Vivi Duarte é a nossa entrevistada de hoje no Unha Talks com Izabella Camargo (07/03/2020).

Vivi Duarte talks with Izabella Camargo about Plano Feminino and Plano de Menina, initiatives that help underprivileged women and girls build self-esteem and plan their personal and professional futures through diversity and empowerment.
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Hoje nós vamos conversar com a jornalista Vivi Duarte, que é criadora do Plano Feminino e do Plano de Menina. Poderosa, gente. É muito pouco pra sua mulher, Henri. Ai, que delícia.
Muito feliz. Obrigada pelo convite também.
Tenho certeza que vai ser um papo muito gostoso.
Ai, vai. Já tô adorando.
Quem vai estar conosco? É a Ana fazendo aqui as minhas mãozinhas e a Dani também fazendo as mãozinhas da Vivi. Aliás, um beijo para todas as manicures de todo o país que sempre transformam a nossa vida em uma hora, né? Tem esse poder, né Vivi?
Nossa, maravilhosas, fadas, né? Tem que se cuidar, é o autocuidado, que é muito mais do que fazer a unha, obviamente, mas começa por isso, né? A gente se dá esse tempo, gente, esse tempo que a gente tá aqui pra conversar, Porque senão a gente não faz nada pra gente.
Que cor você vai passar, filha?
Eu vou passar um vermelhão, pra gente dar pá já.
Eu hoje vou usar, porque eu sempre uso o vermelho nude ou clarinho, aquelas coisas. Hoje eu vou passar um azul, amiga.
É, achei lindo.
Acho que tá na hora da gente usar um pouco mais. É fashion, né?
Gostei.
Vivi, de onde surgiu esse plano de menina, plano feminino? Vamos começar daí que eu sei que depois virão coisas muito boas.
Vamos. Olha, começou com o plano feminino. Eu fiz uma carreira executiva, sou formada em jornalismo, depois fiz marketing e tal E aí comecei a programar muitas campanhas de publicidade, fazer planejamento pra grandes marcas E comecei a olhar pras campanhas de uma forma que não era positiva mais pra mim Comecei a ver que na campanha de publicidade não tinham mulheres como eu, por exemplo mulheres negras, mulheres cacheadas e comecei a questionar dentro das empresas que eu trabalhava como gestora, gerente, e eu sempre, de alguma forma, era meio que cortada, podada. Ah não, Vivi, é aspiracional, é porque o produto é premium, tem que ter essa característica estética.
Sério?
Sério. em 2007, tá? Então eu comecei a preparar meu plano de saída com o plano feminino, que realmente foi uma consultoria pra provocar a publicidade, a repensar, né? Principalmente o machismo também, porque o quanto que a mulher tá sempre objetificada ali só servindo, né? Eu cuidei muito de uma linha de farinhas e óleos, então tudo era mulher servindo, feliz, né? A gente nunca sendo servida. Então o plano feminino nasceu pra isso, pra provocar uma consultoria para provocar a publicidade e mudar a narrativa. Vamos colocar mais gente, né? Vamos ter diversidade, vamos colocar a mulher no lugar de falar que ela merece. A gente tem 85% do poder de compra. 85% do poder de compra no mercado. Isso é pesquisa internacional, nacional, global.
Quais são as principais ações que você mais se orgulha? Que você fala assim, agora sim eu me identifico com essa propaganda.
Olha, a... A grande campanha que nós fizemos, que foi a virada de chave do plano, foi em 2012. Foi uma campanha pra seda. que a gente atende até hoje. Enquanto os portais colocavam, ai, cinco maneiras de agradar um macho na cama. Aí eu ia lá e escrevia, cinco formas de você conseguir gozar, querida. Porque, né?
Claro. Porque é só servir, né? É.
Então a gente tinha esse trabalho de tanto promover conteúdo pra mulher poder despertar, que não precisava ficar só naquele papel de objetificação, quanto provocar publicidade. Mas essa coisa de se olhar e falar, pô, Se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar, né? E trabalhar essa potência é diária, sabe? E aí você vai se construindo, você vai conseguindo acreditar mesmo e as coisas vão acontecendo, né?
É isso que você faz.
Tem muita relação, né, Isa? Não é, ai, nossa, com magia.
Não.
Por trás também disso tem uma relação. Não tem muito trabalho, muito estudo, muito.
Erro, a gente só acerta errando, né Vivi? E é isso que você desperta no plano de menina?
É isso.
Você quer despertar nas outras meninas?
É isso. O plano de menina, ele é uma ódia às minhas amigas que não vieram comigo. E eu super me emociono quando eu falo disso porque muitas amigas da minha infância não vieram. E eram meninas muito potentes, né? Incríveis, né? Mas em algum momento, com certeza, alguém falou pra elas que não era possível. Alguém invalidou um sonho. Ou financeiramente ela não conseguiu. Dentro de casa, precisou trabalhar e ajudar na família. Então, as meninas de periferia, elas sonham grande. Mas em algum momento da vida, e geralmente é quando elas estão chegando pra se formar no segundo grau, a realidade bate. Então, ah, precisa pagar uma conta de luz. precisa ajudar em casa. E aí é o momento que elas se contentam com o que vier. Então os planos vão sendo invalidados. Então quando eu cheguei a ter o... a olhar para o que eu tinha construído e falar, putz, cheguei, sabe? E o que é chegar? Eu tava feliz, eu tava realizando, eu tava trabalhando com o que eu gostava, era reconhecida, então pra mim aquilo era chegar sim, porque da onde eu saí pra onde eu... o que eu conquistei, eu pensei muito numa frase que a minha avó sempre falava que era, não esquece da onde você saiu, né? Minha avó sempre falava isso, porque em alguns momentos da minha vida eu sempre não lidei muito bem com o que eu tava ganhando, então meio que você fica um pouco deslumbrada e tal. E aí ela sempre olhava pra mim e falava assim, olha aqui, você não esquece de onde você saiu. E isso pra mim sempre foi um tapa na minha cara, né? Eu falava, tá bom, nossa... Isso é assim, o que você vai fazer com o teu privilégio, né? Se você chegou, quanta gente não chegou, né? Então o plano de menina é isso, é essa ódio a essas minhas amigas e é mostrar pras meninas da periferia que elas podem muito mais do que elas imaginam E ser essa ponte de conexão pra elas chegarem mais rápido, pra elas alcançarem, sabe?
Quantas meninas você acha que você já impactou e de quais bairros elas são? Só de São Paulo? Em outros estados?
Esse ano a gente fez um movimento de expansão, então esse ano a gente foi pra 10 estados. Pra realizar um plano, a primeira coisa de tudo, o essencial é a autoestima. é você acreditar em quem você é, e a gente falou disso. Então, pras meninas do plano, eu falo exatamente disso, da gente gostar de como a gente é. Obviamente, a gente vai ter uma hora que vai falar assim, ai gente, meu, parece que eu tô me sentindo meio estranha, não sei, ah, tem alguma coisa que a gente quer mudar, o cabelo, de repente, sei lá, pintar, isso é normal. Mas a tua essência, né, gostar do teu corpo, idolatrar aquilo que você tem, isso daí te... porque eu sempre tive peitão, Todo mundo sempre fala do meu peitão e não sei o que, peitão. Se eu ficasse andando assim, imagina, né? Ai meu peitão, ai meu peitão. Eu falei, é isso mesmo. É o meu peitão, é o peito que eu tenho. Então é isso que eu ensino para as meninas. Acreditar em quem elas são. Então elas entram no projeto cheias de questões diante do espelho. A gente tem um teste que a gente faz que é o teste do espelho. E aí é a menina conversando com ela em primeira pessoa. E contando pra ela porque que ela não gosta do que ela não gosta, porque que ela gosta do que ela gosta e tal. É aquela, sabe, autoanálise ali de frente a frente. E é tão lindo, porque elas começam a conversar e desabafar com elas. E é uma... Sabe, a gente entende que tem muita coisa que a gente não gosta na gente porque a gente quer validação do outro.
Ou por histórias que te contaram.
É. Ou comparação, né? A gente fica se comparando. Um monte de gente aí usando Photoshop na internet. Ou, tudo bem, tem o corpo diferente que o seu, mas se você não valida o teu corpo pra você botar pra ocupar algum espaço, pra fazer acontecer, você vai ficar invisível, né? Então, elas aprendem... A primeira coisa que elas aprendem é isso, é gostar de quem elas são, é acreditar Sabe, em cada, da pontinha do pé, assim, dedão do pé até o último fio do cabelo, mostrar de quem elas são.
O plano de menina acontece durante quanto tempo? Você vai numa escola? Você junta num bairro?
É, são escolas que abrem pra comunidade. E a gente tem uma jornada de oito meses. Oito meses, quatro horas por semana, e aí são cursos de educação financeira, de empreendedorismo, de liderança, de autoestima, relacionamento tóxico, programação, tem de tudo ali.
É um legado.
É, é toda uma modulagem ali pra realmente elas saírem, elas saem potentes assim. Meninas que tinham, como eu, cabelo alisado, saindo de Black Power. Meninas que não gostavam de usar saia longa porque eu sou baixinha. Usa a roupa que quer, sabe? E meninas falando, articulando, então é maravilhoso.
Caminhando pra uma conclusão, o que que hoje ainda é uma palhaçada pra você? Que você fala que é isso, gente, que é uma palhaçada.
Gente, é uma palhaçada você entrar nos lugares dentro de empresas e você não conseguir ver diversidade. Eu vou falar disso porque é, né, vou falar a minha bandeira que eu defendo, né? Hoje no Plano de Menina a gente faz essa conexão também de meninas para o mercado de trabalho. Gente, como que a gente vive num país, 54% da população é negra, e aí você tem grandes multinacionais globais vendendo para essas pessoas, e aí você entra dentro do núcleo corporativo da empresa e não vê diversidade, sabe? Então, eu acho isso uma palhaçada. O Brasil precisa acordar em diversos sentidos, e a gente sabe disso. Mas a principal questão é dar espaço pra diversidade. Então, eu acho isso uma palhaçada, sabe? Falou de palhaçada, eu já penso... nessa falta, viu?
Você tá me dando um exemplo que dificilmente eu vi e olha que eu já entrevistei gente nessa vida. Nós nascemos, como você fala, pra servir e dificilmente a gente sabe se valorizar, dificilmente sabe se colocar preço pro seu serviço e tal. E eu percebo que não, você é uma pessoa que tem talento, tem dom, tem muita garra, mas também cobra por isso. Porque eu tenho muita dificuldade em colocar preço nas coisas que eu faço, gente. Eu acredito que muitas pessoas também Isso ensina a gente? Como é que você bota preço nas coisas?
A gente tem que dar valor ao nosso trabalho, mulherada. A gente tem que dar valor ao nosso trabalho. E sabia que eu também, no começo, eu tinha essa dificuldade no começo. Mas eu falei, não, pera lá, gente. É o meu trabalho, é o meu repertório. A gente tem que respeitar a nossa história, né? Então, não ter medo de cobrar. E isso tem muita empreendedora que às vezes manda lá pelo plano feminino também, pedindo, como eu faço para cobrar, porque vão achar caro. Aí tem outra pessoa que vai fazer com preço menor. Não interessa se tem outra pessoa que vai fazer com preço menor. Interessa o teu valor, o teu trabalho, a paixão que você vai colocar no teu negócio. É você igual você não tem mais ninguém, então acabou.
Vivi, se você tivesse um megafone, o que você diria para meninos e meninas?
Tenha um plano! Tenha um plano, sabe? Essa coisa de... Já tá em grito, já fico pensando no megafone, a louca! Amiga, mas ter um plano fez toda a diferença na minha vida, né? E aí, eu tenho um ranço daquela música, deixa a vida me levar, a vida leva eu. Porque o Zeca Pagodinho, queridinho, né, meu querido? Eu adoro ele, mas assim, Zeca, você sabe muito bem que você não deixou a sua vida ser levada, né? O cara é super estratégico, faz um baita network, é um artista incrível. Então assim, gente, isso daí é só licença poética. Esse negócio de deixa a vida me levar, não deixem. Tenham um plano, né? Então é isso que a gente quer colocar na cabeça dos adolescentes, das crianças, dos meninos, das meninas. Ter um plano, saber pra onde você quer ir, o que você não quer pra tua vida, já te leva muito além do que você pode imaginar. Então esse é o... Assim, eu grito o tempo inteiro, gritaria nesse megafone.
Tenha um plano.
Tenha um plano.
Olha, nessa entrevista, acho que ficou muito claro aqui pra todos nós, é que pra gente ser valorizado, nós precisamos nos valorizar.
É isso.
Acho que essa lição que você tá dando, Vivi, não só pra mim, pras manicures maravilhosas, né, pro Eduardo Sorrentino e pro André Zorato que estão aqui nos filmando e pra todo mundo que tá assistindo, valeu! Valeu demais, porque não é clichê, a gente tem que sair da teoria e ir pra prática. É um exercício.
Parece fácil, mas a gente se dá valor, a gente tá sempre se invalidando. A pessoa fala, ai, parabéns. Não, imagina! Não foi só eu, foi o mundo, foi esse chão também responsável. A gente sempre tem dificuldade em receber elogio, em se valorizar, né? Então tem que pegar isso pra gente sim. Ah, obrigada. Eu fiz um ótimo trabalho mesmo. Eu gosto do que eu faço.
Que bom.
Que bom que você gostou. Então não tem vergonha de se dar o valor, né?
Ó... Com unhas azuis dessa vez.
Maravilhosa, amei essa cor.
Vivi, você é espetacular.
Você também, amiga.
Que você seja inspiração, que você acenda outras luzes para que o nosso mundo fique mais iluminado.
Ah, e você comigo também.
Vamos juntas. Vamos mostrar como é que fica.
Eu amei, Dani. Arrasaram.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








