Tudo o que estamos silenciando e que uma hora ou outra nosso corpo grita - Live com Luana Lima

Luana Lima and Isabela Camargo discuss how silence affects mental health and the body. They explore burnout, unspoken feelings, and why talking about what we're going through matters for healing.
Chapters
Olá!
Vamos chegando.
Eu ponho uma musiquinha pra ir relaxando.
Seja.
Bem-Vinda, bem-vindas, a mais uma live Falar Cura. Eu sou... Deixa eu botar o celular aqui. Eu sou Luana Lima, e esse aqui é o Falar Cura. Nós estamos na terceira, na quarta semana da Maratona Conhecer-se para Amar. Para você que ainda não participou de nenhuma live, a cada semana eu falo de um tema diferente, um tema que vocês me sugerem e a cada semana eu trago uma convidada diferente. Essa semana estamos falando sobre quebrar o silêncio. Infelizmente nós vivemos numa sociedade que falar dos nossos sentimentos, falar do que a gente sente, do que a gente é, ainda é um pouco tabu, ainda não é levado a sério e por causa disso muitas coisas acontecem conosco. Doenças alimentares, doenças do sono, doenças do trabalho, doenças das nossas relações, tantas coisas acontecem quando a gente decide ou simplesmente não consegue falar. E pra falar um pouco de tudo isso, eu tenho uma convidada hoje muito especial pra mim, né? Acho o trabalho dela incrível. E é uma honra ter ela hoje na nossa live, que é a Isabela Camargo, que já está aqui. E eu já vou chamar ela pra dividir tela comigo, porque eu quero aproveitar cada minuto dessa live com ela. Então, vamos lá. Aqui... Quero me arrumar aqui, que eu sei que vai mudar aqui a tela. Olá!
Beleza!
Tudo bom, Isabela?
Claro, melhor agora. Boa noite pra você, boa noite pra todos que estão com a gente.
Coisa boa. Pra quem tá entrando agora, eu me apresento, então. Eu sou Luana Lima, esse aqui é o meu Instagram, Falacura. Um projeto que nasceu há dois meses atrás, apenas, que eu resolvi começar, baseado na minha vida. Eu tive um episódio de depressão em 2014, síndrome do pânico, E eu descobri que grande parte do meu processo de cura estava em poder falar com as pessoas. Então, eu quis fazer esse convite para que mais pessoas que passam e que passaram por esse problema pudessem expor seus sentimentos e, de alguma forma, se curar. Então, esse é o projeto. É novinho, bebezinho. E hoje eu tenho esse prazer de convidar a Isabela para conversar um pouco sobre esse projeto e sobre a vida dela que é incrível.
Julana, obrigada pelo espaço. Como já disseram aqui, o seu projeto é lindo. E eu costumo dizer o seguinte, se uma pessoa só nos ouvir e como as palavras são sementes, se reverberar em uma pessoa E se essa pessoa transmissorizar para mais pessoas, eu já me dou por satisfeita Então espaços como o seu me deixam muito feliz para que a gente realmente compartilhe informações que vão fazer diferença na vida de todos nós Porque podemos ser muito diferentes, mas vivemos sob o mesmo contexto Então a gente não pode ignorar esse contexto, a gente não pode ignorar as nossas características, as nossas diferenças, porque você é mulher e eu sou mulher Eu tenho um tipo sanguíneo e você tem outro. Eu tenho uma reação a uma situação e você tem outra, né? Então, eu tenho um exemplo bem simples. A temperatura é a mesma da atmosfera, mas um tá sentindo mais frio, outro mais calor.
É verdade.
Começar a olhar pra quem está do seu lado e entender que ele não tem obrigação de ser como você Ou você não tem obrigação de ser como aquela outra pessoa, a coisa muda de figura Mas é um contexto todo, eu não vou me estender aqui na resposta, vou deixar você tocar um pouquinho Mas eu quero te fazer uma pergunta, quando você falou, né, falar cura Como foi esse start pra você em sentir que tinha muita coisa entalada E aí quando você se sentiu confortável e segura pra falar, como é que foi esse momento?
Então, eu sempre tive dificuldade de falar dos meus sentimentos. Eu sou uma pessoa extrovertida, brinco, enfim. Mas quando é coisa minha mesmo, dá aquela parada. E ano passado, eu e meu esposo, a gente participou de, nós somos católicos, e nós participamos de um retiro online que era um retiro que nos convidava todo dia a dialogar. A gente tinha um tema e a gente precisava falar sobre aquilo. E tinha um exercício. A cada aula eu tinha que praticar esse diálogo. E era assim, eu precisava falar, senão não fazia sentido fazer o retiro. E aí eram perguntas bem profundas, assim, que eram feitas e eu tinha que responder aquilo E aí, no início, eu tinha dificuldade e depois eu percebi que, quando eu conseguia expor aquilo que estava sendo perguntado em relação aos meus sentimentos, aquilo me trazia um alívio e uma, assim, a melhor dieta da minha vida. Eu me sentia leve. Eu me sentia, nossa, era isso, sabe? Eu enxergava, às vezes, como um monstro gigante e, depois que eu falava, eu dizia, não, mas eu consigo falar. E aquilo ia, de uma certa forma, me ajudando a me conhecer. Então, fez parte desse processo de autoconhecimento e também de entender a importância de falar. Porque como tu falavas agora há pouco, eu não tenho obrigação de saber como o outro pensa e também ninguém tem obrigação de saber como eu penso a não ser que eu fale. Não tem muito como isso acontecer. E foi por aí que começou. E eu comecei a exercitar e disse, gente, isso funciona. Será que todo mundo sabe disso? Será que todo mundo sabe que falar cura? E daí surgiu essa ideia.
É bacana você falar isso porque as coisas de tão simples que elas são, elas são inconvenientes Eu estava ontem encerrando o capítulo do meu livro, que já passou por milhares de situações, eu devo lançar em breve Mas ontem eu estava encerrando o último capítulo, agora com tudo que está acontecendo no coronavírus Porque a vida, mais uma vez, está nos pedindo pausa Mais uma vez, a vida está nos pedindo calma E a pausa, de tão simples que é, ela se torna inconveniente Porque a gente vive num contexto em que você precisa acelerar, você precisa fazer, você não pode parar Então quando vem alguém, como eu, dizendo para só um pouquinho e pensa, parece que a gente está falando grego, mas quem experimenta, para quem tem humildade, pelo menos realmente eu não preciso estar nessa velocidade, sente na pele as consequências dessa pausa e aí pronto, aí vai com as próprias pernas. Eu entendo quando você diz que falar cura e falar... Você tem bebê, né?
Tenho três filhos.
Três filhos!
Parabéns!
Acho que tem duas coisas que a família toda espera que um bebê faça, é começar a andar e começar a falar Então a primeira coisa que você faz é falar. Só que depois, quando você fica adulto, você não pode falar. O que as pessoas não querem ouvir. Só que nós somos as pessoas, tá? Então a gente também tem que se colocar no papel. Poxa, será que eu tô corroborando também pra uma ideia que eu não quero viver? Então o falar, quando você fala que cura, isso é música pros meus ouvidos. Porque sim, nós podemos falar. Sim, nós precisamos falar, porque eu sinto que isso deixa a carga mais leve. Você fica mais leve. E mais, eu entendo que assim como a escrita, a fala genuína, sincera, ela é terapêutica. E quando você conversa com alguém que tá afim, você se reconhece, você fala, poxa, não sou só eu. É mais ou menos isso, não é?
É, escuta de qualidade, né? Esses dias alguém me falava isso, que além de ser importante falar para curar, é preciso encontrar uma escuta de qualidade, né? E que a gente fale e aquela fala possa ser acolhida. E é isso que eu tenho trabalhado muito aqui no Falar Cura, para que as pessoas se sintam à vontade pra partilhar sem julgamentos, né? Porque muitas vezes, grande parte das vezes, nós precisamos apenas falar e ser escutadas, né? Porque de julgamento o mundo já tá cheio, né? De dizer, tá certo, tá errado, não faz, faz. E a gente precisa simplesmente poder dizer, olha, eu me sinto assim. É assim que eu me sinto, né?
A mentora do sono, Amanda Faco, é isso? Ela diz saber escutar sem interpretar. Eu até complemento. Saber escutar sem interpretar e sem julgar. Mas nós somos humanos, sabe Luana? A gente também já passou por situações em que a gente ouve, julga, é natural Aliás, é normal e se a gente colocar atenção, você passa a reduzir essa energia que você gasta em ouvir já querendo responder É verdade. Ou ouvir já querendo dar alguma fala. Eu sei porque eu vivo situações em que algumas amigas me falam coisas muito profundas e eu falo assim, olha, desculpa, pode ser que eu não fale o que você queira ouvir. Mas é o que eu tô sentindo. E também tenho sido mais econômica, sabia? Tenho sido bem mais... Maracena. Maracena.
Agora eu vou te fazer uma pergunta que todo mundo conhece, ou a maioria das pessoas conhece. A maioria das pessoas conhecem a Isabela Camargo, jornalista, né? A tua história no jornalismo. Mas agora tu é comunicadora e palestrante, autora de livro com foco em autocuidado e saúde mental. Então, conta um pouco pra quem ainda não conhece a tua história. Por que que tu é, hoje em dia, essa Isabela Camargo? O que aconteceu na tua vida que não ficou só Isabela, a jornalista, mas sim alguém que parou a sua vida para falar sobre saúde mental?
É curioso, obrigada pela pergunta, porque nunca ninguém me fez essa pergunta. Que danada! Tem coisas, Luana, que na hora a gente nunca, nunca tem a condição da compreensão. Só que depois de um tempo, quando você olha pelo retrovisor, aí sim você percebe que aquilo que você viveu, aquilo que você passou, por mais que tenha sido super traumático, que é o meu caso, o seu caso, de milhares de pessoas, aquilo foi necessário Mas como assim necessário? Necessário por quê? Se a gente não se cuida e se a gente não encerra o ciclo, alguém vai fazer isso por nós E os ciclos são fundamentais para que a gente compreenda que quando já deu, já deu Onde eu tô querendo chegar com essa história? Antigamente, antes de eu conhecer o meu marido, eu conheci algumas pessoas e sofri em alguns momentos até descobrir que existem algumas pessoas que vão passar pela nossa vida pra ficar dias, outras semanas, outras meses, ou anos, ou décadas E aí a gente começa a sofrer quando você quer dar mais tempo para uma pessoa que ela merece estar com você e vice-versa, tá? E aí eu estendo isso agora com os trabalhos, porque antes de eu ter sido demitida após o diagnóstico da síndrome de burnout, eu tive contato com mais de 4 mil pessoas que me procuraram e ainda me procuram e contando suas histórias E aí eu fui reconhecendo que o trabalho é a mesma coisa. Se você aprendeu, se você se doou, se você compartilhou e aquilo tá ok, mas a partir do momento em que você se doa mais do que aquilo é capaz dentro das suas condições, você precisa começar a pensar em encerrar esse ciclo Mas aí, se não encerrar o ciclo, o que vai acontecer? Doenças, que foi aqui meu querido amigo Daniel Nakamura, saudades de você, Dani, disse. Pode vir como doença também para mudar o seu ciclo. E aí, nesse caso, usando aqui a fala do Daniel, maravilhoso, isso não significa também, Luana, que você precisa estar sob um CNPJ. Você pode também viver uma situação e, opa, já deu. já deu. Então eu acho que esse já deu serve para pessoas, para relacionamentos afetivos dentro do trabalho e no meu caso foi um ciclo que eu não encerrei quando eu deveria ter encerrado e alguém encerrou por mim Eu não sei como foi, inclusive eu vou até pular aqui esse espaço Porque hoje nós temos cerca de perto de 20 milhões de brasileiros com diagnóstico De acordo com a pesquisa da USP, quase 20 milhões E aí eu preciso dizer para as pessoas que tiveram uma experiência com burnout ou que vivem ou que ainda podem viver, atenção O problema não é você, o problema O pior não é só você ter o diagnóstico, é o que vão fazer quando você tiver esse diagnóstico, que foi o meu caso. Tanto que agora eu já vou responder, tá Marcos? Todos que têm síndrome de mornado são orcarólicos. Já respondo. Vou até anotar aqui para não esquecer. Eu, por exemplo, eu voltei a trabalhar na semana passada na Rádio Bandeirantes, inclusive. Dá pra ouvir e ver pela internet. Doutora Ana Paula, maravilhosa, incrível. Eu voltar ao trabalho significa que eu amo o que eu faço, é minha vocação, e se naquele ambiente o ciclo foi encerrado e eu me recuperei da síndrome de Boynard, então tá aí a prova. O problema não é o diagnóstico, Lógico que isso é um problema, mas esse diagnóstico se torna muito pior com o que fazem a partir disso. Mas vou colocar no meu livro. Algumas empresas já despertaram que a prevenção é mais barata do que tratamento, que uma conduta ilegal ou equivocada pode trazer muitos mais problemas na reputação e custos de todas as maneiras. Eu acredito, Luana, que a minha história, que é muito pequena diante desse número todo que eu passei Ela ajuda, pelo menos, as pessoas a entenderem que isso pode acontecer com qualquer pessoa Não são só com os workaholics, viu, Marcos? Porque, inclusive, eu coloco no meu livro. Meu livro vai chamar a dar um tempo, Luana Como encontrar limites no mundo sem limites. E aí, workaholic é uma palavra, é uma gíria americana que vem de quem ama o que faz. Só que você amar o trabalho, você tem várias características pra você amar o trabalho. Tem o que você traz de família, então tem sim a questão genética, tá? Se você vem de uma família que já tem pessoas que trabalham bastante, que se colocam muito no trabalho, sim, você já tem, então, meio caminho andado pra ser também orca rótima. Aí você vive num contexto, pra gente que mora aqui em São Paulo, de extrema necessidade de entrega, disponibilidade Então mesmo que você não seja um apaixonado por trabalhar, você acaba trabalhando bastante E outra coisa, eu tinha uma frase que eu tive que revisar porque eu falava assim, só tem burnout quem ama o que faz, por quê? Porque aí eu comecei a ouvir mais pessoas e comecei a validar uma tese Quando você gosta muito do que você faz e você entrega aquilo que te dão, a chance de você cair na armadilha da competência é muito maior do que uma pessoa que não se entrega a receber mais trabalho. Tinha sido lá atrás. Mas depois de um monte de gente me procurar e dizendo, Isabela, eu tive burnout, mas eu não era assim apaixonada, mas porque um colega meu foi mandado embora e eu absorvi mais trabalho. Então o burnout também acomete pessoas que elas não estão ali amando loucamente o que fazem, mas elas acabam também acumulando mais trabalho por conta de uma demissão. Inclusive isso vai acontecer muito agora com... Sim. Muitas pessoas que serão demitidas, as que ficarem, de uma maneira ou de outra serão impactadas direto ou indiretamente por mais trabalho Não vou me prolongar muito, senão eu vou ampliando assim demais Mas de modo geral, eu estou na comunicação há 23 anos, passei pelo rádio e pela TV, fui muito feliz em todos os lugares Inclusive quando me perguntam, você sente raiva, isso ou aquilo? Não, fui muito feliz na antiga empresa em que eu trabalhava Mas eles optaram por uma conduta, como outras empresas optam por suas condutas E aí eu vivi um tempo muito triste, mas fui buscando respostas E aí eu me tornei, então, não só a jornalista a repórter, a apresentadora, e me especializei no assunto em que eu encontrei respostas. Então eu poderia ter achado essas respostas e guardado só pra mim. Só que como a minha missão é aprender para compartilhar, o que eu faço todos os dias, como estou fazendo aqui com você e com outras pessoas, é compartilhar uma informação que pode ser útil para mais pessoas. Então hoje a minha missão não é só informar o que as empresas que eu esteja trabalhando, mas informar e compartilhar no meu caso aquilo que eu aprendo. Então veja, aquilo que aconteceu em 2018, que foi muito traumático, Claro que me deixou triste. Até hoje eu choro, dependendo de quando eu tô. Vai vir a menstruação, a mulherada fica incrivel, né? A gente passa, meu Deus do céu, né? Alto e baixo. Sim, eu choro, lembro, eu fico triste, mas eu não posso deixar que este ciclo que foi encerrado me enteça de continuar a caminhada.
Quero te perguntar, já te ouvi falar algumas vezes do burnout e tu sempre fala assim que tu não percebia, né? Tu estava ali se entregando totalmente e eu queria que tu falasse assim bem como é que foi o teu momento de crise, porque eu sei que muitas pessoas podem amar o que fazem, como tu acabou de falar, e trabalham muito e não enxergam isso. Ah, mas eu faço o que eu amo. E também tem aquelas pessoas que estão fazendo porque precisam fazer, precisam trabalhar, e não dão essa olhada interior do tipo, opa, não tô bem, algo está acontecendo. Não tem esse tempo pra se olhar. Então eu queria que tu falasse como é que foi e contasse a tua história mesmo, porque quando eu escutei, que eu lembro que na época eu li no jornal, jornalista da rede e tal, mas assim, quando tu entende a história do que é o burnout, É assustador, né? Porque o tema da live de hoje, o nosso corpo, ele fala, ele grita, né? Quando a gente não presta atenção, ele dá um jeito de falar alguma coisa com a gente, né?
É. Bom, antes de responder, eu quero dar um beijo aqui na Ana Leone, que tá aqui, Dinheiro com Atitude, uma mulher maravilhosa, fizemos uma live na semana passada, quanta gente bacana tá aqui. Um beijo pra todos vocês. Luana, eu vou tentar ser muito breve, porque o assunto burnout é muito extenso, tá? A gente tá falando sobre isso. Então, o que a gente precisa falar? Hoje no Brasil, 20 milhões de brasileiros já têm o diagnóstico, estudo da USP. Não podemos mais tratar as doenças invisíveis como frescura. Se a gente somar burnout com ansiedade e depressão, que são doenças altamente incapacitantes, nós temos um quarto da população brasileira ativa passando por algum problema mental. Transtorno mental não é que tá caindo o parafuso da cabeça da pessoa, tá? Transtorno mental significa que você está passando por dificuldades, desequilíbrios na mente, tá? Então vamos lá. Eu vou ser breve nessa história aí de prejuízo pra você dar uma outra live.
Marcamos, marcamos, não tem problema.
A síndrome de burnout é o esgotamento profissional. Esgotamento profissional que você não desenvolve de um dia para o outro. Você tem longos períodos acumulando várias doenças, ou seja, o seu corpo tá falando, tá falando, tá falando, você não tá ouvindo. Você tá se automedicando. Você tá vangloriando o tamanho da NECC, que você não tem tempo pra nada, que você não conseguiu ir no médico naquele ano Tudo isso é o seu corpo falando, você não fala, você não ouve, até que ele grita Então o burnout é um freio Não é o fim. É isso que eu gosto. O burnout é um freio, não é o fim. E é um freio para o modelo de vida que você já está sabendo que não vai terminar bem. Então, o corpo fala, fala. Se você não ouve ele, grita, grita. No caso do burnout, ele pode trazer várias consequências. A que eu tive que fez eu sair dele sendo médica, embora já estivesse tratando com muitas pessoas, muitos médicos, foi um apagão. Então, num belo dia, eu não lembrei onde eu estava, quem eu era, pra onde eu ia. e não lembrei o nome da capital do meu estado. Ah, isso não é grave. Só que eu já estava com o braço adormecido, eu já tinha taquicardia, muitos sintomas, e aquilo para ter se tornado um infarto ou um AVC foi muito pequeno. Então, quando eu cheguei após o apagão no psiquiatra, eu cheguei sob risco de convulsão. Então sim, entre o meu trabalho e o médico, que na hora que acabou minha jornada eu fui mais um médico, e foi ele que me deu o diagnóstico, eu poderia ter morrido em quatro quilômetros dirigindo. Então, onde eu quero chegar? Você começa com uma dor de cabeça, até ela virar enxaqueca. Você começa com uma dor de estômago, problema no intestino, e não muda Nada, e aí você vai para problemas mais graves, gastrointestinais Você começa a sentir dor no estômago e aí você vai fazer um exame, como eu tive, gastrite Nossa, tô com gastrite porque eu tô tomando muito café Não, você tá tomando café porque você tá trabalhando muito e você precisa de energia Ah, eu tô com dor de cabeça porque... Sei lá, a gente arruma todas as desculpas Você tá com essa dor de cabeça constante Por conta de alguma coisa que você está vivendo que não está combinando com as suas características Deixa eu tentar voltar, porque senão o assunto é muito amplo O burnout começa com dores de cabeça, tontura, enjoo, aquela tremidinha aqui no olho Quando o seu grau do óculos já começou a ficar insuficiente, você fala Nossa, mas eu troquei o óculos seis meses atrás e vou ter que trocar de novo Começa com inchaço no corpo, queda de cabelo, mancha na pele, acne Tudo isso eu tive E tudo isso você, eu e os médicos que me atenderam atribuíam ao estresse Ao horário de trabalho que eu tive, então ao horário de trabalho que eu tinha E você, para chegar ao burnout, você vai se colocar ou vai ultrapassar o seu limite físico por muito tempo Então o esgotamento profissional, você desenvolve por longos períodos, não é um cansaço de final de semana Não é um projeto que você dorme mal e que você fica meio estranho por uma ou duas semanas e depois volta. Não, a gente não pode banalizar o burnout. Eu peço para todas as pessoas que falam sobre isso, cuidado. Nem todo cansaço vai te levar ao burnout. Inclusive, eu menciono no livro 28 sintomas que eu tive e que outras pessoas também me disseram. Não é que aquilo vai te levar ao burnout, mas se você está acumulando sintomas por muito tempo, Jesus, misericórdia! O que mais se precisa pra entender que tem alguma coisa que não tá... A conta não fecha.
Tá fechando.
O padre Fábio, ele participa do livro e ele me disse... Ah, legal. Síndrome do Pânico, ele falou assim, Isabela, é um momento da vida em que a fatura chega A fatura chega e ninguém vai te ajudar a pagar Então o burnout é a fatura que chega depois de muitos meses ou anos, que foi o meu caso, se ausentando de si Então, quando eu dizia, ah, o burnout só tem quem ama o que faz e esquece de si mesmo. Então, isso eu não mudei. Então, a maior parte das pessoas que tem o burnout amam o que fazem, a maior parte, e esquecem de si mesmo. E não é que esquecem porque querem assim, né? Eu quero não cuidar de mim ou eu não vou cuidar de mim É porque como a gente vem de um modelo de sociedade, como eu disse, de produtividade ilimitada Resultados sobrenaturais, disponibilidade, que são características que são muito positivas quando vão te contratar Esse modelo. E a gente não faz uma coisa, Luana Pausa. Um beijo, Fernanda Bianchini, minha linda. Fernanda é responsável pela Companhia de Balé de Cegas. Associação. Maravilhosa. Depois dêem uma olhada lá. O que eu tava falando, gente? É tanta coisa.
Eu queria aproveitar aqui e agradecer a todo mundo que tá participando, que querem mandar mais perguntas. Se quiserem aproveitar aqui para mandar alguma pergunta. Perguntaram. Tinha pessoas falando aqui sobre alguns sintomas, né? De enjoo, dor de cabeça. Como a Isabela estava falando, não é tudo que a gente sente que vai ser um burnout. Precisa de um diagnóstico, né? Tem vários sintomas. Mas assim, eu queria só frisar a fala da Isabela. da importância da gente falar pra alguém o que tá sentindo, porque muitas vezes a gente começa a ter vários sintomas e a gente fica naquela, sabe, eu não vou falar, eu não vou reclamar do meu trabalho. Eu tô aqui, se eu falar que eu tô sentindo isso, vão dizer que eu tô reclamando do que eu faço. Então acaba que a gente vai silenciando várias coisas, pensando no julgamento dos outros, e aí essa conta não vai fechar no final. Tem até uma frase tua que eu ouvi numa live, que tu falavas assim, a mesma pessoa que te cobra no trabalho, o chefe que te liga às quatro horas da manhã, ele não vai no hospital te visitar depois, né? Ele não... Achei essa frase bem forte, assim, porque a gente recebe muita demanda, muita cobrança e quando a conta chega, a gente olha para o lado e diz, ué, não tem ninguém aqui comigo agora.
Olha, Yuka, que linda. Você estava falando sobre a conta chegar. Então... A nossa saúde, lembrei agora o que estava faltando eu dizer. Então, existe uma coisa, um elemento de fora, elementos de fora e elementos de dentro A gente não faz uma coisa muito importante, que era o que eu ia completar, obrigada Ayuka, que é a atualização de identidade A atualização de identidade é fundamental para você identificar o que você precisa hoje e não viver uma vida como se você tivesse há 10 anos, há 5 anos, porque as nossas mudam a cada dia A gente já dorme diferente de como acorda, sabe? Então é uma baita ilusão você achar que com 30 anos você vai fazer a mesma coisa que fazia quando tinha 20, tá? Então o burnout ele vai Para as pessoas que não se atualizam com as condições atuais. Então eu, Isabela, hoje, Luana, não posso fazer o que eu fazia quando eu tinha 20 anos. Do que eu tô falando? Quando eu tinha 20 anos eu podia dormir 4, 5 horas e no dia seguinte produzir normalmente. Hoje eu não posso mais fazer isso. E como eu fiquei trabalhando 6 anos e meio, boa parte na madrugada, eu fiz tudo o que eu pude para dormir bem, mesmo colocando todo o corpo fora do ciclo circadiano e uma loucura. Mas eu não consegui. Ou eu consegui, eu tinha eleito. Não sobrava nada pra mim. Então, atenção, você pode fazer tudo o que você quer para conseguir trabalhar, mas não vai sobrar nada pra você. E aí, por longos, essa conta não fecha e é aí que vem a fatura. Então, a atualização de identidade, falando brevemente aqui, você precisa reconhecer hoje o que você precisa que vai te fazer bem e não vai te trazer danos, como a questão do sono, a questão da alimentação, sabe? E o sono, por exemplo, é o primeiro que acaba sendo subtraído quando você tem uma agenda muito cheia Sim. Então, a atualização de identidade vai te evitar receber uma fatura que tarda, mas não falha e você vai ter que pagar sozinho muitas vezes.
Teve uma pergunta aqui do Blaschkis Veterinário e ele pergunta assim, quando saber a hora de parar? Porque ele diz que ele ama o que ele faz e ele é um pilar dentro da casa dele, né? Então, assim, ele tem medo de adoecer por isso. Quando que a gente tem que perceber assim, opa, eu preciso dar uma parada, algo não tá dando certo aqui?
Então, vai depender do bom senso de cada um. E eu falo bom senso, consciência, e aí cada um vai escolher a melhor palavra. Nós somos um elástico, e um elástico você vai puxando, vai puxando, vai puxando, vai puxando, você vai sendo resiliente, você vai apelando até que o elástico estoura, arrebenta. Eu até menciono no livro, se você me pedisse, ilustra o que é o burnout. Ilustra. Todo mundo aqui já viajou, então imagina agora com tudo isso acabar, você pegando a malinha e indo para o lugar que você mais quer, imagina. Aí você pegou uma mala. Essa mala você começou a colocar roupa, sapato necessário e tal Só que assim, você tá tão empolgado com essa viagem que aí você fala, vou botar mais coisa Vai que fria, vai que esquenta, vai que chove, vai que acontece um tsunami, enfim E aí você tá vendo que a mala tá enchendo, enchendo, enchendo, enchendo, e o zíper vai acontecer o quê? Vai estourar. É isso. Aí você vai mandar essa mala pra arrumar, ela pode ter conserto ou não, ela pode voltar a ser útil ou não. Então, por que eu gosto de ilustrar assim? Porque... Durante os meus dois anos em que eu acredito que foi a maior parte do acúmulo dos problemas de saúde para chegar no burnout, tive um problema gravíssimo do intestino, mas gravíssimo E o meu médico disse que realmente o seu horário de trabalho não rola e o que você está vivendo do excesso de trabalho dentro das horas que eu trabalhava Mas ele não me afastou do trabalho naquele momento Ele queria fazer inclusive um procedimento que nem é legal no Brasil Nossa! Porque as bactérias já tentaram de tudo, você já tomou todo tipo de antibiótico, isso é gravíssimo, mas ali eu poderia ter parado. Quando eu fiz a cirurgia cardiovascular por conta da madrugada, que eu não conseguia ter a hora de sono suficiente, ali eu já podia ter parado. Entende? Então varia muito. Eu vivi situações muito graves, mas sempre acreditando na recuperação do meu corpo, que nada de mais grave aconteceria, sabe? Que no final de semana eu dormindo tudo ia passar É isso que acontece. Você pensa que nunca nada vai acontecer capaz de te limitar a continuar fazendo aquilo que você faz. Mas vai, gente. Vai porque o nosso corpo vai mudando ano a ano. As nossas ideias mudam semana a semana. Então o nosso corpo, a gente precisa ter essa consciência de que o nosso corpo vai mudando de ano a ano. E você precisa reconhecer que aquela carga que você carregava antes, se você carregar agora, você vai ter um outro custo. Ah, espero ter respondido.
Respondeu sim. Eu tenho outra pergunta que eu tô te ouvindo aqui e minha cabeça vem em várias perguntas. Tem alguma coisa, hoje assim, tô olhando pra trás, tudo que tu viveu, pro teu hoje, tem alguma coisa que tu, assim, se isso tivesse acontecido, se uma pessoa existisse, se a situação existisse, sei lá, alguma coisa, Eu não teria síndrome? Eu não teria passado pela síndrome? Tu consegue pensar em algo assim?
Com certeza. Esse caso do problema gastrointestinal, totalmente, ele poderia ter sido... Eu poderia ter ali, né, dito, né, pras pessoas que eu poderia ter dito assim, olha, tá aqui, ó. Mas o out, ele é um quebra-cabeça. Então eu já ia, por exemplo, em cinco médicos, cinco especialistas, cardiologista, gastro, dermatologista, endocrinologista Só que cada um falava a mesma coisa, todos falavam a mesma coisa, estresse e excesso de trabalho Mas nenhum juntou todos os elementos do que eu tava vivendo pra dizer, ó, agora você não tem como continuar, eu vou te afastar Então, veja, foram dois anos e pouco acumulando um monte de problema, indo num monte de médico esperando um milagre, na verdade. Porque eu tava esperando alguém de fora, alguém de fora, lembra que eu falei? Se você não tomar atitude, alguém de fora vai tomar. Eu tava esperando que alguém de fora, ou um médico me afastasse, ou alguém do meu trabalho que já percebia que eu já estava absolutamente sem condições. Dissesse Isabela, não tem mais como continuar. Eu tentei dizer isso de várias maneiras, mas eu não podia só ter dito, eu teria que ter dito e agido Mas aí alguém que vai perguntar, mas como é que você vai agir? Como é que você vai pedir demissão num país que tem 14 milhões de desempregados? Então as nossas responsabilidades financeiras, as nossas responsabilidades sociais, familiares, etc, nos deixam às vezes estar meio sem saúde Mas aí Luana, eu vou dizer, nós temos que escolher de qual estatística vamos fazer parte Você vai ter que escolher, você quer um emprego ou você quer ter saúde Porque se você continuar naquele emprego de um jeito que não está bom, como a gente já falou, a conta vai chegar E se você estiver com saúde, você consegue voltar a trabalhar? Sim. Inclusive entrevistei um motorista, todos dizem A gente tem um monte de vaga aberta, um monte de gente procurando emprego E também tem um monte de vaga aberta por falta de pessoas qualificadas ou com as novas habilidades que o mundo está pedindo Então hoje eu não teria tanto medo do desemprego, não Eu teria me organizado, me preparado menos por um tempo, feito uma reserva de um, dois meses Porque quando você quer, você consegue Mas é que nós não estamos acostumados a perder nada, a gente só quer ganhar, né? Enfim, então, espero ter respondido.
Respondeu, respondeu sim. Tem uma frase que eu anotei de uma outra live que eu assisti, porque, gente, assim, eu maratonei a Isabela agora na pandemia, porque ela fez lives diárias, ela tem... Quem não, né? Vocês, a maioria, seguem a Isabela, mas quem não seguir a Isabela, acompanhe. Porque ela falou de vários assuntos com vários profissionais, então eu maratonei quase todas. E uma das frases que eu anotei, que me tocou na realidade, que é do pastor Rodrigo Prado, que ele falou assim, alguns sucessos não valem alguns fracassos. Essa frase eu achei fortíssima, assim, porque... Ah, eu fracassar no meu emprego, né? Ah, eu vou perder o emprego que eu tenho, eu vou... É um fracasso, né? Tu tá ali, tu tava numa super empresa, né? Que a gente, se a gente disser o nome todo mundo, nossa, meu Deus, né? Mas, assim, é um fracasso, mas, assim, ela tá aqui, gente. Ela tá aqui falando com a gente. Ela poderia não estar.
Isso, isso. É curioso, eu não lembrava dessa frase, ela é perfeita. Alguns sucessos notificam alguns fracassos. Gente, quantas pessoas a gente conhece que se dedicam muito a uma coisa e pouco a outra? Por isso que eu falo, a minha história é muito pequena. Você tem milhares de histórias, né? E o burnout é o seguinte, gente. É um problema... É um nome novo para um problema antigo. É igual o bullying.
Isso.
Bullying na minha época tinha outro nome. Pera, perseguição e tal. Como é que era na sua época, Luana?
Ah, eu nem lembro. Me apelidar, me avacalhar, alguma coisa assim, né? Não tinha um nome tão chique, bullying. É a zoeira, tá? Me abacalhando na escola. Era isso, sim.
É. Então, o burnout é a mesma coisa. O burnout já teve outros nomes, mas o mais importante que eu vou mencionar aqui é a neurastenia. Que o primeiro que falou sobre isso foi em 1869. A gente usa a métrica que a gente conheceu hoje porque o Thomas Edison desenvolveu esse filamento de luz, que inclusive está permitindo a gente trabalhar depois que o sol se foi, em 1879. Então a gente não pode olhar para esta situação achando que é uma coisa nova, que é frescura, um monte de bobagem que a gente ouve, porque não é. Agora nós temos, sim, uma intensificação dos casos e esperem para ver o que vai acontecer quando o Covid acabar, quando a gente quase... O número de pessoas que vão desenvolver o burnout professores, médicos que sempre foram, que sempre deram parte do grupo principal mais sensível a desenvolver o burnout, que são pessoas que não podem errar, se dedicam muito, trabalham por longas horas e dentro dessas horas fazem muita coisa. Então, o Burnout, Luana, a gente poderia fazer cinco lives. É muito assunto, é muita coisa. Se ficar alguma dúvida pra alguém, dá um Google. No meu site, isabelacamargo.com.br, tem um monte de coisa. No YouTube tem um monte de vídeo. Então, assim, é só dar um Google. Burnout. Se a gente traduzir a palavra ao pé da letra, é burn out. Queimou, saiu. Queimou, saiu. Então, é isso. Miseré. Eu, na minha última experiência, estava num ritmo alucinante. Hoje, desde fevereiro, em quarentena, vejo quando estava louca. Eu ouvi isso de várias amigas. A nossa vida não estava equilibrada. Nós não estávamos vivendo um estilo de vida saudável, tanto que hoje o que você está guardando, protegendo sobre a máscara? Porque, como eu falei no início, o coronavírus nos trouxe vários ensinamentos e veio pedir mais uma vez uma coisa que a vida sempre nos pede, que é pausa E essa vida louca, esse ritmo alucinante, ele tende a aumentar, porque a velocidade isso é um ânimo de progresso Então, o que eu vou fazer sabendo que O mundo está assim. A gente só ouve mensagens. A gente vive num mundo express. Cada vez mais veloz, cada vez mais rápido, competitivo e tudo mais. Ou seja, o corpo não vai suportar esse desgaste se você não der o mínimo pra ele. E o mínimo tá no sono, gente. Sabe? Se você me falasse assim, Isabela, fala uma coisa. O mundo acabou, você tem direito a falar uma coisa, mandar uma mensagem. para todos do planeta.
Durmam!
Durma! Durma! Não caia na armadilha de achar que, dormindo pouco, você vai produzir mais. Não vai!
É verdade. Isso é verdade. E assim, hoje em dia, a gente tá vivendo num mundo de muita informação, né? Antigamente, as doenças, elas eram corporais, enfim, pelo trabalho ser mais braçal. E hoje em dia, ainda mais agora na pandemia, nós estamos aqui trabalhando com computador, com informação A quantidade de informação que a internet nos passa por minuto, por segundo, a gente não percebe Mas o nosso cérebro percebe, de alguma forma é isso, o nosso cérebro... Opa, é muita coisa chegando, calma aí, eu não consigo E a gente acha que tá aqui no feed, só curtindo. Ai, que legal. Não. É aquilo é informação. No final do dia, nosso corpo meio que... Meu Deus, o que aconteceu nesse dia? O que foi que essa mulher ficou o dia inteiro estudando e agora... Então, assim, as doenças mentais, elas vão vir com tudo, estão vindo com tudo porque a nossa cabeça não tá conseguindo processar. Então vem a ansiedade por querer produzir e não conseguir. Vem a depressão porque, ai, eu não consigo e aí, né, se sente mal. Então tem várias doenças, assim. Por esse excesso, né? Tudo que é excesso faz mal. Isso a gente escuta desde criança, né?
A mentora do sono, ela tá dizendo, né? O sono é inegociável. Você sabe que o que eu luto com unhas e dentes e inegociável, eu sou absolutamente intolerante a as minhas horas de sono. Então, se alguém fala, não, mas vamos hoje fazer alguma coisa e aí eu já faço conta e aquilo vai subir para as horas necessárias, eu falo, não, não, não vai dar. Para mim não vai dar. Essa seria uma outra live sobre o sono, tá? Mas a gente precisa observar como o nosso corpo está reagindo e não buscar as respostas, as soluções na farmácia ou não delegar isso pra ninguém. Você pode delegar várias coisas. Você pode delegar a limpeza da sua casa, se você tiver condições de pagar uma pessoa que te ajude. Você pode delegar lavar o carro, você pode delegar outras tarefas, mas o seu autocuidado não dá. Ninguém dá pra dormir por você. E o autocuidado ele passa por isso. É quando você precisa fazer por você aquilo que só você pode fazer por você. E Luana, isso inclui até de escovar o dente a terapias. Eu imagino você com três crianças. Meu pai!
Isso é uma coisa que... Tem que.
Saber como é que é, como é que faz.
Isso é uma coisa que eu tenho aprendido há pouco tempo. Até fiz uma live sobre isso há duas semanas atrás, sobre a importância do autocuidado, que eu me dei conta no momento que a minha filha falou isso pra mim. Ela disse, mamãe, por que você arruma a gente e não se arruma e não se cuida? Toma! Levei um soco, assim, numa criança de seis anos. Porque é verdade, porque eu não estava. É aquela questão da máscara do avião, né? Primeiro a gente põe na gente e depois a gente põe na pessoa do nosso lado. Então, como é que eu vou querer cuidar dos meus filhos, estar bem, se eu não estou bem? E só eu posso fazer isso, só eu posso me preocupar comigo, dessa forma tão alto, né? A palavra já diz, é autocuidado, não é alguém que cuida de mim. É autocuidado, né?
É autogerenciamento, autocuidado. Ah, mas eu sei o que é isso. Automedicação, entendeu? Pronto. É quando você precisa fazer por você aquilo que só você pode fazer por você. Entrou aqui a Elle Brown, de Planejadora Financeira. Elle, lindeza. A Elle, ela tem filho? marido e é planejadora financeira. Eu não me lembro, Eli, é mãe de gêmeos, né? Ou trigêmeos? Enfim, quando a gente fala sobre essas consequências dos excessos, Luana, é importante a gente entender que todos os excessos fazem mal. O que você falou sobre a comunicação significa assim, trigêmeos, a Elle é mãe de trigêmeos. Meu Deus!
Eu quase entendo ela, quase entendo.
Mas os seus três vieram de uma vez?
Não, eu tenho uma de 7 anos, uma de 2 e um de 1. Quando a minha do meio tinha 5 meses, eu engravidei de novo.
Uau! Bom, parabéns para todas as mães que estão me acompanhando, sabe? Minha admiração e respeito por todas vocês que... Meu pai Bom, não vou nem entrar nesse... Mas ó, tem uma coisa Nós vivemos num mundo digital, mas nosso cérebro é analógico Por mais que vocês tenham ouvido isso em algum lugar, eu vou repetir. Nosso cérebro ainda é analógico. A gente não vive mais nas cavernas, mas o nosso corpo ainda é de um homem das cavernas. Então, pode ter milhares de recursos. Morar numa casa, olha quanto livro atrás de mim e tal. Mas o meu corpo ainda é analógico. Eu preciso, então, das questões mais básicas para viver uma vida que vale a pena ser vivida. O sono, eu já falei, é minha primeira bandeira. A respiração, por quê? Uma respiração curta, uma respiração acelerada, vai deixar o seu cérebro ansioso e acelerado. Isso é fato. A alimentação, a atividade física, pra você botar suas células, pra você melhorar sua circulação sanguínea, e o lazer, que são as coisas, as primeiras que você abre mão quando você tá trabalhando demais. Você dorme menos, você come mal, você não descansa, você não tem lazer, e você acha uma bobagem fazer qualquer coisa em família ou entre amigos e tal. É um universo pra gente explorar, sabe Luana, mas o excesso de informação, sim, causa ansiedade Todos os médicos já falam sobre isso E aí nós vamos ter que escolher o filtro que teremos Nós vivemos numa época de filtro, de curadoria E você tem que realmente entender aquilo que você vai consumir de informação Assim como você escolhe o que você vai consumir, quais são os alimentos que você vai consumir É verdade.
Agradeço aqui, a Ana falou pra te falar da maternidade. Ela fala cura, ela fala assim sobre maternidade, a Isabela. Estão te provocando aqui. Depois a Isabela vai... Foi a Ana Paula que mandou uma mensagem. É, não vai dar tempo. Em 2014, eu recebi, então, meu diagnóstico de depressão, que foi uma coisa que eu neguei absolutamente, né? Eu não enxergava aquilo, assim, comparando com o burnout, Quando tu soube do diagnóstico, tu entendeu, tá, eu tenho isso aqui. Eu, quando veio a depressão, eu disse, não, eu não tenho isso aqui. Eu neguei profundamente os sintomas. E depois, quando o meu corpo já estava gritando, que eu fui entender. Então, partindo disso, assim, como é que tu agiu quando tu, tá, eu tenho isso. A gente tem pouco, pouquinho, né? A gente tem pouco. Nossa Senhora, tocou o telefone aqui. A gente tem pouco tempo, mas eu tenho o burnout, o que eu vou fazer agora? Eu tenho isso, tu foi demitida. Como é que foi esse primeiro passo? Tu aceitou de boa, eu tenho isso, eu entendi? Eu entendi o meu burnout ou não? Como é que foi?
Deixa eu te perguntar uma coisa antes. Você fala que seu corpo gritou, como que ele gritou?
Ele gritou, assim, eu morava no Rio de Janeiro, nessa época eu moro em Porto Alegre, nessa época eu morava no Rio de Janeiro, e eu passava o dia inteiro sozinha com a minha filha, que era a minha filha mais velha, tinha um ano. E eu comecei a perceber que eu não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Então, assim, eu tinha um bebê em casa, que normalmente é a alegria da casa, né? Eu olhava, assim, e não, sabe, não sentir nada. É uma coisa muito estranha. Eu não sentia, olhava, pra mim tanto fazia eu tomar banho ou não. Coisas básicas, sabe? Eu passava o dia inteiro com a minha filha. Meu marido mandava uma mensagem pra mim dizendo que eu estava passando pelo túnel. Eu corria pra tomar um banho pra eu fingir que eu tinha ficado o dia lindo e pleno. Então, essas coisas que eu comecei a perceber. E nessa época que foi o que realmente... O que foi, Luana, que te fez gritar? Eu morava num apartamento que tinha 35 andares. E eu morava no 33. E aí, eu passava horas da minha tarde olhando pra baixo, fazendo cálculos de como seria se eu pulasse dali. Organizava tudo, assim. Vou deixar minha filha no berço, tal hora, porque daí o Vini chega e ela não vai ficar tanto tempo sozinha. Quando eu me dei conta desse tipo de pensamento, eu disse, meu Deus, eu acho que eles têm razão. Eu acho que isso aqui não é uma tristeza. Isso aqui não é só uma coisa passada. Algo está acontecendo.
Obrigada por ter compartilhado. Eu amanhã vou fazer uma live com o responsável do Corpo de Bombeiros aqui de São Paulo, que nós vamos falar sobre suicídio. Sabe, Roger, esse é um assunto muito sério e a gente precisa falar mais sobre isso, porque os pensamentos suicidas, eles são consequência de muita anulação, de muita ausência. Amanhã, então, live com o Diógenes, nós vamos falar só sobre isso. Inclusive, como você pode ajudar uma pessoa que está... Passando por isso. Passando por isso. Vai ser 8h30, Edson. Eu sinto muito pelo que você sentiu, mas eu fico feliz por você ter superado. E é bem isso. Uma coisa importante que você disse, que eu falo muito sobre o burnout, que você falou, não era só uma coisa passageira, não. A depressão, inclusive, os médicos, as médicas sempre falam, são mais de 15 dias seguidos com uma sensação de apatia em que você não... Não vou desviar muito do assunto. Você perguntou sobre o burnout. Quando eu recebi o diagnóstico, eu não aceitei assim na hora. Sabe por quê? Porque eu tinha entrevistado pessoas que tiveram seus burnouts para o meu livro. E eu não vi o meu burnout chegar. Eu sabia que tinha coisa muito grave acontecendo, mas mesmo eu tendo ouvido histórias muito semelhantes às que eu estava vivendo, eu não via o burnout em mim. Por quê? Porque eu era uma pessoa espiritualizada, fazia ioga, tomava chá pra dormir, fazia acupuntura, fazia tudo! o que me falavam para trabalhar, não para viver. Então você aprende a viver e sobreviver. É uma diferença tremenda, né? E é uma diferença que a gente nega. Além da gente negar, a gente acha que não vai acontecer nada pior. Por quê? Porque a gente se compara muito. A gente se compara àquela outra pessoa que tá trabalhando com a gente. Olha, parece que ela não tá vivendo o que eu tô vivendo. Então, não.
E aí a gente não se dá o direito de sentir, né?
Eu também não entendi no primeiro momento e assim, a ficha demora pra cair Você também não pode se cobrar pra... Agora eu vou estar bem. Não, o tempo do luto... Aliás, eu vou te recomendar depois uma outra pessoa pra você conversar que é a Mariana Clark, psicóloga especialista em luto, o luto é o evento mais desorganizador da vida E o luto não é só a morte de alguém, o luto é a perda de um vínculo A qualquer vínculo que você tenha vai desde a infertilidade a uma demissão, a morte, né? Mas não é de um dia para o outro que você se recupera. Então, para reconhecer que eu não identifiquei o burnout em mim, foi muito triste. E ter pensado, como você me perguntou, onde eu poderia ter parado, foi muito triste. Eu podia ter parado antes.
Sim. Mas são aquelas coisas que a gente precisa passar. Eu tenho, agora, no Falar Cura, falado muito de respeitar a nossa história. Porque, enfim, aconteceu. Aconteceu na minha vida, aconteceu na tua vida. O que que a gente pode fazer com isso, né? Então, assim, tu tá fazendo um trabalho incrível, né, alertando, que eu acho que é um alerta, não só contato com a história, mas, assim, muitas pessoas não sabem o que é. Não sabem, escutam e acham que... Tem gente que escuta e nem associa a uma doença do trabalho. Pensa que é outra coisa. Aí é uma síndrome, como a síndrome de Down, sei lá, qualquer outra síndrome. Então, assim, de tentar entender e se reconhecer. Então, o que a gente passa por coisas na vida e encontrar um porquê das coisas, né? Então, aconteceu, enfim, mas o que fazer a partir dessa história?
Você tá me perguntando o que fazer?
Não, eu tô comentando contigo, mas o que fazer, assim... Eu tô achando... Fiz uma interrogação que não é interrogação. Mas, assim, eu acho... Por exemplo, tu tá botando um livro, assim, tu tá fazendo exatamente o que é o falar cura. Porque no processo que tu tá falando da tua história, a cada vez que tu reconta a tua história, tu tá fazendo esse processo de cura.
Pode terminar.
Não, pode falar.
Eu acho importante porque a cada vez que você fala, você lembra de uma parte, você reinterpreta aquilo. Tanto que muitos especialistas dizem, eu sei que a gente tem pouco tempo, eu vou ser breve Um fato é interpretado de diversas maneiras Só que aí a gente tem que tomar muito cuidado também para quem a gente fala Sim Uma coisa é você falar para quem realmente quer te ouvir, aí se você não tiver alguma pessoa próxima que você confie, eu recomendo sempre procurar um terapeuta, uma psicóloga e não recusar essa ajuda, porque a gente vai precisar de um ser humano com uma habilidade diferente da nossa para a gente se tornar um melhor. Então, muito cuidado também com quem vocês vão falar, porque dependendo da pessoa com quem vocês vão falar, vocês podem sair pior do que chegar. É verdade Eu tô com você, conte comigo, fala a cura sim Mas também muito cuidado pra não sair falando pra quem pode deixar a situação pior Eu sempre falo isso.
Eu não sou psicóloga. Eu sou, digamos, a escuta de qualidade. Algumas histórias chegam a mim e eu digo, olha, procuro um psicólogo, procuro uma terapia. Porque algumas coisas precisam ser trabalhadas de uma forma, com um olhar, com uma escuta de alguém que vai pegando esse novelo de lã embolado e vai fazendo uma manta. Foi assim comigo. Eu cheguei na terapia, primeiro dia, Eu estava furiosa porque eu estava ali e a psicóloga disse, olha, tu quer ir embora, tu vai, né? Mas aí, porque é uma decisão. Eu preciso querer essa terapia. Aceitar ajuda. Eu preciso aceitar ser ajudada. E no momento que eu comecei a falar com ela, tudo foi fazendo um sentido que até então eu não via. Então, fazer a terapia é essencial pra qualquer tipo de doença da nossa cabeça, assim. É verdade.
Ponto.
É verdade. Isabela, nosso tempo está acabando. Muito obrigada por essa live, por essa conversa. Ele deu um sonho. Foi ótimo. Foi ótimo. Agora eu vou partir para a minha próxima tentativa de live, que é da doutorana Beatriz Barbosa. Vai que ela aceita fazer uma live comigo também. Mas assim, muito obrigada para cada um que participou aqui. Quem não conhece, pode curtir lá o meu Instagram. E não é fã clube, não é futebol clube. É FC de Falar Cura. Eu acho que eu vou mudar esse arroba aí, mas muito obrigada, Isabela.
Eu que agradeço. Obrigada pelo espaço. Eu espero que você tenha cada vez mais pessoas te ouvindo para que você cure cada vez mais pessoas. Conte comigo e se cuidem. Não percam o foco no sono de vocês, que essa seria, assim, a dica.
Durmam.
Durmam.
Ótimo. Adorei essa dica.
Durmam para despertar. Despertar para o autocuidado. Despertar para a priorização. E se coloquem na agenda. Todos os dias.
Muito obrigada. É uma boa notar essa frase aí. Muito obrigada. Tchau, Isa. Muito obrigadão.
Todos.
Opa, eu acertei aqui e não tirei. Ai, meu Deus. Jesus, o que eu fiz? Gente, ela saiu aqui. Estou apertando o botão errado. Muito obrigada. Então assim, gente, se coloquem na agenda. Durmam para acordar para o autocuidado. Foi essa frase final. Se você ainda não parou para olhar para você, pare. A sua vida é importante. O seu corpo está gritando alguma coisa aí. Pare para escutar. Obrigada por cada um que esteve comigo e até a próxima live do Falar Custa.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








