Seminário de prevenção ao Suicídio

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled 'Seminário de prevenção ao Suicídio' created on September 14, 2020. It features a seminar hosted by Diógenes with guest speaker Isabela Camargo, discussing the importance of suicide prevention and the topic of burnout. The seminar includes a presentation of the Escola Superior de Bombeiros and a detailed conversation about the symptoms, causes, and prevention of burnout, with Isabela sharing her personal experiences and insights.
Chapters
Boa noite a todos, sejam muito bem-vindos ao nosso segundo dia do Seminário de Prevenção do Suicídio do Corpo de Bombeiros. A gente tem primeiramente a agradecer a todos, a audiência foi maravilhosa em números e superou em muito as nossas expectativas e as nossas todas as nossas ansiedades. E falando em ansiedade, daqui a pouquinho a gente vai falar com a nossa convidada de hoje, que vai abordar um tema muito importante e que é muito atual. Para que vocês todos tenham uma ideia, tivemos online, ontem, nos assistindo 9 mil pessoas, cerca de 9 mil pessoas, e já estamos, com a visualização do vídeo de ontem do Dr. Augusto Cury, com mais de 17.500 visualizações. Pessoal, muito obrigado. Muito obrigado por todo esse carinho, muito obrigado por todo esse reconhecimento. Afinal de contas, o Corpo de Bombeiros, a sociedade, como um todo, todos nós devemos falar, sim, sobre suicídio. Devemos falar, sim, sobre prevenção de suicídio. Eu quero começar aqui agradecendo ao apoio incondicional do Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Coronel Alencar. Agradecer o apoio incondicional do Comandante do Corpo de Bombeiros, o Coronel Max Mena e também ao apoio do Coronel Comandante da Escola Superior de Bombeiros, nosso querido Coronel Valdir Pavão. É com muito pesar que nós teremos que fazer aqui uma nota de falecimento, porque na data de ontem, com grande pesar, que nós solidarizamos a família e aos amigos do Tenente Samuel Rosa, que faleceu ontem durante um treinamento na Zona Norte de São Paulo, ok? Dando início, então, ao nosso dia, ao nosso segundo dia, a gente vai passar pra vocês agora um vídeo, um vídeo institucional da Escola Superior de Bombeiros que fica aqui no município de Franco da Rocha, uma área de 109 hectares para treinamento de bombeiros, não só de São Paulo, mas também serve-se aí para treinamentos de bombeiros de todo o Brasil e também de alguns países. Fiquem com vocês aí um pouquinho da Escola Superior de Bombeiros.
Escola.
Superior de Bombeiros, bom dia! Bom dia, comandante! A Escola Superior de Bombeiros, localizada no município de Franco da Rocha, possui uma área total de quase 2 milhões de metros quadrados, com 38 mil metros quadrados de área construída, divididos em 181 instalações. tendo como visão de futuro ser excelência nacional e internacional na formação e especialização do profissional bombeiro. Uma escola superlativa também possui números superlativos. São, em média, mais de 60 cursos ofertados por ano, com mais de 10 mil alunos formados vindos de diversas partes do Brasil e do mundo. Números impulsionados pelo programa de educação à distância, que amplia ainda mais o alcance de nossa escola. Escola Superior de Bombeiros, ensinando a salvar vidas. Ok?
E.
É isso aí, um pouquinho da Escola Superior de Bombeiros pra vocês. Antes da gente apresentar a nossa convidada, nossa querida convidada, falei porque é querida porque é uma amiga muito querida que eu já conheço de outros encontros, de palestras. e seminários que a gente faz aí, não só pro São Paulo, mas pro todo o Brasil. Eu queria fazer um pedido pra que vocês cliquem na escola aí, se inscrevam no canal do Corpo de Bombeiros e cliquem no sininho pra atualização. Isso é muito importante pra gente, né? Porque a gente tem o feedback de como estamos nos fazendo ouvir e nos fazendo ver durante as nossas apresentações. E chega de enrolação, porque hoje Ela é jornalista com foco em produtividade sustentável e autocuidado para o bem-estar da mente. Autora do livro Dá um Tempo. Apresenta o jornal Primeira Hora na Rádio Bandeirantes em 90.9 FM e com transmissão ao vivo pelo YouTube. Criou o Unha Talks, programa de entrevistas com mulheres, que são referências em diversas áreas, com edições semanais no canal YouTube barra Isabela Camargo Real. Trabalhou como repórter e apresentadora na TV Globo, Band e SBT. Senhoras e senhores, com muito orgulho e com muito carinho, com vocês, Isabela Camargo. Boa noite, minha querida.
Diógenes, boa noite pra você, boa noite para todos que estão nos acompanhando. Faltou só uma coisa nesse currículo, Diógenes.
Vamos lá, vamos lá.
Você dizer que eu sou sua amiga, você disse, mas que nós fizemos uma faculdade de jornalismo juntos, porque eu acho que você antes de ser bombeiro, você era jornalista, não está, gente? Não está fazendo uma apresentação fantástica aqui para nós?
Você sabe que hoje tive até maquiagem aqui, o negócio foi muito chique, Isabela.
Olha, é bom para a gente tirar a oleosidade.
É, foi perfeito.
Major, muito obrigada. Eu sempre comento que foi uma alegria quando nós nos conhecemos no ano passado, num evento na Assembleia de São Paulo.
Assembleia Legislativa, isso.
Inclusive era um evento também de promoção à vida, foi quando eu lhe conheci, conheci mais o trabalho do Corpo de Bombeiros, me apaixonei, depois estive também junto com as equipes, então é um privilégio estar aqui com vocês. E agradeço profundamente o convite, a confiança e o tempo de vocês agora, nesta próxima hora, porque vocês que estão escolhendo estar aqui conosco, estão também escolhendo não estar em outros conteúdos. Tanta coisa bacana, interessante acontecendo por aí. Então, é um privilégio compartilhar da hora de vocês.
É isso mesmo. E ela venceu, superou burnout. E algumas pessoas devem se perguntar, mas afinal, o que é burnout? Que coisa é essa que as pessoas comentam tanto, que está tão em voga hoje? Existia, não existia? Qual é a definição disso? E eu acho que ninguém melhor do que ela, que superou e fez desta história ajuda e o acalanto para outras pessoas que vivem isso diariamente, não só no país como fora dele, que ela mesma fale um pouquinho sobre isso. Conta pra gente um pouquinho, Isabela, sobre isso aí.
Claro, Diógenes. Bom, o que muitas pessoas vão encontrar por aí pela mídia dando um Google é o seguinte, síndrome de burnout é um fenômeno ocupacional, ou seja, causado dentro do ambiente de trabalho, causado por excesso de estresse e excesso de trabalho por longos períodos. Essa é a resposta clássica. Qual é a resposta que eu darei para vocês depois de ter vivido a experiência? Burnout, Diógenes, é a ausência de si mesmo. Burnout é quando você se negligencia. Burnout é quando você quer fazer mais do que o seu corpo aguenta. Mas não por um ou dois dias, não por um curto período, por longos períodos. Burnout é quando você não reconhece os seus limites neste mundo que é ilimitado. Então, perceba, eu conversei com muitas pessoas e como cada uma tem o seu caminho, para frente e para trás. Então, o caminho para trás do burnout, cada um me contou uma história. Mas teve uma coisa em comum em todas elas. Todas as pessoas estavam com saudade de si. Todas as pessoas já não sabiam mais quem eram. Então, acho que essa é uma maneira, talvez, um pouco mais próxima de eu falar para vocês o que é burnout. Então, é um fenômeno ocupacional. Foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde em 2019, mas não é porque foi reconhecida no ano passado, porque ela só passou a existir no ano passado. Pelo contrário. Diógenes e todos que estão aqui. Síndrome de Burnout é um nome novo para um problema antigo.
Antigo.
É como o bullying. Na minha época de escola, bullying era zoeira.
Não era bullying. Não, não.
Isso é chique. Não era bullying. Era zoeira, perseguição, enfim. E Burnout já foi estafa e neurastenia. Quando que foi neurastenia? Que foi o registro mais antigo que eu encontrei. Em 1869. Um médico chamado George Miller, ele publicou um livro chamado American Nervoness, falando de uma sociedade americana completamente nervosa, neurótica e completamente esgotada pelo excesso de modernidade.
Isso em 1869.
Isso. 10 anos antes de a gente ter a luz como a gente conhece hoje. 10 anos antes. Então imagina o que o senhor George Miller diria hoje com toda a disponibilidade de luz que nós temos, tecnologia, excesso de acessos e tudo mais. Então percebam, o que nós estamos vivendo hoje com o burnout, e eu vou falar nós porque, O último número da USP, computado no início do ano, nos dá o infeliz número de 20 milhões de diagnósticos no Brasil. Mas esse número é muito dinâmico. Eu conversei recentemente com a doutora Carmita Abdo, que foi a médica responsável por essa pesquisa, e a gente estava no meio, assim, não, pera lá, abril, maio, nos primeiros meses do isolamento. E ela já tinha dito, Isabela, esse número vai aumentar exponencialmente por quê? Porque aqueles profissionais que já faziam parte do primeiro grupo mais sensível para ter burnout, também são os profissionais que estão aqui na linha de frente durante esse isolamento, trabalhando muito mais. Quem são esses profissionais? O das áreas da saúde, professores, bombeiros e policiais. Olha! Além de jornalistas, enfim, que são profissões que não podem errar, que vivem sob muito estresse, Muita pressão, muita correria e não podem errar. Pronto, já disse o perfil de quem pode desenvolver mais essa ausência de si. Faz sentido, Diógenes?
Muito, muito, muito.
Então, não é um problema novo, ele só aumentou a ansiedade e a depressão.
Isabela, desculpa te cortar que agora veio uma curiosidade. Você acha que o burnout está ligado diretamente à cobrança ou não?
Nem todos os casos. Porque é assim, Jorge, são tantos elementos, são tantas variáveis, é como se a gente fizesse aqui, aliás, eu já me coloco à disposição para a gente falar sobre tempo de qualidade, para a gente dar um bônus aqui para todo o pessoal até o final do ano, porque daqui quatro meses, 2020 já é passado. Então, assim, só pra falar de tempo de cada um, de qualidade de tempo de cada um, daria uma hora. Então, não vou entrar neste caminho. Então, eu vou falar aqui, como você me pergunta se é cobrança, não só cobrança. Então, você tem questões genéticas, ambientais e comportamentais. Percebe? Então eu não posso dizer só por cobrança, só por excesso de trabalho em números de horas, mas também o que eu faço dentro das horas que eu trabalho. Então você vai ter pessoas que podem desenvolver burnout que trabalham seis horas, mas não tem tempo de ir ao banheiro, ou pessoas que trabalham 12, 14 horas por muitos dias na semana e não conseguem fazer o essencial. O que é essencial? Eu vou até depois entrar um pouquinho mais nesse detalhe. O autocuidado. Ih, lá vem esse papo de autocuidado. Autocuidado, gente, é quando você vai fazer por você aquilo que só você pode fazer por você, que é o essencial. Eu já vou voltar nisso, tá? Mas é quando você me pergunta sobre a cobrança. Então, questão genética, É como uma pessoa que tem câncer na família, ela tem predisposição a ter uma reação diferente aos episódios de estresse.
Certo.
Então, na genética eu não posso falar nada. Nas questões ambientais, e aí é um ponto muito importante, é quando a empresa, a corporação, o lugar que você está, não te oferece as condições para aquilo que você precisa fazer. Então é a mesma coisa que um padeiro que tivesse que fazer um número X de pães não tivesse a farinha suficiente.
Perfeito.
Entendeu? Então, isso são as questões ambientais. E as comportamentais, aí sim, é como eu vou reagir diante de tudo isso, e aí eu preciso já trazer um conceito muito mal interpretado. Resiliência não é apelação.
É isso aí.
Então, não significa que se eu estiver num ambiente em que a minha genética não vai continuar com saúde, se eu ficar forçando amizade, buscando fora o que eu preciso ter dentro, ou seja, anfetamina e outras drogas para dar conta daquilo que eu acho que eu preciso dar conta, porque o ambiente é assim e tal, eu estou apelando, eu não estou sendo resiliente. Então, muito cuidado quando vocês ouvirem que o fulano tem que ser resiliente. Bom, mas então... Você está querendo me dizer que ele precisa adoecer para fazer o que ele ama? E burnout, na maior parte dos casos, Jorgen, ele acontece para pessoas que amam o que fazem. E é curioso porque, aliás, é contraditório.
É diferente do que as pessoas pensam, porque parece que é uma escravidão no trabalho e não é.
Mas às vezes, Jorge, nós estamos nos escravizando. Então, é por isso que eu digo, é muito contraditório. Você começa amando, você começa se cuidando, então fazendo aquilo que você ama, e depois você vai se esquecendo. É como uma paixão. Quando você conhece alguém e você começa a gostar dessa pessoa, e você só vive pra essa pessoa, você esquece de quem? De si. De si. A mesma coisa no trabalho. Eu amo tanto o que eu faço, eu quero tanto mostrar que eu amo, que eu dou conta que eu faço, que aí eu começo a esquecer de mim. Então, na prática é isso, é a ausência de si. Lembra? Então, você tem cobrança sim, mas só voltando, você perguntou sobre cobrança, cobrança também é um fator. Sim. Mas não é o principal. Você vai ter um desenvolvimento do burnout por muito tempo, não é de um dia para o outro. Não é um cansaço, ou seja, não é um excesso de trabalho que te gera cansaço pontual. Não. É quando um estilo de vida se mostra insustentável e você tá ali, firme, forte, custe o que custar. Então, aí eu tenho que te perguntar, qual estatística você vai querer fazer parte? Sim. De qual estatística você vai querer fazer parte, né? Eu trabalho com saúde ou eu vou ter que procurar emprego sem saúde? Porque ou você faz de uma pausa voluntária, ou você vai ser obrigado a fazer uma pausa involuntária. E eu tô aqui, então, para prevenir o burnout, para prevenir o suicídio, eu tô aqui para promover a vida e eu preciso dizer para vocês. Pensem só um pouquinho, eu não vou pedir para vocês fazerem nada, tá? Eu vou só pedir para vocês pensarem um pouquinho, aí sim, no que vocês poderão fazer para fazer uma pausa voluntária. Para responderem se vocês estão se colocando na agenda, na própria agenda, mas se colocando como essencial. E o essencial, Diógenes, é tudo aquilo que a gente acha que não precisa. Não precisa dormir, o que o seu corpo pede, não precisa se alimentar da maneira adequada, não precisa escovar o dente três vezes por dia. Nossa, mas autocuidado é isso? Sim! Porque se você não parar para fazer o que é essencial, para este corpinho poder trabalhar, para esta cabeça conseguir raciocinar, depois não adianta querer culpar o excesso de trabalho, o chefe, o líder, o major, o coronel, eu já nem sei dizer quem são os...
Os patentes.
Nem vou entrar nas patentes, mas percebam. Ou eu tenho consciência da consequência dos meus atos e já sabendo que hoje o burnout atinge 20 milhões de pessoas, Por isso que eu disse antes que esta é uma discussão muito importante.
20 milhões.
20 milhões, mas esse número já sabemos que vai aumentar muito. Quando fizerem mais uma pesquisa... Imagina, né, Diógenes, profissionais das áreas de saúde e professores agora que tiveram uma mudança muito brusca no estilo de vida. Então, quando eu digo 20 milhões de diagnósticos, aí você multiplica esse número pelo menos por dois. pra alguém que convive diretamente dentro de casa e pra alguém que convive no ambiente de trabalho. Porque muitas pessoas desenvolvem o burnout, mas continuam trabalhando até terem um enfarte, até terem um AVC, até terem uma convulsão. Então, nós não estamos falando de uma bobagem, senão eu vou ter que admitir que 20 milhões de brasileiros estão mentindo. E nós também precisamos lembrar, Diógenes, que tudo que a gente não vê é muito maior do que o que a gente vê, que é a dor. E eu me lembro como se fosse hoje você me dizendo, Isabela, um tentante de suicídio não quer tirar a vida, quer tirar uma dor.
É isso aí.
Então, a pessoa que desenvolve o burnout, ela não se esgotou profundamente porque ela quis. Porque ela se entregou tanto, ela está num piloto automático tão violento que ela não acredita também que algo vai dar ruim. Porque a gente nunca acha que vai acontecer nada com a gente. Vai acontecer com o vizinho, com qualquer outra pessoa, menos conosco. Então, percebam. Estou aqui de olho no tempo também para não ficar aqui me estendendo em detalhes. Mas a síndrome de burnout vai acontecer para quem trabalhar muito por longos períodos, não se cuidar, não se colocar na agenda e não preservar o que é essencial. E o que é essencial? A sua saúde. E aí, Diógenes, passando já a palavra para você, a gente está lidando muito com o anormal que consideramos normal. Vou repetir. Burnout é quando você trata como normal muita coisa que é anormal. É quando você acha que está tudo bem para situações que você sabe que não estão bem. E eu sei que a gente vai ter que lidar com muitos desafios para assumir isso. Então você tem que lidar com o medo do que vão pensar se você disser um não. Você vai ter medo das consequências desse não pelas suas responsabilidades financeiras, o medo das consequências do não pelo medo do desemprego, pela insegurança social, enfim. De certa forma, você se sente envergonhado por ter chegado ao ponto de ter que se afastar do trabalho para buscar um tratamento. Simplesmente para recuperar sua saúde, tá? como é super comum em todos os outros problemas de saúde que você pode desenvolver, dentro ou fora do trabalho. Então, a gente pode prevenir o burnout? Claro! A gente pode prevenir esse afastamento? Evidente que sim, Diógenes, com as informações corretas, por isso que esse ambiente aqui é fabuloso pra isso.
Olha, eu falei ontem com o Dr. Augusto Cura, eu falei assim, o senhor deu umas pauladas na gente e você não está deixando por menos, não.
Não, gente.
Não, uma paulada boa, um desperta. A ausência de si, o anormal que vira normal, realmente é um presta atenção. Vamos ver, você falou o seguinte, nós falamos de burnout, você sentiu isso? dentro de você, você sentiu isso na pele. Minha querida, indícios, sinais e sintomas, o que você pode falar pra gente?
Muito bem, então o primeiro sinal. Tô com saudade de mim. Uau. Mas este sinal, Geórgine, você pode demorar anos pra reconhecer. Mas vamos lá, tá? Então falando que todo mundo vai encontrar no Google. Porque é aquilo, né? Eu falo que tá no Google, depois falo o que tá aqui dentro do coração. Mas vamos lá, o que tá no Google e o que eu senti na minha pele. Primeira coisa que você vai abrir mão... Desculpa, tem um gato aqui em cima, gente. Vocês estão vendo?
Eu não vi o gato, não. Eu vou até de olhar. Olha que maravilha.
Ele está derrubando tudo.
Deixa ele aí, coitado.
Eu preciso chamar os bombeiros agora. Pera lá, gente.
Olha, eu vou te falar. Numa live de bombeiro, do corpo de bombeiro, apareceu um gato. Que nós temos um apelido carinhoso de cata-gatos, né? Isso é maravilhoso. Isso tem tudo a ver com a gente. Deixa o bichinho aí.
Eu não sei se a equipe de vídeo consegue abrir câmera para ver, mas olha, pode ser que aconteça uma tragédia em instantes, porque tem um vaso de flor ali.
Ele está maravilhoso. Deixa ele aí. Pode... Se quiser, pode entrar teu esposo ou quem quiser, você vai tirar até o ar.
Não, já tirei. Fantástico. Meu pai amado. Direto que eu vim desenhar animado. Vamos chamar os bombeiros para tirar esse gatinho aqui da árvore. Olha, isso nunca aconteceu. Meu pai.
Mas ele não poderia aparecer em outro lugar que não fosse na nossa live. A live dos catagatos. Está perfeito. Deixa o bichinho aí.
É sério que tem um bombeiro que chama cata-gato?
Não, não. Nós temos um apelido carinhoso que a gente, né? Porque é uma ocorrência aqui pra gente, Isabela. Pouco importa a vida, qual é a hashtag, toda a vida é importante, né? Lógico. Existe uma hierarquia, lógico, em salvar um ser humano e salvar um animal. Mas se nós tivermos que desprender meios profissionais pra salvar um gatinho, a gente faz isso com maior profissionalismo.
Uau. Vamos lá. Que descontraída, hein, gente? Deixa eu voltar agora.
Foi maravilhoso. Paramos nos indícios e sintomas.
A primeira coisa que a gente vai abrir mão do que é essencial, a primeira coisa são as horas de sono. Para dar conta dessa agenda maior, você vai cair naquela cilada, que é a primeira. Vou dormir menos porque eu preciso produzir muito no dia seguinte. Então eu vou dormir menos, aí no dia seguinte eu produzo mais. No final de semana eu durmo. Nas férias eu descanso. Mas aí, gente, pode ser que essas férias não aconteçam, tá? De verdade. Então, primeira coisa, distúrbios do sono. O seu sono começa a ficar interrompido, cheio de pesadelos, porque os sonhos são os mensageiros do dia. E tem muita gente que fala, nossa, eu deito à noite e não consigo desligar o iMire. Como é que ficou o cérebro o dia inteiro? Então, realmente, vai ser muito difícil. Então, distúrbios do sono primeiro, dor de cabeça frequente e aí, Você vai começando a ter azia, começa a ter os problemas de estômago, de intestino, acne, manchas na pele, queda de cabelo. Percebam que eu tô falando coisas que nós vamos tratando como anão. Tá caindo cabelo é o shampoo, né? Manchas na pele é porque é coisas da idade. Azia é porque eu comi um negócio. Aí você vai culpando. A gastrite, a culpa é do café. O problema de estômago e intestino é por conta do glúten, da lactose. A gente vai arrumando as desculpas pra tudo. dores musculares constantes, bruxismo, retração da gengiva, e você vai buscando de novo médicos para tratar tudo separado. Enjoo, tontura, imunidade baixa, quando você não dorme bem sua imunidade cai, as infecções e gripes aumentam. Aí para as mulheres vem alterações menstruais, homens e mulheres, perda de libido, aumento ou redução de peso, tremedeira nos olhos, que muita gente brinca, a audição começa a piorar. Para quem usa óculos, a visão fica ainda pior. Transpiração excessiva, cansaço, irritação e agressividade. Pega essa, respira e vamos pensar nisso. Tudo isso que eu falei até aqui, todo mundo pode achar que é normal, que de certa forma é normal. Meu trabalho é estressante, eu tive um dia muito estressado, então é normal sentir tudo isso. Até que você vai pedir pro seu médico um exame de sangue e pedir pra ele, tá? Pode falar aqui que a Titi e a Isabela pediu. Ah, a Isabela pediu pra você incluir, doutora, doutora, o cortisol. Porque mesmo quem faz o hemograma completo, o cortisol não está incluído. Então você tem que pedir. Doutora, pede o cortisol, né? E o cortisol vai estar disparado. O meu, por exemplo, ficou um ano mais de 30 e o máximo é 18. E todos os médicos que olhavam esse exame, eles falavam, é, tá difícil, tá estressante, é o horário, porque eu trabalhava na madrugada.
A vida não tá fácil, não tá fácil pra ninguém.
Lembra que eu falei sobre as questões genéticas? Então, por exemplo, tem gente que vai trabalhar de madrugada e não vai ter consequências ruins como eu tive. Então, a minha genética não foi feita para trabalhar enquanto todos dormem. Pode ser que alguém reaja melhor ou pode ser que alguém tenha outros tipos de problemas relacionados a esse horário de trabalho. Eu sempre fui muito grata a todos que trabalham na madrugada. Desde o porteiro do meu prédio, ao frentista do posto, ao padeiro que acorda para fazer o nosso pão. E no jornalismo, muitas pessoas precisam preparar notícia para quem vai acordar. Assim como o padeiro precisa preparar o pão para quem vai acordar. Então, são milhares de profissões que precisam trabalhar de madrugada, inclusive na polícia. Inclusive no corpo de bombeiros, o pessoal de plantal. Então, algumas pessoas vão reagir de uma maneira e outras de outra. Então, eu não estou dizendo quem trabalhar na madrugada vai ter burnout. Não! Porque depende também o que você vai fazer nessas horas. Lembra que eu falei de hórgenes? Não é só o número de horas, mas o que você faz nessas horas.
A qualidade dessas horas.
Exatamente. Então, ficou muito claro também quando eu conversei com alguns médicos, que até me dão depoimento no livro, que esses médicos que desenvolveram burnout é porque também não tinham as condições básicas mantidas. Eles não conseguiam comer direito, não conseguiam ir ao banheiro. Então perceba, por mais que os caminhos sejam distintos, tem algumas coisinhas muito parecidas, né? Nas histórias. Bom, aí você sentiu tudo isso por anos. Transpiração mudou, a audição piorou, a visão piorou, você tá com enjoo, tontura, a libido caiu, a mulherada começou a menstruar de maneira irregular. Começou a culpar o café pela gastrite, o glúten e a lactose pela irritação no estômago, né? Culpa pra todo lado. Até que você começou a ficar irritado e agressivo. É, você acha também que faz parte do jogo, né? Viver nessa sociedade que tá todo mundo bem estressado.
Virou normal, né?
Virou normal. Tudo isso é normal, né? Inclusive é normal o que mais? Você carregar uma nécessaire cheia de remédios.
Verdade.
Você sabe que nas palestras, Jógenes, quando eu estava presidencial, eu começava a brincar. Eu perguntava assim, quem tem um remedinho pra dor de cabeça? Eu simulava uma dor de cabeça fulminante.
Eu lembro, eu lembro.
Te contei sobre isso?
Eu lembro que você fez isso na escola de bombeiros.
Ah, então pronto. Porque depois eu fui fazendo e aí a coisa começou a ficar maior, sabe? Porque aí eu ia comparando o tamanho da necessaire. Eu não lembro se eu consegui fazer isso lá com vocês. Mas enfim. Mas eu me lembro de uma situação dessa que eu vivi numa palestra lá no Paraná e uma mulher sacou assim uma necessária e ela tinha remédios com tarjas cada vez mais escuras, sabe? Assim, remédios muito pesados. Não, mas se alguém precisar, eu tenho aqui, ó, um antidepressivo, um anti-não-sei-o-que. Eu falei não.
Tá na mão, né? Tá na mão aqui, rapidinho.
Tá vendo? Então, muito cuidado com o que a gente está vangloriando, o que a gente está romantizando, o que a gente está aplaudindo. Será que então eu vou dizer, nossa, fulana, ela carrega uma necessaire, ela tem remédio para tudo. Quem já não ouviu isso?
Ela é precavida, né? Ela é precavida.
Boa! Eu já fui essa pessoa que carregou a necessaire que tinha remédio para todo mundo na redação. Hoje eu não sou mais. Hoje, aliás, minha bolsa está bem mais leve. E burnout também, isso é você aliviar a bagagem. aliviar a bagagem, inclusive aliviar as ideias que estão te fazendo manter este esquema. Não sei se vai dar tempo de a gente falar isso. Só para, então, fechar a resposta que você me disse, da pergunta que você me fez, Jorge, então, você vai tendo milhares de dores e consequências físicas de algo que começou no cérebro, que é o esgotamento mental, e que, então, assim, começou aqui. Aí você não tá descansando. Aí seu corpo falou assim, beleza, então eu vou mandar outros sinais. Agora ela vai me ouvir. Aí você não ouviu, vai voltar pra cá. Agora parou. Então o que é o burnout? É um apagão. Algumas pessoas têm desmaio. Algumas pessoas não sabem onde estão, quem são, pra onde vão. Elas têm um mau súbito. Isso é burnout. Mas o burnout não é aquele episódio. Você está vivendo uma experiência com o burnout. Então, o burnout não chega de um dia para o outro, assim como ele também não vai embora de um dia para o outro.
Não vai embora de um dia para o outro, lógico.
Então, só para finalizar... Além de tudo isso que você pode sentir no seu corpo, depois da agressividade, provavelmente quem está para ter um burnout ou teve e ainda não sabe, porque não teve diagnóstico, não foi buscar, né? Porque tem medo também do julgamento das pessoas, o que vão pensar de mim, também começam a usar álcool, drogas, como forma de compensação e excesso de compras. Então são essas compulsões. compra, cigarro, drogas, bebida e tudo mais, que são indícios fortes de que está dando ruim.
E aí entra num ciclo, né, Isabela? A pessoa deve entrar num ciclo de compra mais, de usa mais álcool, de usa mais droga. Eu acho que isso, se não tiver um break, de alguma forma, não tem fim, né?
E aí, Diogenes, só para finalizar o que você disse, por isso que a partir de todo esse ciclo, ela se vê cada vez mais incapaz de sair daquele modelo, daquele modus operandi, daquele trabalho.
Isso mesmo. É isso aí. Olha, eu te falei isso numa outra live que a gente fez e isso me marcou muito porque foi o primeiro contato que eu tive com você. E eu quero fazer um testemunho aqui de como eu conheci essa mulher, porque na verdade eu não a conheci na Assembleia Legislativa, na palestra eu a conheci um pouquinho antes. Ela não se recorda dessa passagem, mas isso me marcou muito. Um dia eu fui dar entrevista para uma emissora, para um telejornal, e aí era muito cedo, muito cedo. Eu cheguei muito cedo, ela sabe disso, era realidade dela, é ainda. A gente chega muito cedo para essas gravações, né Isabela? E aí de repente eu já me deparei com uma pessoa totalmente maquiada, totalmente pronta. E aquilo me chamou, eu lembro que você brincou comigo, né? Falei, bombeiro, vai dar entrevista, alguma coisa assim. E aí eu falei assim, poxa, eu pensei comigo, eu falei, se ela está aqui já totalmente pronta a esta hora, que horas que ela acordou? Anos depois, senhoras e senhores, a Isabela tem burnout. E eu já te falei isso, isso me marcou muito, viu, minha querida? Mas o que me marcou não é você ter...
Mas aonde a gente se encontrou? Onde a gente se encontrou?
Eu lembro disso. Foi na Rede Globo.
No estúdio ou numa reportagem?
Não, no estúdio.
Você não tinha me falado isso antes.
Eu te falei isso num dia numa live com você, tava eu e você, eu te falei isso daí. E aquilo me marcou tanto e o importante não foi, nessa história toda, lógico, o espólio disso não é você ter tido o burnout, mas você ter feito do burnout o grito para outras pessoas. E aí isso me faz agora um gancho para tirar um pouquinho da sua palavra e jogar para mim. Porque eu tenho que falar desse livro maravilhoso aqui que foi sequestrado, que você gentilmente me mandou e ele foi sequestrado pela minha esposa e eu estou proibido de ler por enquanto, porque enquanto ela não acabar eu não vou poder ler. Esse livro dá um tempo, que eu acho que tem tudo a ver com a temática burnout. Eu pude ler só o prefácio dele e eu já vi as pessoas... Do Cortella, inclusive? Do Cortella, na sexta-feira. E o padre Fábio de Mello e outras pessoas que te fizeram algumas dedicatórias, alguns apontamentos. E realmente, eu não vou falar do livro porque eu não li, mas a minha esposa está apaixonada pelo livro. Mas me fala uma coisa, minha querida. Ninguém melhor do que você para falar. Prevenir. Existe uma prevenção ou não?
Sim, sim. Existe sim, Diógenes, e eu fico muito feliz por esse espaço. Agradeço a gentileza de você falar do livro. A gente só consegue prevenir, justamente, é como a segunda linha do título. Encontrando limite em um mundo sem limites. Eu só consigo prevenir o burnout se eu encontrar limite nesse mundo sem limites. Eu sei que é meio contraditório em um mundo em que nos fala para superar limites o tempo inteiro. desde que você descanse entre um limite e outro, entre uma superação e outra, não tem problema. Sabe, Jorge? Estou dizendo isso ainda mais para bombeiros e policiais que eu sei que precisam superar os seus limites sempre. Não é isso que eu estou falando. Não estou dizendo para ninguém abandonar a farda, nada disso. Eu só estou pedindo o quê? Para que vocês descansem, para que vocês se dêem um tempo para recuperação física e mental entre uma superação e outra. Agora, Quando você me pergunta como nós podemos prevenir pausa voluntária antes de uma pausa involuntária, e aí é uma escolha de órgãos. Não adianta eu trazer aqui uma lista, olha, faça isso, não faça aquilo, não. O que eu estou sugerindo para vocês é lembrarem daquilo que a gente esquece por ter que dar conta de uma agenda muito louca, muito maluca. Então, o que a gente esquece? Que precisa dormir, que precisa comer direito, que precisa respirar, que precisa ter momentos de lazer e que precisa viver em atividade física. viver com atividade física, que é totalmente diferente do exercício. Atividade é quando você é uma pessoa ágil, né? Exercício é aquilo que você se concentra pra fazer durante aí um período tal, vamos fazer lá esteira, bicicleta, enfim, aí é atividade de cada um. Mas, o que eu trago no livro e o que eu falo sobre o burnout é sobre esse estado de presença, com o que você está fazendo com a sua agenda. E o livro tem tudo a ver com a prevenção do suicídio, que são dicas práticas para a preservação da vida. Eu só consigo preservar a minha vida se eu me der conta que... Vou pedir mais uma vez para todo mundo inspirar-se profundamente, bem fundo. E soltamos. Mais uma vez. Vamos inspirar. E agora, expirando. O intervalo entre a inspiração e a expiração é o que a gente chama de tempo. Quando eu inspirar e não expirar mais, significa morte. E para falar de vida, eu preciso falar da morte. Não adianta bater pezinho. Ah, não quero falar de suicídio. Então vamos falar de vida. Então como é que nós vamos prevenir o suicídio? Promovendo a vida. E como é que eu promovo a vida? Lembrando que o meu tempo é o que vai determinar o que eu faço da minha vida. Olha que bonito isso, gente. Alguém manda aí a hashtag. Depois me manda isso. eu preciso lembrar que é o tempo que determina como vai ser a minha vida. Então, se eu estou maximizando uma agenda e me deixando lá em terceiro, quarto plano, depois não adianta chorar o leite derramado, depois não adianta, né? Aí vai tocar aquela música epitáfio do Titãs, né? Devia ter feito isso, não devia ter...
E aí já é tarde demais, né?
É. Então, assim, burnout e outros problemas relacionados ao trabalho, São escolhas. Escolhas. Então, para prevenir o burnout, o que eu preciso escolher? Primeiro, me escolher.
Sim, perfeito.
Me escolher. Ah, mas o que eu vou fazer? Muitas pessoas eu ouço até, mas eu não sei por onde eu começo. Então tá, então para de novo, respira. E vamos fazer uma regressiva. Então assim, o dia tem 24 horas pra todo mundo, ponto. Quantas horas eu preciso dormir pra recuperar esta máquina maravilhosa chamada cérebro? Ah, eu preciso dormir oito horas. Ah, mas se eu dormir umas seis horas, eu fico meia boca no dia seguinte. Tá, isso por muitos períodos pode me causar o quê? No livro eu trago, tá? São 84 chances de problemas que você sai na frente e quem dorme menos de seis horas por noite tem quatro vezes mais chances de morte. Tá no livro. Então, eu vou começar...
Agora eu tomei um susto aqui. Eu tomei um susto porque eu mesmo durmo super mal. Então, já tomei um susto aqui.
Mas todos os dias ou alguns dias da semana?
Esporadicamente.
Porque se acontece uma situação, vamos lá, Aconteceu incêndio, é um projeto, qualquer coisa que te tire da rotina, é uma coisa. Agora, quando a exceção vira regra, que é o problema. Então, uma outra coisa que eu vou trazer aqui pra vocês, antes de continuar, é o seguinte. Caminho do meio. Não estou falando de extremos. Não é pra ninguém agora passar de insônia para adorminhô. Não, é caminho do meio. Por que quando a gente coloca mãos em prece, é aqui no meio? Caminho do meio. Se eu ficar só de um lado, vai dar ruim. Se eu ficar só de outro, vai dar ruim. Então, aqui, é caminho do meio. E esse caminho do meio passa por equilíbrios. Então, se um dia eu dormir mal, no outro dia eu vou dormir... Vou procurar dormir bem. Se um dia eu comer mal, não tive tempo de comer... Você entende? É este equilíbrio que vai me ajudar a estar no caminho do meio. Que é o caminho da sua saúde. É evidente que um ou outro dia eu dou aquela bobeada. Eu fico com uma agenda cheia. Eu preciso escolher o que é importante. Estar aqui com vocês é um tempo de muita qualidade pra mim. Eu espero que seja pra vocês, se fizer sentido. Mas se o que eu estiver falando não faz sentido agora, também não tem problema. Sabe por quê, Diogio? Porque todo mundo tem o seu tempo. E em alguma hora... Um dia pode fazer. Algo volta e fala assim, poxa, é verdade, eu preciso cuidar de mim. Eu tô falando disso. Porque se você terceirizar, Se você terceirizar a sua saúde, ou se você falar assim, nossa, mas será que meu chefe não tá vendo que eu tô passando mal? Não, ele tá cuidando de outras coisas. E não é porque ele não gosta de você. Ah, mas será que meu marido não tá vendo que eu tô exausta, que eu tô trabalhando? Não, porque o que é óbvio pra você não é óbvio pra outra pessoa. Então você é responsável pela sua saúde, portanto você é responsável pelo seu burnout. Eu demorei pra entender isso, viu, Diógenes? Foram dois anos, fazendo muita terapia.
Imagina!
Ressignificando muita coisa para entender que nós vivemos nesse modelo. Eu não tive condições de dizer não, eu tive medo de dizer não. Eu acredito que muitos que estão aqui conosco, muitos corações, eu não sei quantos mil que nós estamos e quantos que ainda vão assistir, eu sei que muitos de nós temos medo de dizer não pelas consequências do que isso pode provocar. Mas como eu cheguei, logo após o meu burnout, Sob risco de convulsão, e eu podia ter batido o carro facilmente porque eu dormia ao volante umas três vezes num trajeto de dez quilômetros, eu posso dizer que sim, você precisa pensar numa pausa voluntária antes que dê ruim. É isso. A prevenção do burnout vai passar pela sua consciência de que, o que você prefere? ter medo de dizer um não ou se afastar para se tratar e, de repente, até ser dispensado. A prevenção vai passar por aceitar que você excedeu os limites e, às vezes, eu já sei, não excedeu porque você quis, você excedeu porque não teve escolha, tá? Vamos lá. E aí, pra quem você pode procurar? Se você trabalha em um lugar que tem um médico do trabalho, conversa com ele. Viu que não está falando a sua língua? Tenta então procurar o psicólogo do seu lugar, se existir, o RH. Primeiro procura dentro de onde você trabalha. Não rolou? Aí vamos fora. Ah, eu não tenho plano de saúde. O SUS tem unidades que atendem muito bem. Então sempre vai ter uma saída. O que não dá é pra ficar do jeito que tá, achando que vai cair do céu.
Que tá tudo bem.
Um ser que vai te falar assim, pera lá, vem cá, vamos dormir aqui ó, preparei essa caminha aqui fofinha pra você dormir. Isso não vai rolar. Então, procurou dentro, não encontrou? Psicólogo. psiquiatra, ou o que eu não encontrei, que eu estou dizendo agora pra vocês, um médico integrativo. Jorge, se eu tivesse procurado, se eu tivesse achado, ou se alguém tivesse me dito numa live dessa como essa que procura um médico integrativo, muita coisa poderia ter poupado, porque eu tratava tudo separado. É a mesma coisa que você desmontar um carro e depois não conseguir montar as peças. Então eu ia em vários especialistas, mas ninguém cruzava essas informações. Então o médico integrativo será fundamental. E então essas escolhas, desde o que você vai fazer com a sua agenda até ir ao médico, só vai depender de vocês. Então a prevenção do burnout vai muito pela sua humildade em aceitar que você precisa desacelerar. Você precisa repensar se o seu modo desoperante está fazendo sentido e também pedir ajuda. Porque parte da viagem você faz sozinho e parte da viagem você faz acompanhada. e vai chegar uma hora que você vai precisar de uma ajuda externa para organizar essa bagunça que ficou, que você se tornou depois de tantos anos de negligência.
É isso mesmo. Falei muito, né gente? Não, não, mas estamos aqui para te ouvir mesmo. Até porque o excesso é falta de algo, né Isabela? A gente sabe disso. Olha, existem centenas e centenas, o pessoal da técnica está me passando aqui, nós estamos com mais de duas mil pessoas nos ouvindo agora. Isso para uma live é uma coisa muito bacana e ouvindo essas palavras, quantas e quantas pessoas nós não estamos ajudando com as tuas palavras. Então, que oportunidade maravilhosa que a gente tem aqui. E, de acordo com as pessoas que estão nos vendo e nos ouvindo, chegaram algumas centenas de perguntas. Nós escolhemos uma. Uma perguntinha.
Nossa, que filtro!
Porque senão a gente vai passar muito do horário. Então vamos lá, ó. A Ana Paula Valente, Isabela, ela pergunta o seguinte, na verdade ela faz uma afirmação e depois ela faz uma pergunta. Já tive burnout. Trabalhava 16 horas por dia, sem almoço, sem tempo, para nada. Muito estresse. Agora estou com dificuldades em resgatar minha memória. Alguma sugestão?
Repete o nome dessa moça? Ana Paula?
Ana Paula Valente.
Ana, se você conseguir responder pra que a nossa equipe também... Aliás, um beijo pra toda a equipe que tá fazendo isso aqui ser possível. Ninguém faz nada sozinho, gente. É, com certeza. Ana Paula, se você puder me dizer quando que você teve seu burnout, eu consigo ser mais precisa, tá? Mas então, para você ou para outras pessoas que tiveram, ou convivem com alguém que viveu, ou convivem com alguém que vocês suspeitam que viveu, vamos lá. Este apagão esse déficit de saúde mental, porque é igual saúde física, tá gente? Então, nós estamos falando de uma deficiência que pode ser recuperada. Ele não aconteceu de um dia para o outro. Então, a recuperação também não será de um dia para o outro. Como eu vou conseguir ter a minha memória de volta a partir do momento em que eu parar? É como um lago. Se eu jogo uma pedrinha e fica assim, Eu preciso esperar para que as ondas depois se acalmem. Então eu preciso ter humildade em aceitar que eu terei que ter paciência para esperar um pouquinho. Aí começar a tirar um monte de coisa. não coloquem mais coisas na agenda. Tem gente que me pergunta assim, de hoje, ah, o que eu faço? Faço uma ioga, faço um pilates, faço um curso de meditação. Eu falo, não, não faz nada, nada. Porque o burnout, como é excesso de fazer muita coisa, primeiro vão aprender a não fazer nada.
Boa!
Outro dia, aquele psiquiatra forense, o Guido Palomba, não sei se vocês conhecem, eu perguntei assim, doutor, o que a gente tem que fazer pra não ter burnout? Ou outros problemas relacionados à saúde mental? Ele falou, nada. Como assim nada, doutor? Ele falou não faça pequenos períodos de nada durante a semana e grandes períodos de nada no final de semana.
Perfeito, perfeito.
Doutor Guido entrou no meu coraçãozinho assim de fontes eternas porque Veja, ele podia falar qualquer coisa. Nada eu não esperava, então eu compartilho com vocês. Nós desaprendemos a fazer nada na Paula. Então primeiro você vai ter que ficar um tempo sem fazer nada e entender o que você pode tirar. Então o momento para a retomada da memória é um momento de faxina. Faxina. E você vai ter que jogar fora muita gente. Você vai ter que jogar fora muitos momentos que a sua memória não vai apagar. Mas então você vai ter que dar uma faxinada, uma organizada. Ah, entendi. Então isso aqui, ó, fica aqui. Isso aqui fica aqui, isso aqui fica aqui.
Reorganizar, né?
Reorganizar. E aí eu vou dar agora uma dica que não me deram lá atrás e vai fazer toda a diferença. Não gaste sua energia tentando entender. neste primeiro momento. Invista sua energia buscando a solução para você, a melhor solução. Porque eu perdi muito tempo, muita energia e muita saúde querendo entender, mas o que aconteceu? Por que aconteceu isso comigo? Por que fizeram isso? E por que, por que, por que? Perdi muito tempo. Então veja, foque na solução neste momento, na sua saúde. Depois a gente vai buscar a compreensão se ainda precisar. Mas eu garanto que com o tempo você vai se reencontrar de uma maneira que volta a memória, volta a autoestima, volta o seu amor próprio. Porque se você se esqueceu, significa que você está amando muito mais o que você faz, as pessoas ao seu redor, do que você. Então, a memória, ela é a nossa vida. Se você perde a memória, significa que você está perdendo o quê? Vida. E se nós estamos aqui num seminário, Para prevenir o suicídio, nós temos que promover a vida. E digo mais, nós podemos viver uma vida que vale a pena ser vivida se nós fizermos as escolhas adequadas, coerentes, hoje. E aí, Diógenes, tenho dois minutos?
Sim, você tem mais. Pode ficar tranquilo. Fica tranquila.
Como é que eu vou fazer essas escolhas coerentes hoje? fazendo uma atualização de identidade. Eu falo isso quase todos os dias lá na minha página Isabela Camargo Real. Atualização de identidade, Ana Paula, é quando você para um minutinho e percebe. Onde eu tô? Porque a gente tá indo tanto de tela em tela, lugar a lugar, que às vezes o corpo tá aqui, a alma não, a cabeça não. Então assim, primeiro, onde eu tô? Quem eu sou? Quantos anos eu tenho hoje? O que eu preciso hoje pra estar bem? Será que eu tô querendo cumprir uma agenda de hoje? com a saúde que eu tinha de 20 anos atrás, com as condições de vida que eu tinha há 20 anos, isso é um grande passo para o burnout. Isso é um grande passo para a infelicidade e outras doenças. Quando você vive uma agenda de hoje com as condições de saúde de antes. Então a atualização de identidade é fundamental para você reconhecer quais são as suas condições de saúde hoje, o que você precisa para estar bem hoje e não ficar naquela pira de assim, mas quando eu tinha 20 e poucos anos eu conseguia dormir pouco e produzir bem no dia seguinte. Então, mas agora eu não tenho mais 20 anos, eu tenho 39. A minha biologia mudou, minhas células mudaram. Então, eu preciso atualizar a minha identidade para dar conta de uma agenda de hoje com as condições de saúde que eu tenho hoje. Isso é fundamental para a gente prevenir várias dores e, consequentemente, prevenir o suicídio.
Olha, minha querida, estão falando, pediram aqui para você estar com o teu livro aí, pediram para você levantar a capa do seu livro que não apareceu aqui. Você consegue fazer isso aí? O pessoal quer ver a capa do livro.
Dá um tempo. Como encontrar limite em um mundo sem limites. Dá pra ver bonitinho. É editora Globo, selo princípio. Aqui eu trago então dicas úteis, muito úteis para preservação da vida. Tem 150... em torno, né, gente? 150 entrevistas de pessoas que admiramos, respeitamos. Então tem Cortella. Tem um trechinho também do Augusto Cury que eu coloquei, não pude entrevistá-lo. Só vocês tiveram a chance de dividir esse tempo com o Augusto Cury. Gente chique demais, mas tem o Karnal, tem o Clóvis de Barros, a Monja Coen, uma turma fantástica pra gente compreender o que nós estamos fazendo com o nosso tempo. O tempo da natureza tá tudo igual, tá? Fui falar com físicos, astrônomos e o sol está nascendo... Nada mudou. A Terra não está em cima de uma moto a 100 km por hora girando em torno do Sol mais rápido, não. Então nós é que estamos colocando mais coisas na nossa agenda e com isso contribuindo para que novas dores apareçam.
Que perfeito. Olha, deixa eu te fazer uma última pergunta, porque senão a Simone Ladislau vai me matar, porque ela já fez algumas vezes essa pergunta no nosso chat. Burnout pode levar ao suicídio?
Sim. Sim. Inclusive, você tem vários pensamentos suicidas durante o processo de burnout. Eu tive esses pensamentos.
Você teve.
Eu não consigo ainda colocar numa escala o que é um tentante, não sei, tá, Diógena, você me ajuda. Eu sim, eu cheguei a pensar em alguns momentos, e se eu fizesse tal coisa? O que que aconteceria? Você me explicou que isso, sim, já é um pensamento suicida.
Sim, sim, sim.
Então, se eu posso... E aí, olha só agora uma outra lógica. Se todo mundo me fala que se eu posso pensar, eu posso realizar... Existe uma realização. Isso também se aplica. Então, tudo que nós falamos, É para promover a vida, promover uma vida que vale a pena ser vivida, promover a saúde, promover escolhas racionais conscientes. Escolhas racionais, volta, volta essa frase. Escolhas que façam sentido. Porque, às vezes, o que é racional não é aquilo que vai ser bom pra você. Então, sim. o burnout pode levar ao suicídio. E se nós podemos prevenir o burnout, nós podemos prevenir o suicídio.
Prevenir o suicídio, perfeito. Ontem o doutor Augusto Cury falou uma coisa que nos impactou muito. Trilhões de células no nosso corpo e nenhuma, absolutamente nenhuma, está pronta para morrer. É isso aí. Minha querida, eu vou deixar com você as palavras, as tuas palavras finais, né, pra que depois eu entre e faça o encerramento e o agradecimento pela sua participação. Então, fique à vontade.
Bom, então, vejam, eu vou fazer aqui um desenho com a minha mão. Às vezes a gente tá caminhando aqui, ó, caminhando, caminhando, caminhando, às vezes tá correndo, né, nesse caminho, e a gente dá de cara com o muro, ou com um desafio, ou com um problema que a gente acha que é complicado, né, quando a gente vai criando um monte de complexidade na nossa vida. Você pode ficar aqui, ó, por muito tempo, ou você pode buscar, sim, um tempo de qualidade, um tempo divino, que inclusive chama Kairós, que é o tempo de Deus, ou você pode ficar aqui, ó, no tempo mecânico, batendo a cabeça no muro o tempo inteiro. O que eu quero dizer com isso? Qualquer sintoma que você esteja sentindo, você pode ficar aqui, sofrendo com ele. Ou buscar ajuda. E aí, seguir pelo seu caminho. Então, fiz aqui de uma maneira bem lúdica pra vocês perceberem que se algo está acontecendo, não é uma punição. Se uma dor acontece, se uma doença acontece, ela não é uma punição. Ela é só um aviso pra que algo pior não aconteça. Então, eu recomendo que, com muito amor, vocês primeiro façam uma pausa voluntária. Quanto tempo? Um minuto é muito dentro de um dia de 24 horas? E respondam a seguinte pergunta. Faz sentido o que eu tô vivendo, o que eu tô fazendo? Ou não? O que eu preciso tirar pra me colocar na agenda? Acho que esse já é um bom caminho pra prevenir não só o burnout, mas outros problemas relacionados a esse mundo express, com milhares de opções que nos deixam muito confuso, sem energia, e aí eu posso seguir caminhos que eu não quero, mas por eu estar muito confuso, muito bagunçado, eu acho que eu ouço o caminho. E tem outros. Existem outros, sempre.
Isso mesmo, perfeito. Minha querida amiga, como eu posso te agradecer? Muito obrigado, gratidão por você ter participado. A gente está realmente, nós estamos impactados de uma forma que nós mesmos aqui, dessa realização desse evento, não estamos acreditando pelo lado positivo, porque a gente tem a abertura do evento, como se teve ontem, hoje você mantendo esse nível de propositura, de realidade, de ajuda a pessoas, as milhares de pessoas que estão agora nos vendo e nos ouvindo e vão ainda assistir esse vídeo. A palavra, Isabela, ela tem muita força. A palavra, ela ajuda. A palavra salva tanto ou mais do que mãos. Então tenha certeza que que hoje você salvou pessoas com a força da sua palavra, com a força da sua verdade e, principalmente, com a força da sua experiência com o burnout. Gratidão, querido.
Diógenes, eu agradeço profundamente. Você é o tempo de todos, como eu disse. E faço só uma última colocação. Que o tempo sempre esteja a favor de cada um de vocês. Que o tempo sempre esteja a favor de cada um de vocês e que vocês estejam atentos as oportunidades e é o tempo divino que sempre nos mostra caminhos. Só que se nós estivermos distraídos e confusos, a gente pode não observar qual é o novo caminho, qual é a nova porta que está se abrindo para a vida.
Perfeito, perfeito.
Estou à exposição sempre, Isabela Camargo Real, YouTube e Instagram.
E é isso aí pessoal, a gente termina então o segundo dia desse maravilhoso seminário de prevenção do suicídio do Corpo de Bombeiros. Antes de fazer os agradecimentos e a chamada para o dia de amanhã, eu quero pedir para que todos se inscrevam no canal do Corpo de Bombeiros SP, Corpo de Bombeiros SP. Ativem lá a notificação e inscrição do sininho para que vocês recebam as notificações do próprio canal e da live de amanhã. porque amanhã, às 19h30, teremos uma live comigo. Quem vai ser o mediador é o Capitão Franco, que fez a abertura do nosso evento, e eu serei o palestrante. Vou falar um pouquinho, às 19h30, sobre abordagem técnica, tentativas de suicídio. Isso para todos os profissionais ligados à área de urgência e emergência, ou não. Pessoas que podem se deparar com uma tentativa de suicídio. E aí? Aconteceu. O que fazer? Como fazer? Como humanizar esse tipo de atendimento? Mais uma vez, gratidão a todo o comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ao comando do Corpo de Bombeiros e também ao nosso comandante da Escola Superior de Bombeiros, Cornel Valdir Pavão. Pessoal, muito obrigado. Amanhã, 19h30, a gente se encontra aqui. Por favor, divulguem isso, divulguem esse seminário, porque pra gente tá sendo muito importante e, de alguma forma, todos nós, nós fazemos desse lado e vocês divulgando desse lado, estamos, repito, salvando pessoas. Um abraço e até amanhã!
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