Rindo das verdade corporativas - Bruno Romano

Bruno Romano talks about different types of bosses and what it's like performing comedy in corporate settings. He shares funny stories about the absurdities of office life and the awkwardness of making people laugh when they're supposed to be working.
Chapters
De chefe que todo mundo odeia. Então eu queria testar com vocês aqui, se vocês já tiveram algum desse tipo de chefe. Pra saber se você teve ou não, eu queria que você batesse uma palminha, só pra dizer se já teve ou não. Espero que ninguém esteja com chefe aqui hoje, pra ficar um clima estranho. Porque se tiver sábado meia-noite com chefe, que vai ficar estranho já. Não precisa... Tá eu aqui falando. Primeiro tipo é o chefe UFC. Aquele que bota a galera do time pra brigar. Eu já tive, eu vou bater a palminha. Tem o chefe copiloto. Ele finge que trabalha, mas só voa. Esse dá raiva, né? Já tive, já tive. Tem o chefe telefone fixo. É completamente inútil, mas faz parte do pacote. O chefe nuvem, quando ele vai embora o dia fica lindo. E pra fechar o último, que é o que eu mais gosto, que é o chefe vaca em cima da árvore. Aquele que você olha e fala, como é que essa p*** já chegou aí? É comum também isso.
Temos aqui no interiorista Bruno.
E aí, muito obrigado. Melhor intro de podcast que eu já fiz, que eu não preciso ficar fazendo texto aqui sem plateia, mostra o vídeo com riso de plateia.
Não, e eu quero saber o seguinte, no YouTube você é conhecido como sincero demais pra ter emprego?
É o nome do meu show solo, sincero demais pra ter emprego. Depois que eu comecei a criar umas piadas sobre o mundo corporativo, eu comecei a receber muito esse feedback, assim, ah, eu gosto de você porque você fala as coisas que a gente tem vontade de falar e não tem coragem. Aí eu, ah, entendi. O que pegou a galera foi a sinceridade, assim, tipo, é falar as verdades que as pessoas não podem falar porque elas prezam por aquele salário, entendeu?
Então... E como é que você faz pra ter salário, então?
Aí é que tá. Porque como eu tô fazendo muitas piadas sobre trabalho, quem me contrata? As empresas. Pra fazer show lá nas empresas. Então, meu salário vem das empresas me chamando pra ir pra dentro da empresa falar mal da empresa. Olha que complexo. Mas existia, antigamente, um livro que, no Brasil, era um PDF, assim, que alguém traduziu de um livro gringo.
Como ser um comediante?
The Comedy Bible. Era uma coisa meio assim. E o que ela falava, a Jude Carter, essa autora, ela falava que existem algumas formas de fazer comédia, mas a mais comum é a reversão de expectativa. Então, tinha um exercício simples que era lista coisas que você gosta, lista coisas que você odeia, lista coisas que as pessoas reparam em você, lista coisas que você repara nas pessoas, vai fazendo um monte de lista de coisas. E depois sai cruzando isso. Então, por exemplo, como trabalhar a ironia ou o sarcasmo? Você pega a lista de coisas que você gosta ou coisas que você odeia e tenta criar uma frase ou alguma coisa como se você fosse falar que ama, porque aí você tá treinando o seu... a sua ironia, sabe? Amo fila. Nossa, fila é ótimo. Eu adoro fila. Dá tempo da gente ver várias coisas no feed do Instagram. Então você começa a criar motivos pelo qual você ama algo que você odeia. E aí você começa a trabalhar a ironia. Então, no começo, o natural é você ir pro teu relacionamento, pra falar de casamento, pra falar da tua mãe, pra falar da tua infância, pra falar da tua escola. São as coisas que estão perto de você. E aí, ao longo da carreira, você começa a ser chamado pra fazer alguns jobs.
Os jobs?
Comecei a ir pros eventos corporativos, que o mediante geralmente detesta fazer eventos corporativos.
Sério?
É, porque tem tudo pra dar errado, assim.
Por exemplo?
As pessoas não pagarem ingresso pra te ver. Você começa a falar, serve o jantar. É comédia com obstáculos. Você tem que ir. Não é o teatrinho, o comedy club, que tá todo bonitinho. Às vezes é aquele salão que ecoa pra c****, ninguém te ouve. Então tem um monte de dificuldades. Geralmente você vai pra se dar mal.
Tá, mesmo assim?
Pagam. E aí você tem contas pra pagar. Então beleza, mais um job que eu vou fazer. Quem é você que só quer ter os jobinhos aqui, ó? Entendeu? Melzinho na chupeta.
Mas qual que é esse jobinho melzinho na chupeta?
Ah, eu ia ali num comedy club ou no teatro que todo mundo tá louco pra me ver, que aí a plateia, pô, comprou ingresso, tomou banho falando hoje eu vou me divertir, hoje vai ser um dia maravilhoso, sentou na cadeira e falou vai meu amigo, me ajuda, entendeu? Então o seu trabalho tá mais, menos desafiador, vamos dizer assim.
Eu sempre desconfiei que os comediantes são pessoas muito inteligentes. É, e eu já saquei porque...
Devia andar mais com meus amigos.
Eu já saquei porque ele chegou aqui e eu já vejo uma tatuagem do David Michelangelo.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








