Vamos falar sobre autocuidado e produtividade na pandemia? | WEBINAR feat Izabella Camargo

Izabella Camargo, a journalist and burnout survivor, talks with Daniela Diniz about self-care and productivity during the pandemic. They cover burnout signs, sleep, boundaries, and how to manage working from home with family responsibilities.
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Olá, muito boa tarde, sejam muito bem-vindos a mais um webinar promovido pelo Great Place to Work Brasil. Eu tô aqui hoje com uma convidada super especial Meu nome é Daniela Diniz, eu trabalho no Great Place desde 2016, atualmente junto ao time de educação, fazendo entregas, workshops, cursos, palestras, sempre desenvolvendo estudos focados aí em recursos humanos, gestão de pessoas, um tema que eu exploro aí mais de 20 anos de carreira. Sou jornalista, assim como a nossa convidada de hoje, Isabela Camargo, aí parceira há muito tempo, algum tempo a gente se conhece já, né, Isa, de outros, de outros momentos. Então seja muito bem-vinda, eu gostaria que você se apresentasse um pouquinho para o nosso público e contasse já também, ao se apresentar, como é que você se tornou especialista nesse tema que a gente vai falar hoje, que é sobre autocuidado, produtividade, que aborda a questão de saúde mental. Seja muito bem-vinda, Isa.
Obrigada, Dani. Obrigada a todo o pessoal do Great Place to Work Brasil por esta oportunidade. Quanto mais espaços como esse nós tivermos, melhor estaremos hoje e amanhã, especialmente. Dani, o tema autocuidado e produtividade tem tudo a ver, sempre teve tudo a ver, e a partir de agora mais ainda, porque não adianta a gente pensar em emprego, em trabalho, e não pensar em saúde. Então eu preciso me cuidar para garantir aquilo que eu me proponho a fazer. E neste caminho a gente vai passar por vários assuntos, né, como atualização de identidade, que eu vejo como uma atitude fundamental, essencial. E aí eu falo sobre isso já já, mas especialmente sobre o auto, autocuidado, autoconhecimento. Assim como existe a automedicação, a autossabotagem, Ou seja, o autocuidado é aquilo que você precisa fazer, aquilo que só você pode fazer por você, tá? Mas aí eu já entro mais na história do autocuidado. Eu trabalho com comunicação faz 23 anos, comecei no rádio, fui para TV, e hoje, além de acumular rádio e TV, também estou empreendendo na internet, compartilhando tudo aquilo que eu acredito que, se é bom para mim, pode ser bom para outras pessoas, sabe, Dani? Então, ao invés de eu descobrir uma coisa e guardar para mim, não, eu eu sempre vou compartilhar. E eu cheguei nesse assunto do autocuidado para preservação da saúde mental, ou bem-estar da mente, que é o nome mais fofo, depois de ter vivido uma experiência com a síndrome de burnout, que nada mais é do que o esgotamento profissional, e hoje atinge quase 20 milhões de brasileiros, né, de acordo com a última pesquisa da USP. Ou seja, essa experiência que eu tive em agosto de 2018 me fez buscar respostas que eu não encontrava para mim. E ao encontrar essas respostas, eu me assustava demais em saber que muitas pessoas passavam por aquilo que eu estava passando e não faziam ideia, e não tinham apoio de ninguém, né? Não tinha apoio da família, não tinha muitas vezes apoio dos médicos, que tem uma dificuldade tremenda em fazer o diagnóstico, não tinha o apoio das empresas. Então era uma bagunça. Não que hoje ainda não seja, mas hoje o assunto Ele tem ganhado mais visibilidade desde que a Organização Mundial da Saúde incluiu a síndrome de burnout dentro do Código Internacional de Doenças e mostrando que este problema de saúde acontece pelo ambiente laboral. Bom, perfeito.
Então, gente, isso aconteceu com você há quanto tempo?
2018, agosto de 2018. E desde então Eu venho então buscando as respostas, buscando informações que não são só úteis para mim, mas para outras pessoas. O que eu descobri, Dani, nessa minha jornada de autoconhecimento para falar sobre autocuidado, é que o ambiente de trabalho não pode provocar só a síndrome de burnout. Se a gente buscar desde 1930, quando Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, nós tivemos mais de 40 anos para regularizar, para regulamentar os EPIs. Os equipamentos de proteção individual para problemas que eram visíveis. Você imagina agora que a gente tá falando sobre problemas invisíveis. E aí não é só síndrome de burnout, aí você tem fibromialgia, você tem alerdote, ou seja, uma série de outros problemas invisíveis e que nós não temos empatia. Não temos empatia porque a gente vem daquela crença que você tem que ver para crer. E curiosamente, agora a gente vivendo, né, sobre a pandemia, sobre a pandemia do COVID, aí essa crença ela muda um pouco de figura, porque se eu estou me isolando dentro de casa, né, com medo de pegar algo que eu não vejo. Olha só que paradoxo, né? Isso pode proporcionar novas reflexões sobre as doenças do trabalho. E o que que isso tem a ver com a produtividade? Tudo, tudo.
E a gente tem, a gente recebeu já várias perguntas, né? Eu já tinha, já tem um monte de pergunta para fazer para Isa. Recebemos já no nosso canal dos inscritos várias perguntas que eu vou compartilhar aqui. Quem quem tiver pergunta também vai mandando para Isa sobre saúde mental, a questão da produtividade, do autocuidado, de toda essa angústia que estamos vivendo nessa pandemia, né, de diferentes angústias, né, Isa, porque tem a questão do medo, como você falou, de algo invisível que é o vírus, tem a questão do futuro, né, que como a gente estava falando ali nos bastidores, temos mais perguntas do que respostas, temos o medo de perder emprego, né, tem várias questões que acabam impactando aí na questão maior no ponto focal do nosso bate-papo aqui, que é autocuidado e produtividade. Então eu vou começar com uma falando de produtividade, que eu acho que vieram várias perguntas sobre essa questão, né, essa, essa demanda por alta produtividade que vem desde a gente tava falando ali das redes sociais, você se tornar muito produtivo, ter exemplos de produtividade. Eu assisto live, eu participo de conteúdo, tô estudando, tô trabalhando, tô cuidando de família, eu tô fazendo tudo isso, ao mesmo tempo a produtividade, a pressão da produtividade no trabalho. Como é que, como que você equilibra isso, né? Como é que eu vou cuidar de mim tendo que responder a tantas demandas internas e externas? A gente recebeu algumas perguntas relacionadas a isso e eu queria ouvir um pouquinho da sua, da sua orientação, da sua experiência sobre essa, essa questão.
Dani, obrigada pela pergunta. Acho que todo mundo aqui já viu um equilibrista, sabe, no circo, numa apresentação, né, quando um equilibrista tá naquela bicicletinha em cima de uma linha, sabe, Dani, que ele tem que sair do ponto A para o ponto B, né. Como é que ele mantém o equilíbrio? Tem hora que ele vai um pouquinho mais para cá, tem hora que ele vai um pouquinho mais para cá, mas do ponto A ao ponto B ele vai mantendo o equilíbrio. Eu vejo, pelas minhas experiências e por tudo que eu estou vivendo e ouvindo também de muitas pessoas, né, que eu vou trocando todos os dias, em que não é todos os dias que você vai conseguir esse equilíbrio. Isso já é uma coisa que a gente precisa colocar como verdade e não culpa. Ai, eu não tô conseguindo. Pera, alguns dias você consegue, outros não. Então a gente tem que ver primeiro na média como você está. Na média você tá conseguindo equilibrar? Não, na média eu não estou conseguindo. Ah, então vamos ver, porque quanto mais você está no trabalho, menos você está na sua vida pessoal. E vice-versa. Ou seja, se eu não conseguir identificar onde estou colocando toda a minha energia, aqueles locais em que faltam vão ficar cada vez mais vulneráveis. E isso só você pode saber da sua agenda. Quando você fala sobre essa situação que nós estamos vivendo de muito medo, nós acabamos de ter o número, né, de desempregados. Então, quando você tem uma economia muito instável, com um número de desempregados como nós temos, que é mais, né, do que a população de muitos países, é claro que isso gera insegurança. E para aqueles que se mantiverem no emprego, eu acredito que boa parte deles vão acumular o trabalho daqueles que foram dispensados. Faz sentido o que eu tô dizendo?
Já estão acumulando, né?
Já estavam acumulando, Dani, porque eu vejo assim, os números antes do COVID já não eram bons. Nós já tínhamos um desemprego tremendo, nós já tínhamos pessoas doentes, nós já tínhamos pessoas sobrecarregadas, os números já eram ruins. Agora eles só estão aumentando. Então não é que nós estamos vivendo uma coisa nova, não, a gente só tá vivendo um número maior das coisas que já aconteciam, tá? Então o que que eu entendo: se nós já passamos por milhares de adaptações desde que o mundo é mundo, a gente só vai passar por mais uma. Quem é que vai chegar no ponto B lá do equilibrista com saúde? Aqueles que se cuidarem. Olha que simples, né? Não me chamam de louca, tá? É porque é assim. Eu não vou conseguir chegar no ponto B com saúde se eu ficar tomando 1 litro de café, buscando anfetamina, buscando alternativas fora. Não, eu só vou conseguir chegar no ponto B com saúde se eu conseguir criar dentro de mim recursos para segurar aquela onda por um período. Então, o que que eu recomendo para quem vai ter que acumular trabalho? Estabelecer uma comunicação com o superior para entender por quanto tempo você acha que nós vamos ficar nessa situação. Ah, não temos previsão. Tudo bem, então o que que você espera de mim? Porque eu vou fazer o meu melhor. Dani, ninguém fica doente no trabalho, ninguém perde produtividade porque quer, ninguém fica infeliz porque quer, ninguém fica desequilibrado porque quer. O que eu vejo é que nós chegamos nesse ponto, às vezes, da falta de produtividade, das doenças no trabalho que geram a falta de produtividade, por falta de perguntas. Então nós temos o autocuidado E precisamos fazer perguntas para aqueles que estão nos dando mais trabalho, para alinhar as expectativas. Se não entra autossabotagem, se não entra o descontrole, e não existe o autocuidado. E o autocuidado, eu vou aproveitar já essa pergunta em dizer que o autocuidado é quando você vai fazer por você aquilo que só você pode fazer por você. Começa das coisas mais simples, Dani, como escovar o dente. Escovar o dente, até os mais sofisticados procurar uma terapia. Ah, mas eu não posso encontrar fisicamente terapia online, igual nós estamos fazendo aqui, né? A diferença, por exemplo, se eu tivesse conversando com a Dani, ela fosse psicóloga, pronto, já estaríamos numa sessão. Ah, mas eu nunca fiz, tá aí um bom momento. Ah, mas é caro. Olha que tem muitos profissionais incríveis fazendo por um décimo do preço, sabe? Porque todos estamos vivendo nessa fase de adaptação. Então eu não sei se eu tô respondendo a sua pergunta. Eu só entendo que nós já vivemos outros medos. Nós já vivemos outras grandes mudanças. O que acontece é que a gente passou muito tempo sem mudança nenhuma e agora aconteceu tudo de uma vez. Coronavírus antecipou o futuro e antecipou também um despertador para gente se atualizar, né? Você já deve ter falado isso em outras entrevistas, mas todos os futuristas, todos os estudos, né, porque não são achismos, são estudos, mostram as habilidades que nós vamos ter que desenvolver. E dentro delas entram humano. E para esse humano estar bem, né, para a gente acompanhar todas essas mudanças, a cabeça tem que estar boa. E para cabeça tá boa, o corpo também tem que estar bom. E a gente precisa ver a nossa produtividade como uma consequência do que a gente faz conosco. Faz sentido?
Faz total sentido. Você começou a falar de algumas dicas até para esse momento de pandemia, né? Assim, começou, e que a questão que é o autocuidado Vamos aproveitar essa deixa para assim, o que que é o autocuidado e como eu cuidar de mim neste contexto de que a gente ouve muito, né, Isa, vai para academia, busca uma nutricionista, cuida da alimentação, corra. A gente escuta várias dicas em, como eu costumo dizer, condições normais de temperatura e pressão. Não estamos numa CNTP, estamos numa situação diferente. Como, o que é o autocuidado em si? E como eu posso praticá-lo dentro desse contexto que a gente está vivendo?
Ai, que linda, Dani! Primeiro que a gente tem que tomar muito cuidado com o que a gente vai ver pelas redes sociais, como você comentou, porque eu vejo— olha que curioso— eu vejo várias realidades. Então eu vejo uma nutricionista comendo muito bem, aí eu já me sinto culpada. Aí eu vejo uma mãe fazendo um bolo, aí eu já me sinto culpada. Ou seja, eu estou vendo várias realidades, vários recortes, e quero colocar todos esses recortes dentro dentro da minha vida, é claro que não vai rolar. Aí você vai sentir muito mais culpa do que qualquer outra coisa. Eu não sei se ficou claro. Então, aquilo que eu vejo de recorte nas páginas das pessoas são as vidas delas, mas aquilo é um pedacinho, né? Então, primeiro, não adianta eu buscar uma nutricionista para saber, aliás, para ouvir de novo o que eu já sei que eu preciso fazer. Eu não preciso buscar em uma, em uma outra fonte de informação aquilo que eu já sei o que eu preciso fazer. Só que como nós estamos muito distraídos e muito sobrecarregados com coisas que fomos acumulando por N razões, que parece que voltar para o simples não funciona. Então, autocuidado, Dani, é você se colocar na agenda, é marcar reunião com você. E eu, quando falo sobre escovar o dente, todo mundo fala: nossa, né, não acredito que ela tá falando isso. Sim, porque eu duvido que quem tá aqui nos acompanhando já não viveu aquela situação de não ter tempo nem de escovar o dente, de ter que passar correndo pelo chuveiro, de ter que comer cada vez mais rápido e subtrair as horas de sono para dar conta de um dia que fica cada vez maior. Então, veja, Eu sei da realidade de muitas mães que precisam dar conta da casa, dos filhos, do marido, da profissão e dela. Eu sei. Só que se eu também não olhar para esta agenda com autoridade para dizer isso sim, isso não, eu vou viver para os outros e não vou ter tempo para mim. Ai, lá vem esse papo, gente! Não tem como fugir. A resposta não está na farmácia. A gente não vai conseguir manter, não rola. Então, autocuidado, o que que é? É você se colocar na agenda, você marcar reunião com você primeiro para começar as coisas básicas e depois as mais sofisticadas. Eu chamo sofisticada, tá? Mas enfim, autocuidado não é cuidar da estética. Claro que você precisa cuidar da sua pele, do seu cabelo, do seu dente, você precisa cuidar da parte externa, mas também precisa cuidar da parte interna. Então, eu não sei, Dani, se você escovou o dente hoje. Eu não sei, né? Eu só estou vendo que você passou batom. Então, muitas vezes a gente também está super bem fora e dentro você tá lá atrasada, atrasada com um monte de coisa. O que é ver um exemplo muito que muita gente se identifica, Dani? Quem nunca deixou os exames vencerem, os pedidos médicos vencerem, né? Por exemplo, aí você deixa uma coisa que é importante com chance de se tornar urgente ou uma emergência. Então, quantas pessoas eu ouço falando assim: ah, faz um ano que eu não vou ao ginecologista, ou faz muito tempo que eu não volto ao oftalmologista, e depois vive uma emergência. Então, isso é falta de autocuidado. Ou seja, você ganhou uma, uma, vou dar um exemplo, tá? Você ganhou, eu tenho aqui, por isso que eu tô lembrando, você ganhou um pedido médico para fazer um exame. Aí você pediu para o médico nem colocar data, né, porque senão passa um mês e você não vê. Aí esse pedido passou 6 meses, você fala: nossa, será que eu ainda preciso investigar isso, né? Então essa é a prova que os 6 meses passaram e você não conseguiu uma hora para você. Na prática é isso. E neste momento então de isolamento, eu reforço, é um treino diário. Como fazer exercício físico, como mudar alimentação, como qualquer outro hábito. E por que isso parece difícil no início? Porque você não recebe essa informação ao longo da sua vida profissional. Você recebe a informação de que você tem que estar disponível 24 horas por dia, que você tem que ter uma produtividade sobre-humana. Ninguém fala: "Mas você também tem que se cuidar." E nesse cenário, Dani, eu vejo uma, um, eu vejo assim com muito carinho os RHs, a turma dos recursos humanos, porque Aqui, o que será fundamental dos RHs observarem nos seus liderados, essas pessoas também vivem, essas pessoas, os profissionais de RH vivem na pele tudo isso que nós estamos falando. Então não é tão difícil, né?
A gente consegue pegar que você acabou de falar, que chegou uma pergunta aqui do Jorge, é justamente que muito em linha com essa, com sua fala: como as pessoas do RH se autocuidam? Porque estão o tempo todo cuidando das pessoas do grupo, especialmente nesse momento, né? Eu tenho falado com muitos líderes de recursos humanos para saber como as empresas estão se organizando nesse momento, e eles estão assim com agenda completamente sufocada, né? Assim, de mudar diretriz, muda prática, cria nova prática, né? Cuida de todos os líderes, cuida de todo mundo. Então aqui, para responder a pergunta do Jorge, profissionais de RH podem se autocuidar?
Pronto, Jorge, obrigada pela pergunta. E eu vou dizer assim, com muito carinho para todos: Dani, autocuidado é para quem está respirando. Ninguém, ninguém pode terceirizar. Eu não posso pedir para você: Dani, toma banho por mim. Dani, vai na psicóloga por mim. Então, assim como os profissionais de recursos humanos estão passando esse desafio, os médicos os enfermeiros, os professores, os advogados. Existe um grande número de pessoas que trabalham pelo outro. E se eu voltar um pouquinho na história, na década de 80, uma psicóloga chamada Cristina Maslach— aliás, tá até aqui o livro, aqui, ó. Que bom, né, a gente fazer o estúdio aqui com os nossos livros. Esse livro aqui, ó, The Cost of Caring, é O Custo de Cuidar. E ela coloca aqui como reconhecer, prevenir e curar o burnout, né, que é o esgotamento, em enfermeiros, professores, terapeutas, policiais, trabalhadores sociais, ou seja, todo mundo que cuida de alguém. Por que que eu tô trazendo essa fala? Porque não são só os profissionais de RH que estão vivendo esse desafio. São muitos profissionais que estão tendo que sobreviver e cuidar do outro. Como então nós vamos avançar então mais uma casa? Como é que a gente vai passar por esse momento sem adoecer? Cuidando um pouquinho que seja de nós mesmos. Então essas mudanças que o RH viverão, todos os RHs viverão. Todos os profissionais de RH viverão, todos os líderes de todos os setores viverão. Quando a gente amplia um pouco o nosso horizonte, você vê que, bom, então o RH vai ter que fazer agora uma coisa que de repente já era para ter sido feita. Que coisa é essa? Vai depender de cada empresa. O que eu sei, Dani, o que eu conheço são os números das empresas, dos médicos do trabalho, dos planos de saúde que me procuram e sempre me perguntam: Isabela, como é que a gente pode fazer nessa empresa? Como é que a gente pode dar um jeito nessa empresa dos profissionais adoecerem menos? Bom, então, se antes isso já acontecia, agora isso pode aumentar. Então é hora de encarar a situação, tá? Porque isso pode não ser um problema, é uma situação. A gente pode olhar a situação, pensarmos juntos como nós podemos cobrar as metas, como nós podemos manter a produtividade considerando que este profissional não tem as condições para realizar. A cadeira, eu vi mesmo, meu marido no começo ele falou: nossa, eu tô sentindo falta do ar-condicionado. Tava um calor, né? Ele falou: o calor está me atrapalhando. Depois ele se acostumou, né? A falta da cadeira, da mesa, da internet, do computador. Sim, são milhares de limitantes. Então, como o RH vai resolver? Cada um vai ter que entender como eles podem atuar. E às vezes é uma coisa muito pequena para fazer com que esse colaborador continue bem, fique bem, não perca produtividade. E aí, respondendo ao Jorge, Dando mais uma reforçada no conteúdo, Jorge, vocês são seres humanos como os liderados, e vocês precisam também se colocar na agenda e marcar reunião com vocês desde a hora de acordar. E especialmente, eu vou frisar, tá, aspas, negrito, itálico, caixa alta, no dormir. Dani, o sono é— eu tô falando isso porque eu já conversei com muitos médicos do Instituto do Sono e da Associação Brasileira do Sono. O sono insuficiente é um dos grandes causadores de todos os nossos problemas. Como assim, Isabela? Dani, não tem uma pessoa que você não conversa que está passando por algo fisicamente ou mentalmente que dorme bem? Primeira pergunta que você ouvir alguém de repente com sinais de depressão, sinais de ansiedade, sinais de esgotamento: como é que tá seu sono? Ela vai falar: tá péssimo, tô dormindo menos, ou sabe. Então assim, o sono, gente, no pacote de autocuidado, eu vou falar que assim, ó, cada um vai ter o seu pacote, mas o sono precisa estar em todos.
Então vamos falar dos sinais. Acho que teve algumas perguntas aqui também sobre sinais. E como você, além de estudar isso, né, Isabela, já algum tempo viveu isso também na pele, né, você manifestou sinais, muitas pessoas, né, estão, talvez não percebam esses sinais. E nesse momento que a gente tá agora, é só cansaço, é só uma confusão, eu preciso me adaptar, e vai deixando para lá, né. Então quais os sinais de que você pode estar entrando ou numa depressão, ou tá um ponto de burnout, ou um estresse mais sério, né, que não é só uma fadiga momentânea da semana puxada, mas algo que vai se está se preocupando? É, quais são os principais sinais que a pessoa tem que ficar atenta nesse momento?
Dani, independentemente do que a pessoa esteja sentindo, a primeira coisa que a gente precisa olhar é a frequência. Então, eu ter dor de cabeça uma vez por semana é uma coisa. Eu ter dor de cabeça todos os dias sinaliza outra coisa. Eu me sentir esgotada duas vezes por semana por conta de um trabalho que eu tive que acumular ou uma urgência que apareceu é uma coisa. Eu me sentir com palpitação, com falta de ar todos os dias, é outra coisa, entende? Então a gente tem que tomar muito cuidado. Tá me ouvindo? Deu aqui uma, alguma coisa aconteceu aqui na minha tela. A gente tem que tomar muito cuidado com a frequência e a intensidade e não buscar a solução nas farmácias. Eu Concordo que, como a gente tem mais farmácia do que bibliotecas nas esquinas, a gente vai buscar a solução, vai remediar, e não vai se curar. Então, tratamento tem um monte, a cura já é diferente. Então, eu preciso ver quais são os sinais e a frequência desses sinais. O que que o corpo diz para você quando a gente está com sono? O que que acontece? Você boceja. Você boceja. Nem sei agora como é que eu coloco o acento, boceja ou boceja, mas você, né, dá um bocejo. Pronto, é isso, é um sinal que seu corpo tá pedindo: será que, né, já não estamos passando da hora de dormir? Se eu não como, o que que o meu estômago faz? Ronca. Então isso é um sinal. Se eu não durmo o suficiente por várias noites, o que que eu vou sentir? Eu vou sentir mais cansaço, eu posso ter inchaço no corpo, eu posso ficar com a minha imunidade baixa, eu posso ter alergias. Então cada pessoa vai manifestar o que o corpo está pedindo nos seus órgãos mais vulneráveis. Então, em um processo de esgotamento, por exemplo, os sinais eles vão aumentando ao passar do tempo, Dani, porque ninguém fica doente, não importa a doença, de um dia para o outro. Né, tem uma brincadeira que eu costumo fazer nas palestras, Dani, que é assim: a turma chora para não rir. Aliás, ri para não chorar. Eu simulo que eu tô com uma dor de cabeça, eu pergunto: alguém tem um remedinho de dor de cabeça aí? Nossa, mulherada já vai catando assim, abrindo a bolsa, glamourizando o tamanho da nécessaire. E aí eu vou fazendo piada, que é tipo: ah, que remédio mais você tem aí, né? Aí tem para dor de estômago, para não só para dor de cabeça, para É assim, eu nem vou citar os outros porque são chocantes, né? Muitos são recomendados por médicos, outros não, porque a gente sabe que vai se automedicando muito. É só olhar os comerciais na TV, a maior parte dos comerciais na TV são de remédios para dor de cabeça, para dor de estômago e tal. Pronto, então assim, não adianta eu falar de um problema de saúde como se ele tivesse ali numa pequena parcela. Se isso fosse verdade, Dani, nós não teríamos o que temos na propaganda, né, e nos números. Se a gente somar hoje, Dani, o número de pessoas com burnout, ansiedade e depressão, que aliás é a segunda doença mais incapacitante, tá, gente, nós estamos falando assim, ó, enxaqueca inclusive é uma doença incapacitante. Aliás, enxaqueca, Dani, Ontem eu fiz um evento para uma empresa farmacêutica. Tem 30 milhões de brasileiros com enxaqueca e 10 milhões com enxaqueca crônica, que são mais de 72 horas sem conseguir produzir. E aí esses números mostraram, né, a enxaqueca é um fator crucial para produtividade. Então veja, eu não posso ignorar esses números, eu não posso ignorar o que tá acontecendo na mídia e botar isso junto para que eu tome as decisões. Então o seu corpo vai se manifestar de diversas maneiras: queda de cabelo, mancha no rosto, alergias, gripes constantes, a menstruação desregulada, infecções constantes. São tantos problemas, Dani, que eu ficaria aqui quase uma hora falando. Cada um vai se manifestar de uma maneira. Agora, se eu estou manifestando vários sintomas Se eu tô tendo várias dores por muito tempo, aí sim é um problema, entende? A diferença de eu ter uma dor de cabeça pontual e uma enxaqueca 15 dias por mês é outra coisa. Exatamente. Desculpa, dor de estômago um dia porque eu comi alguma coisa é uma coisa, sentir dor de estômago todos os dias é outra. Parece que até comum, né, quando você fala com alguém no trabalho: ai, tô tendo gastrite, como se fosse normal. 'Eu gastrite', né?
'Ah, tenho enxaqueca crônica', 'tenho insônia'. E são coisas que entram no nosso cotidiano e que a gente— mais interessante observar esses sinais, principalmente nesse momento, né, Isa? Porque às vezes a pessoa, ela tava até tendo um equilíbrio fora, tava conseguindo equilibrar, e mudou o eixo, porque sai da rotina, né? Não consegue estabelecer uma disciplina ali dentro, tá numa conjuntura completamente diferente, né? Quem tem filhos sabe bem disso, né, aula a distância, ajudar a criança a manter a própria rotina do outro para manter a sua, né. Acho que até nossa chamada do Great Place falou isso, né, é de pensa no aviso do avião, né, antes de colocar a máscara em outro, coloca em você. Então a gente às vezes tá aqui meio querendo resolver a cozinha, comida, a casa, o filho, as outras questões, e se deixa por último, que essa é como você bem colocou, a definição de autocuidado e se colocar na agenda. Agora tem uma série de perguntas, a gente já tem meia hora de conversa aqui, tem uma série de perguntas e eu vou aqui dar um pouquinho de atenção para a Roberta Papetti, ela fez uma pergunta sobre liderança que outras pessoas também fizeram na nossa, anteriormente mandaram na nossa inscrição, que é: como o líder pode ajudar a melhorar a produtividade? É assim, o líder hoje tá precisando dessa produtividade também, a empresa tá precisando sobreviver. Então existe é uma pressão, né, que por mais que se fale eu não quero exercer uma pressão na produtividade, fazer com que todo mundo trabalhe mais, se não for assim eu vou morrer. Então é um outro tipo de equilíbrio, como é que eu faço, exerço essa pressão e cobra essa produtividade, mas ao mesmo tempo é equilibrando a vida pessoal e profissional ali, né, fazendo com que os funcionários, com que meu time, eu como líder, passe essa percepção de cuidado, de preocupação com eles?
Comunicação, Dani. Comunicação. Eu vejo neste momento muito mais, é assim, antes já era importante, a gente fala disso sempre, agora é mais do que obrigatório os líderes se comunicarem com os seus liderados. Ah, mas eu já faço um comunicado semanal, diário. É mesmo? Você quer fazer ou você faz, né? Se você não vai fazer, líder que tá nos ouvindo, então para quem que você pode delegar esta função? Será que as empresas não poderiam investir na contratação de um psicólogo nesse momento? Mesmo de escassez, de repente trazer um psicólogo, trazer um médico do trabalho, trazer alguém de fora para ajudar também nesse contexto pode ser uma boa solução. Porque às vezes, Dani, a gente precisa de um ser humano com habilidades diferentes da nossa para a gente continuar sendo humano. Então, para as empresas que precisam manter a produtividade, é óbvio, gente, né, o trabalho ele é fonte também de satisfação, de felicidade. Nós não estamos falando aqui que o trabalho é fonte só de doença, só que para que esse ambiente seja saudável, que seja produtivo, precisa ter comunicação. E nada mais legal, Dani, acho que você pode concordar ou não, enfim, é uma delícia quando um chefe vem falar, né, comigo, e dizendo: olha, nós estamos passando por esse desafio, 'Nós estamos realmente juntos, sabe? Não é só blá blá blá. Vai ser um mês, ou podemos passar por 3 meses difíceis. Então vamos juntos', entende? Eu acho que as pessoas, elas ficam muito se sentindo desvalorizadas, e isso abaixa imunidade, tá? Já vou dizer, o sentimento de desvalorização, insatisfação, reduz a imunidade. Especialistas já falam disso. Tudo isso poderia ser evitado se uma conversa existisse e todo mundo falasse a mesma língua, que é óbvio que tá todo mundo passando pelo mesmo desafio. E para esta, e justamente por esse líder dizendo, e aí sem assédio moral, tá assim, olha, tal empresa fechou, se a nossa tá aberta vai ter que fazer isso. Não, é mostrar que, olha, ainda bem que nós estamos conseguindo manter os empregos. Só que para a gente poder continuar nesse ritmo nos próximos 2, 3 meses, vamos buscar alternativas. Quais são? É o que eu te falei, eu não sei. De repente uma conversa com uma psicóloga, uma terapeuta, pode ajudar muito. Inclusive tenho visto números que só aumentam da, não sei se é teleterapia, mas é a telemedicina, né? Muitos terapeutas atendendo remotamente. Então essa é uma excelente pergunta, não tem uma resposta só, porque cada líder tem uma cabeça, uma personalidade, cada empresa tem a sua realidade. Mas uma coisa que me vem aqui é a comunicação. A gente precisa comunicar: olha, a situação é essa.
É a questão da transparência, né, Isa, que a gente observa muito nas melhores empresas para trabalhar. Então a gente vai para as melhores empresas, você vê que elas são transparentes, que tem essa relação de confiança. Então nesse momento coloca todo mundo e abre o jogo, né? A situação real é essa: eu preciso de todos vocês ou para sobreviver ou para manter os empregos, ou para a gente tá todo mundo no mesmo barco. Então obviamente vamos ter que trabalhar mais, vamos ter que trabalhar talvez adquirindo outras funções que não que não tínhamos, né? Isso a gente vê também. E o que você falou é o que eu observo também no comportamento das empresas. A comunicação que já existia acontecendo de uma forma mais intensa até, para não deixar todo mundo disperso, e não no sentido de coagir, né, de ficar ali também, olha, tá aqui, de perseguir, de controlar, que mais do que nunca a gente A pandemia veio escancarar de que não, você não faz mais uma gestão sob comando e controle. E a gestão, ela tem que ser pautada na confiança.
E isso que você falou se aplica em casa também, viu? Sim, é fundamental. É chamar o marido, a esposa, os filhos e dizer: galera, tá difícil, pode ficar um pouco mais fácil se todo mundo entender Que a casa não é autolimpante.
Excelente, porque tem perguntas aqui, acredito que sejam de mães, né, me colocam nessa situação, que é como conciliar o home office com maternidade e ainda conseguir se cuidar nesse momento tão conturbado? Como coordenar autocuidado com as demandas do trabalho e as demandas da casa? Então, isso que você falou, né, o combinado ali, né, vamos estabelecer uma rotina. Quantas pessoas tem na casa, né, que é fundamental. Então tem muita pergunta dessa questão da rotina doméstica, né, que assim, como é que eu me coloco na agenda sendo que eu tenho outras demandas?
Pois é, eu acho que aí entra, Dani, essa dor é a minha dor também, tá, o nosso nível de exigência. Então, se eu preciso me ajustar ao novo modelo de trabalho, eu também preciso me ajustar a um novo modelo de vida familiar. O que que significa? Se antes— Oi, perfeito.
É que a questão da autoexpectativa, né?
Se antes eu tinha uma louça lavada todos os dias, se hoje eu não puder ter, não vai ser o fim do mundo. Mas eu preciso comunicar isso para turma. Então nós mulheres especialmente temos o hábito de abraçar tudo e não delegar. Outro dia eu tava conversando com a Alexandra Lohaza, ex-consulesa da França, e ela disse isso. Em alguns países europeus, os homens fazem muito mais parte da criação dos filhos, inclusive porque eu não sei que nível de evolução, tá, eles estão, mas as mulheres também não cobram dos homens aquela, elas não têm aquele nível de exigência delas. Então, por exemplo, Eu dei uma, eu passei uma atividade que eu faria para o meu marido. Se ele não fizer bem, eu preciso também ter um nível de tolerância, entende? E nós mulheres nos cobramos muito, a gente exige de todo mundo. Então, como é que eu vou fazer para encontrar esse equilíbrio? Lá no começo da nossa conversa eu disse, o equilibrista que vai do ponto A ao ponto B, nem sempre ele consegue estar equilibrado o tempo inteiro, ele fica pendendo para um lado, para o outro. Então, se hoje, por exemplo, meu filho teve uma prova, precisei dedicar mais tempo para ele. Meu marido surtou no trabalho, também tá precisando de uma terapia, né? Passa o telefone da terapeuta, tá, gente? Senão a gente, a gente também quer abraçar tudo, sabe? Daí nós não vamos resolver tudo de todo mundo. Colocar esses limites é fundamental para que você não chegue à noite exausta, né? Ou às vezes nem à noite, né? Já à tarde você já tá acabada, arrebentada. E aí você vai se sentir assim muito mal, você fala: nossa, eu fiz tanta coisa e para mim eu não fiz nada. E aí, gente, não vai adiantar ter emprego, ter família, se você não tiver saúde. Não vai adiantar. Então eu imagino assim: se hoje eu dormi menos, amanhã eu preciso dar um jeito de dormir um pouquinho mais. Se hoje eu não fiz uma refeição bacana, amanhã eu vou procurar. Então é sempre tentar, como eu falei, o equilíbrio pode ser que não role todos os dias, mas eu preciso estar atenta que quando me desequilibrar demais um dia, uma semana, na outra eu volto. Que foi a grande lição que eu tive depois do burnout, Dani. Eu continuo produzindo, eu continuo trabalhando bastante, mas hoje, hoje, por exemplo, quinta-feira, eu tenho 3 compromissos. Amanhã não tenho nenhum. Foi uma coincidência? Não, não. Eu não preenchi, eu não enchi minha agenda amanhã, porque aí eu vou tentar equilibrar, eu digo compromissos, né, com outras pessoas, mas É esse treino que a gente tem que fazer. E volto, vamos juntar a galera e colocar e delegar essas tarefas, porque senão só uma pessoa não vai dar conta.
É ótimo isso. Agora, a gente falou do líder aqui, são perguntas de líderes realmente preocupados, né? Alguns dizendo: eu consigo colocar o limite na minha vida, mas como é que eu faço para colocar no meu time? A outra preocupada com como passar, exigir a produtividade e ao mesmo tempo demonstrar preocupação. Agora tem uma pergunta ao contrário, né, que assim, como eu promovo autocuidado num contexto em que a minha empresa, né, num lugar em que isso não é incentivado, que também é boa parte da realidade de algumas empresas do Brasil, né. A gente tá falando aqui especialmente Great Place to Work com empresas muito maduras do ponto de vista de gestão, empresas que realmente gente cuida, cuidam dos seus funcionários. Agora, existe uma parcela que realmente, e certamente tem pessoas que estão aqui nos ouvindo, né, que fala: poxa, eu quero me cuidar, eu quero colocar os meus limites, estabelecer, mas esse não é o ambiente que eu estou neste momento, como é que eu faço, né?
Dani, esse ambiente está ou é?
Então essa é a pergunta.
Então, mas veja, se eu não estou no ambiente, eu posso mudá-lo? Não sei. Eu posso fazer alguma coisa para mudá-lo? Eu posso começar comigo e servir de exemplo para outra pessoa, que vai servir de exemplo para outra pessoa? Sabe, me ocorre aqui, por exemplo, há uma campanha simples assim, sabe? Quantas horas você dormiu essa semana? Eu consegui dormir na média 6 horas, e você? E vai passando esses chamados, Dani. Eles despertam às vezes o melhor e o pior dentro de nós, mas eles despertam. E por mais que no início aquela provocação ou aquela fala cause impacto, deu um choque, a pessoa ela vai pensar a respeito. Então, para as pessoas que já despertaram, mas o ambiente ainda, ainda, de novo, negrito, grifado, caixa alta, não está favorável, ele pode ser Porque as empresas, como você falou, que já são maduras nesse ponto de vista, elas também não começaram do zero, elas também erraram muito para depois procurar um outro caminho. Entende?
Sim, sim, entendo, entendo. Até é tudo, é uma questão de aprendizado. Eu acho que todos nós estamos submetidos a muito aprendizado nesse momento, a muita experimentação. Eu tenho falado com bastante empresa, então assim, as tentativas e erros, elas aumentaram e muito, né? Assim, será que eu tô passando do tom da comunicação ou não? Será que eu tô passando do tom de criar novas práticas ou de exigir do meu funcionário? Há um experimento em tudo isso e eu acho, eu concordo com você, que se resume à comunicação e à transparência, né? Colocar todo mundo ou dentro de casa ou dentro da empresa para conversar e aprender junto, né? Porque tá todo mundo Tá todo mundo aprendendo. Eu ouvi de uma empresa essa semana algo que, que assim faz total sentido para a empresa GPTW, é que é neste momento, né, já era premissa, né, a gente acredita muito nisso, mas ficou muito evidente: ouça de todo mundo da sua empresa. Uma grande solução pode vir da onde você menos espera, e isso pode ser uma grande lição para muitas empresas que ainda pensam em ouvir só os executivos, só os líderes, só seus pares. E nesse momento a solução pode vir de qualquer um.
Ô Dani, a Luiza Helena Trajano falou isso para mim algumas semanas atrás. Ela falou assim: olha, ouça aquelas pessoas que não vão falar só o que você quer. Ela disse isso muito claro: você precisa ouvir aquilo que você não quer ouvir, porque daí pode vir realmente uma visão de fora, porque Senão você só vai ouvir os bajuladores, aquelas pessoas que vão te falar o que você quer ouvir, né? E outra coisa que ela me disse, que nossa, total sintonia com o que você disse, a questão do erro. Como essa, esse comentário anterior, né? Tipo, ah, o ambiente que eu estou não é propício. E aí, por medo de errar, as pessoas nem tentam. E a Luiza Helena Trajano, ela fala, gente, errou, corrige, mas não fazer por medo de errar Aí é autossabotagem, né? Tipo, ok, então eu tenho medo de não dar certo, eu tenho medo do que vai acontecer. Bom, no mínimo você vai ter uma experiência, né? E no máximo você vai conseguir avançar positivamente.
Isso, a gente tem só mais 5 minutinhos. E assim, tem muitas perguntas, é sério, olha só, tá aqui, já estão me falando, tem mais 5 só. A gente tem tanta coisa para falar. Eu queria Você falou uma coisa importante ali em alguma das suas respostas, de quando eu vou ver já é noite, né, já chegou o dia, já tô exausto, já não dei conta, o dia e a noite se misturam. Algumas pessoas falando, eu sei, eu tô vendo muitos posts falando da importância de colocar pausas, né, de saber se respeitar. Você deu o próprio exemplo, hoje eu tenho 3 compromissos, amanhã eu não tenho mais nenhum. Mas muitas pessoas perdidas nesse contexto, então assim Eu queria que nesses 4 minutos você pudesse colocar essas algumas práticas. De fato, eu tô perdido, o dia e a noite se misturam, eu não consigo. Eu sei que é importante, mas eu não consigo colocar essas práticas. O que que você falaria?
Adorei, porque agora eu vou conseguir falar de uma das coisas que eu mais gosto: atualização de identidade. Eu preciso fazer a minha atualização de identidade hoje, amanhã, no final de semana. Eu não posso jogar isso para ninguém Não posso terceirizar e nem deixar para depois. O que é atualização de identidade, Dani? É eu entender quais são minhas habilidades hoje, o que eu não consigo mais fazer e o que eu posso fazer. Então você vai ter que dividir, tá? Ninguém gosta de fazer lista, não gosta nem de fazer lista de mercado. Então quando fala, aí faz uma lista assim, sabe? Aí é uma escolha também, porque senão a gente fica sofrendo. Exemplo: eu com 40 anos não posso ficar me cobrando as coisas que eu fazia quando eu tinha 20. Então, quando eu tinha 20, eu podia dormir 5 horas e no dia seguinte produzir de forma genial. Se eu continuar nesse modelo agora, eu vou sofrer e eu vou me colocar numa condição de vida sem autocuidado. E aí vira um ciclo vicioso. Como é que eu vou substituir o vicioso pelo virtuoso? Quando eu fizer essa atualização de identidade e entender quanto hoje eu preciso dormir Quanto hoje eu preciso me alimentar? Ou o que hoje, se eu não fizer de alongamento— Dani, não estamos falando de exercício físico e ficar pulando corda meia hora, estamos falando de fazer alongamento— o que isso vai melhorar no meu dia? E não ficar se cobrando, tipo, nossa, idealizando uma coisa que é uma delusão. Delusão é aquilo que eu acredito no que já é ilusão, tipo, ah, eu já sei que aquilo não é de verdade, mas eu quero assim mesmo. Aí você vai estar perdendo tempo. Então Então, para quem tá perdido, a única forma de se encontrar é voltar para dentro, é parar de ficar buscando no Google, nas redes sociais, as respostas, é escolhendo espaços como esse, né, de uma instituição séria, com uma jornalista séria como você, propondo uma conversa séria e não só blá blá blá. Porque na prática a teoria é outra. Eu preciso fazer atualização de identidade para saber quais são as habilidades de hoje, Quais são os limites que eu preciso identificar e tentar e treinar mudar, né? Fazer numa agenda, por exemplo, onde eu tô perdendo muito tempo, qual é o ralo da minha energia, qual ralo do meu tempo. E só você pode fazer isso.
Muito bom. Eu costumo dizer que é para a gente olhar como oportunidade também, né? Porque assim, algumas pessoas podem usar esse momento para respeitar o seu relógio biológico. Por exemplo, você funciona melhor à tarde, se funciona melhor à noite ou de manhã. Então, dentro disso, faça esse exercício que você propõe, né, respeitando o teu relógio biológico, que a tua forma de produzir.
O autocuidado é um ato de amor próprio, é um ato de coragem, porque a gente vem de uma sociedade em que O acelera o tempo inteiro, é tudo expresso. A gente vive numa vida expressa e parece que se você fizer uma pausa de um minuto para poder revalidar o cenário que você tá vivendo, parece que é um crime, e não é. Então o mundo pode estar expresso, nós vivemos uma revolução digital, mas o nosso cérebro ainda é analógico e a gente precisa se cuidar. Não adianta terceirizar isso. Então o caminho é para dentro, é entender que nós somos seres humanos e por isso nós precisamos de coisas 3 coisas básicas: comer, dormir bem, respirar, fazer qualquer tipo de alongamento, exercício para melhorar a circulação, e se permitir ter momentos de lazer. Isso não é bobagem, fica para uma próxima conversa, tá? São coisas sobre neuroplasticidade, como a gente pode melhorar o funcionamento do cérebro.
Isa, muito obrigada, adorei! Ficaria aqui acho que a tarde toda conversando com você. Aprendendo também muito. Eu sei que a gente deve ter várias perguntas, então podemos encaminhar depois assim para responder todos. O nosso tempo realmente é ágil, né? Acho que temos todos agora outras demandas ali, mas vamos tentar se autoconhecer, né, para de fato produzir melhor. Então obrigado a todos que nos acompanharam nessa, nessa tarde. Mais uma vez, obrigada. Você quer deixar seus canais aqui? Seu endereço para as pessoas também te acompanharem.
Tenho compartilhado tudo que eu aprendo, que faz sentido para mim, tanto no Instagram, no YouTube, Isabela Camargo Real. Eu procuro fazer umas duas entrevistas por semana. Eu já fiz seis por dia, ó que loucura, né? Mas duas por semana também eu já acho que tá bom. É Isabela Camargo Real em qualquer rede social, já vai conseguir me encontrar, e eu tô à disposição. As palavras são sementes, então a gente pode compartilhar tudo que faz sentido para nós também.
Legal, pessoal, muito obrigada. Curtam o nosso canal, fiquem atentos à nossa programação. A gente tá com uma série de webinars e vários conteúdos também no portal do GPTW. Foi um prazer estar aqui, um abraço.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








