Unha Talks com Izabella Camargo

Izabella Camargo talks about growing up in São Paulo's periphery, her work as a judge, and what she's learned from manicurists and salon culture. She shares stories about relationships, violence, and why self-care matters.
Chapters
Você já contou algum segredo para sua manicure? Sai tudo! Altas confidências, não é? Aqui no IaTalks você vai conhecer histórias de mulheres incríveis que vão contar segredos, que vão abrir o coração. Quando eu era criança, eu não imaginava que eu ia ser juíza. Eu nasci na periferia da Zona Sul de São Paulo, eu estudava em escola pública. Eu já tive dois casamentos felizes, né? Os meus dois primeiros relacionamentos foram atalésicos, foram com violência, né? Sempre me lembro um dia que eu juntei todos os meus diretores e falei assim: "Então, estamos aqui hoje para falar, o tema é: o que eu faço que atrapalha vocês?" A gente sabe que a mulher já sai de um subsolo, o negro sai de um subsolo mais profundo, Isso é muito injusto. Aqui no Yatox você vai se divertir com histórias de mulheres que deram nó em pingo d'água pra transformar um problema em oportunidade. É muito pejorativa essa coisa da massagem com sexo, o final feliz. Ah, arrepende, final feliz. Enquanto os portais colocavam: ai, 5 maneiras de agradar um macho na cama. Aí eu ia lá e escrevia: 5 formas de você conseguir gozar, querida. Porque, né? Claro. Aí atrás eu puxava assim e botava uma fita crepe. Ah! É, aí ele ficava lisinho. Eu acho que eu precisei ser demitida várias vezes. Quantas? 10. Pra mim, todo não é um sim. Um sim pra minha vitória, porque eu fico muito mais forte. As manicures que cuidam dessa mulherada sabem o bem que elas fazem por todas nós. Nossa cartão postal, quando a gente chega, antes da gente falar, antes das pessoas ouvirem a gente, ela já bate o raio-x na sua imagem. Eu acho que é um código de autocuidado, né, que é uma coisa tão importante. Toda mulher, né, tem pelo salão aquela coisa de sentir um ímã, né? É um templo. É um templo. Um templo do autocuidado. Que nos puxa. Tem que se cuidar, é o autocuidado, que é muito mais do que fazer a unha, obviamente, mas começa Eu amo, eu amo. Eu comecei a fazer unha com 11 anos. E ainda todas aquelas bobagens que rolam num papo de salão sempre. Amor, eu tô com bastante maquiagem. Tá abafocado. Porque ele me beijou, eu fiquei muito desapontada com a língua, né? No caso, a dele, não a portuguesa. E daí ele falou assim: "Ai, a pior coisa que eu já fiz foi ver minha prima nua quando era criança através do buraco da fechadura." Eu falei: "Nossa, que radical!" "Por favor, tá?" Aí quando a situação ficava mais quente, ele ficava animado, animado, animado, animado, tava animado. Aí o protocolo era: "Senhor, olha, eu vou deixar o senhor um pouquinho respirando, eu vou lá, vou sair, eu vou trazer uma água gelada, o senhor fica um pouquinho aqui, eu tô vendo que o senhor não tá muito bem, mas eu volto daqui alguns minutos."
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








