Tempo para os sentimentos!

Poet Zach Majese talks with Isabela Camargo about time, memory, and how writing moved from anonymous blogs to a million Instagram followers. He describes readers tattooing his verses on their skin, using a typewriter as ritual, and fighting what he calls time thieves: digital distraction, the search for love, endless waiting.
Chapters
Olá, sejam bem-vindos, bem-vindas, boa noite. Como diz o interior, vamos chegar? Vamos começar mais uma prosa excelente sobre o tempo, sobre o nosso tempo, sobre como podemos ter um tempo de qualidade. Tudo bem, Doutora Andresa Botelho, uma nutricionista que vocês precisam conhecer o trabalho dela. Patrícia Júnior, sejam todos muito bem-vindos. A gente vai ter agora quase uma hora do tempo do Zach Majese. Acredito que muitos e muitas de vocês já beberam da fonte da criatividade, da poesia do Zach. Ele participa aqui do livro Dá um Tempo: Como Encontrar Limite no Mundo Sem Limites, Editora Globo. Um livro em que eu trago informações que mais de 150 pessoas que respeitamos e admiramos me passaram. E dicas úteis para preservação da vida, dicas úteis para a gente viver uma vida que vale a pena ser vivida. Sim, por que não? Se nunca paramos para pensar nisso, tá aqui então Isabela Camargo. Muito prazer! Para a gente poder falar sobre o tempo, para a gente falar sobre aquilo que a gente fala o tempo inteiro, mas dificilmente para para pensar nisso. Bom, assim que o Zaque entrar aqui, deixa eu já avisar ele, ó, estou lá a gente já vai dividir então tela com ele. De qualquer maneira, eu quero agradecer antes de tudo o tempo de vocês, porque ao escolherem estar aqui vocês estão escolhendo não estar em outros locais. Nossa, sim, tem tantos conteúdos interessantes por aí, não é? Tem tanta coisa para a gente fazer. Então que esse tempo seja muito prazeroso, muito útil, e que vocês saiam dessa live melhor do que todos estamos começando. As conversas têm fluído muito bem, eu deixo aqui os comentários por um tempo e aí, dependendo da condução da nossa conversa, eu tiro um pouco os comentários, mas todos os comentários, perguntas aqui na caixinha são muito bem-vindos. Outra coisa que seria muito bacana é o envio de coraçõezinhos aqui na lateral. Sabe por quê? Porque aí o Instagram entende que esse assunto é relevante, pode ser interessante para mais pessoas. Deixa eu só aqui mandar um recado. Pronto, deixa eu ver se nós já temos os aqui. Ainda não. Agora sim, uma hora só para nós, uma hora dando um tempo então aqui para a gente conversar sobre o tempo dos sentimentos. E outras coisas mais. Tudo bem, Isaac?
Olá, tudo bom? Tava escutando direitinho?
Muito bem.
Boa noite, boa noite, boa noite. Tudo jóia? Que prazer. Antes de mais nada, quero te parabenizar pelo livro estar aqui comigo, né? Ficou muito bonito. E pô, sempre a vitória. Estou, vou começar a ler assim que terminar uma leitura que tô fazendo e depois te dou um feedback.
Ai, eu quero, quero super, já que obrigada por ter aceitado o convite em nome da Editora Globo também. A gente se conhece já há muitos anos e é muito curioso agora poder ter essa facilidade que estamos tendo, né? Porque quando eu fui te entrevistar para o livro, a gente marcou num sábado no restaurante, não é? Então tecnologia traz muita, muitas facilidades para gente. E você me contou lá no livro É quando eu começo a falar sobre os dois lados da comunicação, porque tem muita gente que culpa a internet, que terceiriza a responsabilidade, dizendo que a tecnologia que rouba tempo, né? Ou seja, não tem o controle desse dedinho nervoso e depois vai culpar a internet. Mas lá no livro, então, você me diz inclusive que você começou a publicar os textos, os seus poemas, os seus sentimentos, em 2014. Então o Instagram tava longe de ser o que é. Poucos sentiam como você. Queria então que você trouxesse um pouquinho desse seu passado, como é que você se sentiu confortável, e se foi confortável mesmo ou não, lá em 2014, ou seja, há 6 anos. Como é que foi essa jornada do mundo offline para o online?
É, então, eu Depois de um tempo fazendo isso, né, desde 2014 estou por aí na internet fazendo coisas, a gente começa meio que olhar para trás e ver o caminho assim, né. Até então a gente só vai avançando e olhando para trás a gente começa a ver que teve algumas etapas, algumas coisas foram acontecendo assim. E é engraçado porque na verdade eu nunca, né, nunca planejei isso, nunca foi algo que eu quis, desejei e tal, apenas aconteceu assim, né. Eu trabalhava como administrador de empresas e tudo mais e comecei a escrever porque senti realmente uma necessidade de escrever para poder externar algumas coisas que eu não conseguia falar. E comecei nos papeizinhos, nos caderninhos que ficavam do lado das planilhas do Excel. E aí eu fui perdendo esses papéis e foi muito frustrante porque tinha coisas que eu gostei muito na época, eu lembro, e depois eu não Não consegui reaver. E aí eu comecei, eu criei uma página, primeiro um blog, né, blogspot.com, não sei se você lembra. E comecei lá e depois eu fui para o Facebook porque senão eu ficaria migrando entre várias coisas e fui para o Facebook. Mas o intuito era somente ter um arquivo, né, não era compartilhar, tornar público e tal. Tanto é que era uma coisa assim, nem tinha meu nome, nem assinava, tal, era anônimo mesmo. E aí depois eu fui vendo que as pessoas foram interagindo com aquilo, com aquilo, e aconteceu um movimento. Aí depois começaram até pegar as frases e colocaram, plagiar e tal. Falei, puxa, agora tem que colocar meu nome aqui. "Tem que assinar, né?" E aí depois foi isso que aconteceu e depois um belo dia fui convidado pela minha editora para publicar um livro e foi surreal assim, né? Porque é aquele sonho que a gente sonha, que não sonha, que a gente não sonha, né? Então é o sonho que te procura na verdade, não é aquilo que você, às vezes você nunca cogitou aquilo assim, você nunca pensou, tinha outros planos de vida e tal. E aí foi aquele sonho que bateu na minha porta, eu aceitei e vi que tinha de repente ali uma carreira pela frente e tudo mais. Foi assim que começou, assim, bem despretensiosamente, assim, não tinha nenhuma pretensão, né?
Conheço bem, né? Nós, quando somos escolhidos para falar sobre certos assuntos, não é, Isaac? Você então tá nos contando que em 2014 você começou a escrever como se fosse uma forma terapêutica.
Exato.
E lá em 2014, como eu disse, a internet era muito diferente do que é hoje, especialmente o Instagram, né, e as outras, as maiores redes sociais. Como você disse, naquele momento as personas, os influenciadores digitais, naquele momento nem era esse nome, né, Isaac? E você, eu me lembro que você atingiu mais de 1 milhão de seguidores há muito tempo. Ou seja, você conseguiu alcançar corações que até hoje muitas pessoas não fazem nem ideia do que é isso. Então você coloca muita alma nas suas palavras. Uma das coisas que eu trago aqui no livro, que é sobre o falar pouco para explicar muito, e aí eu quero trazer aqui um trecho que eu sempre menciono, né, de um poema seu: causa mortes, traumatismo craniano, fruto de um mergulho profundo em uma pessoa pessoa rasa, né? Eu coloquei, não fez muito sentido. Eu fiz mergulhos em pessoas rasas e caiu assim como uma luva. Por que que estou contando tudo isso? Para te perguntar se você recebe assim depoimentos de pessoas que te dizem assim: 'Zaque, você leu meu pensamento' ou 'eu também sinto isso'. Como é que é essa sua relação agora com os leitores? Porque Diferentemente do passado, a comunicação era totalmente diferente, né, do fã, do ídolo e tudo mais. E agora não.
É, então é engraçado porque esses dias eu tava pensando nessa coisa de tempo. Eu tenho lido um livro que fala sobre o tempo também, e hoje a gente já sente uma saudade da internet antiga assim, né. Então, por exemplo, acho que a nossa geração foi talvez a última geração que pegou o mundo offline. E eu lembro que antigamente minha saudade era do mundo offline. Agora eu já tenho saudade da internet do começo, onde tinham fotos ruins, aquela coisa toda assim. E agora tá sempre avançando, parece que já é séculos depois.
É muito engraçado.
Deixa eu ver aqui que cortou.
Tá me ouvindo?
Tô, tô. E aí, agora sim, existe também essa coisa do... É muito engraçado porque escrever é um ato solitário, né? A gente está sempre sozinho quando escreve, né? Desde o... Eu acho que é necessário, inclusive, a solidão assim, para escrever. E os meus textos, eles são muito subjetivos, muitos deles são autobiográficos mesmo, falam das coisas que eu sinto, das coisas que eu gostaria de sentir. Fala das minhas memórias e dos futuros que também se tornaram memórias, né? Uma coisa meio estranha isso. Dos futuros que não se concretizaram e se tornaram memórias também. E eu acho que é sempre deslumbrante pra mim porque eu sempre acho que é algo muito meu, muito íntimo. E sempre que eu estou escrevendo eu não penso no leitor, não penso no possível leitor. Eu penso em mim como o primeiro leitor. Eu sou o primeiro leitor. Eu vou ler primeiro. E depois que o texto se torna público, seja no Instagram ou em livro, etc., eu sinto que ele não é mais meu, de alguma forma. Então eu sou, eu acho que, eu entendo que sempre depois da escrita eu sou obrigado a abandonar aquele texto para ir para um próximo. E nisso é legal porque outras pessoas se apropriam dele, né, e colocam a sua história de vida dentro daquelas palavras que eu escrevi, assim. Então também já não são leitores, são coautores. Porque a partir do momento que você tem uma determinada interpretação que cabe dentro do texto e não foi aquilo que eu pensei, então você deu sentido para aquilo, então também o texto é seu. Esse é o meu entendimento disso. E aí as pessoas têm essa coisa muito gostosa da gente ter esse feedback instantâneo. Sei lá como deveria ser a vida de um escritor sem internet, porque eu não sei o que é isso. Então ele deveria esperar os lançamentos de livro para a pessoa vir lá, pegar aquela fila e falar: "Esse livro é muito bom", ou um certo colunista de um veículo de imprensa falar que o livro é bom e tal. E hoje em dia a gente tem, para o bem e para o mal, essa coisa instantânea, né, das pessoas chegando, comentando, marcando umas outras e tal, tal, tal. E por um outro lado também tem a efemeridade, né, porque o texto uma semana depois ele já naufraga nesse ambiente tão acelerado, né. É engraçado isso, é uma coisa que eu penso bastante sobre.
Mas eu tô aqui para te provar que alguns textos ficam para sempre. Esse, né, traumatismo craniano fruto de mergulho profundo em uma pessoa rasa, talvez seja o único, a gente pode chamar poema, podemos chamar poema, já pode, pode, pode sim, pode sim, que eu saiba de cor e que eu vou poder mencionar sempre, tá?
É engraçado que as pessoas tatuam, sabe assim, aí manda foto da tatuagem assim. Tem, vixe, bastante. Todo dia, uma vez por semana, duas vezes, eu recebo fotos de tatuagens assim com os textos que eu escrevi. Acho isso muito legal, um pouco assustador, mas penso também, eu tenho várias tatuagens de textos de outros escritores e escritoras que eu tatuei também. Então eu tô nos dois lados da ponta, né?
O Zac, a Sil Oliveira tá dizendo: foi lendo um texto seu que ela passou a te seguir porque ela se reconheceu em vários, né? Eu também me reconheço em muitos trechos do que você escreve. E quando alguém então compartilha com você o quanto o texto fez bem, como é que você se sente? Agora de verdade, assim, né? Como é que é para um escritor como você, que foi escolhido para ser um instrumento deste tempo, para nos presentear com textos tão profundos, tão maravilhosos. Como é que você se sente tendo esse reconhecimento de pessoas tão distintas e que falam a mesma língua?
Eu me sinto muito— eu não me sinto tão solitário, na verdade. Acho que essa é a coisa. Porque assim, como estou falando praticamente em todos os textos, estou falando de mim ou de coisas que entraram em mim, no sentido que os meus sentidos captaram, né? Coisas que eu vi, coisas que eu ouvi, coisas que eu cheirei, coisas que todos os meus sentidos, que eu toquei e tal. Então é sempre uma experiência subjetiva, assim. Então eu me sinto compreendido até mesmo quando eu falo de textos que não são textos que têm um caráter. Eu sei que alguns entram e ajudam pessoas porque é uma palavra que veio na hora certa e tal, tal, mas alguns textos são simplesmente externando sentimentos invernais e outonais que não estão na rede social. E às vezes eu coloco porque eu acho que eu tenho que colocar, porque eu estou dos dois lados, né? E às vezes eu vejo que também tem muita identificação com esses textos, assim. Então eu me sinto menos solitário nesse sentido, né? Vejo que ainda tem, nesse lugar que é tão propagador de uma perfeição, Ainda existe lugar para pessoas imperfeitas, né? Pessoas que sofrem, pessoas que têm medo do tempo, medo do amanhã, pessoas que têm felicidades pequenas, pessoas que não sabem. Então, em tudo isso eu me sinto menos solitário, assim. Acho que essa é a grande vantagem disso tudo, né? Então, nisso, digamos que eu sou agraciado por essas pessoas que sempre estão ali.
Tem gente que tá desde o começo até hoje, né? Isso. Você falou agora medo do tempo, medo do amanhã. Eu vi uma publicação sua, aliás, sua página tá uma exuberância, tá?
Ah, obrigado!
Quadros, quadros, nossa, tá assim uma delicadeza. Bem, tem lá um band-aid com a datilografia do tempo.
Sim.
O tempo para você é O quê?
Cara, o tempo. Nossa, você foi do mal agora. Eu acho que você foi do mal agora, porque é uma pergunta muito— Obrigado. Mas eu acho que o tempo, ele é o— eu sempre carreguei essa ideia do que a gente carrega essa ideia num senso comum, que o tempo passa, né? Que o tempo está passando, mas na verdade o tempo ele é estático, a gente é que passa por ele, né? E então cada vez mais eu tenho essa noção que o tempo é o caminho, assim, a gente vai avançando por ele, mesmo se não quiser avançar, mesmo enquanto estamos parados ou com a sensação de imobilidade, a gente continua avançando. Então acho que o tempo é o nosso avançar, né? E o tempo ele é, de certa forma, a nossa trajetória estática, assim. E aí ele pode ser muitas coisas, ele pode ser tanto o medo, pode ser a cura, né? Acho que toda cura, se a gente parar e ficar pensando sobre isso, ela está muito ligada ao tempo, não existe instantaneidade nisso, né? Em qualquer cura, seja de uma dorzinha de cabeça a feridas no nosso coração, na nossa alma, o tempo traz essa coisa das estações, Dessas coisas que nós vamos passar por elas, elas são inevitáveis por causa disso, né? Porque o tempo, de certa forma, dita isso, né? Então, e a gente anda por ele carregando algumas ilusões que não devem ser carregadas, de que a gente nunca vai passar por certas coisas, porque iremos passar. E acho que é isso, e permite o nosso crescimento também, né? À medida que vamos avançando por ele, percebendo ele, né, que é uma coisa muito esquisita você perceber que o tempo, que a gente está passando. Esses dias eu vi meu sobrinho fazendo 3 anos, né, e aí eu nem sabia que minha irmã tinha crescido ainda, e agora eu já tenho um sobrinho, né. E aí eu vi que o tempo está passando para mim, eu falo, caramba, porque enquanto estou sozinho eu não sinto que ele está passando. Enquanto eu estou nesse quarto aqui em quarentena, já tem uns meses, eu não sinto, mas de repente eu, quando eu vejo o mundo lá fora, eu vejo que tá passando. E isso é muito legal, assim, um pouco assustador também.
Interessante. A Paty Pimentel, uma grande amiga: tempo é a cura. Quando eu olhei esse band-aid escrito tempo, eu fiquei realmente muito feliz, sabe, com essa sua sagacidade, com essa sua sensibilidade em colocar o tempo ali no band-aid. Porque com a maturidade, Zaqueu, queria entrar um pouco nesse aspecto contigo, a gente vai abandonando ou não um pouco a bagagem. Vai deixando um pouco a vida mais leve, ou não. Como é o Zach hoje? O Zach de 2020 para o Zach de 2014?
Nossa, é bem diferente assim, com mais tatuagens, evidentemente. Quantas tatuagens? Ah, já tô com 22, 22, né, e subindo. É engraçado assim, nesse período que nós estamos passando, eu estou muito produtivo, até me sinto às vezes culpado por isso, porque eu estou bem, mas o mundo tá uma porcaria, e aí eu fico meio triste por causa disso. Mas eu tenho pensado muito, produzindo muito, e pensando nessa coisa assim do amadurecimento, o que que é isso, né? E eu não consegui chegar numa resposta porque o objeto que eu tenho para analisar é a minha própria vida, né? Eu sinto que eu mudei bastante, mas eu superei certas coisas, mas apareceram outras, né? Então superei alguns medos, mas apareceram outros medos. Eu desisti de alguns sonhos, mas apareceram outros sonhos, assim. Então acho que o amadurecimento não é ausência das coisas, assim, não é uma sabedoria plena. Eu acho que apenas a mudança daquilo que nós desejamos para nossa própria existência, assim, né? Então em 2014 eu imaginei uma outra uma vida para mim, e em 2020 eu já imagino outra assim, né? Mas eu acho que enquanto eu puder imaginar, enquanto eu puder pensar e desejar os sonhos que eu tenho, é isso que mantém a vela acesa, né? É isso que nos mantém vivos assim, né? Então eu não sei se isso é mais— eu não sei se eu sou mais maduro do que eu era naquela época. Na verdade, sei que sou diferente, né? E acho que talvez essa seja a beleza disso tudo assim, né? Tem uma frase do Victor Hugo, grande escritor francês, que diz que mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E cada dia mais eu tenho visto o quão isso é verdadeiro.
E ainda bem, né, Zach? Porque a gente muda o tempo inteiro. Você sabe que aqui no livro, no Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, tem o prefácio do Cortella e depois mais 150 entrevistados como você, que a gente adora, respeita, Quer estar perto, quer participar de tudo e tal. E aí, o que me chamou atenção lá atrás, que me fez então buscar todos vocês, era saber se o tempo está passando mais rápido. Aí eu fui lá no Observatório Nacional no Rio e tá tudo certo, tá, gente, com a Terra, o nascer, o pôr do sol, as fases da Lua, tá tudo certo. O tempo da natureza continua igual. É evidente que nós estamos ou não passando mais rápido pelo tempo. E uma coisa, Zaque, que ficou muito claro aqui para nós É esse assim, é, eu tô vendo aqui só um comentário aqui da Paty que, né, tá perguntando, que tá aqui admirada, né? Quem é o Zaque? Mais uma apaixonada aqui pelo Zaque. É muito ruim quando a gente terceiriza a velocidade do tempo, porque é evidente que nós estamos passando ou não mais rápido por ele. Então, a boa notícia para quem está sentindo que o tempo tá passando rápido é que estamos ativos. E para quem que o tempo não tá passando rápido? Para quem tá numa fila de banheiro, né, um minuto fora, diferente, dentro do banco, ou de um transplante de coração, como eu trago aqui no livro. Então eu quero trazer agora para você essa história do tempo da alegria, o tempo da felicidade. Você já percebeu a diferença entre esses tempos?
Já, já, já sim. É engraçado, eu tenho um, eu vou puxar um pouco a pecha para literatura, tem esse livro aqui, ó, também, além do seu, essa é uma outra indicação, que chama Sonhos de Einstein.
Você me sugeriu esse livro, eu tenho aqui, viu?
Sim, maravilhoso, porque cada historiezinha é uma noção de tempo diferente, né? Ele introduz, ó, nessa história o tempo passa de trás para frente, nessa história, e ele vai contando. E eu acho que os tempos são diferentes, assim, porque eu tenho a impressão que quando a gente— Primeiro, eu acho que a gente tem a mania de ter uma percepção muito tardia das coisas, assim. A gente percebe quando elas já passaram, assim. Então, "Puts, era amor, realmente era amor", tá ligado? Só que já acabou a história, enfim. Ou "Realmente eu fui feliz naquele dia". E a felicidade, principalmente ela, ela tem essa coisa de se apresentar quando o momento já acabou. Esses dias eu estava pensando, porque como eu estava com saudade da minha casa, com meus pais, com a minha irmã, etc., que é uma coisa que já não vai mais acontecer, porque somos cada um que está com a sua vida, mas ao mesmo tempo eu lembrei, não lembrei dos dias extraordinários, que aconteciam festas, etc. Eu lembrei assim da minha mãe no quarto mexendo com as costuras, que ela gosta, meu pai mexendo no quintal lá, minha irmã no quarto dela e eu assistindo TV. Cada um tava num canto diferente, mas ao mesmo tempo a gente tava todos juntos e existia um silêncio que era uma comunhão disso tudo. E eu sinto falta desse silêncio. E aí aquele dia que era um dia banal naquela época, que eu nem pensei nele, hoje ele se torna um dia que eu fui muito feliz porque tinha todo mundo ali. E então eu acho muito interessante o quanto a felicidade ela traz, ela é como se flores brotassem no passado, assim. A gente não vai conseguir colher, mas a gente pode enxergá-las todas depois de um tempo, assim. E eu acho que assim, a felicidade, pelo menos o que eu percebo dela, é que aquela ideia de ser feliz e não sabia é muito presente em mim. Eu percebo muita coisa um pouco depois, assim. Porque na hora eu estou muito ocupado sendo feliz. Naquele momento. Então não penso na felicidade, não teorizo sobre ela. Estou sendo feliz, estou aqui com os meus amigos, comendo, sei lá. E eu acho que isso é muito, muito próprio da felicidade, assim, e de como as coisas vão brotando quando elas passam, assim, né? E isso também é uma interferência no tempo, né? Afinal, é o passado interferindo no nosso presente, né?
Aqui a Silvia Saturnino: como flores que brotam no passado, né?
Aí ela fala aqui um pqp, Aí, essa é a minha leitora fervorosa, ela é muito legal, sempre participando.
Tem várias dizendo que te amam, que te querem, e que vários estados aqui, sejam todos muito bem-vindos. E outras pessoas, Vanusa: não conhecia o Zach, já entrei no Instagram para ver e adorei. É evidente, Vanusa, o Zach fala como o nosso coração percebe, né, como a gente até tá pensando, mas nem sabe.
Acho que isso é muito bom, né?
Eu me lembro quando eu conheci o Zach, eu acho que eu disse algo parecido assim para você: às vezes eu vejo o que você escreve que eu tô pensando, mas nem sei, porque a gente não para, né? A gente tem muita intolerância ao silêncio e a esse momento de pausa. O Zach, a Renata tá perguntando que quer saber o nome do livro que você mostrou.
Vamos lá, é O Sonho de Einstein e Dá um Tempo Também, tá? Esses dois livros são essenciais aí, ó. Comprem livro, gente, por favor, porque vocês que estão investindo, né, defendam o investimento, defendam o livro. Exatamente.
Quantos livros você está agora?
Eu tenho publicado 5 livros.
5 livros, que danado!
É, são produzindo, tem que produzir. Então uma das coisas que eu que fala sobre o tempo, que tem um escritor que eu gosto muito chamado Gonçalo Tavares, né, português maravilhoso, e eu sou muito fã, muito fã. E ele fala muito que dessa ideia em que tudo a gente deve saber que a finitude em tudo, né, e tudo, tudo tem um fim. Então eu acho que é uma das coisas que a gente se prejudica muito é porque a gente entra nas coisas achando que elas não terão o fim, assim. Então seja numa carreira, seja numa história de amor, seja na sua própria existência, a gente age como se o fim fosse uma coisa tão distante, e às vezes ela é uma possibilidade muito real, né? E se você souber, desde que eu comecei a ter muita ideia de tudo, que tudo vai terminar, eu me tornei mais vivo, de certa forma, estranhamente, paradoxal. Então eu estou falando, não, eu tenho que escrever Rápido, porque eu não sei e tal, eu quero ter coisas assim, quero fazer coisas e tal. Então você passa a não adiar mais nada assim, né? Ou não adiar por muito tempo, né? E isso é bom assim, acho que é aquelas coisas que a gente aprende pelo inverso, sabe? Então você vendo que tudo tem fim, você quer aproveitar muito as coisas, né? Então se você conhecer muita tristeza, se você for uma pessoa que tá lidando muito com isso, então quando você vê uma felicidade pequena que ia passar desapercebida, você vai reconhecê-la. Então eu gosto muito dessas coisas de aprender pelo antagonismo, né? E tem me feito bem.
Sim, o Zach, quando você diz, né, tudo tem fim, a gente perde um pouco a noção de que tudo é temporário. Tudo absolutamente é temporário, não é? A gente tem um tempo finito dentro deste tempo que é infinito. Agora, você sabe que nesses últimos meses, com o lançamento do livro, quando eu falo sobre o tempo, algumas pessoas batem assim o pezinho, sabe, falam: "E já vem essa moça falando sobre esse assunto que é muito subjetivo." Então qual é o meu trabalho, né, com toda essa nossa conversa? É mostrar que a gente fala de tempo o tempo inteiro. É o tempo da live, é o tempo da leitura, é o tempo do almoço, é o tempo do banho, é o tempo do sexo, é o tempo de tudo, só que dificilmente a gente para para pensar no que estamos fazendo. Geralmente essa pausa ela só vem depois de uma de um momento violento como diagnóstico, acidente ou uma morte. E quando agora, quando fala, né, tudo tem um fim, é fundamental a gente pensar isso para realmente estarmos aqui. Quero passar a palavra para você, Rafael. O Rafa, querido Rafa, trabalhou comigo, uma pessoa fantástica. Tudo cronometrado, sim, todos estamos vivendo com os nossos cronômetros particulares, já Quero passar a palavra para você com um pensamento de Santo Agostinho que eu trago aqui no livro, que ele diz o seguinte, ele pergunta: aonde estão o passado e o futuro? Aonde estão? E aí diz assim: o correto era chamarmos presente do passado, presente do presente e presente do futuro, porque eu só consigo lembrar do meu passado agora. E eu só consigo projetar ou idealizar o meu futuro agora. Então vamos lá, se eu quero ter um passado no qual eu mergulho, no futuro desejável, eu preciso ter consciência das consequências do que eu faço. Então, para ter um passado do qual mergulho, eu preciso ter consciência do que eu estou fazendo agora, né? Porque senão você só pensa num futuro desejável E outro dia eu me peguei assim, eu falei: poxa, do que que eu quero me orgulhar? Do que que eu quero ter satisfação? Então esse estado presente ele é fundamental para que os sentimentos reais brotem. Isaac, como é a sua relação com esses sentimentos? Você deixa eles amadurecerem? Você tá reagindo de que maneira a esses sentimentos, especialmente agora nestes últimos meses?
Poxa, fiquei pensando aqui. Então, é engraçado assim, porque tava até conversando com um amigo meu esses dias, o Rafa, escritor também, quem produz alguma forma de arte, seja ela qual for, na verdade deseja permanecer. Acho que a arte é uma manifestação da permanência. A gente quer permanecer de alguma forma. Quem escreve um livro, Quem planta uma árvore, ou nem necessariamente a arte. Todos queremos ou deixamos algum tipo de legado, até mesmo nas outras pessoas que a gente conviveu, né? Nossos pais em nós, e assim. E eu não sei se a gente para para pensar nisso assim, né? Foi a questão de se orgulhar do próprio passado e tal. Mas eu acho que Que pensando nisso, eu acho que temos que assumir a nossa própria existência, assim, né? No sentido de ser quem nós somos e sermos verdadeiros conosco mesmo. Acho que essa é uma forma de se orgulhar do passado, assim. De ter as suas opiniões, não trair seus valores. Amar, produzir e ser quem você é. Acho que as pessoas, as melhores pessoas que eu conheço, elas são totalmente autênticas com elas mesmas, e elas têm uma história que me mostra isso. E eu gosto muito disso, valorizo muito isso. Porque é muito fácil a gente falsificar coisas, é muito fácil a gente mostrar essa coisa de querer, a gente vive nesse momento onde todos nós queremos mostrar coisas, né, mostrar talentos, mostrar, sei lá, rotinas, né. E acho que isso de certa forma tem uma inverdade nisso tudo, assim. Sempre penso nisso assim: por que que eu tiro 20 fotos para ficar uma boa e eu postar, né? E aí eu vou analisando essas coisas assim. Então eu acho que Essa coisa de ter, de estar de bem com seu próprio passado, é ter coragem de se assumir no hoje, assim, né? E quando eu falo se assumir, é abandonar coisas, é largar coisas, é ter responsabilidade com a sua própria felicidade, assim, né? Nós somos responsáveis por ela, não é ninguém. Ninguém é responsável pela minha felicidade, eu que sou. Então não é alguém que vai vir de fora me trazer isso, não é coisas externas, mas eu tenho que buscar coisas que me tornam uma pessoa feliz, né? Hábitos, autodescobrimento, conhecer minhas sombras, e vai por aí. Não sei se eu viajei demais. Você pode falar, não está viajando, vamos embora, que eu vou embora. Vou filosofando aqui.
Olha, você já procurou o óculos estando aqui no seu rosto? Você já procurou, tipo, cadê meu óculos? Ele tá no rosto. Já aconteceu com você?
Então, já esses dias mesmo eu até dormi com óculos e eu tava sentindo uma dor muito grande no sonho. Tava sonhando que tava com uma puta dor de cabeça e eu não sabia. Ia vários médicos sonhando. E quando acordei, porque eu tava, óculos tava me ferindo assim, tá até cortado. Então esse é meu nível.
Bom, outro dia tava entrevistando o neurologista E ele falou assim: Isabela, a felicidade é como aquele óculos que a gente procura e tá no nosso rosto. Que eu direto, especialmente óculos de sol agora com grau, às vezes o sol tá tão forte, gente, cadê meu óculos? E tipo, eu já tô de óculos, né? Então a felicidade, eu gostei muito disso que ele falou. E você me comentando agora, é isso, ninguém é responsável pela sua felicidade, assim como ninguém é responsável pela sua saúde. A sua saúde mental. Ou seja, não adianta terceirizar isso para ninguém. E aí, quando você estava falando agora, eu tô sentindo você tão diferente, Isaac, tão desapegado do passado. Mas tá demais assim. Bom, te conheço então já 6 anos, né, no mínimo. Você tá muito mais leve, muito mais desapegado. Esse desapego também é fundamental, né, para a gente aliviar a bagagem, como eu falei no início.
Então é isso, né? Eu acho que é deixar o presente se tornar passado. Assim, acho que a minha grande luta foi sempre— eu sou uma pessoa muito nostálgica, muito assim. Então a minha grande luta é libertar o presente e a possibilidade de futuro para se tornar um passado. E ele se tornando passado, ele não é mais acessível, eu não posso mais estar lá. Mas eu posso vê-lo, posso contemplá-lo às vezes, posso lembrar. E aí tem uma discussão toda sobre a memória, né? Tem muita gente que, inclusive eu, que acho que parte da memória a gente inventa também, é ficcional, né? A gente completa as coisas com coisas que não existiram. Mas eu acho que esse movimento foi muito importante para mim de entender que o passado quer ser passado, ele nasceu para se tornar passado, né? E às vezes eu não largava ele. 'Não, você vai ficar aqui.' Mas aí a gente tá em paz hoje, né? Pode ser que amanhã, não sei, mas hoje a gente tá mais tranquilo com isso.
A Silvia, né? Quem conheceu o Zaque do estrangeirismo não reconhece o Zaque do Volúpia. Ai, gente, cada um. O Zaque, eu cheguei aqui num outro recorte seu que eu amei: 'Sempre te procurei até que me encontrei.' Vou repetir: sempre te procurei até que me encontrei. Com o tempo a gente vai tendo mais amor próprio, né? A gente vai se conhecendo mais e vai parando de querer tapar os buracos, né, com outras pessoas. Você concorda?
Concordo plenamente, sim. Até porque essas pessoas nem são— às vezes elas nem sabem da responsabilidade que a gente mesmo deu para elas, assim, né? Essa coisa de que amor é Aquelas imagens, as metáforas antigas aí, né? Tampa da panela, metade da laranja, Fábio Júnior que nos perdoe, mas não é assim. Acho que o amor, e principalmente o amor, ele é um transbordamento de duas pessoas que já estão cheias, né? Estão, ela é um transbordar, ela é aquela coisa Não é um preenchimento, né? Acho que esse preenchimento é responsabilidade minha, assim, né? E se eu me sinto vazio em algumas áreas, é porque eu ainda não descobri aquelas áreas todas, assim. Não é alguém que vai me trazer. E por muito tempo minha busca sempre foi essa, assim, de que a ideia desse amor iria me completar, e não é assim.
Amor é transbordar, gente, não é preencher. É muito, muito interessante, muito interessante. Ozaki, tem muitos comentários aqui. Nós já estamos quase, né, chegando a uma hora da nossa conversa. Te pergunto, você tem mais uns 5 minutos ou eu posso?
Você tem tranquilo? Então podemos ir até cair na live de tempo do Instagram.
Eu quero te fazer uma pergunta que me aflige demais, mas acho que você pode me ajudar. Por que que somos tão intolerantes ao silêncio? Por que que tanta gente tem medo, né? A sua publicação, né, Adeus Não É Palavra, é Silêncio. E muito todo mundo tem medo de levar um pé na bunda, todo mundo tem medo do fim, como você falou, todo mundo tem medo do silêncio. Por quê?
É porque o silêncio é um espelho que a gente não consegue evitar. Ele nos obriga a olharmos, né? Porque se você pensar num espelho como objeto, a gente não se vê nele. A gente vê se a barba tá legal, se a maquiagem tá boa, se a roupa tá alinhada, etc., mas a gente não se contempla, não se olha. E eu acho que as pessoas têm medo do silêncio porque quando tudo está em silêncio, a gente escuta as coisas que deveria estar escutando há muito tempo sobre nós mesmos. E eu acho que a gente foge disso. E isso eu falo por mim. Então a gente às vezes foge porque a gente não quer esse autoconfronto que é necessário também. Então a gente foge disso e vai colocando coisas para evitar esse silêncio, colocando barulhos, barulhos, barulhos, barulhos. E vamos ali, só que o silêncio ele sempre acha um jeito de entrar, né? E uma hora a gente vai precisar ter esse autoconfronto e essas coisas.
Sim, inclusive a gente foge do silêncio com uma agenda muito cheia. Esse preenchimento de agenda é um excelente subterfúgio, uma excelente desculpa para a gente fugir do que realmente a gente precisa. Ozaki, quando você me falou lá, acho que a nossa entrevista foi em 2017 ou 2018, eu não me lembro, você me disse, né, inclusive está no livro: eu estou em um lugar moderno, fragmentado e superficial, falando de coisas profundas, e com isso as pessoas se sentem íntimas, às vezes demais. Você já teve algum problema assim com alguma demonstração de amor em que você ficou assim meio na dúvida?
É engraçado assim, porque também existe uma—
Mudei de assunto, mas na sua fala me veio essa história.
Não, mas maravilhoso. Existe também uma projeção assim, né, de que isso é uma coisa que eu tomo muito cuidado, essa coisa de: ah, você escreve, deve ser uma pessoa super sensível, vai acordar de manhã e já vai fazer um poema. Não, eu sou uma pessoa com qualquer outra bem ranzinza, na verdade. E talvez essa é a parte da escrita, seja de repente a minha melhor parte, que tá aí totalmente exposta. E o restante são as minhas sombras e as coisas com que eu tenho que lidar. Mas eu acho que isso vem muito por causa da rede social, né? Essa coisa de uma projeção. E tem gente que explora muito bem isso, assim. Você olha certas pessoas, parece pessoas perfeitas, assim, né? Quase semideuses, né? Casais, etc. Você Você olha, parece que é uma vida perfeita e tal. E isso eu sempre desconfio disso, na verdade. Então às vezes eu, às vezes vem algumas declarações de amor, essas coisas, e nas mensagens eu falo assim: olha, eu tenho 37 anos, tô solteiro há muito tempo, então devo ter algum problema. Talvez, acho que não é tudo isso que você tá imaginando não. Mas eu procuro ser bem honesto e desconstruir isso assim, porque não, também eu acho que Isso me prejudica quando as pessoas também vêm esperando essa coisa toda, sabe? De "Ai, você é isso..." Não sou nada disso, eu sou uma pessoa e ocasionou de eu escrever como outra pessoa dirige um carro, como outra pessoa... Não vejo nada muito especial nisso, é um ofício também. Mas essa coisa da internet criar essas pessoas super poderosas, influenciadoras e tal, eu tenho um pouco de medo disso, na verdade. De me verem como essa pessoa, porque eu não quero ser essa pessoa. Quero ser só eu mesmo no meu quarto escrevendo, tanto é que eu nem posto fotos minhas, coisas da minha vida, porque não é interessante assim, na verdade. É uma vida como qualquer outra. Eu acho que eu quero ser reconhecido pelos textos que estão aí, e talvez seja a minha melhor parte.
Perfeito. Você inclusive escreve: "Não acredito em um eu-te-maio". Desculpa, não acredito em um eu te amo de quem não sabe o nome dos meus defeitos. Vou repetir: não acredito em um eu te amo de quem não sabe o nome dos meus defeitos. Gente, olha, aplausos digitais! Sensacional, Isaac. Partindo aqui para uma conclusão, eu quero fugir totalmente agora dos poemas, dos textos, e quero saber contigo O que que você tá dizendo sobre os recortes da internet, né? Que o papo é assim, você fala uma coisa, já vem uma outra. E aí vamos, vamos então tentar agora colocar a nossa verdade, então, para que possa, quem sabe, inspirar algumas atitudes. Você já reconheceu quais são os seus ladrões de tempo? Quem são seus ladrões de tempo? Coisa que você faz assim, cara, perdi muito tempo com isso?
Poxa, eu não vou colocar livros porque acho que não é. Os livros só me dão coisas, nunca tiram nada de mim. Poxa, eu tenho muita, eu tenho muito déficit de atenção assim, né? Então, por exemplo, isso me rouba muito tempo assim, porque, por exemplo, eu não escrevo no computador, Eu tenho que escrever ou à mão ou na máquina de escrever. Porque se eu escrever no computador, eu vou pro YouTube, de repente eu vou indo e eu acabo num vídeo de uma usina fazendo peças de carro e eu não sei como fui parar lá. Então eu tenho esse problema que meu pensamento ele vai embora muito rápido. Então eu tenho que lutar pra me concentrar numa coisa só. Então eu procuro mecanismos pra me dar essa solidão. Então a máquina de escrever é um deles. Não é uma questão estética, é bonita e tal, adoro a máquina de escrever, mas ela me dá a solidão que eu preciso para escrever, porque ela não faz mais nada, ela não vai para outro lugar. Então eu tenho esse problema e é um problema que eu estou, ainda tenho ele, rouba muito tempo essa coisa de ir para lugares devaneios e tal, não proveitosos, quando eu estou pensando em algo é legal, eu vou pensando e vou indo, vou indo. Mas às vezes eu sento no computador para fazer uma coisa, responder um e-mail, e de repente passou 3 horas e eu não respondi o e-mail. Tô vendo sofás, coisas assim altamente supérfluas. Isso rouba muito tempo, assim, de verdade mesmo. E celular também me rouba muito tempo, bastante. Mas é parte do meu trabalho, então eu meio que dou um desconto para isso. Porque eu penso assim: alguém passa 8 horas por dia no escritório trabalhando, Então eu tenho que passar um tempo, sei lá, respondendo comentários, respondendo mensagens, fazendo algumas coisas na internet. Mas essas coisas me roubam muito tempo assim. O amor já me roubou muito tempo, a expectativa do amor também já me roubou muito tempo. De esperar o tempo que tá esperando ali e deixa minha vida totalmente parada numa espera sem fim, né? Quando na verdade eu posso esperar andando, né? É isso que é uma conclusão que eu cheguei também.
Breaking news para tudo, tá? Uma TV agora, breaking news aqui. Você trouxe agora uma coisa muito importante: nós podemos esperar por algo deixando a nossa vida fluir. Então você, em alguma situação Pensou ou paralisou esperando alguém, ou seja, algo que está totalmente fora do seu controle?
Sim, várias vezes, assim, várias, várias. Eu tinha, inclusive, acho que talvez na minha história de vida esse seja o maior ladrão de tempo, é essa esperança, né? Assim, é engraçado porque eu li um livro também, que também foi um dos grandes livros que mudaram a minha vida, por isso que eu acho que todos Temos que nos cercar de livros, que se chama Felicidade Desesperadamente, que é de um filósofo, André Comtes-Ponville. E nesse livro ele fala que a grande vilã da felicidade humana é a esperança. E eu achei incrível e meio triste, porque assim, esperança para mim era uma coisa, mas ele fala, e ele dá os pontos dele, porque a esperança é sempre uma felicidade que não está não é alcançável, porque ela tá sempre no futuro. Então a gente tem que ser feliz de maneira desesperada no hoje, né? Isso foi um grande, teve muita influência em mim assim, me mudou muito. E aí eu parei de, com essa ideia de me paralisar esperando assim, né? Principalmente coisas referentes ao amor e tal. Eu tinha muito essa ideia de que eu ia, sei lá, parar minha vida, dar uma segurada, e um dia eu ia no supermercado e aí ter alguém comprando beterraba e a gente ia falar: "Pô, você gosta de beterraba?" "Gosto." E aí nasceu uma grande história de um filme do Woody Allen. E não é assim, né? A vida não é assim. E aí eu comecei a descobrir que eu posso esperar as coisas, mas caminhar, né? E talvez as coisas estejam adiante, né? Não sei.
Maravilhoso! Ou seja, você pode esperar caminhando. É mais ou menos outro dia eu ouvi isso de uma grande terapeuta amiga minha. Ela falou assim: Isa, caminha que Deus te coloca o chão, né? Acho que essa pode ser talvez uma das melhores formas da gente falar para quem tá com medo de algo, né? Então sim, vai na sua verdade que as coisas vão acontecer. A sua verdade, né, Isaac? É a sua verdade. Agora, você gosta de beterraba, Isaías?
Gosto pra caramba, bastante, bastante, bastante.
Já que você tá namorando?
Não, não, não, estou solteiro.
Então para as meninas que já sabem que ele gosta de beterraba, de tia Isabel, baita colher de chá para você.
Aí eu começo com a vermelha aqui, né? Ainda bem que tá meio Escuro aqui, mas eu gosto de beterraba e feijão por baixo e ovo mole. São minha trindade alimentícia.
Repete que agora as meninas ficaram— não, beterraba cozida ou crua?
Cozida, feijão por baixo do arroz sempre, e ovo com gema mole. Essa é a combinação perfeita, assim, são sinais que eu aguardo olhando nos pratos das pessoas. Puxa, olha isso aqui!
Meu Deus, agora cuidado, hein, vai aparecer de menina do seu lado comendo. A Renata Santos, uma outra amiga minha incrível, tá aqui dizendo que cozinha bem, e ela cozinha bem mesmo. Nossa, Renata, depois a gente conversa no direct. Aquelas, né, gente, a maluca para, né, juntar as almas. Uma forma delicada, né, Zaque? É que eu me sinto tão danada, tão íntima aqui com o Zaque, que eu já fui para esse assunto que você falou da beterraba. Mas foi muito bonito que você compartilhou com a gente, né? Dá para a gente esperar caminhando, dá para a gente viver uma vida que vale a pena ser vivida. Para a gente encerrar, Zaque, como é uma vida que vale a pena ser vivida? A partir de tudo que você já escreveu, meditou, produziu, amadureceu?
Poxa, eu acho que assim, uma das coisas que eu tenho feito, inclusive em alguns textos que eu tenho produzido, e aí não sei se vou pôr na internet, se vou pôr em algum livro, eu acho que a gente tem que buscar um retorno, de certa forma, à infância, assim, no sentido não de ser um adulto infantilizado, não é isso, Mas de buscar o deslumbramento com qualquer coisa, sabe? Uma criança, ela tem um deslumbramento com qualquer coisa. Então assim, sei lá, quando a gente aprende a ler, pelo menos foi assim, a gente lê absolutamente tudo, seja um nome de um remédio, a palavra amor, não faz diferença se é a palavra amor ou se é, sei lá, não faz. E eu acho que é bem isso assim, eu acho que a gente Essa coisa de se tornar um adulto, a gente vai perdendo isso, esse deslumbramento com qualquer coisa, com uma conversa. E eu acho que a gente tem que estar atento, como uma criança é atenta. Eu vejo muito por causa do meu sobrinho. Outro dia eu estava escrevendo um texto de por que as crianças só correm. Tipo, você chama uma criança, ela vem correndo. Elas não andam como um adulto, elas correm. Porque talvez elas saibam o tamanho do mundo e precisam aproveitar todo ele. Então elas correm pra ir em todos os lugares, conhecer todos os lugares, estar em todos os lugares, falar com qualquer pessoa e se deslumbrar com aquilo. Então eu acho que é um resgate. E também, sobretudo, aprender a brincar novamente. A ter essa coisa da brincadeira. Eu fiz um quadro que é uma árvore com um balanço, que eu acho muito significativo isso. E aí escrevi um texto que é assim: as árvores não sabem que você é um adulto, então você pode se balançar. E eu acho que é isso, eu acho que é voltar a essa coisa da infância, desse deslumbramento e dessa coisa até mesmo da, por incrível que pareça, da credulidade, de acreditar. Acreditar nas pessoas, acreditar na nas iniciativas, acreditar que a vida é digna de ser vivida, tem muita coisa boa para acontecer e muitas coisas boas aconteceram. Então acho que esse retorno é o que eu tenho procurado. Não sei se é a busca mais correta, mas tem me feito feliz.
Lindo, lindo, lindo, lindo. Foi assim infinitamente mais emocionante do que eu imaginei. O deslumbramento da infância, né, dessa curiosidade, esse estado de espírito de aprendiz, da curiosidade. Zaque, é pura inspiração. A Silvia tá dizendo, né, que você abre a boca e sai um livro. Realmente, você teve aqui um outro rapaz também, acho que é Bruno, Bruno Poeta, que disse, né, que você desconstrói realmente esse mito da perfeição, porque poesia é uma construção. E nós aqui tivemos quase uma hora de um papo super leve, sem roteiro, porque roteiro é prisioneiro. Então eu fui te ouvindo, sentindo a vibe, os comentários, e vi aqui, e te agradeço profundamente pelo seu tempo. Só nós sabemos quanto custa um compromisso na nossa agenda.
Sim, mas é um prazer.
Você me colocou na sua agenda e eu não fiquei com o tempo só para mim, eu quis dividir aqui com o máximo de pessoas que querem viver um tempo de qualidade. Zach, conte sempre comigo.
Você também, a receita é verdadeira. Faremos outras, quando você quiser a gente vem pra conversar, é sempre muito bom, muito legal falar sobre isso, acho que é uma coisa, um conteúdo edificante, é uma coisa que é legal, que faz a gente pensar, e eu tô pensando enquanto eu tô falando no resultado dessa conversa, já tô pensando em muita coisa, isso é muito legal, e parabéns pelo seu trabalho. Nessa sua nova jornada, esse livro aqui que irei devorá-lo. Tô muito feliz por você também. E não foi um, foi um ganho de tempo isso daqui.
Que bom, já que eu vou finalizar com o que a Renata Santos escreveu: você é poético, leve e não fala com traumas. Pode ser absolutamente. Acho que você vai gostar disso.
Muito obrigado, muito obrigado, foi um prazer. Muito obrigado, tchau tchau, tchau tchau.
Eu vou liberar aqui o Zaque e vou agradecer mais uma vez a presença de todos vocês, fazer dois convites. Hoje à noite, 10:30, vai ter lá na CNN Tonight com o Leandro Karnal, a Gabriela Prioli, a Mari Palma, um um programa todo sobre o tempo. Nós gravamos ontem, foi incrível. Eu me senti assim, não dá nem para explicar o que eu senti estando com os três ali na bancada da CNN para a gente falar sobre o que nós estamos falando aqui, sobre tempo de qualidade, sobre o que nós escolhemos colocar no nosso tempo e como nós escolhemos viver o nosso tempo. Vai ser muito bacana, 10:30, então, lá na CNN, para quem não tem o canal a cabo. Dá para assistir inclusive pelo YouTube CNN ao vivo. Amanhã eu estou de volta às 5:45 da tarde com Satyanata, um monge maravilhoso que ainda muito jovem se deu conta de que tava no piloto automático, que não era legal, e aí foi buscar o seu melhor. E hoje ajuda a despertar o que tem de melhor dentro da gente. Então, meus amores, muito boa noite para vocês. Temos aí uma longa jornada pela frente. Vamos juntos sempre em busca de um tempo de qualidade. Tchau, tchau!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








