Tipos de Burnout? Quais são? Existem? | Izabella Camargo

Izabella Camargo and lawyer Luciana Chamoni explain that burnout, according to the WHO, is a single work-related syndrome, not multiple types. They warn against conflating ordinary fatigue with clinical burnout, which causes cognitive impairment and requires recovery time between work periods.
Chapters
Oi, tudo bem por aí? Outro dia uma amiga me perguntou sobre burnout materno. Aí eu fiquei encatifada, desconversei, mas vi uma reportagem sobre burnout parental. E aí vi no Google, numa pesquisa, muitas pessoas querendo saber sobre burnout emocional. Então, quer saber quais são os tipos de burnout? Eu já vou te contar. Antes eu preciso saber se se você tá curtindo os conteúdos que eu tenho feito semanalmente para você. Essa comunicação vai ser muito importante, o seu feedback vai ser muito importante para mim. Adoro críticas construtivas, deixa aqui nos comentários, você sabe que eu respondo todos. Se tá fluindo, se você tá curtindo, se você quer que eu aborde algum conteúdo ou qual é a sua dúvida então sobre o burnout. Já já vou falar mais sobre o que eu vou fazer a partir da próxima semana. Mas vamos lá, Sabe quantos tipos de burnout existem? Não existem tipos de burnout. Existe a síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno laboral, quando você tem esgotamento físico e mental associado ao trabalho. É claro que mulheres sobrecarregadas podem se sentir esgotadas. Qualquer pessoa que não consegue descansar recuperar a sua energia por longos períodos, pode ficar sobrecarregada. Estudantes em pré-vestibular podem ficar exaustos, mas até aí. Ter o diagnóstico da síndrome de burnout, não. Porque o burnout, gente, nós não podemos banalizar o termo, e eu vou explicar por quê. Na verdade, quem vai explicar é a advogada Luciana Chamoni. Ela é mineira, espetacular, especialista em saúde mental nas relações de trabalho. Vejam só o que ela fala sobre os tipos de burnout.
No meu ponto de vista, não existe tipos de burnout. O burnout é que é um tipo de adoecimento do trabalho. Ou seja, não existe burnout cuja causa não tenha relação com atividade profissional. É claro que qualquer tipo de esgotamento que acarreta sintomas de adoecimentos mentais merece atenção por parte da sociedade. O que a gente não pode é colocar tudo no mesmo pacote, porque os fatores sociais que estão por trás de cada adoecimento são diferentes e cada qual merece ser enfrentado com um olhar individualizado. No caso do burnout, temos no centro a relação de trabalho. No caso do esgotamento das mães, quando o esgotamento não tem relação com o trabalho, temos no centro da discussão o machismo estrutural. Ou seja, quando tratamos qualquer esgotamento como burnout, Além de corrermos o risco de banalizar uma grande conquista dos trabalhadores e trabalhadoras, podemos perder o foco do problema social que está por trás de cada adoecimento.
Então, todo o nosso respeito a qualquer pessoa que estiver vivendo um estilo de vida que está levando à exaustão. Vocês sabem o quanto eu defendo um estilo de vida sustentável. Em equilíbrio dinâmico. Ficou claro que burnout é quando há desequilíbrios em demandas e recursos? Quando há desequilíbrios entre demandas e recursos, vai haver um desequilíbrio para você, para alguém que trabalha com você. Então nós não podemos banalizar o termo. É interessante porque no Google Trends o termo burnout chegou no seu maior nível desde 2004, ano passado. Muitas pessoas querendo saber o que é síndrome de burnout, o que fazer, se tem cura, tratamento, toma remédio, não toma, o que que eu faço, como é que eu lido com a minha vergonha, com a minha culpa, como que eu deixei chegar nesse estado. Então, diante desse movimento que eu tenho visto de pessoas banalizando o termo e diante de tantas pessoas precisando de ajuda real, nas próximas semanas eu trarei as respostas. Que você que está vivendo um burnout precisa, ou se você conhece alguém que está vivendo um burnout, você pode ajudar. Tem uma outra coisa também. Lembra em 2019, quando eu saí na capa da Revista Saúde? O responsável pela revista, o Diogo Sponchiato, ele entendeu do que eu estava já falando naquele período. Só que aí em 2021, ele já estava na Veja Saúde, eu falei: Diogo, precisamos falar sobre a banalização do burnout. Porque não é um cansaço qualquer que te leva ao burnout. Não, é exaustão que afeta a sua capacidade cognitiva. É quando você não consegue mais fazer com a mesma agilidade coisas que você sempre fez. É quando você não consegue mais agir em sociedade como você sempre agiu. E aí eu falei para ele: precisamos escrever um artigo sobre a não banalização do burnout. E ele publicou, tá aqui o link. É muito importante você então saber a diferença do que é cansaço e do que é exaustão. Não existe burnout emocional, não existe burnout materno, não existe burnout parental. Existem exaustões, existe uma exaustão relacionada a alguma situação, um período de vida, mas burnout está relacionado ao ambiente profissional. Faz sentido? Isso não tem nada a ver com resiliência, tá? Nós estamos falando sobre tempo de recuperação entre uma jornada e outra. Aquela velha história: problema nenhum você correr uma maratona, desde que quando essa maratona acabar você descanse para correr outra. Se você acabar uma maratona e já começar outra, vai dar problema, não vai? Então eu estou falando sobre tempo de recuperação entre uma atividade e outra. Não tem nada a ver com resiliência. Tem que tomar muito cuidado, que muitas pessoas confundem a resiliência com apelação. É a sua saúde que está em jogo. E aí, a escolha é sua. Até o próximo encontro, muita saúde para você e escreva aqui para mim o que você quer que eu traga sobre o assunto. Tchau, tchau!
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








