Table Top com Adriane Galisteu Como aceitar o ‘não’?

Adriane Galisteu, Gabriela Mansur, Isabela Camargo, and Luiza Brunet talk about handling rejection in work, relationships, and life. They share personal stories about setbacks and how to build resilience when things don't go your way.
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Como aceitar ou não?
Olha, a top Gisele Bundchen disse que foi rejeitada 42 vezes antes de ser aceita por uma agência de modelos. Ela foi reprovada por vários castings no início da carreira por falta de entrosamento com a câmera. Você imagina um negócio desse? Outra, a autora por trás da história do bruxo mais famoso dessa geração, Harry Potter, tinha tudo pra dar errado. J.K. Rowling era mãe solteira e vivia de ajuda de benefícios do governo quando começou a escrever o primeiro livro da série Ela até chegou a colar a primeira carta de rejeição na parede da cozinha de uma maneira a ficar mais incentivada a buscar as próximas oportunidades A apresentadora mais bem-sucedida dos Estados Unidos foi demitida do seu primeiro trabalho por se apegar emocionalmente às histórias. A OPA demorou, viu, pra conseguir o seu programa na TV, que por sinal ficou 25 anos no ar. E é claro que todo mundo na vida já teve pelo menos um grande pé na bunda, muito dolorido, daquele que tirou a gente do rumo, que doeu muito mais do que deveria doer, e que a gente achou que nunca mais fosse sobreviver àquele não. E nós estamos aqui.
Sobrevivemos, né meninas?
E muito provavelmente estamos ainda melhores do que antes. O nosso tabletop é a jornalista Isabela Camargo, a promotora de justiça Gabriela Mansur e a empresária e ativista Luiza Brunet. Meninas, vamos aos nãos da vida. Por que algumas mulheres têm mais facilidade de lidar com o não, com a rejeição e com a frustração? Usa isso até como um estímulo, toma um não e se estimula, como a gente acabou de ouvir o caso aqui, e outras se acanham, entristecem, deprimem. Onde é que tá o não?
Acho que o não, ele pode ser encarado como um problema ou como uma oportunidade. Aquelas mulheres que conseguem dar a volta por cima, sabe, e se erguer, Elas vão ter tempos diferentes. Tem gente que demora mais pra reagir ou não e tem pessoas que nunca vão reagir bem ou não. Então depende muito de como você encara aquelas situações que podem ser problemas ou oportunidades. Eu levei um baita pé na bunda profissionalmente. Eu costumo relacionar, né, igual... Como é.
Que doeu em você?
Nossa, foi a coisa mais violenta do mundo naquele momento. Mas depois, ao invés de ficar chorando todos os dias em casa, eu chorei muito, mas eu chorei buscando respostas. E aquelas respostas foram mostrando que aquele não, aquela negativa naquele momento, podia me trazer coisas muito boas, inclusive as minhas habilidades hoje, as minhas características hoje. Eu estou muito melhor depois daquele pé na bunda do que antes.
Mas você teve que mexer nas suas feridas.
Mas se você não tem como evoluir pessoalmente sem mexer nas feridas, não adianta jogar debaixo do tapete. Então encarar as situações como oportunidades é um caminho muito bacana. Ou você vai ficar lá chorando ou você vai recomeçar.
Eu fiquei pensando, Gabi. A gente tava falando um pouquinho antes, né? Eu falei que eu nunca não tinha levado um pé na bunda ainda que tivesse me magoado tanto, me deixado tão no chão. Mas eu lembrei, acho que o maior pé na bunda que eu levei foi justamente pra agressão física. Foi literalmente um pé na bunda.
Ah, você levou?
É, eu não queria pensar isso, porque... Você se frustrou?
Mas a pergunta é como se... porque assim, eu fico pensando em ajudar essas mulheres que precisam encontrar um caminho pra ter essa força. Porque quando você tá falando isso, fala lá, mas também é a Brunê, né?
Hã-hã. É a Brunê, é a Brunê, é.
A Brunê, é a Brunê, é a Brunê, é a Brunê, é é a.
Brunê, é a é Brunê, a Brunê.
É a Brunê, é a Brunê, é a Brunê, é a Brunê, é a Brunê, Por isso que eu falo, as meninas, elas têm que ser educadas não para ser princesas, é para ser Brunê, é guerreiras, Brunê, a é para ser lutadoras, para saber que elas vão a Brunê, tomar é a frustrações Brunê, é a e elas têm que reagir. O exemplo que a gente tem em casa é muito bom, de mulheres fortes, mulheres guerreiras, não deixar a menina, ah, não, ficar caixinha no canto, ensinar a lutar aí em frente. a ocupar espaços, esse fortalecimento da base da mulher que eu falo. Tanta mulher que sofre violência, eu falo, vou fazer um processo criminal, nós vamos denunciar, ele vai ser processado e vai ser condenado. Mas e você? Como que você vai sair dessa violência? Só uma condenação pra ele que vai fazer você virar o jogo? Não, essa mulher precisa de um fortalecimento, elas precisam ter.
Então, como é que faz para virar esse jogo?
Apoio. Apoio moral psicológico, que é o que.
A gente pede mais, eu acho.
Fazer coisas que ela gosta, buscar uma atividade física ou fazer um Instagram legal, coisas que ela gosta.
Você tocou um assunto importante, atividade física, o esporte salva. Salva total. Em todo sentido. Você tem que parar de fumar. Vai correr, vai malhar.
Vai andar, vai andar no parque.
Tem que fazer dieta.
Vai correr, vai malhar.
Você tem que recuperar a autoestima, que eu acho que é fundamental. Quando você recupera a autoestima, tudo isso vem englobado. Você é corredora, você faz ginástica, você faz exercício.
Eu já fiz muito.
Agora, tudo isso está dentro do que? Do autocuidado. Então, vamos lá. Eu acredito que uma mulher que sabe encarar um não com mais ressignificado e não vê aquele não como, nossa, agora minha vida acabou. Não, sua vida começou depois do não, sabe? E pra gente passar por uma reforma íntima, pra ficar melhor como ser humano.
Você vai passar por não.
Tem que aceitar a dor.
Sim, o autocuidado entra. Respeito. Entra o tempo para atividade física, o tempo para refletir, tipo, essa vida que eu tô levando, vale a pena ser vivida? Entende? Então, tudo isso está dentro do seu fortalecimento. Uma mulher que sabe as suas características, ela vai identificar um não como oportunidade. Esse apoio que a Gabi falou, ele é fundamental. Até porque quando você tá sofrendo qualquer tipo de violência, você ainda tá sendo julgada, alguém tá te falando que você é uma criminosa. Eu, quando fui buscar a lei pro meu caso, As pessoas me olhavam como se fosse criminosa. Aí eu falei, gente, procura lá a lei. 8.213?
Depois você fala comigo. Total.
Total.
Eu não chamo de louca. Então, mas eu já passei dessa fase. A gente tem que passar dessa fase. Gente, chamou de louca? Obrigada. Graças a Deus que eu sou louca.
Por que a gente escolheu esse tema? Porque os homens sabem lidar, ou pelo menos disfarçam muito melhor, e eles tratam as coisas com mais objetividade. Eles são mais objetivos. O não e a frustração, eles cortam pela raíz me dá essa sensação. E às vezes a gente chafurda um pouco no não e na frustração, e aquilo te atrapalha e te atrasa. Eu acho que não tem nada pior na vida de uma mulher do que perder tempo.
A partir do momento que você para de agradar os outros, você faz seu tempo dobrar, porque você tá focada em você. Qual que é o maior segredo que eu falo pra mulher? Eu foco em você. Agora, posso fazer um parênteses? Eu não acho que os homens lhe dão bem com as frustrações. Aliás, os homens lhe dão muito mal. Sabe qual é o maior índice de violência contra a mulher? Quando o homem recebe o pé na bunda, recebe o não e não não.
Se encontra no momento da sociedade e ele não passa isso.
Ele era mais lindo do mundo, só.
Que ele tá lá ameaçando, stalkeando, mexendo.
No saco da mulher, agredindo fisicamente, desqualificando, acalbando com a moral, com a honra dessa mulher pra ela, fazendo essa mulher sentir um lixo no chão.
E a mulher acredita, porque ela tá.
Tão derrubada que ela não consegue enxergar aquilo. Mais socialmente, não, tô super bem. Imagina, eu nem queria aquela mulher, imagina. Só que no boletim de ocorrência tá lá, e eu tô lendo. O homem não sabe lidar com o pé na bunda. Por quê? Criação. A criação é do menino que vai lá, não, você pode tudo, você é o cara mais maravilhoso do mundo. Você vai fazer isso.
Você acha que isso mudou?
Essa criação tá mudando?
Tem que mudar. Então vou te devolver a pergunta. Como você cria seu filho?
Muito diferente do que você.
Meu pai foi criado e meu irmão foi criado. Aí que tá, fortalecimento da base, educação e não achar que os homens são melhores porque eles dão bem com a frustração. Não dão.
É verdade.
Eles têm aquela máscara de que eles são os caras mais fortes do mundo.
Eles colocam essa máscara.
Mas chega lá na promotoria, essa máscara cai. Por isso que eu enfio todo mundo nos grupos reflexivos de homens. Que é pra ficar lá ouvindo, chorando, colocando pra fora. Você começa, é maravilhoso.
Olha que curioso, se o homem não reage bem ou não, aí que ele é agressivo.
É com certeza. Mulher também tem um pouco de aflição de falar não demais e ser achata. Vocês tem medo de ser chata? Você tem medo de ser chata? Não, não mais. Mas você já teve medo de ser chata?
Ah sim, toda mulher teve, principalmente de falar não. Mas você aprende que o não é necessário. É importante. Mas acho que mulheres, exemplos...
Mas isso tem que mudar mais cedo, por isso que a gente tá aqui. Hoje somos mulheres maduras que entendemos já o não, a frustração, como é que a gente passa por isso. Mas eu tô pensando naquela mulher que tá tomando o primeiro não agora. Agora é a hora de a gente tentar ajudar essas mulheres também.
A gente tem que desconstruir alguns mitos, de que a mulher bem-sucedida, a mulher linda, maravilhosa, a mulher com uma profissão legal, ela é forte emocionalmente também. E muitas vezes não é assim. Todo mundo acha que a nossa vida é linda, maravilhosa, nada acontece com a gente, não. Eu levei um pé na bunda. recentemente. Fiquei muito triste porque eu era apaixonada pelo meu marido. Foi a primeira vez que você levou um pé na bunda? Foi. As outras eu sempre dei. Então era assim. Eu fiquei muito triste, muito triste porque eu era apaixonada pelo meu ex-marido. A gente tinha um casamento muito legal e ele colocou a culpa no meu trabalho. Eu não quero uma mulher que trabalhe tanto. Eu não quero uma mulher, você está muito empoderada. Eu quero ter mais tempo com você. É excesso de amor.
Eu te amo.
Eu só quero ficar com você. Eu não estou dizendo nada de errado. Eu me senti culpada, mas eu não consegui segurar porque o meu trabalho é tão importante quanto Quanto a minha família. Eu não tenho vergonha de falar isso. Por quê? Porque isso me empodera. Isso me dá felicidade. Isso faz eu lidar com as frustrações. E aí você começa a encarar melhor o problema. Não sou culpada. A culpa não é minha.
Ponto.
Eu me sinto culpada. Será que eu realmente fui uma péssima esposa? Será que eu não sentava na mesa de jantar enquanto eu estava lá? Me fez pensar. A gente tem as oportunidades para pensar. Sem dúvida. Mas eu fiquei no chão. Eu não achei que eu fosse sofrer tanto. E eu fui vendo essas histórias inspiradoras pra eu conseguir reagir. Eu fiz um buraco.
Porque é o tempo de cada uma. Tem gente que vai demorar meses, tem gente que vai demorar anos.
Qual foi o não mais matante, mais doído?
O teu já deu pra ver. Não quero ficar com você.
Não quero ficar com você.
Você não serve mais. Você acha que tá batendo o bolão. No meu caso, eu tava numa emissora de TV e eu tava batendo o bolão. Why? Eu fazia todos os jornais... Passei por isso também. Eu fazia todos os jornais, eu substituía todos os top da galáxia. E aí como é que eu identifico uma doença ocupacional, peço ajuda, vou me afastar pra me recuperar, pra voltar de novo, o punch, como eles querem, e depois eu ouço assim, ah não, você não serve mais. Como assim? Oi? Sabe aquela coisa que você tá achando que vai ser pedido em casamento e aí você leva um pé na bunda? Como é que você treina o não? É igual treinar uma atividade física. Quando você começa é difícil, mas depois você pega no ritmo. Então o não é um músculo para ser exercitado.
O meu não é você não pode. É um não que dói, porque é um não que cai junto com um monte de fichas. Ai, gente, porque eu achava que eu tava bombando também. Posso ter 46, mas tô jurando que tô com 30. Entendeu?
Então, assim, de repente um não pode.
Mas você faz não? Como assim, não mesmo? Então, assim, a minha pergunta é como treinar o não, o não que vem de fora, esse não que tá fora do seu controle?
Colocando o não pra fora. Você só vai receber bem ou não quando você começar também a falar não. E você entender que aquilo é pra se poupar, é pro seu melhor, assim como aquilo que também tá vindo de fora pode ser pra te melhorar. Por exemplo, existe uma coisa no ambiente profissional que é a armadilha da competência. Adriana, parabéns, você fez um excelente trabalho, então agora eu vou te dar mais um trabalho. Aí você acha que tá ali, toda poderosa, você vai fazer aquele outro trabalho, porque primeiro você não vai questionar. Mas e aí aquilo que eu tô fazendo, vai continuar com a mesma qualidade? Mas como a gente também não sabe reconhecer que uma oportunidade pode ser nem mais oportunidade e mais um abuso, aí você vai dizendo sim. Então treinar o não é desde as situações pequenas, né, porque você dizer não porque você não quer é fácil. Eu quero ver você dizer não pra uma coisa que você quer. quantos programas de entrevista total, quantas entrevistas você foi chamada e você teve que dizer não por N razões eu falo.
Pouco não não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.
Não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não, não.
Não, não.
É um pavor falar não para o patrão.
Eu tenho chefe e assim... Falar não para o namorado novo.
Você fala, meu Deus do céu, eu tô começando a namorar agora. Você vai ter um limite grande.
Ele vai te respeitar.
Mas é aí que tem que falar não.
Eu tô posicionando os nãos complicados. O não para o namorado novo, o.
Não para o patrão. O namorado novo é importantíssimo porque você já vai evitar entrar num relacionamento abusivo. Isso é importantíssimo. Você tem que ficar pontuando o que é bom e o que não é pra você construir. Você tá reconstruindo a sua vida.
Lu, qual foi o não mais matante da sua vida?
Quando eu fiz a denúncia da agressão que eu fiz, que eu vivi, muitas mulheres disseram, não, ela é mentirosa. Não, essa mulher tá falando uma inverdade. E foram muitos julgamentos no não.
O que que eu fiz?
Eu colhi esses depoimentos dessas mulheres através das redes sociais e eu movi processos contra elas. Então eu acho, às vezes, o não, ele precisa de uma atitude mais concreta, por exemplo. E essa minha atitude foi maravilhosa. Por quê? Porque é uma forma de reeducar as pessoas também que exageram no seu não, no seu julgamento. te colocando em questões que você fica destruída, porque eu adquiri várias doenças por conta desse episódio na minha vida, que a gente fica doente mesmo.
Fica estressado, fica estressada.
Fica com ânico.
Sim, com ânico, com distúrbio alimentar, você.
Não dorme, você fica...
Eu desenvolvi um hipotiroidismo... Em algum momento.
Você achou que a culpa pudesse ser sua? Não.
Passou pela sua cabeça?
Jamais, porque eu sei... Quem vive, vive e sabe que viveu. Então eu acho que não tem que outra pessoa vir de fora e falar, não, a mentira é sua, você não viveu, isso é mentira sua.
Esse é o maior erro que a gente comete. Procurar o nosso erro, que não tem erro, que nada justifica você ser agredido. A gente já escutou, tem mulher que provoca o marido, que procura que merece o papo. Isso é uma coisa que a gente não escuta. Eu falei uma coisa. Mas isso um dia já passou pela sua cabeça.
O meu papel é não pode colar esse tipo de argumento defendendo autores de violência que tentam justificar os atos agressivos colocando a culpa na mulher. Então a minha luta não é só denunciar, fazer prova, é não deixar colar argumentos machistas de desqualificação da mulher.
Tem o não da doença. Você não pode mais porque você se vê doente. Tem gente nesse momento recebendo um diagnóstico e assim, e agora? Agora eu não posso mais viajar, agora eu não posso mais curtir o meu filho como eu queria. Tem como sair desse não duro?
Esse problema que eu tive agora, esse pé na bunda, eu assumi ele da seguinte forma, tem o que eu fazer? Tem algo que eu posso fazer pra reverter isso.
Dá pra senão virar um sim?
Não. Então eu vou me reconstruir. Eu vou ressignificar a minha vida. Isso é importante. Então eu tô ressignificando, não sei pra quem, pra mim mesma.
A gente tá vivendo um momento de tanta mudança, porque assim, a mulher ela pode ser o que ela quiser, estar onde quiser e fazer o que quiser. Só que a gente vem de um modelo muito equivocado, em que a mulher tinha que estar dentro de casa, fazendo aquele tipo de atividade e não pensar. Então nós estamos rompendo um sistema Então, toda mudança depende também de um tempo pra todo mundo se adaptar. Quando eu trabalhava na TV, eu ouvia várias pessoas dizendo, ah, mas se eu sair da TV, o que eu vou fazer? Não sei fazer mais nada. Vai fazer.
É o caso da Oprah, né? A Oprah, ela tomou o não num programa e foi fazer um programa de fofoca, que não tinha nada a ver com o que ela queria. Ela queria jornalismo, mas como ela se envolvia com a história, deu ruim. E no final das contas, de fofoca virou entretenimento que deu a ela tudo o que ela precisava. Muito melhor do que a primeira opção. Então, também entendeu se ressignificar tem a ver com isso, né?
O não no relacionamento, aceita. Porque se a pessoa te deixou no chão, acabou com você, e ela foi injusta em relação a várias coisas, não adianta você insistir nesse relacionamento que ele vai ser abusivo. E você vai destruir a sua autoestima, que é aquilo que você construiu a sua imagem, o seu gostar, por causa de outra pessoa. Então, as mulheres têm que aprender, muitas vezes, a sentar o pé na bunda e não ficar lá insistindo. Não exista do não, professor. O não é doente. Você tem que insistir.
Você recebeu uma notícia, por exemplo, não posso mais ter filhos, e você sonha em ser mãe.
Num primeiro momento, você não só vai chorar e se descabelar e ficar mal, Como você deve fazer isso, porque eu acho que você tem que passar. Eu faço com luto. O não é uma despedida de uma coisa que você achava e que não acha mais.
E pode ter revertido, inclusive. Entendeu?
Agora, como você faz para reverter? Começa a pensar de outras maneiras.
Tem que mudar a forma de pensar.
Por isso que eu falei que tem dia e hora. Top 5 para vocês, tá? Do que fazer com os nãos. Porque assim, não adianta a gente falar, cada uma falou um pouquinho da experiência do não e da frustração, mas a gente passou dessa página. Vamos dar cinco dicas práticas aqui pra quem não conseguiu virar a página ainda.
O não dos relacionamentos. Aceite. Se ele for aquele relacionamento que te colocou no chão, que te desqualificou, que te agrediu fisicamente ou psicologicamente ou moralmente, sai desse relacionamento abusivo. Isso é pela experiência como promotora. Porque isso vai virar uma bola de neve, você vai ficar cada vez mais enfiada nisso e vai ser cada vez mais difícil você sair. Se desliga desse não.
Então, o não é não quando se diz respeito a relacionamento.
Profissionalmente, pode ser o fim ou o recomeço. Você pode encarar aquele não, como agora minha carreira acabou, agora minha vida acabou, eu não tenho mais lugar nenhum para trabalhar, ou pode ser um recomeço. Depois do que aconteceu comigo, eu percebi que eu e vocês, e vocês, fazemos parte de um universo infinito de possibilidades. Ou você vai olhar só para aquele número de empresas que você acha que podem te absorver, ou você vai se reinventar.
O não do você não pode. Posso sim, posso de outra maneira. Eu posso não ficar grávida naturalmente. Mas eu posso adotar uma criança, eu posso fazer uma inseminação artificial, eu posso fazer uma barriga de aluguel, eu posso administrar minha vida sem filhos.
Mãe, eu não tive mãe duas vezes.
Então assim, tem tantas maneiras de você escutar um você não pode da vida, receber um diagnóstico. Vamos conversar com o médico e ver o que eu posso fazer pra ter uma qualidade de vida dentro deste meu momento. É claro que pra isso tem um momento do luto e da dor. Mas é absolutamente possível você conseguir olhar no espelho e falar, bom, beleza, é isso que eu tenho, é com isso que eu tenho que lidar. E a gente tem que fazer o que a gente dá conta de fazer. E a gente tem a obrigação de se olhar em primeiro lugar, você ou não.
Então o meu não, que eu considero que foi um pulo para mim melhorar como pessoa, é poder falar principalmente para as mulheres que é possível ser esse não e se tornar uma mulher, uma pessoa útil para a sociedade, para você mesma. É você compartilhar a sua história, dando para elas uma possibilidade de que é possível você se transformar, porque é isso que a gente falou o tempo inteiro.
Tem um não do meu profissional, acho importante falar, porque a gente percebe muito os danos. Pra você ver, Andri, eu quando comecei a fazer esse negócio de violência contra.
A mulher, de falar, de ir pra.
Frente, de reunir as mulheres, de ir pro Instagram, todo mundo achou, nossa, que cafona, cê não tem vergonha? Eu insisti porque eu sabia que aquilo ia fazer a diferença e hoje eu tô aqui com uma das mulheres que eu sempre achei linda, antenada, adoro seus vídeos. A Luisa Brunet que é o máximo, é a mulher brasileira, a Isabela que é uma mulher, uma jornalista, uma pessoa totalmente competente. Estamos aqui falando sobre questões que envolvem a violência contra a mulher. Ficou legal falar disso, eu insisti, eu não deixei que isso me derrubasse. Não desista. A palavra que eu tenho pra mim emocionalmente e profissionalmente é se organiza. Faça sua organização pessoal e vá em frente, estuda, não desista, porque você vai tomar vários não na vida, mas se você continuar, você vai receber o maior sim, que é você estar bem consigo mesma.
No final das contas, é isso, é se gostar.
A saída pra dentro, Dri.
A saída é pra dentro, gente. Maravilhosa. Ai, meninas, que delícia ter vocês aqui. Acabou já?
Acabou.
Ai, Maria.
A saída é pra dentro. Fechamos o nosso tabletop de hoje. Adorei.
Obrigada.
Não tem outro, gente.
É muito bom, né?
Imagina falar de mais assim.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








