Solidão é uma escolha? LIVE com o Palestrante em desenvolvimento socioambiental Celso Grecco

Isabela Camargo talks with Celso Grecco about whether loneliness is a choice. They discuss how it affects mental health, the importance of social connections, and Grecco's research on combating societal indifference.
Chapters
Olá, boa noite. Fixando aqui o nosso tema de hoje. Vocês já estão chegando, sejam muito bem-vindos. Obrigada por estarem aqui, com tantas coisas acontecendo. Com tantas lives sendo desenvolvidas de forma muito importante, inclusive para todos nós, vocês que escolheram estar aqui, eu espero que seja um tempo muito útil e que vocês aproveitem muito o conteúdo que eu trouxe com muito carinho para compartilharmos e pensarmos juntos. Hoje nós vamos falar sobre solidão. Se a solidão é uma escolha, o que ela provoca em nós, quais são os fatores que nos levam a procurar a solidão, se ela é voluntária, se ela é involuntária e o que ela causa em toda a sociedade. Quem me sugeriu esse tema foi o Celso Greco. Ele atua como consultor e palestrante em desenvolvimento socioambiental. E o Celso, ele é autor também deste livro, A Decisão de que o Mundo Precisa, em que ele apresenta sete caminhos pra gente sair da indiferença e fazer algo pelo futuro da nossa sociedade. Então, esse livro que o Celso publicou há pouco tempo pela Editora Gente tem tudo a ver com o que nós vamos falar sobre solidão. Eu vou dividir já a tela aqui com ele. E nós vamos, então, continuar agora com todos vocês. Enviem dúvidas, mandem um alô, um feedback, tudo é muito bem-vindo. Oi, Celso.
Oi, boa noite. Tudo bom?
Tudo bem, querido?
Tudo ótimo.
Obrigada por ter aceitado o meu convite e dividir uma hora do seu tempo aqui conosco.
Eu que agradeço pelo espaço. Tomara que a gente faça uma boa conversa para todo mundo que está nos ouvindo, nos assistindo.
Com certeza será. Celso, eu disse aqui que você é consultor, atua como consultor e palestrante há mais de 20 anos em desenvolvimento socioambiental Esse, na verdade, é um resumo de tudo que você faz Mas você é um cara que olha para o mundo, é do mundo e conecta as boas pessoas do mundo, é isso?
É isso, eu costumo dizer que eu tenho a melhor profissão, a melhor atividade do mundo Porque eu sou pago para encontrar gente do bem fazendo coisa boa, não tem coisa melhor do que isso O que eu faço é ajudar empresas e famílias que têm bosses e que querem engajar uma causa, uma ONG ou colaborar de uma forma com impacto organizado e importante na construção de uma sociedade mais justa e eu as conecto com organizações sociais que eu conheço, faço isso no Brasil, faço isso no mundo Então eu sou um privilegiado porque é isso, elas me pagam pra eu viajar e descobrir gente do bem fazendo coisa boa e que resolva problemas sociais e ambientais.
Bom, só isso é uma live, né? É uma live. Mas eu queria começar, Celso, ouvindo você, sobre o livro que você lançou há pouco tempo, que se chama Decisão de que o mundo precisa. Você tem sete caminhos para a gente sair da indiferença e fazer algo pelo futuro da nossa sociedade. Eu não sei o que te motivou, tá? Até que gostaria que você compartilhasse aqui conosco. Mas tem uma parte aqui que me chamou demais a atenção. E, além do que te motivou, eu queria perguntar quando você escreve que o egoísmo pode ser também um dos maiores gestos humanos de solidariedade. Eu fiquei confusa com essa afirmação. Então, volta pra lá.
Essa afirmação vem a uma certa altura do livro em que eu digo o seguinte, se a gente não cuidar do outro, a gente não vai se cuidar. E ela passa por... Isso não é uma afirmação filosófica, ela não é apenas um sentimento ou uma convicção que eu desenvolvi ao longo desses anos. A ciência explica isso. Então, a uma certa altura do livro, eu coloco ali uma experiência na Inglaterra que criou o Ministério da Solidão. O Ministério da Solidão é um órgão de governo, não é um nome fantasia. Foi criado durante o mandato da Teresa May, que era a primeira ministra. e a partir de um dado de que 15% da sociedade inglesa se sentia muito solitária. Não estou falando de velhinhos abandonados em casa, pessoas comuns como a gente que trabalham, que têm vida, mas que se sentiam solitários. Se sentindo solitários desenvolviam doenças. E aí tem uma experiência que o governo faz junto a um hospital do interior da Inglaterra E tem uma síntese muito bonita e muito interessante da médica diretora desse hospital, que ela diz o seguinte. Desde os tempos pré-históricos, a sociedade se desenvolveu em grupos, em comunidades, em bandos, como era nos tempos pré-históricos. Toda vez que eu estava sozinho, o que o meu cérebro entendia era, o predador vai me atacar, ele pode me atacar. Exatamente. Quando a gente se protege. Sozinho eu estou exposto ao predador. Então o nosso cérebro sempre desenvolveu, desde os tempos pré-históricos até hoje, o cortisol como um hormônio de nos manter em um estado de hipervigilância. Já que eu tenho alguém que pode me atacar. O que significa também que o cortisol é o hormônio do estresse. Então quando eu tenho esse sentimento de que eu estou sozinho, eu vivo e fico estressado. Quando eu me conecto com os outros e presto atenção e sou empático, me envolvo em programas de solidariedade ou percebo que existe uma comunidade a qual eu pertenço, isso melhora a minha saúde física, mental, espiritual. A mesma conclusão é que chegou uma pesquisa de Harvard, que eu trago também no livro, uma pesquisa que é a mais longa pesquisa já feita na história das pesquisas. São 82 anos observando o mesmo grupo de pessoas. 82 anos atrás, em 1938, a pergunta era o que é que assegura uma saúde mental, uma saúde física e, em última instância, felicidade? O que nos torna felizes? Resposta que vem sendo confirmada ao longo de 82 anos. Nos conectarmos uns com os outros. Então pessoas solitárias sofrem, pessoas que se conectam têm mais capacidade de serem mais felizes e mais saudáveis.
Celso, isso é um paradoxo porque esses dados que você traz no livro e você repetiu aqui, eles são chocantes, mas a gente vive justamente uma era hiperconectada e dados totalmente desconectados. Então, eu vejo aqui tantas controvérsias que a gente precisa realmente, sabe, colocar todo mundo na mesma página. Porque nunca estivemos tão conectados, mas tão desconectados um dos maiores gestos humanos de solidariedade. E tem uma outra parte que você fala assim, né? A gente concorda com muitos problemas complexos, mas a gente tem dificuldade em fazer algo a respeito. E para finalizar aqui esse raciocínio, para eu passar a palavra para você, é o seguinte, a gente alimenta a ideia do bem-estar coletivo, Mas a gente cuida e pensa apenas no bem-estar pessoal. Só que aí, Celso, olha a provocação. Eu tenho falado nos últimos meses que é sobre o autocuidado. O número gigantesco de pessoas que estão em desequilíbrio mental, por conta de vários excessos e faltas, é porque não se cuidam. Ou seja, essas pessoas estão distraídas. Você não tá cuidando nem de si, nem do próprio, nem de ninguém. É isso?
É isso, sim. É bem isso. Porque o egoísmo do qual eu falo no livro A pessoa que é inteligente, ou seja, está preocupada em se preservar, vai cuidar do outro. Um pouco a pandemia está mostrando isso. Então, se a gente quiser se preservar como sociedade, eu preciso entender que eu preciso apoiar quem não tem condições. Quando eu fico em casa e uso máscara, eu estou protegendo a mim, mas eu também estou protegendo os outros. Então, tem coisas que a gente ainda vinha perdendo ao longo do... muitos anos em que a gente vem se desenvolvendo como sociedade. É uma sociedade que, sim, ela prega a autossuficiência, ela prega um culto ao individualismo, ela prega uma série de coisas que nos levam a estados de estresse enormes. As redes sociais são curiosas porque elas cumprem uma função de nos conectarmos ou de darmos uma sensação de conexão. Mas ela, ao mesmo tempo, ela me isola porque eu posso ser o personagem que eu quiser, eu posso buscar uma interação de uma forma extremamente controlada que não me incomode. Então é como se a gente criasse um mundo paralelo. Quando o nosso cérebro, de novo, não vai entender isso. O que ele vai entender são as conexões humanas, é o abraço. é a conversa, é o olho no olho. Eu me lembro quando a gente estava fazendo a parte da entrevista com os especialistas para essa pesquisa, a diretora da pesquisa, numa conversa, ouviu uma coisa chocante e depois ela foi se confirmando. uma preocupação de pedagogos, de neuropsiquiatras, neuropediatras com uma geração de crianças que já crescem tão ligadas na tela do celular que elas começam a demonstrar uma certa dificuldade em interpretar emoções humanas. Então eu olho pra sua cara e eu não sei se essa expressão tá sendo de censura, Eu não aprendi, eu tô perdendo esse contato em que eu posso interagir e entender o seu sentimento Isso como sociedade não pode dar certo Essas pessoas não vão ser felizes, a gente não vai ser uma boa sociedade no futuro As redes sociais têm essa dinâmica, eu vou chamar assim, nem defeito, nem qualidade, mas é uma dinâmica.
Também vou entrar na sua pesquisa sobre a solidão E as redes sociais acabam sendo um dos fatores que levam a esse estado de solidão Mas veja como essas conversas são importantes, Celso Você disse, as redes sociais e todo o nosso modelo de vida nos mostra que podemos ser autosuficientes Mas vivemos num mundo digital com a cabeça na lógica O nosso corpo ainda é da pré-história Ou seja, você vê que é um embate 24 horas. Então, ao mesmo tempo em que eu tenho que ser forte, eu ouço uma mensagem que eu preciso mostrar fragilidade. Aí, no outro lugar, se eu mostrar fragilidade, eu perco pontos. Eu sou autossuficiente, mas eu preciso conviver em sociedade. Eu preciso ser ativo.
É uma preocupação enorme que a gente tem com o julgamento. Ela é válida, sim, as pessoas vão te julgar. Você vai ser julgado no seu ambiente de trabalho, nos seus círculos sociais. Estamos sendo julgados aqui neste momento, nesta live. Ok, isso é da natureza humana. A gente o tempo inteiro vai fazer isso. Mas a maneira como você lide com isso é que vai trazer todo o resto. Quando eu falo de redes sociais, a gente tende muito a culpar as redes sociais. Para mim é assim, é tentar culpar o carteiro pelo conteúdo da carta. Então, as redes sociais, o que elas estão fazendo? Elas estão permitindo que numa situação de pandemia Está todo mundo em casa, tem gente assistindo a gente Que pode participar dessa conversa com perguntas e nós vamos responder Ou que pode assistir um show ou que pode reconectar ou enfim, com família e mandar mensagens, tem um lado fantástico das redes sociais. Então, não dá pra demonizar que bom que nós temos e que ótimo que a internet está cada vez melhor e que a gente antes tinha cinco pessoas na conversa, hoje pode ter duzentas numa live no Zoom, cinquenta no WhatsApp. Isso é ótimo. Agora, quando a gente começa a demonizar e dizer que a culpa é da rede social, não. Você tá culpando um carteiro que só tá entregando cada vez mais e melhor uma carta. Qual é o conteúdo? Como é que você lida? Que cartas você escreve? Então eu acho que é um pouco.
A reflexão a fazer É responsabilidade que está aqui com esse dedinho, autogerenciamento, não.
É autocontrole E de tempo, especialmente. Porque, sim, tem uma carga enorme de tempo em rede social. É muito confortável, muito confortável. Porque é um momento... Eu posso estar diante de 200 pessoas, mas eu estou sozinho. E Jung tem uma frase que eu peguei pelo caminho que fala assim, a solidão é perigosa e ela é viciante. Quando você se dá conta da paz que existe nela, não quer mais lidar com as pessoas. E um guia? Num tempo que não existia internet, num tempo que não existiam redes sociais. Porque é um controle. A hora que eu me encher, eu desligo. Eu mudo a página, eu saio.
Ou quando a gente traz do passado conclusões ou reflexões que fazem tão sentido, porque mostra que a gente só está vendo uma evolução daquilo que já perturbou a humanidade tempos atrás.
E a gente está vendo uma evolução do externo, né? Porque se diz assim, nós ainda somos seres dotados de espírito, de vontade, de dores, de sofrimento. Isso não muda. Isso não muda. Muda o mundo. Mas nós temos um princípio que nos rege e que ele é biológico. Para quem não acredita em mais nada, ele é biológico. Para quem acredita um pouquinho mais, ele também é espiritual. Se você combinar os dois, se você ficar só com um ou com o outro, o princípio é o mesmo. Então é atrás disso que eu tenho também andado. Eu falo no meu livro de inteligência espiritual, que não tem a ver com religião. Mas eu falo de pessoas que demonstram uma inteligência, e eu faço uma comparação cuidadosa com a inteligência emocional. Eu acho extremamente importante a inteligência emocional, mas ela diz respeito à minha capacidade de me levantar, à minha capacidade de resiliência, diz respeito à minha capacidade de fazer leituras da sociedade, saber como eu me comporto, Nesses tempos, e eu não falo de pandemia, eu falo nesses tempos, nesse século, pra mim ela é mais necessária. Não é que ela é mais importante, ela é mais necessária. Porque tudo isso é bom, mas se eu tenho o sentimento de que eu pertenço a uma comunidade, de que não estamos isolados, e no livro eu trago isso de novo, não só a partir de visões dos meus 20 anos fazendo exclusivamente isso. relatório do Fórum Econômico Mundial em Davos, que aponta algo semelhante nesse isolamento. Então, se a gente não traz esse conceito... mundo esquisito, que a gente critica e se sente impotente e acha que não pode fazer nada. Por isso que eu também escrevi o livro.
Perfeito. Acho que tudo o que você viu e vê, né, Celso, com todas essas conexões que você faz, o conteúdo é fantástico. Eu já vou partir pra pesquisa, mas eu recomendo demais a decisão de que o mundo precisa da Editora Gente. Você fala sobre sete caminhos pra gente sair da indiferença. Eu vou guardar... esses sete caminhos pra você dizer já já, tá? Tá bom. E aí eu queria só finalizar aqui uma parte do livro, quando você diz, né, é na relação com o outro que a nossa vitalidade, motivação, energia se abastece e nos inova. Tem o Ikigai, no Japão, numa ilha chamada Okinawa, você já deve ter... não gosto de ir numa olhada, mas tem um documentário chamado Happy, e lá eles mostram o que é o Ikigai, essa energia vital que motiva, entusiasma, e lá mostra por que os moradores vivem muitos anos e por que eles estão saudáveis. Por que é que a pessoa tá saudável, né? Porque vive em comunidade e um preocupado e contribuindo com o outro. É fantástico. Na hora que eu li, essa hora já me lembrou do Itigai. O Celso, agora é o seguinte. Essa conversa, ela é riquíssima. Eu tenho muitas perguntas. Acredito que eu vou ficar até com mais dúvida depois, mas eu vou tentar, então, aqui, organizar. o nosso assunto, porque quando você me comentou sobre a pesquisa sobre solidão, que você realizou com mais de 2.500 pessoas, eu fiquei realmente impressionada com o que eu vi, é isso que eu gostaria então de compartilhar aqui com mais pessoas, porque eu nunca tinha olhado para solidão como uma doença. E aí eu não sei se ela é uma doença ou, como você disse, se ela provoca doenças em pessoas solitárias. Vamos começar por aqui. Solidão é uma doença ou não?
Como eu não sou médico, eu não vou dizer se ela é doença ou não. Mas eu posso dizer o que as pessoas pesquisadas disseram. As pessoas dizem que é uma doença. Então eu vou perguntar para a medicina se a solidão é uma doença. Depressão é, mas as pessoas associam solidão a dor e sofrimento. Então elas dizem que é uma doença ter esse negócio. Eu me sinto doente.
E depressão e solidão andam juntas.
Andam juntas e você não sabe quem... E retroalimentam, né? Porque depressão leva à solidão, solidão leva à depressão. Então eu não sei quem veio primeiro, mas as duas se combinam e são irmãs gêmeas. Elas se dão muitíssimo bem.
Eu achei curioso quando você falou que pessoas solitárias desenvolvem mais doenças, porque a depressão, assim como a ansiedade, até o próprio burnout, o diagnóstico é uma coisa, mas o que acontece em torno desse diagnóstico é infinito.
É infinito. A gente conseguiu na pesquisa identificar o que chamamos de seis espectros da solidão. Provavelmente há mais, mas esses seis espectros foram aqueles que foram sendo trazidos pelas pessoas interessadas. Nós tivemos dois momentos, ou vou dizer três momentos, nessa pesquisa. O primeiro momento foi... Bom, essa pesquisa nunca havia sido feita no Brasil, então não se tinha esses dados. Isso existe nos Estados Unidos, isso existe na Inglaterra, outros países andam falando disso, África do Sul. Eu tive alguns contatos internacionais dizendo, estou sabendo que você está fazendo uma pesquisa, então estou muito curioso em saber porque nós fizemos aqui. E a revista super interessante, acho que numa edição de outubro ou novembro, fala da epidemia da solidão. Já tem esse termo. Esse termo também está colocado desde outros países. E a matéria inteira traz os dados que eu tenho também, que são de outros países. Esse tema é um grande pano de fundo. Eu entrei em Harvard, na Inglaterra, na Suíça, no Fórum Econômico de Davos, e eu acabei resolvendo empreender essa pesquisa. Eu queria tratar dela, mas eu queria tratar com toda a seriedade possível para dizer o dado que nós temos, não sendo uma pesquisa médica, é uma pesquisa comportamental, mas ela foi feita com todo o rigor técnico. Então, essa pesquisa teve uma diretora, que é a Marisa Zampol, é uma profissional de pesquisa de longuíssima experiência em pesquisas comportamentais. Essa é a equipe. Teve o Instituto Opinião, que é um instituto também um dos 20 maiores do país, também capacitado em pesquisas comportamentais, e um sociólogo, o Nicola Raggio, e uma profissional de saúde, Rosa Noronha. Essa foi a equipe que eu montei para, inicialmente, fazermos conversas com especialistas. Então, nós fomos conversar com neuropsiquiatras, neuropediatras, psicólogos e saber assim, escuta, existe uma coisa, solidão? Qual é a diferença de solidão e depressão? E eles começaram a dizer, existe. A gente percebeu no consultório. Então, eles foram nos dando as pistas daquilo que depois se tornou. Uma entrevista em profundidade com cerca de 50 pessoas. e depois, para confirmar aquilo que nós encontrávamos, essa pesquisa nacional, cinco regiões do país, Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro-Oeste, e aí 2.500 pessoas. Então, em conjunto, a gente encontrou e confirmou aquilo que a gente chamou de seis espectros da solidão. Tem um sétimo que surge agora já por dedução, nesses tempos de pandemia, Nós estamos debruçados agora na questão o quanto que esse isolamento compulsório afeta, potencializa ou não aquilo que já vinha como um dado histórico de sociedade. E eu quase chego a afirmar que nós podemos dizer que estamos muito próximos da curva que fez com que a Inglaterra criasse o Ministério da Solidão. Lá com 15% da população se declarando solitária, eles criaram. No Brasil a gente chega a quase 14% da população que a gente entrevistou se declarando solitária.
Celso, eu já vou continuar, deixa eu só responder aqui duas questões e até já avisar que eventualmente eu vou tirando os comentários e eu dei os comentários para que a nossa audiência, para quem está aqui nos acompanhando, veja ao seu gosto, mas enquanto os comentários são aqui muito importantes para a gente conduzir, eu vou deixando e depois eu tiro. Primeiro eu tentei escanavar aquela pergunta se essa lábia é a mesma de ontem.
Não.
Ontem eu conversei com uma jovem do Corpo de Bombeiros de São Paulo falando sobre suicídio. Nós tivemos uma redução no número de suicídios e que uma pessoa que tenta suicídio não quer tirar a vida, ela quer tirar uma dor. Então nós precisamos falar sobre o assunto para que as pessoas procurem ajuda. Hoje nós estamos falando sobre solidão, sobre uma epidemia da solidão no mundo e já já nós vamos entender com o Celso o que isso provoca no todo nós. Nós somos o todo. A Carla pergunta assim, Celso, qual a definição de solidão que se formalizou após a pesquisa?
Olha Carla, eu diria o seguinte, nós não temos uma definição formal, mas quando a Isabela me chamou para fazer essa live e ela disse assim, a solidão é uma escolha, eu fiquei pensando muito no tema da live e aí eu poderia te dizer o seguinte, a solidão é uma escolha, essa é a minha convicção. O que acontece é o seguinte, como todas as escolhas, você tem escolhas conscientes e você tem escolhas inconscientes. Você tem boas escolhas e más escolhas. Quando você faz uma escolha consciente, eu acho que geralmente vai ser uma escolha saudável. Posso até não achar boa a sua escolha, mas por que ela é saudável? Porque você pensou, tomou a decisão e você quer se livrar de alguma coisa. Então você escolheu fazer aquilo. Existe uma solidão da escolha inconsciente, aquela que eu não dou conta de lidar com coisas que estão me pegando. Então quando eu vejo eu vou me afastando de um convívio, de uma sociedade. Então eu não consigo definir a solidão numa expressão única. É sempre assim, de qual solidão você tá falando? Aquela solidão de hoje eu não quero ver ninguém, eu quero ficar no meu canto quieto lendo um livro, assistindo uma live, ouvindo uma música. Isso é saúde mental, isso é dar um tempo que a Isabela tanto fala. Aquela solidão em que eu estou circulando, vendo pessoas e aí eu chego em casa e não me sinto adequado, não me sinto bem, me cobrei o dia todo e vou dormir me cobrando, perco horas de sono. Aí essa é complicada, porque ela não é uma solidão visível. A solidão visível é aquela em que você sai de cena e fala assim, eu vou ficar quieto no meu canto, deixa ela quieta no canto dela. A solidão invisível, essa é traiçoeira e ela é inconsciente.
Quando você fala de solidão invisível significa estar no meio de várias pessoas, mas não fazer parte de nada?
Não ter sentimento de pertencimento. Ou me sentir inadequado. Ou o tempo inteiro estar de olho na performance do outro porque eu preciso performar melhor. É maluco dizer isso, mas essas são formas de um egocentrismo e de uma coisa muito individualista. A pessoa pode ser extremamente articulada, simpática, mas ele não é um ser que agrega. Ele não é uma pessoa que consegue juntar, porque ele tá sempre disputando.
Ó, nós já vamos falar então sobre esses fatores que levam à solidão, mas eu entendo o seguinte, Celso, e aí eu quero passar pra você a palavra. No caso da depressão, a gente tem que tomar muito cuidado pra identificar o que é uma tristeza pontual e o que é um diagnóstico de depressão. Uma coisa é totalmente diferente da outra, certo? Na solidão, o que eu vejo? Tem momentos, com todo esse excesso de acessos que nós estamos vivendo, que eu preciso de um silêncio. Eu preciso ficar nem seja horas, algumas horas sozinha. Não quero estar com o meu marido, com os meus amigos, com a minha família, mas eu preciso também de um pouco desse tempo. Isso é diferente de solidão. Eu tenho uma ideia aqui de solidão, que é uma pessoa que evita o convívio, ela se fecha, e ela não quer conviver com nada nem ninguém, e aí eu já não sei. Como você falou, o que vem antes, a depressão ou a solidão? Que é o medo realmente de se expor, e ao se expor eu vou ser julgado. E a tristeza absoluta neste ser humano que prefere se isolar. É isso.
E quando eu me refiro a uma solidão, que eu vou chamar aqui de invisível, é porque são pessoas que podem estar trabalhando com você todos os dias. Todo dia de manhã você chega, cumprimenta, a pessoa te cumprimenta de volta. E aí você vai descobrir que, de repente, essa pessoa se sente solitária. Porque é sentimento, né? E você não tem como invadir a alma de alguém e saber o que está se passando ali. Então quando a pessoa se isola porque quis, porque falou eu preciso dar um tempo, que eu chamei aqui de uma solidão visível. Eu sei, eu tô entendendo esse movimento dela, ela me pediu. A solidão visível, ela não pede nada. Ela é uma pessoa que sofre em silêncio. E acho que isso dá uma depressão do caramba.
Visível e invisível. Ou seja, a solidão é voluntária. Ela não é involuntária.
Ela é voluntária. Ela é voluntária. Eu acho que ela é uma escolha. Mas, de novo, ela é consciente. Eu acho que ela talvez seja menos perigosa do que aquela em que, por falta de instrumentos, de recursos, ou por falta até de autoconhecimento e de percepção, eu fui me colocando numa condição. E aí sair sozinho de um problema onde você se mete, haja força Porque às vezes a gente não consegue sozinho.
Não consegue e precisa aceitar a pesquisa Reconhecer, aceitar, procurar ajuda Agora, Celso, tem aqui um comentário da Gisele que ela diz que a solidão é uma escolha Ok, mas às vezes, não principalmente a da velhice. O que que na pesquisa com essas 2.500 pessoas vocês identificaram? Existe um perfil que pode viver mais na sua solidão? E as pessoas que vão avançando nos calendários, elas podem sofrer mais na solidão?
Isso é curioso, Isabela, porque a gente esperava que o senso comum ia nos dizer isso. As pessoas envelhecem, se aposentam, vão se sentir inúteis, afastadas da sociedade, da importância. Ao contrário. Todos esses seis espectros da solidão que a gente identificou nas conversas com os especialistas, nas qualitativas, entrevistas em profundidade, que a gente expande para o Brasil inteiro, aparecem fortemente na faixa etária dos 18 aos 34 anos de idade. Isso é juventude. Então esse fenômeno a gente ainda vai ter que voltar nele e entender melhor. Porque quanto mais velho, menos eu apresento essas questões que estão mais presentes na juventude. É incrível porque você olha assim, os jovens vivem em bandos. Vivem, mas é como se fosse cada um dentro do seu mundo. Porque eles, ainda que vivendo em grupos, em bandos, eles vão respondendo positivamente a cada pergunta. Se você se sente inadequado, se você sente que você não tem importância, que você é irrelevante, que você tem uma certa invisibilidade social, eles vão dizendo sim, sim, sim. Foi o recorte da pesquisa, que foi uma pesquisa que pegou dos 18 aos 75, mas o recorte de 18 a 34 é onde esses números estão mais expressivos.
Me corrija se eu estiver errada, tá? Isso significa o seguinte, uma pessoa que passou dos 70, por mais que eu a veja com menos pessoas, ela pode não ser solitária, é isso? E uma pessoa que está arrumada com mais pessoas, ela pode, então, se sentir mais inadequada, impotente, é isso?
É, olha, pareceu que sim. Por isso que eu disse, a gente vai ter que voltar nesse recorte e investigar mais a fundo. Porque, inclusive, numa reunião com a diretora da pesquisa, nós chegamos a uma conclusão, como hipótese para ser investigada, que essa pandemia que nos coloca em isolamento, ela tem afetado mais os mais velhos. Eu acho que se você falar assim, quem está sofrendo mais com esse isolamento? As pessoas mais velhas. Mas quem sofre com solidão? Os mais jovens. Porque o isolamento vai passar. E quando passar, os mais velhos voltam a ter a convivência do jeito que eles administram. Os jovens vão continuar sendo o que eles são, atuando como eles atuam, trabalhando onde trabalham, fazendo o que fazem, frequentando universidades. Tem uma universidade, inclusive, sobre uma questão ética eu não vou citar, mas eu tenho conversado com eles, eles criaram um curso de felicidade. Eu dei uma aula lá, online, que já estava em pandemia. Por que eles criaram um curso de felicidade? É uma universidade no interior de São Paulo, grande, expressiva, Mas a quantidade de jovens que iam buscar o departamento de psicologia para pedir ajuda por automotivação, tentativa de suicídio, depressão... Não batia com o quadro, mas meu filho, você está numa universidade ótima, você vem de uma família boa, o que está acontecendo? Você tem amigos, você tem recursos para recorrer. Mas essas pessoas vinham buscar. Então isso a gente nem sabia ainda do resultado da pesquisa quando eu cruzei com essa situação. E eles criaram um curso e um programa de apoio para os jovens. Então eu acho que a gente começa a falar de uma epidemia da solidão no Brasil com propriedade e preocupação.
E o que essa epidemia de solidão, então, impacta a nossa sociedade Não, eu.
Cheguei na epidemia da solidão quando... porque a história do livro, assim, muito brevemente, toda vez que eu encontrava alguém num avião no aeroporto, num hotel de férias, e aí puxa assunto, o que você faz? Eu contava o que eu fazia, a pessoa dizia, nossa, que incrível, que bom, puxa, gente assim, adoraria, mas olha, não dá, é difícil, eu não tenho tempo, eu não tenho dinheiro, eu não tenho condições, admiro quem faça, mas eu não posso fazer. E aí aquilo me incomodava, porque eu dizia, tá bom, ok, você não precisa trabalhar, viver disso. Como eu vivo, talvez não haja mercado pra todo mundo, não seja seu talento, mas dá pra fazer alguma coisa. Ao mesmo tempo, eu via gente que cria ou administra organizações sociais, lidando com pobreza, meio ambiente, criança de rua, craque, chegando no burnout. Essas pessoas são esgotadas, porque elas dizem assim, eu não aguento mais. fazer o que eu faço e não ter apoio, não ter visibilidade. A gente tem dificuldade com voluntários. E aí como é que eu faço? Bom, se tem alguma contribuição que eu possa dar pra quem me sinta impotente, pra quem diz que eu preciso de ajuda, de novo, fazer uma ponte e juntar esses mundos. Então eu fui escrever o livro. E pra escrever o livro foi que eu fui buscar qual era o estado do mundo. Eu tinha todas as convicções, mas eu tinha certeza de que não sendo uma autoridade pública notória no tema, sou muito conhecido no meu setor, mas não sou nacionalmente, ia lançar um livro pra vender no Brasil inteiro. Eu precisava ter argumentos que dissessem. Não é ele que tá falando porque ele acha, porque ele gosta. Ele tá trazendo alguma ciência nisso. Então, num primeiro momento, eu fui buscar o relatório do Fórum Econômico Mundial de Davos. Todos os anos, quando o Davos faz o fórum lá na Suíça, eles fazem um relatório de riscos globais. Em janeiro de 2019, naquele ano, eles publicam dizendo assim, olha quais são os grandes riscos globais. Nós estamos falhando como sociedades em respostas a problemas que deveriam ser coletivos. Estamos nos fechando nos nossos países, nas nossas fronteiras. Na época eles falavam, claro, de mudanças climáticas, eles falavam dos... E tudo isso são temas que não me afetam. Mudanças climáticas eu posso dizer, mas isso é daqui a 50 anos, eu nem acredito. Refugiados, mas isso é lá na Itália, pra Europa, um pouco lá pra cima no Amapá, em Roraima, não vai chegar aqui em São Paulo, enfim. As pessoas dizem assim, tem grandes problemas no mundo, mas o que eu posso fazer? E aí foi que eu Comecei a traçar os sete caminhos que eu trago no livro para você se engajar e fazer realmente uma diferença e vencer esse sentimento de impotência. E nesse processo, foi buscando por que as pessoas sentem isso que fui me deparando com as razões, como por exemplo, a gente se fecha e acha que é cada um por si. A gente vive uma sociedade de um culto ao individualismo.
E aí os impactos na sociedade são em todos os âmbitos, né? Econômicos...
Eles são em todos os âmbitos. Eu consigo enxergar e falar deles muito no pedaço que me toca, que é no setor sócio ambiental ou do setor social. A gente viveu dois momentos e estou falando aqui em nome de muitos amigos que têm organizações e estão preocupados com o próximo. Primeiro momento, quando vem a pandemia, que as empresas travam tudo, para, cai, etc. A economia vai travar. Todas as organizações sociais com as quais eu converso falaram assim, ferrou. As doações vão bingoar. Como é que eu vou fazer? Tem que mandar para casa esses jovens, essas famílias que eu apoio, porque eu não posso mais ter contato social com eles. Então, primeiro momento, pânico de que ia ser um problema. Aí veio uma segunda coisa fantástica. Em dois meses de pandemia, alguém trouxe esse dado, houve um fluxo de dinheiro para o setor social muito maior do que se vê num ano inteiro no país. Em dois meses pessoas, empresas criaram fundos, campanhas e colocaram em dois meses mais dinheiro que se coloca em 12. A preocupação agora do pessoal é o seguinte. Quando a curva do coronavírus começar a achatar, a da filantropia vai achatar junto. E essa é uma curva que não pode achatar. Essa tinha que continuar crescendo. Mas isso traz um estresse permanente. que lidam com questões que o governo não lida, não falo desse, falo de qualquer outro. Ou lida mal, ou lida deixando muito dinheiro pelo caminho, por todos os caminhos que a gente sabe que o dinheiro escorre. Então, se tem uma tropa, um exército, usando jargões aí que tem gente que goste, de gente que sabe fazer, mas que está pedindo apoio e que está entrando em muita dificuldade, E burnout eu tenho visto também pra poder dar conta do outro que tá sofrendo.
O Celso, a Solnaia pergunta se a solidão é uma defesa. Pergunta não, ela diz. A solidão é uma defesa. É uma defesa?
Eu acho que sim. Fuga. Fuga, eu acho. Eu acho que... Como é que você faz quando você tem um problema? Ou você enfrenta ou você foge. Ou finge de morto. São as três, né? A gente vem muito fingir de morto, não é comigo. Não me atinge. Ou me fecho. Enfrentar, falta gente pra enfrentar.
Não.
Eu tô dizendo, não dói. A frase do egoísmo é do Dalai Lama, né? Nem minha. Eu gosto dela. Quer cuidar de você? Cuida dos outros. Porque quando você cuidar dos outros, você vai ver como fica melhor. Por que a gente blinda os carros? Pobreza? Bom, se a gente resolvesse a pobreza, será que a gente não ia diminuir isso? Será que todo mundo vai ter que pensar? Primeiro eu moro em condomínio, depois eu preciso pensar em morar fora do Brasil, porque já não basta morar em condomínio. Então a gente nunca lida com a causa, a gente vai na consequência.
Deus, como a gente só tem 10 minutos, que loucura, né? Quando o tempo é bom, passa voando, a informação entra igual música mesmo nos ouvidos. Fala pra nós, quais são os sete caminhos que você sugere aqui no seu livro pra gente sair da indiferença?
Eu brinco, Isabela, que os sete caminhos na verdade são seis mais um. Porque eu falo seis coisas pra você fazer. Se você resolver que não vai fazer nenhuma, eu falo assim, tá bom, então tem uma sétima. Então, primeiro que eu digo é escolha uma causa pessoal. Eu ilustro esse meu argumento com a história da Vera Cordeiro, uma médica do Hospital da Lagoa, que usando seus talentos, ela é médica, o que ela sabe fazer? Cuidar de pessoas. Ela criou aquela que é hoje a organização brasileira mais premiada do mundo. Existe um ranking na Suíça que escolhe as 20 melhores organizações sociais do mundo. O Saúde Criança da Vera Cordeiro é a única brasileira que está lá. Todos os anos eles estão no ranking. Então eu conto essa história dela e digo o seguinte, escolhe fazer algo, escolhe uma causa com a qual você, que fala com a sua alma, com a qual você se identifique. Aí no outro eu digo o seguinte, mas é um caminho. O segundo caminho é dedique-se 1% já no começo. Aí eu faço uma conta contando a história do Fabio Bibancos, que criou a maior rede de voluntários profissionais do mundo. São 20 mil dentistas atendendo 70 mil crianças no mundo. O Fabio Bibancos criou. E ele mostra que o dentista atende uma criança. Isso é menos de 1% do tempo e do recurso financeiro dele. Mas olha o impacto dessa história. O terceiro é passe dignidade adiante. Tem uma história linda do Eugênio Scanavino, que da ONG Saúde e Alegria lá no Tapajós, em Santarém. E quando o pai do escarnavino estava nos últimos minutos de vida, ele falou, pai, obrigado por tudo que você me deu. Ele falou assim, meu filho, nunca me agradeça. A única coisa que eu te dei foi dignidade. Então se você quiser ser alguém digno, passe essa dignidade adiante. E o que o escarabino fez? Ele foi criar uma organização para levar saúde para a Amazônia. Onde morria-se mais de diarreia do que de picada de cobra, ataque de onça. As crianças morrem mais de diarreia. Porque a água está contaminada pelo garimpo. O quarto é ganhe dinheiro fazendo bem. Eu conto a história do Ralph Toinges, que é um empreendedor que criou um negócio social. O Ralph é um empresário social, um empreendedor social. que criou um negócio para fazer um óculos, é uma consulta, uma prescrição e o óculos a um preço assim 40 reais.
Isso é vendido.
Use o poder do seu dinheiro, é a quinta. Quem tem dinheiro, investir em negócios sociais. Então apoia gente que nem o Ralph, porque ele não quer doação, ele quer investidor. O sexto é trabalhar em empresas com propósito. Então pode escolher. Seja criterioso. Você vai passar por uma sabatina quando você for ser contratado? Faz o mesmo. Checa onde é que você está indo trabalhar. Veja se as empresas têm valores que batem com os teus. E tem um sétimo que é acreditar que coisas pequenas também transformam. E às vezes é uma coisa pequena, é tanto fazer uma pequena doação, costurar 10 máscaras e entregar. Eu conto a história da Valderez Noronha, e a Valderez ela faz uma roupinhas de bebê, há tantos anos, ela tem 92, eu fiz uma conta, ela já fez mais ou menos umas 50 mil roupinhas de bebê. Então hoje tem adultos que estão usando roupinhas, que usaram roupinhas que ela fez no passado. E ela faz isso solitária, ninguém sabia dela até eu colocar no livro. Mas tem uma que é assim. Se você disser, mas eu não tenho tempo, não tenho dinheiro, não vou fazer nada, não posso construir. Ótimo, então consuma com causa. Porque você vai ter que comprar água, você vai ter que comprar comida, você tem que ir ao supermercado, você tem que... Então escolhe de quem você está consumindo, onde você está comprando, que produtos, que empresas. Aí você não faz mais nada na vida, a não ser ser um consumidor e existir. Mas exista com causa, exista com atitude.
Céus, perfeito. Outro dia eu vi uma frase de uma humorologista, a Mariana, Mariana com Y inclusive, do Morlabe, ela diz, você é sem querer ou de propósito? Você é sem querer, aliás, você é sem querer ou é de propósito? Então, acho que quando a gente é de propósito, é muito melhor, muito mais valioso do que É passar sem nenhum propósito, é ser sem querer. Celso, a gente tem seis minutos. E olha que curioso, na sua pesquisa sobre solidão, você fala sobre os seis fatores que levam a pessoa para a solidão. E acho que vocês estão aqui. Vamos acompanhar depois lá no YouTube, Isabela Camargo Real. Deixo lá para que vocês compartilhem. As palavras são sementes. Então, se faz sentido aqui, eu peço então que vocês compartilhem com mais pessoas que podem aproveitar esse conteúdo. Então, os seis fatores que podem levar uma pessoa à solidão, quais são?
Eu estou de olho no relógio, então vamos lá. O primeiro deles é uma ansiedade por performar. Como é que isso nasce? E eles não são excludentes? E nem assim, se eu tenho esse, eu não tenho aquele?
Pode ser tudo.
Pode ser tudo. São pessoas que têm a autossuficiência como um valor. Isso foi posto na cabeça delas de que a independência é um modelo. Eu tenho que me bastar. Eu não posso depender dos outros. Eu sou uma pessoa que sou um vencedor. A coisa está dentro de mim. O meu sucesso, o meu resultado depende só de mim. Isso pode criar uma situação de que eu fico tão ansioso por performar. E isso me isola dos outros, porque o outro é sempre um competidor do meu sucesso. O segundo deles, a gente chamou de irrelevância. É uma invisibilidade. Eu não me sinto importante. Eu sinto que as minhas relações são descartáveis. Eu posso ser descartado. Ou eu estou aqui porque eu sou útil. Porque a hora que eu não for mais útil, vão me dispensar. É muito maluco. O terceiro é inadequação. Eu não me sinto pertencendo a esse núcleo, a esse lugar, a esse povo. Mas eu tenho que estar lá. Eu me descompasso com a vida. O quarto deles é o abandono. Que é uma ausência de presença calorosa. Isabela, as pessoas trouxeram isso pra gente. Eu sinto falta de gente com quem eu possa contar. É muito doido. Quando você ouve, então, num recorte de juventude, eu falo, meu filho, senta aqui e vamos conversar. Dá vontade. O quinto. As redes sociais são o meu escape. Me prendem, me isolam, me causam solidão. Mas elas também me acolhem. Porque quando eu vou para as redes sociais, eu encontro as pessoas que são meus pares naquela dor, naquele sofrimento. A gente não precisa se conhecer. Mas a gente se conecta. Eu falo, você fala. Ou o meu personagem fala com o seu personagem. E isso me acolhe. Então é um fenômeno. O sexto a gente chamou de tempo e espaço, que é uma coisa maluca. É um tempo de respostas rápidas. Eu te mando uma mensagem, ficou azulzinho, você não respondeu. Pô, mas ela viu, não respondeu ainda. Então a gente está numa relação de tempo e espaço diferente. Calma, ela viu, ok, mas ela vai responder de imediatismo. E a gente fez uma ressignificação um pouquinho também para ser verificada na pandemia, que as pessoas estão assim, mas todo dia é segunda-feira, todo dia é sábado, eu posso ficar de pijama o dia inteiro, isso não me muda. Então tem uma coisa de tempo e espaço que a gente está um pouco atrapalhado com 80 e tantos dias de confinamento. E o sétimo é insegurança. A insegurança pré-pandemia dizia respeito à violência. Eu saio na rua, meu filho sai, não sei se ele vai voltar, se vai voltar bem, vai com cuidado, tá com cuidado, olha a hora e tal. Aí, vulnerabilidade social também dá uma insegurança. Se eu precisar do governo de um sistema de saúde, eu não tenho, eu tenho que pagar um plano de saúde, etc. Mas a gente acha que com a pandemia, cria-se uma nova insegurança, porque agora o perigo é o meu vizinho. Aquele sujeito simpático que eu conheço, mas sei lá se tá contaminado, ele vai me contaminar. Então, isso vai dar um distanciamento social. e um gatilho na cabeça das pessoas e falar assim, então, ok, o assaltante eu consigo perceber, reconhecer, aquele cara é estranho, não chega perto do carro não porque aqueles caras estão ali. E se eu vou no supermercado e encontro meu vizinho, sei lá se ele está contaminado ou não, eu me afasto. Eu pessoalmente já vivi isso, de encontrar amigos em supermercado e a pessoa falar assim, oi, tudo bom? Distância, hein? Dois metros. Eu falo, aham. Então esses são os sete espectros que a gente encontrou Eu não sei se.
Eu já marco uma próxima live Eu saio correndo, porque eu fico imaginando o cortisol da turma, né? Eu por isso do Algornaut, você por isso da solidão e as consequências de tudo isso. Porque se antes a ameaça estava, né, por toda essa insegurança no farol, em lugares em que a gente se sente mais seguro, enfim. Hoje não, a ameaça está do meu lado, ou até dentro de casa, ou no corredor, né, e tudo mais.
E tá na paranoia. Respeito a ciência, acho que a gente tem que se isolar, usar máscara, tô em casa, todo mundo tá em casa. Mas vai dar uma certa paranoia. Quando é que eu vou poder apertar a sua mão? Não sei.
Celso, foi ótimo o que você colocou. Queria só voltar rapidamente quando você fala na irrelevância. E aí você falou uma coisa que eu converso muito com os psicólogos, terapeutas e todo mundo que nos ajuda a ser melhor, eu não me sinto importante, eu não me sinto relevante. Então, isso é realmente uma interpretação que nós fazemos de nós mesmos.
E aí o que eu faço? Compro um livro de autoajuda que diz, você é sensacional, você é um campeão, vai fundo. Você não depende de ninguém não, os outros estão te julgando, esquece. Então assim, tem um ecossistema aí que você fala, não pode dar certo, não pode dar certo. Mas a irrelevância é complicada. E eu entenderia, não é que eu acho bom, eu entenderia alguém com 70 anos de idade dizer assim, não sirvo pra mais nada. Mas um jovem com 18, com 22, com 27, com 32, se sentindo irrelevante?
É muita comparação, muito julgamento Muito, muito.
Por que eu me sinto irrelevante? Porque eu ainda não fui reconhecido? Porque eu não performei como querem que eu performe?
E aí, gente, eu vou partir pra conclusão aqui da nossa conversa dizendo o seguinte Experiência própria, tá? Quando você não se valoriza O corpo se abre para uma série de doenças, a imunidade cai, então a desvalorização é um grande caminho para a depressão, que leva à solidão e outros problemas. É uma coisa ligada a outra, aliás, nada, né? Nada nem está desconectado.
Se eu fosse dar uma brincadeira para pesquisa, é assim, receitas para um burnout. Tem seis ingredientes aqui, que junta tudo para você ver o que acontece.
É isso mesmo. Celso, então pra gente poder se despedir, as suas considerações finais, onde as pessoas podem te encontrar, além desse livro maravilhoso que eu recomendo super, super, super, a decisão de que o mundo precisa, na verdade a decisão que você precisa pra continuar em um mundo que faça sentido. Suas considerações?
A consideração final é assim, eu tinha muito receio de escrever um livro de autoajuda e eu falo Que eu tenho, não é um preconceito, mas um cuidado com relação aos livros de autoajuda E um amigo me apazigou esse meu preconceito Quando ele falou assim, mas é um livro de autoajuda, porque a minha primeira frase no livro é este não é mais um livro de autoajuda E aí vou explicando o que eu acho complicado Ele falou, não, mas é assim, só que é um livro de autoajuda coletiva, ele só dá certo se todo mundo se ajudar Então essa é uma bandeira que eu estou levantando. Eu acho que a gente precisa virar a chave do nosso pensamento. Eu adoraria criar um mês como tem os meses da prevenção do câncer, de próstata. Eu queria criar um mês da gente olhar para a solidão. O livro está disponível em todas as livrarias que vão começar a abrir, pelo jeito. Mas ele está nas plataformas físico e online, para Kindle, para meios digitais. Eu estou no Instagram, Celso Greco E quem quiser falar comigo, manda uma mensagem que eu respondo a todas Dá um trabalho, dá uma alegria fazer isso Celso.
Aquele ser humano que todos nós queremos ter por perto Se você ainda não entendeu o que eu quero dizer, se aproxima dos conhecimentos do Amarelo E conecta pessoas do bem, fazendo coisas do bem, para que a gente viva uma vida que vale a pena ser vivida Celso, se eu pudesse, eu geralmente daria aqui outra conversa com você, mas a gente volta no particular E hoje eu vou dar uma... Você lembra o Amarelo, que é o mês de prevenção ao suicídio? A gente vai ter muita coisa pra fazer em torno disso neste próximo mês. Aliás, neste próximo setembro e nos próximos meses, porque quando o Covid reduzir e a gente voltar um pouquinho a ter o nosso direito de viver normalmente, a gente vai ter muitos casos de burnout, infelizmente, e outros desequilíbrios, né? Que vão levar as pessoas à solidão. Então, a gente vai ter muito trabalho pela frente.
E bom, é sempre um prazer estar contigo. E eu tô aqui. Pra quem quiser bater um papo, quem quiser saber mais, eu tô à disposição. Pronto.
Celso, um beijo grande. Que Deus te cubra de muita saúde, todo o universo cubra de muita saúde. Até breve.
Beijo, obrigado.
Eu vou liberar aqui o Celso, como eu combinei, e recomendar para que vocês sigam a página dele, é arrobaCelsoGreco, e se quiserem se dar um presente, vejam realmente o conteúdo que ele coloca aqui na decisão de que o mundo precisa. é um assunto totalmente diferente do que vocês estão acostumados ou é muito rico você ouvir falar aquilo que mais ninguém quer falar. Então ontem eu falei sobre suicídio, hoje eu estou falando sobre solidão, em uma semana em que ficaram cheias de corações esculpidos por conta dos desnamorados, mas a realidade pra maioria não é de corações esculpidos. Então a gente precisa falar exatamente pra quem não tem de quem ouvir ou o que ouvir. Eu espero então que essas palavras tenham florescido pra vocês, as palavras são sementes, fez sentido, compartilhem que eu vou ficar muito feliz. O conteúdo vai todo lá pro YouTube, Isabela Camargo Real. Eu vou desligar aqui que já já eu volto com uma live que eu fui convidada pra falar sobre o propósito, certo? Então até mais, boa noite pra vocês, se cuidem.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








