Tá conseguindo lidar com um monte de medo ao mesmo tempo?

Carol Sandler e Isabela Camargo conversam sobre lidar com medo e burnout durante a pandemia. Isabela, autora de "Dá um Tempo", fala sobre a importância de estabelecer limites e cuidar da saúde mental quando tudo fica muito ao mesmo tempo.
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Vamos entrando, minhas queridas, poderosas, boa noite pra vocês. Tô muito feliz da gente fazer essa live hoje, que esse é um assunto que toca muito forte em mim e eu tenho hoje uma convidada espetacular que vai conversar com a gente sobre isso, falar sobre o novo livro dela, que é a Isabela Camargo. Vocês conhecem a Isabela, ela não precisa de apresentação, ela é Hoje apresentadora da rádio Bandeirantes, ela é autora do livro Dá um Tempo e a leitura desse livro mexeu muito comigo, muito, porque eu já vi, nunca vivi a experiência de burnout, Mas eu vi isso de perto, de muito perto, e eu sei como isso impacta a vida de muita gente. Não só de quem tá sofrendo de burnout, mas a vida da família inteira. E isso tem uma série de impactos. E neste momento de pandemia, a questão fica ainda mais complicada. Especialmente pra mulheres. Então vamos só esperar a Isabela entrar. Querida Isabela. E já vou aproveitar pra vocês pedirem. Isa, assim que você entrar, já manda aqui o pedido pra entrar, tá bom? Tô aqui de olho. E um convite já pra vocês. Tá assistindo essa live? Aperta o botão do aviãozinho e compartilha. Eba, a Isa entrou. Compartilha com as suas amigas, com a sua família, porque esse é um assunto fundamental e a Isabela vai trazer a experiência dela e a experiência do livro, que é fundamental. Olha só, ela entrou aqui, vamos chamar. Vamos antecipar. Vamos lá.
Está entrando.
Eza, tudo bom?
Tudo bem, Carol. Que alegria estar aqui com você. Boa noite a todos.
Boa noite, querida. Estou muito feliz de a gente estar aqui juntas. Quero te agradecer por aceitar o convite e parabenizar por essa obra. De verdade. Porque que baita livro. Quantos anos pesquisando e trabalhando para escrever esse livro? Me conta!
Foram, na verdade... Foram cerca de 50 entrevistas oficiais, né? Oficiais de 5 horas marcadas, vai na casa da pessoa e tal Mas quando você se dispõe a pesquisar um assunto, quando você está muito imbuído na missão, o assunto também chega até você Então eu vou dizer que nesses últimos 3 anos de pesquisa e experiência e tudo mais Não teve um dia em que eu não conversava pelo menos com duas pessoas sobre o assunto Então se eu fizer as contas, você que é boa de conta, Carol, me ajuda. Três anos, 365 vezes três, vezes dois por dia. Foram muitas pessoas.
É realmente uma obra muito completa e com grandes entrevistados. Realmente me tocou muito. Já dei o livro para algumas pessoas. Eu gosto do papel e eu gosto do Kindle, eu fiz o meu resumo também no Kindle Compartilhei com algumas pessoas da minha família que são mais preguiçosas na leitura Do tipo, você precisa ler isso daqui, você precisa estar por dentro Porque é uma questão urgente, né? E você vive isso na pele O.
Que acontece, Carol, é assim O livro não fala da minha história Sim. O livro tem partes do que eu aprendi com a minha história.
Exatamente.
O melhor de tudo, para quem ainda não teve acesso a algumas informações dele, é que é assim. É um livro com 150 entrevistas. Ele é grosso, mas as histórias, os trechos são blocos, então passa rápido.
Eu li assim, voando.
Então, passa muito rápido, isso dá a sensação do tempo fluir, que é o que nós queremos. E aí, o melhor de tudo que vocês poderão ver é que as histórias do Cortella são as nossas histórias A história da Monja Coen é a nossa história, sabe? Então quando você ouve, olha o lado bom da coisa aqui dizendo, eu li, que bom, obrigada, gente!
Enquanto a Isa vai contando, eu vou.
Deixando aqui pra vocês verem Obrigada Carol, ô generosa! Mas veja, o que é mais curioso, na minha opinião, é você perceber tanta gente que a gente admira e que vive os mesmos dilemas que nós em torno do tempo. Então, por exemplo, quando você ouve a Fernanda Takai dizendo que aos 40 anos ela teve um piripaque, porque ela fazia muita coisa, né? Ela trabalhava numa agência, ela fazia já show, ela já era do Pato Ful, escrevia pra uma coluna, enfim. Ela disse, Isabela, eu tive um piripaque. E aí quando você ouve, por exemplo, o professor Karnal dizendo que quando ele viajava bastante na época, a entrevista foi em 2018, e quem é que nunca pousou no aeroporto e aí saiu correndo do avião? E aí, por exemplo, ele coloca isso, será que o tempo inteiro a gente está com pressa ou a gente já não está mais acostumado a fazer as coisas com tranquilidade. Então tudo isso eu trago no livro e é muito bom porque aí você se coloca, você tá todo mundo na mesma página e aí sim você pensa no tempo. Carol, porque a gente fala de tempo o tempo inteiro.
Então, ai, eu tô corrida, eu tô exausta, eu tô... Viraram os hinos, né? Ai, você tá exausto, não tem tempo pra nada, não tem tempo pra nada. É o hino dessa pandemia, né?
Total. Agora, além disso, Carol, assim, a gente fala de tempo o tempo inteiro. É o tempo da live, é o tempo de fazer a unha, é o tempo de comer, é o tempo de estudar, é o tempo da reunião, é o tempo da viagem, é o tempo do banho. A gente fala de tempo o tempo inteiro. Do bom dia ao boa noite.
Quero o meu almoço.
Tudo, o tempo inteiro, a hora da reunião, o tempo de deslocamento Isso pra quem ainda não sonha com o tempo Eu falo do bom dia ou boa noite, mas assim Nós podemos parar para pensar no que estamos fazendo com o tempo voluntariamente Acho que é isso que é a principal mensagem Você não precisa de uma pausa violenta para parar e pensar no seu tempo E geralmente essa pausa vem quando? Quando você está no velório de alguém Quando você recebe a notícia de algum acidente ou de algum diagnóstico de alguma pessoa perto de você Você fala, nossa, o tempo passa, o que eu tô fazendo com o meu tempo? Não precisa ser assim.
Exatamente. E isso mexeu muito comigo. Eu vivi muito de perto uma pessoa muito próxima que teve uma crise complicada de burnout. Eu vi o quanto isso impacta a vida, a carreira, as finanças, tudo. E você fala no livro que não é uma questão de um fim de semana. Passou. São meses para você se readaptar à sua vida São anos para você reconstruir e construir uma nova identidade Eu amei o que você fala no livro sobre atualizar a nossa identidade Mas eu queria começar isso daqui falando sobre os riscos que a gente está correndo nessa pandemia Porque tem a pandemia muito óbvia, né? do coronavírus, essa doença terrível e que tá fazendo todo mundo parar pra pensar Eu já não conheço uma pessoa que não perdeu alguém próximo, alguém conhecido por conta dessa doença É muito grave o que tá acontecendo, só que a gente tá também numa pandemia de exaustão Numa pandemia de burnout, porque o que eu vejo até com as mulheres com quem eu converso no dia a dia Não temos tempo pra nada, temos o acúmulo das tarefas domésticas com a carreira, com o cuidado com os filhos, com as aulas online das crianças Eu no mês de junho mesmo eu tive que parar, parei, interrompi todos os projetos, passei um mês e meio basicamente fora do ar Focada na minha filha porque ela tava precisando e eu tava naquele ritmo de eu preciso dar conta de tudo e não dá Não dá nem pra chamar o que eu tive de burnout, foi assim, exaustão e deu pra parar antes da hora, sabe? Porque eu já comecei a aprender a reconhecer os sinais, mas a gente, muitas mulheres e muitos homens também, não estão tendo a opção de parar nesse momento de pandemia. Então como é que dá para você evitar passar do limite? Porque o burnout é realmente quando você passa do limite, você vai para a exaustão completa e o seu corpo pifa, né? Então conta pra gente que estratégias as pessoas podem usar para evitar chegar a esse ponto.
Ai Carol, vamos lá.
É uma pergunta super simples, tá?
Super simples, super simples. Eu serei muito breve, tá, gente? Mas olha, você sabe que se você me desse cinco segundos pra responder essa pergunta, eu diria durma. Pronto, obrigada. Tchau, gente. Boa noite. Não existe manual, não existe regra. O que existe é a sua percepção sobre a sua agenda e as suas condições de saúde hoje Um grande erro nosso, Carol, é querer fazer as coisas hoje com as condições que tínhamos do passado Por isso que atualização de identidade é muito importante Porque senão a gente fica projetando um futuro com características do passado É a mesma coisa eu querer fazer agora alguma coisa com as minhas condições de saúde de 20 anos atrás. Não funciona. Porque o nosso corpo muda, as nossas necessidades mudam, então quem aqui no passado ia pra balada, dormia pouco e no dia seguinte estava ok, agora não dá. O Ricardo Amorim inclusive fala no livro. Ele fala, olha, antes eu podia dormir pouco, meu raciocínio não ficava prejudicado, agora não. Então por isso que eu falo, a gente tem milhares de pessoas que a gente admira e você fala, poxa, mesma coisa acontece comigo, então beleza. Então vamos ver como é que nós vamos seguir a partir daqui. Mas o burnout não chega de um dia para o outro, então ele também não será resolvido de um dia para o outro. Ponto. Como é que você vai prevenir o burnout? Se você se ouvir. Porque nós substituímos as lesões físicas do passado pelas lesões mentais do presente. estamos usando mais a força cognitiva, a nossa mente, do que a força física. Se fôssemos operários daquelas linhas de produção, Carol, nós teríamos problemas físicos, lesões de articulação, como já tem milhares aí de pessoas que vão falar sobre isso melhor do que eu. Então, as lesões físicas foram substituídas pelas mentais. Só que o cérebro Quando você, vamos lá, mulherada tá lá lavando roupa, aí dói o braço, você para, a dor passa O cérebro não, você tá lá trabalhando, trabalhando, trabalhando, trabalhando, você tem uma dor de cabeça Você não vai parar de fazer o que você tá fazendo, você vai tomar o remédio e vai continuar Aí a média e longo prazo, o que que acontece? A palavra longo prazo aqui, Carol, que eu sei que você gosta bastante, né? Finanças, longo prazo O longo prazo é que é o problema, por quê? A médio e longo prazo, conforme você vai colocando a máquina em exaustão, você vai sentindo dores pelo corpo. Dor de estômago, problema no intestino, problema em todo o corpo. Só que você não associa isso ao desgaste mental. E é por isso que quando você sente uma exaustão tremenda, um mal-estar, que aí vem acompanhado de agressividade, tristeza, ansiedade, é tudo junto realmente, é um curtinho. Tudo junto.
Vem a depressão junto, vem uma série de questões.
Sim. E aí você fala, nossa, o que aconteceu? De repente... Não, de repente nada. Não é de repente, né? Até uma gripe não chega de repente Porque se você dormiu menos antes, pronto, aí sim você já tá abrindo a porta pro ladrão Você já tá abrindo a porta pra qualquer vírus, né? Mas a melhor maneira hoje, então lidando com todos os públicos, tá Carol? Porque Só tem home office quem tem home, porque senão não tem nem office, então não é todo mundo que vive nesse estresse Somos pessoas muito privilegiadas, inclusive todos que estão aqui, por termos uma internet, um aparelho aqui eletrônico e tudo mais Mas grande parte da população não. Então colocando todo mundo na mesma página, o que todos nós fazemos? Dormimos, tomamos banho, nos alimentamos, escovamos os dentes. Vamos colocar essas quatro. Então, Carol, como é que eu posso prevenir o burnout? Ou como é que eu posso prevenir qualquer problema, qualquer epidemia dentro da pandemia? Como você falou, a gente vive várias epidemias dentro da pandemia. Então, você tem um número de ansiosos hoje no Brasil que já chega a 19 milhões Depressivos, mais de 12 milhões. Burnout, mais de 20 milhões. Então são números muito chocantes, são epidemias.
É aspronômico, é uma epidemia de fato.
Exatamente. Então como é que você vai prevenir qualquer coisa na sua vida? Primeiro, primeiro, durma. A gente subestima as nossas horas de sono. A gente subestima, na verdade, as consequências da falta de horas de sono necessárias. Por quê? Porque a gente tá fazendo uma agenda desse tamanho, né Carol? Então pra dar conta dessa agenda eu vou ter que dormir menos, porque senão eu não vou conseguir dar conta E ainda tem a ilusão que dormir é perda de tempo. Então não importa quanto você ganha, quantos anos você tem, não importa Se passou ainda dos 30, tem que dormir. E aí assim, ai Isa, mas eu peguei um projeto, um projeto especial, uma semana eu tô dormindo mal. Sem problema, vou te dar força, conte comigo. O problema é você fazer da exceção a regra. É você ter um estilo de vida insustentável, esse é o problema.
E como é que você ajusta o estilo de vida e como é que você dá o não? Porque o não é... força mais poderosa e mais difícil. Eu vejo nas mulheres especificamente como a mulher é muito cobrada para ser o sim o tempo inteiro e tem uma dificuldade ainda maior de dizer não. Como é que a gente consegue colocar esse limite na agenda de fato?
Pronto, é treino Carol, é treino. Você que fala de finanças, provavelmente você deve falar para as mulheres, olha, Vou aqui só fazer aqui uma simulação, só pra todo mundo se identificar Então você tem um foco, no caso financeiro você tem um foco, aí você vai passar na frente de uma promoção, tá bom, vou ter que dizer não pra essa promoção, senão não alcanço meu foco Pra nós, qual é o foco? Qual deveria a nossa saúde? Então eu tenho um foco na minha saúde, são minhas horas de sono. Por exemplo, eu e Isabela, hoje, viro uma onça. Se o Tiago Godoy, meu marido querido, que você conhece, que nos apresentou, né? Por exemplo, tem dia que a gente se empolga numa série, por exemplo. Eu já sei que no dia seguinte vai dar ruim. Então você vai ter que treinar pequenos nãos para ter segurança para os grandes nãos. Olha que interessante. O Bernardinho diz no livro, se tá difícil é porque precisa de treino.
Perfeito.
Como nós não fomos incentivados, incentivadas a dizer não E sim servir todo mundo e dizer sim para tudo, até porque vai que eu digo não e não sou mais aceita Vai que eu digo não e eu não sou mais querida.
Olha, eu vou fazer um parênteses, eu tenho uma amiga que ela aceita todos os convites que ela recebe Ela não vai em nenhum, mas ela diz que ela continua aceitando todos para não esquecerem dela E não deixarem de convidá-la para a próxima festa Então é de fato angustiante e isso na vida social já é um ponto Na vida profissional é muito difícil, né? Eu vi aqui o Charles falou que o trabalho não aceita não, mas se você não coloca o seu limite O trabalho te perde para o longo prazo.
Para o longo prazo Carol, essa pergunta sempre quando vem e eu preciso responder com muito carinho O trabalho vai aceitar não se você souber dizer o não adequado para cada situação E aí entra um ingrediente nesse treino chamado comunicação não violenta Então, o que que eu quero dizer? Você tá lá trabalhando, você já tá no seu limite, você já tá lá no seu limite, você já sabe que tá no seu limite Aí você é muito bom naquilo que você faz, né? E aí o seu chefe fala assim, olha Carol, você ó, tá batendo um bolão, precisa que você faça mais tal coisa Você não vai, não, não vou fazer e vira e sai andando, não O adequado, o que eu recomendo, por eu já ter vivido excesso de sim Porque existe uma armadilha muito grande para quem está trabalhando aqui Armadilha da competência, quando você vai aceitando todas as oportunidades, todos os trabalhos Para justamente validar.
Você quer crescer.
Você quer crescer. A própria Fernanda Takai falou isso aqui. Está muito fresco. Na semana passada a gente fez uma live. E ela disse, dependendo do seu estágio profissional, você quer fazer tudo. Você quer divulgar o seu trabalho. Então não é?
O Ricardo Amorim também fala muito isso. Eu me vi muito na fala dele. Que no começo você quer aceitar tudo porque você quer exposição, você quer crescer. E chega uma hora que você vai vendo que é impossível.
Não dá.
Você começa a ter que priorizar e se priorizar dentro daquilo.
Sim. Aliás, eu vou até colocar essa palavra priorizar, que aí vem uma dica mágica. Vamos só finalizar o não. Vou até marcar aqui. Priorizar e essencial. É assim, ó. O treinar o não vem com algumas palavrinhas antes. Por enquanto não, agora não, essa semana não, esse mês eu não consigo E sempre, gente, com muita delicadeza, elegância, respeito, tá? Não se preocupe com o que o outro vai pensar Porque se você estiver se colocando em primeiro lugar e se colocar com, de novo, respeito, delicadeza e tranquilidade Vamos supor que não aconteça uma consequência boa, eu tenho certeza que no futuro você vai agradecer, porque se você falando a sua verdade, colocando as suas necessidades básicas, você não é respeitado, então esse lugar não te respeita Então, treinar ou não? Vamos treinar um pouco em casa. Pedidos familiares, companheiro, companheira, etc. De novo, com delicadeza e a comunicação não violenta. Carol, muito obrigada pelo seu convite. Eu quero muito falar com você, mas olha, eu só vou ter agenda, Carol, no dia 15 de outubro Nós demoramos acho que 20 dias para marcar essa live, não é? Então a forma como você coloca, as possibilidades que você também expõe podem te encaminhar para um caminho de coerência ou não. Agora, às vezes por medo de dizer não, a gente diz sim e depois se arrepende.
Arrepende, é um clássico.
Você com medo de fazer uma pergunta para o chefe, você depois sobrecarrega Por exemplo, que pergunta que você pode fazer para o seu chefe? Qual é o prazo? Quem pode me ajudar nessa tarefa?
Essa é maravilhosa, quem pode me ajudar nessa tarefa?
E aí de novo, você vai ter que ter humildade Para falar isso e reconhecer que você precisa de ajuda para fazer essa tarefa que nem a sua Mas ok, você tem que fazer, então alguém pode me ajudar? Delegar também precisa de muita humildade para você reconhecer que alguém faz melhor do que você Sim Não é?
Eu vejo isso muito até com a minha equipe, de falar, tá bom, mas qual que é a prioridade? Porque dentro de todo esse universo de novas atribuições que eu tenho, eu não vou dar conta de tudo Então, qual que é a prioridade aqui que eu vou colocar mais tempo e mais energia? E o que a gente pode fazer mais simples as minhas outras tarefas? Eu falo, nossa, que... Que sacada, é muito isso e é muito a prática do dia a dia mesmo Porque às vezes você pegar e falar, hoje eu não vou conseguir colocar as crianças na cama Hoje você pode fazer isso por mim, por favor? Esses nãos, sabe? Ai amor, o que tem de jantar? Puxa, hoje eu não consegui organizar o jantar Você pode hoje, por favor, me ajudar com isso?
Perfeito, pequenos nãos, esses são os pequenos nãos E aí conforme você vai ficando mais seguro das suas falas, de como você reage Porque nem sempre também você vai dizer não e você vai conseguir, não tô dizendo que é fácil Mas estou dizendo que precisa de treino. E aí, Carol, eu vou falar aqui uma coisa muito importante, é que você falou a palavra prioridade.
Por favor.
Sempre tem, né? A lista de prioridade, importante, urgente, etc. Antes de tudo isso, Isabela dá um passo atrás e fala assim, vem comigo, gente. Precisamos definir, Carol, o que é essencial. Essencial antes de tudo. O que é essencial? Dormir, comer, tomar banho e escovar o dente. Se eu não tiver tempo suficiente para fazer essas quatro coisas, pode ter uma lista de prioridade, importância. Você entende, Carol? Então assim, eu tô aqui cheia de caras e bocas Eu tô tão animada com a conversa porque é assim.
Não, a gente fica mesmo, porque é incrível. E colocar tempo nisso. Vou trazer aqui um exemplo. A gente, em casa, meu marido trabalha por projetos e tem as fases em que ele está assim, a milhão, indo dormir uma, duas horas da manhã. E levantando às 7 horas para malhar, vamos lá E eu falo, tá, isso aqui vai durar quanto? Porque você não vai segurar isso por muito tempo Ele falou, não, isso aqui é um negócio de uma, duas semanas, tá bom Então a gente já faz o nosso combinado Então quando você desacelerar desse ritmo insano de 7 dias por semana dormindo 4, 5 horas por dia, a gente vai ter que desacelerar, você vai não pegar um outro projeto A gente vai tirar uma semana de férias e a gente vai fazendo esses acordos com os dois com essa flexibilidade Porque a gente vê o que acontece quando não dorme, quando não tem o tempo E é muito doido, né? A gente tá nesse período pandemia todos em casa o tempo inteiro Eu tô muito com a minha filha, muito no trabalho e ele vai treinando o não dele, eu vou treinando os meus não E a Bia vai aprendendo por osmose como é que funciona isso E uma coisa que você falou bem no começo do livro também, que é muito forte, que é essa aceleração de tudo Como tudo ficou cada vez mais rápido, não é exclusivo da nossa era Já estão reclamando da aceleração do tempo há alguns séculos, mas agora ficou tudo instantâneo Eu falo um pouco sobre isso também no meu livro, no Detox das Compras E como essa instantaneidade traz mais pressão, nós nos tornamos mais prisioneiros do tempo E com isso traz também um impacto financeiro na nossa vida, porque a gente se acostuma a ter tudo na hora Ter tudo na hora, de eu quero... A Bia fala assim, mãe, pede entrega, pede entrega Pra ela, pede entrega é sinônimo de o que eu quiser chegar na minha casa em 40 minutos E essa instantaneidade faz muito mal para a nossa expectativa de consumo E no livro você também fala da importância da educação financeira Me conta, como é que a gente encaixa isso, a educação financeira, dentro dessa história?
Nossa, tem tudo a ver, Carol Eu tenho falado muito com o Ti, a gente tem feito conversas em conjunto Porque saúde mental tem tudo a ver com saúde financeira Tudo, tudo, é a base E vou te contar uma coisa importante, eu não sei se você chegou nessa parte no livro, mas é assim Uma das características de quem desenvolve o burnout ou está para ter um burnout é o excesso de compra É tão curioso, porque eu vivi isso, mas eu nem liguei Léa com Cré Mas quando eu conheci um cardiologista um cardiologista e ele me disse que ele só se deu conta que ele já estava no fio do pavio Quando ele estava agressivo e chegava muita compra na portaria dele, ou seja, compras pela internet Porque você tá tentando suprir alguma falta, isso pra mim é muito chocante Então além de todos os sintomas que o seu corpo, os sinais que o seu corpo tá alertando e mandando A gente fica desnutrido, o burnout é quando você se negligencia, é quando você está ausente de si mesmo E aí você vai buscando na comida, nas compras, uma compensação por toda essa negligência Isso é muito triste, sabe Carol? E aí, de novo, volta no sono Se você não dorme bem, você não vive bem E aí se você não dorme bem, você pensa pior, reage pior e toma piores decisões Bêbado de sono, né? Bêbado de sono! E aí, quando você tá com sono, e isso eu trago no livro, os especialistas que dizem, quando você não dá a energia que o seu corpo precisa a partir do sono, ele vai buscar em outras coisas. Alimentos gordurosos, carboidratos, e pior, tem gente que vai pra drogas, bebida alcoólica, ou compras. Então, uma coisa tá totalmente relacionada à outra.
Totalmente. Eu acredito muito que saúde mental é a base para você construir uma vida financeira equilibrada Nos dois, o objetivo é o equilíbrio Você quer ter uma vida que você tem tempo para você, para se cuidar, mas também tem um tempo de Se realizar profissionalmente e crescer e curtir a família, a gente quer tudo A gente quer ter o equilíbrio disso tudo E na nossa vida financeira, o objetivo não é quem fica milionário primeiro Não é a corrida do milhão aqui O objetivo é você ter uma vida de equilíbrio em que você consegue bancar suas escolhas Para mim, essa é a minha visão da educação financeira Então você negligenciar a sua saúde mental, a conta vai chegar também financeiramente Porque vai impactar, primeiro, hábitos de compras porque é um escape socialmente aceito Você tem estímulo de compra em tudo que você vê, está tudo à venda o tempo inteiro Instagram, shopping center... E isso é super danoso. Depois, quando você está vivendo o burnout, você tem que se afastar do trabalho Então eu já vi histórias, por exemplo, de mulheres que tinham a sorte de ter um seguro de vida E que conseguiram contar com uma diária de incapacidade temporária porque tiveram que parar de trabalhar Tem que ser ausentado o trabalho e às vezes o trabalho é compreensivo e às vezes o trabalho não é compreensivo.
Não é. Carol, muito bom você chegar nesse ponto porque acho que tem duas coisas muito importantes que eu posso dizer por ter vivido Quem está vivendo a síndrome de burnout ou conhece alguém ou está para, e eu espero então que com essa live você faça uma pausa voluntária, você não é um profissional ruim Você só está vivendo um momento ruim, tenha isso muito em mente Escreve na porta da geladeira, na parede, onde quiser, por quê? Porque a coisa é tão confusa, o preconceito é tão grande ainda E as consequências desse afastamento de trabalho, ele é tão... Olha, por mais que eu fale, não dá nem para explicar, que você começa a questionar o seu talento, os seus dons, as suas habilidades Então, primeira coisa, você não é um profissional ruim, até porque A maior parte das pessoas que eu entrevistei, e foram 4 mil, a maior parte ama o que faz. Dificilmente uma pessoa que não gosta do que faz e não tá nem aí tem burnout. Então, geralmente, a pessoa que tem burnout ama o que faz e por amar o que faz, faz muito e aí esquece de si mesmo. Tá? Então, primeiro ponto. Segundo ponto, esqueci, mas também vai ser importante. E aí, lembrei, de novo, se nós estamos substituindo as lesões físicas do passado pelas cognitivas mentais do presente, O problema, Carol, não é ter o burnout. Isso eu já tô chegando assim no final, tá? É claro que se você puder prevenir, você vai prevenir, você vai se cuidar, você vai fazer uma pausa antes de deixar a chave de força cair. Mas se você viver uma experiência com a síndrome de burnout, este não é o problema. O problema é o que a empresa pode fazer quando você retornar da licença médica. Com a minha história, isso foi muito... eu só consegui cair essa ficha recentemente Porque foi tanta exposição, foi tanta confusão, eu falei assim, poxa, tem 20 milhões de brasileiros com diagnóstico É a mesma coisa que a Lerdort na década de 90, quando os bancários digitavam muito, se eles não... Olha a Ana Leone aqui, Dinheiro com Atitude, beijo, beijo Ana.
Linda!
Veja, é a mesma coisa que você dizer para aquelas pessoas que aquilo não era digno de tratamento. É a mesma coisa que hoje você fala para os problemas que são invisíveis, os problemas de saúde invisíveis. Então, Eu preciso só ter essa consciência Hoje você tem mais diálogo nas empresas Até porque uma empresa que tem funcionários com burnout tem líderes com burnout Isso também é fato, pelas minhas pesquisas já vi isso, mas você está tendo mais espaço para esse tipo de conversa Esse espaço que você está me dando, esse diálogo é maravilhoso, né? Exatamente Alguém está perguntando aqui sobre o que é burnout, é um fenômeno ocupacional causado pelo excesso de estresse e trabalho por longos períodos. É um conjunto de sinais e sintomas, por isso que é síndrome, é um conjunto de sinais e sintomas que não chegam de repente, que vão te chamando a atenção para um esgotamento mental e físico. Então, nós estamos convivendo com máquinas, mas precisamos lembrar que até elas precisam de manutenção. Então, eu preciso reaprender a ter momentos de silêncio, momentos de pausa, eu preciso aprender a ser tolerante com os atrasos, mas como a gente vive num mundo express, nós queremos tudo para ontem, a gente tá se colocando numa velocidade que o corpo não aguenta. Pode ser que no futuro sim, mas hoje Carol, eu converso toda semana com o neurologista ou psiquiatra e eu pergunto A gente ainda continua com o cérebro dos nossos ancestrais? Porque vai que mudou, não tô sabendo.
Vai que mudou, né?
Sempre assim. Então, gente, é isso. A realidade é essa Então se você não parar pra pensar nisso com saúde Você vai ter que pensar depois e o custo é muito maior, sabe Carol? E outra coisa que você falou, só para fechar, passar a palavra para você Os adoecimentos te causam muitos prejuízos financeiros até porque a quantidade de tratamento que você faz, Carol Para estar lá no dia seguinte para trabalhar, então o custo da sua hora é muito maior do que o valor que você recebe Exatamente.
São custos com médicos, com remédios, com tratamentos. Eu vivi isso de perto e eu realmente vi.
A pessoa falava assim, nossa, eu não.
Só parei de ganhar, mas agora eu também tô gastando mais. Então eu vi tudo isso que você tá contando do medo de isso me faz um profissional pior. Vi tudo isso, é muito forte E aí você falou uma palavra que me pegou muito, que foi a pausa Porque não foi à toa, quando eu estava acompanhando esse caso de burnout, foi quando eu comecei a meditar E aí comecei e virei também a coisa de, vamos meditar, manda livro da meditação pro pai, pra mãe, pros irmãos, pra família inteira, vamos todo mundo meditar E no livro você fala de fazer uma pausa E eu comecei a aplicar isso no meu dia a dia, de eu vou mudar, vou mudar de assunto, vou mandar um e-mail, vou mandar um outro e-mail, vou virar a chave. É um minuto de respiração. Um minuto que eu saio, viro a cadeira, às vezes eu nem levanto, viro a cadeira para o outro lado e paro e respiro. Então esse foi um ganho assim imediato do livro das micropausas. Já uma falou aqui, são essas micropausas Porque a meditação no dia a dia é algo que tem um efeito cumulativo fantástico Mas eu tô vendo a diferença do meu nível de estresse no dia a dia com essas micropausas E eu queria saber, você medita todo dia, como é que é isso pra você?
Não. Eu adoraria te dizer sim, mas eu não posso falar uma coisa e fazer outra Carol, por que eu incluo essa história da micropausa? Porque tem dia que a gente não vai conseguir meditar 10, 20 minutos e tudo bem A culpa é uma grande perda de tempo O julgamento, mas eu tô vendo na rede tal que a fulana medita e tem filho, como é que ela consegue? Então isso é perda de tempo também, aquilo é um recorte A gente não sabe quanto tempo essa pessoa treinou para conseguir fazer aquilo E aí Carol, o que que eu... E essa micropausa não foi também do além que eu tirei Conversando com os médicos, eles me disseram que se você não der condições para o seu cérebro absorver a informação, você só passa por elas, no final do dia você está exausta e não lembra o que fez. Bom, quem aqui nunca falou assim, nossa, eu não lembro nem o que eu almocei. porque passou de tela em tela, passou de assunto a assunto e não deu tempo para o cérebro absorver. Aí essa micropausa eu lembrei assim, muita gente quer procurar um personal trainer, mas não tem coragem nem de subir a escada do prédio. Muita gente quer meditar E não tem a humildade de reconhecer que de tão simples que é, funciona Porque as pessoas, Carol, e nós somos as pessoas, a gente não quer fazer coisas simples porque acha que elas não vão funcionar Aí vai na farmácia, paga caro em alguma coisa que dizem que faz bem E essa micropausa, tô tão feliz de você falar isso, Carol, depois grava um vídeo pra mim pra colocar Gravo, óbvio.
Porque tá fazendo uma diferença.
Então, é isso. Então, melhor do que eu falar é alguém que fez esse tipo de informação não muda o comportamento, né? Você vai ter que experimentar. Então, de uma maneira geral, neurologistas e psiquiatras me explicaram, Carol, essas micropausas são fundamentais por quê? Vamos lá. A síntese disso aqui é que nós precisamos aprender a saber quando acelero e quando desacelero ao longo do dia Então é uma ilusão você passar uma semana no 220, chegar no sábado e domingo e achar que você vai se recuperar.
Não, é o contrário, é no fim de semana que você adoece.
Porque seu corpo parou de produzir adrenalina e aí ele fala, bom, então agora eu vou me recuperar Quem nunca, né?
Passou aquela semana insana, falou, não, fim de semana eu vou descansar E chega no fim de semana, vai, é crise de enxaqueca, é uma insônia brutal, é uma dor de barriga É alguma coisa que você não só não consegue funcionar, mas você passa o fim de semana esgotado, passando mal E segunda-feira tá ali e você fala, eu preciso de um fim de semana pra me recuperar deste.
Fim de semana E olha, isso acontece muito quando as pessoas tiram férias Eu adoeci várias férias, várias Mas isso também eu explico no livro, tá, gente? O psiquiatra Daniel Martins de Barros, ele explica. Quando você tá na correria, o seu corpo está produzindo cortisol, que é o hormônio do estresse, e adrenalina, se você estiver fazendo tudo com muita velocidade. E aí, você tá naquele estado de luta ou foge, isso também influencia no sono, porque o seu corpo fala assim, não, mas eu não posso parar. Tem uma ameaça a qualquer instante. Olha isso, tá nas lives dessa semana que eu fiz Então você precisa entender que se você não tiver micropausas Outro dia eu ouvi do doutor Frederico Porto assim, você tem que ter pelo menos 2 minutos de férias por hora E eu achei tão interessante 2 minutos de férias por hora porque a grande ilusão nossa é acreditar que vamos ficar No 220, meses, e aí lá daqui seis meses você vai tirar férias e vai recuperar tudo. Desculpa, mas pode ser que essa pausa não chegue como você gostaria.
Exatamente, exatamente. Eu vou aproveitar a deixa, então, pra te falar, faça os seus dois minutos de pausa. Porque você, maravilhosa, uma máquina de fazer live, eu nunca vi. Fantástica.
Reduzi muito. Reduzi muito, viu, Carol?
É, não, eu imagino, mas é realmente, é momento, você acabou de lançar o livro, é realmente um momento Mas saiba que você pra mim é uma inspiração, eu amei, eu fiquei, eu li o livro assim com gosto Grifando tudo, compartilhando o conhecimento e quis muito fazer essa live com você Porque essa é uma questão que todo mundo vive Eu acho que essas lives... O livro não está tendo tanto impacto à toa Essa live não está lotada à toa, sabe? Isso pega nas pessoas e isso impacta a vida, a saúde, as finanças, tudo Então, e ver o tamanho da pesquisa e a profundidade do livro, de verdade, parabéns Queridos e queridas, obrigada por hoje Isa, não tenho... ó, pra quem quer saber o nome do livro, dá um tempo, da Isabela Camargo E você não.
Sabe, eu tenho uma notícia ótima pra você e pra quem tá aqui Eu acabei de fazer uma live com a Submarino e a Submarino tá dando 20% de desconto — Olha, gente, a live.
De finanças — Quem não leu, por favor, aproveita o desconto Vai lá no Submarino, compra o livro porque, ó, é.
Serviço público — O cupom TEMPO20 É 20% de desconto, aí no cupom tem que colocar essa... Eu tô até escrevendo aqui TEMPO20 E foi tão legal, Carol, porque quando a gente marcou essa live Essa do Submarino tava ainda assim, tipo, vai confirmar ou não vai, vai não vai, vai não vai E aí agora, imagina, eu não venho com desconto.
Na sua live? Maravilhoso, maravilhoso. As pessoas estão amando. Eu vi agora, gente, minha avó. Minha avó tá assistindo.
A gente, vovó. Nunu.
Amo. Beijo, vó. É isso. Maravilhosa live. Vai que você tem mais. Tira o seu micropausa. Eu vou fazer agora minha mega pausa. Bom descanso pra todos, querida. Obrigada, gratidão por você vir aqui compartilhar esse conhecimento todo com.
A gente Parabéns, parabéns pelo trabalho e pelo livro Conte sempre comigo, Carol. Eu sei que parece meio irônico falar pras pessoas encontrarem os seus limites quando todos nos pedem pra acelerar. Mas, até as músicas mais agitadas precisam de momentos de pausa pra manter o ritmo. Senão, né, a música nem cai bem. Então pensem nisso. Pra vocês colocarem mais vida no.
Tempo.
De vocês. Amém.
Lindo. Um beijo. Boa.
Noite a todas. Beijo. Tchau.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








