Renata França no programa Unha Talks com Izabella Camargo 01/02

Renata França talks with Izabella Camargo about her rise from humble beginnings to becoming a massage industry leader. She discusses her innovative techniques and how she's empowered women through her courses.
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Quando você chega no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, um dos mais movimentados do país, você dá de cara com uma mulher linda, morena, e que debaixo do nome dela está escrito a mulher que revolucionou a massagem, Renata França, que está aqui no Ia Talks com a gente para falar sobre autocuidado e para falar sobre várias coisas que eu tenho certeza que você vai gostar. Obrigada.
Eu que agradeço. Nossa, super.
Eu sei que sua agenda é super concorrida. Gente, é só a Ivete Sangalo que consegue tirar ela da agenda de cursos, viu? Mas olha, consegui o horário.
Gratidão.
Gratidão, obrigada. Gente, vamos falar de esmalte, né?
Sim.
Vai tirar o preto e vai colocar qual?
Preto de novo, gente, porque eu gosto de preto. É mesmo?
Você chega a mudar, assim, dependendo do seu astral, de alguma festa?
Vermelho, só preto e vermelho. Eu passo seis meses do ano com preto, seis meses do ano com vermelho.
Quem está conosco hoje é a Gilda, que está aqui comigo, e a Aninha, que vai fazer a unha da Renata. As manicures transformam o nosso astral. São nossas psicólogas, nossas amigas, e a gente conta tudo no salão, né?
Tudo, amor. Tudo é um negócio.
Me diga uma coisa, a unha pra você faz parte...
Total. Primeiro porque a gente trabalha, eu trabalho com muitas mulheres, então, e eu falo de beleza, eu falo que a mulher, ela tem que estar sempre bonita, arrumada, que o nosso cartão postal, ó, quando a gente chega, antes da gente falar, antes das pessoas ouvirem a gente, ela já bate o raio-x na sua imagem, então eu digo que a unha tem que estar ali sempre pronta, cabelo, é uma exigência total que a gente tem que fazer e não adianta.
Agora, olha, além da unha, por exemplo, pra mim, eu faço massagem desde os 14 anos. Sério? É, eu tenho 38 agora, então você faz as contas aí, né?
38 também, 38! Arrasou!
As 3.8, né?
As 3.8.
Inspirando. Rê, e aí eu comecei a fazer massagem com 14 anos por recomendação da minha mãe.
Sim.
Tá? Até hoje, eu faço muita massagem. Até que um dia, uma massagista falou assim pra mim, Isabela, semana que vem eu vou fazer um curso com a Renata França, você vai ver como é que eu vou transformar sua massagem. Eu falei, oi? Quem é a Renata França? E aí ela começou a me falar sobre uma massagista que tinha transformado a massagem, né, como está lá escrito no aeroporto de Congonhas. E aí eu comecei a pesquisar mais sobre você, pude fazer uma massagem.
Tem quanto tempo isso?
Ah, deve ter uns quatro meses. Aí eu fui até o seu spa, que fica aqui na zona sul de São Paulo, perto da Faria Lima, perto do salão, inclusive, que nós estamos. E fiquei encantada pela sua história. Sei que você está deixando um legado maravilhoso por todo o país. E queria que você, então, começasse nos contando como a Renata, que queria ser apresentadora do Fantástico... Ah, você já está sabendo? Se tornou a mulher mais respeitada e admirada, não só no setor de massagem, mas que empodera milhares de mulheres.
Bom, é uma história grande, que é.
Essa que eu conto dos meus cursos.
Mas eu vou resumir. Quando nós éramos pequenas, eu e os meus irmãos, o meu pai, ele falava assim, fica quieto, meninos, cala a boca que eu quero ouvir o jornal. E aí, de repente, eu vi uma mulher magra, saindo de dentro da água, toda bonita, maravilhosa, já com batonzão vermelho. Aquilo ficava vidrado na tela da TV. E aí, criança, À medida que foi passando o tempo, a criança não presta só atenção na vinheta, então eu já estava crescendo, eu fui entendendo que a Léia era um telejornal, era um dos telejornais mais incríveis do país, e aí eu fui prestando atenção no que vinha depois da vinheta. E aí eu percebi que eram jornalistas e pessoas que estavam contando o que acontecia ao redor do Brasil e do mundo, e aí eu comecei a admirar. Eu achei lindo, então eu cresci com essa ideia de ser jornalista. E aí eu costumo dizer que se não fosse algo divino, né, que me tirasse do caminho, eu ia apresentar o Fantástico, porque essa era a minha meta. Eu sempre fui uma menina muito determinada desde criança. Eu colocava na cabeça, eu ia e fazia, acontecia. Mas aí teve uma intervenção divina e aí eu parei na massagem.
Como é que era a sua realidade lá em Leos e como é que tudo aconteceu?
Isabela, eu venho de um lar muito simples, muito humilde. Pobre mesmo, é aquilo que eu digo nos meus cursos. E aí, nessa época, o Brasil estava passando por uma crise, mais uma crise econômica, e aí a minha mãe, eu comecei a ver a minha mãe brigar com o meu pai, dizendo que só o dinheiro dele não estava dando para poder sustentar a gente. A minha avó, na tentativa de ajudar a minha mãe, falou assim, vem para Belo Horizonte, que a minha família frança é baiana, mas é radicada em BH há muitos anos. faz um curso de cabeleireira, você volta pra Ilhéus e monta um salão e faz o cabelo das vizinhas e aí o dinheiro que entra você compra comida pra cuidar dos seus filhos, enquanto o meu pai, né, trabalhava pra pagar as contas. Então minha mãe foi pra Belo Horizonte, fez o curso, voltou pra Ilhéus, que que ela fazia? Pra treinar Né? Nas pessoas pra poder fazer o cabelo, ela pegou eu e as minhas irmãs, né? Que a gente tinha o cabelo todo cacheado e começou a fazer o treinamento. Então ela fazia as escovas na gente e aí fazia as escovas com a prancha e mandava... E a gente ia brincar depois. Só que eu tava com o cabelo todo escovado de prancha brilhante das hidratações e a minha mãe... As vizinhas passavam e falavam assim, o que que fez seu cabelo? A menina falava, foi mainha ali, ó. Um belo dia, tinha uma cliente da minha mãe, já era uma cliente da minha mãe, eu não sabia o que ela fazia, a Marisa, que eu sempre conto nos meus cursos, ela era coordenadora técnica de um renomado spa francês, que tinha dentro do hotel Transamérica da ilha de Comandatuba, que é próximo a Ilhéus, que é 80 quilômetros apenas. Ela frequentava o salão da minha mãe, mas eu não sabia o que que ela fazia. Ela chegou lá, minha mãe falou assim, Renata, lava o cabelo da Marisa, que eu vou escovar e fazer as coisas. Eu fui lavar o cabelo da Marisa. Por que que eu tô lavando no lavatório, passando shampoo, condicionador, aquelas coisas todas? A Marisa vira pra mim e fala assim, hei, sua mão é tão boa pra ficar só fazendo o cabelo, você não gostaria de trabalhar fazendo massagem lá no hotel? Quando a Marisa falou aquilo, Elisabela, eu jamais imaginei que ela ia me fazer aquela pergunta se eu queria trabalhar fazendo massagem. eu parei rapidamente e eu lembrei que eu odiava massagem.
Odiava massagem?
Eu odiava, Isabela, eu odiava massagem, vou te dizer porque. Eu tenho uma tia que ela é enfermeira, irmã da minha mãe, e ela fez enfermagem, veio pra São Paulo, estudar em Campinas. Virou a tia rica da família, comprou um Corsa Vermelho, voltava pra Ilhéus todas as férias, chegava lá e eu era criança, eu e os meus irmãos. Ela chegava, dirigia Campinas e Ilhéus são dois mil quilômetros. Ela chegava. Quando eu chegava lá em casa, sentava numa poltrona, me chamava, mandava eu fazer massagem de uma mão, a minha irmã na outra mão, a minha outra irmã no pé e meu irmão no outro pé. Criança, amor, não quer ficar fazendo massagem. Eu queria correr, queria subir em árvore, eu queria brincar de elástico, eu queria fazer tudo, menos massagem. Então, quando essa menina me fez essa pergunta no lavatório, eu lembrei de tudo isso, da minha infância, que eu não queria ficar fazendo massagem e era ruim. Mas eu também lembrei que o Hotel Transamérica da Ilha Xcobanatuba, como eu morava lá em Ilhéus, era um lugar onde tinham muitas celebridades, pessoas muito ricas, formadores de opinião. Eu falei, vai que alguém me vê e me leva pro Fantástico. Aí eu falei, aceito na hora. Eu falei assim, aceito. Passei por cima de toda aquela, sabe? Aquela coisa de tipo, mas massagem. E fui. E com o passar do tempo eu fui entendendo que a massagem era algo muito pejorativo. E que as pessoas tinham vergonha de dizer que faziam massagem. E isso era algo muito ruim. Principalmente ainda no Nordeste. Isso é muito forte. É muito pejorativo essa coisa da massagem com sexo. O final feliz. Ah, happy end. Final feliz.
Que horror! Você sentiu isso também em outros estados ou só fica restrito no Nordeste?
Não, a massagem é assim no mundo inteiro.
Eu nunca vi assim, né?
Você nunca viu assim, mas a massagem tinha esse... tinha!
Com algum cliente que chegou assim na cara dura?
Milhares. Um dia depois eu escrevi um livro contando, obviamente não com nomes, mas as situações. Na verdade, a maioria delas virou engraçadas, porque eu costumo dizer que a mulher tem o poder de conduzir toda a situação, em qualquer lugar.
Então, quando alguém chegava assim, com uma frase que você não concordava, como é que era? Como é que era uma situação dessas?
O que o cara te falava, que.
Te tirava do eixo, aí você tinha que ir na série educada?
Tirar do eixo? Difícil tirar a baiana do eixo. Tive uma personalidade muito forte, mas a gente conduz. Quando o homem deitava na maca, e eu costumo dizer que o brasileiro e o latino, é que ele é o que já entrava na sala e já queria tirar a roupa e já ficar pelado. Que isso, o amor não vai poder, porque isso aqui tem um protocolo, você tem que estar com uma sunga. Não, mas eu quero, sou acostumada a fazer lá na tua casa, lá, mas aqui tem um protocolo. É, normalmente era assim que acontecia, eu dizia educadamente, sempre com um sorriso daqui, aqui tem um protocolo, você não pode seguir. Aí, quando a situação ficava mais quente, ele ficava animado, animado, animado, animado, estava animado, aí o protocolo era, senhor, Olha, eu vou deixar o senhor um pouquinho respirando, eu vou lá, vou sair, eu vou trazer uma água gelada, o senhor fica um pouquinho aqui, eu tô vendo que o senhor não tá muito bem, mas eu volto daqui alguns minutos. Aí eu saia lindamente e voltava cinco minutos depois, entendeu? Então a gente sempre tem que ter o poder da gente mudar. E aí normalmente quando o homem via que não ia rolar, virava amigo. Aí já tava... Poxa, essa daí é respeitável, essa... Entendeu? Então... Mas tem a outra que já aceita o suborno, já aceita o dinheiro e aí acaba fazendo o final... Tem, tem sempre. Acaba fazendo o quê? O final feliz, a massagem com o... Na múnica em si, o que que é isso? Mas eu sei, porque eu nunca fiz, mas eu sei que dá o final... É o happy ending, é o final feliz, sabe lá, Deus, como é que é. É mais que eu não sei, mas tem.
E aí tá, aí você tá lá trabalhando nesse resort super maravilhoso. Qual foi o momento em que você decidiu mudar aquele protocolo? Ou seja, que você podia ser valorizada como você merecia?
Eu fiquei dois anos trabalhando lá dentro do Hotel Transamérica, eu comecei a ver o poder das mãos. Eu vim de uma época onde trabalhar com massagem Não existia ainda a estética de um estado imediato que a mulherada hoje procura para poder desinchar, modelar, tornear o corpo. Eu não sou dessa época, eu sou da época de tirar a dor. E aí eu comecei, quando o cliente saía que agradecia, eu olhava assim, foram as minhas mãos que fizeram isso. E aí eu comecei a entender que a mão tinha um poder inexplicável. E aí eu comecei a me apaixonar pelo poder do toque, o poder das mãos. E aí duas coisas, eu costumo dizer nos meus cursos e quem vai ver essa matéria sabe, duas coisas que me fizeram a tomar a decisão em seguir na área da massagem, porque era crucial, vestibular estava chegando. Eu tinha que tomar a decisão em largar, Isabela, a massagem e entrar de cabeça nos livros para poder tentar passar de primeira no vestibular, e vestibular chegando, ou afundar-me de vez na massagem e dane-se jornalismo. duas coisas me fizeram tomar a decisão. Primeiro foi a minha mãe, então ela falava assim ó, e eu nunca vou esquecer. Filhos, quando vocês crescerem, tudo o que vocês decidirem fazer na vida de vocês, seja o melhor. Não seja meia boca. E ela usava essa expressão. O mundo está cheio de profissões meia boca. E eu não entendia o que manhã dizia, eu não entendia as palavras dela. Aí eu ficava virando a cara, ai, manhã de novo com essa ladainha? E aí eu, por ser a mais velha dos meus irmãos, de quatro irmãos, Ela falava assim, Renata, para de virar o olho. E ela dizia assim, quando você crescer, se você quiser varrer rua, seja a melhor varredora de rua. E aí, eu olhando pra ela, não podia virar o olho, né? E ela lavando o prato, falava assim, quer lavar prato, Renata? Lavar louça? É isso que você quer pra sua vida? Seja a melhor lavadora de louça? E ela lavando a louça e eu não podia nem piscar. E um dia de muita angústia, porque o vestibular já era na próxima semana. Eu tava angustiada, chorando. E eu costumo dizer que tem dias na nossa vida que só você pode tomar decisão por você. Seu pai, sua avó, sua tia, ninguém pode tomar decisão por você. E aí eu deixei todo mundo conversando na minha família porque a gente adora se meter na vida da gente mesmo.
Todo mundo.
A família grande. Eu deixei todo mundo ali. E eu subi, eu fui pra... Meu pai tava fazendo puxadinho, eu costumo dizer, né? Uma laje. Tava batendo a laje naquela época. No momento que eu tava subindo as escadas pra ir pra laje, ficar sozinha, chorar, eu comecei a avistar aquele céu estrelado. E aí eu fui subindo. No último degrau que eu cheguei, eu avistei todas as estrelas e eu senti que Deus tava ali. eu virei pra Deus indignada de toda aquela situação que eu estava passando e eu virei pro Céu e falei assim, escuta aqui eu nem queria essa profissão pra mim, o senhor tá entendendo, eu queria ser jornalista e o senhor sabe muito bem disso mas já que o senhor tá me tirando de uma profissão onde eu sempre tive um sonho desde criança eu já vou te avisando, eu não quero ser qualquer uma aí eu pensei, enxuguei as lágrimas e falei assim Também não quero ser a melhor do Brasil. Não, da Bahia. Primeiro eu falei da Bahia. Da Bahia, porque a gente tava na Bahia. Aí eu pensei, enxuguei uma outra lágrima, eu vi, senti que Deus tava ali me ouvindo e falei assim, também não quero ser a melhor do Brasil. Aí enxuguei as lágrimas mais ainda e falei assim, eu quero ser a melhor do mundo, tá entendendo? Eu quero fazer a diferença nessa profissão que é tão desvalorizada. E chorando mandei para o Universo naquela noite, que eu nunca vou esquecer, que eu chamo de DR com Deus. E um dia eu ainda vou escrever um livro sobre aquela noite, que carinhosamente eu chamo de DR com Deus. Porque exatamente um ano depois daquela DR que eu tive com Deus, eu estava em São Paulo, um ano depois. E foi muito difícil, porque eu me lembro, Isabela, meu tio pegou a gente na rodovia AGT dois dias depois, porque são dois dias de Léus pra cá, e levou a gente pra um lugar. Tô vendo meu tio demorar nesse lugar, Isabela, tô vendo meu tio demorando, eu falei, tio, leva a gente logo pra sua casa, que a gente quer esticar as pernas, colocar as malas. E o tio falou assim, é aqui. Falei assim, aqui onde tio? Meu tio não tinha casa. Resumindo, meu tio não tinha casa, meu tio estava negociando naquele exato momento o lugar para eu e minha irmã morarmos, porque ele não tinha lugar. Mas o fato é que, é importante que vocês saibam, é quando eu me vi chegando, o meu tio né, falando que nós não tínhamos casa. E nós não tínhamos nem dinheiro também. Eu vim para São Paulo com 157 reais na carteira, que eu nunca vou esquecer até hoje. Chegamos no mês de março, abril, maio, junho, três meses depois as temperaturas começaram a despencar. Em uma das noites eu vi dar 5 graus, eu falei assim, vamos morrer aqui, minha irmã. Mas vamos aceitar isso aí, que era isso que Deus queria, que a gente morresse de picolé. Vamos aceitar. Eu sempre fui uma pessoa muito grata e alegre por tudo que eu tinha na vida. E uma dessas noites, Isabela, que eu vim dar dois graus, eu falei assim, hoje você está sabendo, minha irmã, que a gente vai morrer, vamos aceitar isso aí. Feliz da vida, mas na verdade a gente tava triste porque a gente não podia ligar pra minha mãe e despedir dela, porque dois graus você não tem... Eu não tinha blusa de frio, não tinha sapato, não tinha meia, não tinha nada. E aí eu lembrei que a minha mãe, há três meses atrás, fazendo a minha mala, ela colocou um secador de cabelo. Ela falou, filhas, eu vou colocar um secador de cabelo porque lá em São Paulo vocês não vão ter dinheiro pra ir pra salão. Então, um escova o cabelo da outra. Mãe é mãe, né? E aí quando eu vi dar dois graus, que a gente realmente, nós íamos perecer ali naquele dia, eu lembrei do secador. Me deu um start, levantei do chão, peguei o secador. Falei, Temila, meia hora você fica leitada e eu fico passando o secador no meu corpo e no seu corpo, embaixo do lençol, pra manter a temperatura. Na outra meia hora você faz isso. Foi assim, Isabela, durante muitas noites. Um secador de cabelo que aplacava o meu frio da minha irmã Temila, pra que a gente não morresse de frio. Então, quando as pessoas falam assim, ah, eu não posso, eu não consigo, eu não vou. Eu falo assim, levanta que você consegue, você pode, todo mundo pode mudar o rumo da história das nossas vidas a hora que você quiser. Porque eu não tinha nada, nada, absolutamente nada.
E como você mudou esse rumo? depois de chegar aqui em São Paulo e passar por todo esse perrengue.
Quando eu me estabilizei, eu fui estudar, fiz estética no SENAC. Depois que eu fiz estética no SENAC, eu virei coordenadora técnica do SPA L'Occitane, que era esse renomado SPA francês. E aí... Num dia me deu um insight porque chegou uma mulher loira, magra, viu? Tipo magro. Chegou lá no spa e ela falou assim que ela queria fazer uma massagem porque tava começando a se introduzir no Brasil a estética de resultado imediato. A drenagem linfática e a modeladora redutora tradicional. E eu não acreditava nessas massagens, que pra mim era... Era encheção de linguiça, era passação de creme... Carinho. Carinho. Eu vim da massagem firme pra tirar dor na musculatura. Eu sou desse tempo aí. Quando eu vi essas massagens chegando pro Brasil, eu falei assim, mentira. Pra enrolar, né? Encheção de linguiça. E aí foi quando a Isabela entrou, essa mulher loira, no spa, e falou assim, eu quero fazer a modeladora redutora, porque você tá vendo que eu sou magra, eu só quero tirar uma gordurinha localizada. Aí eu ensinei os procedimentos, quando chegou na sala, a mulher começou a reclamar de dor. E aí, fazendo a modeladora, que a modeladora é a massagem mais forte, vocês sabem, né? E ela reclamando de dor, a única coisa que eu podia fazer era diminuir a pressão dessa mulher. Quando eu vi, eu estava fazendo a modeladora com a pressão da drenagem linfática, eu pensei, essa merda não vai funcionar, mas se a mulher quer, vou fazer isso aí. Fiz. Dois dias depois, entrou uma outra mulher, com o mesmo biotipo corporal, magro, seco, squálida. Só que essa, disse que ela estava inchada, que ela estava se sentindo inchada. Ela falou que ela queria fazer drenagem. Chegando na sala, quando eu vi essa mulher, antes da mulher dormir, né? Porque a drenagem era carinho e a pessoa dormia. Eu perguntei, me escuta, me fala o que você come, né? Porque a mulher já tinha um corpo bonito realmente. E ela foi dizendo, menina, eu como arroz integral, verduras e legumes grelhados, salados. Foi falando, a mulher era perfeita. Comecei a fazer a drenagem e não vi diferença porque a mulher tinha um corpo perfeito e não tinha nada o que drenar. Quando essa segunda mulher saiu, eu fiz a conexão. Eu falei assim, ué, aquela primeira mulher que tava reclamando de dor, ela deveria ter feito a drenagem para desintoxicar de tudo que ela põe pra dentro. Eu fui perguntar no meio da passagem, o estilo de vida dela, a alimentação. Ela me revelou que ela comia tudo errado, que ela bebia, que ela fumava, que ela usava drogas, que ela ia pra balada, vida louca em São Paulo todas as noites. Ela tinha vida louca. E aí eu pensei, aquela primeira mulher deveria ter feito a drenagem para desintoxicar de tudo que ela põe pra dentro. E a segunda deveria ter feito a modeladora só pra modelar aquele corpo que já tava incrível, porque ela se alimentava bem e fazia tudo bem. Aí a minha mente de aquarela falou assim, fiz aquela conexão, eu falei assim, um dia eu vou sair daqui e eu vou desenvolver uma massagem que eu vou juntar essas duas técnicas que eu acho sensacionais no papel, elas não funcionam. e eu vou montar o meu próprio protocolo. Só que quando eu pensei isso, era uma época que as faculdades e cursos diziam que nunca, jamais, você podia anexar essas duas técnicas, que elas são muito antagônicas, que uma não é feita da outra. Só que a moja vinha na massagem há muitos anos, eu sabia que funcionava e que não funcionava. Montei esse protocolo e falei, vou começar a fazer fora daqui, porque se eu fizer aqui a Lucas Stanley vai patentear igual patenteou todas as que eu desenvolvi que virou sucesso. E aí a primeira cliente de mídia que eu comecei a atender foi a modelo Cássia Ávila. A Cássia me indicou a Manu Carvalho, que é o stylist que veste a maioria das celebridades. A Manu tava vestindo a Thaís Araújo, porque a Thaís Araújo ia ser capa de uma super revista. E aí a Thaís Araújo me ligou, e aí eu fiz nela cinco horas da manhã, porque a Thaís também não tinha tempo, eu também não tinha tempo na minha agenda já naquela época. E aí de lá pra cá viramos super amigas. A Thaís me indicou o empresário dela, que me indicou a Marida Moreno, Marcelo Sebá. E aí o Pretagio Sabrina Sato foi por mim. Todo mundo, a Anitta, foi pra todo mundo.
Bom, de quanto pra quanto passou a sua massagem?
Olha, eu ganhava dois reais por hora.
Arão?
Durante muitos anos, era.
Breaking news. R$ 2,00 de uma hora?
Era. Eu fazia 10, 12 massagens por dia. Eu ganhava R$ 26,00 de um dia.
Mas essas massagens nesses lugares custam muito caro.
Sim. Eu ganhava muito mais, pra você ver a desvalorização da profissão. Eu ganhava muito mais com caixinhas e gorjetas, porque quem trabalha em ramo de hotelaria ganha isso, do que com a própria massagem em si. Pra você ver a desvalorização.
Então, você saiu de uma massagem de R$ 2,00 e hoje, quando você atende uma Ivete Sangalo, faria sim a partir de quanto?
Hoje a minha hora custa 3.500 reais, corporal e o facial 1.700 alguma coisa, mas normalmente eu sempre faço corporal e facial das 5.200, 5.400.
Quero que eu precise levantar aqui o meu peixe.
Mas eu tenho clientes que fecham pacotes, daí ela deixa 54 mil reais em 10 massagens.
Meu Deus do céu.
Renovar isso todo mês.
Ser empreendedora e inovar você consegue até porque tem gente que acha que empreender ou inovar é fazer uma coisa do zero e você renovou um método que já existe há muito tempo com resultado imediato e além da massagem o que você acha que você mais nessas mulheres.
Eu ouço elas falarem muito, Renata, o seu curso ele não só ajuda a gente a melhorar de vida com a massagem, mas transforma a gente como ser humano, é um curso pra vida. Eu digo pra aquela mulher que ela é capaz de tudo que ela quiser. E além de ensinar uma técnica, eu me ensino como ela se valorizar. O marido tá falando que ela não consegue, que ela é isso, que ela sabe que ela é incapaz. A família tá dizendo que ela é incapaz. E aí eu digo, você é capaz, você pode mudar o rumo da história da sua vida a qualquer hora. E aí eu conto a minha história, onde ela se inspira e fala assim, eu também posso. E eu vejo mulheres chegando, ganhando 1.500 reais no outro mês, estão ganhando 20, 30 mil reais.
Treinou-Se em uma média?
Em torno de 7 mil alunas, é muita gente.
Alunas, homens te procuram também?
Também, mas são poucos, é muito pouco homem.
Hoje você, as suas massagistas, suas pupilas estão em quantos países?
Mais de 30 países, gente, que orgulho. Ou seja, tem multinacional que não estão em 4, já são considerados multinacionais, estamos em mais de 30 países.
Renata França é uma multinacional sua mãe, você ir falando lá com Deus, eu quero ser a melhor massagista do mundo, você conseguiu.
Valeu a pena, todo o sacrifício, todos os tombos, todas as coisas que eu passei, os perrengues, né? Perrengues, muitos.
Então, minha flor, pra gente encerrar esse nosso papo, que podia ainda durar mais umas duas horas, se você tivesse um megafone, o que você diria para meninos e meninas que querem dar um rumo novo?
Eu diria que Tudo o que você fizer, tudo o que você quiser, você pode. Você pode mudar o rumo da história da sua vida a qualquer momento, em qualquer lugar, neste exato momento. Agora me vendo, você tá desmotivado com o que você tá fazendo, não tá gostando, tá infeliz. Simplesmente você pode parar, pensar. E eu digo sempre nos meus cursos que tudo que você pensar, sonhar, você pode realizar. E para isso você tem que dar cor, sabor. Você tem que dar textura aos seus sonhos. É isso.
Adorei! Gostou da unha?
Nossa, eu amei!
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