Tem tempo para doar?

Izabella Camargo and Fernanda Bianchini discuss time donation and volunteer work in Portuguese. They explore how organization and technology expand volunteer opportunities, and why empathy and inclusion matter when giving your time.
Chapters
Olá, olá, boa noite. Sejam bem-vindos, bem-vindas. Nessa primeira conversa da semana, aliás, último dia de agosto. Vocês sabiam que existem três períodos do ano em que a gente sente que o tempo tá passando mais rápido? Páscoa, agosto e novembro. Se der tempo eu explico o porquê, tá bom? Seja bem-vindo a Tati, Vanessa, Rosa Martins, todos vocês que estão chegando. Aliás, como diz o interior do Paraná, minha terra, vamos chegar e vamos respirar, ó. Vamos chegar de verdade, porque a gente tá indo de tela em tela e às vezes o corpo chega, mas a cabeça não, né? Então, vocês que estão escolhendo estar aqui comigo, e que vamos dividir esse tempo também com a Fernanda Bianchini. Cheguem, respirem e vamos aproveitar. A Fernanda Bianchini é uma das entrevistadas aqui do livro Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, editora Globo, em que eu trago para vocês uma pesquisa de mais de quatro anos, aliás, perdão, de quatro anos com mais de 150 entrevistados Entre eles, Karnal, Cortella, Monja Coy, muitos médicos, músicos, que eu sei que todos gostam muito, Gilberto Gil, Lenine, Oswaldo Montenegro, enfim. E falo sobre vários tipos de tempo. Especialmente para aqueles que sentem que o tempo está passando muito rápido e para aqueles também que sentem que o tempo está mais devagar. Agora tem um assunto que chama muito a atenção de todos, que é o tempo do voluntariado. Você tá com tempo para doar? Você já pensou em ser voluntário, mas aí acha que tá sem tempo e que não vai conseguir? É sobre isso que nós vamos falar. Tem tempo pra doar? Como então que nós podemos doar o nosso tempo de uma maneira constante? É isso que nós vamos conversar com a Fernanda Bianchini. Ela tem filhos, tem marido, tem família e cuida da primeira e única companhia de baletes cegas do mundo. Trabalha já como voluntária há mais de 25 anos e hoje atende junto com uma equipe, evidentemente, mais de 400 alunos, ou seja, devolve a luz para mais de 400 alunos que nasceram ou que ficaram com algum tipo de deficiência. Tenho certeza que o papo hoje vai emocionar demais, então já vou ser responsável aqui com o tempo da Fer e com o seu também. Oi Márcio, Nelson, sejam bem-vindos. Anny. Anny Maione, querida. Tudo bem, Fer?
Boa noite. Tudo bem?
Melhor agora.
Com o meu livro em mãos. Já li uma parte dele e já li a nossa parte juntas também.
Que demais, não é?
Lembra que eu te falei? Eu vou conseguir, ó.
Que linda. Fê, muito obrigada por ter aceitado o meu convite. Você tá de laranja, então, pra combinar? Sim.
A primeira coisa que eu procurei, eu falei, tem que ter alguma coisa laranja, gente, hoje. Até combinando com o livro, lindo, lindo.
Lindo Fê, eu comecei aqui a nossa conversa dizendo que de todos os tempos que eu tive contato para trazer para o livro, talvez o tempo da doação seja o que mais causa espanto nas pessoas Porque com tanta correria, com tanta gente reclamando que o tempo está passando muito rápido Doar tempo, fazer um trabalho voluntário, para muitas pessoas parece impossível Então, primeiro, há quanto tempo você trabalha? Aliás, quantos anos você tinha quando você fez seu primeiro trabalho voluntário? E depois disso a gente vai se aprofundar no trabalho que você faz maravilhoso na Companhia de Balé de Cegas e na associação que leva o seu nome, não é?
Sim, é isso mesmo Eu e meus irmãos, a gente sempre foi muito incentivados pelos meus pais a realizarmos trabalhos voluntários e sempre com um agradecimento por tudo de bom que a gente tem e tinha nas nossas vidas. E meu primeiro trabalho voluntário, até por coincidência, coloquei no TBT da semana passada. Foi aos três anos de idade, E eu tenho uma foto de quando eu termino esse trabalho voluntário, que eu fui ajudante do Papai Noel, e eu estava exausta no colo da minha mãe. E o Papai Noel chega pra mim e fala, nossa, você me ajudou o dia inteiro a entregar presentes, mas não sobrou nenhum presente pra você. Aí eu falei, mas hoje eu não tava aqui pra receber, hoje eu tava aqui pra te ajudar. Então, eu tinha três anos de idade, nem me imaginava que aos 15 anos um grande desafio seria lançado na minha vida, que eu visitando o Instituto de Cegos Padre Chico, no Ipiranga, em São Paulo, no qual meus pais eram voluntários. Uma das irmãs perguntou se era possível o cego aprender o ballet clássico. Eu falei que eu não sabia, porque eu nunca tinha dado aula na minha vida, nunca tinha sido professora de crianças com ou sem deficiência. E aí meus pais falaram as palavras mais lindas, que inclusive estão no livro, que me deixaram muito emocionada, que nunca digam não para um desafio, pois são sempre destes desafios que partem os maiores ensinamentos das nossas vidas. E eu acredito que essas palavras entraram na minha vida e no meu coração, de modo que eu estou ao longo destes 25 anos realizando esse trabalho voluntário, que me fez enxergar o mundo com outros olhos, me fez enxergar o mundo mais intenso, mais profundo, mais verdadeiro. Dizer que o mundo do voluntariado é um mar de rosas, ele não é. Às vezes a gente espera algo em troca, quando a gente começa, principalmente, que seja um parabéns, que seja um muito obrigado. E aí, ao longo deste trabalho voluntário, a gente vai aprendendo o verdadeiro sentido da gratidão, que é você se doar sem esperar absolutamente nada em troca. É você fazer por amor, fazer porque você quer e acredita no ser humano que está ali, precisando de você, seja para ensinar um déli-plié, seja para ensinar algo para a vida, seja para qualquer outra coisa. E hoje eu ensino muito os meus filhos a importância deste trabalho voluntário. Eu tenho muito orgulho de tudo que já foi feito e de tudo que vier a acontecer no futuro. E eu não imaginava o poder que aquelas palavras do meu pai e da minha mãe, há 25 anos atrás, teriam na minha vida. Hoje, se eu pudesse conversar com aquela Fernanda de 15 anos, eu ia falar pra ela, quanto orgulho de você nunca ter desistido, porque tivemos várias dificuldades, né, Isa? Você sabe de algumas delas, então eu teria muito orgulho de não ter desistido desde aquele momento. Então que a gente tenha a consciência do poder das palavras que a gente tem, como a gente impacta positivamente ou negativamente uma pessoa. Então que a gente possa espalhar tudo de bom que tem dentro da gente. Para que a gente possa espalhar o amor, a paz, a sabedoria.
Para quem está chegando agora e já está emocionado com o que a Fer está dizendo, olha a nossa Bianca aqui, da associação, já está aqui. Aí tem também a Erika Martini, que tem me acompanhado também nas lives do Resiliência, enfim, e a Rosa Martins, dizendo que também envolve os filhos dela, Fer, no trabalho voluntário. Essa frase que você disse agora, eu vou repetir para quem está chegando agora, que os maiores ensinamentos surgem dos maiores desafios, não é? Antes de continuar, eu vou dizer que eu vou deixar mais um pouquinho aqui os comentários, mas já já eu vou tirar, tá? Para que todo mundo possa te ver, para que a gente possa ver essa belezura toda aqui nessa noite de segunda-feira. Bom, eu já vou voltar a falar deste momento em que você recebeu a missão de uma madre lá da Companhia de Ballet, da, perdão, do Padre Chico. Já já nós vamos falar sobre esse momento, como foi para você desenvolver as técnicas para ensinar o balé para as cegas. Mas, quando as pessoas olharem aqui o tema, tem tempo para doar. Como você consegue, então, ser uma mãe de três crianças, ter um marido, ou seja, ter uma família muito, muito junta, estão sempre juntos, E ainda cuidar de uma associação, ou seja, eu não sei quantas horas em média hoje você está trabalhando como voluntária na associação, mas como você consegue dar conta de tudo?
E você só esqueceu de um detalhe da clínica, né?
Fisioterapeuta também, gente. E aí se cuidar, né? Quero saber se você também se coloca na agenda.
Sim, com certeza. O tempo é uma questão de organização, de você realmente organizar o seu tempo de modo a ter muita vontade de fazer aquilo que dá prazer e também uma organização com sabedoria para fazer as coisas que também não dão prazer. Então, a gente tem problemas para resolver, tem semanas que começam cheio de pepinos para resolver. Eu prefiro resolver primeiro os problemas e depois fazer algo que me dá prazer. Teve até um dia que até a Bianca que tá aqui, ela falou pra mim, nossa, essa semana você tá tão quieta, você só foi falar comigo na quarta. Eu falei, Bianca, é que tratar dos assuntos com você do marketing é tão prazeroso pra mim que eu quis usar minha segunda e minha terça pra resolver todos os problemas que eu tinha pra resolver. E aí ela falou, nossa, que interessante, porque às vezes as pessoas acham, nossa, tá chateada comigo, tá preocupada comigo. Não, por quê? Porque a gente tem que ter organização para as duas coisas e é isso que dá o equilíbrio daquilo que nós precisamos. Eu sou uma pessoa que eu me cuido, eu cuido da minha saúde, Tudo aquilo que eu ensino e que eu ajudo as pessoas a terem uma boa rotina, eu vivencio. Então, desde aquele exercício que a Fernanda, fisioterapeuta, junto com a clínica fisiobianquina e manda para os pacientes para evitar dores, eu faço todos os dias, diariamente. Então, alimentação saudável, atividade física, que é uma coisa que eu amo, mas eu amo dançar. Então as pessoas falam, ah, não, precisa fazer pra queimar mais caloria e tal. Ok, eu vou fazer aquilo que eu preciso, mas eu vou fazer muito mais aquilo que me dá prazer, porque é isso que eu preciso unir. Hoje eu fiz aula, por exemplo, online, uma aula aeróbica, da própria Bianca, inclusive, que também é fisioterapeuta, e eu já fiz aproveitando o sol da varanda. Por quê? Porque eu estava fazendo duas coisas boas para mim ao mesmo tempo. Eu sei que depois daquela aula, que eu não parei em um segundo, eu fiz um milhão de coisas, mas naquele momento eu estava me nutrindo de vitamina D, me nutrindo da energia do sol, em contato com a natureza. Na hora que ela falava, vai correndo, eu ia correndo mesmo.
Por quê?
Porque era um momento que eu estava aproveitando. Então eu sou muito de aproveitar Os momentos. Agora eu vou meditar? Agora eu vou meditar, né? Hoje, por exemplo, eu tava numa hora que eu tava em terapia e o filho meu apareceu chorando aonde eu estava falando, no telefone. E aí eu falei, me desculpa, mas meu filho tá chorando. Nesse momento ele tá precisando muito de mim, né? E aí na mesma hora o terapeuta falou, como é bom saber que você sabe escolher o que você precisa fazer em cada momento. Então, naquele momento, eu precisava ser do Thiago, né? Então, eu tô tendo esse olhar, eu percebia que nem eu me doa muitas horas, mas eu percebia também, principalmente com essa pandemia, Isa, que eu estava me doando um pouco além e, às vezes, deixando de estar neste momento íntimo em família, com as crianças, Então, eu também busquei este equilíbrio de doação, de mãe. Agora, nessa quarentena, eu ensinei a Beatriz a ler e escrever, que é privilégio maior do que, junto com toda aquela equipe incrível da escola, ensinar os filhos essa tarefa tão incrível, ajudar os filhos a se desenvolverem na escola. Então, é assim, de manhã, eu estou para eles. À tarde, eu estou para as outras coisas. E aí, mesmo com este momento desafiador, eu consegui é me organizar. Então eu acho que o que nos traz equilíbrio é a organização do tempo.
E é curioso, Fer, quando você disse que nós precisamos pensar Primeiro em fazer o que não dá prazer e depois o que dá prazer E essa é uma ideia que vai absolutamente de encontro quando queremos evitar a procrastinação Porque a gente procrastina geralmente aquilo que a gente não quer fazer, mas que é urgente Aliás, as demandas vão se tornando urgente Então, primeiro o que a gente não gosta tanto para depois o que gosta. É assim?
Eu faço assim. Eu prefiro. Porque não adianta, a gente vai ter que passar por todos, né? A gente vai ter que fazer tudo, não tem jeito.
Agora, sempre você foi organizada assim ou você foi aprendendo com o tempo?
Olha, minha mãe disse que desde pequenininha eu sempre fui organizada com a minha roupa, com o meu guarda-roupa, com as minhas coisas, né? Pra estudar, eu sempre fui de organizar, separar, ó, na primeira hora eu vou estudar uma matéria, na segunda hora eu vou estudar outra matéria, então eu sempre Eu fui bem organizada nesse sentido também e com isso eu conseguia fazer muitas coisas. Mas eu confesso que quando a gente tem boas equipes, eu tenho uma excelente equipe na minha casa, eu tenho uma excelente equipe na Associação Fernanda Bianchini, uma excelente equipe na Físio Bianchini, quando você tem boas equipes, eu falo em fluagem, você tem uma fluagem totalmente diferente na vida. Porque você delega, você confia. Quando tem alguma questão, a gente tem que sentar, obviamente, e resolver. E tenho uma equipe, família, muito incrível também, que me permite ser a Fernanda que eu sou. Essa Fernanda completa. Às vezes as pessoas falam, o que te faz mais feliz? É claro que a minha base principal é a família, desde os meus pais e irmãos até a família que eu formei, mas tudo me faz feliz, tudo que eu sou, tudo que eu desenvolvo, tudo que eu desenvolvi, cada projeto, cada coisa me faz feliz. A pandemia me fez muito feliz, porque vários projetos da Fernanda e da Associação Fernanda Bianchini e da Físio Bianchini que estavam no papel, eles foram para a prática. Então, é aproveitar realmente o momento desafiador para transformá-lo em oportunidades. Eu estou até aqui com algumas alunas online, que estão aqui na nossa live, que elas não me conhecem, Isa. Elas nunca me abraçaram e elas confiaram no online através das redes sociais. Então, é... E assim, eu sempre fui de... Com um limão, eu fazia uma limonada suíça, Eu sempre aprendi muito com as dificuldades. Eu acho que todos os maiores aprendizados vêm com os momentos difíceis, vêm na dor, vêm nas tristezas, vêm nas angústias. Sempre fui de uma família muito religiosa, a gente sempre acreditou nos propósitos de Deus para a nossa vida. Inclusive, linda essa Nossa Senhora aí atrás de você. E eu acho que assim, Hoje eu até, às vezes eu escrevo algumas frases que depois a gente coloca nas redes sociais e são tudo frases de intuição, que vai vindo, eu vou escrevendo e depois eu mando para o nosso marketing. E hoje me veio muito isso, os meus problemas nunca foram maiores do que a minha fé. E eu acredito que essa frase mexeu tanto comigo porque é isso, eu sempre acreditei em dias melhores, eu sempre acreditei no ser humano, eu sempre fiz o meu melhor pelas pessoas, mesmo às vezes as pessoas achando que eu não fiz o meu melhor, eu tenho essa paz, sabe, interior.
Fer, é muito lindo ouvir você. É uma pena que eu preciso tirar aqui os comentários, mas assim pelo menos a gente está te vendo. Olha a caneca, né? Essa caneca que a Fer está exibindo, ela tem uma frase da minha bisavó que diz assim, o mestre é como a vela, consome-se iluminando. E você realmente é uma pessoa que ilumina o caminho de todos que têm o privilégio de cruzar com o seu. E nesse aspecto, por exemplo, o mestre é como a vela, consome-se iluminando. Ao ensinar o que você sabia para essas meninas, que na época eram só meninas cegas, e depois você foi ampliando os seus alunos, você tinha consciência que aquilo era um trabalho de doação? Porque aos 15 anos, você ser voluntário é uma coisa, você tem mais tempo e menos responsabilidades. Mas depois que os calendários vão passando, eu percebo quando muitas pessoas me procuram querendo ser voluntário, mas que acham que é uma coisa que não tem constância. E para ser voluntário você tem que ter responsabilidade, marcar horário. Não é assim, quando deu eu vou. Como é que você traria então essa consciência para quem está os acompanhando, sempre quer fazer um trabalho voluntário? Então, lá atrás, a consciência que você tinha, a mesma de hoje, ou também com o tempo, você vai, como você disse, entendendo que eu posso doar se eu me organizar.
Eu sempre tive muita responsabilidade com esse trabalho desde o início, Eu lembro que quando eu entrei na faculdade de fisioterapia, muitas vezes as pessoas têm tantos estágios, é tão intenso o último ano da fisioterapia, porque ele é integral, e muitas pessoas param. Até algumas amigas voluntárias que me ajudavam, paravam na época da faculdade. E eu lembro que eu dava um jeito de dar aula. Então, na época da faculdade, eu dava aula integral, eu pedia autorização para as irmãs para dar aula à noite, imagina. tudo fechava, ninguém entrava, parecia uma coisa cheia de cadeados e a Fernanda conseguia dar aula à noite. Aí às vezes não dava, tinha muita prova naquela semana, eu ia no sábado, ia no domingo. Então eu sempre tive muito apoio de todo mundo durante o trabalho e muita vontade das alunas quererem aprender. Então assim, eu ensinava um passo, elas ficavam às vezes a noite inteira, até a hora de dormir, ensaiando aquilo que eu tinha dado na aula. Então assim, é muito bom um professor ensinar quando o aluno quer aprender, porque aí fica uma troca muito recíproca. Então eu queria cada vez mais. E o que me incentivou a querer cada vez um pouco além, um passo a mais, foram as dificuldades. Cada vez que chegava uma inscrição cancelada, cada vez que chegava um não, cada vez que chegava um preconceito, É como se eu quisesse, com amor. Nunca foi com o dedo na cara de ninguém. Nunca foi rasgando ficha de inscrição cancelada na cara de ninguém. Eu sempre ensinei as meninas que com amor a gente conquistaria o nosso espaço. Então, com amor, me veio uma força daqui de dentro que eu queria tornar aquele não um sim. E aí, enquanto eu não conseguia, enquanto eu não embuti essa força nessas meninas, Eu não sossegava, até que vinha outro desafio. Então, eu acho que o que foi uma locomotiva com muito combustível foram os desafios e os nãos que nós recebemos. Porque há 25 anos atrás, as pessoas não acreditavam na pessoa com deficiência. Todos os trabalhos envolvendo pessoas com deficiência eram assim, qualquer coisa que fizer tá bom, são pessoas com deficiência, não precisa buscar excelência. Não precisa buscar excelência. Hoje, muito se fala sobre inclusão, sobre deficiência, sobre pertencimento, sobre direitos iguais para todos, mas antigamente as pessoas não estavam muito aí para o que eles estavam dispostos a mostrar. Então, eu acredito que foram os nãos que me incentivaram e me deram responsabilidade para ter sabedoria para, junto com as meninas, vencermos os desafios.
Perfeito. Você falou agora há pouco, Fer, e eu notei aqui, não posso deixar de esquecer, sobre a eficiência. Mas antes de continuar, deixa eu pedir uma coisa para quem está com a gente. Tem alguém aí? Então mandem coraçãozinhos aqui na lateral, porque assim o Instagram entende que esse assunto é relevante, Fer. E aí mais pessoas terão acesso a essas informações E sabem essa setinha aqui? Envie pelo menos para umas cinco pessoas que vocês gostam Porque assim, mais uma vez, esse assunto vai poder chegar a mais pessoas Porque as palavras são sementes, né Fê? Se a gente puder semear mais corações. Então enviem aqui coraçõezinhos, ó, tô vendo alguns. Que assim o Instagram já vai entender que o assunto é relevante. Eu vou ligar mais um pouquinho os comentários, tá, Fê? Pra gente poder ver aqui esses corações subindo. E aí eu quero voltar com você na questão eficiência e responsabilidade mais de uma vez. Porque ser voluntário, ser voluntária exige muita responsabilidade, não é só quando sobra tempo. Não é só quando sobra tempo. E você mostrou pra nós que você sempre foi uma menina eficiente para estar presente em cada coisa que você faz. Não é? Então, para quem está nos ouvindo, de novo, que quer fazer um trabalho voluntário, isso tem que vir realmente uma vontade genuína ou pode acontecer como aconteceu com você pela sugestão dos seus pais? Que tal você fazer, da madre lá, da padre Chico, que tal você fazer? A pergunta é, tem que vir a vontade do voluntário ou pode vir uma inspiração de fora, um pedido?
Na minha semente ela pode ser plantada fora sim, eu acho que a semente do voluntariado ela pode ser plantada, mas a ação do que vai acontecer com aquela semente plantada, aí parte do voluntário.
Que lindo, adorei. Então podemos semear o trabalho voluntário, mas aí cada um vai ter que regar sua sementinha, Assim como um filho.
Falar, mãe, eu não sei o que eu vou ser quando eu crescer, que profissão que eu vou ter. Então assim, a gente vai dando caminhos. O que você gosta? O que te dá mais prazer? O que você acha que você tem aptidão? Mas depois a gente vai plantando as sementinhas. E aos poucos eles vão vendo aquilo que faz sentido. Porque é muito importante você atuar naquilo, primeiro, que você tem competência para, que nem por exemplo, olha, eu quero dar aula de balé, mas eu nunca dei, nunca entrei em uma sala de aula, o que eu posso fazer? Ainda dá pra você, ó, minha mãe tá aqui, que delícia, minha amiga. O que dá pra você fazer pra ajudar as alunas a entrarem em sala de aula? Que nem no caso das crianças, ajudarem a chamar a mãe, ajudar a chamar a mãe. Ainda, na associação, a gente vê possibilidades de qualquer um ajudar qualquer pessoa a plantar essa sementinha daquilo que ela é capaz e aquilo que dá prazer, porque tem que dar prazer. Imagina você ficar duas horas no mal, que saco, que horas que vai acabar? Porque minha mãe quer que eu seja voluntária, porque voluntariado é bom. Não, não vai por este caminho. Quando você realmente, no voluntariado, encontra um propósito, olha, isso me faz bem, faz bem para outra pessoa, mas é aquilo. Voluntariado, gente, é um retorno de tudo aquilo que a gente doa. É isso. Então, se você ficar de saco cheio na aula, é isso. O seu tempo não vai ter o mesmo sentido do que aquela pessoa que estiver vibrando na sala de aula. Então, você precisa ter isso em mente. E aquilo que acontecer de você fazer com prazer, com amor, você vai querer fazer cada vez mais. Você vai querer ir cada vez mais além. E você não vai ter aquele negócio. Hoje eu não posso. Porque tem gente que é assim. Ah, meu voluntariado é de quarta. Ela só marca médico de quarta. Ela só marca dentista de quarta. Ela marca tudo de quarta. Então, meu voluntariado não está como uma prioridade ali. ele está com um tempo extra. Você pode ser voluntário uma vez por ano numa ação, você pode ser voluntário toda semana, você pode ser voluntário... O que eu senti que teve épocas que eu me dediquei a 45 horas semanais e até mais. Por quê? Porque naquele momento a Associação Fernanda Bianchini estava precisando mais da Fernanda. Até para uma reorganização como empresa, a associação cresceu muito, são mais de 420 alunos, agora não são mais apenas pessoas com deficiência visual, tem outras deficiências associadas, outras atividades, não é só ballet, é ballet, é sapateada, é teatro, é música, porque acreditamos que a arte ela transforma mesmo, lágrimas em sorrisos, Então a associação cresceu muito, assim como na semana que a Físio precisa mais da Fernanda, eu tenho que estar mais na Físio. Assim como quando a família precisa mais, então é aquilo que eu falei no início, né? A gente sabe o tempo que a gente pode doar, né? E quando você sentir que a sua jarra tá vazia e você tá servindo água pras pessoas, cuidado. Cuidado. Porque primeiro nós temos que estar bem para a gente poder dar para o outro aquilo que a gente tem de mais rico, de valores. E os valores mais ricos que nós temos na vida são os de formação, aqueles que a gente carrega no coração. Mas não adianta você querer fazer algo se naquele dia não faz sentido, você não está bem, você está desanimado ou a sua saúde não está bem. Então é importante a gente pensar em doar quando a gente está, abastecido deste amor e dessa vontade de doação.
É isso mesmo. Eu vou me esperar.
O objetivo da sociedade é espalhar o método Fernanda Bianchini para vários lugares. Nós já estamos em mais de cinco capitais brasileiras e também mais seis países além do Brasil. E agora só na quarentena a Isabela foram 100 alunos, entre alunos e paciente da Físio Sem Fronteiras, que a gente conquistou no online, que não eram alunos e nem pacientes presenciais e que hoje Estão online.
Quero falar sobre isso, então, como que o online também pode ajudar no trabalho voluntário. A Cris, na hora de estar dizendo, vem pro Ceará, Fernanda. A Crica Connection, a fé inspira propósito. A Rosana Martins dizendo, por mais Fernandas no mundo. E assim por diante. Tem muitas mensagens muito interessantes.
Lembrando, gente, que não é Fernandas. Juntos, nós fazemos muito. Então, associação é um conjunto de pessoas do bem, fazendo bem, espalhando bem. Então, assim, não é... Uma pessoa é a história do passarinho. A gente pode fazer muita coisa, a gente pode começar a apagar os incêndios e a gente pode espalhar muita coisa. Mas quando a gente se une, quando pessoas encontram propósitos juntas, que nem a Isabela, que é a nossa madrinha, do projeto da Associação Fernanda Bianchini, do qual a gente tem um super orgulho. Aqui tem vários voluntários da Associação participando dessa live. Então todos nós somos importantes para hoje a gente contar essa história baseada no amor, baseada no acreditar no ser humano. Todos nós Somos Associação Fernanda Bianchini.
Isso, que linda. Gente, essa mulher. Se vocês ainda não seguem arroba Associação Fernanda Bianchini, dêem uma olhada em todos os projetos, em todas as aulas. E agora com a tecnologia, ou seja, com esta facilidade das aulas online, Fer, você então disse, você ampliou o seu repertório para aulas fora do país. Muitas alunas de outros países estão fazendo aula de balé. Gente, eu estou falando de aula de balé para quem não enxerga, tá? Você acredita que com a tecnologia é possível aumentar o interesse pelo voluntariado? Porque se antes eu tinha que ter um deslocamento, hoje não, né? Hoje eu posso fazer da minha casa e beneficiar milhares de pessoas. Então, como você vê essa tecnologia? E muitas pessoas aqui já estão se oferecendo querendo fazer algum trabalho na associação. Então, vamos falar de tecnologia, oportunidades.
Então, uma coisa eu tenho certeza é que a pandemia vai terminar, que ficaremos muito mais unidos e fortalecidos com tudo isso que estamos passando e vivendo, mas que as aulas online nunca deixarão de existir, né, porque realmente Às vezes, a mesma aula que vai estar acontecendo na associação, principalmente na nossa sede própria, que vai ser 100% acessível, nós temos toda essa tecnologia que o professor vai poder ligar o Zoom e dar aula para quem estiver em qualquer lugar. Então, isso várias pessoas que entendem, até o meu irmão, Alessandro, que é engenheiro, já está com algumas ideias para que realmente essa tecnologia chegue onde precisa chegar. Por exemplo, Hoje está chovendo muito. É perigoso eu sair de casa nesse caos que está. Eu vou ficar na minha casa porque a associação vai estar dando aula pra mim aqui ou ali. Então, isso a gente tem certeza que vai continuar. E daí, muitos e muitos voluntários podem fazer parte dessa equipe. O trabalho da FISB aqui cresceu demais. A quantidade de alunos, porque muitas instituições e associações pararam. Muitas pessoas que faziam fisioterapia três vezes por semana, pararam de fazer. E gente, ganhar um músculo de uma pessoa com deficiência motora, a gente demora muito pra ganhar. Aninha tá aqui que não me deixa mentir. Mas quando eles perdem, eles perdem assim um piscar de olhos. Nós também, a gente ganha músculo, faz muito ganhar músculo. Quando a gente perde, é de uma hora pra outra. Uma semana que você fica sem ginástica, você já perde. Então a importância de realmente a gente querer cuidar daquele que estava sem cuidado. Então nós atendemos muitas pessoas da Secretaria da Pessoa com Deficiência, que durante a pandemia não tinha mais condições de fazer, assim como as aulas. E hoje eu queria dar o depoimento da Rosiane. A Rosiane, ela é do Sul, E ela é uma aluna online que começou com os módulos de aula e agora ela tá fazendo as aulas pelo Zoom. Ela nunca fez balê na vida e ela sempre sonhou fazer balê. E hoje ela fala, é muito difícil, é muito difícil, não sei se eu vou dar conta. Falei, Rosiane, você já é uma guerreira. Porque balê para pessoas com deficiência já é muito difícil. Imagina balê para pessoa com deficiência sem eu te tocar. Ou seja, você já é preciosa e agora a gente vai lapidar esse diamante que você tem aí dentro pra gente lapidar. Mas você vai precisar de aulas individuais. Então eu já marquei com ela que antes da aula com todo mundo eu vou dar aula individualmente só pra ela. Então é o cuidado caso a caso. É o se colocar no lugar do outro. Por que ela desistiu? Talvez se eu esperasse um mês para trazer essa sugestão, ela iria desistir, porque é difícil. Mas não, se a gente chega junto com a dificuldade, seja dos alunos, tem vários professores aqui, por exemplo, a Jana, que também é professora da Escola das Crianças. É isso, é o se reinventar e chegar junto, saber aquele que está com o olhinho triste, mesmo que seja na tela do Zoom, e levar realmente esperança. Tem aulas, Isa, que eu não dou nem passo, tem aula que eu mais converso do que ensino. Por quê? Porque naquele momento eles estão precisando da palavra.
É muito curioso, porque você acabou de usar a palavra observação, que é presença. Eu só terei um passado que eu me orgulhe, só terei um passado que eu me orgulhe, se hoje eu tiver consciência das consequências do que eu faço. Então quando eu penso em ter um futuro desejável, e pensar num passado que eu me orgulhe, eu preciso então observar o que está acontecendo. Você está trazendo a observação com os alunos, mas você antes, para quem está chegando agora, já disse em que você fica muito atenta aos seus filhos, ao tempo da sua família e ao seu tempo, antes de dedicar todo esse tempo para os alunos. Então veja, quando a gente está falando de tempo de doação, é fundamental também a gente colocar todas as pessoas que são importantes para nós e ir equilibrando, porque tem dia que é uma área que vai precisar mais da gente, um dia somos mais nós. E você disse aqui uma coisa linda, eu preciso me cuidar para cuidar de alguém. E nós vivemos numa cultura em que parece que é um pecado quando eu me cuido Parece que é um pecado quando eu me coloco na agenda E a gente sabe que não pode ser assim Agora, como você vê aquelas pessoas que criticam quem faz? Trago esta provocação porque nós que víamos esse trabalho voluntariado, eu encontrei você há seis, sete anos, quando era repórter ainda da Band, fico muito feliz. Seis, sete anos não que você estava na Band, então já faz uns oito. Mas foi a primeira matéria na Band, depois na Globo. E me apaixonei, fui convidada, gente, pra ser madrinha da associação Na época eu até falei assim, eu? Isso é coisa pra aquela jarraia, né? Uma atriz, uma dançarina e tal E desde então estamos juntas Nós sabemos, Fer, que o trabalho do voluntariado, ele também não é visto com bons olhos por todos Especialmente por aqueles que ainda não despertaram O que você diria pra quem quer, mas não tem coragem? Ou pra quem ainda vê o trabalho voluntário como uma bobagem? Ou perda de tempo?
É Isa, a gente espalha aquilo que a gente tem dentro da gente. Às vezes, o que a gente tem dentro da gente é só reclamar, é só coisas pessimistas, é só acreditar que não vai dar certo. Então, O otimismo é aquilo que a gente carrega também dentro da gente. Então, realmente, a gente tem que estar pronto para saber o que a gente quer espalhar. Eu já fui muito criticada, por exemplo, para falar que ela fala tanto na inclusão, pelo amor, que a inclusão vem do coração. E eu acredito. Eu, gente, o que eu faço é a mesma coisa que eu penso, a mesma coisa que tem a ver com as minhas ações, Eu não falo uma coisa e ajo de forma diferente. O que tá aqui dentro é a forma como eu tô pensando, agindo, sentindo e que faz sentido pra mim. Então eu acredito que com amor a gente transforma. Eu acredito nisso. Então não é da boca pra fora. Eu faço o que eu acredito. E eu já ouvi muitas vezes. Ah, ela nem sabe o que é ter um filho deficiente. Ela não sabe a dor que a gente carrega. E eu ouvi isso muitas vezes e eu me calava, eu ficava quieta e falava, gente, realmente essa dor eu não sinto, tal. Embora eu tenha outras limitações, meus filhos tenham outras limitações. Mas eu falei, gente, eu não posso carregar isso se é uma coisa que não é minha, né? E aí hoje eu falo com propriedade, porque eu acredito nisso que eu vou falar pra vocês agora. Realmente, Deus não me enviou nenhum filho com deficiência, mas eu assumi a causa mais nobre que eu acredito. E mesmo não sendo a minha causa, eu luto pela causa dos filhos de quem tem ou não pessoas com deficiência. Por quê? Porque a inclusão não vem na criança. O preconceito não vem na criança. Nenhuma criança nasce com preconceito. O preconceito é embutido no adulto. quando essa criança cresce. Então, quando eu estou numa causa que eu posso mostrar para os meus filhos que a inclusão existe, que as pessoas têm que ser respeitadas as oportunidades, eu estou na mesma causa. Então, para mim isso se fortaleceu muito, eu aceito e respeito as opiniões das pessoas que pensam diferente de mim, mas eu faço com amor, porque eu acredito no amor verdadeiro.
O Paulo Henrique, ele diz, ninguém precisa passar por uma situação para ter empatia, por uma causa, evidentemente. E eu faço mais uma vez o convite para vocês acompanharem o trabalho da Fernanda Bianchini e também da associação Fernanda Bianchini, associação que leva o nome Deste anjo que está aqui na tela de vocês compartilhando o tempo dela para falar sobre doação de tempo Fer, antes da gente partir para a conclusão Então, pelo que você está me dizendo, o trabalho do voluntariado não é só para quem está com tempo sobrando Aliás, isso é.
Impossível Você já ouviu aquela frase que quer pedir alguma coisa para alguém, pede para uma amiga que não tem tempo Ou pede para uma pessoa que não tem tempo porque ela vai dar um jeito e vai organizar pra fazer. E as minhas amigas que estão aqui sabem disso. Quer participar da Fernanda? No momento de dificuldade, eu nunca disse não. Às vezes eu não posso ir nas festas, às vezes eu não posso compartilhar dos momentos de alegria. Amo, mas às vezes não dá. Mas no momento de dificuldade, todo mundo que precisou de mim teve a Fernanda. E o que eu gostaria de dizer pra vocês também é sobre este livro. É uma preciosidade de mudança de vida mesmo, porque a inspiração que tem, eu ainda estou na metade, mas assim, a inspiração a cada história, a cada pessoa que realmente está, todo mundo que está aqui, está construindo um mundo melhor, um mundo mais humano. Então esse mundo melhor, esse mundo mais humano, ele depende de mim, ele depende da Issa, ele depende de cada um de vocês. E reclamar, a gente sabe que não é o caminho. E eu queria que vocês soubessem porque que essa mulher genial aqui é a nossa madrinha. Um dia ela sentou para fazer uma matéria com as nossas alunas do Ballet Intermediário. E a Thalita, a nossa aluna, Ela estava com o olho com muita secreção, dependendo da deficiência visual de cada um, tem uma secreção. E antes da Isa entrevistá-la, ela falou, Fernanda, eu gostaria que ela fosse, limpasse, para que ela ficasse mais linda do que ela já é. E tem muitos repórteres que às vezes querem mostrar a remela do olho, não querem mostrar o olho, não querem mostrar a a superação, tudo aquilo que elas estavam fazendo, o balê, o balê sem enxergar, não. Às vezes a pessoa quer mostrar o problema, quer mostrar, e ela não quis mostrar. Ela quis mostrar a luz que tinha nos olhos da Thalita e não aquela secreção pela doença que a provocou a cegueira. Então, naquele dia, ela foi convidada para ser a madrinha da história da associação. porque eu queria que a madrinha tivesse um olhar além do que os olhos físicos são capazes de enxergar. Então a madrinha é aquela que conseguiu enxergar a história da associação com os olhos do coração. E o que a gente vê nesse livro são histórias de pessoas que realmente foram além, porque acreditaram Que nem a live com o Gustavo Borges, um segundo para o atleta, o que é o tempo? Gente, é isso. A gente precisa se inspirar com quem está lá na nossa frente. A gente precisa seguir caminhos de quem está à nossa frente. Porque quem está reclamando é quem está caminhando para trás. E não quem está caminhando para frente. Então que a gente possa realmente transformar com muita luz. E quem não tem, adquira já, porque realmente vocês terão uma vida diferente. Eu amo ler coisas que me inspirem e esse livro dá um tempo, ele inspira você a organizar e a respeitar o seu tempo.
Olha gente, essa aqui, Hernanda, é uma danada. Quase que eu chorei, talvez se eu não estivesse aqui na live eu estaria chorando, evidentemente Você sabe que teve até a dona Lourdes, que é uma... Uma mulher lá do Espírito Santo, eu vou dizer mulher porque ela está sempre comigo, ainda hoje quando ela soube da live ela falou assim, não vai chorar com a Fernanda. Acho que depois disso eu falei assim, realmente, deixa eu me preparar porque eu sei que sempre temos momentos muito emocionantes. Mas dona Lourdes, um beijo, tá? Obrigada pelo seu tempo de confiança. Fê, de fato foi um tempo de muita qualidade e é o que eu coloco no livro também chamado de Kairós. Kairós é o tempo de Deus. Cronos, tempo dos homens, Cairós, o tempo de Deus. E esse tempo de Deus, ele pode passar muito rápido à nossa frente se eu estiver distraída. E o que eu vivi na associação, sem conhecer vocês, foi meu primeiro momento lá, foi um tempo de Deus. Foi um tempo muito divino pra mim, foi um presente estar ali. Então quando você está presente com as pessoas de verdade, é impossível você não agir com amor É impossível você passar batido por uma situação que se você não está passando, mas você pode passar Então a consciência que você me trouxe e que é o que nós levamos para os eventos, e eu gostaria então já de ir passando para a nossa conclusão É que quando nós falamos, vamos lá, tempo de doação Ah, eu não consegui ainda doar tempo. Tudo bem. E se amanhã você precisar que alguém doe tempo para você? como você vai se sentir. Segunda coisa, sobre as deficiências, sobre as limitações. Nós podemos ter limitações ao longo da vida, inclusive agora com a expectativa de vida maior, a tendência é que os calendários passem e as limitações acabem aparecendo. Isso é do corpo humano. Então, eu gostaria de passar a palavra para você, para que você trouxesse essas Esses dois aspectos, do tempo de doação para um tempo de pessoas que vivem as mesmas 24 horas que nós, mas com condições muito mais limitadas e que também podem ser muito felizes. Nesta união, queria ouvir suas conclusões finais, Fer.
Eu acredito que Quando as pessoas encontram os seus verdadeiros propósitos de vida, elas encontram a verdadeira felicidade. Então, uma pessoa feliz vai espalhar aquilo que ela tem de melhor. Ela vai se organizar para ter o seu tempo e ela vai fazer com que aquele tempo dela e para o outro sejam valiosos da mesma forma. Exatamente igual. Por quê? Porque você tem que estar nesse presente mesmo, viver realmente o presente, sem ansiedade do futuro e nem depressão de passado e realmente é aquilo. Não deu certo aqui, meu, põe um ponto e vírgula, continua porque não adianta. Essas lamentações não levam a nada. Eu acredito que a fé realmente ela move essas montanhas, que nos faz crescer com as dificuldades, nos faz evoluir nos momentos desafiadores e nos faz enxergar o crescimento e o aprendizado. Porque o momento desafiador, ele só vai ter sentido se você der um sentido maior ainda para o aprendizado que vai ficar. Então, esse aprendizado, ele acontece para que Deus possa agir nas nossas vidas, para que a gente se desenvolva no nosso melhor. Porque a gente sabe que quando a gente tem essa paz que vem de Deus dentro do nosso coração, a gente vai fazer o nosso melhor, porque a gente está seguindo o melhor caminho. A gente está seguindo um caminho de luz. Então, não tem como você escurecer quando você caminha na luz. E nós todos podemos iluminar a vida de alguém que está na escuridão. E nem sempre quem está na escuridão é uma pessoa que não enxerga o mundo com os olhos físicos. Muitas vezes quem está na escuridão é aquele que não quer enxergar além destes olhos.
Vamos repetir isso, Fernanda? Que lindo!
Nem sempre quem está na escuridão é uma pessoa que não enxerga o mundo com os olhos físicos. Muitas vezes a pessoa que está na escuridão é aquela que não enxerga além do que estes olhos são capazes de enxergar.
Lindo, lindo, lindo. Fer, então, de uma maneira geral, mesmo em tempos tão corridos, eu posso doar tempo?
Com certeza, nós devemos doar tempo. Você sabe que ficou tão lindo, tão marcado para mim, da Renata Quintela, que é uma entrevistada que ela fala logo depois de mim, no texto. Então, ela fala exatamente isso, que aquilo que você doa é aquilo que mais volta pra você como recebimento. E é isso. O voluntariado é isso. Talvez o voluntariado não faça tão bem pra pessoa que você tá fazendo algo do que pra você mesma. Porque é lindo. Realmente a gente encher o nosso coração de esperança, de amor. Faz muito bem pra cada um de nós. E eu queria terminar com a frase da gratidão. Faça o bem, não importa quem, que o obrigado nem sempre vem porque a gratidão vem do céu, a gratidão vem de Deus. A gratidão não vem da pessoa que você fez algo para transformar, para evoluir. A gratidão vem lá de cima. Então façam o bem.
Aplausos digitais agora para a Fernanda. Fer, você ainda teria cinco minutos para nós?
Sim, claro.
Porque para quem ainda não conhece a associação e nem conhece o seu trabalho, eu queria que você nos contasse em cinco minutos, se for possível, como foi ensinar balé para cegas há 25 anos e como é hoje você continuar esse trabalho que indiretamente contribui para a vida de mais de mil pessoas, não é?
Eu, na minha primeira aula, eu me surpreendi porque eu imaginava que eu ia falar da forma como eu aprendi quando criança e elas iam fazer. E aí eu fui ensinar o meu primeiro passo de ballet, que é o échappe sauter, que a bailarina tem que saltar abrindo a perna e saltar fechando a perna. E pra ficar mais fácil esse processo de ensino-aprendizagem, eu falei, meninas, imaginem que vocês estão saltando fora de um balde e dentro de um balde. E aí, para minha surpresa, uma aluna levantou a mão e falou, tia, mas o que é um balde? Eu nunca vi um balde. E aí foi neste momento que eu percebi o quanto eu precisava entrar no mundo da pessoa com deficiência visual, entender suas limitações, suas dificuldades, para que depois eu pudesse apresentar o meu mundo da dança clássica, que era o que eu estava disposta a ensinar. Então, essa troca de mundos fez nascer uma metodologia que é única no mundo, que já está em outras capitais brasileiras, e também em outros países. Mas com essa empatia. Eu tenho uma aluna que ela fala, Fernanda, ela não tinha nada tecnológico, ela não tinha nenhuma metodologia pronta, ela não tinha nenhum livro que ela pudesse estudar. Ela teve empatia, ela acreditou na gente. Enquanto a gente não aprendia, ela não sossegava. E aí, com isso, eu ia tirando foto, eu ia fazendo, vários recortes, que depois tudo isso se tornou minha tese de mestrado. Eu busquei na ciência as respostas que eu precisava das coisas que davam errado. Então todos esses recortes do antes, do depois, do certo e do errado, acabou sendo patenteado e publicado numa tese de mestrado, que é a metodologia, que depois também se tornou um livro, Então, é isso. Quando você se coloca no lugar do outro, você entende as limitações, você entende as dificuldades. Então, muitas vezes eu tive que ensinar fechando os meus olhos e tentando eu entender se aquilo que eu estava falando fazia sentido para elas. Então, é isso. A gente tem que realmente falar, fazer aquilo que faz sentido na vida do outro. Às vezes você fala, eu quero dar para aquela criança uma cadeira elétrica. Às vezes ela não quer a cadeira elétrica. Ela prefere se desafiar com a cadeira manual para trabalhar mais braços. Ah, e o sonho é dar um cão guia para aquela pessoa com deficiência visual. Mas você sabe se ela quer? E hoje o que eu tenho certeza é que todas as alunas que procuraram associação Fernanda Bianchini, independente da sua deficiência, independente da sua limitação, elas vieram aprender algo novo para suas vidas, que faziam sentido para suas vidas. Por isso que tantas transformações de vidas aconteceram. E eu gostaria de todo mundo estar aqui, seguir esse nosso canal do YouTube. A gente precisa ter mais pessoas ali engajadas com a gente, nas nossas redes sociais também, porque é isso que está mantendo a associação através dos nossos patrocinadores. Então, é toda essa parte da rede social, do online, que está mantendo a Associação Fernanda Bianchini. Gratidão a todos os patrocinadores, todos que acreditam na nossa história. Gratidão a mais de 400 alunos. Gratidão a todos os alunos online, todos os voluntários que estão aqui. Porque, realmente, juntos a gente pode construir esse mundo que a gente sonha.
Com certeza, Fer. Muitas pessoas perguntaram, inclusive, a Clica Connection, como é que a gente pode contribuir com a associação. Eu posso dar uma dica? Porque queremos contribuir com o dinheiro e naquele mês não deu Queremos isso, queremos aquilo Agora, sabe o que todo mundo pode fazer agora? Acabando a live, vamos lá Então no YouTube, Associação Fernanda Bianchini A associação está com 2.280 inscritos Se todos entrarmos aqui, que está aqui, inclusive olha quem acabou de entrar, Gabriela Prioli, que alegria você estar aqui. Estivemos juntas hoje numa gravação da CNN, que vai amanhã falando sobre o tempo Gabi, muito obrigada pelo seu tempo de confiança. Então, olha, estamos aqui em 140 corações. Se estes 140 corações forem lá para o YouTube agora, a Associação Fernanda Bianchini, primeira e única companhia de balés de cegas do mundo, pode subir, então, mais 140. Que tal? Já é uma contribuição, não é, Fê?
Com certeza, com certeza. E também as pessoas que quiserem participar no nosso site, tem todas as informações. A gente está juntos construindo sonhos, que é a nossa sede própria. Então, a gente está vendendo tijolinhos com o nome das pessoas que estão doando para ficar numa parede principal da associação. Essa associação, essa sede nova, sede própria, vai ser para atender mais de mil alunos. Então, quem quiser fazer parte, De tijolinha em tijolinha a gente constrói o nosso sonho.
Com certeza, Fê. É isso. Para quem está reclamando que está sem tempo, existem pessoas que conseguem doar tempo. Especialmente para a gente deixar a nossa sociedade melhor. Então, Fê, a gente é o que espalha e não o que junta, não é?
Com certeza. É isso mesmo. Isa, muito obrigada. É sempre maravilhoso estar aqui. a sua amizade é um presente que eu ganhei, que toda associação ganhou. E aquilo que você fala sempre que Deus te abençoe, que todo sucesso se espalhe, que o tempo também sempre esteja ao seu favor, como você fala para todos nós, e que realmente você continue sendo luz, que espalhe luz, através do livro agora, você vai chegar em muitos corações que estão precisando de uma reflexão, de um encaminhamento, então que você realmente possa espalhar tudo de melhor que você tem aí dentro, que eu sei que quantos valores incríveis você carrega nesse coraçãozão seu aí. Então, muita gratidão.
Olha, você só vê em mim o que tem dentro de você Foi um tempo muito bacana esse que nós passamos Então eu faço mais uma vez o convite Lá no YouTube, Associação Fernanda Bianchini Quero ver então mais, olha, 120, hein? No mínimo, mais inscrições hoje E também aqui no Instagram Fê, um beijo grande, até breve E que o tempo também sempre esteja a seu favor Pose pra foto, pera lá, a Bianca tá pedindo pose pra foto, deixa eu tirar Eu.
Não vejo mais o comentário Lá, hã.
Pronto. Fê, obrigada. Um beijo a todos, bom descanso e até mais.
Tchau, tchau.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








