Ruth Manus é a nossa entrevistada no Unha Talks de hoje (21/03)

Ruth Manus, a lawyer, professor, and writer, talks about self-care, gender roles, and feminism in a conversation at a beauty salon.
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Olá, seja muito bem-vinda, bem-vindo ao Unha Talks, um programa de entrevistas em que eu converso com pessoas incríveis neste ambiente, um salão de cabeleireiro, um salão de beleza, ou seja, um ambiente muito confortável para a gente trocar confidências, trocarmos ideias e conhecermos, enfim, pessoas incríveis que vêm fazer unha comigo. Hoje quem estará conosco é a Ruth Manos, advogada, professora de direito, escritora e uma das cronistas mais incríveis dos novos tempos. Ruth, muito obrigada pelo convite.
Obrigada, Carol, que delícia.
Muito bacana você estar aqui, inclusive porque a Ruth mora em Lisboa, Portugal, e achou um tempinho para conversar com a gente.
Que bom, né? Não é? Um tempinho para tudo isso, para as coisas que mais importam.
Importa fazer a unha para você?
Importa. Importa. Eu acho que é uma coisa quase de ritual, né? Eu acho que a unha tem uma coisa simbólica, não para todas as mulheres, mas para muitas mulheres, que é o momento de parar, né? É o momento de parar, Geralmente sem marido, sem filho, sem... É o momento de sentir mesmo que é autocuidado, né? E que precisa ter.
Precisa? Pra você precisa?
Precisa, embora frequentemente não tenha.
Então, a Ruth, que tá sem esmalte, vai passar um vermelhão.
Um vermelhão.
Eu vou tirar o meu cor de rosa e vou experimentar a Ruth um verde.
Rosada?
Porque a gente só conhece as coisas experimentando. Não é? Não é uma cor que eu costumo usar, mas vou experimentar. Quem vai fazer as minhas unhas é a Gilda. Dá um tchauzinho lá, Gilda. E quem vai fazer as unhas da Ruth é a Jeane. Aham! Um beijo enorme para todas as manicures do Brasil, que transformam o nosso dia em apenas uma hora. Elas conseguem, não é? Você, além da unha, o que mais você acha que faz parte do pacote de autocuidados?
Eu falo, e eu tenho muita preocupação quando eu falo em autocuidado no livro, para não dar a sensação de que a gente está falando só de estética e imagem. A gente fala de saúde, exercício físico, mas eu falo de tempo de qualidade. Você sair para tomar uma cerveja com uma amiga. Você tomar um porre. A minha melhor amiga está com um filho pequeno, supersobrecarregada de trabalho. Eu falei, Amanda, não interessa. Eu estou em São Paulo. A gente vai tomar um porre juntos. Avisa o seu marido que ele vai ficar com a Madalena e a gente vai tomar um porre. Então, essas são coisas de autocuidado. Eu acho que a unha é uma coisa dessas. Mas o que a gente tá fazendo aqui, isso é um tempo de conversa com uma amiga, mulher, refletir. É isso que a gente precisa, né?
Show! A Ruth, além de ser advogada, professora de Direito, como eu disse, uma das correntistas mais incríveis do Brasil, ela também é escritora e o quinto livro dela tem o título Mulheres Não São Chatas, Mulheres Estão Exaustas. Me chamou demais a atenção e eu fiquei muito feliz quando eu consegui, através da editora assistente, ter o seu contato e você colocar na nossa agenda então uma conversa. Esse livro, gente, ele é obrigatório porque ele tem a história de todas nós, mulheres, que sim, estamos exaustas.
Tudo tem a ver com sobrecarga, né? Tudo tem a ver com o fato de que, bom, vem desde a famosa história da dupla jornada de trabalho, né? Que a gente precisa debater muito isso, porque falar que a mulher tem dupla jornada, ah, trabalha fora e depois trabalha em casa com as tarefas Não ajuda. Constatar não ajuda. A gente tem que debater o problema. Se homem e mulher trabalham fora de casa, por que a tarefa de casa não é igualmente dividida? Lá em casa, graças a Deus, é totalmente dividida.
É mesmo? Todo mundo ajuda?
É, é. Acho que é o cânone da casa, sabe? E é isso. Mas eu acho que é raro, né? É raro. Eu sei que eu sou privilegiada por muitas razões e essa é uma delas. Então, eu acho que precisa conversar sobre isso agora. Que a gente tá sempre sobrecarregada, tá. Porque mesmo em situações boas como a minha, em que eu não sinto tanto o peso da casa só nos meus ombros, a gente sente outros pesos.
Por exemplo?
É visão social, é corpo, é estética, é imagem, são os medos que a gente tem, as angústias que a gente tem. É uma lista longa, viu, minha amiga?
Você sabe que outro dia eu vi um homem, né, quando viu o título do livro e disse, ah, mas elas estão cansadas de quê? O que você diria, então, para os homens que ainda não entenderam por que estamos tão cansadas?
Eu começaria dizendo que é uma falta de empatia brutal, porque eu não sei como não entender o cansaço que vem do medo de andar na rua, o cansaço que vem da cobrança da família em relação a se tem filho é porque não está sendo mãe boa o bastante, se não tem filho é porque quando é que vem o filho, se nunca teve filho é porque você nunca teve, é egoísta, vai se arrepender, não sei o quê, que é uma conversa Acho que poucas pessoas têm noção do desgaste emocional que é isso, né? Eu tô nessa fase. Eu sou casada há dois anos, tô parindo um doutorado...
É um filho?
Nossa senhora! Tô em trabalho de parto há muitos meses. Acho que tá bem dolorido e não tem anestesia.
Mas tá saindo, não é?
Tá saindo. E ninguém se constrange pra falar, mas e aí, quando é que vem o bebê? Mas e aí, você já tá quase 32, seu marido é mais velho. E as pessoas sentem isso, eu falo, parece uma zona franca de falar da vida da mulher como se todo mundo pudesse. Então, são muitos os assuntos. É conversar sobre o corpo, é conversar com a mulher que tá mais gorda ou mais magra, é conversar... E isso vai gerando uma coisa de ansiedade que se soma ao cansaço físico, cansaço mental, carga mental, uma coisa que tem que ser debatida.
Perfeito. Ruth, você falou sobre a sobrecarga e aí eu volto ainda para o título do livro, Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas. De onde surgiu esse título? Qual foi a sua inspiração?
Eu acho que primeiro vem do fato de que a gente ouve, parece que virou um chavão masculino para falar das mulheres e dizer, nossa, mas minha mulher é muito chata, a minha fulana é muito chata, a mulher do fulano é muito chata. Por quê? Primeiro, será que elas são chatas ou será que elas podem, às vezes, estar aborrecidas, estarem sobrecarregadas e tal? Então, primeiro vamos conversar sobre isso. Mas tem uma história engraçada. Esse título foi o título de um texto meu no Observador, jornal português onde eu escrevo atualmente. um texto que viralizou, correu super bem e tal, no qual eu falava do quanto a agenda dos homens costuma ser uma agenda intransponível. Então, você imagina, um casal, tem criança em casa e tal. Ah, vazamento na cozinha. Quem cancela uma reunião para ficar com vazamento.
Para resolver.
Consulta a médica de criança, consulta a médica dos pais, que precisa acompanhar no exame, uma coisa assim. É o filho ou é a filha? Então assim, tem uma coisa de que parece que a agenda da mulher é mais flexível que a do homem. A reunião de trabalho da mulher é mais cancelável. do que a do homem.
Agora, você falou há um tempinho atrás sobre o julgamento, sobre os estereótipos. O que veio primeiro? O estereótipo dessa mulher que hoje tem que dar conta de tudo, mas ao mesmo tempo ela é muito julgada porque ela não pode reclamar, parece que ela não pode pedir ajuda. Como é que a gente faz, então, com tanto julgamento e com tanto estereótipo?
Parece que a gente está sempre num tipo de cilada, de armadilha. Porque, primeiro, quando a gente tá falando das nossas avós e tal, tem um cenário total de opressão, de não poder ser o que é, de ter que viver em função daquilo que a sociedade diz que é papel de mulher. E depois vem a geração das nossas mães e um pouco a nossa, que já é muito diferente da geração da minha enteada, das minhas sobrinhas, que elas são maravilhosas. Mas o que eu acho é bem estereótipo na geração das nossas mães e na nossa, da mulher incrível. Nossa, mas ela é uma mulher incrível. Ela dá conta de tudo. Nossa, ela sai cedo. Ela acorda às cinco da manhã e vai correr e não sei o quê. E aí dirige uma equipe imensa. Nossa, ela tem liderança, mas ela não é bossy, né? Ela não é do tipo... Masculina. É, então, né? Porque liderança de mulher nem pode ser parecida com liderança de homem, senão é agressiva, é masculina. E aí, essa mulher super fantástica. E eu falo, é uma mulher incrível. E a gente começou a achar que a gente tinha que ser Incrível! E aí o que acontece quando a gente acha que tem que fazer mais?
Sobrecarrega. Como você diz, a gente traz também na genética muita culpa e muitas responsabilidades. Mas a nova geração, como você disse, já está pensando diferente. Mas para nós, que estamos vivendo nesse ambiente, como é que a gente lida com tanta culpa?
A gente precisa trabalhar muito isso, né? E eu acho, eu sou a defensora número um de terapia, cara, né? E eu sempre falo isso. Ah, mas terapia é caro. Procura no plano de saúde o que tem, senão tem um monte de lugar, né? A USP, a Faculdade de Psicologia que oferecem os serviços gratuitos. As pessoas precisam ter consciência disso. E eu acho que a gente precisa trabalhar isso todo dia. Todo dia. Porque eu acho que a questão estética e de imagem Ela traz pra gente a culpa na hora que a gente acorda Porque você se olha no espelho e você já fala Ai, o cabelo amassou, ai, eu tô com olheira Ai, eu acordei com uma cara amassada, ai, não vai dar tempo de lavar o cabelo antes de ir no negócio Começa na hora que a gente se vê no espelho E aí depois você vai tomar café da manhã e se você não comer... Toma leite desnatado com chia e não sei o que, sabe? A lixia do... Do momento, né?
O grão do momento.
Se você não fizer isso, você comeu um raio de um pãozinho com requeijão, você já sai do instituto. Ai, meu Deus, carboidrato. Cara, é doentio. É doentio porque eu falo assim, quando a gente pensa na culpa, a gente fala, estou me sentindo culpada por uma coisa muito grandiosa. Não, a gente se sente culpada o tempo inteiro. Quem tem filho, sabe? Eu que moro fora, eu tenho uma culpa constante da minha ausência com as pessoas. E que a gente sabe que homem sente culpa, sente, mas eles sentem numa frequência completamente diferente da nossa.
Você falou sobre feminismo. Por que que tem tanta gente que torce o nariz para o feminismo, as feministas? Teve uma mudança de conceito do passado pra cá? O que tá acontecendo?
Muita gente ainda acha que feminismo é o contrário de machismo, né? Que machismo prega a superioridade dos homens, mas não, o feminismo prega a igualdade de gênero, prega a igualdade de oportunidades, né? E eu acho que eu fico pensando o que uma pessoa pode ter na cabeça pra ser contra a igualdade. Eu acho muito esquisito, conheço muita gente com opinião diferente, ouço respeitar, mas ser contra a igualdade é uma coisa muito esquisita.
Estranho.
Então eu geralmente acho que as pessoas que se declaram contra o feminismo são pessoas que não entenderam, na verdade. e é como a gente estava conversando, a gente vive um momento no Brasil em que as pessoas estão se vangloriando da própria ignorância, da própria truculência. As pessoas bebem fontes erradas de informação, não estou falando que são informações diferentes daquelas com as quais eu concordo, são informações equivocadas, são coisas erradas, as famosas fake news, mas enfim, as pessoas não entendem e criam verdades absolutas, rótulos e muitas vezes posturas agressivas perante assuntos que elas simplesmente não entenderam.
E aí, Ruth, tem uma palavrinha que tá na moda que chama sororidade, né? Aliás, se você não sabe o que é sororidade ou se você acha que é, escreve aqui pra nós, deixa aqui um comentário, o que é sororidade? Ou o que você já ouviu sobre sororidade? Porque eu comecei a ouvir essa palavra e pra mim era como se não somos inimigas, não somos amigas, não é? Em que contexto você vê hoje essa palavra?
Essa palavra tem uma origem muito legal. Eu sempre falo da Revolução Francesa, do lema igualdade, liberdade, fraternidade. Fraternidade vem de frater, irmão em latim, então é considerar que são todos irmãos. Só quando a gente estuda a Revolução Francesa hoje em dia, a gente vê que a Revolução Francesa foi feita realmente Para homens, entre homens, quando eles falam de fraternidade não é geral, é entre homens E aí surgiu o termo sororidade, porque em latim irmã é soror E aí eu acho muito legal a gente pensar a sororidade como uma noção de olhar para outras mulheres como você olha para sua irmã Eu sempre brinco, eu falo, se a sua irmã tá saindo de casa com uma roupa que não deu certo Você não cutuca a outra pessoa e fala assim, ai que zoada, ela que ridícula Você vai e fala, você abraça, você acolhe. Então, por que a gente faz isso com outras mulheres? Por que a gente julga, aponta, ridiculariza? Pensa numa mulher como uma aliada, porque enquanto não for assim, a gente continua perdendo. Eu acho que existiu uma ficção de que as mulheres são naturalmente inimigas e competitivas e não gostam umas das outras, o que não é verdade.
Você é muito criticada por falar para nós mulheres?
Ah, o tempo todo. O tempo todo. Ai, nossa, mas tá ficando chato. Nossa, mas você só fala disso. Fala, ué, tem gente que trabalha em banco e fala todo dia sobre dinheiro. Eu não posso falar todo dia sobre a emancipação das mulheres? Caramba!
E você ouviu isso de mulheres ou de homens?
Ah, mas de homem.
Mas de homem. Agora, o que você acha daquele comportamento, né, que homens acabam zoando outros homens e mulheres acabam chicoteando, cobrando e julgando outras mulheres? Isso é verdade, né?
Eu no livro falo muito disso, né? A mudança de comportamento tem que partir da gente Enquanto a gente não mudar comportamento em relação a outras mulheres, de julgar roupa, comportamento, maternidade, não vai melhorar, né? Que é o que eu brinco, né? Alguém me falou, ah, porque as mulheres chicotem as mulheres, eu falei sim, as mulheres chicotem as mulheres E os homens cotem as mulheres também, então eles tão tranquilos sem tomar escotada, a gente tá tomando tudo cotelado E precisa mudar É uma loucura a gente fazer com outras mulheres aquilo que a gente não quer que façam com a gente É aquilo que a gente aprende quando é criança, né? Tratar as pessoas do jeito que você quer ser tratado Vamos pensar nisso entre mulheres, né?
Olha, então antes da gente encerrar essa entrevista com as pílulas de liberdade da Ruth, eu quero que você então coloque seu comentário aqui se você já viveu alguma história em que você foi maltratada por uma mulher, como é que você virou o jogo, enfim, qual foi a sua experiência, tá? Agora sim, Ruth, você encerra o seu livro com pequenas pílulas de liberdade. Quais seriam, então, as dicas da Ruth, se você tivesse um megafone assim na mão falando para meninos e meninas, mulheres, enfim, como que elas podem se libertar de tanto preconceito, tanto julgamento, de tanto peso, para que a gente fique menos exausta, se torne menos chata e seja uma pessoa mais leve?
É, eu acho que... Ah, tem uma série de coisas, né? Essa lista de... Não sei quais são as suas quatro, mas eu acho que começa a mesma coisa de se libertar de culpa, né? De a gente entender que a gente é vulnerável e que ser vulnerável é natural e é bom! Ninguém tem que ser a mulher maravilha e não sei o que, a poderosa.
Até porque não dá pra ser.
Não dá pra ser. Não dá pra fazer tudo isso e continuar viva e saudável e feliz. Talvez até dê pra ser a mega executiva e lindona, tarada, não sei o que.
Adorei.
Mas felicidade dá.
Saúde. A pessoa tá saudável, né? Será que eu faço entupindo de remédio?
Pronto. Então acho que isso é super importante. E o que mais?
Eu adorei aqui o Permita-se-Mudar-de-Ideia.
Ah, isso é tão bom. Eu acho que é fundamental isso. Mude de ideia, sabe, dogmas que a gente tem, coisas que nasceram com você do tipo, ah, isso é certo, isso é errado, isso pode, isso não pode. Coloque interrogação em tudo, né? Repensa. Será que eu preciso disso? Será que eu quero isso? Será que essa é a minha essência?
Quem disse?
Quem disse?
Então, encontrar limites, você coloca aqui, estabeleça limites Quais são esses limites que você sugere?
Eu acho que a gente tem que pensar nos limites especialmente em dois ângulos A gente tem que ter limites de nós para nós mesmas Então a gente precisa ter limites de até onde vai a nossa exaustão Até onde pode ir a nossa exigência conosco Mas eu acho fundamental a gente colocar limites nos outros Eu sempre falo aquela coisa de que pode pedir tudo pra mulher, perguntar tudo pra mulher, né? Vamos debater seus óvulos aqui, vamos falar quantos anos você tem, se não tem filho, se não vai querer ter filho. Limites, cara! Nesses assuntos que são da minha privacidade, o meu planejamento familiar, as minhas questões, limites, né? Tem uma frase que eu adoro, que é da Rebeca Saunit, que ela fala, você tem que virar pras pessoas e falar, mas por que você tá me perguntando isso?
Adoro! Enfim, e falar mais não?
Nossa, é um exercício difícil, né? Mas precisa, porque quanto mais responsável a gente é, mais responsabilidade recai sobre a gente, né? Então, quando você é aquela pessoa mega, ponta firme, que faz tudo, tá tudo impecável, casa impecável, trabalho impecável, não sei o quê, cara, você vai ser cada vez mais sobrecarregada, porque vai ser pra você que vão pedir. Então, de vez em quando tem que falar não, de vez em quando tem que falhar, Se exigir menos, tomar uma cervejinha, atrasar para chegar no compromisso.
Que dica deliciosa, Ruth. Gratidão. Agora tem que fazer assim, senão a gente borra o esmalte que ele ainda está molhado. Muito obrigada pelo seu tempo, pela sua disponibilidade, pelo seu carinho em compartilhar tudo o que você vai observando nas suas crônicas, no seu dia-a-dia aqui com a Netalks. Espero que você tenha gostado, deixe aqui seu comentário, sua sugestão, a pergunta para a Ruth, que a gente também encaminha para ela. Meninas, obrigada, Gilda, obrigada, Jeane.
Agora a gente mostra lá, ó, aqui. Boas profissionais, maravilhosos.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








