A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #1

A Arte do Planejamento — Episódio #1 is a Portuguese-language podcast/video (host André Novaes) featuring co-host Frederico Gonçalves and guests Rodrigo Guerreiro and Gabriel Pereira discussing real-world financial-planning practice. Through recent client cases and weekly experiences they explore themes: clarifying life goals, prioritization (including the “second-best” choice), quantifying objectives (car purchase vs. retirement), decision-making frameworks ("decisões 3D" and checkpoints), and the planner’s role in family dialogue and long-term accompaniment. Concrete cases include a client able to reallocate retirement-surplus funds to buy a car, widespread car-price inflation effects, a family selling a home and moving to rent (50% above advised range), and follow-up practices (15-minute weekly checkpoints, a six-month "family nuclear" tightening plan).
Questions this video answers
About 15 years (he says '15, 15 para 16').
Three years (he says he is a planner for three years; client referenced of two-and-a-half years).
About one year (he says he is in his first year).
They mention recording this first episode in August 2022.
About two and a half years (Gabriel: 'cliente há dois anos e meio').
Chapters
Olá pessoal, sejam bem-vindos a, de alguma maneira, talvez assim eu desejo, assim a gente deseja, daqui a pouco eu vou apresentar quem está aqui na minha companhia, que seja o primeiro episódio histórico desse podcast nosso, A Arte do Planejamento. Sem delongas, deixa eu me apresentar. Eu sou André Novaes, eu sou um planejador financeiro pessoal.
18 anos celebrando nesse ano. E eu estou aqui na companhia do Fred, eu estou na companhia do Rodrigo e também do Gabriel. Frederico Gonçalves, Rodrigo Guerreiro e Gabriel Pereira. Também para quem está escutando a gente no podcast, se você quiser, você pode entrar no YouTube, lá no site da Academia de Planejadores e você vai poder ver a gente, vai poder ver quem são esses caras bonitos, bem apensuados, caras de inteligente, planejadores de sucesso. Aqui na voz você não vai sentir isso, mas lá no YouTube você vai poder ver. Deixa eu começar dando aqui as minhas boas-vindas para o Fred. Fredão, bem-vindo. O Fred, inclusive, pessoal, só para quem vai acompanhar a gente aqui, ele vai ser o co-anfitrião nesse podcast, nos primeiros episódios junto comigo. Eu e o Fred, a gente tem uma caminhada de 40 anos, a gente se conheceu na maternidade, Depois eu deixo de corrigir essa brincadeira, mas é quase isso. E o Fred está, desde o início.
Criando, recriando, revitalizando a Life Finanças Pessoais junto aqui comigo. Então, Fred, deixa eu te dar o bom dia e boas-vindas.
Bom dia. Bom dia é uma honra. abrir, inaugurar isso tudo, ser o co-host nesse primeiro momento do nosso podcast. Tenho certeza que isso aqui vai ser muito legal. O papo vai ser muito bacana, interessante para todo mundo que vai nos ouvir. Prefiro que me chamem de Fred mesmo, Fred Gonçalves, pode ser assim, não tem problema não. Pessoal, planejador há 15, né? Acho que 15 anos, 15 anos desde o início da live, 15 para 16 quase já, né? Enfim, aqui pra bater esse papo e tentar ajudar todo mundo aí a conhecer um pouco mais sobre o planejamento, a importância, enfim. Vai ser um prazer aqui estar com o Rodrigo e com o Gabriel. E com você, André.
Muito bem, muito bom. Deixa eu dar agora as boas-vindas pro Gabriel. Gabriel, tudo bem?
Tudo bem, André. Tudo bem, Fred, Rodrigo, todos os ouvintes. Prazer enorme, uma honra participar desse primeiro episódio aqui. Quando o André mencionou lá que ia iniciar esse projeto, eu não hesitei em candidatar para participar. Sou planejador financeiro há três anos e espero poder contribuir aqui com o nosso bate-papo.
Muito bem, sem dúvida. Rodrigão, muito bem-vindo. Rodrigo Guerreiro.
Olá, André. Olá, André. Olá, Fred e Gabriel. Obrigado por me receberem aqui. É uma alegria estar no primeiro episódio aqui, que seja o primeiro de muitos mesmo. Sou planejador financeiro como vocês, num estágio diferente. Estou começando a trilhar essa carreira no planejamento financeiro pessoal. Estou no primeiro ano e vai ser muito legal trocar ideia com vocês aqui e falar das nossas experiências.
É isso aí, é isso aí. Pessoal, seguinte, pra quem então tá acompanhando a gente no vídeo, eu aqui tô projetando... um único slide, porque o barato disso aqui é um bate-papo, mas só para deixar aqui registrado que esse podcast, Arte do Planejamento, é uma conversa entre colegas profissionais. Aqui o nosso objetivo é abordar casos reais, é trazer o presente do planejamento financeiro, questões contemporâneas, talvez casos, talvez causos que fazem parte da nossa atividade, mas permitir que todo mundo que esteja assistindo ou ouvindo a gente, eu não sei se você está aqui tomando um café, se você está correndo, se você está numa esteira, se você de repente está se deslocando de carro, mas para que você possa mergulhar junto com a gente em questões reais e que demandem a arte, para a gente poder agregar e entregar o que é o verdadeiro planejamento para as famílias. É uma grande troca de experiências e muito mais por causa desses caras que estão aqui. Eu espero que seja uma conversa madura, profunda e abrangente, ok? Gabriel, quero começar com você, cara. Me conta aí como é que foi a sua semana passada, o que você vivenciou na semana passada, o que você pode trazer para a gente começar aqui a ter um papo totalmente sem script. Como é que foi a sua semana passada?
Vamos lá então, acho que semana passada eu tive um caso interessante, um caso positivo, que reforça muito a importância do nosso trabalho, fiquei contente com o que aconteceu. Resumindo assim, para não ser muito longo na descrição, uma cliente que há dois anos e poucos atrás foi uma das minhas primeiras clientes, no estágio que a gente começou a criar os planos de investimento para ela, ela tinha o objetivo de estar trocando o carro dela, E a gente fez uma estimativa de acordo com o contexto dela na ocasião, um período ali até pré-pandemia, estimamos o valor que ela gostaria, o carro que ela gostaria, fizemos os aportes, ela foi uma cliente bastante assídua no planejamento financeiro nesse sentido, ela estava fazendo os aportes e na reunião de acompanhamento que eu tive com ela na semana passada, ela estava um desacreditada, porque mesmo fazendo os aportes, o valor que ela tinha juntado, não daria para comprar o carro que ela começou a procurar, que já está há três meses, faltam apenas três meses aí para ela estar realizando isso, o carro dela já está um pouco velho, só que ela foi começar a ver os preços, a gente sabe que nessa pandemia aí, os carros subiram muito mais do que a gente imaginava, estava um pouco Triste, como eu disse, aí a gente, navegando ali nas nossas ferramentas, nos planos dela, a gente pôde ver que um dos outros planos dela, que era o plano para a aposentadoria dela, de acordo com as projeções que a gente tinha ali, ela estava um pouco à frente nesse plano, que permitia que ela, então, derivasse parte dos recursos desse plano que estava acima.
Estava vendo e que ela pudesse trazer esses recursos sem comprometer o plano de aposentadoria dela para estar ajudando a recompor esse valor do carro. Foi algo que ela ficou muito surpresa de enxergar isso e conseguir mostrar para ela o quão relevante e importante é a gente estar se planejando, mesmo que em um certo momento algo não saia como a gente planeja, mas é o simples fato da gente estar olhando o nosso futuro, a gente sempre pode estar buscando dentro de tudo aquilo que a gente almeja realizar, ver aquilo que é mais importante, mais relevante naquele momento e estar podendo se aproveitar desse planejamento como um todo. Acho que foi algo muito relevante que ajuda a reforçar a importância de um planejamento e de um planejador ao seu lado.
Ela é sua cliente há quanto tempo, Gabriel?
Ela é cliente há dois anos e meio, foi uma das primeiras clientes que eu tive quando iniciei a carreira há três anos. É muito legal a gente poder enxergar esse resultado do trabalho.
Sem dúvida.
Compra de carro fica um assunto que o Fred adora, então eu te trago aqui para o bate-papo. Fredão.
Como é que você atua como planejador quando tem essa questão de troca de carro, ainda mais numa situação onde Não dá para saber se está caro, porque talvez nunca volte a estar no preço que estava. A gente está gravando esse primeiro episódio aqui em agosto de 2022 e está tudo realmente nas alturas. Mas aí, Fredão, o que você tem co-criado junto com seus clientes nessa agenda?
Eu acho que o primeiro ponto aqui e o mais importante que o Gabriel colocou é essa essa questão de você reformar também um pouquinho as interpretações com tudo aquilo que está acontecendo. A gestão ali que ele estava fazendo junto a cliente dele mostra que nem tudo estará previsto. Ninguém previa há dois anos e pouco atrás que um carro subisse 23 a 30 por cento quase em alguns casos.
Então, assim, o mais bacana é você entender que algumas outras coisas caminharam mais do que ela previa, porque também teve aumento de taxa e tal, etc. E aí ela pode, de forma consciente, o entendimento junto ao planejador, entender que talvez eu possa realmente comprar aquele carro que eu quero, deslocando um pouquinho um ou outro valor que eu tenho. para fazer a realização desse sonho ou mais importante ainda a reflexão junto ao planejador de faz sentido ou não ter aquele carro depois de um aumento desse. O que eu tenho falado muito com os meus clientes e eu sou realmente um entusiasta de carro mas tenho reformado isso é até comigo mesmo se deixar todo ano quero um novo. Mas é entender a necessidade da troca E entender mais até do que se eu tenho dinheiro ou não para fazê-lo, é se vale a pena fazer, o que vale a pena eu buscar. Tem muita gente nesse momento agora que nós estamos vivendo que se empolgou com essa questão de ganhar, entre aspas, aqui um dinheiro com o carro e muita coisa nova sendo vendida. Muita coisa com mil, mil e poucos quilômetros, dois mil, coisa muito nova. Então, também entender essa questão do semi-novo, como brinca aqui, tem um anúncio aqui em Campinas, André, um semi-novo muito novo, né? E de formar um pouquinho essas questões e entender, poxa, tudo bem, eu posso até ter o dinheiro, como a pente do Gabriel tem, combinando alguns resultados ali, mas faz sentido gastar tudo isso? Você acha que vale? Dá pra gente olhar pra alguma outra opção? Ou não, vale porque era um sonho, de repente é um sonho da pessoa de tempos, né, como uma cliente minha que ela falou assim, Fred, eu quero ter uma SUV chique. Ela chamou o plano dela. Foi legal. Chegou no momento, ela falou assim, vou tomar essa decisão de comprar esse carro. Ela comprou, mas ao mesmo tempo ela quer montar um negócio dela. O mais legal de tudo nas discussões é que assim, ela tem certeza de que o plano do negócio dela é mais importante que qualquer outra coisa. Então agora que a gente está para realizar o plano, dela, do negócio dela, ela virou, a primeira coisa que ela falou, Fred, lembra aquela questão do sonho da SUV chique? Ok, eu já tô há seis meses, oito meses com o carro. Pro meu negócio, eu abro mão desse carro. Então, o legal é isso, a pessoa entender os valores, as questões, as prioridades, etc. Então, eu tenho reformado muito essa questão assim, até onde vale a pena, né? O segundo melhor, não o melhor de todos, né? O que que é necessário, a segurança e etc. Entender tudo isso e reformar um pouquinho a questão daquele exercício que a gente faz de priorização para entender qual é o carro efetivamente. Tem um cliente meu que tinha um sonho de ter um WRX, um Subaru. Falei Fred, não faz sentido eu ter um carro desse aqui e não vou colocar a cadeirinha dos meus filhos no carro. Acabou. Mas foi uma discussão. acerca disso, ele não simplesmente desistiu do sonho, ele entendeu que as prioridades são outras e ele, ok, tudo bem, mas é a profundidade da relação do conhecimento, da história do cliente, do conhecimento de tudo aquilo que ele quer fazer, então o Gabriel tá aí, a maior prova é essa semana aí, de que olhando junto com ela, ela entendeu que, pô, se eu quiser eu posso, agora tem que entender se vale a pena.
Rodrigo.
Deixa eu te trazer para a conversa, cara. Está começando na carreira e o cliente fala assim, quero comprar um carro, de qualquer jeito. Eu vou te colocar na fogueira agora, hein, cara? O que você falaria para ele sobre essa questão toda? Primeiro, antes disso, você também curte carro? Rodrigo, conta um pouquinho, você tem esse viés assim ou não?
O meu exercício, a minha dificuldade, costuma ser o inverso até. Eu sei que é uma grande paixão de muita gente, tipo o Fred, mas eu não tenho... tanta paixão, assim, eu sempre vi mais o carro como, ah, qual é a praticidade que ele me dá, né? E não tanto como esse desejo que muita gente tem, uma paixão que muita gente tem, né? Então, o meu esforço, na verdade, é eu separar isso e saber que, pra algumas pessoas, isso tem um valor diferente pra vida delas, né? Traz uma satisfação, uma alegria diferente, né? E isso é importantíssimo na nossa atividade, saber que as famílias são muitas, as prioridades, os desejos são diferentes e a gente tem que buscar, de uma forma responsável, claro, tentar ajudá-los nisso, na concretização desses objetivos. pensando até nesse início, como eu falei, eu estou no meu primeiro ano de atividade, então, necessariamente, todos os meus contatos são início de trabalho. Mas o que o Gabriel trouxe me fez lembrar uma conversa recente que eu.
Tive.
Que mostra a importância da gente auxiliar nessa clareza do objetivo e conseguir dar uma visão quantificável do que você precisa fazer para concretizar esse objetivo. Acho que o exemplo que o Gabriel trouxe, não seria possível repensar esse plano de investimento se ele não tivesse ajudado a cliente a entender o que ela precisa para a aposentadoria, o que ela precisa para o carro e falar assim, opa, dá pra gente remanejar, né, daqui pra lá com segurança, com clareza, né. E eu pensei muito nisso, porque uma família, né, que tá começando comigo tem justamente essa dificuldade, né, explorando com eles um pouco da vida financeira, né. Uma família que nem tem um problema com relação a conseguir poupar. Eles têm conseguido poupar. Mas quando a gente pergunta, né, aquela... A famosa questão nossa de por que nós estamos poupando, né? Quais são os objetivos? Não é raro vir o… Puts, é porque eu preciso, né? Eu sei que eu preciso, eu não sei quanto. Eu não sei exatamente pra quê, não parei pra pensar muito nisso. mas eu preciso fazer isso. Então, um trabalho importante que eu vou desenvolver com eles é justamente isso que o Gabriel fez, de identificar o que são as prioridades e se for o carro, tudo bem, isso vai estar contemplado lá de alguma forma, mas dar clareza quantificado também do que precisa ser alcançado, em quanto tempo é factível, o que é a prioridade, a aposentadoria, o carro, o que está. um dia o que não dá, para justamente dar essa tranquilidade de que tem um plano e o plano está sendo seguido.
Isso aí. Fred, você trouxe um conceito que eu queria que você explorasse um pouco melhor. Você falou assim, eu posso explorar o conceito do segundo melhor com o cliente. Explica pra gente como é que você traz isso pra conversa, você tem 60 segundos pra explicar o conceito de tudo melhor pra gente.
É basicamente um exercício de entender se eu realmente preciso, por exemplo, quando eu tenho... os nomes dos carros, os modelos, eles vão ficando mais chamativos, vão falar assim, ah, eu tenho longitude, o Límited, o S, eu não sei o que, É assim, entender o que aquilo oferece a mais para custar 40 mil, isso faz sentido, porque basicamente é o mesmo carro, mesmo espaço, mesma segurança. Ah, não, mas esse aqui tem itens que eu preciso. Ok, vale a pena ir para aquele outro. Tem como opcionar um nesse e não vai custar tanto?
Sim.
Então o conceito do segundo melhor é entender o seguinte, eu não preciso, vamos dar um exemplo do meu carro, eu não preciso do Compass S se o Limited me atende e eu economizo 20 mil Eu não preciso do limite, se o Longitude me atende com um pacote X ali, e eu vou 40 mil a menos. Entendeu? Então assim, eu tenho que entender o que eu preciso, o que cada um oferece, e entender que eu não preciso estar no topo. Basta eu ter aquilo que eu preciso.
O conceito do segundo melhor é justamente, primeiro, acolher o desejo que o cliente tem. É bom ele nomear o desejo que ele tem, que seja realmente bem específico, mas depois uma boa decisão é quando existe um contraste, uma comparação. Então, você pode falar no carro, você pode falar numa casa para alugar, você pode falar numa viagem para fazer, você pode falar roupa para comprar, de um eletroeletrônico para comprar, qual seria o segundo melhor? E muitas vezes o cliente, ao ser convidado a essa reflexão, ele percebe primeiro que existe um segundo melhor, que geralmente tem 90% ou mais os atributos do primeiro melhor, talvez economizando 20, 25%, ou seja, você tem uma relação custo-benefício mais adequada. E eu acho que essa é uma maneira, é uma arte, ao meu ver, construir uma decisão não apenas dizendo pode ou não, mas oferecendo talvez uma reflexão maior. E como o Gabriel colocou, olhando para o futuro para poder tomar uma decisão consciente no presente. A gente está um pouco à frente na aposentadoria. Quem tem esse planejamento? Que tipo de profissional tem conseguido entregar essa perspectiva para o cliente, que ele pode dizer, ei, não é uma questão de quanto o meu dinheiro está rendendo, do quanto acima do benchmark o meu dinheiro está rendendo, mas eu estou à frente da minha expectativa e eu posso, então, realizar mais no presente. Isso é liberdade. Isso é liberdade.
Perfeito.
Fred, me permite entrar. Essa questão do segundo melhor é algo que vai ter que ser muito praticado com essa cliente por duas razões. Uma é porque realmente os valores dos carros subiram muito, então a gente talvez não vai conseguir encontrar o carro ideal com o valor disponível, então vamos ter que fazer esse exercício para encontrar algo que se encaixe dentro do orçamento, mas também uma outra questão que despertou muito interessante e que ela trouxe na reunião foi que ao enxergar o montante, a somatória do que ela já guardou para o carro, trazendo a aposentadoria, e vendo como foi todo esse processo durante esses dois anos e meio de investimentos, começou há dois anos e meio lá atrás, investimentos com liquidez, lá no início ganhava 4%, hoje enxergando isso a 14%, ela transmitiu para mim assim, ah, Gabriel, mas gastar todo esse dinheiro agora, Porque ela enxergou o trabalho que ela teve, como foi o processo, então muitas vezes tem uma frase que eu acho que foi o André mesmo que falou, que eu não sei de onde trouxe, que é muito mais importante do que aquilo que você conquista ao se planejar, aquilo que você se torna. Porque é um processo que se ela não estivesse se planejando, ela estaria gastando esse dinheiro de uma forma não muito intencional, não estaria com os recursos necessários para estar fazendo essa decisão importante, que é realmente relevante para a vida dela. Então, isso que eu considero transformador no processo do trabalho de um planejador financeiro.
É isso aí. É isso aí.
E me permitindo aqui, então, aproveitar isso que acabou de falar, Gabriel. É importante também olharmos para isso de modo a também ensinarmos para as pessoas que também não adianta só se apaixonar pela reserva criada, né? Porque tem aquela reserva, é um trabalho muito árduo de criá-la. E aí, de repente, a pessoa começa a não mais realizar sonhos porque ela fala, nossa, é legal acumular. Lembra? Nós vamos falar sobre o número de histórias, não a história dos números, né? Ou seja, contar a experiência. Então, eu vou citar um exemplo do segundo, melhor, por exemplo, em viagem. Você optar, de repente, como recentemente fizemos com um casal de clientes, da experiência que eles fizeram numa viagem, onde eles não contrataram o pacote total do hotel que oferecia, porque eles leram sobre a região e falaram, é super legal que você alugue um carro e vá experimentar os restaurantes da região. E isso trouxe... Na volta da viagem deles, uma experiência fantástica. Com a Fred, foi muito melhor a gente olhar e não ir pro lado da preguiça de, ah, tô só lá. Eles viajaram na viagem antes, né? Eles começaram a fazer a viagem estudando tudo aquilo que ia acontecer, né? E acabou que, poxa, eles falaram, cara, foi fantástico. Porque o que a gente gastou fora não foi tudo aquilo que a gente pagaria a mais dentro do hotel. E a experiência foi fantástica. As fotos que trouxeram, as comidas que eu experimentar. Então, olhar para esse segundo melhor. Porque, às vezes, assim, o que é melhor na questão da viagem? Em teoria, seria a melhor opção de estadia dentro do hotel, que é com tudo.
Não, inclusive.
Acho que esse é um bom caso. Daqui a pouco, quero que o Rodrigo também compartilhe um pouquinho do que ele viveu na semana passada. acho que da grande trilogia. A gente planeja, a gente atinge o que a gente planejou, mas a gente tem que decidir, a gente tem que ponderar acerca do que a gente atingiu na direção de faça ou não faça e como faça. E a relevância de ter um planejador na companhia para isso. Por isso que é a arte do planejamento dois anos e meio, não é, Gabriel? E não a arte do plano, porque poderia ter um plano. E aí não teria o que celebrar ou atingir, narrar as conquistas ao longo do processo, a ponderação relevante para qual decisão ser tomada agora. Então, o planejamento prevalece sobre o plano. O filme é maior do que a foto. Rodrigo, deixa eu te trazer aqui para a conversa agora. Conta para a gente o que você experimentou na semana passada para a gente poder bater um papo.
A minha semana passada foi conversas de dois mundos distintos. Conversas de trabalhos que se iniciam, pessoas que fizeram essa escolha por ter o acompanhamento de um planejador financeiro. e bem em linha com o que a gente tá conversando aqui, foi legal porque traz, reforça até, pra mim mesmo, a abrangência do nosso trabalho. Porque uma das conversas que eu tive com uma família que tinha um acompanhamento, mas não era de um planejador financeiro independente, um agente autônomo de investimento e com o passar do tempo essa relação se distanciou, eles se sentem inseguros, não se sentem suportados com esse tipo de profissional. E também sentiam muito perdidos com relação a, poxa, pra que eu estou poupando aqui? Quais são exatamente meus objetivos? E tinham dificuldade em quantificar o que a gente falou aqui, que às vezes é o que é o suficiente. Onde eu preciso chegar, até com relação à aposentadoria ou outros sonhos. E ficou muito clara a abrangência do nosso trabalho, porque você começa a perceber que essas... essas dificuldades ou essas inseguranças começam a transbordar até os temas. Então, na família acaba tendo um debate grande pelas diferentes personalidades das pessoas do podemos fazer isso ou não podemos. Estamos seguros ou não estamos seguros. E isso gera atrito. Gera atrito às vezes no casal, por exemplo, quando tem esses perfis diferentes. Então um do casal sempre acha que estamos bem, dá pra fazer, podemos fazer essa viagem, podemos trocar o carro. Enquanto o outro, por essa falta de clareza, será que podemos mesmo? Acho que não. Isso começa a gerar atrito e ter até questões familiares que poderiam ser sanadas justamente com com o acompanhamento que a gente está comentando aqui, com uma quantificação, com entendimento do que são os objetivos, quanto precisa para atingir esses objetivos. Então, é uma conversa muito rica mesmo e eles vão poder se beneficiar muito, sem dúvida, desse acompanhamento. E isso acaba até... entrando em outras questões mais profundas com relação a trabalho. Eu consigo trabalhar um pouco menos? Não consigo. Então a gente percebe bem forte como ter um caminho, ter clareza desse caminho pode resolver muita insegurança.
Muito bacana. Olha só, para mim isso é um caso de... É o caso de uma saudável angústia, se é que é possível existir uma angústia que seja saudável, mas talvez essa dúvida, que eu acho que leva para a maturidade, dúvida entre podemos fazer e será que devemos realizar? E como que o planejamento financeiro, o planejador financeiro joga uma luz nisso? E olha só o relato de alguém que já era acompanhado, mas que não tinha essa abrangência, que não tinha essa profundidade. Fred, deixa eu te trazer pra essa conversa. Quero te escutar um pouquinho no seguinte. E aí? O cliente tá, cara, tô em dúvida. E essa dúvida tá me consumindo um pouquinho. De um lado, a gente pode até dizer que um cônjuge topa, o outro tem dúvida, ou pode ser que a gente mesmo acorda dizendo, vou fazer. Já na hora do almoço, a gente fala, mas será que eu devo? Como é que, na sua experiência, você tem, através da arte do planejamento, ajudado as famílias a construírem boas decisões?
Eu tenho gostado muito de falar das palavras a serem usadas. E a palavra principal é clareza. Clareza. as pessoas precisam de luz nesse caminho, de clareza sobre aquilo que querem realizar, que gostariam de conquistar, que gostariam de se tornar. E nada melhor do que uma boa conversa sobre o plano e projeto de vida, depois uma estruturação do planejamento financeiro para a realização desses planos e projetos de vida, que vai dar clareza no caminho. E aí o mais legal é que, de forma muito tranquila, e, obviamente, sem diminuir a importância de uma boa alocação final, você tira o peso da necessidade de um ganho absurdo e traz para um ganho real, onde as pessoas têm clareza daquilo que elas precisam. Então, muitas vezes, vamos citar aqui um exemplo, basta uma pré-fixação numa taxa X e, mais importante do que quanto ganhou, é realizar aquele plano naquele prazo. Então, a melhor palavra aqui é clareza. Como eu tenho trazido isso aos meus clientes é clareza. Um processo de transformação e entendimento disso.
Acho que, sem dúvida, é um elemento fundamental. Gabriel, compartilha para a gente aí, você, cara, o que você tem testado, usado? A gente tem muito essa cultura do laboratório. Eu acho que a arte do planejamento também requer essa disposição para a gente testar coisas junto com os clientes, testar abordagens, entender que o que funciona com um requer adaptações, requer alterações para funcionar com outras famílias. Por isso também a alusão à arte. O que você tem feito, aprendido, testado, Gabriel, quando existe essa angústia de um momento, yes, eu posso, do outro, opa, será que eu devo? Como é que você tem ajudado nessa direção?
Então, André, eu acho que essa sensação é super natural, ela é comum, principalmente no início do trabalho, Porque tantos nossos clientes, qualquer pessoa, eu acho que a gente quer realizar muitas coisas. E normalmente, a gente dá muito atenção àquilo que está mais urgente, que está mais latente no momento. E aquilo que é mais de médio e longo prazo, a gente sempre acaba deixando para depois. Então, um exercício muito bom é a gente ajudar o cliente a colocar na mesa tudo aquilo que ele almeja realizar. ao longo da vida. E não é numa simples conversa que a gente consegue pensar de forma profunda sobre isso. Então, no começo do trabalho, é natural o cliente trazer lá o objetivo, no mês seguinte, dizer que aquilo é uma prioridade, no mês seguinte, se relacionando com o seu orçamento, tendo uma conversa mais profunda entre o casal, que é algo que passa a acontecer a partir do momento que eles ensinam um trabalho sobre um planejamento, eles começam a enxergar, bem, mas não é bem isso. E é pra tirar o longo das primeiras reuniões a ver essa dança de objetivos. Isso que é a grande riqueza do trabalho, pra daí sim, de uma forma profunda, intencional, com essa clareza que o planejamento financeiro vai trazer, a gente poder definir quais são os verdadeiros objetivos que a gente vai trazer como prioridade e vamos estar trabalhando dentro do planejamento financeiro, que vão ajudar a gente e o cliente a se engajar no processo. Porque a gente sabe que para a gente conquistar algo no futuro, a gente vai precisar abrir mão de algo no presente, deixar de atender às nossas necessidades imediatas. A gente precisa ter uma boa razão para isso, senão a gente faz o que a maioria das pessoas fazem, eu mereço, eu posso, eu vou lá e faço. Então, a partir do momento que você tem algo bem mensurado, com uma clareza, o que você precisa fazer para alcançar aquilo que é realmente importante e relevante para a sua vida, você consegue trazer elementos que te ajudem a segurar aquele ímpeto do gasto momentâneo, daquilo que vai apenas te satisfazer um médio desejo que logo em seguida vai deixar de ter relevância. Então eu acho que esse teste junto às famílias é importante, é natural esse processo e ele traz a riqueza do trabalho.
Muito bacana, muito bom, muito bom. Olha só, acho que de um lado o Fred traz essa perspectiva que eu acho que é a constituição disso tudo, que é a clareza. O Gabriel já trouxe algumas ferramentas para isso, ou pelo menos algumas táticas, colocar na mesa. ver os números, enxergar as consequências entre presente e futuro. O Rodrigo também comentou um pouco sobre isso. E quero adicionar a essa equação o seguinte. Primeiro, a gente tem que ajudar, guiar o cliente, né? a chegar realmente numa conclusão. E a primeira coisa importante também, eu destaco aqui uma coisa que o Gabriel colocou, a dança das decisões. E é normal mesmo, e a gente tem até que muitas vezes revelar, articular junto ao cliente. Ok, a gente investiu um tempo para tomar uma decisão, e ao longo desse tempo, ora a gente vai para a esquerda, ora a gente vai para a direita, isso faz parte da construção de uma decisão. Uma decisão é melhor tomada quando antes ela é construída, e depois que tomada ela tem que ser vivida, ela tem que ser... realizada, de fato, pela família. Acho que um contexto legal e uma ferramenta que a gente também gosta de usar é o chamado decisões 3D. Ao invés de apenas ponderar entre isso ou aquilo, que geralmente parece diametral, é ter esse tempo na companhia de um planejador para qual é a melhor versão da família. E aí, qual é o papel dessas duas possíveis decisões se aproximando ou te distanciando dessa sua melhor versão? E leva tempo isso, requer intimidade, requer essa construção junto ao cliente, de um lado o orçamento caminhando, o fluxo de caixa ganhando clareza, como o Fred bem colocou, mas a gente também convidando. Mas aqui, como já está virando, eu vou dizer costume, viu, Rodrigo? Vou te colocar de novo na parede, cara. Chega uma hora que o cliente fala assim, Rodrigo, é incrível estar com você, você é um planejador extremamente competente, cuidadoso, me entregou a clareza, olhou o orçamento, o fluxo de caixa, eu enxergo aqui as consequências entre presente e futuro. Rodrigo, o que eu devo fazer?
Como é que você se sai dessa?
Bom, você falou da fundação, André, desse primeiro passo mesmo da gente entender o que é prioritário, entender o que são os sonhos, um levantamento grande, e daí eu acho que a gente passa a construir com eles o que é prioritário, o que precisa passar por isso, de entender como você colocou, o que aproxima essa família da melhor versão deles, que é mais relevante para eles, para daí a gente começar a direcionar aspectos práticos até mesmo da construção desse objetivo. Então, construir um plano de investimento para a obtenção desse sonho, para chegar lá, implementar isso, acompanhar isso, junto com o cliente, monitorando essas mudanças que o Gabriel comentou, mas é algo que é construído junto com ele, sempre vai ser junto com ele. Então é um posicionamento de estar ao lado do cliente acho muito fazendo as perguntas corretas, para que ele consiga, por si só, chegar nas suas respostas, chegar nessa clareza do que é prioritário e ajudá-lo, claro, nas questões técnicas também, de qual é a maneira mais segura, a maneira com que ele consiga investir e chegar nesses sonhos dormindo à noite, tendo vida hoje também, acho que a gente reforça muito isso, como a gente equilibra essa responsabilidade de traçar esse plano para chegar nesses sonhos, mas sem comprometer a qualidade de vida dessa família no hoje, que é também importantíssimo. Então, acho que... levantamento de tudo que eles querem fazer, um olhar importantíssimo de prioridade e seguindo essa prioridade, implementar o plano efetivamente de investimento com clareza de prazo e acompanhar isso bem próximo com o cliente, fazendo as perguntas certas para ele, conduzindo em conjunto mesmo esse planejamento, que não é só um plano.
Sinto que o Rodrigo deu uma excelente resposta para quem está ainda no começo da jornada, mas agora eu quero perguntar para o Fred. Fred, 15 anos depois.
E o cliente fala assim, Fred, o que eu faço? mais perguntas ou você já está numa hora que você fala, quer saber, deixa eu dar logo aqui uma resposta, mostrar o caminho, que eu já estou meio que de... Não vou mostrar cheio, mas eu já estou aqui sentindo que seja um caminho, cara. Deixa eu só colocar uma perspectiva rápida. A gente que está flertando nessa faixa dos 15 anos, não sei se você sabia, mas a gente parou de engatinhar agora. A gente está no primeiro quarto da nossa carreira. Acho que a gente tem uma carreira de uns 60 anos aqui. Eu conheço alguns planejadores fora do país com vitalidade, aos 80 e poucos anos, celebrando os encontros que ele teve na semana passada e vibrando com as reuniões que ele vai ter na semana seguinte. Mas e aí, 15 anos depois, o cliente chega para você, ponderou tudo isso, você foi o master da clareza, e ele fala, Fred, o que eu faço? O que você diz acerca do que eu devo fazer? Como é que você se segue?
André, obviamente a gente tem que ter o feeling de que, às vezes, respostas precisam ser dadas, mas respostas de forma... com o coração, com o carinho todo, da relação toda criada junto ao cliente, etc. Então, eu vou citar um exemplo recente. Cliente com 56 anos de idade, ele tinha a possibilidade de agora, em julho, chegar no milhão ou quitar a casa dele. E ele falou que chegar no milhão é importante, mas quitar a casa dele também é. Então, aponta toda foi a conversa de o que te torna mais especial, o que vai fazer o 2022 mais especial para você, a quitação da casa ou chegar no milhão? Ele falou, Fred, boa pergunta, porque eu cheguei até agora sem ter esse milhão e tudo bem, mas a casa ser minha é uma conquista que eu comecei lá há 20 anos atrás. E eu acredito que, pra minha tranquilidade, isso seja o mais correto. Então tá bom, eu dei a resposta pra ele, mas com uma pergunta de o que vai te fazer melhor. Sabe por quê? Porque assim, agora em setembro, eles vão chegar no milhão também, tá? Ou seja, ele vai fazer as duas coisas, mas a primeira foi a mais importante pra ele. Então assim, nós não temos que ter o ímpeto de sair respondendo tudo. mas fazendo boas perguntas e nos relacionando com os nossos clientes, entendendo realmente como eles são, o que eles gostariam de se tornar, a melhor versão deles. Onde está. Muito bom.
Eu acho que esse foi um bom caso. Rodrigão, acho que a gente tem um pouco dessa... Eu já fui perguntado inúmeras vezes, até perguntas do tipo, o que você faria? A gente se depara com esse tipo de pergunta. Eu não quero mais uma pergunta. Eu quero saber o seguinte, o que você faria? Eu tenho aprendido a acolher uma pergunta como essa dizendo, eu valho muito mais não pela minha versão, mas pela minha visão. Eu valho muito mais não pela minha versão, mas pela minha visão. Vamos dar uma olhada nas consequências de ambas as decisões e depois eu digo quem vai decidir é você. Mas eu também digo o seguinte, a partir do momento que a gente faz todo esse exercício, começa com a clareza, que passa pela ponderação, que faz as contas, eu costumo dizer, a gente quase que já elimina 90% da possibilidade de qualquer uma das decisões ser errada. Pode ser que uma seja um pouquinho melhor do que a outra, mas marginalmente melhor do que a outra. Por quê? Porque a gente construiu uma decisão e não apenas tomou uma decisão. Então eu creio que na arte do planejamento a gente precisa apontar para paciência, apontar para a deliberação em decisões que são relevantes. E eu aconselho, quando a gente é colocado na... Eu quero saber a sua versão. Essa é a pergunta. O que você faria? Qual é a sua versão? A gente diz, eu sou mais valioso pela minha visão do que pela minha versão. E aí a gente desescala a decisão que o cliente tem que tomar, porque ele ponderou, ele pensou em alternativas, ele viu as consequências. E depois você diz o seguinte, aí que eu concluo, independentemente da sua decisão, eu tô do lado, ombro a ombro, e a gente vai construir ou reconstruir isso na próxima década. Decida em paz. Eu tô aqui pra te ajudar. Decida em paz.
Eu acho que isso tem um valor imensurável também.
André, só para contribuir, eu acredito que esses sejam os maiores desafios de planejadores em início de carreira, como eu, como o Rodrigo, porque acho que na necessidade, no desejo muito mais de mostrar um resultado para o cliente, muitas vezes a gente pode cair nessa armadilha de querer dar as respostas, que o cliente tanto quer, e como o próprio Rodrigo disse, vocês mencionaram, é muito mais com as perguntas, com a reflexão que a gente faz para o cliente tenha, para que ele decida com base em tudo aquilo que a gente provocou junto a ele. Então, no início a gente, como eu trouxe esse caso, talvez fosse o resultado mais relevante que eu fui trazer para cliente, eu tive que esperar dois anos e meio, E isso eu tenho enxergado que agora que os resultados começam, ainda que pequenos, a aparecer, porque é um processo, não é um resultado que a gente consegue trazer do dia para a noite. Eu acredito que qualquer um que prometer um resultado em curto prazo não está sendo honesto com o seu cliente. E esse é o desafio de um planejador na início da carreira, segurar esse ímpeto de trazer, querer mostrar todos esses resultados.
E um ponto interessante até, Gabriel, a gente está conversando tanto aqui, acho, sobre construção, sobre acompanhar o cliente na construção dos objetivos dele, e isso está muito relacionado também com as outras atividades que eu tenho tido, de conversar com muita gente que quer entender ainda o tipo de trabalho que a gente faz.
A gente, frequentemente, acho que a gente se depara com um contexto meio paradoxal. Então, por um lado, a gente vê que muita gente, a grande maioria das pessoas, efetivamente, tem questões relacionadas com sua vida financeira, poderiam se beneficiar muito do trabalho que a gente desenvolve. E, ao mesmo tempo, a gente ainda vive um contexto em que Há muita dúvida. Eu sinto muita gente com uma visão de que esse é um tipo de serviço ainda restrito aos super ricos, a pessoas que chegaram lá, digamos assim. E eu tenho tido várias conversas justamente mostrando que a gente deve inverter essa lógica e que esse acompanhamento com o planejador financeiro pessoal, ele é justamente para construir essa vida, porque muita gente coloca algumas etapas antes, assim, não, eu preciso ficar rico, ou eu preciso estruturar a minha vida, eu preciso organizar tal aspecto da minha família, para aí sim, eu poder me dar o direito de ter um acompanhamento profissional independente no meu planejamento financeiro. E eu acho que a gente tem que justamente inverter essa lógica, mostrar que é justamente com o acompanhamento financeiro que você vai ter a organização, a clareza necessária para construir essa vida que você quer ter.
Muito bom, muito bom. Eu acho que você está em uma fase muito...
A história que a gente conta para a gente mesmo tem um valor enorme, Rodrigo, e se você aprende a contar para si mesmo, você está numa história de descoberta, o Indiana Jones do planejamento financeiro, descobrindo maneiras diferentes de conectar as coisas e testando uma coisa, depois testando outra e cavando um negócio aqui, um outro ali para chegar num grande tesouro que é, uau, agora eu encontrei o meu estilo para comunicar tudo isso. Todo esse processo, que passa por nãos, que passa por negativas, você o vivencia de uma maneira mais saudável. Então, palavras têm poder e a gente tem que saber contar elas. Fredrão, eu sei que semana passada você estava off na companhia. da sua linda família, caranguejos, lagostas e camarões. Você conseguiu planejar alguma coisa para essa turma toda? Você tem algum caos aí da semana passada? Ou... Como é que foi a sua semana passada?
André, você sabe que foi até interessante, porque na segunda-feira, antes de embarcar, eu tive o retorno de uma conversa que eu havia feito na semana anterior, de um pessoal que veio a mim indicado e que a real necessidade era uma organização financeira para distanciar um pouquinho eles da empresa deles. E o mais legal da conversa foi que a esposa que organiza nunca quis isso e o marido que não organiza sempre quis. e agora ela está entendendo que a organização dela não é suficiente para tudo aquilo que eles necessitam, né? E eles tinham meu contato há um tempo já, né? Mas a gente só conversou agora, só consegui conversar agora. E o mais legal é a busca para uma estruturação onde eles sabem o potencial toda da empresa, mas querem se distanciar um pouquinho da necessidade que eles têm de tomar dinheiro da empresa para deixar ela crescer e organizar melhor as coisas todas. É um caso super legal e ela me retornou com um papo super legal na segunda-feira antes de eu embarcar com todo mundo e ela reconheceu e falou, Fred, o erro foi meu, eu deixei isso de lado por muito tempo e não quero mais deixar. Eu falei para ela, não, o erro não foi seu, cada coisa tem o seu tempo. Enfim, aí vamos começar semana que vem. Então, foi o caso da semana passada, vamos falar assim, porque eu efetivamente estive fora e o mais legal é estive fora sabendo que todas as demandas estavam ok, porque tudo estava organizado com os clientes.
É uma arte aquilo que nós fazemos, mas não é uma ciência de foguete. Então, dá para a gente deixar tudo lá.
Sem dúvida. Eu vou trazer então aqui um caos meu, quero compartilhar com vocês. Eu também tive uma semana mais tranquila, semana passada, mas eu recebi um casal, a gente está começando nessa caminhada, eles acabaram de vender um imóvel por uma boa quantia de dinheiro, e além de uma boa, era um grande imóvel, uma parte também dessa venda a parte do pagamento dessa venda foram outros imóveis que eles precisam ainda liquidar, mas imóveis menores e tal. Mas a questão é, eles agora precisam partir para um aluguel.
Eu tinha orientado eles numa primeira conversa sobre um range de aluguel que eles poderiam encarar para não onerar demais agora esse estoque patrimonial, porque a família toda está numa fase de reestruturação profissional. também estão empreendendo em franquias, estão buscando novas atividades, restabelecendo atividades antigas. A pandemia pegou meio pesado para eles, mas eles tinham esse grande imóvel que deu uma boa liquidez agora. E a notícia na semana passada foi, a gente não conseguiu ficar no range que foi proposto, a gente ficou 50% acima do teto do range que havia sido proposto. E a grande narrativa é, de um pai marido dizendo, eu tive que tomar essa decisão pela minha esposa e pela minha filha. Eu não podia levá-las para algo muito inferior ao que a gente tinha. E, ao mesmo tempo, a esposa, durante o bate-papo, revela, isso tem me trazido alguma angústia, porque provavelmente a gente vai precisar consumir o nosso estoque. E uma hora e meia de conversa, o marido dizendo, eu também não estou dormindo em paz. E agora o que a gente faz? Uma vez que já está feito.
Ou seja, houve uma orientação, o caminho foi diferente, a consequência do caminho diferente veio, foi percebida, angústia, arrependimento, o choque foi sentido. E eles revelaram isso. Não guardaram, não estavam envoltos num egocentrismo dizendo não. Mas a motivação eu senti que foi genuína. A esposa e a filha. E aí? O que vocês me aconselham nesse caso? Deixa eu trazer aqui um caso cabeludo pra gente conversar aqui.
Eu pude perceber que, com a experiência na carreira, a gente consegue ter aí uma semana mais tranquila, como o próprio Fred e o André tiveram, com umas férias em julho, como eu e o Rodrigo, em início de carreira, tivemos que batalhar, mas também percebo que os casos também começam a ficar mais complexos e mais cabeludos. Eu acho que isso é legal. É algo que nos mantém desafiados e só o desafio que faz a gente crescer.
É isso mesmo.
Longe de mim querer dar uma aula para o André do que fazer.
Imagina.
Sim.
Sendo breve, eu acho que eles conseguiram externar essa situação, muito inclusivamente pelo papel que você teve na vida deles. Porque se talvez não fosse o André, eles estariam se remoendo ainda até hoje, e agora eles têm a chance de fazer algo com relação a isso. Eles têm um tempo de agir, eles podem mudar a decisão que está decidida, agora o desafio é saber o que pode ser remediado, mas eu acho que o mais importante de tudo é que se não tivesse alguém para provocá-los, talvez eles continuariam vivendo esse remorso.
Eu concordo, eu concordo. Bom te ouvir, bom te ouvir. Todo mundo aqui pode ajudar todo mundo. Obrigado, Gabriel. Obrigado. Mais alguém aí? Depois eu comento como eu tentei me sair dessa, viu? Mas o meu comentário aqui é mais como um aprendiz do que como um professor do caso, porque esse eu estou tendo que aprender também.
Eu vou deixar para os mais novos primeiro, depois eu falo. Eu quero muito ouvi-los, porque é bom, é bom.
Você viu como o cara saiu pela frente. mas tudo bem.
Sobrou, sobrou.
Um aspecto muito legal, acho que está relacionado a isso que o Gabriel falou, é de criar esse espaço para essa discussão da família. Acho que é muito fácil, com a rotina, quando você não tem um tempo recorrente para pensar a respeito dessas questões, as pessoas ficariam isoladas. Então, todo mundo dormindo mal, cada um pelos seus motivos, né? E às vezes até ressentidos, né? Falando, poxa, eu tô dormindo mal porque eu fiz isso por você. E a outra pessoa falando, eu tô dormindo mal porque eu acho que você tá colocando a gente em risco, né? E quando você tem esse espaço, na sua rotina para conversar com o André, para conversar com o planejador financeiro pessoal sobre essas decisões, isso te incentiva a trazer esses aspectos, trazer o que incomoda cada um, inclusive para revisitar a decisão. Talvez em alguns desses casos o nosso papel seja justamente de dar a força, a tranquilidade necessária de dizer dá para mudar, dá para repensar, dá para achar alternativas, se esse é um aspecto muito relevante, é o que você comentou, de ter a decisão 3D, sempre tem perspectiva, o que a gente quer para a nossa vida. Se essa residência, se essa moradia é prioritário, será que tem alguma coisa que hoje não é prioritária e que poderia compensar isso de alguma forma? Ou, de fato, repensado. Nossa, acho que exageramos mesmo. A repercussão disso, a falta de sono, não compensa. E a importância da visão do todo, da profundidade do nosso trabalho. Olhar isso sabendo que eu estou empreendendo, é um momento pós-pandemia, é um momento de insegurança, eu tenho pouca visibilidade do que vai acontecer. Será que talvez só não seja o momento para essa decisão? Será que não é possível postergar? Isso você só tem com essa visão do todo, tendo esse ambiente para conversar isso. Mas as coisas vão ficando complicadas mesmo, como o Gabriel falou. Mas é isso, é tentar achar esse caminho que faz sentido para essa família.
Carro Rodrigo, obrigado.
Obrigado. André, eu dei oportunidade. para eles falarem antes, porque eu tinha confiança que ia aparecer esses termos que eles usaram, isso é ótimo, e eu não queria privá-los de poder falar isso, que o Rodrigo falou, que o Gabriel falou, porque talvez eles ficariam constrangidos, e o Fred já falou. Mas, além de tudo isso, eu acredito que você pode, deve, fará isso, como, te conhecendo bem, de incentivar o diálogo que pode resolver tudo isso, essa decisão toda tomada. O diálogo entre família, o diálogo maduro sobre todas as reflexões que podem e devem acontecer a partir dessa decisão, que a gente pode chamar de forma muito... Eu não quero que me entendam mal aqui. Desculpas válidas, mas continuam sendo desculpas às vezes. Continuam sendo desculpas.
E aí vai ter que ser aquela conversa madura de que, tudo bem, essa foi, então, eleita a nossa prioridade, a qualidade da moradia, aonde vamos enxergar, caber todo o restante e quais são as opções que nós teremos e decisões outras, impactadas por essa, que nós teremos que fazer na qualidade de vida em outras partes para suportar esse momento inicial, esse momento dessa decisão, desse 50% acima do grande, etc. Então, assim, diálogo vai resolver tudo isso. Diálogo profundo em cima daquilo que eles têm como objetivo, plano, projeto de vida e... Meta foi dobrada, quase? Vou entender da onde que a gente vai tirar a compensação disso tudo. Mas é o diálogo que vai resolver.
Muito bom, muito bom. Pazinha, é muito legal escutá-los e para compartilhar um pouco como a gente saiu dessa reunião na semana passada, primeiro com a consciência de que houve uma decisão precipitada. Eu sempre optei por imprimir maturidade na minha atividade. E a maturidade não vem quando a gente coloca os esqueletos dentro do armário. Ela emerge quando a gente fala sobre o elefante que está na sala.
Mas, depois disso, não como um olhar de julgamento, a decisão está tomada, não vamos dramatizar demais isso e polemizar demais. Sim, o Fred acho que matou a charada, uma boa sequência de diálogos, uma boa conversa na direção de que as decisões agora seriam colegiadas. A gente saiu dali também com... A gente chamou de um plano família nuclear. que é o que, nos próximos seis meses, daqui até o final do ano, eles iriam enxugar realmente. Porque existe também uma natureza muito social ali na família, mas a gente entendeu que era um momento onde eles teriam que enxugar, nuclearizar um pouco mais a vida social da família. E um outro componente, além da responsabilização que tem a ver com a maturidade, do plano de ação que tem a ver com a consequência de uma escolha, eu também me comprometi a toda sexta-feira, meio-dia, eles estão juntos, eu vou ligar para eles por 15 minutos para... como é que foi a semana? Eu disse, eu vou estar do lado agora da decisão, eu não vou estar alheio a essa decisão, dizendo, está vendo? Eu disse que não deveria ter sido, eu sou parte disso. E é fundamental a gente, como planejador, se importar com a vida do cliente, dizer, a gente está junto nessa, independentemente da decisão que foi tomada. Isso requer um pouco mais do meu tempo, o que eu me sinto muito à vontade, porque eles me remuneram num FII adequado, por isso que é uma arte o que a gente faz, a gente deve ser bem remunerado, e quando a gente, então, se importa, e aqui eu não vou ser só poético, eu me importo e eu não estou olhando para o quanto eu sou remunerado, eu acho que isso não é sustentável. Se você realmente se importa com o seu cliente, você tem que fazer, como é que eu vou estar de pé nessa atividade daqui a 20 anos? Para isso tem que ser bem remunerado. Isso, de fato, é se importar. A gente tem que romper com essa visão, muitas vezes até brasileira, eu não estou querendo generalizar, de qual é o nosso plano para os próximos quatro anos e, muito mais, qual é a nossa visão para os nossos 40 anos. E estar sustentado em rocha e não em areia. Então, me comprometi com eles ao longo desse mês de agosto de fazer o que a gente chamou de checkpoints, de como é que estão as coisas. E eu acho que vai ser um relacionamento muito bacana, muito, muito gostoso com eles, além das nossas reuniões habituais. Esses checkpoints de 15 minutinhos. Eu disse que eu vou ser bem aderente ao relógio. que eu vou ligar a tal hora e que em tal hora eu vou dizer, pessoal, eu agora preciso ir porque de sexta-feira eu almoço com a minha esposa. E eles também fazem parte disso, eles olham a minha agenda. Isso é um relacionamento que a gente pode construir. E eu fielmente tenho a leitura e o sentimento de que eles caíram responsáveis sabendo que existia um outro caminho, mas que agora a gente está num caminho que eles não estão num caminho sozinhos. Para mim, foi uma reunião presente, na verdade. Foi uma boa maneira de encerrar meu mês de julho. Obrigado. Obrigado pelos conselhos. Sempre é muito bom compartilhar, escutar e aprender em conjunto. Turma, uma hora de bate-papo aqui. Acho que a gente já... Começa a encerrar. Espero que tenha sido bom para vocês. Essa pergunta não tem nenhuma malícia, vocês sabem disso, mas eu espero que tenha sido bom. Espero que tenha sido bom para quem está escutando a gente. Agradeço ao Rodrigo, agradeço ao Gabriel, que toparam participar desse primeiro episódio sem muito saber a direção que esse bate-papo ia dar, até porque não tinha nada combinado. Agradeço ao Fred também pela cor, Como, meu Deus?
Obrigado.
Pessoal. Boa semana. Quem escutou a gente aqui tem aprendido um pouquinho da contemporaneidade, do dia a dia, dos desafios, e assim a gente espera da abrangência e profundidade que a gente pode fazer, que você que está escutando, que está vendo a gente, pode realizar como planejador. Obrigado, Fred, obrigado, Gabriel, obrigado, Rodrigo.
Valeu, pessoal.
Obrigado.
Um abraço. Boa semana a todos.
Tchau, pessoal. Valeu.
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