In this brief interview segment, Speaker A asks Lucas about his experience working twelve‑hour days in a salon and what prompted a change in his life. Lucas reflects that he has always worked excessively, believing that overworking is normal, especially for people who come from the interior (rural areas). The conversation highlights the cultural expectation that long hours are acceptable and hints at a personal realization that this mindset may need to be questioned.
Então você tava lá, trabalhando no salão, doze horas por dia. O que aconteceu que mudou a vida do Lucas?
Sempre trabalhei muito, né? Achava que o trabalhar demais é sempre normal. Acho que todo mundo acha que é o trabalhar demais.
Especialmente quando a gente vem do interior.
É. A gente quer do interior, você é do interior também, então sabe como é que é. A gente trabalha porque eu cresci assim, eu cresci numa fazenda. Então eu trabalhava desde os meus seis anos de idade. Acordava de manhã com o meu avô, tirava leite da vaca na mão, pegava trator, dirijo desde os meus cinco, seis anos. Só que aí... Você vai sentindo alguns gatilhos que vão te... Você não vai entender o que tá acontecendo, né? Tipo ferramenta de mão... Doer da nuca, você acha que é da musculação, você acha que é do estresse do dia-a-dia de muita cliente, ou da posição que você fica, aí você vai pra fidoterapia, você vai pra ortopedista, você vai tentando correr pra coisas que você acha que são mais óbvias, né? Mas você não para pra pensar que você tá num ciclo de estresse, num ambiente de estresse, porque você trabalha com beleza, então beleza não tem estresse, né? Beleza, né? Eu cheguei a jogar uma lixeira, tá achando normal isso?