Uma troca incrível pra gente falar sobre autocuidado, prosperidade ... com @askmebyfefiorito

Fernanda Fiorito and Isabela Camargo talk about burnout, mental health, and self-care. They discuss why setting boundaries matters at work and home, and how societal pressure makes it harder to actually rest.
Chapters
Gente, voltei, porque o Wi-Fi estava muito ruim. Voltem aí, vou chamar de novo a Isa. Ô, Isabela, estava muito ruim, minha querida. Vou te chamar aqui de novo. Vamos nós aqui. Espera aí, pessoal. Vão entrando. Melhora, porque o jeito de ler estava muito estranho. Agora a Isa está voltando? Vamos ver o que acontece. Mudei aqui o Wi-Fi. Pronto, ida. Acho que vai melhorar, minha querida. Deu uma caída no Wi-Fi. Até na CNN cai, né? Por que com a gente não vai cair?
Mas olha, antes... Ou a gente vive de passar tensão, mas a gente tem que aprender. Acho que, na verdade, a maior lição é quanto mais a gente lidar melhor com os imprevistos e os improvisos, melhor. Porque o ETA fora do nosso controle, né? Você sabe que o outro dia eu lembrei?
A realidade é que a gente não tem o controle. Saber lidar com eles é o principal, né?
A certeza é que a gente não tem certeza de nada, né? Aff, Maria. Eu tô quase pegando um bombril. Lembra que a gente colocava bombril na antena? Tô quase trazendo um bombrilzinho assim pra deixar perto. Vai, né? Aqui.
Você tá em São Paulo, Isa? Porque você tá na banda agora, né? Todo dia de manhã. E como tá lá o trabalho? Conta pra mim.
Muito legal. Muito legal. Eu tô fazendo um jornal das 7 às 8 da manhã que vai no rádio e na internet. Hoje tudo é híbrido e que bom. E é muito bacana porque eu divido a hora com o Nelson Gomes, que é um apresentador que foi muito responsável pela minha entrada no Hard News, inclusive no Band News, e aí a Band me chamou, fiquei muito feliz. Esse voto de confiança para um jornal que existe há 58 anos me deixou feliz demais.
Muito, mas eu tenho certeza que é uma consequência de um trabalho que você vem fazendo, de um amor por você, de uma consciência do que você quer para a sua vida, porque senão também qualquer coisa era qualquer coisa e não. Parece que chega a coisa na hora certa, da maneira que você queria. É incrível isso. Quando caiu, a gente estava falando da aflição que eu tenho, de ver as pessoas, como eu também já fiz, só na hora do desespero, procurar ajuda. E ter uma coisa séria e passou e depois esquece. Pra você, com o burnout, que é uma coisa que parece que tem que se cuidar sempre, você não pode ficar naquela vibração de novo de pauleira, de alcoólico, de não falar não, porque senão vai voltar, não é isso?
Isso, isso. Poucas pessoas acreditam em cura total. Até essa semana, né, que eu tô numa semana especial de live sobre o assunto, Reacenda, de história de superação e pra gente atualizar as ideias, né, que eu falei mundo novo com ideias antigas não rola, a gente tem que atualizar essas ideias. E, por exemplo, uma psiquiatra super estudiosa no assunto fala que não existe cura. Porque cura não está dentro... Porque ela disse, a cura você só tem quando você chega na origem. Ela usou até um exemplo da bactéria. Você chegou na bactéria, pronto. Acabou com a bactéria, acabou com o problema. Está curado. No caso de um problema multifatorial, que é o caso do burnout, não é causado por uma coisa e nem de um dia para o outro. São várias coisas, por vários períodos. Aí você tem um colapso, uma pane, uma estafa, né, como foi dito. Agora, o burnout é diferente da estafa. Ontem mesmo o desembargador Sebastião Geraldo me deu uma entrevista, desembargador lá de Minas, Ele falou assim, né? Uma coisa é você tá cansado no final de semana, no mês e tal. Outra coisa é você viver uma vida assim, meses, anos, até que aí o corpo realmente vai fazer uma pausa mais brusca. Ele até usou o exemplo da câimbra. Olha que loucura. Ele falou assim, então, se você tem uma câimbra, o que aquilo tá te dizendo? Para um pouquinho, senão o seu corpinho não vai conseguir. E aí eu entendi que o burnout é uma grande câimbra no cérebro. Porque aí você é obrigado a parar. Porque o seu corpo já te avisou milhares de vezes. Pelo estômago, pelo coração, pelo rim, enfim, pelo seu órgão mais vulnerável. Então, essa pausa, ela vem pra te ensinar algo. Nenhuma doença é punitiva.
A gente tá no corpo gritando que a alma não tá aguentando.
Isso, a doença ela é pedagógica, na minha opinião. Hoje eu vejo isso. Na hora que você vive uma situação como burnout, você vive várias fases. E a primeira fase é a fase da não aceitação, do vitimismo. Depois você vai entendendo que por ser multifatorial, você também deixou o limite extrapolar. A gente estava falando antes, inclusive, como é que coisas, como é que problemas de saúde, que tem milhares de números, validações, gente séria falando, tem gente que ainda fala que isso é frescura. Então, tudo que a gente não vê, você acha que você está inventando. E isso não é só pro burnout, pra depressão. Isso é pra fibromialgia, pra dor na coluna, pra TPM, pra cólica menstrual. Então a pessoa fala assim, você fala assim, eu trabalho com você. Eu falo, Fer, eu não tenho condições hoje de trabalhar. Aí uma pessoa do lado fala assim, será que não tá inventando? Será que tá com tudo isso de dor mesmo? Porque nós não temos empatia por aquilo que a gente não vê, ponto. Mas, nesses últimos tempos, o que eu tô descobrindo? Aquilo que a gente não vê é muito maior do que aquilo que a gente vê.
Nossa, mas não tenha dúvida. A gente sabe disso, né?
É. E aí, moral da história, se na Revolução Industrial eu via as câimbras, porque eram na musculatura, eu via os problemas físicos, agora eu não estou vendo os problemas físicos. Porque eles estão acontecendo aqui, dentro dessa caixa maravilhosa chamada cérebro, que é responsável por tudo. Então, a gente tá falando de um problema sério que atinge quase 20 milhões de brasileiros.
Nossa, eu vi ontem na sua live. Que loucura, né?
Duas vezes a população de Portugal. Então, eu tenho que considerar que essas 20 milhões de pessoas estão inventando. Ah, eu acho que não. Não acho que seja frescura. Se não, a gente vai ter que falar lá com a turma da Organização Mundial da Saúde, que eles também erraram em incluir a síndrome de burnout no Código Internacional de Doenças. Então, moral da história. Eu vejo isso muito nas palestras. Eu vou, falo, falo, falo, falo, falo, falo. No final, perguntas e respostas, alguém pergunta assim, mas como é que eu vou explicar isso pro meu chefe que acha que não sei o que? Ué, você tem os números, você tem os fatos. E para os líderes que estão aqui nos acompanhando, ou que ainda vão acompanhar, se você me permitir eu coloco lá no YouTube.
Por favor, por favor.
A gente já tem dado o suficiente pra sair dessa, sabe, dessa pequenez.
É, muito primitivo. Estamos ainda muito no primitivo, né? É lutar ou morrer. Então, ou você luta por aquele trabalho, você acha que não vai ter mais nada, ou não vai ter aceitação. Tá muito no tronco cerebral que a gente trabalha, que é aquele cérebro reptiliano, que é lutar ou morrer. Então, quando a gente entende isso, né? O cerebrotrino tem toda essa história. A gente tá muito no primitivo por conta de orgulho e querer fazer parte de uma sociedade.
Então, mas nesta sociedade, o que nós temos? Uma ilusão de performance integral. Então, você tem que performar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ai, só uma pausa. Olha quem tá aqui, o Marcos Rossi! Querido! Pra quem ainda não conhece o Marcos, vocês precisam conhecer a história do Marcos.
O Walter tem que conhecer também ele, pra Do For Them.
Total! Total!
Total!
Então... Então, inclusive o Marcos tem uma frase, só fazer um parênteses, eu tava falando da performance, tá? Vou até anotar aqui pra depois não esquecer, que tem tudo a ver com o que nós estamos falando desse mundo atual. O Marcos tem uma frase, foi quando eu o conheci lá na Avenida Paulista e usava uma camiseta, né, dizendo, é... pare de reclamar.
Olha, gente, é demais.
Pare de reclamar. E aí, eu me lembro dele estar cantando uma música.
Eu já falei com ele, já entraram em contato.
Ele é de Paris. Isso. E aí, pra quem tá aqui, só visualiza. Como diz o Rick Shaster, pega a visão. O Marcos tava cantando. O Marcos, pra quem ainda não o conhece, ele não tem braços e pernas. Mas ele tem muito mais coisas do que qualquer pessoa que tem braços e pernas tem. tem coragem, tem garra, tem esperança, tem entusiasmo, tem bom humor. E aí ele acabou de cantar. Eu não me lembro se foi a esposa, se foi um amigo ou uma amiga que veio e deu água pra ele beber. Eu fiquei olhando aquela cena, eu pareço e eu falei, meu Deus do céu. A gente se perde em picuinhas, em coisinhas e esquece realmente da nossa essência, a gente se perde, o burnout é isso, a gente se perdeu em algum momento. mas tem o caminho de volta sempre. Então acho que o Marcos entrou aqui pra gente falar sobre isso, como ele é inspirador, como ele transforma a vida de quem passa pelo caminho dele. Aí, Fê, então vamos lá. A gente está falando sobre esse mundo e as consequências dele. Então a gente vive em que planeta? Disponibilidade integral, 24 horas, 7 dias por semana, vista camisa, tudo a qualquer custo, doa quem doer, metas que você bate uma, você nem comemora, você já vê outra. Eu participei de eventos de vários tipos de empresa que era assim, convenção da empresa. Parabéns, nós conquistamos, uau, mas olha, ano que vem, uma meta. 25% maior, eu tenho certeza que todo mundo vai. Então assim, gente, não me venha falar que o perfil de quem tem o burnout, né, que inclusive falam, e eu fico muito triste, né, que é uma pessoa perfeccionista, uma pessoa comprometida, uma pessoa responsável. Eu falo, gente, mas isso é aquela crítica positiva. Isso é aquela crítica positiva. Na hora de te contratarem vão considerar muito isso. Mas aí eu faço mais um contraponto. Sim. Especialmente quem ama o que faz, quem é muito comprometido, tem muito mais chance de desenvolver a síndrome de burnout, porque não vai haver problema num trabalho a mais. Não vai haver os malefícios a médio prazo. Essa semana mesmo, todos os profissionais que eu estou entrevistando, todos foram profissionais precoces. Uma moça que foi de estagiária sócia da empresa, a outra que começou ontem mesmo, psicólogo, né, trabalhou e estudou 10 anos pra sempre ter cargos maiores, liderava 400 pessoas, teve burnout, ele falou uma coisa que eu sei é que eu não quero mais ser chefe Então são pessoas incomprometidas que vão estudar bastante para trabalhar cada vez mais. E nesta ilusão da performance integral, a gente se perde. Porque aí você abre mão de coisas muito importantes para você, que aí entra o autocuidado, tá? Se der tempo a gente fala sobre isso. E você só vai usar sua energia para trabalhar. Ponto.
As pessoas deixam a vida pelo trabalho, mas aí quando você vai a fundo, Como eu, como terapeuta, né, e hoje estudante da psicanálise, que eu tô enlouquecida com tudo isso que só vem a agregar, a gente vê que onde tem sintoma, há causa. onde tem sintoma, a causa. Tem que ser diferente. Então, começar a perceber, dá pra evitar muita coisa. Esses adolescentes, eu era de vestir a camisa e sofria pela empresa e não era uma coisa ruim, mas quando eu tive as crianças e optei por cuidar, de um período de idade deles que era o meu sonho, eu falei assim, eu só consegui ficar bem porque eu tinha palpitação, com ânsia de querer viajar. Eu só consegui me acalmar, Isa, quando eu entendi que eu ia ser a CEO da minha casa. Eu vou vestir a camisa dessa casa. Essa casa é a minha empresa.
Perfeito. Não é?
Isso que eu tento passar para as pessoas hoje, mas eu precisei entender, não era uma coisa ruim, eu não era menos que ninguém, que nenhuma mulher que trabalhava fora. A gente precisa, dentro de nós, porque a sociedade em si, ah, mas você tá no clube, ah, mas você não faz nada, mas o que você vai fazer hoje à tarde?
Não faz nada.
Então, a gente hoje em dia, na maioria das vezes, das pessoas, a gente tá muito preocupada com o julgamento do outro.
Sim.
Não com o bem-estar do outro. Hoje, eu não ligo pro julgamento do outro, mas eu tô muito mais preocupada com o bem-estar das pessoas. E a gente acaba... O que a gente faz? A gente troca. Tem que haver essa troca. Julgar menos e cuidar mais. Você pode não concordar, mas você tá preocupada, você vai zelar por ela, você vai... Né? É um autocuidado até pro outro. Mas por orgulho, por medo, a gente só quer pensar no que a pessoa vai falar. E isso, pra chegar no burnout, é um motivo. O que vão falar de mim?
Eu não dei conta Sim, você vive durante o diagnóstico e no pós, um momento muito difícil Em que além de você estar convivendo com algo que você não sabe Porque ninguém escolhe estar, ninguém escolhe viver uma experiência com burnout. Ninguém escolhe, agora eu vou começar meu caminho pra depressão. Agora eu vou começar meu caminho pra fibromialgia. E aí você lidar com o que ninguém está vendo, te traz uma outra dor, que é a da incompreensão. da falta do acolhimento, do julgamento, da pressa que as pessoas têm ao dizer assim, levanta dessa cama, resolve, volta e tal. É muito complexo. Inclusive, por ser um profissional de alta performance, que é o caso da maioria das pessoas que tem burnout, você se sente muito, muito vulnerável e aí você cai numa cilada, que é a de voltar rápido. mesmo não estando preparado. Ou de aceitar um novo trabalho, mesmo não estando preparado. Porque é aquilo, né? Bom, já estão me achando fraca, já estão me achando doente, né? Eu já tenho um problema que chamam de transtorno mental. A gente vive numa cultura em que tudo relacionado à saúde mental dá a impressão que eu sou louca. Como se o mundo estivesse normal. Como se todo mundo estivesse super bem. Então, é muito julgamento. E lidar com isso, Fê, É bem pesado. Eu não desejo pra ninguém. Ninguém, ninguém, ninguém. Então, eu... Se eu puder todos os dias conseguir chegar em um coração, eu já tô feliz. Mas sempre dizendo, ó... É um caminho. Não é de um dia pro outro.
Não é, não é. E agora assim, tem muita gente aí compartilhando com a gente que não dá mesmo para viver em função dos outros. A gente pode adquirir com trabalho em casa o burnout? Acho que alguém está perguntando isso.
Eu entrevistei a semana o advogado o professor Marcelo Valio, que é, perdão, o autor do livro O Burnout e a Responsabilidade do Empregador. E ele diz que agora, bom, primeiro, o burnout está relacionado ao trabalho, ponto. Se você desenvolver qualquer outra coisa, vai se chamar qualquer outra coisa e não será no ambiente de trabalho. No ambiente de trabalho chama burnout, que é um acúmulo de excesso de trabalho por longos períodos. Vou repetir. Acúmulo de excesso de trabalho por longos períodos. Fer, vamos subir o Everest? Vamos superar os nossos limites físicos? Vamos, a gente vai se preparar pra isso. Um dia a gente vai subir, vai descer e vai curtir aquele projeto. Se eu subir o pico do Everest todo dia, o que vai acontecer comigo?
Ficar exausta.
É isso que eu quero dizer. Não, eu vou me machucar, eu vou ficar muito mais vulnerável, eu vou me colocar com muito risco. Eu vou aumentar os riscos aí da minha saúde. O burnout é a mesma coisa. Você pegar um projeto, um final de semana, um mês ou seis meses, você se dedicou e tal. Beleza, agora fazer disso um modelo de vida não rola. Não rola. Ontem o... O desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira, ele me falou uma frase, que eu vou repetir aqui pra vocês, maravilhosa, em que ele falou assim, qual o contexto de trabalho que nós vivemos? Desembargador, qual o contexto de trabalho que nós vivemos? Tenso, denso, intenso e extenso?
Nossa, não tem fim.
Então assim, aí eu vou achar que tá tudo normal. Aí, voltando, eu posso desenvolver o burnout dentro de casa, trabalhando, em home office, muito mais do que você trabalhava no escritório, sim. E aí, por que que eu falei? Porque os advogados, tudo isso ainda tá sendo elaborado, né? As pessoas ainda estão identificando, porque é tudo muito novo, né, Fê? Você tem pessoas que trabalham em burnout em home office há muito tempo. Mas nestas condições, com esta cobrança, com esta pressão, é tudo novo. Então, como a legislação vai conduzir o burnout que foi adquirido dentro de casa, eu não sei. O que eu sei é que o burnout é adquirido no ambiente de trabalho. Desenvolvido, né? Porque adquirido parece que é uma coisa boa.
Agora assim, dentro das coisas que você aprendeu, hoje você quer plantar a sementinha nas pessoas de que precisa esse autocuidado contínuo também, não é só no período da crise, né? Sim Então, mas você conseguiu chegar nisso depois que você entendeu crenças limitantes que te limitaram naquela época a chegar nesse ponto? Isso E qual é a relação que você tem dessas crenças? Por exemplo, uma das crenças, não conseguir falar não, por exemplo É uma dificuldade de, acho que na grande maioria, falar não, né?
Porque nos é colocado como apenas negativo. E o não é positivo, é preventivo. E quando você é criança, o não é não faz isso, não faz aquilo e tal. E aí tem uma outra coisa que uma psicóloga me disse há muito tempo, que é o seguinte Nós temos a impressão que se você disser não pra alguém, você já está se colocando numa posição de, nossa, mas aí o que ela vai pensar? Eu não vou ser mais bem-vindo nesse grupo, eu não vou ser bem querido, aí eu vou me sentir rejeitada. Então, esse não é uma das crenças que a gente cresce ouvindo e você vai validando, até que em algum momento você fala, não, agora parou. Como outras crenças, né, relacionadas a dinheiro, ao próprio trabalho, né, uma que eu adoro, aliás, outro dia eu ouvi no evento e eu até arrepiei assim, ah, o couro cabeludo, que um grande executivo palestrante, ele falou assim, ah, ninguém morre de trabalhar.
Nossa, ou se morre.
Aí eu falei pra ele assim, senhor, o termo caroche existe no Japão e o governo paga indenização pra vítimas desde 80. Na China tem outro nome, aqui no Brasil ainda ninguém teve coragem de dar um nome pra quem tem morte súbita por excesso de trabalho. E aí tem outras crenças, né, Fer? Não leve trabalho pra casa.
E agora? E agora?
E outras tantas. Total. Não, e o... Como é que tem uma outra? Ah, devagar você chega longe. Se a gente vive num mundo express, em que os nossos contratos de tempo são cada vez mais velozes, você manda uma mensagem pra pessoa e ela não te respondeu, você já fala, nossa, mas por que que não respondeu? Não respondeu porque não conseguiu responder, porque tá fazendo uma outra coisa. Então, aí entra, se eu não disser não, para este modelo de comunicação atual, eu vou enlouquecer. O Cortella não usa WhatsApp.
Tem muitas questões da infância de rejeição que cria essa coisa de aceitar tudo por causa da sociedade, que a gente quer ser amado. O que a gente mais quer? Ah, ser desculpado, ser amado. Então uma das coisas que eu queria aqui deixar muito claro, plantar eu aqui com você essa sementinha que você já me indicou também umas pessoas que eu tô cuidando, tô muito grata Mas assim, o falar não é essencial porque esse não é um livramento, é um sim pra você, pra outras coisas né?
Agora veja, é essa falta de não que te leva pro burnout Simples.
E pra outras coisas, né?
Porque quando você... Quando alguém te diz assim, Fer, parabéns, você fez um excelente trabalho, então agora eu vou te dar mais um trabalho. Ou eu preciso que você faça tal coisa. Você vai achar aquilo máximo. Vai falar, nossa, bateu no bolão, né? Sim. E aí você não vai falar não. Ou porque você tá achando que realmente vai ser uma coisa muito boa pra você, que é mérito e tal, aquilo vai ter um retorno. Ou porque você vai ter medo das retaliações de um não. Então tem uma série de fatores que vão te levar para a negação do não Sim, o medo da rejeição, o medo do que vão dizer, o medo de alguém dizer sim E eu tenho um monte de exemplos pra te dar de situações em que quando eu me dei conta e disse não, outras pessoas fizeram muito naturalmente Ótimo! Elas têm uma biologia diferente da minha É, tem uma biologia diferente e bom.
Que bom Aqui o André tá falando, o André é um cliente meu e hoje ele é terapeuta em EFT Tenho muito orgulho dele, o não é uma imposição ao seu limite É isso aí. Como aprender a falar não? Como aprender a falar não? Cuidando dessa criança que foi rejeitada, cuidando do medo que te paralisa, né?
Eu acredito... Tainá393 Vitória, eu treino não. Quando eu tenho oportunidades nas palestras, o que é treinar o não? Quando você receber um convite e, assim, dizer não pra uma coisa que você não quer, é fácil, viu, gente? Eu quero ver dizer não pra uma coisa que você quer. Se Fernanda me chamar hoje e dizer, Bela, hoje é dia da pizza, vamos comer pizza em casa e tal, e eu tiver um compromisso amanhã cedo, eu amo você, Fernanda, você acha que eu não quero estar na sua casa comendo uma pizza? Mas eu vou ter que te falar, Fer, adorei o convite, mas hoje, hoje, eu não posso. Um trabalho a mais. Chefe, Obrigada. Muito obrigada. Tô esperando isso há muito tempo. Mas agora, outra palavrinha, agora eu não consigo. Por enquanto eu não posso. Eu estou cuidando de alguém da minha família, então por isso eu não vou conseguir fazer horas extras. Então você tem que treinar ou não. O Bernardinho, o técnico de vôlei, ele me disse pro livro que vai sair em breve, hein Fê? Tenho que te falar isso depois.
Oba! Vamos comer muito!
Muito! Muito! Com pizza e vinho. Não quero nem saber. O Bernardinho falou assim pra mim. Se uma coisa tá difícil, é porque você precisa de treino. Se uma coisa está difícil, precisa de treino. Então, por que eu gosto do treinar o não? Porque você precisa, pelo menos, pensar em dizer o não. E aí, gente, treina o não com pequenas experiências. Não espere chegar uma situação com o seu chefe, uma coisa assim cara a cara. Vai treinando o não, não os menores. Os seus amigos, os seus familiares são excelentes caminhos pra você treinar com elegância, com respeito. Porque o que adianta você respeitar o outro se você não se respeitar? E o não pro outro é um sim pra você, isso parece meio clichê, mas é. É fato. Todo clichê é clichê porque é verdade. Mas assim, é medir também, Fê, eu já vou encerrar. As consequências de mais um sim. Então o que você prefere? Treinar ou não e ver o que aquilo vai produzir na sua vida? Ou continuar com aquele resultado que você já sabe que não vai ser legal?
Eu tava assistindo uma live da... Como chama aquela? Uma artista da Globo falando que ela começou a fazer máscaras em Miami, né? E a Carolina Dickmann, Carolina Dickmann, tá, Sal? E ela falou, gente, nesta pandemia Eu achava tão estranho antes, no avião, eles falarem, primeiro você coloca a máscara em você, depois no seu filho Ela falou, gente, isso pra mim era uma loucura Como que eu vou colocar primeiro a máscara no meu filho? Era o instinto de mãe, né? Aquela coisa E ela falou, agora eu entendo, porque se eu não cuidar de mim, se eu não der conta do que eu tava quase pirando com essa pandemia, dias eu tô bem, dias eu não tô, eu não ia conseguir dar conta das crianças, dos meus filhos, do meu marido Então eu acredito muito que a pessoa precisa chegar no limite dela pra ver, porque tem muita coisa aí que é real e que a gente sabe, mas o inconsciente ainda não tá ligado Ela falava que achava uma coisa muito estranha, de imaginar que eu ia ter que primeiro cuidar de mim e depois do meu filho. Você percebe? Uma coisa tão...
Outra crença. Outra crença. Porque parece que se você cuidar de você, é egoísmo. E a gente, especialmente as mulheres... Uma.
Mãe ruim, que tô pensando primeiro E.
A gente, especialmente as mulheres, tem muito mais esse espírito doador do que receptor, né? Você se doa, você faz, você não sei o que, aí surta, aí surta. A pesquisa que saiu recentemente da Associação Paulista de Medicina, falando com 1.900 médicos de todo o Brasil, com características de burnout, a maior parte é de mulher. Nossa.
Tem que fazer tudo.
Super mulher, super... Então, tem um monte de caminhos pra gente falar sobre isso, mas o não tá muito evidente porque a gente tem medo, porque você cresce ouvindo que falar o não para um trabalho, falar o não para uma pessoa que tá te, de repente, oferecendo uma oportunidade. Meu Deus, como isso é difícil! Treina!
Treina. Eu estou ficando muito feliz com os feedbacks, com a terapia da EFT, limpando as crenças de clientes, homens e mulheres, falando eu consegui falar não, eu não quero ir hoje, eu vou amanhã, eu não posso pegar mais esse projeto. O salário diminuiu, eu estava com uma cliente que diminuiu 40% o salário, eu fiz 60% E a empresa querendo dar mais projeto pra ela, quero que você seja a líder desse projeto. Aí o superego faz assim. Quando a gente trabalhou, ela ligou e falou, eu não quero pegar esse projeto. Eu tô com meu filho, eu preciso fazer a lição de casa dele, ele tá com lição atrasada. Ela não conseguiria falar, mas ela tinha todas as crenças que tiveram que ser limpas antes. E ela falou, Fê, falei normal. Ele falou, ó, o que eu posso falar pra você? O chefe falou pra ela, o que eu posso falar pra você? Vai cuidar do seu filho, lógico Mas a gente cria, né, que vai ser mandado embora, que vai... E se foge também, que é o melhor, né?
E outra coisa, o que é real, o que é imaginário? Eu tenho pensado nisso todos os dias. Que vem junto com o que vão pensar de mim. Olha, são 7 bilhões de seres humanos neste planetinha azul. Então são 7 bilhões de pessoas com seus repertórios, experiências, traumas, crenças e tal. Então não vai dar. Não vai dar. Deixa eu só dar um beijo aqui, Fer, pro Odiair. Odiair trabalhou comigo lá em Brasília. Um fofo, um querido, um ser humano maravilhoso. E tá aqui com a gente. Nunca tinha visto Odiair em nenhuma live minha. Olha que danado. Que bom que tá aqui.
Você sabe que eu atendi, eu fiz sete dias consecutivos de FT. Jornada da FT. Pra desmistificar o que é o tapping. E num dos dias eu falei, gente, eu vou receber uma pessoa online aqui Você acredita que foi a Maria Parecida que assistiu a nossa primeira live?
Que legal! Ótimo!
Ela falou que você conheceu, ela falou na live com a Isabela Camargo Olha, que chique! E fizemos, e foi bárbara, ela tava com uma cena de pânico, ela é enfermeira, e conseguimos até tirar essa energia ruim que é química, que é aquele imaginário na mente dela que tava super aumentado, e ela vivia o medo e tava se acabando hoje. Olha que maravilha, umas conexões, né?
Sempre. Ô Fêra, agora uma coisa importante, eu tô vendo aqui que só tem 10 minutos. Quando eu falo sobre o burnout, algumas pessoas falam assim, nossa, mas você fica procurando o problema. Pelo contrário, eu estou querendo prevenir o problema. Outra coisa, ah, mas então o mundo agora é cor de rosa e ninguém trabalha mais. Ninguém está falando isso. O que eu estou falando é outra coisa. É pra você continuar produtivo, colocando o seu dom a serviço do mundo, mas sem adoecer. É produtividade com equilíbrio. e não produtividade com doença, porque aí, a longo prazo, o corpinho não aguenta. Então, eu estou falando sobre produtividade e equilíbrio. Ponto.
E mesmo quando você faz o que você ama, por exemplo, o meu caso Hoje eu tô vivendo o meu Ikigai Você, jornalista, ama o que faz, né? Mesmo assim, a gente fala, eu tô indo de férias semana que vem Foi um caso real, e eu prego isso pras pessoas Eu fiz um exercício meu, eu não vou atender ninguém Mas eu fiquei assim, ó, atendo ou não atendo? Botei o dia inteiro, eu gosto muito Fiz muito tapping, e eu naturalmente Falei para todos os meus clientes, semana que vem eu não vou estar, eu só vou fazer uma live que está programadíssima com uma diretora de RH, de multinacional, que aliás já me contratou para uma empresa, agora ela está em outra, e é uma diretora de RH que depois eu quero até que você conhece, porque ela cuida de muita gente. E ela quer levar isso para as empresas, ela cuida da gente, das pessoas que trabalham para ela. Então precisamos de mais diretoras de RH sim, né?
Super, super. Sábado, inclusive... Sábado amanhã, no caso. É que vai ser o último dia da Reacenda. Eu vou conversar com a Hanna Figueiredo, que produz conteúdo pra uma página muito interessante, que é amiga do RH. Ela é gestora de RH, também profissional precoce. Começou de estagiária até virar mega gestora. Nós vamos falar disso, porque o RH também tá perdido, óbvio. Por que o RH não estaria perdido se o mundo está perdido? Está todo mundo tentando se encontrar em tantas mudanças. Outra coisa, Fê, é que os números que a gente falou lá no início, agora eu lembrei. As empresas que têm plano de saúde para seus funcionários têm os dados que vêm da própria empresa do plano de saúde. Então dá pra você saber, dá pra você prevenir o burnout e outros problemas ocupacionais. É só querer olhar, né? Porque às vezes você está com olhos e não está enxergando o que você precisa Ou você não quer, né?
Não dá conta, é tanta atividade que não tem aquele olhar, olho no olho, acolhimento Precisa de algo a mais nas empresas, tem muita empresa se abrindo pra isso Eu fiz uma palestra online com o consul da Austrália, você precisa ver que grata O consulado da Austrália aqui na Alameda Santos tem sete pessoas no escritório e ela me ligou e falou, Fer, eu tô curtindo o seu Instagram, eu quero entender e o consul tem uma verba para gastar com isso, com cuidado da equipe. Eu fiz uma palestra e fizemos rodadas de tapping.
Que legal.
Mas você não sabe que graça. Então, é ter uma mente aberta, né? É. dar para o outro também dentro das empresas. O meu foco muito sempre foi nas empresas, porque eu sempre trabalhei multinacional e as pessoas estavam muito mal, Isa. Muitas tiveram burnout, acho que nem souberam que era burnout.
Eu vejo muito o relato de pessoas que tiveram... Outro dia eu conversei com o Fernando Gabbas, por exemplo. Ele teve um aneurisma e ele me contou o pré-aneurisma. Eu falei, mas você percebeu o que aconteceu? Foi o burnout. Aí você não para. Aí você continua. Vem AVC, vem aneurisma, vem infarte. Eu não tô falando isso da boca pra fora. Eu tô falando isso por experiência de causa, por ter ouvido muitas pessoas, dezenas de milhares de pessoas. Então, qual vai ser sua câimbra. Qual o freio que você quer? Você quer um freio que ainda dá pra recuperar ou você quer um freio que vai botar... é um fim na sua trajetória? Então a gente vai ter que escolher de qual estatística vamos fazer parte. É a gente que escolhe.
É isso, minha querida. Eu espero que com essa conversa gostosa você tenha se prontificado. Esse tempo que eu sei que seu tempo é muito precioso.
O nosso. O tempo de todo mundo é precioso, Fê. Todo mundo.
É verdade, eu tô cada vez mais dando valor pra isso. Então, semana que vem estou de férias. E só vou fazer essa live com essa diretora que é uma querida e que eu faço questão. Mas assim, você ser dona da sua agenda, né? Não que a gente não faça entrevistos, mas é uma mentoria, inclusive, que eu criei através do autoconhecimento e do tapping. Você conseguir gerenciar a sua agenda numa empresa, fora de uma empresa, trabalhando em casa, como qualquer coisa, você tem que ter a sua rotina. E a importância de eu aqui plantar essa sementinha?
Eu vim com uma camiseta especial pra você. Olha o que tá escrito aqui.
Fragile. Fragile.
Por quê? Porque somos frágeis. Somos frágeis. Acho que todo mundo aqui pode imaginar o que é um vidro. Então tem um vidro que é mais grosso, tem um cristal que é mais fino, que você pegou pode quebrar, um monte. Mas cada um tem a sua fragilidade. Dependendo da força que eu colocar, um cristal vai quebrar na hora. Dependendo da força que eu colocar, esse copo vai quebrar na hora ou vai demorar pra quebrar. Eu tô querendo dizer isso, gente, porque é o seguinte, quem olha a gente aqui maquiada e tal, falando, dá a impressão que, nossa, essa pessoa é assim ou assado. Não, eu não sou melhor nem pior que ninguém. Eu só vivi uma experiência e que a partir dessa, por ser jornalista, eu trago informações. Sim. Então, eu espero, como eu tenho dito, as palavras são sementes e se fez sentido pra vocês que estão aqui, compartilhem, porque essa é uma informação que todo mundo precisa ter. Qual é? Lembrar que você é frágil, que você precisa se cuidar antes de qualquer coisa. Pra finalizar, ontem o psicólogo, ele disse, Isabela, eu ganhei muito dinheiro durante os 10 anos em que eu trabalhava, estudava, cresci e tal. Gastei tudo em remédio e terapia. E hoje, hoje, é o que a gente não quer. Eu digo pelo que nós já fizemos de EFT. Quando você faz uma sessão de EFT sem um monte de carga, ela é fantástica, porque aí você se abre pra outras camadas, porque senão você vai ficar só aqui nessa camada. Aí quando você resolve essa e continua o EFT, você vai aprofundando, porque aí você não tem tanta bagagem pra limpar. Faz sentido?
Total sentido.
Eu adoro o FT. Eu vou ficar, de repente, lá na rádio. Assiste, tá? Pelo YouTube eu vou ficar assim, ó. Porque como é tudo ao vivo, não posso nem você já, né? Qualquer coisa que você faz, as pessoas estão vendo, a gente interage. Então, isso aqui, ó. Vou fazer assim.
Depois você vê lá no YouTube.
Obrigada, Fê.
Obrigada, querida. Beijo grande, um ótimo fim de semana. Depois eu quero te trazer aqui pra gente falar do livro quando lançar.
E vamos comemorar esse livro. Com certeza. Vixe, Maria. Pizza e vinho.
Beijo pra todo mundo.
Obrigada. Obrigada, Fê.
Demais.
Amei, amei o espaço. Obrigada.
Obrigada a você.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








