazer uso de ferramentas que nos deixem minimamente seguros para viver a vida como a gente merece que ela seja Uma vida plena, com aprendizado, com felicidade, com conexão.
Você falou agora uma frase que me dá muito medo, inclusive eu trago aqui no livro Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, no final, como tudo tem sua hora certa, eu consegui escrever o epílogo a partir do que a gente viveu nos primeiros meses do isolamento. E essa frase que você trouxe, tirar o atraso, me preocupa muito. Porque muitas pessoas que não conseguiram fazer, não conseguiram planejar, não conseguiram realizar o que tinham planejado, eu ouço: "Ah, eu vou, quando voltar, eu vou recuperar o tempo perdido." Para as crianças isso vai ser um perigo, né? Porque isso vai alterar completamente, não a cronologia dos conteúdos, mas esse recuperar o tempo perdido é muito ruim, né? Para todos.
Na verdade, a gente não deveria pensar dessa forma estruturalmente também, né? O quanto os educadores e a própria escola terem essa questão do conteúdo tão essencial que tem que ser passado agora em 2 meses, tudo que não foi vivido em 6, a gente está falando de uma compressão de tempo que não é possível, que você está colocando. Essa pressão que as crianças já relatam que vivem hoje na escola, principalmente adolescência, pré-adolescência, que é uma fase complexa de pré-vestibular, de pressões externas, internas, de todos os lados, quanto mais a gente reforça esse discurso, pior é esse ambiente de acolhimento que eu tava citando. Ao invés de ser um ambiente em que acolhe aquele momento, que dá vazão, que escuta, torna um lugar opressor para criança, um lugar que ela não vai se sentir bem nesse lugar. Então é muito importante a gente também ter essa consciência enquanto educador, enquanto escola, enquanto ambiente para para a criança não reforçar esses padrões, né, que vão, na verdade, não são nem um pouco produtivos, né. Pensar sobre isso, se preocupar com isso e tentar, né, recuperar o tempo perdido não é produtivo. Existem outras formas mais criativas e inteligentes da gente andar daqui para frente, né, do presente para frente, nesse muro das lamentações que a gente chama, né, ficar Nesse lugar ruim, que não é propositivo, que não é produtivo.
Adorei o Muro das Lamentações. Flávia, eu tava dando uma olhada lá na página de vocês e vocês falam da Finlândia, que é uma referência mundial de educação. O que que vocês já percebem de resultado em outros países que vocês consideram que pode ser útil também aqui no Brasil?
É, o que a gente tem de resultado dessa aplicação do programa Sou em outros países e escolas de ponta, na verdade são resultados em áreas diferentes, né? Então, vamos dizer agora primeiro de desempenho acadêmico, né, que é um pouco do que eu tava falando anteriormente. Então, o programa SOU, ele trabalha as competências socioemocionais junto com uma série de outras competências, né, que fortalecem aí a capacidade da criança de aprendizado, basicamente, né? Então, as funções executivas que a gente chama, que é atenção, memória, o próprio controle inibitório, tudo isso é um contexto para o aprendizado. Quando a gente trabalha o contexto, a gente está fertilizando esse terreno, a plantinha que a gente planta ali com certeza vai florescer. Então é um pouco dessa analogia. Então desempenho acadêmico sim, melhora. A criança tem mais capacidade de prestar atenção, de concentração, de reter informação. Tudo isso é importante nesse desenvolvimento. Também a gente tem um grande impacto na questão de comportamento mesmo. A gente vê nessa idade, na idade escolar de forma geral, bullying, agressividade, violência, isso tudo acontece. A criança não é cruel, né? Tem gente que fala: "As crianças são muito maldosas, são muito malvadas." Não é isso que acontece, é simplesmente uma questão do que a gente estava comentando, né, de ensinar a criança fortalezas como empatia, como saber escutar, como saber ser assertivo sem ser agressivo. Então a questão comportamental é visível, né, e aí a gente tem uma avaliação que é qualitativa muito mais do que quantitativa, que é o próprio professor e o próprio pai falando: gente, meu filho mudou, né, tem uma coisa aqui que aconteceu que ele não é mais a mesma criança.
Mudou para melhor.
Histórias, inclusive de casos aqui no Brasil, assim, de turmas que já passaram pelo programa e que tem esse impacto grande no comportamento, né. Fora que a questão de bullying especificamente nas escolas, hoje a gente fala disso com a seriedade que merece, né, porque bullying é uma prática que começa ali na escola, que a gente vê acontecendo socialmente, foi com o tempo aceito, né, como se fosse uma coisa normal, E depois a gente começou a descobrir que isso tinha efeitos tóxicos na vida dessa pessoa, que podia, na verdade, atrapalhar tudo, todo o desenvolvimento daquele ser humano. Bullying, por exemplo, a gente tem dados, tem pesquisas que vão apontar isso de forma mais quantitativa, mas a redução de 1/5 de casos de bullying, de crianças que são rejeitadas pelos colegas. Isso tudo, na verdade, que a gente vê como problema são consequências da falta desse trabalho.
Fantástico.
Consequência de uma criança que, puxa, não consegue se colocar no lugar do outro, né, ou não consegue ter uma relação com uma pessoa diferente dela. Então tudo isso pode ser resolvido pela raiz, né, com desenvolvimento dessas competências.
Olha, tem um outro filme chamado Duas Vidas E ainda não consegui trazer aqui para minha memória o nome do Bruce Willis. É lindo, né? E eu me lembro ali de uma história que eu vou trazer aqui rapidamente para a gente, né, ficar aqui de olho também no tempo. Mas teve um momento em que o menino, ele vive uma situação e que o pai pega ele assim pelos ombrinhos e fala: não chora, né, menino, não chora. E aí, a partir disso, ele ficou com um tique aqui no olho. Você, porque nós estamos vivendo no mundo de grandes mudanças de crenças, né? Felizes aqueles que já despertaram para isso, porque quem ficar ainda parado lá atrás só vai perder tempo. Quando eu te falo da preocupação que eu tenho em relação aos pais, porque muitos não viveram aquilo que hoje é cobrado, essa, essa naturalidade em falar sobre as emoções, a gente sabe que no passado não era tão aceito. Então, meninos não choram, meninas precisam ser fortes e tudo mais. E quando a gente vai se conhecendo mais, a gente encontra muita fragilidade, muita vulnerabilidade, né? Você acredita que desde a infância, lidando melhor com essas emoções, menos reações negativas podem acontecer no futuro? Deixa eu melhorar aqui a pergunta: pais que não foram instruídos a mostrarem suas emoções podem ainda mudar agora?
Com certeza, com certeza. A gente tem uma pessoa na equipe do SOU que ele fala: nunca, você conhece o Fernando Gabbas, ele fala: nunca é tarde para mudar o passado, né? Nunca é tarde para a gente ressignificar as coisas, né? Então, que a gente toma consciência de alguma coisa. Então essa questão das emoções, muito do que a gente estava comentando sobre educação até agora, então a seriedade com que a gente está levando as competências socioemocionais, o aspecto emocional, tanto quanto as outras disciplinas. Então a gente começa a entender que isso é sério. No passado a gente falava sobre gestão emocional, sobre esse aspecto, parecia só fofinho, era um negócio meio Você ia falar numa empresa de soft skills, era uma coisa fofinha, ninguém via quanto aquilo se materializava, né? Quando a gente começa a viver uma sociedade em que os distúrbios mentais começam a ser tão frequentes, né, que é tão difícil das pessoas lidarem com as próprias emoções e com os próprios pensamentos, isso é resultado de uma coisa que a gente criou, né? Foi essa coisa do olhar só para fora, só para o externo, só para o fazer, e muito pouco para o ser, né, para essa dimensão interna. Então, para responder a sua pergunta, né, e dizendo que nunca é tarde para mudar o passado, eu acho que é o momento também que, assim, sem culpabilizar, eu acho que a gente tá passando por esse processo de evolução e a gente tá sempre passando por Processo de evolução e aprendizado. Então aceitar que a gente faz também, né, o que é capaz, que a gente é capaz de fazer com as ferramentas que a gente tem. A partir do momento que isso se torna, né, dito e endossado como algo importante, eu posso começar a aprender sobre isso, né. Qual é a nossa flexibilidade para aprender sobre uma coisa que a gente, né, agora considera importante, portanto deve fazer parte do nosso vocabulário, da nossa nossa rotina, das nossas experiências. Então, com certeza, os pais que não tiveram essa educação, mais ainda é importante eles pensarem sobre isso agora, né? Podem, a partir de agora, começar a desenvolver essas fortalezas e ajudar, e junto também, né, com as crianças nesse processo.
Perfeito. Flávia, eu ainda preciso te fazer uma pergunta que acho que ela vai ter uma resposta um pouco mais demorada, então já vou partir para ela, tá? Já aqui de olho no nosso tempo. Tá muito claro, tá muito evidente que gestão emocional é fundamental, né, para não só indivíduo, mas para todo coletivo. Mas na prática, quais são as principais emoções que vocês trabalham? Porque existem as emoções primárias, talvez depois outras que são ramos dessas primárias, né? Como que é na prática essa gestão emocional? Eu primeiro preciso identificar, aceitar, trabalhar?
Essa resposta é realmente complexa. Emoções, na verdade, são infinitas, né? A gente poderia entrar num nível de sutileza das emoções e listar milhares de emoções. Quando a gente fala de emoções, a gente não diz primárias ou secundárias, a gente fala sobre as universais, que são as 5 emoções universais que estão representadas no Divertida Mente. É, que são raiva, medo, nojo, tristeza e alegria. Essas emoções são ditas universais não porque todo mundo sente, porque todo mundo sente todas as emoções, né? Elas são ditas universais porque elas são expressas mais ou menos da mesma forma na fisionomia. Então as pessoas em diferentes culturas, com diferentes repertórios, demonstram no rosto de uma forma muito parecida, essas 5 básicas, né? Além disso, elas têm sinais no corpo que são mais ou menos parecidos. Então tem uma assinatura, a gente fala, uma assinatura fisiológica dessas emoções universais, né? Isso é importante, a gente começa mais ou menos por aí quando a gente trabalha com as crianças, porque a partir do reconhecimento das emoções, tanto dela quanto das outras pessoas, isso é a importância do reconhecimento da fisionomia, ela consegue se relacionar de uma forma mais saudável com as pessoas e com ela mesma. Então, a partir do momento que eu sei que o meu coraçãozinho bate mais rápido, que eu fico com o rostinho vermelhinho quando eu tô com raiva, eu reconheço essa emoção de raiva e eu sou instrumentado para daí saber gerenciar essa raiva e ter uma resposta que não seja destrutiva. Então, se eu tô com raiva do meu amigo porque ele pegou meu brinquedo, eu não vou lá e vou bater nele. Eu tenho instrumentos, tenho ferramentas para reconhecer a minha raiva, saber a melhor resposta e ir lá e falar com meu amigo de uma forma assertiva, mas que resolva esse conflito, que não escale a raiva. Então, mais ou menos, a gente começa por aí, né? Reconhecer as emoções de mim, no meu corpo físico, que é o domínio mais fácil, né? A gente entrar tanto com adultos quanto com crianças. E aí, a partir desse lugar, também reconhecendo o outro, essas emoções, entender como é que eu posso me relacionar da melhor forma. No fim, a gente quer isso, né? Se relacionar de forma saudável com as pessoas e criar vínculos que sejam bons, tanto para mim quanto para os outros. Então, é um pouco desse lugar que a gente vai.
Perfeito, adorei. Para finalizar, Flávia, eu queria te pedir então uma consideração final para que estão nos acompanhando e vão nos acompanhar depois lá pelo YouTube ou aqui pelo GTV também no Instagram. Gestão emocional é tão importante quanto respirar, na minha humilde opinião, né? Como a gente também falar sobre o tempo. Você sabe que o meu sonho, eu falo sempre, Thiago, quem sabe então agora a gente encontrou a outra perninha do tripé. A gente precisa falar sobre educação, financeira, temporal e emocional. Porque ninguém ensina isso para gente na infância, ou poucas pessoas recebem essa orientação. E depois você tem que lidar a vida inteira com questões relacionadas à sua gestão de tempo, o seu financeiro, suas emoções.
É conectado, né, Isa? Essas três coisas estão super relacionadas, né? Podem se ajudar, mas podem se atrapalhar muito também. A gente não tem uma coisa desenvolvida, né?
Totalmente. Então queria pedir suas considerações finais sobre a gestão emocional, sobre esse trabalho que vocês estão desenvolvendo, ou seja, existem resultados muito interessantes em outros países, né, e podemos também começar a implementar aqui, certo?
É, o que eu gosto sempre de dizer é que, trazendo uma citação de um psicólogo muito famoso, né, ele é um dos pais da psicologia nos Estados Unidos, William James, Ele colocava que a competência que a gente tem, desenvolver a competência de trazer atenção repetidamente, ter controle sobre a nossa atenção, isso é a definição de uma educação de excelência. E na verdade isso é muito mais profundo do que a gente vai conseguir discutir agora nos últimos minutos, mas esse domínio da gestão emocional, da própria atenção, que está muito relacionado com a sua questão do tempo, o tempo, né, essa presença, o que que eu posso fazer a partir de agora, essa postura propositiva, né, tudo isso que a gente tá comentando, a gente falou nos últimos minutos, tudo isso nada mais é do que dar a liberdade para pessoa e dar o instrumento que ela pode ter para exercer o potencial dela da melhor forma. A gente acha que a gente é livre no mundo, mas a gente na verdade às vezes é muito refém de coisas que aconteceram, de coisas que estão acontecendo, de outras pessoas, de situações, e muito pouco protagonistas, digamos, na nossa própria vida. Então toda essa educação que a gente está falando nada mais é do que uma ferramenta de dar liberdade para as pessoas serem o que elas podem ser. E eu acho que essa é a função da educação em última instância, a gente quer que as pessoas floresçam, que as crianças e adolescentes floresçam e que a nossa sociedade, portanto, floresce. Então acho que é isso, convido todo mundo que está acompanhando a gente a conhecer o programa Sou. A gente antecipou um pouco esse lançamento para estar junto das escolas nesse momento que é difícil, a gente sabe que é difícil e com certeza temos muita, muita confiança nesse trabalho, a gente vai chegar em muitas escolas e aproveitar esse momento, portanto, maravilhoso da educação. Prazer estar aqui com você hoje.
Obrigada. Ontem eu vi uma frase que eu vou compartilhar, né? Forte é o homem e a mulher que sabe lidar de forma equilibrada com suas emoções, né? Então muitos buscam poder, muitos buscam dinheiro, muitos buscam consequências, né, muito materiais, né, para que isso representa sucesso, mas Cada vez mais a gente sabe que não. Quanto mais você sabe lidar com suas emoções, é melhor você vive, mais o tempo se torna de qualidade. Flávia Sato, especialista em gestão emocional, diretora de conteúdo do programa social, e um colírio, né, para essa nossa manhã. Querida, muito obrigada, conte comigo, tá? Obrigada, obrigada, até breve, Flávia. Muito obrigada também pelo seu tempo, sua confiança, que esteve aqui conosco. Aproveite seu sábado, seu domingo, segunda-feira de volta com mais um conteúdo que eu tenho certeza que pode te ajudar a pensar melhor e a decidir melhor. Obrigada, tchau tchau!
Beijo!
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








