Sexo na gravidez!

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Sexo na gravidez!" created on March 9, 2021. It features a conversation in Portuguese between Speaker A and Paula Napolitano discussing the topic of sex during pregnancy. They explore various aspects such as emotional well-being, societal taboos, and maintaining a healthy relationship during and after pregnancy. The discussion also touches on personal experiences and advice for couples navigating this period.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite. Seja bem-vindo, bem-vinda a mais uma entrevista dessa semana. Sexta-feira, 5 de março, 7 horas, 2 minutos. Obrigada, Lucila e todos vocês que já estão aqui comigo. Nós vamos falar sobre sexo na gravidez. E é um assunto super importante, que a gente não pode ignorar. e vou conversar com uma pessoa muito especial, que também está grávida, assim como eu, mas ela já está com a gestação um pouco mais avançada que a minha, que é a Paula Napolitano. Hoje é seu aniversário, Tomás? Parabéns! Hoje também é aniversário do meu afiliado Gael. Então, deixa eu ver se a Paula já está aqui, que eu sei que vai ter muito assunto, e se você tiver alguma pergunta, alguma dúvida, envie para cá, pelo pontinho de interrogação, Que assim eu trago a sua dúvida na primeira oportunidade. Paula, já vi que está aqui. E já vão duas mulheres grávidas pra gente falar sobre sexo na gravidez. Vai ter muito assunto, não é? Oi!
Oi, tudo bem?
Tudo ótimo. Adorei esse visual.
Você viu? Tô aqui poderosa hoje.
Estou vendo, poderosa demais. Paula, muito obrigada por ter aceitado o meu convite para a gente se encontrar nesta sexta-feira. Você já tem uma agenda cheia e já está com a sua bebê. Bem pertinho, me atualiza. Atualiza para quem também está aqui nos acompanhando, porque nos conhecemos tempos atrás. E aí fica grávida mais ou menos no mesmo período, não é?
Pois é. Então, ela está para chegar aí. A gente vai entrar agora na 36ª semana, ou seja, no finzinho aí, né? Então tá nessa correria de final, assim, dos últimos preparativos e poder deixar meus pacientes tudo bonitinhos aí, bem assistidos, em ordem. Então tá nessa reta final gostosa. E no aprendizado, né? Que a gente não tem controle nenhum. Que ela vai vir a hora que ela quiser, do jeito que ela quiser, né? Mas tá tudo certo, foi um prazer a gente estar junto nessa fase e poder conversar desse tema tão importante que ainda tem tantos tabus, né?
Eu me lembro quando nós fizemos algumas lives no passado, falar de sexo já é um tabu. Sexo na gravidez, então, meu Deus, que coisa, não é? Ó quem tá aqui também, a Fernanda, da Maternize, linda.
Legal.
Deram uma live juntas, não é?
Fizemos.
Maternize, gente, é um livro fantástico pra você entender de verdade o que você precisa, de fato, se preocupar a cada mês, aliás, a cada semana, porque a gravidez a gente vai vivendo a cada semana.
Até isso é diferente, né? Antes, quando você não é mãe, o pai é de você falar por meses, né? Aí depois você aprende que não é por mês, é por semana, né? São muitos aprendizados aí, né?
Muito, muito, muito. Você disse, né? A Luna... Luna, não é? Luna, é. Linda. A Luna já está mostrando que é tudo no tempo dela, na hora dela. Isso gera estresse.
Gera ansiedade.
A ansiedade gera medo, gera uma série de coisas. Soma esse estresse que nós estamos vivendo já por um contexto muito difícil coletivo, mais as novidades, surpresas de uma gestação. Como tá a sua emocional, Paola? Como fica o emocional gestante, não é? Porque já estar gestante... Hoje eu tive consulta com o meu obstetra. E aí eu falo, aí eu choro, aí eu já fico chateada por chorar. Eu falo, não, eu sei que eu não preciso chorar.
Não deveria.
Aí ele fala assim, para. Você está grávida, ou seja, você já está mais emotiva, você tá pensando também pela sua bebê, é claro que você tá sentindo medo em dobro por tudo que está acontecendo, então é insegurança em dobro, medo em dobro, então para mim, assim, são altos e baixos constantes. Como tá sendo para você, Paula?
É engraçado que as pessoas, no início do ano passado, a gente perdeu uma gestação. Na verdade, foi uma gestação ectópica, que acontece na trompa. E aí eu tive que tirar a trompa, inclusive, e tal. E aí teve gente que... A gente abriu esse tema pra algumas pessoas porque também é um tabu. Na época, quando a gente vivenciou isso, a gente conversando com pessoas mais próximas, um monte de gente já tinha passado por isso, a gente falou assim, mas as pessoas não falam sobre isso. E a gente fez questão de falar sobre isso também, justamente para que a gente possa se pertencer, entender que todo mundo passa por momentos difíceis E aí eu lembro que tiveram algumas pessoas que falaram assim, mas para você é tranquilo, porque você é psicóloga. Falei, então... Então, assim, vamos diferenciar um pouquinho o que é a profissão, o que é a vida pessoal, o que é... Mas, assim, claro que o ser psicólogo ajuda muito porque a gente teria mais ferramentas pra conseguir lidar ou buscar outras formas. Não quer dizer que vai fazer e não quer dizer que vai usar, né? E que vai conseguir. Exatamente. Mas, assim, eu tive muita sorte. Eu sempre agradeço porque eu passei muito bem na gestação. Realmente é um agradecimento, assim, porque eu tive amigas que passaram muito mal, tiveram muito enjoo e eu não posso agradecer. Eu tinha pressão alta, sempre acompanhei, não tava precisando de medicamento, só cuidando com alimentação, atividade física e tal, mas era um medo, né, gestação e tá super controlado, inclusive tiramos o remédio também, assim, então eu só posso agradecer. Mas é uma mistura muito grande. É uma questão realmente de racional e emocional meio que brigando, assim, do que eu deveria sentir, o que eu não poderia estar fazendo, mas o que eu tô sentindo, o que eu tô querendo. Muitas cobranças. Principalmente a gente que gosta do nosso trabalho também e justamente essa coisa de dizer, não, mas eu tenho que trabalhar porque eu sou professora. Como assim? Que eu tô cansada ou eu tô com sono. Esse equilíbrio é difícil. E sentimentos negativos também, né? Que a gente não se permite. Muitas das mães não se permitem, como se fosse algo ruim, como se você fosse uma mãe ruim ou qualquer coisa do gênero, quando você também tem sentimentos dúbios. Então sei lá, ela tá pra chegar, mas você fala assim, espera mais um pouco, fica aqui mais um pouquinho. A vida vai mudar tanto, mas ao mesmo tempo eu quero logo ela aqui, quero conhecer. E aí você fica nesses sentimentos dúbios, que se a gente não conseguir tentar chegar num equilíbrio, E buscar coisas pro nosso emocional, pra uma sanidade mental e emocional pode ser muito difícil. Então eu optei aí, primeiro que a gente mudou, justamente no início da gestação, a gente veio morar no interior e isso foi muito bom, ajudou muito. Eu não tenho nem mais rinite. Você vê como, no fundo, a gente nem percebe o quanto, às vezes, faz mal algumas coisas pra gente. Então, atividade física bastante regular, de caminhadas, na natureza. Busquei me alimentar super bem. Fazer a drenagem, porque o inchaço é uma coisa que é bem chata. As pernas pesam toneladas. Mas assim, eu busquei então tentar fazer meditação, algumas coisas nesse sentido que eu acho que ajudaram muito. E também eu acho que a parceria com a qual a gente tá, seja o parceiro ou a parceira, as nossas redes de apoio têm um papel fundamental nessa hora e a gente precisa também saber pedir ajuda. Saber pedir assim, preciso conversar ou preciso de ajuda pra tal coisa. Então eu acho que isso tem ajudado. E você, como que tem conseguido lidar?
Ótimo. Muito bom te ouvir, Paula. Eu sempre fico curiosa em saber quem é a psicóloga da psicóloga. O cabeleireiro do cabeleireiro, sabe? O dentista da dentista. E quando você mencionar, as pessoas olham pra mim e acham que será mais fácil poder ser psicóloga. É um julgamento e aí nós estamos cercadas de julgamentos e isso contribui muito para as nossas cobranças. Outro dia, conversando com a Fernanda, da Maternize, eu brinquei com ela, né? Nasce um bebê, nasce uma mãe, nasce um pai, nasce uma culpa e nascem muitas cobranças, né? Mas isso não precisa nem esperar o nascimento, a gente já se cobra bastante, já se cobra antes da gestação, depois mais ainda. Então, não avançar aqui da hora, porque o papo flui muito, né? E quando o tempo é bom, passa rápido. Eu concordo com tudo que você disse. Estou tendo uma gestação também muito boa do ponto de vista essa história de enjôo e tal. Não tive ainda nada, mas sim manha aos 40, então cansaço e o inchaço das pernas, a circulação nesse calor. Já sei que isso é normal. Então a gente tem que fazer. várias coisas para amenizar, assim como viver uma pandemia afeta a nossa saúde mental e afeta todas as nossas emoções. Então pronto, eu já sei que isso é normal. Agora, administrar isso com as pessoas ao redor, como você falou, as parcerias, as suas amizades, o seu companheiro, porque você quer dar nome para o seu sentimento, você quer dar aquilo que você tá sentindo, mas às vezes nem você consegue, né? Então é só você realmente, vai passar. Ô Paula, e aí eu te pergunto o seguinte, no meio de tudo isso, como podemos manter o sexo saudável. E aí eu te pergunto, é saudável manter o sexo na gravidez? Existem restrições de meses. O que a gente pode falar sobre o assunto, já que você é especialista, não é? Porque, de novo, já é tabu falar, independentemente de gravidez ou não. Grávida, então, parece que aí pronto, agora não pode nada.
Então, essa questão do... Primeiro que assim, quem vai determinar se tá tudo bem com a saúde para que o sexo faça parte é a obstetra. Mas de modo geral, se eu tô tendo uma gravidez saudável, se eu não tive abortos repetitivos, se eu não tô com risco de descolamento de placenta ou qualquer coisa do gênero, vida que segue e continua, porque o sexo ele faz bem quando ele é prazeroso, quando ele é consentido, ele faz bem pra pessoa e pro casal. Então continuar uma vida sexual ativa Pode ser uma forma, inclusive, de trazer hormônios positivos, de uma atividade física, de uma conexão maior com o parceiro, de maior intimidade. Porque uma das coisas que a gente viu muito nítido é como o parceiro é jogado descanteio. nesse momento, muitas vezes, da gestação, pela maioria das pessoas. E que se a gente também não ficar atento, a gente também faz isso. Então é sempre voltado pra mãe, pra mulher, pro bebê, como é que tá, e esse cara muitas vezes fica pra descanteio. Então se a gente também não prestar essa atençãozinha, assim, de entender que também ele é um suporte importantíssimo pra gente passar bem, inclusive, pra gente emocionalmente estar bem, pra não ser mais uma cobrança. Que é que a vida sexual, se tiver gostosa, se tiver legal, une ainda mais o casal. Então assim, estando tudo bem, tá ótimo. O que que costuma acontecer? Que o primeiro trimestre é um trimestre muito novo, com muita mudança no corpo e que tem muita mulher que passa mal. Então se eu tô enjoando, se eu tô passando mal, se eu tô vomitando, como é que eu vou ter tesão. Ou ainda preocupada, não sabia como vai ser, todos ao peito que fica bem dolorido, bem sensível nesse primeiro trimestre e tal. Então é muito peculiar de cada gravidez, cada grávida e cada casal. E o terceiro trimestre também é um trimestre mais onde você tá com barrigão, já tá mais peso, já tá mais cansada, já tá com mais ansiedade, mais medo e não sei o que. Às vezes também pode prejudicar um pouquinho, por isso que dizem que o segundo trimestre é o melhor. Mas de novo, pra quem? Pra cada um. E aí a questão é que muitas vezes essa libido da mulher pode dar uma baixada. E tem mulher que tem a libido aumentada. O que isso faz acontecer? Não sabemos. Tem mulher que fica doidinha na época da gravidez. É uma minoria. Mas tem. E tem o contrário. Às vezes a mulher tá bem, tá com vontade e o parceiro às vezes perde.
Também tem isso.
Porque ele também tá com tudo novo, ele também tá aprendendo, ele também às vezes tá de escanteio e na nossa cultura, que ainda é uma cultura mais machista, ele às vezes ainda associa a mulher como mãe, como pura e não consegue fazer essa dissociação de que ela continua sendo a mulher e vai ser mãe também, então às vezes essa confusão também causa um certo receio nos homens. Ou o próprio desconhecimento de medo de machucar, de não ser bom, de fazer mal pro bebê. Então é muita coisa, né?
Muita coisa. Olha, eu tô conversando, pra você que tá chegando agora, muito obrigada pelo seu tempo. Se você conhece alguém que está grávida, está grávido, mande essa nossa conversa com o aviãozinho aqui do lado. Corações aqui também, o Instagram entende que esse assunto é relevante. Eu sei que uma véspera de um novo lockdown, especialmente para quem está em São Paulo, mas em outros estados eu sei que a situação é muito crítica. Essa semana eu perdi uma grande amiga pelo Covid. Então eu sei que a energia está muito diferente e requer muita introspecção. Mas estamos falando de vida, estamos falando de sexo aqui de uma maneira muito respeitosa, com muita naturalidade, porque é assim que deve ser. Então, eu gosto de trazer essa ponderação, Paula, só para não achar que estamos alienadas. Não, nós sabemos o que está acontecendo, mas precisamos falar também sobre vida. Precisamos falar também sobre recomeços e sobre esperança. Eu e Paula estamos grávidas, então se você tiver alguma dúvida sobre o assunto, encaminhe aqui no pontinho de interrogação. Eu não estou deixando nos comentários, Paula, para que todo mundo possa ver essa grávida linda de batom verde. Mas se você que está nos acompanhando tiver alguma dúvida ou quiser enviar algum comentário de alguma experiência que você tenha vivido também, aproveite ali que nós temos até as oito para trocar essa ideia bem interessante. Paula, bom, você disse que tudo pode acontecer. Vai depender de cada mulher, de cada homem, de cada contexto também dessa relação. Mas e se, por exemplo, a mulher não está com joos, está indo tudo bem, ela só está cansada, só está inchada, mas ela não sente vontade. Por quê? A cabeça está Pensando em um milhão de coisas, né? Como a gente já falou das outras vezes. Cadê a chavinha pra desligar?
Exato.
Então, o que você recomenda para os casais, para a questão da cumplicidade? Porque o sexo não precisa ser só o ato em si.
Isso. Perfeito. Então, assim, é óbvio que vários fatores fazem a nossa libido diminuir, né? E toda essa... Por isso que eu brinco, né? Se a cabeça de cima tá pensando, a de baixo não funciona. Isso serve pra homens e mulheres, né? Porque não, né? E a nossa cabeça funcionando muito e preocupação com a pandemia, como vai ser de organizar tudo e trabalho e não sei o que. A grávida fica com mais risco ainda, então você fica com mais medo ainda, né? Então tem um monte de questões aí no meio que é preciso muito respeito pra lidar com essa fase. respeito com essa mulher que está, de repente, com a libido rebaixada, coisas nesse sentido. E aí a conversa é importantíssima. Esse casal tá alinhado e justamente entender que sexo não é só penetração, que sexo é carinho, que sexo é esse carinho no corpo como um todo, que pode ser às vezes uma masturbação, que pode ser às vezes um sexual, ou que às vezes realmente não tá com desejo, então vamos alimentar o amor. O amor, a união, a compaixão, alguma coisa nesse sentido. Mas também tem outro lado, que é a questão do desejo responsivo. Ou seja, essa mulher provavelmente não vai ter um desejo espontâneo, o desejo aparece, tô super afim, meu marido tá no banho, vou lá porque tô super afim. Dificilmente ele vai acontecer. A não ser aquelas mulheres que normalmente estão com aquele desejo mais alto até na gestação. E aí, o casal passa a se evitar, muitas vezes. Porque, ah, eu não tô com vontade, vou fingir que vou dormir. Ah, já vou pra cama antes, vou dizer que tô cansado, vou não sei o quê. Começa a se evitar. Começa a não dar mais muito beijo pra não dar chance de achar que vai ter alguma coisa, não sei o quê e tal. E aí, a chance do desejo responsivo aparecer é praticamente nula. O que é o desejo responsivo? É aquele desejo que só aparece respondendo a um estímulo.
Que estímulo?
Um estímulo de assistir um filme juntos, com um carinho no sofá, fazendo um carinho juntos, um abraçado, um estímulo de um beijo, um estímulo de um momento só do casal, de um tomar banho junto. Qualquer estímulo nesse sentido pode acender o desejo responsivo. Então, eu acho que vale, nesse momento, a gente lembrar que a gente continua sendo mulher e continua sendo um casal que precisa regar o amor e a sexualidade. Então, eu acho que é uma linha tênue para que não seja também mais uma pressão.
Exato. Você falou uma coisa interessante. Bom, tudo, né? Mas aqui eu só vou relembrar. Respeito, paciência e diálogo.
Isso.
E vale a pena também a gente trazer a questão do, de repente, é só um momento. E não aquele momento, um problemão que aí se estende por outros dias e não. Então, o casal está vivendo um momento muito diferente. Então, é evidente que mudanças acontecerão. E o respeito ele é fundamental, né Paula, pra gente realmente compreender que cada um vai reagir de uma maneira.
E aí até do que você tá falando, acho que é importantíssimo isso que você tá falando pra não catastrofizar e generalizar. Então assim, a mulher tá com um mês que ela não tem vontade e nada acontece. Ou dois meses. Nossa, nossa vida sexual acabou. Não vai ter jeito. Meu Deus, e depois que nascer? E agora a gente não é mais um casal?" E não sei o que lá. E já começa a quase que destruir a ideia do casamento, de que vai dar certo, de trazer quase uma separação na cabeça. E às vezes até é verbalizado. Então, assim, calma, que são fases. Não é por isso que a gente não vai conversar, que a gente não vai ver o que é possível ser feito, mas cuidado com a generalização porque ela pode ser muito ruim.
Perfeito. Adorei. Não catastrofizar.
Isso.
Ou seja, é o momento, né, gente? E vai passar. Ô, Paula, a gente tá falando aqui o sexo durante a gravidez, mas e depois que o bebê nasce?
Aí complica um pouco mais ainda.
As demandas são outras, as obrigações, ou seja, eu não preciso aqui pegar um quadro para desenhar Mas uma vida depende integralmente de você, depende do pai e da mãe e novas demandas surgirão Existe, inclusive, algum período que causa mais insegurança, mais medo, sabe que o casal já precisa estar assim, olha, pera, que vai passar. De novo, não catastrofizar.
Exato. Os primeiros meses são os de mais paciência e de viver dia a dia. Tanto que a gente tem a quarentena, que seria mesmo, que seriam de 40 dias a 60 dias, mas varia de mulher para mulher, mas onde os médicos recomendam que não se tenha relação de penetração. neste período, independente da via de parto, independente de se for parto normal ou se for parto cesariana. Porque o útero está, saiu toda a placenta, saiu um monte de conexões que aconteciam lá, então o útero está em recuperação. E ele precisa desse tempo para se recuperar bem, se recuperar de uma maneira saudável. Então, esse período, muitas vezes, tem gente que sofre muito, que fala, meu Deus, 40 dias sem, 60 dias sem. E tem gente que fala assim, meu, tranquilo, nada demais, porque foca muito mais na qualidade do que na quantidade de relações. Então, esse período aí é um período em que realmente a mulher, até por estar produzindo inclusive prolactina, que tende a baixar a libido na fase da amamentação, a prolactina, então um monte de hormônios que vão contra, inclusive uma relação sexual, que é o nosso corpo dizendo, calma um pouquinho.
Espera aí, Lu. Enquanto a mulher está amamentando, ela está produzindo prolactina.
E a prolactina, ela vai meio contra essa questão do desejo. Então, ela pode realmente atrapalhar a questão do desejo, junto com cansaço, não dormir. Gente, não dormir é uma das piores coisas. Nosso cérebro não funciona, a gente não funciona, a preocupação está fazendo direito se não está sendo acordado o tempo todo. Todas as coisas que acontecem nesse início, né? Então essa fase é uma fase mais complicada. E que aí o casal precisa estar muito em sintonia e aí é legal já conversar antes, já saber disso antes. Então é muito legal os casais assistirem, por exemplo, essa live que a gente tá fazendo. Se irem buscar em livros, em outros materiais, entender sobre o que eles estão passando. Entender sobre toda essa fase pra ter uma cumplicidade melhor e tá na mesma página, tá conversando do mesmo lugar. E aí os casais que estão com vontade podem ir pra uma masturbação, pra um sexo oral, pra alguma coisa assim, porque tem muita gente que lida com o sexo, que tem uma relação com o sexo ou com a masturbação como forma de alívio de ansiedade e como forma de descanso. Como tipo, agora eu vou dar uma relaxadinha, né? Então tem gente que tem mais essa associação. Então muitas vezes pode ser que essa pessoa, esse casal, até tenha vontade nessa época. Porque tá muito ansioso, então quer descarregar um pouco essa ansiedade ou porque quer ter aquele momento de descanso. Então esse casal vai pra uma masturbação, vai pra um banho, vai pro sexo oral. Mas de novo, a maioria não tá muito nessa vibe. Então aí é importante esse respeito, esse tempo e vamos continuar tentando estar conectados como casal. com intimidade e com conexão, porque depois recuperar a parte sexual é muito mais tranquilo. Agora, se esse casal se distancia, não fala, fica bravo um com o outro, ressentido, não conversou sobre as formas que pretendem educar, como vai ser, se chora, vai lá, se não vai, todas as coisas, fica mais difícil.
Tem que combinar as regras. É uma nova vida, novas regras.
Exato. Combinados. Aquilo que é combinado não sai caro e pode ser revisto, pode ser reconversado. Às vezes você acha que você vai super, não, eu vou conseguir lidar com o choro e tal, na hora você não tá conseguindo, então você vai reconversar ali ou vai pedir ajuda pro parceiro e tal, né? Então esses primeiros meses de quarentena, E os próximos e quem tá tudo muito novo, você tá tudo aprendendo. Você é uma nova mãe, tem um novo pai, tem um bebê que tá aprendendo no novo mundo. É muito difícil a cabeça estar concentrada no relacionamento e na sexualidade. Então a gente também pode compreender isso. E também não catastrofizar e falar assim, calma. É uma fase. Só que ao mesmo tempo de novo. Se a gente não ficar atento, essa fase pode se perdurar por anos. E tem casais que se perdem neste caminho, que passam a viver exclusivamente por este filho, passam a viver exclusivamente o papel de pais, e aí profissional e o que quer que seja, e se perde de casal. Então, de novo, essa linha que é tênue. Tenha um tempo, a gente precisa respeitar, precisa conversar, mas cuidado pra não abandonar o casal. Porque aí fica mais difícil. E eu tô dizendo casal, não tô dizendo nenhum sexo. Então contar com as redes de apoio, Se tem os avós aí pra ajudar, lindo. Se tem alguém aí próximo. De repente, se tem condições de contratar alguém pra ficar uma noite ali nesse momento. Então, do casal, lembrar que ele ainda é casal. Que ainda existe um homem, que ainda existe uma mulher e que isso é importante para o filho e para a filha, inclusive. De entender que tem pais que se amam, que se beijam, que tem o momento deles Sentir essa conexão do casal, que o bebê sente muito Eu queria.
Trazer até um pouco disso, aproveitando que a gente tem um tempinho Porque se o bebê sente o que a mãe sente Se o bebê sente o que a mãe sente e a mãe sente o que está acontecendo no ambiente É evidente que esse ambiente precisa estar confortável pra essa mãe, né? E é evidente que ela precisa estar confortável e sentindo prazer. Porque senão, é o próprio bebê que não vai sentir bem. Eu acho interessante isso, né? Depois que eu fiquei grávida, muitas pessoas perguntam, ah, e o bebê, e o bebê, e o bebê? Eu falo, tá tudo bem. Mas se eu estiver bem, o bebê também está bem. Então, o olhar para a mãe e para o pai também são super importantes, senão fica todo mundo só... Não é em segundo plano, não estou falando isso de uma maneira... Agora não estou no primeiro plano, não. Mas pela questão... do ambiente estar favorável.
Para a criança também. Perfeito. E eu vejo muito isso no consultório, até com mães que estão, às vezes, até com filhos de 3, 4, 5 anos, né? E que ficam muito nessa questão, não, mas a gente tem que estar com ele 24 horas por dia. Não, mas o tempo que eu tenho livre fora do trabalho, a gente tem que estar junto. Ah, mas o que ele vai achar da gente sair uma noite pra namorar ou pra gente ter o nosso momento, eventualmente fechar a porta do quarto, né? Como uma culpa, como se isso fosse ruim. E na verdade, a maioria das experiências que eu tenho com essas pacientes é que quando elas começam a namorar o paciente, um casal estava falando isso ontem, eles estão com a filha de cinco anos mais ou menos, e que aí eles estão se beijando mais, dando abraço, aí a filha diz, deixa eu tirar foto do amor, deixa eu tirar fotinho de vocês e não sei o que. Então de associar mesmo a uma união, uma cumplicidade, a um casal, entender o que é um casal, Que o amor de filho é um, que o amor dos pais são outros. Então, toda essa cumplicidade, quando tá legal, é passada. E eles sentem. Criança e bebê sentem. E ao mesmo tempo, quando tá desconexo, quando tão ressentidos, quando não tão conseguindo conversar, quando tá um fugindo do outro, não sei o quê, o bebê também sente. O casal também sente.
Perfeito. Paula, de novo vou falar as palavrinhas mágicas. Respeito, paciência e diálogo. Se houve amor para o sexo que concebeu a criança, há amor neste processo de adaptação.
Isso. E é bem isso, é processo de adaptação.
Quando você falou sobre... Quando a gente falou sobre sexo na gravidez, sim, eu não preciso falar do ato em si, mas é envolvido nisso e tá muito claro. Então eu vou repetir, tá, gente? Eu não preciso de carimbos ou certificados científicos. Se o bebê sente o que a mulher sente, É evidente então que essa mulher precisa estar confortável no ambiente em que ela está, porque já são muitas cobranças. Paula, deixa eu te contar uma coisa. Existe muita cobrança pela história do trabalho e o peso da mulher. Às vezes eu tô conversando com alguém.
A primeira pergunta que a pessoa me.
Faz é, mas quanto você engordou já? Aí eu falo, depende, né? De manhã que eu não tô inchada ou no final do dia, né? Que eu tô com dois quilos a mais. Mas assim, o que que isso muda, né? Ai, mas por que o peso, a gravidez e depois vai ser melhor? Sim, nós já sabemos. Nós já sabemos que quanto mais peso, pior. Mas assim, onde eu quero chegar nessa história? Homens e mulheres, a mulher está fazendo o seu melhor o tempo inteiro, saibam disso. E se não há desejo, se não há um comportamento diferente ainda, é porque ela ainda não conseguiu fazer. Tô dizendo isso, Paula, porque uma mulher grávida, ela não pode falar nada. Ela não pode sentir nada, ela não pode nada. E não é assim, gente. Não é que ela deixa de ser mulher e passa a ser apenas mãe, um ser que vai parir um outro ser e acabou. Não, tem repertório ali, tem história, tem dores, tem traumas, tem sentimentos, tem vontades. E tudo isso interfere no sexo, sim.
Sem dúvida e crenças aí desse papel dela e do papel de profissional e do papel de casal e aí vem... E é uma fase que a mulher, de modo geral, todas as pessoas são, mas a mulher passa por muito julgamento, né? por muita cobrança aí de vários papéis, como um deles que você citou ainda no corpo. Ainda na gestação desse papel do corpo. Você não tá se arrumando? Como que você não tá se arrumando? E seu marido, hein?
E não sei... Paula, tem dia que eu... Tem dia que é bem difícil. Eu falo com todas as minhas amigas que estão grávidas. Eu falo, escuta, você teve altos e baixos?
Elas devem ficar aterrizadas, né?
E é só, não importa a classe social, porque às vezes a gente tá passando por um momento mais difícil financeiro, aí você fala, nossa, mas será que... Não, não importa a classe social, teremos altos e baixos, teremos medo, então é bacana a gente poder falar isso, eu sei que tem muita mãe aqui assistindo, porque senão a gente vive ilusões de achar que a mãe, com tudo isso que tá vivendo, ainda terá uma vontade louca de fazer sexo.
Exatamente. E aí essa coisa justamente de ficar atento, porque todo mundo tem uma opinião e tem um certo e errado, né? Principalmente na gravidez, né? Se você vai fazer parto normal, nossa, porque você vai passar por dor. Se você vai fazer cesárea, não acredito que você vai fazer não sei o que. Vai fazer livre demanda, nossa, mas livre Então, assim, por isso que o casal tem que estar muito alinhado e tá conversando o tempo inteiro ali e tal pra tentar filtrar aí demanda... essas... ideias ou críticas, sugestões, sei lá, né? Mas pra conseguir filtar, confiar bastante no obstetra que tá, né? Seguir alguma rede ou alguma coisa que confia, mas também não abrir tanto, porque senão gera mais insegurança e mais angústia ainda, né? Agora, eu gosto de falar daquela história das preliminares, né? Porque muito se foca na questão de que a preliminar é o pré-sexo, né? É um beijinho que você vai dar pra começar. E eu sempre falo que as preliminares começam do momento da última relação sexual até a próxima.
Nossa! Pera que isso é extremamente novo aqui, né? Pelo menos eu nunca tinha ouvido falar isso, Pera. Respira, gente, que agora vem um conhecimento novo. Não é só um minutinho antes. Como é que é?
Então, as preliminares começam da última relação sexual até a próxima. Todos os dias que fizeram parte deste momento são preliminares, que vão encher ou esvaziar o copo do desejo. Portanto, o que a gente tá fazendo e o que o casal e o que o companheiro e a gente mesmo tem feito para encher esse copo ou tem feito para esvaziar esse copo. E aí a gente vai lembrar que esse copo não é feito de coisas relacionadas de sexo. Ele é feito de tudo. Então assim, da minha linguagem do amor, se ela tá sendo falada ou não, se eu tô sendo compreensivo, com os momentos da minha esposa ou não. Se eu tô ali ajudando nas tarefas ou nas coisas, sei lá, não importa, porque o que enche o copo do desejo pra cada um é diferente. Mas então é muito importante a gente entender que o que eu tô fazendo nesse meio do caminho vai ajudar ou atrapalhar. E não só cobrar lá na hora do tipo, ô, e aí? A gente não transa há um mês. Ou veio começar a beijar o pescoço, já pegou no peito e aí a mulher fala, nossa, não tô legal. Ah, mas você nunca quer. Calma lá. O que é que vocês têm feito antes pra encher, pra que na hora desse beijo e desse peito ela já esteja com o copo, opa, que gostoso. Então acho que isso é uma coisa que os casais também precisam lembrar. O que eu faço no dia a dia, o meu dia a dia, a forma como eu acordo, a forma como a gente vai dormir, se a gente se dá beijo, se a gente se abraça, se a gente tem momentos de qualidade, se a gente tem momentos só os dois, tudo isso vai contribuir ou atrapalhar. Se a gente tá discutindo no dia a dia por uma coisinha ou outra, até discussões bestas, discussões até desnecessárias e tal, pode estar furando o copo do desejo. Porque eu costumo dizer que o tanque do amor e o copo do desejo tem correlação direta. Então, se essa mulher ou esse homem não estão se sentindo amados, valorizados e não sei o quê, a chance de impactar no desejo é gigante.
Vamos lá, temos 18 minutos para justificar o que é tanque do amor e copo do desejo, Paula.
Então, tanque do amor é um conceito do Gary Chapman, que cunhou essa ideia das cinco linguagens do amor. Então ele diz que todos nós temos um tanque de amor, que quando a nossa linguagem é falada, a gente tem cinco linguagens, a gente tem todas, mas a gente tem aquelas que são as que a gente mais se sente amada. Se essa linguagem tá sendo falada, o meu tanque se enche. Se essa linguagem não tá sendo falada, o meu tanque se esvazia. Então todo mundo tem esse tanque de amor, um tanque emocional. E a gente tem também o que eu chamo de copo do desejo. Aí não tem cunhado nada, é uma metáfora que eu uso. Então o copo do desejo é ali um lugar que a gente tem onde tá o nosso desejo. Que coisas vão fazer esse copo se encher? Então como se eu fosse colocar água nele toda vez ali. E tem coisas que fazem um furo ou um rombo nesse copo. Então por exemplo, tem gente que brigas e discussões, é um rombo no copo do desejo. Porque a pessoa fica ressentida, fica magoada, fica triste, fica com raiva. Porque o sexo nada mais é do que um momento de entrega. Eu me entrego por inteiro praquele momento e praquela pessoa. Se eu tô ressentido, como é que eu vou me entregar?
Com certeza.
Então essa é a ideia do copo do desejo, que todo mundo tem também. Cada um tem o que enche e o que esvazia, então a gente precisa saber e aí vale pensar, por exemplo, três relações sexuais que foram muito boas na sua vida. Olha como é que foi o dia daquela relação, como é que você tava com aquela pessoa, como foi durante, como foi depois, ou seja, tudo. Não só o momento do sexo. E vai começando a listar ali o que você percebeu que tem em comum, que são coisas que enchem. E pega três experiências ruins também. Como tava o dia, como tava antes, como foi a relação, como foi depois. E começa a construir ali o que esvazia o teu copo do desejo. Então quando eu não tô me sentindo amado, tanque do amor, não tô me sentindo amado, a chance do meu copo do desejo ou de eu querer me entregar pro outro é muito pequena. Então a gente volta, as preliminares são do momento da última relação até a próxima. E aí cada pessoa e cada casal vai falar o que eu tenho feito.
Adorei. Gente, então vamos repetir. As preliminares não são minutinhos antes. Elas acontecem da última relação até o início da próxima.
Exatamente. Principalmente no caso das mulheres que têm uma educação diferente, uma educação sexual mais repressora, que o sexo tem que sempre vir com amor, que ele não é prioridade na vida dela. principalmente pra ela, que normalmente a cabeça não está focada nisso. E ela não é tão visual quanto o homem pra ter estímulos o tempo inteiro. Então, mais ainda pra ela, esse todo antes, essa construção vai fazer que essa coisa role ou não.
Natural, sem ser por obrigação.
Exatamente.
Você ouve muito nas suas consultas, não vou falar no seu consultório não, porque são consultas agora digitais.
É, eu montei um consultorinho aqui, mas é tudo digital, né?
Tudo digital, tá lindo. Você ouve, então, casais falando sobre obrigação. Você acha que muitas mulheres, ou até homens, acabam fazendo por obrigação?
Muito, muito. Por essa coisa, faz tempo. Nossa, eu devia comparecer. No caso das mulheres, uma questão mais dessa coisa assim... Ah, se eu não comparecer, vai buscar fora. Ah, porque o homem precisa. Ah, porque já faz muito tempo. Ah, porque ele já me procurou várias vezes e eu neguei, então eu tenho que fazer e tal. Os homens também, mas naquela coisa da performance de desempenho. Homem que é homem é máquina de sexo, tem vontade o tempo todo, a toda hora. Então ele não tá com vontade, ele dorme, ele não sei que, a mulher até procurou e ele não quis. Puta, isso não pode acontecer. o que tá acontecendo comigo e não sei o que lá. Então é muito comum essa pressão assim, essa cobrança do deveria. E que a gente tem essa ditadura do sexo, né, que é meio que a sociedade, as mídias dizendo que tem que transar tantas vezes por semana, tem que ter orgasmos múltiplos, tem que não sei o que, não tem que nada. Não tem que nada.
O Paulo, a gente tem um pouquinho mais de 10 minutos e esses dias eu vi uma publicação de um jornalista que eu gosto muito, do Rick, e ele dizia assim, se você está vivendo no Brasil com medo do desemprego, uma coisa assim, se você está vivendo no Brasil com medo do desemprego, perdeu alguém de Covid próximo, está com medo e ainda continua com tesão, Então, onde eu quero chegar? Hoje mesmo, eu tava fazendo a Rádio Bandeirante de manhã, a gente fez um giro de notícias por várias capitais e a situação lá tá muito densa, muito tensa, não é? Como você falou, todo mundo tem uma regra, um certo, um errado, então são muitas discussões ao mesmo tempo. Bom, tudo isso a gente já sabe que interfere na saúde mental E aí, quando eu acabei de fazer o jornal, eu ainda falei pro Thiago, eu falei assim, Thi, a gente precisa ser mais gentil com a gente, com menos cobrança Porque é claro que existe o medo do desemprego, como é que eu vou pagar as contas, meu Deus, eu vou pegar o vírus, não vou E aí tem outras cobranças também, porque eu também tenho que estar bem no relacionamento, eu também tenho que estar bem com o meu corpo, eu também tenho que estar com o meu... Calma, porque o momento pede muita calma. Porque se a gente começar a se cobrar por ter uma frequência sexual, como numa vida de solteiro, ter uma vontade X, como antes da gravidez, a gente esquece.
Como antes de uma pandemia, né?
É. Então, acho que eu queria partir pra conclusão dizendo o seguinte, tente ser mais gentil com você. Tem que ser mais no geral. E isso com certeza vai contribuir para não só o sexo, mas como todo o amor que pode envolver o sexo. E a gente tem se cobrado demais. A gente sempre se cobrou. E agora, então, tá muito mais denso, não tá, Paula?
Tá. E eu acho que isso que você falou é muito importante desse ser gentil com a gente mesmo, porque normalmente a gente é muito mais autocrítico com a gente do que com os outros. Então, sei lá, se uma amiga sua viesse te falar, nossa, não tô com desejo, não tô conseguindo e a gente tá se desentendendo um pouco, não sei o quê, muito provavelmente você diria assim, calma, cês tão numa pandemia, cês tão não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê. Calma! Não é assim, não sei o quê. Mas com a gente não, né? Não, mas como assim? Como é que tá desse jeito? Como é que vai ficar depois? E deveria estar comparecendo, porque não sei o quê. Então, o que você diria pra uma pessoa que você ama? Que você considera? E normalmente traz esse conselho pra você. Porque ele vai ser muito mais gentil.
Você sabe, Paula, que eu achei que a nossa live ia bombar de perguntas, a nossa live. É engraçado como as pessoas não conseguem compreender, né, o Alexandre. Que sentido fazer uma live e bloquear a caixa de perguntas? Não, a caixa de perguntas está super aberta. Eu só não estou colocando perguntas porque não estão surgindo perguntas. Eu não estou deixando os comentários habilitados no rosto da Paula porque ela investiu tempo e tá toda linda, então eu preciso deixá-la aqui. Então, se você tiver alguma dúvida em relação ao sexo durante a gravidez, pós-parto, né, o puerpério, né, puerpérios. Aproveite aqui uns nove minutinhos, mas esse... Esse canal aqui é aberto, realmente, pra gente poder tirar o maior número de dúvidas. Paula, o que você diria, então, para aqueles casais que estão gestando como nós, estão passando por todos esses desafios, e é uma gestação muito louca pra nós, né? Porque andar com a máscara grávida, fazer exercício físico grávido, Não dá nem pra explicar. Então, assim, a gente tá tendo que despender muita energia pra fazer o que faríamos naturalmente antes. Então, acho que esse período, olha... E.
Até a própria questão de não poder estar com as pessoas que você ama. Então você tem que fazer alguns filtros ali, estar com pouquíssimas pessoas. Então essa fase de realmente não poder estar com os amigos, não poder estar compartilhando tanto esse momento, não sei o que. Pra quem é, valoriza muito família e amizade. Tem esse sofrimento a mais nesse sentido? Claro que a gente tem a tecnologia e tal, mas é diferente de alguma forma também. passar por tudo isso. Eu lembro que eu sempre quis, né? Eu sempre achei mulher grávida a coisa mais linda do mundo E eu me imaginava no consultório com o meu barrigão, atendendo, dando aula lá na pós-atendida Ninguém vê agora, eu dou aula online aqui, ninguém vê o barrigão, nenhum dos meus pacientes Mas é tudo bem, né? A gente tem que trabalhar a aceitação. E, ao mesmo tempo, você fala, como eu tô pensando isso com tudo que tá acontecendo, com pessoas morrendo, com as coisas... Que é a coisa do dúvida. Falaram, nossa, que absurdo, que egoísta pensar assim. Então, é tudo isso que a gente tá tendo que lidar também, né?
Sim, é por isso que é tão importante a gente trazer que a gente se reconhece na dor do outro e da outra, né Paula? E se a gente fala da impressão que só você tá passando por essas angústias, por esse perrengue todo e não. Aproveitando aqui, a Silvia está dizendo, na menopausa e tudo isso que está acontecendo, não dá vontade. Então, como que é o sexo agora na menopausa, Paula? A mulher precisa de reposição, precisa também desse estímulo para o corpo do desejo, como é?
Isso aí também vai precisar conversar com o médico pra ver se essa mulher pode fazer reposição, se ela tem indicação de fazer, porque tem alguns fatores que podem atrapalhar, como câncer na família, algumas questões nesse sentido. Tem hormônios aí que estão realmente prejudicando muitas vezes a libido, prejudicando a lubrificação, coisas nesse sentido. Mas eu costumo dizer que é como se fosse uma pizza pra todo mundo. Então a parte física, hormonal, fisiológica tem parcelas, tem pedaços dessa pizza. Mas normalmente não é toda. Na grande maioria das vezes ela pega algumas partes, mas tem todo o resto emocional, social, do relacionamento, das minhas crenças e tudo mais. Então se a parte física, fisiológica tá atrapalhando, eu vou ver o que eu posso fazer com isso. Mas vamos supor que eu não posso fazer reposição e a parte da menopausa tá atrapalhando e tal. Eu vou ter que suprir mais as outras fatias. Então eu vou ter que suprir mais a parte de mais namoro, mais dedicação às preliminares aquela, né? Do início ao fim, do tanque do amor. Então eu vou ter que suprir mais os outros fatores para que não pese tanto essa parte física hormonal de alguma forma. E às vezes adaptações, então por exemplo o uso de lubrificante, a base de água e aí no caso da mulher também, porque também pode às vezes dar uma diminuída na lubrificação, principalmente pós-parta. Com também a prolactina e tal. Então deixa o lubrificante do lado. Ali tá tudo bem, tá tudo certo. Então a gente também pode fazer coisas que nos ajudem. Testar novas posições, novos jeitos, lembrar que o corpo inteiro é erótico. Então dá pra gente buscar essas alternativas aí. Tem uma live minha na minha página, que é justamente o que pode atrapalhar o sexo. E aí foi uma live que eu fiz sozinha, primeira vez, que eu listei tudo que interfere na vida sexual. Então quem tá falando, ah, eu tô com baixa de desejo, ou não tô conseguindo ter ereção, ou ejaculação rápida, ou não tô conseguindo ter orgasmo, vai lá, faz o seu checklist e vê o que é que pode tá te atrapalhando.
Perfeito. A página da Paula é arroba sexplicando. Tá aqui em cima. Aqui o meu nome sexplicando. Paula, essa pergunta é tão interessante e posso falar sobre a minha linguagem do amor com o meu parceiro?
Pode e deve falar. Deve falar. Isso é muito importante. Eu digo que as linguagens do amor são quase mágicas. Não é mágica porque você precisa de dedicação pra ela. Mas ela muda um relacionamento. E relacionamento de casal, relacionamento familiar, de amigos e tudo mais. Então sim, vale muito a pena. Quem puder ler o livro As 5 Linguagens do Amor, do Gary Chapman, vale muito a pena. Tem na minha página também lives sobre as linguagens do amor e tal. Mas é muito importante a gente descobrir qual é a nossa ordem das linguagens do amor e a do nosso parceiro ou da nossa parceira também. Ou de alguém que às vezes o relacionamento não tá muito legal. Às vezes da família, com amigos, alguma coisa assim. Porque pode ser isso. Eu tô demonstrando o meu amor de uma forma A outra pessoa não sente aquela forma como amor. Ela também demonstra o amor, mas eu também não sinto. Então é só uma falta de comunicação do amor. É uma falha de comunicação desse amor. E aí, a partir do momento em que a gente descobre que temos linguagens de amor diferentes, que tudo bem. Só que eu vou precisar aprender a falar a linguagem do amor um do outro. Se é que eu amo e quero demonstrar da maneira que a pessoa sente. E aí a pergunta que vem é, mas vai ser manipulação, vai ser falso, vai ser não sei o que e tal. Pelo contrário. Não é a tua linguagem. Não é o teu natural. Você tá se dedicando a aprender a falar erro. Isso por si só já é uma prova de amor.
Perfeito, adorei. Então, Lamora, está aí então a resposta para a sua pergunta e depois vá lá na página da Paula se explicando, tem um monte de conteúdo bem interessante. Paula, para finalizar então, vou de novo falar as três palavrinhas mágicas que são fundamentais não só durante uma gestação para um casal, mas a relação inteira. Respeito, paciência e diálogo. Acho que vale a pena também a gente trazer a história do tentar e experimentar. Porque se a gente também não tentar uma comunicação diferente, experimentar uma situação diferente, nós vamos ficar com aquilo que a gente conhece. Que nem as relações finais, minha querida.
Nossa, é um prazer estar aqui de novo com você nesse momento tão especial nosso. Bom, eu diria isso assim, a gente tem que ter um equilíbrio, uma sutileza ali, um cuidado com os sentimentos um do outro. ou olhar pra si com esse respeito, com esse amor, entender que cada um é único e vai passar de determinada forma. E vai lá, pede, você precisa de ajuda, você tá bem. Não só perguntando do bebê, perguntando dessa mãe também, desse pai, desse casal. Mas esse momento eu acho que de união, de cumplicidade, que podem ter suas dificuldades e desentendimentos e dúvidas, angústias, mas que a gente vai passar, que vai dar tudo certo e que juntos vai ser mais fácil passar por tudo isso e mais gostoso também.
Perfeito. Paula, adorei. Muito obrigada. Boa hora pra você.
Obrigada, obrigada.
Que a Luna chegue linda, tranquila e trazendo muita alegria pra você e pro seu marido.
Isso mesmo. Digo mesmo, não digo ainda de boa hora, porque tem tempo da Angelina ir aí dentro, curtir, se preparar, mas que você continue passando muito bem.
Obrigada, Paula. Um beijo, então, para você que nos acompanhou também. Muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Se fez sentido o que nós falamos, se você conhece alguém que pode aproveitar esse conteúdo, também encaminhe aqui a nossa live. Paula, um beijo. Até breve.
Tchau, tchau. Beijo.
Boa noite pra você, bom fim de semana e semana que vem tem o Dia Internacional da Mulher, dia 8 de março. Observe quais são as mulheres que fazem parte da sua vida, como você está cuidando dessas mulheres, como você está tratando essas mulheres. Se é com o mesmo carinho que você gostaria também que você fosse cuidado ou cuidada, pense nisso, tá? Não são objetos que vão transformar um sentimento, e ações com persistência, com respeito, como a Paula falou, com bastante diálogo também, e paciência. Paciência sempre, mas tem momentos em que ela é mais necessária, então pense nisso. E se você ainda não consegue nada disso, tenta. Experimenta. Tá certo? Bom fim de semana pra você. Até breve.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








