Um livro que fala sobre o amor entre mae filha!

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Um livro que fala sobre o amor entre mae filha!" created on December 23, 2020. It features a conversation between Izabella Camargo and Adriana Araújo, discussing their experiences as mothers and authors. They talk about Adriana's book "Sou a Mãe Dela" and Izabella's book "Um Tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites," reflecting on themes of motherhood, personal growth, and the impact of technology on life and time management.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite. Seja bem-vindo, bem-vinda. Quinta-feira, 17 de dezembro, 18h17. E eu terei o privilégio de compartilhar dessa próxima hora, sabe com quem? A mãe da Giovana, Adriana Araújo, uma jornalista incrível. Eu sempre admirei o trabalho da Adriana. Nunca tinha tido oportunidade de conversarmos nem sobre profissão, nem sobre jornalismo. Quem diria que falaríamos sobre os nossos filhos? Porque a Adriana lançou pela Globolivros o livro Sou a Mãe Dela. pertinho do meu, o da Um Tempo, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites. Então são livros irmãos e é muito interessante porque o período de escrita da Adriana também foi de quatro anos, ela vai confirmar tudo pra gente. O meu também foi de cerca de quatro anos, o da Ana Paula Araújo também Uma querida amiga, também jornalista, que lançou o livro sobre o abuso. Também foi um período de quatro anos, então eu sei que tem muita gente feliz por estar realmente realizando, depois de tanto tempo, o nascimento. Não é de um livro, porque é um trabalho fantástico. Assim que a Adriana entrar aqui, a gente já vai dividir tela. Eu já quero aproveitar e agradecer. Você que está aqui, o seu tempo, a sua confiança. Eu já antecipo que essa prosa será emocionante. Eu li o livro da Adriana e fui rabiscando e fui marcando, mas eu não vou seguir roteiro. Roteiro não é pra gente ser prisioneiro, mas eu sei que é uma história de amor. Aliás, quero já te dizer que é uma história de amor, uma história de entrega, uma história de humildade. por todos os desdobramentos do que a gente vai ouvir a partir de agora. Então, deixa eu ver se a Adriana já está aqui. Jornalista e mãe da Giovana.
Oi! Oi!
Tudo bem, querida?
Tudo, e você? Está me ouvindo bem?
Ouvindo muito bem. Que alegria poder compartilhar com você.
Deixa eu só melhorar aqui um pouquinho para eu te ver melhor. A minha tela estava muito apagadinha. Agora estou te vendo melhor. Oi, todo mundo. Tudo bem?
Que alegria poder compartilhar desse tempo contigo. Eu fiquei tão feliz quando a Camila, a Bruna, a Mona Lisa, que fazem parte da comunicação da Globo Livros, quando elas confirmaram esse nosso encontro, porque eu já te admirava. Depois que eu li a sua história, olha, muitas lágrimas.
Olha, elas são maravilhosas, né? Esse trio maravilha aí da comunicação da Globo Livres, elas são demais. Me ajudaram muito nesse processo, que é novo pra mim. Comecei a ler seu livro também, só que eu tô lendo pelo computador, então não tenho ele aqui em mãos pra mostrar. Mas a vida ficou meio corrida nessa reta final do ano, que eu tô fechando dois documentários e ainda com o lançamento do livro. Mas o seu livro é pra mim, viu? Que eu tô precisando de ler e repletir sobre o tempo.
Na verdade, todos nós, né, Adriana? O Ricardo Amorim, ele fala, no início da nossa carreira, a gente tem muito tempo, poucas oportunidades. E depois, conforme o tempo vai passando, o tempo vai reduzindo, as oportunidades vão aumentando. E aí, se a gente não vai dizendo não e não vai colocando limites, realmente, o dia fica curto pra tudo que a gente quer. Não é?
É. Não, e é o amadurecimento. Aprender a dizer não. Aprender a selecionar. Escolher. É escolher.
É. É isso. Bom, Adriana, lendo teu livro eu descobri que você tem muito em comum. Você é mineira. Eu também. Metade mineira, metade brasileira. E outras coisas que eu sei que durante a nossa prosa a gente vai descobrindo. Mas acredito que muitos que estão aqui conhecem você Mas quem lê o livro Sou a Mãe Dela descobre uma outra mulher Como foi? Antes da gente falar da menina Giovana, eu quero falar da menina Adriana Antes da gente falar da mãe da Giovana, como foi esse processo?
Você sabe que agora que eu comecei a ler o seu livro, e pensando hoje nessa nossa conversa, eu acabei refletindo sobre como para mim escrever o livro foi uma reflexão sobre a minha linha do tempo. E hoje, à medida que eu li algumas coisas e pensava sobre a nossa live, eu pensei, gente, como eu olhei pelo retrovisor para rever a minha jornada de mãe, A menina de 25 anos, recém-formada, repórter inexperiente, ainda início de carreira na Globo Minas, e que iniciou uma jornada de mãe que foi muito marcante na minha vida. E agora, a menina de 48, sentiu necessidade de olhar pra trás e pensar nessa linha do tempo. O que ficou marcado nessa linha do tempo? o que é muito marcante na minha história e que às vezes as pessoas não sabem, não porque eu esconda, mas porque na frente da câmera você tá ali focada no que a notícia é a prioridade, você tá focada no trabalho e a pessoa que você é por trás das câmeras às vezes leva até pouco tempo da sua própria atenção, né? Às vezes a gente olha pouco pra gente mesmo. Então, hoje, refletindo sobre a nossa live, eu falei, gente, são assuntos diferentes o seu livro e o meu, mas, ao mesmo tempo, como eles estão conectados. Porque você também precisou dar um tempo e olhar pra você mesma. E refletir sobre como você estava lidando e seguindo a sua vida. E eu precisei disso depois da minha jornada intensa de mãe.
Sim. Olha, os nossos ativos são mais até do que vocês podem imaginar. Quando você faz aqui uma redação ativa da internet, do Google, quando você for trabalhar na redação da Globo Minas e ainda usou bibliógrafo, papel carbono. Tem pessoas aqui que nem sabem, aliás nunca ouviram falar do que a gente está fazendo. Ana, essa retrospectiva que você faz da tecnologia, ou seja, em 1997 você começou a lidar com a vida de uma maneira absolutamente inédita e não tinha Google para você mandar uma resposta Hoje nós temos o Google e qualquer dúvida você vai lá, ou a Conexão Tecnologia E eu trago essa, eu trago o livro também, explicando por que que nós tivemos essa confusão Porque a falta de informação... Adri, posso te chamar de Adri?
— Claro — Coisa.
De mim? Não tem como chamar a pessoa pela primeira sílaba A falta de informação também é tão ruim quanto o.
Excesso de informação Que é o que a gente vive.
Hoje, né? No livro você faz a retrospectiva da tecnologia e ela é fundamental Nessa escolha de tempo pra gente também se ver, né? Onde eu tava nesse período? O que eu.
Tava fazendo? Eu falo que foi uma necessidade de olhar pelo retrovisor e olhar essa linha do tempo, essa retrospectiva da tecnologia, de ver como era antes de tudo isso que a gente vive hoje. E até fui mais atrás, contando do meu pai e da minha mãe. Para mim, Isabela, foi importante olhar para eles também Porque é importante você saber de onde você veio, de onde a sua família partiu, quem é você Eu acho que o mundo, sobretudo em 2020, pediu pra gente essa clareza, essa transparência De se mostrar, de dizer quem você é, o que você acredita, o que você defende E coincidiu com esse processo que eu tinha finalizado na minha vida, que era de escrever esse livro Meu pai era tropeiro Hoje eu falo, eu conto no livro, eu falo para algumas pessoas, as pessoas me olham com uma cara um pouco na dúvida do que isso significa. Eu falo assim, tropeiro, sabe? Aquela pessoa que carregava as mulas, subia uma montanha, descia uma montanha e tinha que vender tudo o que produzia na roça lá na cidade. Meu pai era tropeiro. É outro mundo, né? A gente sai de um mundo e chega hoje na velocidade de um clique. Você acessa qualquer lugar do planeta, qualquer tipo de informação que você precisa. Então, nós passamos por uma linha do tempo muito louca, né? Muito revolucionária. E quanto isso tem de impacto na vida da.
Gente, né? Aliás, você tá falando do pai. Gente, no livro da Adriana, o pai da Adriana é o menino da montanha, né? Ou a menina do olho na fechadura. É linda a maneira como você escreve sobre os pais e todas as pessoas que passam pela.
Sua vida. Eu sou muito apaixonada por eles. Algumas pessoas me perguntam assim, ah, mas não é um livro de mãe e filha? Eu falo, não tem nada que eu faça que não tenha meu pai e minha mãe. E assim, não foi nada planejado. Eu não planejei escrever um livro e nem planejei capítulo por capítulo. Eles foram saindo de dentro de mim. E quando eu terminava de escrever, eu falei, o que eu sinto é isso, o que eu vivi, o que eu sei da história deles. E o que me surpreendeu muito foi a memória. Porque eu tenho uma memória afetiva de tudo que eu vivi. Tudo estava muito marcado em mim. Então, hoje em dia, o seu livro fala um pouco disso, né? Do excesso de informação que a gente tem e a gente está sempre devendo. Isso eu me identifiquei com o seu livro. Você tem sempre a sensação de que você está devendo. Você fez, fez, fez coisas e não foi o suficiente, continua devendo. E na verdade, se você pensar mesmo as coisas essenciais, você tem, você tem na memória, você tem informação. A gente não precisa ficar nessa ansiedade também de querer abraçar o mundo em meia.
Hora.
Né? Exatamente. E quando eu parei para escrever, esse livro me levou para as coisas essenciais da minha vida. Que bom. E foi.
Bem importante. Que bom. Bem, no livro, A menina Adriana Araújo fala sobre a menina Giovanna, que hoje tá.
Com.
23. 23. Menina, a hora que eu fui fazendo as contas de tempo, eu falei, não acredito que ela não é mais jovem. Eu sempre achei que você era muito.
Mais jovem. Não, não. Todo mundo às vezes me fala, você foi mãe adolescente. Eu falei, não, eu fui mãe jovem. Para os padrões de hoje, eu fui mãe jovem. A Giovana nasceu, eu tinha 25, mas não fui mãe adolescente. Eu tenho 48.
Quase 49. Olha isso, gente. Aplausos digitais agora para tudo, tá? Vamos aplaudir. Essa.
Pele mineira. Ah.
Você também. Essa pele mineira. Bom, eu preciso aqui selecionar muito bem que caminho a gente vai seguir, porque a gente pode ir para vários. Eu me identifiquei com muito, eu grifei tantas coisas, me identifiquei com tantas partes, chorei em muitas delas porque você viveu a alegria da maternidade e a surpresa em saber que até então o feto ele não teria Pés? Ou teria pés, mas os ossos.
Seriam.
Tortos? Diferentes. Diferentes.
Como foi? Foi no quinto mês de gestação. Quando eu descobri que eu estava grávida de uma menina, eu também descobri que ela teria uma má formação óssea. E com o decorrer dos exames do ultrassom é que então eu vinha saber que tudo indicava que ela teria mimelia fibular. Quando nasce, então, os exames confirmam. É a ausência de um osso na perna direita. A principal característica dessa síndrome é isso. A ausência da fíbula, por isso chama emimelia fibular. E demanda uma longa jornada cirúrgica para equiparar as pernas em tamanho. Porque a perna que nasce sem um osso nunca cresce igual a outra. Então a gente precisa corrigir com o tempo. Foi muito angustiante. A gestação foi muito angustiante para mim. Eu tenho a lembrança de muita aflição. Por mais que os médicos te digam que está tudo dentro de você e todas as definições do que ela vai ter ou não vai ter já estavam certas, não era a gravidez que provocava o problema. Só que a gente descobre aos poucos, pelo ultrassom. Então isso me dava angústia de pensar que alguma coisa pudesse estar prejudicando ela dentro da minha barriga. Agora, isso também me ensinou muito, porque se a minha gravidez foi de aflição, quando ela nasceu, rapidamente, O nosso pertencimento, a nossa conexão se estabelece tão rapidamente que muitas das aflições vão embora. muito mais rápido do que a gente imagina. Então assim, hoje quando eu converso com mães, gestantes ou quem pensa em ter um filho e às vezes eu vejo essa aflição de que venha normal, de que venha perfeito e é absolutamente natural você desejar, esperar que o seu filho não venha com nenhum problema, que não tenha um problema de saúde. Mas eu também posso dizer que O seu filho é o seu filho, seja como for. E ainda que ele venha nos padrões que o mundo fale é perfeito, cada um tem um desafio. Cada um vai estabelecer com os pais, com a mãe, com o pai, uma conexão, um relacionamento e uma história. E cada mãe e cada pai vai precisar amparar o seu filho em demandas que são únicas, que são daquela história e daquela relação. Foi aflitivo durante a gravidez e depois que ela nasceu, que a gente sabia o que ela tinha e iniciamos um caminho de tratamento, a conexão... Tem uma frase no livro que eu sempre falo dela. Porque eu sei que as pessoas... Muita gente me fala que chora, que se emociona. Eu sei que o livro fala de aflições e de angústias, mas ele fala de amor antes de tudo. E tem uma frase que é assim, a alegria sempre foi e será maior que tudo. Então assim, Nunca houve uma dor que superasse a minha alegria de ter minha filha. Nunca houve uma aflição que fosse maior ou que roubasse o brilho no meu olhar por tê-la comigo nessa jornada. Então é isso. Eu fui presenteada, todas as mães são presenteadas sempre. É uma conexão única. É uma jornada extraordinária. E a minha demanda foi diferente. de muitas outras mães. Agora me fala de você. De como foi.
O seu... Não, pera, pera, não. Eu tenho mais um monte de comentário. Tem uma parte que eu gosto muito, é quando você... quando você estava na sala do parto, algo em torno do... dizer estamos juntas, não importa as circunstâncias. Quando a mãe diz, te amo, sem pronunciar uma única palavra. Então isso vai exatamente de encontro com o que você está dizendo. A alegria é muito maior do que qualquer situação. Do que qualquer situação ou do que qualquer preconceito. Outro dia, Adriana, eu ouvi uma amiga dizendo que ao nascer um filho, nasce uma mãe e nasce uma culpa.
É verdade? E nasce uma coragem.
Também. Pronto. Faltou.
A coragem. Não. Nasce uma culpa. Isso eu acho que é uma... É uma situação que todas as mães conversam e sempre assim, a gente ama tanto que a gente também se culpa por não ter tanto tempo, por não... tantas coisas que às vezes você quer fazer melhor, mais. Então, a culpa é uma companheira da maternidade, eu acho. Mas assim, felizmente, hoje nós estamos muito atentas a isso. Eu acho que as mulheres em geral, as mães em geral, estão atentas a isso no sentido de que Não tem como você dizer que não vai sentir culpa nenhuma, mas tem como você olhar para isso e se acolher e entender o contexto para que isso também não se transforme em um problema Eu alimentei culpa durante muito tempo desnecessariamente e escrever esse livro foi um processo terapêutico pra mim. Pra olhar pra trás, pra me permitir olhar toda a trajetória, pra me permitir ver, veja como vocês caminharam, como a caminhada foi boa. E como é a hora de tirar essas toneladas de culpa das costas. Então, nesse aspecto, o livro foi muito terapêutico pra mim. E esse trechinho que você destacou aí, uma outra coisa que esse livro me ensinou é que eu me perguntava assim, pra onde eu vou agora? quando eu estava escrevendo. O que eu quero relembrar, refletir, rever? E a resposta que vinha, eu começava a escrever sobre aquele ponto. Então, em alguns momentos foi relembrar meu pai, relembrar minha mãe, em outros momentos foi relembrar as cirurgias. relembrar o momento que a Giovana nasceu, é muito curioso como a escrita é terapêutica. E como eu me vi de novo na sala do quarto. Eu senti aquelas emoções de novo. Eu me conectei com aquela energia daquele momento. E isso foi muito transformador. E pra mim muito surpreendente, porque eu não sabia que era assim. Então, se o livro sai de uma forma que eu estava vivendo e sentindo aquilo de novo, pra mim foi.
Uma experiência. Então, só que a menina mãe de 25 anos, como você escreve aqui, ainda desconhecia a força que a maternidade lhe traria. Sim.
O tempo. É por isso que eu não respondi de bate e pronto pra você se nasce uma mãe, nasce uma filha, mas nasce uma coragem. Só que eu só fui enxergar isso bem mais adiante. Mas a coragem tava comigo. Ela nasceu dessa minha conexão com a Giovana. Então, hoje, vendo as respostas que eu dei para frases difíceis, por exemplo, era uma mãe corajosa, que nasceu ali, essa coragem veio dessa relação e dessa conexão com a Giovana. Eu acho que nasce uma culpa, mas nasce uma coragem também. Nasce tanta coisa boa que quando nasce.
Uma mãe... A frase que você diz para a sua avó, a menina da escada, você.
Pode dizer? A resposta que.
Eu dei? É a resposta que.
Você deu. Só para que as pessoas entendam, a minha avó hoje tem 98 anos. Na época ela tinha 75, quando a Giovana nasceu. E a Giovana é a primeira pessoa, a única pessoa da família que tem uma diferença física. De uma família muito grande. Então a minha avó se chocou com isso. E eu entendo o choque dela. Mas é difícil conviver com esse choque. Quando você, no meu caso, era uma menina de 25 anos, assustada com o que vinha pela frente, com o que eu teria que viver com a Giovana. E a minha avó me disse uma frase que pra mim foi muito dura. Que é, não pelas palavras dela, mas pelo contexto, pelo tom de contrariedade. de ter uma pessoa na família com um problema, como ela falou. Ela nunca imaginou que teria alguém na família dela com problema. De alguma forma, ainda que não tenha sido a palavra que ela usou, você se sente a mancha da família. Você se sente a que trouxe o problema. Você se sente a pessoa que estragou aquela linha da família. Então tem esse tom. É por isso que também eu escrevi sobre tudo que eu ouvi, para que as pessoas também reflitam sobre o que elas falam. Sobre a maneira como.
Elas.
Falam. Exato. E eu dei a resposta que agora, 23 anos depois, eu me orgulho dela. Porque minha avó disse que ela ia rezar para Deus, para Nossa Senhora, fará a mão da minha filha, que nasceu com dois dedos na mão direita. E eu fiquei... o tom, assim, me chocou na hora. Lembro de respirar fundo, assim, um pouco, e falar, avó, eu não rezo pra ser um milagre. Eu não rezo pra esse milagre. Eu rezo pra minha filha crescer forte, saudável, feliz, com todas as diferenças que ela tem. Que ela conviva com a diferença que ela tem. Mas eu vou lutar por ela. Pra que ela cresça com saúde, feliz, e uma pessoa capaz de realizar coisas. E hoje, quando eu voltei, na minha linha do tempo para escrever, eu me permiti voltar nas frases que machucaram. Também como uma maneira de... Eliminar mágoas, rancores, de perdão mesmo. A trajetória é uma jornada de gratidão, que esse livro é muito. Pra mim, eu acho que fica claro pelos capítulos dos médicos que operaram a Giovana, os meus pais. São muitos capítulos de gratidão. Capítulos de perdão também. Coisas que doeram muito, talvez eu precisava colocar pra fora até pra dizer, pronto. já não pesa tanto mais. Porque às vezes quando você guarda e fica aqui, um nó na garganta, aquilo pesa uma tonelada, às vezes, dentro de você. E quando você põe pra fora, bota num papel e reflete sobre aquilo, tente o contexto que as pessoas também viveram. E você pode pensar assim, bom, ainda assim, olha, ainda assim eu gostaria de não ter ouvido isso. Mas, 23 anos depois, eu consigo enxergar o contexto e consigo dizer, ok, mas tá.
Tudo bem. É, é isso aí, porque o tempo ele vai ajustando cada um na sua página, porque depois você entende quando olha pelo retrovisor o amor que existia por trás da frase, mas a condição da pessoa ao dizer a frase era a da pessoa. Isso inclusive eu menciono no livro, quando a gente insiste em ideias ou situações ou pessoas que Não fazem mais parte do seu sistema e isso você vai adoecendo. Mas ao mesmo tempo você também precisa entender o contexto daquela pessoa. O contexto daquele ou daquela que não estão mais fazendo sentido. É gratidão e segue. Sem levar bagagem, porque senão...
E isso me fez muito bem. Isso me fez muito bem. A sua comparação que você faz no livro da mala, que você vai enchendo, vai enchendo, chega uma hora que já não cabe mais, mas você quer colocar mais alguma coisa. E aí o zíper vai, uma hora vai estourar. E é uma metáfora maravilhosa, porque a gente faz isso cotidianamente com a gente, né? A gente enche o dia de tarefa, a gente enche a mente de sentimento, de memória, de lembrança, de informação. Quando você vê, você é uma mala prestes a ter um zíper estourado. E é verdade, acho que todo mundo está vivendo isso. Uma outra conexão que tem com o nosso livro, que eu também pensei hoje, é assim. Muita gente me pergunta, puxa, mas que difícil, não tinha o Google pra você pesquisar, não tinha rede social pra você se conectar com as outras mães, formar um grupo de apoio. É verdade, a tecnologia facilitou muito a vida da gente, mas o seu livro trata da tecnologia por vários aspectos, não só o positivo, mas mostra também o quanto essa tecnologia que deveria fazer nossa vida ficar mais fácil sobrar tempo, no final das contas, fez a nossa vida ficar ensandecida de tanta coisa que a gente quer saber e fazer. Então, quando as pessoas me perguntam como foi difícil, eu falo, é, foi difícil, mas eu vivi uma outra coisa que talvez as mães ou tenham que se esforçar muito para viver. Que a conexão plena com o filho, sem a poluição da rede social, sem a interferência, sem a superexposição, sem a sedução do estar sempre conectado. Quantas vezes a gente não vê, assim, famílias almoçando em restaurante, todo mundo está assim e as pessoas não estão conectadas entre si, né? Às vezes o filho está brincando no parque e a mãe está respondendo aquele monte de zap, é pra ontem, agora nada pode esperar cinco minutos, tudo pra ontem e você tá perdendo cinco minutos preciosos com um filho no parque. Então assim, a falta da tecnologia me prejudicou no aspecto de busca de tratamento, de conexão com mães que também poderiam compartilhar a experiência comigo, mas também me trouxe uma coisa boa. E eu acho que o seu livro é uma reflexão muito importante sobre isso, que as pessoas se viciaram muito na tecnologia e na internet. Você é ou era viciada em fazer tudo muito rápido, em velocidade.
Em conexão? Olha, de um certo modo, Adriana, a nossa profissão nos exige muita rapidez Algumas profissões mais, outras menos, mas posso falar então pela nossa A profissão de jornalismo exige uma dedicação, um estado de presença e uma rapidez Eu sempre lembrava naqueles momentos de deadline apertado e todo mundo arrancando os cabelos Eu falava assim, gente, o jornal não vai esperar Então você acaba indo numa luta contra o tempo, um tempo que não é seu e um tempo que não depende só de você para você chegar no resultado que você precisa, depende de uma série de questões Então eu acredito que o meio em que eu vivo do jornalismo contribui para que eu procure ser cada vez mais assertiva, perder menos tempo porque eu sei que esse tempo vai ser muito importante para outras coisas. Então, na nossa profissão, eu vejo, sim, a velocidade e a precisão como elementos fundamentais para a gente conseguir fazer o que precisa fazer, na hora que precisa fazer. Claro que alguns produtos são mais ágeis do que outros. Jornais diários são diferentes do que jornais semanais e assim por diante. Mas hoje a gente vive no excesso e, quanto menos não, a gente diz, mais cheia fica a nossa agenda e aí sim aumenta a percepção que o tempo está passando mais rápido. Isso é só um caminho do que nós estamos vivendo e que pode sim levar para um monte de problema de.
Saúde. Então... As pessoas estão estressadas, sabem disso. Elas, às vezes, não têm a dimensão do quanto isso afeta.
A saúde. É porque estão distraídas. Porque estão distraídas. Eu, inclusive, o que me pautou, o que me inspirou a escrever o livro, é em 2017. Porque eu ouvia as pessoas dizendo, o tempo está passando mais rápido, ponto. Não era uma pergunta, era uma afirmação. Essas pessoas estavam estressadas, ansiosas, doentes. E aí eu comecei a ouvir tanto aquilo. Eu não sei se tinha saído algo naquele ano sobre essas teorias que sempre saem que agora o tempo tá passando mais rápido, agora o dia não tem mais 24 horas, tem 16. E aí eu fui atrás dessa resposta. Se o tempo tá passando mais rápido ou se nós estamos passando mais rápido pelo tempo. Isso foi.
Em 2017. Isso é anterior a você viver a situação de burnout. Já na edade, já em petição.
Do tempo. Sim, porque em 2017 foi uma sequência de pessoas me dizendo que o tempo tá passando muito rápido Aí eu falei, pera lá, jornalista em Cafifa? Vou atrás disso, deixa eu ver se tá acontecendo mesmo E fui conversar com astrônomos, com físicos, com cosmólogos, o que tá acontecendo? Nada O nascer e o pôr do sol tá igual, as fases da lua, as estações do ano, tá tudo igual nós é que estamos fazendo mais coisa com o mesmo tempo. Eu falei, opa, pera lá, então agora é um outro caminho. Aí eu fui com psiquiatras, psicólogos e uma série de pessoas, então tem Karnal, Cortella, Monja Coen, uma turma que marca os nossos tempos, tentando entender o que a gente foi fazendo ao longo do tempo para chegar como estamos. Então hoje nós não somos o país mais ansioso do mundo só pelas nossas crises sociais e financeiras. Nós não temos 12 milhões de pessoas com depressão, 19 com ansiedade e 20 milhões com burnout do nada. Não foi de ontem pra hoje. Então aí eu fui buscar essas respostas. Ah, entendi. Então o tempo da natureza tá igual. Por que que então nós estamos passando mais rápido pelo tempo? Só que não é pra todo mundo, Adriana, que o tempo parece estar passando mais rápido. Quem tá numa fila... Absolutamente. Quem está numa fila esperando algo ou alguém, o tempo passa mais devagar. Eu até menciono a história de um rapaz que ficou quatro anos, todo quatro, né? Engraçado. O meu, o seu livro, o da Ana Paula Araújo, um monte de quatro aqui, viu gente, nessa prose. Esse rapaz ficou 4 anos esperando um coração e ele disse que pra esperar o coração, o órgão que ele mais usava era a mente, que ele tinha que controlar a ansiedade e a pressa pra chegar a um coração. Mas enfim, e aí eu fui indo nesse caminho até que eu vivi a experiência com a síndrome de burnout, que é uma das consequências dos novos tempos. É um problema ocupacional como outros que já existiram nos últimos séculos. Por quê? Porque agora a gente está usando muito mais o intelectual do que o físico. É como se o universo tivesse validado, sabe, Adriana? Assim, agora você pode falar para as pessoas que estão estressadas e doentes, que estão fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Então, depois que eu vivi a síndrome de burnout, as peças.
Se encaixaram. fez parte do seu processo de olhar o tempo também, né? Talvez você já tivesse uma necessidade, porque eu acho que também essas coisas não acontecem assim. Você vem em uma curva e talvez o fato da gente acumular todos esses trens, essa ansiedade, sem dar a devida atenção, que talvez chegue um momento que transborde. E aí sim a gente tem noção do que está acontecendo. Talvez você já sentisse a necessidade, essa inspiração de olhar para o tempo como uma necessidade de olhar diferente, de.
Repensar. Sim. Até porque a gente fala de tempo o tempo inteiro. Tempo inteiro. O tempo inteiro. A gente que trabalha então com informação, meu pai amado, é o tempo de tudo. Tempo de tudo. Mas dificilmente a gente para pra pensar no que estamos fazendo com o nosso tempo. E geralmente esses pensamentos eles vêm quando você vive algumas situações. A morte de alguém, a perda de alguém, o diagnóstico, um acidente. Aí você para, nossa, o que eu estou fazendo com o meu tempo? Adriana, durante as cirurgias da Giovana e toda essa dinâmica dela, quais momentos pra você foram assim, que parece que eles pararam e quais voaram? Você tem essa percepção? Nessa sua linha do tempo terapêutica, você chegou a reconhecer.
Algum deles? Então, quando eu estava nas cirurgias, eram horas infindáveis. Esperar por um resultado de uma cirurgia de um bebê é algo infindável. E quando eu assinava os formulários na entrada do bloco cirúrgico para liberar a cirurgia, assumindo que tem um risco que submeteu um recém-nascido, uma menininha a longas horas de cirurgia com anestesia geral, é um risco, inclusive, de óbito. Então você assinar isso e esperar pelas horas seguintes torna aquele tempo uma tortura. E foram dez vezes assim. E a última cirurgia durou dez horas. Porque foi a cirurgia mais complexa de todas. Porque ele teve que reconstruir o pé direito da Giovana. A Giovana nasceu com o pé direito bem pequenininho. Ela tinha um calcanhar muito suspenso. Um calcanhar que não apoiava no chão. E ele teve que remodelar o pé da Giovana. Para recolocar aquele calcanhar no chão e reposicionar tudo. É um trabalho para marcimeiros. para ortopedistas marceneiros, por isso que o capítulo dele chama doutor marceneiro, que é quase como construir uma.
Nova peça. É.
Um artista. Um artista. E ele levou 10 horas nessa cirurgia, e quando acaba essa cirurgia, que eu vou lá receber a notícia, eu já estava tão aflita, porque as outras cirurgias levavam 6 horas, 7 horas, às vezes 5. E ele tinha me avisado, essa cirurgia vai demorar um pouco mais. Então assim, ela desceu para o bloco cirúrgico perto de meio dia E quando deu nove e pouca da noite, nove da noite eu já não aguentava mais E eu desci porque eu ficava andando de um lado para o outro no quarto esperando o telefone tocar Eu não aguentei mais e eu desci para a porta do bloco cirúrgico Comecei a andar de um lado para o outro E pedindo informação, mas ao mesmo tempo você não pode pedir informação toda hora Porque você não quer que incomode o médico lá dentro, ele está fazendo o trabalho dele O trabalho dele era reconstruir o pé da minha filha Então assim, eu não queria ser aquela que ficava toda hora pedindo notícia, mas chegou a hora que você não aguenta Eu desci e perguntei, falei, dá pra dar uma perguntadinha se tá tudo bem? Porque já quase 10 horas Aí eu lembro da pessoa na recepção do Bloco Cirúrgico falando assim, ó, tá quase terminando, deixa eu ir falar com você Então eu estava na porta do bloco cirúrgico. Foi uma situação diferente porque, em geral, eu tinha ficado no quarto esperando o telefone tocar, esperando falar, pode descer. E dessa vez eu não aguentei e eu fui para a porta do bloco cirúrgico. E aí então ele sai para conversar comigo e aparece na minha frente muito cansado, cheio de olheira e com o cap manchado de sangue. Então o meu capítulo para agradecer esse médico começa desse encontro, que é real. O encontro aconteceu. Eu talvez não tenha conseguido agradecer a ele do jeito que eu sonho, do jeito que eu gostaria. Mas esses momentos são horas infindáveis.
De aflição. E hoje, quando você está com a Giovana, Ela já está.
Estudando medicina? Já, está no terceiro.
Ano já. Terceiro ano, tá. Então eu perdi essa linha do tempo. Hoje, quando você está com a sua filha estudando medicina, o tempo passa mais rápido ou.
Mais devagar? Eu estou mais calma hoje. Então assim, por eu ter passado por todo esse processo com ela, inclusive da busca das luvas médicas dela, a gente conseguiu. Eu me acalmei. O livro me trouxe isso, a escrita me trouxe isso, rever tudo, rever o caminho, rever a linha do tempo, me fez me dar muitos abraços, agradecer por muita coisa, perdoar muita coisa, então isso me trouxe uma calma que eu sei que ela vai ter o tempo dela, a jornada estudantil dela na faculdade, ela tá na metade do curso. Às vezes eu brinco com ela, já vamos começar a olhar o vestido de formatura, mas é brincadeira. É óbvio que vai ser um dia muito feliz pra gente, o dia que ela se formar. Mas eu antes tinha uma ansiedade muito maior, que era a ansiedade de atravessar o tratamento médico, que levaria anos, foram quase 18 anos. A ansiedade de acabar com aquilo, de que ela não precisasse mais da afeição. mais cirurgia, que aquela aflição acabasse. Hoje não. Hoje eu tenho a sensação de que tudo que ela está vivendo, nós batalhamos muito para que ela pudesse viver. Então é preciso que ela aproveite bem e que eu também tenha calma para observar, para curtir essas conquistas dela. Eu me cobro isso. Eu fico atenta a minha relação com esse tempo para ser mais calma. E é curioso assim, porque eu enxerguei que depende muito do estado de espírito da gente mesmo. Porque você pode estar cheia de atividades na agenda. Faz uma coisa, faz outra, grava isso, grava aquilo, televisão. Mas se você está internamente mais calma, aquilo não parece um caminhão.
Te.
Atropelando. Desgovernado. É, e quando você está muito ansiosa, tudo parece um caminhão desgovernado. Daí você se sente atropelada todos os dias. Então assim, eu acho que eu tô nesse processo de transição. De saber lidar com o tempo, com um pouco mais de calma. Eu me sinto mais calma, menos ansiosa. E isso é bom. Tomara que dure bastante. E você? Você hoje acha que lida com o tempo diferente de antes do burnout e com o controle das emoções assim? Não sei se é controle a palavra, mas com uma.
Sabedoria mesmo. Compreensão. Você sabe que eu tava entrevistando a Monja Coen e eu adoro perguntar pra monge, professor de meditação. Fala, você se estressa? Você tem raiva? Quando é que você perde o rebolado? E a monja disse hoje até, ela falou assim, olha assim, eu me estresso, fico com raiva, a diferença é que eu me manifesto de uma maneira mais equilibrada, porque a meditação me ajuda. A meditação. Então, ah, eu quero me controlar. Então você tem que primeiro controlar sua respiração, que aí você consegue controlar os seus pensamentos. Pensamentos acelerados, respiração acelerada e reações muito ruins. Mas, tô dizendo tudo isso porque hoje, quando eu vejo um dia muito cheio, ou quando eu vejo demandas, eu preciso sempre me perguntar o que que é essencial. O que é essencial? E é o que eu tento falar todos os dias, não só pelo livro, mas também pelas entrevistas aqui. O que é essencial? Primeiro, o meu autocuidado. O tempo de sono, o tempo do banho, o tempo da higiene, o tempo da alimentação. São coisas que você vai abrindo mão Você não vê problema em abrir mão disso por conta do trabalho. E aí, com o tempo, isso vai tendo outro peso. Então, hoje, a minha relação com esse dia muito cheio, o primeiro é, o que é essencial? Eu. Ah, ok. Estou fazendo.
O.
Básico? Estou. Depois disso, aí sim eu vou ver o que é realmente importante. Porque tudo vai depender, Adriana, como você disse, é relativo. Você viveu uma situação com a Giovana em que você tomou uma postura, poderia ter sido outra. Em relação ao tempo é a mesma coisa, nossas 24 horas são As mesmas, minha, sua e de quem está nos acompanhando. O que vamos fazer com elas e como vamos lidar com elas é outra história. Vai depender do repertório, vai depender realmente do seu estado interno. Então o mundo tá caindo lá fora, mas se vocês estiverem em paz consigo, com a sua respiração pelo menos equilibrada, mas então vou repetir, a mão já põe. Nem sempre a gente consegue. Mas hoje, depois de eu ter vivido essa experiência, que é um freio. O burnout é um freio. Como qualquer outro problema de saúde. A dor é uma mensageira. Tá tentando mostrar pro seu corpo que, olha, esse caminho que você tá indo está para o desequilíbrio. Vamos voltar? O problema é que hoje nós não ouvimos, né? Você tende a lidar como normal o que é normal. Então hoje eu lido com uma dor de uma maneira totalmente diferente do que do passado. Então quando você me pergunta como eu lido hoje com o tempo, de uma maneira muito mais realista, sem ignorar o que meu corpo tá dizendo pelas consequências do que eu faço. E tudo é, pra mim, tudo depende do seu ponto de vista. Adriana, eu convivo com bailarinas cegas há muito tempo. Bailarinas cegas. Existe uma companhia de balé de danças aqui em São Paulo que é a única no mundo de bailarinas cegas. Então se imagina o que é pra uma mãe também ter a sua filha nascendo sem visão ou ficando sem a visão. E muitas acabam... caindo em depressão ou não vendo saída, e outros veem saída. Então o que eu quero te dizer é o seguinte, tudo vai depender de como você vai lidar com a situação. Ela pode ser muito triste, muito ruim, como eu lidei também com o burnout, mas dependendo de como você vai convivendo com as diferenças, aprendendo com humildade, você aprende, segue. Se não.
Você trava. E o ponto de partida, a maneira como você olha para o desafio, interfere muito. Isso eu tenho certeza de que foi... Aliás, eu acho que se tem uma coisa que eu intuitivamente acertei na jornada com a Giovana, porque muita gente me fala assim, nossa como ela é incrível, tão tranquila, lida com a diferença que ela tem de forma tão... E as pessoas acreditam isso a mim. E eu falo, não. Muita coisa não vem de mim. Vem dela. Eu conheço a essência dela desde o primeiro momento. E eu sei o quanto ela tem essa essência sábia, calma. Ela é muito mais calma do que eu. Então eu aprendo muito com ela. Porque eu sou muito mais ansiosa, eu sou muito mais viciada na pressa, que é uma outra coisa que eu me identifiquei com o seu livro, que a velocidade se torna um vício. Quando você vê, você coloca dez coisas pra fazer numa manhã, e aí você consegue... Bom, agora então, pode colocar doze? Porque é como se aquela corrida de obstáculos, aquilo fosse uma coisa... Quanto mais você conseguir, mais competente você é. Então assim, eu sou muito mais viciada nessa velocidade do que ela. Ela é mais calma, ela é mais serena. E eu sei assim, o quanto eu aprendo com ela. Mas se tem uma coisa que eu acho que eu ofereci a ela, foi um ponto de vista positivo. Então quando ela passeou e tinha uma diferença física, Bebezinha, eu corrigi as pessoas que chegavam pra dizer coitadinha, tadinha E o excesso de proteção, que eu sempre recusei E eu sempre disse, não é pra amar mais, porque ela tem uma diferença, e nem amar menos Ela é uma pessoa, uma criança, um bebê, como todos, com uma diferença. Mas isso não faz dela uma menina que tem que ser mais protegida, ou escondida, ou vista como incapaz, como coitadinha. Esse meu ponto de vista, eu tenho certeza que ajudou. E que trouxe pra ela uma influência positiva na construção da visão que ela foi construindo ao longo da primeira infância sobre ela mesma. Mas é uma troca, viu? Porque assim, eu sei que eu ofereci isso pra ela de um ponto de vista positivo, mas ela me oferece muito também. Trazendo essa calma, essa aceitação de esperar o tempo. Na busca pelas luvas médicas dela, eu tava subindo as paredes já. E ela me dizia, calma, a gente vai encontrar. a gente vai ter uma solução. Então, assim, é uma troca muito bacana. E uma coisa que você falou agora há pouco sobre as suas prioridades, né? De que hoje, depois do burnout, desse processo todo da sua escrita, do seu livro, você olhar a sua alimentação, o seu tempo de dormir, se cuidar. Essa é uma reflexão que as mães precisam fazer muito. Porque é muito comum a gente escutar as mães falarem assim, não tive tempo pra fazer xixi hoje. Ontem à noite não tomei banho. Porque realmente um bebezinho e os primeiros meses, o primeiro ano até encaixar tudo, encaixar a rotina, o sono, a alimentação, é muito revolucionário na rotina de um casal, de uma mulher. E aí é comum mesmo as mães falarem, nossa, hoje não deu tempo pra nada. Comi engolindo a comida. Então assim, mas ao mesmo tempo, hoje que eu já passei por isso, eu sei que tem excesso. Eu sei que a gente podia falar, ok, a demanda é gigantesca, mas não adianta. Se a máquina fraquejar aqui e falhar, não vai conseguir. O corpo é uma máquina que precisa ser cuidado, que precisa ser alimentado. Então é uma reflexão boa para as.
Mamães, viu? É, muitas. Você sabe que muitas me procuram ter um capítulo no livro que é o tempo da maternidade. E ali eu coloco... Para algumas mães que sempre quiseram ser mães, a maternidade vai ser assim, aí ela vem assada. Eu trago exemplos de mães que sempre quiseram também ter filhos, mas não conseguiram, ou seja, porque não existe uma regra. Então tem mães que nunca pensaram e engravidaram rápido, mães que sempre quiseram demorar, aqueles tratamentos doloridos. Enfim, até o bebê arco-íris, que é aquele bebê que chega depois de várias tentativas de fertilização e abortos espontâneos e tal. Bom, eu sei que por conta desse capítulo da maternidade, muitas mães se aproximam de mim e perguntam, como eu posso me colocar na agenda se eu ainda não tenho agenda. E aí eu vejo que precisamos saber respeitar os ciclos. Eu sempre ouço isso das minhas amigas com recém-nascido. Já se sabe que são meses de muita entrega. e depois aprender a delegar, que é uma outra arte pra se ganhar tempo, é aprender a delegar. A Mariana Ferrão, inclusive, ela fala isso no capítulo da maternidade, que só no segundo filho ela descobriu a maravilha do delegar, porque às vezes as mães também querem fazer tudo, com medo de que aconteça qualquer coisa que ninguém vai saber fazer e a Mariana Fernanda comenta sobre isso, delegar. Então, as mães que estão nos ouvindo, eu sempre comento duas coisas, né? Observa que fase do ciclo você tá e, segundo, dá pra delegar pra alguém? Se der.
É importante. Porque a gente quer abraçar tudo, né? Quer dar conta de tudo. A gente se cobra.
Muito também. Total. Agora, Adriana, eu tô olhando aqui, tô de olho no nosso tempo e eu tenho uma pergunta antes de partir pra finalização. Por eu estar, então, sempre com as bailarinas cegas, eu lido, eu tenho uma dificuldade tremenda em usar o termo obrigatório, que é deficiência. Ah, o deficiente. Eu, Isabela, fico o pé da vida. Aí eu falo, gente, mas pelo amor de Deus, dá pra gente mudar isso? E você traz como diferença. É uma diferença. E inclusão não é caridade. Inclusão não é uma boa ação. Não. Inclusão É o óbvio, é essencial. É você como cidadão. Então tendemos a viver em uma sociedade com muito preconceito. Eu falo isso em relação ao burnout, falo isso em relação a dores invisíveis. Invisíveis, como é o caso da Giovana. Como que você lidou com.
Este preconceito? Então, eu me deparei com a palavra... Na verdade, a gente analisa o peso que uma palavra tem quando aquela situação entra na sua vida, né? Então, assim, é fácil, por exemplo, você julgar alguém que está com uma depressão no sentido, ah, mas a pessoa não quer trabalhar. A pessoa, isso é preguiça. O julgamento, ele é muito rápido. E por isso mesmo, ele é muito cruel. E ele é muito infeliz e errado. No sentido de que você não... é desrespeitoso. Porque você não conhece a realidade de quem está vivendo aquilo para simplesmente, com um julgamento apressado, dizer... Então.
Tem preconceito.
Você falou... O que é? Tem preconceito contra todo mundo, na verdade. Qualquer situação que você pode viver, o outro pode te julgar com um olhar, com uma palavra. E eu me deparei com a palavra deficiente quando a Giovana nasceu. E eu me coloquei no lugar dela. Eu falei, como será que é crescer escutando você? Ah, aquela menina ali deficiente. Ah, tá vendo aquela ali? Aquela deficiente. E eu pensei nessa situação, ela tinha dias. Ela tinha acabado de nascer. Gente, isso é péssimo. Como que uma pessoa vai crescer a vida inteira escutando essa palavra? Deficiente, deficiente. E eu, então, até tenho um capítulo que eu conto de uma conversa interna minha, que é nesse momento de reflexão, se não, a palavra é minha e eu não vou aceitar que ela escute essa palavra o tempo inteiro. Ao redor da gente, as bocas que eu podia reeducar, todo mundo que vinha chamar de deficiente, coitadinha, tadinha, eu dizia, não, ela nasceu com uma diferença, ela não é uma coitadinha, nós vamos buscar o melhor tratamento possível pra ela e buscar as habilidades dela. O tempo vai dizer. Porque o deficiente na largada parece o incapaz de tudo. E é isso que a gente precisa, no mundo, enxergar que a pessoa que tem uma deficiência, ela não é uma exceção. Um bilhão de pessoas no mundo têm alguma diferença física, mental, intelectual. Você vai dizer que essas pessoas são um milhão de exceções e de coitadinhos e de deficientes e incapazes? Não é possível isso, porque essas pessoas têm sonhos, têm talentos, têm vocação. Você está me falando desse grupo das bailarinas cegas. Se na largada alguém virar para uma menina que é cega e dizer, ah, ela é deficiente, ela não pode dançar. Ela não pode dançar e também ela não pode tocar nenhum instrumento. Você oferece para a pessoa na largada um mundo de limitação. E esquece que antes de pensar em limitação, você precisa pensar em possibilidades. E isso vale pra todo mundo. Pra mim, pra você, pra uma pessoa que tem uma diferença. Você não é capaz de tudo. Você não é habilidoso pra qualquer profissão, pra qualquer atividade. Ao longo da sua vida, você tem oportunidades de ver o que você vai fazer melhor. E tem que ser assim com a pessoa com diferença também, porque ela pode oferecer muito para o mundo. Cada um vai ter uma maneira. Óbvio que tem situações em que as diferenças físicas ou neurológicas são muito agravadas, mas ainda assim sempre há o que desenvolver. Sempre há uma possibilidade. Eu sou aquela que sempre vai enxergar possibilidade antes de impossibilidade, antes de limitação. Eu acho que esse olhar eu tenho Assim, eu tenho certeza que isso ajudou a formar a Giovana quem ela é hoje. E é desse olhar, sobretudo, que eu acho que o livro fala. De enxergar as possibilidades. As janelas abertas para.
As oportunidades. Perfeito. E aí, Adriana, eu vou te dizer o seguinte. Antes, antes, antes. Para quem é o seu livro? Para.
Quem é? Para mim? Antes de tudo, eu escrevi pra mim, pra Giovana, porque eu achava... Assine a luz pra mim um pouquinho. A gente começou a live mais cedo, foi escurecendo, eu tava sozinha. Foi tudo ficando escuro. Assine a luz, por favor. Foi tudo ficando escuro na casa, de repente. Agora que eu tô vendo, todas as luzes estavam apagadas. O livro é pra mim, porque ele foi um processo, antes de tudo, pra mim, de escrita terapêutica. O livro é pra Giovana, porque eu também acreditava que tinha algo que eu ainda precisava dizer para ela. Não com as palavras da nossa conversa no dia a dia, porque isso eu já tinha dito algumas vezes e eu achava que não tinha conseguido o resultado que eu desejava que ela compreendesse. E eu achava que o gesto do livro, de lançar um livro, passava para ela uma mensagem que ela precisava muito entender, que é A Giovana é uma menina muito serena, como eu te falei, mas ela se protege um pouco. Justamente pra talvez fugir desses rótulos, desses julgamentos, ela se protege um pouco. E, na verdade, a mensagem que eu quis entregar pra ela ao publicar esse livro é tenha coragem de saber que de onde você vem, o que você viveu, o que você enfrentou, é razão de orgulho. Eu tenho muito orgulho de ser a mãe dela. Então quando eu escrevo aí em letras garrafais na capa, sou a mãe dela, eu tenho muito orgulho da menina que ela é, da jornada que a gente construiu, e eu precisava dizer isso pra ela, sim. Pra que ela entenda que se mostrar ao mundo, ainda que às vezes você leve uns rótulos, umas críticas, alguns julgamentos, Mas quando você tem coragem de se mostrar como você é, não só com a força, mas também com as fraquezas, com as dificuldades, você cria conexões. E vida real é isso, é criar conexões baseadas na realidade do que você é. Eu acho que talvez quando você falou pela primeira vez e assumiu o burnout, o que você vivia, e começou a conviver e a falar sobre isso, você deve ter passado por um processo desse de assim, Pode parecer pesado, mas quando você fala, você vê que cria umas conexões muito interessantes que ajudam muito também. E a gente já tá.
Vivendo isso. Adriana, é... Na verdade, depois, só com o tempo, só quando você escreve. A frase do Saramago eu uso sempre. Você só vê a ilha quando sai da ilha. E você finaliza o livro praticamente com essa frase. Eu adoro. Você precisa de um tempo pra olhar para a situação para ver a situação do tamanho que ela é. Porque quando eu estava vivendo a experiência na pele, o burnout hoje é uma lembrança. Na época ele estava latejando no meu corpo. Você se pergunta muito por quê? Por quê? Por quê? Por quê? A culpa vem assim de todos os lados. E depois é que eu entendi que eu Precisei viver o que eu vivi pra hoje poder falar com quem eu falo. Pra poder prevenir o que eu vivi. Porque nós jornalistas, às vezes, não podemos escolher o que vamos falar. Todas as emissoras que eu passei, por exemplo, me davam demandas e eu ia atrás delas. Dificilmente eu tinha autonomia para investir tempo em um assunto. E Deus me deu o assunto pra falar. Saúde. Saúde mental é saúde. E nós também estamos em outro momento da sociedade em que falar sobre síndrome de burnout é falar sobre um problema hoje no Brasil para 20 milhões. Então, será que é exceção? Será que isso é uma frescura? Dizem que frescura e mimimi é aquela dor que você ainda não sentiu, que você só está vendo a dor no outro e você fala assim, nossa, é frescura, até que você sente e você realmente entende a dor daquela situação. Mas enfim. Sim, hoje, dois anos e pouco depois, eu consigo entender que eu precisava viver o assunto, fazer as conexões, juntar com as informações que eu já tinha e hoje falar sobre saúde. Então hoje, A minha missão, então, aqui Brechowchick da Carol tá dizendo, querida, é falar sobre prevenção. Que é a coisa mais linda. Tenho certeza que você também contribui para milhares de mães a seguirem o caminho de esperança. Flexibilidade, tentativa. Porque se a gente não tentar, quem perde tempo somos nós. Que o tempo vai passar da mesma maneira. Você agarrado lá com as suas dores, com o seu excesso de bagagens ou não. Adriana, eu então acho que o seu livro é pra quem tem sentimento. Porque quando me perguntam o meu livro é pra quem? Pra quem tá vivo. pra quem quer viver um tempo de qualidade. Não é sobre burnout, não é sobre a minha história, não é nada disso. Tem lá o que eu aprendi com isso, que é uma das consequências dos novos tempos. Mas o seu livro é pra quem tem sentimento. É pra pais, mães, para amigas de mães que ainda não têm filhos. É fantástico, fantástico. Eu já falei pro meu marido, eu falei, ó, faz favor de ler esse livro agora. Agora já vai colocar na listinha. Faz favor de ler esse livro porque, assim, Sou a mãe dela, é pra quem tem sentimento. Então, vale a pena demais a leitura. Adriana Araújo, nosso tempo.
Tá acabando. Muito obrigada. Adorei também, adorei. Uma pena não estar com o seu livro aqui na minha mão, mas tô lendo ele direitinho pelo computador, porque eu tenho certeza. Tá aí, dá.
Um tempo. Deu uma travada aqui pra mim, deixa eu ver se a Adriana tá voltando Espera lá Voltou, começou a chover aqui, aí.
A internet... Começou a chover forte aqui também, uma chuva forte Mas foi bom demais, viu? Muita sorte, muita luz em 2021, muito amor, muita coisa boa Quando as coisas estão difíceis é quando a gente mais tem que mentalizar e desejar coisas boas para os outros e para si próprio. Eu acredito nisso, pratico, e o meu livro é um livro de esperança. De amor, de esperança, de gratidão. E eu estou feliz que as pessoas estão entendendo isso. Obrigada demais pelo papo tão.
Bacana, viu? Eu gostei demais, conte comigo. Desejo que você tenha tempo livre pra colocar mais vida no seu tempo. Um beijo pra Giovana, não a conheço pessoalmente, nem você. Espero que em breve a gente possa tomar um café bem gostoso com pão de queijo.
Ah, vamos. Depois que passar tudo isso, depois da vacina, a gente vai conseguir.
O tempinho. A gente pode chamar Mauro Palermo, porque sem ele o meu livro não teria nascido. Ele não desistiu de mim nem um.
Minuto. Sabe? Não, querido. A mãe dela é também.
Resultado dele. Também é filho do Mauro. O meu também é filho do.
Mauro total. E do Samora, o Guilherme Samora, meu editor, que eu sou apaixonada. Ele abraçou o livro. E olha só como os preconceitos estão, como a gente o tempo todo tem que pensar sobre os preconceitos da gente. Quando o Mauro Palermo falou que ia levar o meu livro para um editor, um homem, a primeira coisa que eu pensei foi assim, puxa, mas é um livro de mãe, será que um editor homem? Eu já fiquei assim, talvez não.
Dê.
Certo. Total. Aí depois ele falou que era o editor do livro da Rita Lee, que eu já tinha lido e tinha adorado o livro da Rita Lee. Aí eu me senti, falei, puxa, o editor da Rita Lee, opa. Mas ao mesmo tempo eu pensei assim, rock and roll, livro de mãe, será que ele vai gostar? Você fica assim com essas bobagens pré-conceituosas, né? Mas ele leu o livro e abraçou esse livro de um jeito, ele entendeu esse livro, ele abraçou o livro, ele me abraçou nesse processo de fazer virar um livro. E ele é maravilhoso. Sabora!
Te amo. Eu também vou dizer um eu te amo pro meu editor maravilhoso, o Lucas de Sena, que ele chegou já no livro, já no período, porque teve muitos períodos de pausa na escrita. Então a gente pode chamar pro nosso café Mauro Palermo, o Guilherme Samora, o Lucas de Sena e a Camila Ranun, a Bruna, a Monalisa da Comunicação. Aí nós vamos jogar todos os.
Nossos filhos. Mas tem.
Um cafezão. Adriana, obrigada mais uma vez e que o tempo sempre esteja a.
Seu favor. Obrigada demais e foi ótima a.
Conversa, adorei. Até breve.
Se quiser. Um 2021 com surpresas maravilhosas pra você e.
Elas virão. Pra nós. Tchau, tchau. Pra você que está nos acompanhando, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Ao escolher estar aqui, você escolheu não estar em outras conversas, em outras prosas, em outras lives. E, na minha opinião e na opinião de todos que participaram do livro, só tem uma maneira da gente viver um tempo de qualidade. Sabendo escolher. Então vocês que escolheram estar aqui conosco, muito obrigada. Que seja sempre um tempo de qualidade pra vocês. Tchau, tchau.
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