Superando dificuldades com ESTUDO e TRABALHO - com Luciene Vignoli

Luciene Vignoli talks about overcoming hardship through study and work, her path to financial independence, marriage, and advocacy for vulnerable people.
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Aí agora eu quero saber como é que você conheceu o seu marido, como é que você viu uma filha, como é que veio a ideia da editora?
Claro, vamos lá. Eu convivi com as tias durante alguns anos e não foi o tempo que eu esperava conviver, porque não foi fácil, essa adolescência também foi muito difícil. As tias, elas me amaram, mas ao mesmo tempo não demonstraram. Eu não fiz o que esperavam, eu não engravidei cedo, eu não me prostituí, eu estudei muito, eu trabalhei muito. Eu segui a vida, agradeci às tias aos 18 anos por tudo que elas fizeram. E fui morar na casa de uma prima. Depois, na casa de alguns amigos da escola, né, do curso. E depois, eu fui morar sozinha. E aí, eu não fui morar sozinha porque eu queria ser independente. Ou porque eu queria ser um mulherão. Eu fui morar sozinha porque eu não tinha nenhum lugar pra morar. Eu precisava escolher um lugar, e eu já trabalhava. porque eu estudei muito. Então eu trabalhava e aí eu consegui ainda pra sobreviver. E aí depois pra viver, porque eu me dediquei muito ao trabalho.
A sua liberdade financeira fez com que você tomasse essas decisões?
Sim, muitas, porque eu conseguia ter o meu salário só Pra mim. E aí, eu consegui alugar um espaço seguro, que eu escolhi num lugar distante. Era mais acessível, pras condições que eu tinha ali, né. Não tinha um super salário, mas era o suficiente pra eu decidir o que fazer com ele. E eu era bolsista nos cursinhos que fazia, porque… Sempre estudiosa, então nunca precisei pagar. E aí, era pra sobrevivência, trabalho… Pra casa, era casa, trabalho e cursinho. E aí, eu conheci meu marido no elevador desse prédio. A 24 anos, continuo casada com ele. Eu disse que ele tinha os olhos lindos durante a subida do elevador.
Assim, na lata. Nossa, que olhos lindos que você tem.
Falei!
Falou.
Quando eu vivia na rua, as pessoas sempre diziam, lindos olhos os seus, Lu. E eu nunca percebi que era uma forma de me assediar de verdade. E eu fiz isso com massa, acredita? Aprendi a assediar ele no elevador. Eu tinha 20. 20 anos. E aí, passou um tempão, a gente só se encontrava na garagem quando eu parava o carro do lado dele, assim, às vezes a gente se encontrava. E uma moça, uma vez, me chamou pra sair. Eu não quis ir, mas ela falou, olha, o cara do 143 vai estar lá. E eu falei, que hora que é o lugar que eu vou à festa? Ele me trouxe pra casa. Fiz tudo que a tia mandou não fazer nunca. E ele casou comigo.
E aí, depois de quanto tempo vocês estavam morando juntos?
Uma semana, na verdade, que a gente ficou, a gente resolveu se casar. E aí, eu me casei com uma. Nos anos 2000. Você vê, né? Deus sabe o que faz, né? Não vai deixar a vida inteira me ferrando. Nunca tive.
Não, e o Má… O Má é fofo.
Ninguém me dá um marido qualquer.
Não, é querido, é doce. E que bom que vocês estão juntos.
Quando eu conheci o Má e nós nos casamos, a mamãe dele tinha adotado a Jenny. Tinha trazido e resgatado a Jenny também de uma situação de vulnerabilidade. A Jenny foi um presente que eu sei o que é ser mãe sem necessariamente ter engravidado. Isso não tem a menor diferença pra mim. Eu sou realizada sendo mãe dela, tem 26 anos hoje. Porque pensa, 24 anos de casada, ela tinha dois na época.
Minha nossa senhora. E aí, hoje você tem um colo que acolhe milhares de pessoas. Isso é bem... é uma história e tanto. Alô, Netflix? Não vai gravar, não?
Tem uma produtora trabalhando o livro, mas a gente nunca sabe quando vai acontecer.
Não assinei ainda, mas ela é bem linda.
É verdade. Hoje eu sou embaixadora de projetos voltados às pessoas em situação de rua. Hoje eu trabalho o enfrentamento às violências contra crianças e adolescentes. É o meu maior legado, meu maior desafio. E a prevenção às violências contra crianças. Eu trabalho muito... o debate dentro das famílias, porque as pessoas acham que as pessoas de situação de rua nasceram na rua, e elas não nascem na rua. Eu ainda sou da rua e posso dizer que cada história é única, absolutamente única, e é dentro das famílias que acontecem o maior problema. uma rejeição, uma briga, algo que foi um conflito familiar que gerou a fuga. E aí a pessoa acaba se adaptando a esse espaço. E depois, claro, o problema de saúde pública, de drogas e tudo mais, né? Isso que faz as pessoas permanecerem assim e não perceberem mais onde estão.
Sim. Quero um colo. Quero ser o colo. Quero ver e ser vista. Quero um mundo melhor. Que ninguém seja invisível, principalmente as crianças que não possuem escolhas. Depois disso, fotos da Lu no colo da mãe.
Maravilhoso até esse registro, né?
Total. No colo do pai. Colinho de mãe. Seu pai e sua mãe. E isso mostra que não importa o que aconteceu conosco, e sim o que nós vamos fazer com o que acontece.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








