Superando a crise de Ansiedade com Daniel Portuga e o Post em branco - EP 29 Ïnterioriza

Isabel talks with Daniel Portuga about his struggle with anxiety and his 'Post em Branco' initiative, which raises awareness about mental health. They discuss how anxiety affects daily life and what actually helps when a crisis hits.
Chapters
Oi, bem-vindo. Bem-vindo ao Interioriza. A partir de agora, informações, conhecimentos e experiências que podem te ajudar a tomar melhores decisões. Sabe que eu dificilmente uso preto, mas hoje eu estou usando uma roupa preta, porque qual é o oposto do preto?
O branco.
E eu estou aqui com o fundador da página Post em Branco, Daniel Portuga. Bem-vindo!
Isabel, muito obrigado pelo convite. O Post em Branco tem vida há dois anos praticamente e em dois anos, nesse período tão curto que está, é totalmente insônia. Não tem nem palavras para dizer.
Mas olha, diretamente de Nova York, Portugal, mora lá, é publicitário, cuida de produtos mundialmente conhecidos, mas você se tornou mundialmente conhecido depois de se colocar nas redes sociais, como uma página em branco. Queria que você começasse por isso.
Primeiro, eu queria falar que eu tenho o transtorno de ansiedade generalizada. Eu tenho o TEG. E antes desse movimento de saúde mental. Então, eu fui diagnosticado há 12 anos atrás.
Aqui ou nos Estados Unidos?
Aqui, no Brasil. Eu estava aqui no Brasil ainda. Na época, eu comecei a minha carreira fora. Em Londres, aí eu fui para a Singapura. Daí voltei para o Brasil por três anos e estou há sete em Nova Iorque agora, onde eu sou vice-presidente de criação na Razorfish, que é uma agência digital do Grupo Publicis.
Você há 12 anos teve o diagnóstico de transtorno?
De ansiedade generalizada.
Explica pra nós, pra quem não sabe exatamente o que significa.
Tá. Todo mundo tem ansiedade, Isa. Isso é normal e acho que a ansiedade move a gente.
Exato.
O problema é quando a ansiedade se torna patológica, quando você tem um diagnóstico em cima disso, quando você perde o controle, você começa a desfocar da realidade. Por exemplo, eu já tive crise de ansiedade quando eu morei em Singapura, que eu fiquei três dias totalmente pelado, andando de casa, fumando dois maços de cigarro por dia sem comer. Eu perdi o controle. Entendeu? É claro, você tá ansioso pra vir aqui, óbvio que eu tava. Mas isso tava me motivando.
Isso. Essa é uma cidade positiva.
É uma cidade positiva. É construtiva. O problema é quando ela te puxa pro outro lado.
Entendi. Já fiquei imaginando você andando pelado em Singapura, né? Manchetes, né?
Ah, não. Isso daí, se o vizinho me ver, eu sou preso. Né?
Tô fazendo piada, meu querido, porque nesses últimos anos eu entendo que saúde mental é lidar com tudo isso que a gente sabe que tem que lidar, mas com humor. Quando a gente perde o humor é que aí perdeu a saúde mental e perdeu tudo.
Exatamente. E a vida é tão curta também, né? A gente levar as coisas tão a sério como a gente leva, a gente tem que ter responsabilidade.
Sim.
Ao cima de tudo, né?
Mas aí lá...
Mas voltando na sua pergunta, aí...
Eu já gostei que você trouxe a explicação da ansiedade. É curioso, inclusive, quando a gente vê a história da ansiedade como mola propulsora da sociedade.
Exatamente.
Se não fosse a ansiedade, ou seja, essa preocupação com o futuro, nós não teríamos nos desenvolvido de forma agrícola, comercial, industrial, bancária... Humano. Exato. Então a ansiedade é necessária, o problema é a dose.
Exatamente. E aí... contando a história do Pouco do Poço em Branco pra você, e aí é legal porque é como junta com a minha profissão. Há 25 anos na indústria, no mercado, trabalhando... eu já trabalhei pra mais... morei em quatro países e etc, mas como que isso se junta, né? Então, começo da pandemia, é que eu falo, vou falar que a pandemia foi boa. Só que a pandemia abriu as portas da saúde mental. Que qualquer um pode ter saúde mental. Problemas com saúde mental. Tava em Nova Iorque, aí todo mundo fala. Nossa, você tava em Nova Iorque e tem problema de saúde mental? Sim! Está dentro de mim, não é onde que eu estou. O ambiente talvez, às vezes, melhora ou piora. E fazia três anos que eu não vinha pro Brasil. Que eu tava com processo de papéis, green card. Então eu tava naquela janela que eu não podia vir. Comprei a passagem pra vir pro Brasil. Cancelaram a primeira vez a minha passagem. Cancelaram a segunda vez a minha passagem. Na terceira vez, eu tava numa reunião. Sabe quando pula pop-up, assim, do computador? Chegou um e-mail e sua passagem foi cancelada. Eu tava na câmera, o meu chefe mandou uma mensagem pra mim. Você tá bem? Eu falei não. Então sai da reunião. Saí da reunião.
Ele conseguiu ver...
Na minha cara. Eu tava mais branco do que essa camisa.
Era decepção, raiva... Era um monte de.
Coisa, porque três anos sem vir pro Brasil. Eu tenho a minha sobrinha, eu queria ver, tipo... Minhas raízes estão aqui.
As relações afetivas.
As relações, tudo. E a frustração também. Porque eu fiz de tudo da maneira correta, só que a gente não tem controle das coisas macroambientais que acontecem, né?
Ai, a frustração.
Exatamente. Aí, esse dia à noite foi terrível. E eu, do nada, peguei uma imagem branco no Google. Não me pergunte por que é branco, não me pergunte, porque eu não sei.
Foi um insight.
Foi uma coisa que teve dentro de mim.
Chama insight.
Um vazio que eu tinha, e eu comecei a postar um monte de imagem branco. Antigamente, o algoritmo no Instagram entregava muito mais do que entrega hoje. Então, foi um spam de post em branco. Ao invés de... Eu queria, sei lá, um oi. Oi, tu tá tudo bem? Porque não é normal. Você... Ficar postando um monte de coisa, um monte de imagem branca. Ao contrário de eu receber apoio, o que eu recebi? Seu computador tá com vírus, seu computador foi hackeado. É... Para de ficar mandando isso. Você tá acabando com a minha timeline. A minha timeline está vendo post em branco. E aí... Sei lá, eu recebi uma ligação, um e-mail e umas quatro mensagens do tipo de apoio, né?
Isso quer perguntar, quem foi que te perguntou? Portugal?
Uma pessoa foi um chefe meu da agência, que me mandou um e-mail, uma amiga minha em Nova Iorque me ligou. Só. E o resto, assim, tô incluindo familiares, do tipo, tá tudo errado, do tipo, culpando a tecnologia. Tem gente que pensou que era uma ação de marketing, uma campanha que eu tava fazendo.
Posso só fazer uma interrupção aqui? Enquanto isso a gente respira. Você faz meditação?
Eu tenho outros tipos de meditações que eu faço.
Já vou querer saber. Mas sabe qual foi o insight que eu tive? Assim como na sua primeira crise você disse que ficou três dias sem conseguir vestir roupa, fumando, etc. Você teve uma outra reação, que ao invés de sair fumando e ficar sem roupa, você começou a publicar posts em branco.
Posts em branco.
Foi uma manifestação. O que eu quero trazer aqui é que a nossa ansiedade se manifesta com diversos desejos, com diversas caras. E dessa vez ela se manifestou de.
Uma forma... E talvez, até porque agora você falando isso já me deu outra ideia. Por que aconteceu isso? Eu não podia fumar dentro do apartamento. Talvez se eu pudesse fumar dentro do apartamento, eu teria fumado e repetido a mesma cena que aconteceu da outra vez.
Você parou de fumar, né?
Hoje eu tô fumando cigarro eletrônico.
Tá, mas tudo bem. Mas você parou de...
O outro cigarro, sim.
Aquela válvula de escape não existe mais?
Não existe mais.
Tá, mas vamos voltar pro poste em branco.
Voltando pro poste em branco. E aí... Como a nossa vida é um carro... Eu ia falar carroção, não. É um roller coaster, uma montanha-russa. Eu sabia que isso uma hora ia passar, e depois de três ou quatro meses, na hora que eu realizei... Realizei é bom, que é uma traduzida pro alemão.
Realize. Na hora que caiu a ficha.
É, na hora que caiu a ficha, Eu falei assim, se eu passei por isso, outras pessoas passaram. E aí, eu fui conversar com o meu psicólogo. Falei assim… Meu, eu tenho isso, né? Eu queria fazer alguma coisa, tal. O que você acha? Ele falou… Caralho, muito legal a ideia. Vamos nessa. E aí, ele começou a me perguntar. Você lembra dos posts você postando? Eu falei, eu lembro de eu postando. Porque o último post foi um post em preto escrito out. Pô, você posta um monte de post. E o último, alt, alguma coisa tá errado. Se você entrar na minha página pessoal, os posts estão até lá hoje. Hoje eu sei. 227 posts em branco. Eu contei. E aí eu falei, se eu passo por isso, por que não outras pessoas passam? E aí eu transformei o limão em caipirinha. E a princípio, o post em branco era somente um alerta silencioso.
Você acha que foi um pedido de socorro?
Foi. Eu queria um ombro. um oi. Porque quando veio a pandemia nos Estados Unidos, o lockdown foi totalmente sério. A polícia me parou duas vezes na farmácia. Eu perdi a minha rotina. E pra uma pessoa diagnosticada com ansiedade, a rotina te ajuda. É que eu falo. Você não precisa... Todo mundo fala que você tem que sair da sua zona de conforto. Eu falo, nós temos que aumentar a nossa zona. Temos que expandir a zona de conforto. Isa, eu demorei anos pra conquistar a minha zona de conforto. Por que agora eu tenho que largar tudo da minha zona de conforto? Eu expando a minha zona de conforto. Eu inflameio a minha zona de conforto, né? E aí, a princípio, o Posto em Branco era um sinal silencioso. Se você tá passando por uma crise de ansiedade, publica um Posto em Branco. Se você vê alguém tá passando por uma crise de ansiedade, tá precisando de ajuda, vamos comunicar. Até que eu falo, o sucesso do Posto em Branco era não existir um Posto em Branco. E aí foi evoluindo, e hoje o Posto em Branco se tornou uma plataforma com parcerias. Muito obrigado pelas parcerias, pelas collabs que a gente faz. para ajudar e esclarecer, quebrar o tabu da percepção sobre a ansiedade. Eu não quero normalizar a ansiedade, eu quero normalizar a percepção sobre a ansiedade.
Me fala mais sobre isso.
Vou te dar um exemplo. Você no trabalho, você coloca lá na sua agenda, ou você liga pro seu chefe e você fala assim, eu tenho uma consulta com um médico, eu tenho um dentista. Você colocaria, eu tenho uma consulta com um psiquiatra? Você colocaria, eu tenho uma aula de meditação? Eu colocaria, hoje essa meia hora é pra ir pra academia ou pra andar no parque? Não coloca.
Tempo livre, esse tempo é meu.
O tempo ocioso faz muito bem. Né? Então, hoje... E eu comecei esse trabalho dentro da agência. Eu fui a primeira pessoa a colocar consulta com psiquiatra.
Legal.
Reuniões de manhã, eu faço muitas vezes na esteira.
Legal.
Andando. Pô, eu tô parado. Pra quê? Vai na esteira. Foninho de ouvido. Então, são métodos que eu faço para eu... ficar dentro do meu ground, do meu eixo.
Da sua zona de conforto.
Da minha zona expandida de conforto. Perfeito.
Ou seja, aquilo te faz bem.
Aquilo me faz bem. Entendeu?
Foi uma estratégia que você criou.
Que foi uma coisa que, quando a pandemia veio, me tirou. Não tinha os meus amigos, eu não tinha a minha academia, eu não tinha nada.
Deixa eu só fazer um parênteses. Então, até aqui, eu espero que você tenha entendido que ansiedade é como estresse. É uma reação do organismo a alguma situação que representa ameaça. Nós precisamos da ansiedade para evoluir. Em uma dose excessiva, quando o seu corpo se sente sob muita ameaça, essa ansiedade se torna patológica.
Exatamente.
Ela pode precisar de medicação. Quem vai definir isso é o seu médico. Não queira também medicar processos que você precisa passar. Não queira medicar também emoções que você precisa lidar. Porque senão a gente também vai fugindo da origem do problema e vai só anestesiando o problema.
Exatamente, você faz um paliativo. E é um combo. Hoje eu tenho minha psiquiatra, doutora Isabela, meu psicólogo, o Álvaro. Tenho a cadeia, a rede de apoio. Então… E hoje, até todos… O post-em-branco, o conteúdo do post-em-branco, ele passa pela análise do meu psicólogo, da minha psiquiatra. Porque uma coisa que falta, Isa, que eu vejo hoje, é muita gente falando porcaria. Então, assim… A gente precisa ter responsabilidade no que a gente faz. E quando eu falei que é aí que entra, quando cruza o meu trabalho com o post-em-branco, eu sou responsável no meu trabalho. E eu uso a criatividade, eu uso tudo isso no meu trabalho. Agora eu tô usando para nós. Esse é o grande objetivo do Poço em Branco. E você trabalhar com essa responsabilidade que você tem de conteúdo. Porque hoje, por exemplo, quando você acha que eu recebo mais mensagens de direct no Instagram? Que dia da semana, horário? Chuta.
Domingo.
Sexta-noite. Sábado. Por quê? É... Quando você tá no dia da semana, as pessoas têm suas tarefas pra fazer. E quando chega no final de semana que tá você por você mesma?
Pois é, eu falei domingo porque domingo era pra mim um dia muito ruim. Eu que não tinha... Eu morava longe da minha família, eu não tava em nenhum relacionamento estável. Eu só vivia pra trabalhar. Então, tipo, no domingo que eu deveria estar descansando, aquilo era um problema.
Exatamente.
Mas como assim? Não tenho o que fazer. Só arrumar alguma coisa pra fazer? É horrível você estar em outro país sozinho, agora deixa eu só trazer aqui uma provocação. Você não precisa estar fora do país para se sentir sozinho. No caso do Portuga, ele está dizendo que a família estava longe, você ainda foi privado dos amigos. Sozinho não só geograficamente, especialmente com a pandemia, mas você estava ausente de si mesmo.
Sim, quando eu estava no Brasil, eu tinha as mesmas sensações. Então assim, não era o local, era comigo. É comigo mesmo, a batalha é comigo mesmo. E hoje, o que eu tento fazer é ser amigo da minha ansiedade. E com qualquer relação que você tem de amizade, você vai brigar com a sua amizade. Tem as vezes que eu não suporto a ansiedade, né?
Como é que você faz pra conversar com a sua ansiedade?
Aí eu converso em voz alta mesmo, pode me chamar de louco. Eu falo em voz alta, às vezes eu olho no espelho. Na academia, quando eu tô na esteira, por exemplo, andando, eu começo a conversar comigo mesmo.
Vou te provocar de novo. Louco ou lúcido?
Mais lúcido.
Então, muito cuidado antes de julgar alguma coisa que você ainda não entendeu, que aquilo é uma tentativa. É a sua lucidez te chamando, tipo, opa, pera lá. Eu não preciso nem fumar, nem comprar, nem me anestesiar. Vamos só conversar.
Sim.
Que seja em voz alta.
E que seja comigo mesmo. Tem as vezes que eu mando mensagem pro Álvaro pelo WhatsApp, né? Eu gravo pelo WhatsApp. E eu escuto a minha voz. Eu já falo assim, não, não precisa da resposta, não. Já me acertei. Porque eu escutei a minha voz gravando no WhatsApp.
Você sabe que isso é maravilhoso? Isso é o que a turma chama de autorregulação.
Sim.
Gente, parabéns!
Mas leva tempo, viu?
Menina, que alegria! Tô muito feliz por você.
Sim, leva tempo.
E... Caraca, você tem noção disso?
Sim. Você acabou de me dizer. É, assim, o pior que... Isso não tava nem no script. Do tipo, vê o agora... Nem temos roteiro, tá?
Só pra você saber.
Vê o agora na conversa, né?
Você sabe que você trazendo isso, quero só trazer um ponto. Eu tô vendo suas unhas. Você não está arruinando as unhas.
Médio, né?
Médio. Mas ok. Arruinar as unhas é uma válvula de escape. E tantas outras mutinações que a gente.
Vai fazendo... Você quer ver uma coisa? Ansiedade? Ó, vou revelar uma coisa aqui pra vocês. Eu sou careca, óbvio, né? Você tá vendo essa falhinha aqui?
Tô vendo.
Sabe o que que é? Ficar assim, mexendo no cabelo. Então... Ou as minhas psoríases.
Sim, é o corpo falando, né?
É o corpo falando. E quando chega aqui...
As tatuagens são pra esconder a psoríase?
Não, não. Não, porque tá aberto aqui.
Ah, tá.
Tá bom. Tá tudo aberto.
Tá, legal.
Mas quando chega aqui, a psoríase... Eu entro no modo de alerta.
Total.
Então, o que eu começo a fazer? Aumento o aeróbico na academia, saio da rede social. Eu tomo, tipo, termogênico. Vai pra academia, alguma coisa assim, né? Um pré-treino. Corto o pré-treino.
Total, você não precisa de pré-treino.
Eu começo a... a fazer algumas coisas que eu sei. Opa, quando bate aqui a minha psoríase, pronto.
Você então pode explicar pra gente o quanto a ansiedade se manifesta pelo corpo? Como que ela pode se manifestar pelo corpo?
Sim. Pele. Sudorese, né?
Sudorese.
Sudorese. Sudorese, alguma coisa assim em inglês. Mão. Eu não tenho esse problema, entendeu?
Tô vendo. Inclusive, deixa eu só fazer aqui um comentário. A sua mão não está gelada, você não tá tremendo. Você não tá arruendo a unha. Você acabou de me dizer que ouve o que você grava e aí você mesmo já se autorregula.
Sim.
Você tá de parabéns.
Muito obrigado. Mas assim, leva tempo, né? Como eu falei... E tenho certeza que.
A Tati também tá te ajudando nisso. Muito. Tati é a...
Esposa.
Esposa, né? Do senhor Daniel Portuga. Tati, parabéns. Porque tem momentos que a gente precisa só da gente. E tem momentos que a gente precisa de gente.
Sim, e a Tati me ajuda numa das minhas piores, vamos dizer, nos meus... Não é problemas, é issues, mas assim... É o meu relacionamento com a minha família.
Tá.
Não sei, entendeu?
Ela te aproxima.
Ela me aproxima muito mais.
Ó, que legal.
Então...
Eu vi outro dia uma cena no seu Instagram, você chegando pra... Sem avisar.
O meu pai.
E ele ficou super emocionado, e você ficou super emocionado. Eu achei aquela uma das cenas mais lindas. Especialmente por você compartilhar aquilo. Porque, veja só, à medida que a.
Gente se expõe... Você abre a sua vulnerabilidade.
Você abre a sua vulnerabilidade e aí tem muita gente que, às vezes, por não ter coragem de fazer aquilo que você tá fazendo, vai te criticar. Enfim, a gente tá fazendo um doutorado em saúde mental todos os dias, convivendo com as redes sociais. Então achei lindo você poder compartilhar aquilo. E quando você fala, a Tati está me devolvendo pra minha família. E quanto mais a gente... que é se distanciar de nós, da nossa família, das nossas raízes, pior é.
É, e é quando a gente vai ficando mais velho, e você vê que o tempo vai passando, até que, porque eu fiz a surpresa pro meu pai, eu era pra ficar 15 dias aqui no Brasil. Eu adiantei uma semana a passagem, falei, não, eu tenho a oportunidade de fazer isso?
Por que não?
Por que não? E aí você entra numa matemática, eu adoro exatas, eu sou muito numérico. Se eu venho duas vezes por ano pro Brasil, meu pai tá com 72 anos, se meu pai viver mais 30 anos, eu só vejo meu pai 60 vezes. Então por que não vir mais tempo e aumentar e esse número cada vez... é ser mais expressivo, entendeu?
Perfeito, perfeito. Então, quero só dizer que por trás do criador do Pocho em Branco há um ser humano que está se atualizando todos os dias, se reformando todos os dias e se modulando todos os dias. Isso é maravilhoso. Olha, vou te falar que desde que eu estou fazendo Interioriza, você foi a primeira pessoa que me trouxe uma experiência que qualquer pessoa que estiver assistindo pode praticar. Eu gosto muito de pedir para as pessoas escreverem aquilo que elas vão falar. Escreve! Porque é uma forma de você já ver aquilo que você tá elaborando. Você já vai se organizar lendo. Então, se você ouvir, de fato, o que você tenta vociferar ou gravar, isso serve pra mim também. Tem momentos que uma mensagem de áudio, vamos lá, ela é necessária pra agilizar alguma decisão.
Claro.
Mas em outros momentos, não.
E por que não agilizar uma decisão com nós mesmos? Você entendeu? E eu acho isso muito importante. E eu descobri isso sem querer. Com a mania de você... Será que eu expliquei tudo? Será que é isso que eu quero... Na hora que você se escuta, você ativa, assim... Primeiro que eu dei uma minha voz. A gente não gosta da nossa voz assim, sei lá, soa diferente. Hoje, eu não tô falando do tom da voz. Eu gosto do que a minha voz fala. E eu acho que isso é muito bacana e importante, né. E uma coisa que eu até queria falar do Posto Em Branco. Hoje, o Posto Em Branco trabalha com duas… Então você tem o B2C, que é o consumidor final, vamos colocar no mundo do marketing, que é pra nós ansiosos e para famílias de ansiosos.
Legal.
E a outra que é voltada pro B2C, que é mais pra empresas. Essa parte, como que a gente pode melhorar o dia, que é o trabalho que você faz muito melhor. Mas eu mais focado em agências de publicidade, com a experiência que eu tenho em Nova York.
Uau.
Por quê? É muito... hoje as pessoas, as empresas acham que você ter um day off, um dia livre é a saúde mental. Não! Saúde mental está no processo e não em quantos dias você trabalha ou não. Você pode trabalhar um dia e ter um burnout. Você entendeu? E eu já passei por ali, tá batendo na trave do burnout. Então, o que eu hoje prego e faço é você trabalhar na saúde mental não só da empresa, e sim da cadeia, do processo.
Todo dia.
Vou te dar um exemplo. Empresa X. Short Friday. Só trabalha até meio-dia na sexta-feira.
Certo?
Legal. O que o marketing da empresa faz? Manda um e-mail pra agência. Preciso disso pra segunda-feira, na sexta-feira. Quer dizer, a empresa faz o trabalho dela e respeita. E o outro lado? Aí o que acontece? O atendimento recebe isso numa sexta-feira, uma hora da tarde. Vai fazer uma reunião de briefing com a criação às quatro horas da tarde. Eu vou ter que trabalhar sábado e domingo.
Pra entregar.
Eu vou ter que ligar pra outro fornecedor pra me ajudar, porque às vezes eu preciso de um terceirizado pra entregar isso. Vai ter uma reunião de checkpoint, alinhamento, domingo, duas horas da tarde. Vão te passar feedback para você entregar na segunda-feira. Onde que está a responsabilidade da saúde mental? Então, hoje, as brigas grandes que eu levo no meu trabalho é parar o ciclo vicioso em algum lugar.
Nem que custe o meu trabalho.
Porque é isso que pode acontecer. Pra fazer omelete, você tem que quebrar o ovo, certo? E eu vou quebrar o ovo. Olha, eu não vou entregar isso na segunda-feira. Qual que é a diferença de entregar isso 9 horas da manhã na segunda ou meio-dia na segunda? Você prometeu... O cliente quer A, B e C. Porque a gente não trabalha por fases. Entrega o A, que vai dar pra fazer na segunda-feira, tem feedback, entrega B e C.
Perfeito. O que você está querendo dizer é que nós precisamos colocar limites nos processos que hoje estão sem limites. Existem coisas que, sim, nós vamos ter que, por alguma razão, essa falta de critérios, que tudo é urgente, tudo é pra ontem, não. O que você combinou? E a partir do momento que você combinou, existe a responsabilidade. E se pegar uma pessoa como Daniel Portuga, eu e milhares de pessoas que eu conheço, a gente vai abrir mão do domingo e do sábado pra entregar.
Com certeza!
Porque a gente se comprometeu. Com certeza! A questão é, nós temos que antecipar, então, esse limite, porque a agência não poderia aceitar. Aí o dono da agência vai dizer assim, tá, mas quem paga a conta? Como é que a gente faz? É só conversar, gente. Cliente, ao invés de ser 9 horas da manhã, pode ser meio-dia. Faz uma pergunta. O Daniel, deixa eu te fazer uma pergunta.
Claro.
Por que você acha que eu, de comunicação, falo de saúde mental?
Por causa disso.
Porque o que falta na saúde mental é comunicação.
Exatamente. E a verdade, Isa.
Sim. O Daniel, você pode falar de uma agência de publicidade porque você trabalha em uma das maiores do mundo. Eu posso falar de saúde mental a partir da experiência que eu vivi e dentro de todos os contextos que eu vivi? Porque ninguém vai tirar isso de mim. Então, à medida que você vai passando pelas situações, é nossa responsabilidade trazer mais luz para a situação, para o contexto. Agora, o que vai surgir a partir daí, o tempo vai dizer.
E tem duas coisas que eu vejo, Isa. O Brasil, principalmente no Brasil, É um... A gente trabalha no modo de sobrevivência.
Exato.
E eu entendo isso, tá? Eu entendo. Os Estados Unidos é um pouco diferente. Eles respeitam mais.
Você acha?
Respeitam mais.
Respeitam mais o quê?
Por exemplo, eu tenho férias infinitas por mês.
O que significa?
Por mês não, desculpa. Por ano. Significa que eu posso tirar quantos dias de férias eu quiser por ano. Isso é um benefício que eu tenho. Então, é óbvio, entra a responsabilidade. Eu não vou trabalhar um dia e folgar 364, entendeu? Mas era a minha responsabilidade. Outra coisa, o que eu tento fazer? Trabalho, você tem um projeto mais difícil, projeto fácil. Projeto difícil, projeto fácil. Você faz um ciclo de times.
Exato, exato.
Então é a organização que você tem. Então, o brasileiro tem uma mania de não saber falar não.
Exato.
Então, por exemplo, vou dar dois exemplos que acontecem nos Estados Unidos. Ah, vamos num churrasco? Ah, puta, me manda uma mensagem, vamos ver. O americano vai falar não. Outra coisa. Eu tava um mês nos Estados Unidos e eu conheci uma pessoa. Em duas horas, o cara queria fechar negócio comigo. Aí eu falei assim, mas o cara nem me conhece. Ele me conhece profissionalmente. Você não precisa ser amigo pra fechar um negócio. Se a gente fazer o negócio bem, a gente pode até ser amigo. Então, lá na agência, por exemplo...
É profissional, não é pessoal.
Exatamente.
Profissional, não é pessoal.
E são duas coisas que eu falo. Você falou uma coisa que é uma coisa que eu sempre falo. Tudo o que é urgente é importante, mas tudo que é importante não precisa ser urgente. Urgente, pra mim, é transplante de órgãos. O cara precisa de um órgão, tem uma janela de tempo. Agora, publicar um post no Instagram, trocar uma vírgula na legenda do TikTok, Não é uma questão de vida ou morte. Você entendeu? É difícil? É difícil. Você existe uma estrutura pra isso, entendeu? Você precisa, né? E você tem sacrifícios. Eu faço sacrifícios até hoje. Você entendeu? Mas com mais responsabilidade comigo mesmo. E outra, a partir do momento que eu falei do falar ou não, você não precisa falar não pro seu cliente. Você negocia com o seu cliente.
Só que aí nós estamos falando de uma outra habilidade que envolve comunicação, que é negociação.
Exatamente.
Para a gente ir partindo aqui para o fim... A gente podia ficar aqui muito tempo falando sobre isso, porque olha que maravilha.
Fico feliz com isso.
Maravilha. Eu já queria falar das suas tatuagens, né? Você falou que é um cara de exatas.
Eu sou de humanas exatas, né?
E ele tem tatuado uma régua em centímetros e polegadas. Ou seja, qualquer coisa aqui, chama o Portuga que ele já mede aqui na mesa.
Mas isso é a vida sobre medida.
Então.
A gente tem que saber os limites que a gente tem. Então, vamos colocar, eu tenho 7 centímetros aqui. Acho que é 3.2, 3.4 índices do outro lado. E por que eu fiz em centímetros e índices? É pra eu me lembrar das duas medidas que eu tenho. Aonde eu moro hoje e aonde que as minhas raízes estão. Gostando ou não dos dois, foi a história que eu escrevi. E eu sou responsável por essa história. Ninguém do tipo… Ah, mas… Sim, as pessoas me ajudaram muito. Eu sou muito grato aos meus pais, às pessoas que estão comigo. Mas no final, o sim ou não, é meu… A felicidade que hoje eu vejo, é… Vou falar uma palavra feia. Tava sem c****** da regra, mas já fazendo coisa na regra, né. Pode dar corte aí depois, viu.
A gente não corta nada, não é tudo, tá?
A sua felicidade tá na medida que você tem dos seus sonhos com a sua realidade. Se você quer mais sonhos, você tem que puxar tua realidade pra cima. Ou você puxa teus sonhos pra baixo. Quanto mais paralelo tiver a medida que tá o índice e os centímetros aqui, mais você fica feliz e de bem com você.
Exato.
Tenho crises… O Posto em Branco foi a última crise que eu tive. Há quatro anos. Exatamente há quatro anos. Mas eu tenho situações de alerta.
Perfeito.
E tá tudo bem. Então, a normalização da percepção da ansiedade é disso. É você comunicar, saber se comunicar e fazer as coisas. Porque também, você só falar e não fazer e ser exemplo. Eu tava falando pra eles ali no...
Eles, gente, o Vitor, a Carol, a Luana, o Amaury, que estão aqui, tá? Nos estúdios do Amaury Mauro.
É o meu sonho isso. Eu sempre tive do outro lado. Tá sendo entrevistado aqui.
É?
Sim, eu tava lá que nem o Vitor, que nem a Carol, aí ficou que nem o Amaury, vê câmera, não, corta o quadro, putz, aqui dá corte. Esse é o meu trabalho, né? Então assim, hoje eu só me considero uma pessoa feliz agora.
Perfeito, perfeito. Antes da gente dizer, ah, eu preciso te fazer uma provocação, porque ela virá por escrito. Algumas pessoas, quando se aproximarem da sua história do Posts em Branco, vão dizer, mas não seria mais fácil fazer uma terapia? Estou falando lá atrás, tá? Porque o publicar Posts em Branco foi um pedido de socorro.
Sim, eu já fazia terapia. Não é porque você faz terapia, você toma remédio que você vai estar são 100%.
Vou trazer numa outra linguagem. Eu tô usando muita comparação com a saúde bucal. Você escova todos os dentes. Você escova todos os dentes todos os dias, inclusive. Você escova os dentes, passa fio dental e mesmo assim você precisa ir ao dentista. O que eu quero dizer é que mesmo você cuidando da sua saúde, da maneira como você entende hoje, fazendo atividade física, tá tomando banho, tá se alimentando, tá dormindo bem mesmo, assim, você pode precisar e pode contar com a ajuda de psicólogos.
E outra, só de você saber, Isa, que você tem esse apoio. Por exemplo, hoje eu teria alta do meu psicólogo. Não tenho. Por quê? Hoje eu pago terapia, o meu psicoterapeuta, pra mim, pra duas pessoas que eu não conheço, e para ser o, como chama, não é assessor?
Mentor?
O advisor, não sei, o conselheiro. Muito obrigado, Vitor.
Thank you.
Thank you, I appreciate it. Do post em branco.
Que legal.
Você entendeu? Então, às vezes... A história do WhatsApp, eu sei que ele tá ali. Mandei, escutei, já não preciso mais dele. E as consultas que eu tenho... Porque eu falo assim, é consulta. Não é um bate-papo. É consulta. É um profissional.
Você sabe que o meu sonho é que a minha equipe não precise de mim?
Isso é a melhor coisa que tem.
Porque eu confio tanto. Eu quero tanto que eles voem. E acho que os nossos psicólogos também querem que a gente não precise deles.
Você sabe, quer ver uma coisa? Antes de chegar aqui... Carol, é você que vai entrar agora, tá vendo?
Olha lá.
Sabe qual que é o apelido dela? Isinha.
Já é Isinha?
É, Isinha, mini Isa.
Ah, não tava sabendo.
Você entendeu por quê? Falaram, ah, a Karol pode sentar aqui. Foi você que deu, você confiou e outra.
Total.
Cupar a outra parte é muito difícil, mas você teve a… o dom, a paciência e de você ensinar a outra parte do jeito que é. E outra, acho que quando a gente chega numa senioridade também, o seu caminho não é o mais certo. As pessoas podem fazer a mesma coisa que você faz por caminhos diferentes.
Se lidera quantas pessoas?
Depende do projeto. Eu trabalho muito com projetos especiais. Então, assim, hoje uma equipe tem seis, sete, oito, duas. Às vezes sou eu e o redato sou eu. E a minha dupla.
Eu só quero encerrar, não querendo encerrar, mas eu preciso. O que você sente hoje sendo um ativista pela normalização da percepção da ansiedade? O que você sente da turma 30 menos? A ansiedade, ou seja, a vontade de acelerar o futuro está maior e, por isso, menos tolerantes a este aprendizado, ou não?
Sim, até porque essa geração vê filme no Vezes 2 no YouTube. Eu tenho dados disso.
Eu adoro dados.
Você entendeu? Por isso que você pega redes sociais como TikTok e Instagram, são 15 segundos. Tem um estudo por trás disso. E o próprio algoritmo te força a fazer algumas coisas. E eu quero fazer até um link com o que você falou com isso. Na minha opinião, sim. Acho que você tem aquela ambição, que é uma ambição um pouco diferente do que da nossa época. Eu acho que a gente tinha uma ambição muito mais com dinheiro, com alguma coisa assim. E essa ambição, eu acho que até é uma ambição mais social. com o planeta, com ela mesmo, se tornando em algumas vezes as pessoas até egoístas e fechadas. Quando eu tava falando do algoritmo pra você, Eu gosto de entrar no Netflix, por exemplo, e ver o que a Tati tá assistindo. O que o meu pai e minha mãe tão assistindo. Porque o algoritmo só vai te entregar as coisas que você quer. E essa geração tá vendo só as coisas que elas gostam. Quanto mais… Assim, eu preciso aprender coisas novas. Eu preciso ver coisas novas, a minha profissão faz isso. A minha profissão me faz ser ansioso. Eu trabalho com… E se fizer isso? Será se eu fizer isso? Então, eu preciso de um algoritmo diferente da minha vida. Tá aí um bom corte, hein? Eu preciso de um algoritmo diferente da minha vida. Ver coisas diferentes. Então, assim, faz esse exercício, entra, vê o algoritmo na Angelina.
Ela ainda não tem.
Vai ter.
Vai ter.
Se ela ver o Netflix ou o YouTube no tablet, ela tem um algoritmo dela.
Agora, veja só, fazendo parênteses, Se o algoritmo te mostra aquilo que você quer e você tá vendo coisas que você não quer, é porque você precisa se atualizar, organizar suas ideias, porque você está escolhendo mal. Você está escolhendo, eu vou dizer mal, Mas veja, se aquilo que você tá vendo não tá te agradando, então você está escolhendo errado.
Sim, mas o mal também, queira ou não queira, ele te desperta um sentimento também.
Pois é. E aí, dependendo do que for, vai te dar mais ansiedade.
Mais ansiedade, mas talvez tem pessoas que trabalham com esse sentimento. Eu sou uma pessoa que passo do estado ansioso pra um estado depressivo. E parece que eu gosto de ficar nesse estado depressivo. A melancolia, a nostalgia, faz parte da minha estrutura. Eu não posso tirar isso da minha estrutura também. Você entendeu? Então assim, faz parte da gente.
Respeita.
Então respeita. Agora, você ver alguma coisa ali do lado, no algoritmo vizinho, por exemplo, e você aprender coisas, é interessante. Por exemplo, eu tava vendo o algoritmo da Tati esses dias, pra ver a playlist dela dos favoritos. Bateu três ou quatro filmes com a minha playlist.
Isso é bom.
Nós vimos igual.
Ótimo, isso é ótimo.
Então, eu acho que na vida a gente precisa de mais... sair um pouco mais da bolha do seu algoritmo, da sua vida, entendeu? E respeitar o algoritmo alheio. Porque não é que o meu algoritmo é melhor do que o teu. Ele serve para mim. Naquele momento. Você entendeu?
Algoritmo, ritmo. Respeito o ritmo. Respeito o algoritmo. E sabe o que acontece quando você respeita e quando você amplia o seu algoritmo? Você amplia o repertório.
Com certeza.
Com um repertório maior, você toma melhores decisões.
Você é mais informação.
É por isso que existe o interioriza. Adorei!
Obrigadão.
A gente precisa fazer um outro programa só pra falar das tatuagens.
Aí eu trago meu tatuador aqui também.
É mesmo? Eu tô precisando fazer tatuagem.
Eu tenho uma tatuagem no post-it branco.
Dá pra mostrar?
Dá. Cadê a foto?
Lá vai, Brasil. Agora, desconfigurando todo o cenário. Vamos ver.
Isso.
Ah, ali, o quadradinho.
É pintado em branco.
Tá.
Ele tá tão na minha essência que tem a tatuagem e não tinha a borda.
Tá.
Entendi, entendi.
Aí você fez.
Doeu tanto. Eu tenho uma foto que tá sangrando. Quando eu vi a foto sangrando, parecia eu sangrando.
Sim. Porque aí a gente coloca... A gente consegue ver a dor invisível. Porque dor invisível é dor em dobro. Então, se precisar sangrar, vamos sangrar.
Vamos sangrar. E o Fabiano falou assim, não vai pegar o branco. Ficou parecendo um hematoma. Parece um esparadrapo. Aí eu voltei lá e falei, tá bom, faz a linha em volta. Ele falou, só vou te cobrar porque você foi teimoso.
Pra quem acompanhou toda a nossa entrevista, quer continuar te acompanhando, quer entender mais, acessar os conteúdos do Post em Branco, quais são os canais?
A gente só tá no Instagram, tô fiel ao Instagram, porque foi lá onde tudo começou, então tá tudo lá, é... arroba post.branco ou digita só post em branco, tá? Compartilhe. comente, manda inbox pro amigo, entendeu? E eu vou dar um recado pras marcas aqui também. Marcas, ajudem a saúde mental, né? É muito difícil para as marcas, por exemplo, você patrocinar, você apoiar a saúde mental, se elas não estão fazendo a lição de casa. Então, o que eu tô pedindo pra vocês, marcas, fazem a lição de casa, dá cadeia da saúde mental e apoie a saúde mental.
Sim. Isso faz parte do nosso trabalho, que é educação em saúde. Existe uma grande distância entre saúde mental e doença mental.
Exatamente.
Entre a saúde mental e a doença mental, existem vários fatores e um deles e a indisponibilidade para falar sobre o assunto ou ignorância. Depende de como você quiser. Então já tá cafona não falar sobre o assunto, já passou do tempo da gente não trazer a saúde mental. Nós estamos falando de educação no tema, estamos falando de prevenção. Prevenção é muito mais gostoso, mais fácil, mais barato do que tratamento e reabilitação. Então, meu querido, muito obrigada. Até breve. Eu quero ver posts em branco por aí para que no futuro a gente não precise deles. Obrigada. Obrigada. Você com certeza deve estar cheio de dúvidas querendo conhecer mais o Daniel Portuga, então já sabe os caminhos. Compartilhe esse programa com quem você quer bem, com quem você sabe que está roendo a unha ou está se manifestando de uma maneira anormal, a gente não pode normalizar o anormal, então compartilhe esse programa porque assim você contribui também para a educação e saúde nesse tema que tanto precisamos. Até breve. Tchim, tchim. Obrigada.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








