Regina Ramos - Ouça seu corpo e tenha foco para encarar as adversidades - RECAP 2023

Psychologist Regina Ramos talks about resilience and listening to your body to handle life's challenges. She explains salutogenesis, the science of what creates health, and how emotional management directly affects physical well-being.
Chapters
Olá, olá, salve, salve! Seja bem-vindo, bem-vinda ao terceiro episódio do Interioriza, um programa feito com muito carinho, com assuntos que já passaram da hora da gente interiorizar, da gente assimilar. Nos programas anteriores, com o Geraldo Rufino e com a Cíntia Bedim, nós falamos sobre empreendedorismo, propósito, e a Cíntia falou sobre resiliência. Gente, muitas vezes eu achando que estava sendo resiliente a minha vida, eu estava apelando remédios, drogas, anfetaminas para dar conta de um estilo de vida insustentável. Então, tá na hora. Já aqui na largada deste ano, de entendermos de fato o que é resiliência. Então, quem o trouxe para este interioriza? Regina Ramos, psicóloga especialista em resiliência. Gente, bem-vinda, Regina.
Obrigada, Isabela. Muito obrigada pelo convite.
Que bom que você está aqui.
Obrigada, eu que agradeço. Falar desse tema tão importante, né, Isabela?
Importante, e às vezes eu acho, Regina, que tá vazio, porque se fala, fala, fala, fala de resiliência, mas no fundo, será que a turma sabe o que é resiliência?
Bom, Isabela, esse termo foi muito abordado nesses últimos dois anos, mas eu acho que a profundidade dele as pessoas não sabem. Se fala muito nos meios sociais, ah, resiliência é a capacidade que nós temos de passar por uma situação difícil, uma diversidade e sair dessa situação mais fortalecido. Mas eu, como atuo na área de psicologia, esse tema é tão importante para que as pessoas saibam que é uma capacidade interna que você tem e isso está totalmente ligado à sua história de vida, a como você lida com o estresse, a como você passa pelas adversidades, o que é mais legal, que eu gostaria que as pessoas entendessem, que você pode sempre desenvolver a sua resiliência interna. Sempre. Cada vez se tornar mais forte. Então, é um tema que a gente pode aprender muito com isso, porque está totalmente ligado ao estresse. E a gente sabe, quem aqui não vive o dia a dia com muito estresse, e muitas vezes não usa a sua resiliência para passar por tudo isso, E é por isso que muitas pessoas adoecem. Então, é um tema que é totalmente ligado ao estresse e à saúde. Por isso que eu friso. Vamos conhecer a sua resiliência internamente e fazer com que você desenvolva isso para não chegar ao ponto de adoecer.
Então, eu preciso treinar, construir a minha resiliência para fortalecer a minha saúde. E não treinar a minha resiliência quando eu adoeço.
Perfeito, perfeito. Porque assim, a resiliência, você tem que desenvolvê-la em momentos de adversidade. Quando tá tudo tranquilo na sua vida, a vida não te exige.
Mas a adversidade é o dia inteiro. É trânsito, é atraso, é uma série de questões.
Então, você está falando uma coisa muito legal, que é assim, adversidade, estresse, é o que eu falo, tivemos, temos e teremos. Qual que é o ponto principal? É como você, ou você, ou você, lida com isso. Então, essa forma de como você lida com essas adversidades, com o estresse do seu dia a dia, é que vai fazer a diferença pra você. se tornar uma pessoa que lida positivamente com isso ou porque você pode adoecer. E o que me chama muita atenção é o número de pessoas que cada vez mais adoecem. O Brasil é o país com o maior número de ansiedade no mundo. Então, a gente sabe dessa questão da saúde mental. Então, a resiliência é como que um fator essencial na sua vida para você poder viver bem, com qualidade de vida e não adoecer, resumindo.
Mas quando nós falamos sobre resiliência, como eu já mencionei aqui, muitas vezes eu achei que eu estava sendo resiliente, mas eu estava apelando. Aquilo não era coerente. Qualquer pessoa que prestasse atenção no que eu estava fazendo para dar conta daquela situação insustentável, perceberia. Oh, Isabela, isso aqui não é coerente. E quando a gente vai falar de coerência, me vem senso de coerência, e eu aprendi isso com você. Conheci a Regina em um episódio muito interessante, em um congresso de longevidade que estava acontecendo aqui em São Paulo, e você me falou pela primeira vez sobre senso de coerência, que é a essência da salutogênese. Gente, vocês já ouviram falar esse termo? O que é a salutogênese?
Bom, Isabela, salutogênese foi uma teoria desenvolvida por um sociólogo, quer dizer, salutosaúde, gênese, origem. E o doutor Aaron Antonofsky estudou algumas mulheres, um estudo longitudinal, e ele viu que algumas mulheres não adoeciam. Ele acompanhou a vida dessas mulheres que viviam no campo de concentração. um ambiente extremamente de adversidade, e ele percebeu de início que essas mulheres não se colocavam na posição de vítima e tinham um olhar positivo para a vida. Primeiro, o que chamou atenção foi isso, na pesquisa. Só que ele aprofundou os estudos e ele percebeu que o que? O que fazia com que essas mulheres não adoecessem? Foi isso que você acabou de falar. Elas tinham internamente um senso, o que ele denominou senso de coerência, que era uma capacidade de lidar com o estresse de forma positiva. Mas ele falou, como assim? Como isso ativa os seus pontos saudáveis, a sua saúde? É o oposto de olhar para a doença. Ele viu que as mulheres conseguiam ativar as fontes protetoras da saúde. E ele estuda mais, o que ele percebeu? Que elas tinham uma compreensão do que acontecia. Ele chamou de compreensão, ligado ao nosso pensar. O manejo, ele chamou de manejo, manejabilidade. Como você fazia para sair dessa situação? Então, sempre eu acho legal deixar isso claro. que sempre nós temos recursos internos e externos para sair, sempre. A gente precisa ativar, não se colocar na posição de vítima.
Já vamos falar sobre eles, recursos internos e externos.
E externos, para sair da situação, para ser resiliente. Mas o que ele denominou que era o mais importante, isso é muito legal a gente entender, elas encontravam um significado maior na situação difícil. Então, elas não focavam no problema, mas elas olhavam para o todo da vida dela e falaram, olha, a gente vai passar por isso, eu já passei, um exemplo, falando praticamente, eu já passei por isso, eu vou aprender alguma coisa com isso, isso vai me ensinar que tem a ver com resiliência. Então, olha só, se você tem essa coerência psíquica entre o seu pensar Como você sente e nas escolhas que você faz e como você age, você pode ativar o seu senso de coerência para ele te fazer caminhar de uma forma saudável na vida. Isso é muito importante. E isso tem a ver com resiliência diretamente, porque a resiliência, o que ela te faz? Num momento difícil, te ajuda a sair dele.
Qual a diferença do senso de coerência para o conformismo? Porque muitas pessoas que podem estar nos acompanhando falam assim, ah, mas então elas estavam conformadas com o que estava acontecendo. Tem alguma relação?
Tem. Assim, a relação, vamos mostrar o que diverge, né? Na verdade, porque quando você fala conformar, muitas vezes a gente se acomoda, a gente se sente injustiçado, vitimizado, que é o que ele falou pra que as mulheres não faziam.
Não tinham essa postura.
Não tinham essa postura. A gente sabe que a pessoa que é resiliente não fica terceirizando o que ela tem que fazer. Pelo contrário, ela tem consciência que isso cabe a ela e ela começa a usar esse manejo, tomar atitudes e ter escolhas para sair dessa situação. Então, o que o senso de coerência te ajuda? A você encontrar um equilíbrio interno pra não ocupar a posição de vítima. Pelo contrário, ele fala, olha, eu estou entendendo o que está acontecendo na minha vida, por mais difícil, né? Alguns momentos a vida fica meio bagunçada, não é? Você passa por momentos difíceis, né? Separação, de demissão, não é? Que dá uma embaçada que você tem que, como você mesmo fala, fazer a faxina ou reorganizar o quebra-cabeça. Mas o que ele fala, se você tem essa compreensão, se você fala, não, eu vou fazer tudo que eu posso para sair disso, vou pedir ajuda, que é muito importante, mas eu olho para o meu futuro e falo, eu vou sair dessa, eu vou aprender. Isso tem a ver com resiliência. Porque você não fica só focado no problema, isso amplia. E o que que é mais legal? Que depois de um ano, dois, três, por exemplo, no teu caso, que você sempre fala, ou no meu, que você olha, você fala, olha, eu passei, olha como mudou, olha como eu cresci, olha como minha vida se reorganizou pra melhor até. Então, a gente sai do foco no problema e o senso de coerência te ajuda a caminhar positivamente na sua vida, com resiliência, pra você ter saúde e não chegar ao ponto de adoecer. Porque o próprio doutor Antonovski fala que nós adoecemos quando você perde o sentido de vida. Quando você está num momento bem difícil ou sem propósito, linkando com a questão do propósito, e você perde o paladar pela vida. Você fala o sentido, o gosto. E você vê sua vida meio que cinza, aí que você deprive e seu sistema imunológico fica abalado. Ele liga diretamente, Isabela, com a imunologia.
E só lembrando que existem muitos tratamentos, inclusive de câncer, que têm apresentado bons resultados porque estão fortalecendo o sistema imunológico. E não tentando mais destruir as células ruins, né? Porque os tratamentos do passado focavam muito na destruição das células ruins e aí também destruíram as boas. E agora, um outro caminho dos tratamentos, especialmente para o câncer, que eu estou falando aqui, tem a ver com o reforço do sistema imunológico. Mas o meu sistema imunológico, pelo que você está falando, então, ele é fortalecido ou não pela forma como eu encaro os fatos?
Sem dúvida, sem dúvida nenhuma. Eu trabalho com médicos na Escola Paulista de Medicina e isso constantemente, as pesquisas mostram todos os trabalhos no sentido que essa questão do emocional, de como você lida com o estresse, a gente está falando basicamente de teorias, a salutogênese é relacionada ao estresse, a resiliência também, Porque a questão principal é a forma como você lida com isso. E se você deixa o estresse em uma conta de você, é óbvio que o cortisol e tudo mais vai afetar o seu sistema imunológico e todo o seu sistema físico e orgânico. Então, olha só como a questão do emocional e de você entender isso, se conhecer. afeta diretamente a sua saúde.
Isso é revolucionário. É simples e revolucionário.
Olha, a salutogênese é uma das teorias bem revolucionárias, porque o que eu acho bem legal, porque ele falou, não quero olhar para a doença. Todo mundo estuda a doença. O doutor Antonovski, na época, ele teve esse olhar. Ele falou, quero olhar o que as pessoas têm dentro delas que as mantém saudáveis. E isso está dentro delas. Está dentro de você como você vive o seu dia-a-dia, suas escolhas, e é o que você falou. Muitas vezes a gente se conforma, a gente põe piloto automático, a gente vai indo. Eu, por exemplo, eu adoeci. em 2003, e eu achei que eu nunca fosse adoecer. Por quê? Porque eu era psicóloga, então eu me achava bem resolvida. Também a minha vida não estava em piloto automático, um monte de sinais que me mostravam, não está legal, Regina. E eu deixei em piloto automático, até que eu adoeci gravemente.
Por exemplo, que sinal que você teve que você desqualificou?
Por exemplo, fisicamente eu comecei a ficar com gripes constantes, muito cansada, não estava feliz, eu trabalhava muito, era super executiva de RH. Minha vida não estava legal. Depois da doença, o que parecia o fim foi o começo e minha vida teve toda uma reviravolta positiva. Para melhor, mas o que eu tento mostrar é que a gente não precisa, nas minhas palestras, chegar ao ponto que eu cheguei. É isso que eu levo com o meu trabalho. E a gente está falando disso aqui hoje, né? Olha, preste atenção, busque o autoconhecimento, que é a principal base para você ser resiliente e poder ter um cenário de cores e se conhecer. E autoconhecimento em relação a como você faz a gestão das suas emoções.
Chegamos novamente na questão da gestão das emoções. Regina, a nossa história tem muita similaridade, porque eu também fui percebendo vários sinais. Até tratando alguns sinais, mas faltou uma visão integral. Não só dos médicos, mas minha também. Aquela ilusão que a gente tem de que depois você se cuida, depois a gente faz, depois a gente pensa nisso. Quando você fala dessa lutogênese, essa teoria ela veio à tona quando?
Então, ele começou os estudos em 1945, na Segunda Guerra, mas ele só publica o termo em 1979, porque foi um estudo que demorou um tempo, ele acompanhou a vida dessas mulheres. E elas se reconstruíram, olha só, todas da pesquisa que tinham esse... senso de coerência alto, né? Elas reconstruíram a vida numa boa, a vida seguiu, é vida que segue, né?
A vida seguiu.
É vida que segue, né Isabela? Então, eu acho que é um grande ensinamento pra nós, principalmente nessa era de tantas dificuldades que as pessoas vivem que a gente pode sim passar por isso e sair melhor, não chegando ao ponto de adoecer, como a gente sabe que tem tantos casos de doença física, mental, tanta farmácia, tanta esquina.
Seguir melhor não significa seguir com a necessaire maior, tá, gente? Vou repetir, seguir melhor não é seguir com uma necessaire cheia de remédio. seguir melhor e parece que o autocontrole, que vem do autoconhecimento, é o nosso melhor amigo hoje em dia, né, Regina? Há tantos excessos que a gente está vivendo.
Sem dúvida, sem dúvida, porque como eu tava conversando com você, eu acho legal explicar uma coisa importante da teoria da salutogênese, que o doutor Antonovski fala do rio da vida. O que que é esse rio da vida? Do mesmo jeito que ele fala que você não é nem saudável e nem doente, ele fala tem dois polos, o da saúde e o da doença. O que te faz caminhar mais perto de um ou de outro é o seu centro de coerência. Ele te leva e te faz ter consciência nas suas escolhas. Do mesmo jeito que ele fala essa teoria na horizontal, ele inverte na vertical. O que ele fala? Em termos de prevenção da saúde, e isso serve para políticas sociais como para as pessoas que nos ouvem, você pode, por exemplo, promover a saúde, É você educa, você previne, você protege, você cura, que é quando a gente vai ao médico. E muitas vezes não tem mais jeito, como uma cascata. Então, olha só como é importante. Muitas vezes as pessoas chegam ao ponto de procurar um médico, muitas vezes. quando já tá com algum sintoma muito grave, não é? Porque a gente acha que tá dando conta, como você falou, e a gente não percebe. Então, a gente tem muita coisa antes pra ser feita pra não chegar ao ponto de uma doença ter que parar você, como foi o meu caso, acho que o seu.
Nosso caso, né?
A doença teve que te segurar. Então, olha só, e é um movimento que constantemente você faz do interno pro externo, do interno que tem até a ver com o tema do seu... com o logo, com tudo.
Total, interioriza isso, é de dentro pra fora.
É muito legal, é muito legal esse símbolo.
Esse foi um trabalho lindo, feito em equipe, encabeçado pelo Sérgio, aqui da SonCast, e eu tô bem feliz de estar realizando esse sonho de ter um programa próprio pra trazer conteúdos que já passaram do tempo da gente interiorizar. Agora, deixa eu conversar com você uma coisa, Regina. Quando você falar do Rio da Vida e dessa inversão de valores que, às vezes, a gente vai trazendo... Eu sempre gosto, nas palestras, eu pergunto, quem tem 40 anos, levanta a mão. Mais de 40! Então, sabe qual é o problema? É que a gente passa pelos 20 e pelos 30, e nos 20 e 30 você não tem nada. Você é inconsequente do ponto de vista de saúde de dormir pouco, beber mais, comer mais, quem fuma, fuma mais, ou seja, porque as consequências elas não são tão imediatas. mais depois dos quarenta, gente, cê dorme mal, o dia seguinte, meu Deus do céu, parece que tá com dengue, né? Nossa senhora. Então, o nosso metabolismo muda, as nossas necessidades mudam, mas queria que você falasse, então, um pouquinho de prevenção pra quem está nos acompanhando que não precisa adoecer pra cuidar da saúde, né? A saúde a gente cuida enquanto tem saúde. Você, inclusive, tava me dizendo que a salutogênese foi inserida pela Organização Mundial da.
Saúde como As políticas sociais de prevenção.
Um conceito de política pública? Explica mais.
Sim, em 1979, a OMS percebeu que esse modo de olhar para a saúde, que o doutor Antônio Novoski criou, poderia auxiliar muito na questão de prevenção para as pessoas não chegarem a ficarem doentes. Então, eles fizeram vários projetos para se trabalhar de forma promovendo a saúde, prevenindo, como a gente sabe que tem várias campanhas que são feitas, né? Agora, Isabela, uma coisa que eu acho importante, por mais que tenham campanhas a toda hora, de tudo, se a pessoa não estiver conectada com ela, tudo passa na sua frente e você não aproveita, certo? Por exemplo, isso que a gente está trazendo hoje. E eu tenho percebido isso no meu trabalho, que muitas vezes as pessoas demoram para perceber em relação à questão da saúde como uma prioridade, é o que eu falo, é o melhor investimento que a gente pode fazer, é o que você vai te poupar, você cuidar da sua saúde vai te poupar de ficar doente. Então, a gente faz uma previdência privada, tô falando até por mim, há 10, 15 anos atrás, super preocupada com o meu financeiro, na época, e eu não cuidei da minha saúde, com questões básicas. E eu vejo muito a moçada de empresa do treinamento descuidando um pouco. Aí, quando eu conto o meu caso, elas falam, nossa, aí elas...
O que você descuidou? Se você pudesse voltar atrás, você faria diferente?
Eu descuidei porque eu buscava meu sucesso e minha felicidade no sucesso financeiro, no trabalho.
E o que você descuidou? Foi do sono? Foi dos relacionamentos familiares? O que você descuidou?
Eu acho que eu descuidei muito da saúde física, por exemplo, eu trabalhava muito até tarde. Eu comia muito mal porque não dava tempo. Eu era gerente de RH, tinha que ir. Então, essas coisas que são essenciais todo dia, né? Porque eu falo pequeno, o pequeno se torna grande. Você não faz hoje, você não faz hoje. Então, eu acho que isso tudo não foi só um mês. Foi um mês, foi meio ano, foi um ano. E eu não fui percebendo, que é o mais sério. Então, a gente volta pra questão do autoconhecimento e da resiliência, que eu vou até aproveitar o seu logo, que é maravilhoso. Tudo isso é de onde parte? Parte daqui, do centro, né? Desse autoconhecimento, pra você ter um autocontrole diante do estresse, pra você poder perceber o seu entorno, o contexto, você analisar a relação com as pessoas pra você ter motivação, sentido de vida. Então, acho tão interessante isso, é tão rico esse seu logo, Isabela. Porque tem muito a ver com resiliência, com as escalas que mensuram resiliência, com o autoconhecimento, que é o movimento de dentro pra fora que você vai fazendo pra poder encarar qualquer adversidade que vier. E a gente pode. Isso é legal, né? A gente pode. E olha só, eu trabalho com a biografia humana. O que eu ajudo as pessoas a perceberem? Que essa força interna tá na tua história de vida.
Biografia humana. Me fala mais sobre isso.
Bio é vida, grafia é escrita. Então, como é a sua história de vida? Na verdade, é diferente da minha, da dele e da dele, porque tem a individualidade de cada um, mas nós temos ciclos parecidos. A gente vai para a escola aos 7 anos, maioridade 18, mas difere por causa da individualidade. Agora, o que eu acho muito rico no meu trabalho? As pessoas perceberem que essa força da resiliência, de passar por a diversidade está na sua história de vida e se eu te perguntar Isabela me conta na sua biografia hoje você me diria que a sua resiliência você desenvolveu nos momentos difíceis e que você Sim. Então, mas é duro, gente, se apropriar disso, né? Você se apropria depois, né? Depois.
Depois.
Isso é legal, Isabela. A pessoa perceber que não foi no momento que estava tudo bem da sua vida que você não precisou. Eu falo, é na subida que a canela engrossa.
Ó, é na subida que a canela engrossa, gente. No português. Olha, que beleza.
É, ou o Marcalmo, aquela frase, Marcalmo não faz bom marinheiro. É isso mesmo. A vida não é fácil e fica difícil. É difícil pra todo mundo, não é só pra você.
É desafiadora, né, Regina?
Desafiadora.
Desafiadora.
Desafiadora. Agora, o que é legal? Você aprender com os momentos difíceis e se fortalecendo. E se fortalecendo. Eu tenho certeza que, por exemplo, eu posso falar por mim, acho que você talvez concorde, que a gente hoje, nós tivemos outras adversidades depois do que você passou, eu. Mas eu me sinto muito mais forte. Eu falo isso... Não vai me derrubar tão fácil, eu já passei por isso. Isso é legal se apropriar, e eu vejo que as pessoas têm essa dificuldade de olhar e falar, caramba, eu sou forte, eu dou conta, eu vou... Vou conseguir. Vou conseguir, vou conseguir. E aí você fica... Não que nos... Não pode falar.
Não, não, por favor.
Não que a gente não respeite a nossa vulnerabilidade, porque nós somos, isso é importante, ninguém é só.
Ah, com certeza.
Mas resgatar isso internamente é muito importante.
Biografia da vida. Você está escrevendo a sua biografia ou só está lendo biografia, se interessando por biografias de pessoas famosas? Eu sempre gosto de usar esse termo de releia a sua biografia. Veja quem esteve com você até aqui, como foram os principais episódios. O Bernadinho fala muito isso, né? Que num jogo, quando a seleção que ele tá treinando ganha, a energia da vitória, ela dura um tempo e já passa. E a energia da derrota dura mais quando traz aprendizado. Sabe? E aí ele sempre brinca. Quando você vive uma situação desafiadora, você sai como dessa situação. Se você não sai mais forte, tem alguma coisa errada. Regina, antes da gente encerrar, eu queria que você trouxesse com a resiliência, a salutogênese sobre copo vazio e copo cheio. Como que eu posso treinar a minha resiliência para não deixar o copo encher?
Para não deixar o copo encher? Bom, como você treina sua resiliência? Primeiro, sabendo que há diversidade e não discrimina. Não discrimina. Isso é uma coisa muito importante. Aonde você vai colocar a sua energia? Naquilo que você pode mudar ou naquilo que você não pode mudar? As pessoas perdem muito tempo colocando energia naquilo que elas não podem mudar. Então, a primeira coisa é você entender que a diversidade não discrimina e quem é resiliente, Isabela, sabe muito bem onde você vai colocar sua energia. Você não fica colocando energia naquilo que você não pode mudar no outro, que não quer mudar. Então, você tem um foco, você tem uma consciência nas suas escolhas. E muitas vezes você também pergunta, isso que eu tô fazendo me ajuda ou me atrapalha? Isso é uma questão, uma reflexão muito importante. E a forma como você olha pro copo. Peraí, olha, isso que eu consegui, essa metade que está cheia, é muito positiva. Ou eu vou ficar sempre na falta, né? Eu acho que a falta é um jeito de olhar pra vida também, e aí você não tem gratidão. né? Porque os teus momentos difíceis te ensinaram. E se você olha pra ele e fala, olha, eu aprendi com isso, você tem até gratidão pela sua vida e pelos momentos que foram difíceis, mas que você deveria ter aprendido se não aprendeu, né? Então, é um é um é um é super autoconhecimento isso. Então, é resiliência, tem muito a ver com isso, né? E com fé, com esperança de ter uma vida melhor, Você sofre estagnação na sua biografia. E aí que vem a doença. Doença sempre tem a ver com desequilíbrio, com falta de fluxo nos processos emocionais, físicos.
Doença, desequilíbrio. A Cíntia Bedim, a nossa entrevistada do programa anterior, ela comentou sobre a dor ser uma ferramenta de movimento. Achei isso bem bonito. Regina, deixa eu ver aqui como é que nós estamos de tempo para saber. Ah, nós temos ainda quatro minutos. Me conte uma coisa. O que falta interiorizar, então, para quem está nos ouvindo? Salutogênese é mais um termo que veio para contribuir para a autorresponsabilidade, para o autocontrole.
Perfeito. Contribui no que essa lutogênese contribui? Acho que vamos pegar o exemplo do doutor... Primeiro, para as pessoas refletirem dessa nossa conversa. Onde você se coloca? Em situação difícil na sua vida, que todos nós temos, não é só você, todos nós. Onde você se coloca? Na posição de vítima? ou na posição do que ele traz, do conceito que, olha, está difícil, é difícil, estou num momento difícil, mas eu vou fazer de tudo pra sair, primeira coisa. Apesar de tudo, eu vou ter um olhar positivo pra isso, porque alguma coisa eu vou aprender. Então, acho que isso é um grande ensinamento. E o terceiro ensinamento, que é em relação aos sonhos de coerência, é você buscar esse equilíbrio interno entre o que você pensa, sente e age, pra você não desequilibrar, que é o que a gente fala, né? Um distúrbio mental que é esse desequilíbrio. E aí você não consegue caminhar na vida, você fica muito mais preso ao medo, ao passado. do que ao futuro, né? A coragem, a vontade de prosseguir, seguir adiante apesar de tudo. Você passou.
É, eu gosto de olhar a doença como um convite, né? Pra te devolver o equilíbrio. Mas, gente, você pode aceitar outros convites, tá? Não precisa ser esse, não. Pode ser convite pra festa, pro baile, né? Não precisa... Deixar tudo acontecer no rio da sua vida pra depois tratar a doença. Ou a gente cuida da saúde ou a gente trata da doença. Aí é uma escolha. Você falou agora pensar, sentir e agir. Esse é o caminho? Primeiro eu penso, depois eu sinto e aí eu me comporto?
O que define, na verdade, é o sentir. Vamos falar sentir, né? É o que integra a compreensão que você tem das coisas e a tua atitude pra caminhar, agir e decidir. Então, na verdade, é no coração. Isso é uma coisa muito importante. Até o doutor Antonovski traz isso, que o que você sente é o que te faz... faz a intersecção entre o que você pensa e como você age, que é o mais importante. Então você tem que estar atento ao que o teu coração está te dizendo. O que você está sentindo? Como você sente isso? Como você está? Como o seu sistema emocional? Está acontecendo, porque aí você toma as atitudes que você tem que tomar para poder agir com coragem. Agir com coragem, a Sintia até colocou isso, mas agir com coragem, apesar de que muitas vezes a gente até tem medo, o corajoso. Não é que ele não tem medo, mas ele age apesar de uma situação que... A gente tá falando medo do quê? De uma situação de mudança, você fica inseguro, como você sempre coloca, né? De alguma coisa, mas a gente não pode ficar prisioneiro, porque aí você tá estagnando, você tá ficando prisioneiro e você deprime, você não age, sua vida fica estagnada.
Gente, isso é lindo, porque quando você traz a ideia do rio da vida e a depressão é o excesso de passado, então a pessoa ficou parada em algum lugar deste rio. E é impossível. Quem já viu um rio sabe que o fluxo é tão natural que quando você quer ficar parado no rio, você usa muito mais força pra se agarrar a algum tronco. Olha que exemplo. Você gasta muito mais energia pra ficar agarrado num tronco. Eu já fiquei, tá, gente? Eu sou da roça, então eu já caí num rio. É muito difícil ficar parado num rio. Se você se deixar fluir, Nossa, adorei. Adorei, Regina. Pra quem está encantado com tudo que você compartilhou conosco, como que a nossa audiência continua te acompanhando?
Eu tenho uma página no Instagram, vou citar a página que eu acho que é mais fácil para as pessoas me acessarem, que é Regina W. Ramos, onde eu posto esses conteúdos de resiliência, salutogênese, biografia humana, para ajudar as pessoas a refletirem sobre isso, que é um tema tão importante para a gente poder viver mais feliz, com mais qualidade de vida e, principalmente, saúde emocional e física, né, Isabela?
Excelente. Regina, o que você quer brindar?
Eu quero brindar o nosso encontro. Muito obrigada. Parabéns pelo seu programa e que 2023 seja um ano de muita resiliência para nós e para todos.
Muitos aprendizados e muitas boas notícias. Saúde.
Saúde.
Então, olha, Desejo que você flua pelo rio da sua vida. E que bom que você aceitou esse convite para esse turismo interno de hoje. A gente se encontra no próximo Interioriza. Deixe seu comentário, sua sugestão, o seu coração e compartilhe também com quem você quer ver. Até mais!
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








