A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #18

Transcrição do episódio 18 do podcast "A Arte do Planejamento" (português) com anfitrião André Novaes e convidados Fred, Andressa e André Campos. A conversa foca em planejamento financeiro aplicado a situações familiares complexas: filhos que sustentam pais idosos, tensões conjugais por ajuda desigual, e um caso agudo de dependência química com impacto financeiro e familiar. O episódio discute papel do planejador como facilitador, limites financeiros, colaboração com profissionais da saúde e equilíbrio entre escopo e cuidado.
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Muito bem-vindo, muito bem-vindo a todos. Sejam muito bem-vindos aqui ao nosso 18º episódio. Se 18 é o número de maioridade, a gente tá deixando de ser criança por aqui e completando 18 episódios. Eu não sei você, viu, Fredão, mas eu tô a fim de comemorar só quando a gente chegar em 100. Até chegar em 100, eu acho que a gente ainda tá aprendendo como fazer esse negócio. O que você acha?
Cara, perfeito. Tô dentro. Tamo junto, então. E ainda mais se pudermos ter a presença ilustríssima aqui do Andrézão em mais episódios.
Pois é, hoje a gente tem aqui uma...
Atendendo as cartinhas todas, né? A Andrés aqui de volta também na semana que nós vamos comemorar o Dia Internacional das Mulheres, né? Então, vai ser ótimo.
Dressa, parou de passar a OVNI aí em Jundiaí, né? Porque na semana passada... Então tá bom, você já pediu para a turma fazer uma curva aí em cima da tua casa e não atrapalhar mais, né?
Aceito convites para celebrar a comemoração do podcast, hein?
Boa, boa.
Não me deixem em conta dessa.
100 episódios. Daqui a pouco a gente chega lá. Então vamos lá, vamos dar boas-vindas ao André Campos, diretor de Belo Horizonte. Fala, Dressão. Bem-vindo, tudo bem?
Obrigado, muito obrigado aí a vocês e é um prazer participar desse podcast, espero contribuir com alguma experiência e casos aí.
Sem dúvida, sem dúvida. Adressar para você também, muito bem-vinda mais uma vez, você sempre brilha aqui com a sua participação. Muito bom ter você de volta, minha amiga.
Obrigado. Obrigado, ouvinte.
É isso aí. E, pessoal, só para recapitular, então, a gente está aqui, a gente vai investir aqui cerca de uma hora. É uma grande conversa entre colegas, entre profissionais. A gente fala aqui de casos reais. Ou seja, tudo que a gente está conversando aqui é o que de fato, de fato, aconteceu. Tem gente real. conversando com os planejadores acerca de situações que são reais, que são profundas. E a gente quer também que você então mergulhe um pouco nessa conversa, se eventualmente você quiser, você fecha os seus olhos e imagine como é que eu lidaria numa situação como essa, como seria experimentar um contexto como esse, O objetivo aqui é passar pra você a abrangência e a profundidade com a qual a gente lida, principalmente com gente, com ser humano. E o planejamento financeiro é a mídia que a gente usa pra ajudar as pessoas, pra servir as pessoas, pra melhorar as pessoas. Então, é uma grande conversa. A gente quer que você participe e que você possa enxergar como é que seria o teu dia a dia, exercendo isso que a gente considera que é uma arte, a arte do clarejamento. Diretora, a gente vai começar a conversa com você. Conta pra gente aí. Eu tô tomando aqui uma aguinha. Como é que foi a tua semana passada? O que você teve de encontro interessante pra compartilhar?
Legal. Eu gosto muito dessas abordagens de temas diferentes, e eu percebo que, claro, eu tive reuniões específicas sobre esse tema, mas eu sinto que há uma demanda que vem crescendo bastante na minha carteira, que são clientes que são pais dos próprios pais. É impressionante como isso está forte e como isso vem de pessoas jovens. Então, eu tenho dois casos na semana passada, O primeiro é aquele casal que tenta e começa a ter conflito no casamento porque um dos parceiros ajuda muito os pais e acaba nem eles usufruindo sobre esse dinheiro. Então é aquela pergunta Nossa os seus pais têm um carro do ano a gente está sem carro. Um outro casal que foi bem interessante. A gente acabou de concluir com uma empresa parceira a conclusão da aposentadoria dos pais. Foi uma junção entre três irmãos que são clientes juntos aqui comigo na Life. E a gente conseguiu aposentar os pais porque fazia mais de dez anos que eles estavam bancando os pais. E agora o segundo passo é fazer com que os pais entendam que eles têm um limite de gastos e que os filhos não vão mais fornecer uma receita, uma parte de ativos sem discriminação. E agora é uma segunda etapa, mas pelo menos os clientes ficam mais tranquilos com relação a esse processo.
Mas eu achei interessante o termo que você usou, a gente servindo clientes que são pais dos pais. E é lógico que a implicação disso não é apenas financeira, existe uma implicação emocional, existe uma implicação conjugal. Eu acho que tem muita coisa interessante para a gente explorar aqui, até porque sempre é um assunto que vai demandar conversas difíceis. André, deixa eu já te trazer aqui para a conversa.
Tem enfrentado isso também, cuidar de clientes que têm que... há clientes jovens, talvez, casais aí na faixa dos talvez 30, 40 anos, que muitas vezes, além de terem que cuidar do seu próprio projeto financeiro, parte desse projeto também é cuidar dos filhos que são dependentes, e aqui uma dependência óbvia também financeira, só que se não bastasse, existe também a necessidade desses jovens casais destinarem uma parte dos seus recursos para os seus pais. Então imagina, numa visão espacial, cuidar de você e do seu cônjuge, cuidar dos descendentes financeiros, mas também ter dependentes ascendentes, os pais. Se enfrenta isso, como é que é na tua prática isso aí em BH? Ou não, em BH está todo mundo tranquilo, os pais, cuidam bem das suas finanças. O que você conta para a gente, André?
Quisera que fosse assim, que fosse tudo tranquilo, mas não, infelizmente, não. E é engraçado que eu tenho um caso similar, que é um caso que eu estou vivenciando aí já tem alguns meses, mas que retomou a partir da semana passada, que é um caso que a família, de fato, filha e ex-mulher, não querem mais cuidar do meu cliente, ou seja, não aguentam mais as irresponsabilidades financeiras que ele vem cometendo ao longo da sua vida, é um profissional bem sucedido, mas ele tem uma dependência química e a família Praticamente, eu abandono agora, depois dessa última recaída E é um cliente que eu tenho, que eu tinha conquistado através da mulher Onde ela tinha dado o último voto de confiança para que ele se recuperasse E é uma pessoa que sempre teve uma condição financeira muito boa, sempre viveu o lado tonto e prazeroso do dinheiro, veio de família muito rica, que é o gastar, mas nunca soube se organizar, nunca teve controle financeiro de nada. Então, é um cara bem sucedido, mas que em um momento algum teve planejamento e com 54 anos não tem absolutamente nada. E a gente começou a construir um trabalho nos últimos seis a oito meses, e que infelizmente foi por água abaixo. Agora, nessa última recaída que ele teve em dezembro, Enfim, tenho alguns pontos para colocar nesse caso.
Vamos explorar, vamos explorar.
Não sei como vamos cadenciar isso aqui, mas tem muita coisa interessante para a gente relatar sobre isso.
Legal. Ou seja, Andrés, parece que isso não acontece só nas bandas de cá, parece que isso... E convenhamos, né? Fred, se prepara aí para a conversa. Me parece que, inclusive, Eu não sei se aqui seria um desvio muito grande ou até muitas vezes um conceito pré-concebido, uma maneira bonita de dizer um pré-conceito, mas me parece que o latino, e talvez até com grande especificidade até o brasileiro, tem uma certa dificuldade de dizer, pai, mãe, assinto muito.
É com vocês. Eu já tenho uma carga muito grande aqui para cuidar. Parece que a gente tem até um certo sentimento de culpa na direção de não poder ajudar os nossos pais. E aí, muitas vezes, isso vem também preenchido com... Ah, mas na época dos nossos pais, com a hiperinflação, era muito difícil planejar. Então, eles são produtos, para não dizer que são vítimas, de um contexto no qual o planejamento era praticamente impossível. Qual é a tua perspectiva sobre tudo isso, Fred? A gente tem mais ou menos a mesma... Mais ou menos não, né? A gente nasceu em 79. Eu sei que parece que você nasceu em 69, mas não é o caso, você nasceu no mesmo ano que eu. Mas e aí, cara? Como é que você tem lidado com isso, tem enfrentado isso com clientes? Mas não apenas um caso pontual, Fred. Qual é a tua perspectiva sobre a gente cuidar dos nossos pais, cara?
André, eu sei bem também que você me pergunta porque a gente já teve algumas discussões pessoais positivas em relação a tudo isso. Eu acredito muito que nós temos que ter um respeito e até um agradecimento por tudo que eles fizeram. Os nossos pais, pelo menos, meus pais e os seus pais fizeram bastante por nós, até se privaram de muitas coisas.
E, obviamente, ao contrário de algumas outras pessoas ou igual a quase a maioria, hoje só 95%.
Dos brasileiros não fazem nenhum tipo de investimento na sua aposentadoria. Eu sei, eles estão dentro disso tudo lá atrás. não se preparar para aquilo que a gente convertiu a dois episódios atrás de podcast, que é o terminar bem, que é estar bem na terceira idade, se preparar para isso. Foi muito aquela questão de dedicação para os filhos. Fica aquele ponto da relação de, caramba, mas será que podemos? Acredito eu que, de forma planejada, se pudermos, devemos ajudar. mas acredito eu que até de forma a ensiná-los e mostrá-los como devemos lidar com tudo isso, temos que até conversar sobre os limites, sobre as possibilidades e sobre um plano acerca dessa ajuda, por exemplo. até para ajudá-los a se organizarem. Então, entrando um pouco no assunto da Andresa, porque daqui a pouco a gente fala do Andrezão, que vai ser superlegal, faz parte, sim, essa questão dos filhos que são pais dos seus pais, mas aí cabe a maturidade de, agora, então, que eu sou a ponta decisora da questão financeira, eu preciso te ensinar aqui quais são os limites, não coquilhar profissional ou de superioridade, mas te mostrar quais são as pontas do planejamento que deve ser feito para que eu possa trazer de volta para você tudo aquilo que você me trouxe, mas que existem limites. Por quê? Porque senão os seus netos vão pagar por algo do tipo. Então tem que ser muito claro e objetivo em relação a tudo isso. Você gostaria que os seus netos chegassem nessa ponta dessa forma? Ou posso trabalhar para que façamos com eles diferente do que está sendo feito agora e eles tenham a tranquilidade de que porque o pai está bem?
Fredão, a gente sabe que a nossa abordagem nunca é uma abordagem do tipo pele fina. o adulto tem que ser tratado como adulto, o que tem que ser colocado precisa. Não sei se eu entendi errado, mas eu quero trazer a Andressa de novo para essa conversa e depois eu quero que você também esclareça. Mas, poxa, talvez a gente vai ter que... Será que existe aí uma relação entre... Uma vez que eu agora sou provedor também financeiro dos meus pais, eu posso exercer algum tipo de controle acerca do como eles usam esse dinheiro? Ou será que não? Basta eu prover, mas sem demandar algum tipo de controle? Porque talvez numa cultura subjetiva, onde talvez o que é mais legal é ficar bonito na foto, a gente pode dizer, não, eu tenho que prover para os meus pais, ajudá-los, uma vez que me ajudaram tanto, e paciência é assim que é. Ou será que isso deve ser feito com um pouco mais de responsabilidade, Vamos ver como é que a gente se sai dessa sinuca. Mas antes, Andressah, traga um pouquinho aí. Você comentou que parece que esse tipo de situação é um pouco prevalente na sua carreira. Você trouxe um, mas parece que existem outros. Antes da gente ir para uma questão mais existencial, na direção de por que será que isso acontece tanto na sua carteira, Adressa, um pouco mais aqui da Andressa mesmo. Qual é a tua perspectiva pessoal e até profissional para isso também? Temos que prover, a motivação para prover e como prover, se é que é necessário prover.
No começo, eu achava que os clientes gostavam de fornecer essa parte financeira para os pais pelo fato do controle. Eu imaginava que tá bom mas aí eu descobri que a maioria não tem um cliente que ajuda os pais que ele controla o dinheiro que ele ajuda os pais. Rola no começo uma dificuldade de dizer para que você vai usar esse dinheiro. Uma vergonha. Eu percebo que eles têm cuidado de se questionar. Então.
Isso me surpreendeu porque com qualquer outro familiar você fala tá mas para que você vai usar esse dinheiro né. Mas com os pais eles não eles não fazem. Então o trabalho é ok. Isso é importante para vocês. Essa troca financeira te dá conforto. Como que a gente vai colocar isso dentro do orçamento para que isso não prejudique vocês e o casamento de vocês. Então eu brinco que a gente tem que escolher o caminho do meio, ter equilíbrio. Porque tirar isso do cliente, André, eu acho... eu vou usar uma palavra complicada, acho desumano, porque de uma certa forma ele tá fazendo aquilo por amor, por prazer. E o dinheiro tem que significar isso pra gente, né? E aí eu acho que o trabalho do planejador é ensinar o cliente ou ajudar o cliente a encontrar uma forma de ter uma conversa com os pais madura, com que os pais não se sintam ofendidos e que o cliente não se sinta envergonhado em fazer. Eu acho que o controle é importante.
Perfeito.
Andrezão, Fradão, você vai encerrar esse caso da Andressa.
É interessante, porque além dessa questão, eu quero ter a tua perspectiva, André, numa outra abordagem ou num outro recorte desse caso da Andressa, porque a gente está conversando aqui E esse é um tema que requer uma profundidade, que talvez poderia ficar aqui umas duas horas conversando sobre isso, acerca de ajudarmos os pais e os clientes que precisam ajudar os pais. Mas André, você trouxe uma outra coisa que eu acho que é interessante. André, eu queria a tua perspectiva pontualmente nisso. E quando essa ajuda é pra apenas ou muito mais concentrada nos pais de um dos cônjuges? Porque isso também pode acontecer. Você se casa com alguém, você precisa ajudar os seus pais, mas os pais do seu cônjuge tocam bem a vida financeira. E é fato, como a Andressa colocou aqui, muitas vezes isso sim gera um atrito, talvez até quando desprovido do que o Fred colocou. Uma clareza também, não sei se é controle, mas talvez mais também um planejamento por parte dos pais. Mas e aí, quando há essa disfunção conjugal, porque um dos cônjuges ajuda o seu pai e há um desequilíbrio, uma assimetria, conjugal por causa disso. Como é que você tem conduzido situações assim, André?
Acho que tem que ligar o microfone, Andrezão.
Desculpa, tinha silenciado. Nesse caso, realmente é um caso muito comum a gente verificar. Eu acho que o ponto de partida que eu faria, Andressa, acho que analisaria como seriam essas contas comuns da casa, até para não gerar esse tipo de atrito. dividindo as contas da casa, tá fazendo um orçamento familiar em cima disso. Eu vejo famílias que fazem esse orçamento de formas totalmente separadas e famílias que fazem de forma comum, mas de fato sobrecarregar um orçamento familiar em cima de um parente do seu cônjuge, eu não acho que seja benéfico tratar dessa forma. até pro relacionamento de fato, né? Eu acho que as pessoas têm que ser responsáveis com as suas finanças e se não forem, acabam não sendo responsáveis com seus relacionamentos, seus amores, enfim, eu acho que seus afetos. Então, eu acho que isso tem que ser um combinado muito claro, né? Eu acho que tem que ser muito alinhado entre o casal pra que, né, até que tudo tá sendo legal, né? Eu acho que eu já vi relatos de clientes Até o momento que tudo tá ok, você não tem nenhum tipo de ponto a questionar, mas quando começa a ter algum desvio, ou mesmo que uma receita fica abaixo do esperado, ou um gasto superior, aí as coisas começam a ser um pouco mais atenuadas. Então, isso pode prejudicar. Eu acho que tem que ser muito claro e muito objetivo essa tratativa, para que o relacionamento e as contas não sejam prejudicadas. Acho que esse seria o meu ponto de vista.
Frandão, o Andrezão não podia ter passado a bola melhor para você. Você sempre aqui como um expoente da importância da clareza, clareza, clareza. Mas e aí, como é que você faz o embrulho final desse caso? Como é que você tem aconselhado famílias que têm pais que precisam de um aporte, de uma ajuda financeira? E a gente queria também um pouco da tua perspectiva quando isso gera uma certa tensão conjugal, porque há um desequilíbrio entre os pais que mais precisam e pais que talvez sequer precisem.
André, logo depois do André falar, e antes até do André ter falado, eu já pensei na questão do seguinte, é ótimo a gente falar de controle, mas na verdade é a clareza, e a clareza vai de encontro a mostrar, inclusive, para esses pais o seguinte, Qual que é o futuro que eu espero fazendo algo do tipo? Qual que é o futuro que você espera para mim e para os seus netos fazendo algo do tipo? Nós precisamos ter clareza de tudo que está acontecendo para quê? Para que o passado nos ensine, nos prepare e não nos defina, porque senão a família vai entrar nessa corrente de sempre fazer igual. E vamos lá, vamos sair fora dessa caixinha, sair fora é ótimo, mas enfim, saiu assim mesmo, dessa caixinha de que, ah, aconteceu com meus pais, precisa acontecer comigo. Não, na verdade, essa história precisa te mostrar que você tem que fazer diferente.
E assim como tudo que eu falo com os meus clientes, nesse ponto eu vou trazer o diálogo para a questão da solução desse problema. Diálogo com os pais e na questão conjugal, diálogo com o cônjuge para entender, meus pais precisam eu devo respeito e gostaria de fazer, mas vamos conversar também nós sobre o quanto e como para que não impacte em nada e tenha uma solução saudável para a família, ou seja, É algo que talvez não seja muito agradável de ser feito e falado, mas vai precisar ser falado. Eu vou confessar que eu tive aqui uma conversa final do ano passado com as minhas duas irmãs que, assim, deveria ter acontecido há três anos atrás, e estava todo mundo fugindo, talvez inclusive até eu. E precisamos ter tido, foi o princípio de ter tido ela para esclarecer tudo. E deixar tudo ponto numa possível ajuda pros meus pais e pra minha avó. E beleza.
Eu acho que... Olha que interessante, né, Dressal? O teu caso veio aí trazendo, então, paz dos pais. Ou seja, quando a gente precisa ajudar os pais financeiramente. Aí você trouxe um outro tempero. Se isso já não bastasse, se isso já não fosse um desafio por si só, Como é que lida-se com isso quando há uma assimetria entre cônjuges? A gente ajuda muito mais os seus pais do que os meus. Os meus não precisam do seu sim. E o Fred trouxe mais um elemento. E ainda quando... Mas por que só a gente ajuda e teus irmãos também não? E aí vira uma salada mista, típica família brasileira que não é trivial. E eu acho que realmente o nosso papel vai na direção de, turma, existe um problema. Não vamos tapar o sol com a peneira. Não vamos dizer, é muito fácil resolver ter os pais que se virem. Isso não vai acontecer. Isso não deve estar sobre a mesa. Vamos encarar que existe um problema. Número um, os pais precisam. Número dois, há uma diferença de percepção disso entre os cônjuges. Isso requer uma conversa e um alinhamento inicial. Número três, a gente vai ter que trazer uma família toda pra conversa. Vamos ter que trazer os irmãos pra conversa. E são conversas de natureza difícil. Não vamos também tapar o sol com a peneira. Daí o papel de, muitas vezes, um planejador facilitar esse tipo de conversa. E eu creio, na minha prática, já fiz isso inúmeras vezes, que vale a gente se propor como um facilitador intencional dessa conversa. Ou seja, não apenas na direção de construir essa conversa assim, mas muitas vezes da direção de eu quero participar dessa conversa para facilitar o fluxo dela. E você, então, se apresenta não mais apenas para aquela família que você serve, mas para a família ampliada, também para os outros irmãos, também para aqueles pais. E eu creio que, com isso, a gente cresça em intimidade. E isso faz com que o trabalho fique muito melhor. Nada mais, nada menos, queridos, do que se importe, se importe, se importe com a família. Dá trabalho, dá trabalho. Bem-vindo ao trabalho. Dá trabalho, ter trabalho. Aqui, para concluir, ontem eu conversei com um planejador que está conseguindo acelerar bem a carreira e ele disse, André, a gente tem que tomar cuidado com o que a gente pede, porque eu pedi para ter trabalho. Eu pedi para ter trabalho. E agora eu tenho trabalho. Muito bem. André, obrigado pelo caso. André, você deixou uma pontinha aí com a gente de querer explorar esse teu caso, cara, que tem um pouco a ver com isso, mas me parece que é um cliente que é bem-sucedido, ele enfrenta um desafio e a família dele abandonou. Me conta um pouco mais desse tempero para a gente explorar como é que... Essa reunião foi semana passada? Como é que foi, André?
Ele já, eu já tenho um relacionamento com ele, né, como profissional há uns seis meses, né, e só que ele teve, eu tive a reunião com ele agora na semana passada, foi quando ele teve a recaída e ele saiu da fase aguda, né, da da crise, né, e ele agora tá numa fase mais clinicamente controlada, ele foi interditado temporariamente, né, em relação a esse período, e assim, ele fez realmente um estrago em todo o desenho que a gente tinha iniciado em julho, mais ou menos, no ano passado, julho, agosto, que a gente começou, a gente tinha constituído, né, Ele começou, é uma pessoa que realmente já não tinha um histórico favorável de organização financeira, passando bem rápido, e ele, assim, numa dessas recaídas que ele teve há uns oito meses atrás, ele me procurou, a pedido da ex-esposa agora, e, André, preciso de você, preciso que você me ajude a organizar a minha vida, tenho 54 anos e não tenho absolutamente nada, não tenho patrimônio, Enfim, tinha uma dívida aí de uns 50 mil, a gente conseguiu sanar essa dívida de uns três meses Além de sanar essa dívida com essa organização que a gente propôs E ele, assim, eu nem gosto muito de elogiar o comprometimento do cliente Porque senão ele acha que vai estar muito bom E realmente ele era um dos meus clientes mais disciplinados Em controles organizacionais, em sistema exemplo para qualquer outro cliente. E eu falava com ele que a gente estava no caminho, mas faltava muita coisa ainda. Enfim.
Além de constituirmos, de quitarmos essa dívida, construímos uma reserva de emergência para ele nesse período dos oito meses e começamos a fazer investimentos mensais para que esse dinheiro não sobrasse sem nenhum objetivo. Ou seja, 54 anos com o padrão de vida que ele tem na faixa de uns 25, mil reais por mês, ele precisa de muito dinheiro para chegar na independência em decorrência de pouquíssimo prazo. Mas o grande ponto foi que agora, em dezembro, ele começou numa dessas confraternizações de final de ano que ele teve com a empresa, ele realmente acho que teve uma recaída do dia 17 de dezembro até.
O dia 20 de fevereiro, que foi o período da crise, ele conseguiu não só gastar todo o recurso que a gente tinha acumulado nesse período, como também contratar uns 80 mil de crédito no banco, para essa fase aguda, ou seja, gastou em torno de uns 200 mil reais e ainda ficou devendo uns 80.
Uau!
E realmente foi internado, não foi de forma compulsória, a primeira internação agora, no final do ano, ele fugiu da clínica. A pessoa, eu acho que ela perde meio que um controle disso, e assim, a família me ligando, desesperada.
Ele perdeu, literalmente, o senso das suas faculdades mentais, eu acho que ele realmente, a gente põe dois laudos psiquiátricos, E você vê que a pessoa fica totalmente fora do padrão de consumir, assim, coisas que quando eu tive acesso, né, a família me mostrou a movimentação bancária dele, o gerente mostrou, coisas de, por exemplo, um dia gastar 30, 40, 50 mil reais num dia, né, com essa dependência química e fica totalmente sumido emagrece aí uns 20 quilos, ele ficou assim, irreconhecível. E só que nesse ponto, ele chegou numa fase que as pessoas já cansaram disso. Acho que todo mundo também tem um ponto inicial, mas também, poxa, a família também tá cansada com isso. A esposa, que agora é ex-esposa, já o largou e a filha também. já não quer mais cuidar desse problema que ela cuida desde quando ela se entende por gente, ela que realmente cuida do pai nessa questão de dependência química. me procurou novamente e falou, cara, só tem você agora pra você me ajudar. Falei, tá, mas não adianta a gente sanar o problema se a gente não sanar a causa, né, a gente precisa entender mais que isso, eu não tenho capacidade técnica nenhuma, nem competência pra fazer, né, assim, análise psiquiátrica, mas você tem que querer ser ajudado em primeiro ponto.
Né, então Sobre cuidados médicos, André, ele conseguiu manter isso? Você chegou a explorar um pouco disso? Como é que está?
Sim, sim. Ele continua sob cuidados médicos e agora ele, numa fase assistida, ele teve alta sexta-feira da semana passada, só que agora é um momento de muita atenção, ele não pode ficar com fluxo nenhum na mão. e ele, por mais que seja assistido nesse momento, ele não pode se sentir desamparado. O próprio psiquiatra, em conversa comigo, falou que a gente não pode deixá-lo nesse momento, que é o momento que eles falam na psiquiatria, que é o momento do cachorro, que ele tem a fase do cachorro, que é a fase que ele se arrepende. E esse momento que ele se arrepende é o momento da pessoa começar a se reestruturar como pessoa, ele voltar a entender os erros que ele cometeu e ver as falhas para que ele consiga consolidar uma nova estruturação pessoal mesmo. E isso pode desencadear numa nova recaída.
Se não for bem... Então, você está interagindo com o psiquiatra deles, vocês estão em contato?
Sim, com o psiquiatra, com a filha, que não quer tanto contato com ele mais, e com a ex-mulher.
Que caso interessante, talvez até aqui uma... Acho que é muito fato, pessoal. A gente não tem a competência necessária para lidar com as questões químicas, com as questões psíquicas, por exemplo, de uma dependência química que, ao meu ver, está em um grau elevado, se é que existe essa gradualidade. Me parece um caso muito, muito, muito grave que você comentou. Mas talvez algo interessante para a gente explorar aqui é o trabalho conjunto com outros profissionais, conjugado com algo que você relatou, que ele te disse. Cara, agora eu só tenho você. E como é que a gente lida com tudo isso?
Deixa eu trazer a Andressa aqui para a conversa. Andressa... Numa situação como essa, o que você tem aí para compartilhar? Eu acho que é uma situação atípica, é legítimo a gente também dizer, olha, não sei, eu teria que pensar bem mais, né? A gente, a turma acha que a gente ensaia isso daqui, viu? Mas não, a gente, sim, antes de começar a gravar, conversa cinco minutos sobre qual é o caso, mas não tem crítica nenhuma que, ah, esse é caso difícil, não vamos conversar, não. Se o caso é esse, a gente vai encarar. É uma boa conversa. O que você diz, Andressa?
André, eu sou o tipo de planejadora que eu me entrego. Eu faria a mesma coisa. E eu tenho casos, não nesse nível, mas onde eu e a psicóloga estamos próximas, eu me entregaria. Eu brinco que nós somos um parente adotado.
Parente adotado.
Entendi, entendi. Interessante. Olha só, a esposa abandona, a filha abandona, aí, de repente, a gente pode ser um parente adotado num contexto como esse. Mas, Andrezão, segura um pouco aí. Fred, e aí, cara?
O que você comenta de um caso agudo? Eu acho que esse é o momento em que está tudo... Eu acho que até é legítimo o pensamento que eu nunca tenha um desafio desse tamanho pela frente, mas pode ser que exista.
André, o legal, eu acho que eu e você de estarmos em todos os episódios do podcast, e sentirei muita falta se assim não mais estiver, é porque nós aprendemos muito com essas coisas todas. Essas nossas discussões, essas nossas conversas nos trazem ensinamentos, no mínimo. Seria muito leviana da minha parte se eu não falasse que aprendo em todos. Seja com as coisas que eu preciso pensar para... seja com aquilo que as pessoas comentam dos casos todos. Eu acho que o André e a Andressa estão dando aula de o que tem que fazer, porque realmente a entrega é extremamente necessária. Vamos entender que nós não vamos atender os clientes, nós vamos nos relacionar com eles. Então, assim como a Andressa fala de um parente adotado, essa pessoa escolheu você para estar do lado dele, ele está confiando a você uma ajuda necessária. As pessoas abrem o coração, abrem a relação com as finanças, a relação pessoal, conjugal e etc. Conosco, a nossa responsabilidade é muito grande em relação a tudo isso. Então isso é fantástico, é extremamente motivador, inclusive, mas também é uma responsabilidade absurda. E que o André está me andando muito bem aqui dividindo essa bola com quem tem a competência para falar algumas coisas. Agora, note que também, assim, eu acho que dá para a gente colocar uma ponta aqui, não conhecendo todo o caso, de que se é uma pessoa bastante bem-sucedida, é uma pessoa que talvez seja intensa demais em tudo. E essa intensidade foi para esse lado negativo. Então, talvez entendermos, e aí o psiquiatra vai ajudar o André a entender isso, mas talvez a gente possa enxergar junto ali uma via de saída numa nova intensidade de dedicação. Eu já vi pessoas se dedificarem de forma intensa a treinamentos, por exemplo, físicos. A desafios mentais, que longe de mim ser qualquer questão, mas estou falando que, de vez em quando, eu me coloco aqui e falo, cara, eu preciso resolver alguns problemas aqui, porque eu quero exercitar. Então, é interessante, porque ele está num processo de muito conhecimento em relação a tudo isso, e o André está o conhecendo no positivo e no negativo da história, e a opinião de profissionais capacitados de fora vai ajudar muito ele, mas acredito eu que nessa relação, André, se fosse dar uma dica para você entender onde ele pode se dedicar, dedicar a ponto de distrair a cabeça do restante dessa coisa que tenta ele, porque se é uma pessoa muito intensa, talvez ela seja também, essa intensidade seja em todos os pontos, e por isso que está acontecendo algo do tipo. E assim, o último cara que pode abandonar você é ele e você. O cara está dedicando a chance dele contigo, está escolhendo você para estar do lado dele, assim como, por exemplo, a Andressa fala que os clientes, nós somos os parentes adotados, assim como nós adotamos amigos como irmãos que não tivemos, por exemplo. É uma responsabilidade muito grande, mas que o princípio de competência pode ajudar o André aqui, por exemplo, a trabalhar esse caso e trazer, para casos mais simples, N outras Coisas que vão se encaixar. N outras coisas. Então, assim, não vamos fugir dos desafios grandes, não. Nós temos que enfrentá-los porque eles vão nos ensinar com os mais fáceis. E, às vezes, pode parecer mais fácil para a gente, mas para a pessoa que está passando, não. De forma mais tranquila, objetiva e até ajudar mais ainda os clientes.
Uau.
Acho que é um caso que deixa a gente pensativo, não é, André? Mas eu acho que é muito, para mim pelo menos, como eu posso dizer? É quase que constrangedor, mas na ideia de um constrangimento saudável. Por exemplo, escutar tanto do Fred e da Andressa, e sinto também nas suas palavras, esse sentimento Pelo menos eu acho que é alguma coisa que a gente busca nutrir aqui na life, que é o eu me importo. é uma prática menos orientada ao escopo e mais orientada ao cuidado. Mas estar no escopo do planejador financeiro, poder acolher alguém desse jeito e escutar da filha e da esposa que todos abandonaram e do cliente na direção de que agora só me falta você, talvez num escopo técnico bem definido, não. Mas acho que como gente, como ser humano, a gente tem que assumir o risco de sair do escopo para entrar no cuidado, para entrar no relacionamento.
E eu acho que esse é um bom papel que você tem realmente para desempenhar, cara. E talvez aqui uma coisa importante é a frequência de contato, André. Da mesma maneira que a gente é, muitas vezes, aquilo que a gente está investindo mais tempo, consumindo mais tempo. Eu nunca, nunca tive o caso de um cliente com dependência química, mas já enfrentei muitos clientes com depressão aguda, com ansiedade aguda. Em casos assim, eu tive que perceber que eu tinha que sair não só do meu escopo, como eu também tive que sair do conforto do meu contrato. O que eu quero dizer com isso? Nessa altura do campeonato, eu já aprendi a dimensionar bem os meus contratos, o quanto eu vou cobrar pelo trabalho que eu tenho que fazer. Basicamente, a minha grande métrica para isso, além da complexidade, é também o tempo que eu vou ter que dedicar para cada cliente. Mas, no meio do caminho, existia uma curva mais fechada. E essa curva fechada apontava para a ansiedade, para a depressão, para disfunções conjugais. Nunca tive uma curva fechada em dependência química aguda, tá, André? Mas já tive outras curvas fechadas. E, para mim, quando vi essa curva fechada, tive que parar meu carro e dizer... Contrato, um pouco. Não na direção de eu não brinco mais, nunca na direção de agora você vai ter que me pagar mais para eu fazer mais, mas muito na direção de eu agora vou ter que entregar mais, eu vou ter que entregar melhor, eu vou ter que dedicar mais tempo. Mas acho que o Fred colocou uma coisa que é muito importante, aproveite isso para aprender. para aprender, seja com a interação com um cliente que está também mais disposto a uma intimidade maior, seja com outros profissionais como um psiquiatra, um psicólogo, um terapeuta, um conciliador de famílias. Eu me lembro de um caso que eu aprendi um monte sobre conversas difíceis quando cuidava de um casal. que tinha um problema conjugal, tinham passado por terapias que não surtiram efeito e estavam na companhia de um conciliador. E o quanto eu aprendi ao participar de algumas conversas. Então, eu acho que essa é uma abordagem que a gente tem que ter, mas para concluir, se de um lado essa abordagem, de outro, André, a compreensão de que a gente não é Deus. e de que a gente não vai conseguir fazer tudo. E a compreensão de que a gente não é Deus, eu aqui quero resgatar o que um cara chamado Hipócrates, ele também um grego, Hipócrates, reconhecido como o pai da medicina, tanto é que no juramento Todo juramento de graduação em medicina cita-se o nome de Hipócrates. Parte do juramento médico é citação de Hipócrates. Ele, então, grego, na época onde...
Era porque o deus grego, e o deus grego causa isso, ele na verdade quer gerar uma idolatria nas pessoas, e a idolatria acaba por comer vivo o idólatra. Se você não fizesse o que o deus grego queria, ele mandava um raio na sua cabeça. Diferente de Jesus, que não mandou raio nenhum, pelo contrário, morreu por nós. Mas o deus grego não, ele mandava um raio. Pelo menos era assim que as pessoas, inclusive, interpretavam as doenças. Hipócrates, então, começa dizendo, não, Eu preciso observar mais o estilo de vida, eu preciso observar mais as decisões que as pessoas fazem, e ele traz, então, até a naturalidade e a cura mais natural para a doença.
Antes de tudo, eu acho que isso serve para a gente, ele dizia, antes de curar alguém, pergunta-lhe se está disposto a desistir das coisas que o fizeram adoecer.
Antes de curar alguém, Pergunta-lhe se está disposta a desistir das coisas que o fizeram adoecer. E isso vai no espectro total. Caso agudo de uma dependência química. Mas tem gente que está doente trabalhando demais e criando ídolo. Tem gente que está doente numa relação conjugal. Tem gente que está doente com o consumo. Tem gente que está doente com a projeção do que é a partir do que tem. E isso traz mazelas financeiras. Então, em todo o exercício da nossa arte, pergunta se o nosso cliente está disposto a desistir do que o fez adoecer. E aí a gente tem um caminho para poder ajudar. E ajudar, muitas vezes, você também. Precisamos saber a causa. E eu preciso me envolver mais. Esse é um cliente, cara, que muito provavelmente, se a métrica única for o quanto eu estou recebendo pela hora de trabalho, não faz o menor sentido.
Eu deixo esse convite aqui para todo mundo. Nunca use essa métrica na sua carreira. Você vai ser medido pela régua que você usa.
Nunca use. Nunca use essa régua.
Ok?
Uau, nesse caso a gente ficou 25 minutos nele, viu Andrézão? Que coisa, que coisa, que coisa. Bruno, será que você tem uma coisa mais tranquila, cara, para a gente encerrar? Ou que vai trazer aí alguém? Bom, acho que nem dá para ser mais complexo do que isso. Eu agora...
Não, não, e assim...
Esse aqui vai ser aquele que eu vou ficar pensando nele até a próxima semana e ainda vou ligar para o André depois para ver os próximos capítulos. Vai ser legal. E é legal o André depois participar novamente do podcast, trazendo isso de volta também. Vamos marcar esse episódio 18 aqui como um episódio para ser transmitido lá na frente.
Traz um caso simples para a gente, de um jovem casado.
Só que não.
Vamos amenizar. O casal, vocês vão comprar uma bicicleta, por favor.
Mas, cara, por isso que a gente queria muito que o André participasse, porque a gente sabe que o André pega umas cascas grossas e o cara lida bem, então ele ensina bastante a gente.
Mas, gente, seguinte, semana passada eu tive uma primeira reunião com um casal de clientes E assim, é aquela reunião que você fala, lá vou eu fazer tudo de novo que eu tenho feito há 15 anos e perguntar para o cliente o quanto gasto, o que gasta, como gasta e não sei o que, e parar lá. Eu falei, gente.
Mas por que? Por que será isso? Por que eu estou com esse pensamento, com essas questões todas, etc? E assim como a gente está falando aqui as coisas todas.
Tem motivo para nós estarmos junto com o cliente, o cliente te escolheu para começar uma jornada e etc. Então, em respeito até a toda essa escolha, você tem que ir lá preparado para isso tudo. Mas a chance você vai falar assim, caramba, lá vou eu fazer mais do mesmo e onde que eu vou mostrar alguma coisa diferente para o cliente? E aí vem as reuniões que me surpreendem de forma positivíssima, com histórias fantásticas. Ele é apicultor. e desenvolvedor de software, ela é médica, um casal divertidíssimo, jovens, com uma ideia superlegal de viver mais no campo, de mudar um pouco as coisas. Discutimos coisas, eu aprendi aqui, e aí o legal é de você trazer a cultura geral para dentro das reuniões também, Não sei se vocês sabiam, mas se você quiser um animal para aparar o seu pasto ou a sua grama na sua casa, não deve ser um bode, porque o bode come as coisas para cima, não mastiga para baixo. Você vai aprendendo coisas legais, mas fora essa brincadeira para dar esse ar menos denso e tenso aqui no nosso podcast.
Acabei de ver 17 usos absolutamente... Tem essa informação que você acabou de compartilhar.
Sensacional.
Você não me pediu para dar uma.
Amenidade aqui, então estou brincando.
Claro, claro.
Mas o que foi mais legal, agora voltando aqui e fazendo o foco? O que uma primeira conversa, uma primeira profundidade na relação trouxe de ponto a... E outra ponta também, não entrei com uma agenda muito... densa de preciso terminar em tanto tempo essa reunião, estendi um pouquinho mais a agenda e foi muito legal porque já saímos de lá com N projetos legais, N discussões, ele expondo essa questão de Cara, Fred, minha paixão é a apicultura, são as abelhas e eu estou desenvolvendo para pagar conta e, na verdade, já descobrimos ali que talvez não precise, não precisa desenvolver para pagar conta que a conta já está paga, dá para você investir no teu sonho e, cara, sair de uma primeira reunião com esse tipo de reflexão com o cliente, aí eu falo, é por isso que eu tenho que fazer mais N dessas reuniões e é por isso que não é mais do mesmo.
Fato é, né, queridão, que eu entendo um pouco essa... Não digo que é dor, mas é talvez um... Acho que é um maduro checkpoint de... Puxa vida, mais de 10 anos e vou eu lá de novo, para uma primeira reunião, construir um orçamento e tal.
Você sabe que eu nunca consigo deixar de lembrar a importância que alguns esportistas colocam quando então, depois de 15, 20 anos ali, recebem algum tipo de consagração pela carreira que tiveram e como é prevalente o testemunho deles na direção de, ei, o que você fez esse tempo todo? Por que você chegou aqui em alta performance depois de tantos anos? E a resposta dessa turma geralmente é muito parecida e é na direção de confie no processo. Confie no processo. Confie no processo. Eu não inventei muita coisa. Eu confiei no processo. E por isso eu chego onde eu chego. Mas, André, vocês também não são juniors, não começaram semana passada. mas daqui a pouco vão completar pelo menos a primeira década como planejadores. E aí, esse negócio de processo, de fazer as coisas repetidas, isso passa pela cabeça de vocês, gera algum tipo de reflexão, e se gerar, é uma reflexão que aponta para alguma coisa ok, ou aponta para algum dissabor, Comentem um pouquinho mais de vocês, agora, aqui. Menos... Envelope mais conteúdo, alguma coisa mais íntima. Como é que vocês encaram isso?
Vou usar Mulheres Primeiros, tá, André?
Eu não sinto... Na verdade, eu sinto que existe um processo, mas é muito difícil ficar naquela rotina do parecido. Com pessoas muito diferentes. É o mesmo problema com pessoas diferentes. Então, é uma novidade. Eu não tenho essa sensação. Tenho a sensação de que é um processo.
Legal. Ou seja, é um processo e não uma repetição. Muito bom. Existem processos para fazer hambúrguer, que é sempre o mesmo, dois hambúrgueres, queijo, alface, molho especial num pão com gergelim. Mas existem outros processos que têm uma contraparte. E você, Andrazão, como é que você encara isso? Antes só para entender um pouquinho do contexto do André. Você está com a Life há um ano? Já deu um ano?
Não, acho que não. Acho que vai completar em maio.
Maio.
10 meses. Você está com quantos clientes, André?
Com 22 clientes.
22 clientes ativos em 10 meses. Teve alguém que teve que fazer a mesma coisa intensamente, porque todo cliente requer uma primeira reunião, uma segunda reunião, a gente tem um processo aqui. E você, como que você tá enxergando isso, cara? Dá pra fazer isso por mais 30 anos ou começa a aparecer efadônio demais? André, abra teu coração pra gente aí.
Assim, eu acho que eu nunca fiz algo tão prazeroso na minha vida quanto isso, ser planejador financeiro. Fui bancário a minha vida inteira, trabalhei na parte de investimentos, mas eu lidava só com dinheiro. Hoje a gente lida com pessoas, com valores, são coisas muito maiores do que isso e muito mais complexas até. E eu acredito muito nos processos, até pelo fato de, se eu quero ajudar mais famílias, eu preciso ter esses processos muito bem alinhados. Por mais que, a partir dos processos, tomem caminhos distintos, mas eu gosto muito de fazer o feijão com arroz bem feito, né? Ou seja, tem que haver esse processo pra mim, porque parte do meu organizacional, né? Como eu vou desenvolver isso com cada família, né? Pode ser que eu tenha que fazer mais de uma reunião no mês ou, enfim, fazer outras abordagens, mas o processo ele me direciona muito bem e ele otimiza meu tempo, né? Porque até pra gente lidar com esses casos mais complexos, a gente precisa de tempo pra gente também, né? Poxa, eu, um dia que esse cliente meu aí me ligou de vídeo de madrugada, perdi a noite de sono, né? Assim, eu tava totalmente fora de si. Então, a gente precisa desses processos até pra gente se reestabelecer como profissional, né? E não ter relacionamento com os clientes, ok, não atender, mas relacionar com os clientes, mas os processos nos ajudam até a sair desses gatilhos emocionais. Eu tenho que me relacionar, mas eu não posso me envolver emocionalmente nesse caso, pelo fato de eu ser o profissional que vai ajudá-lo e não sofrer junto com ele e a família. Eu acredito muito em processo.
Muito bom, muito bom. Fredão, vou deixar você fazer o embrulho final desse caso. Antes disso, uma rápida parte.
Tem um traço da minha personalidade que eu não me orgulho de tê-la, que é eu sou muito rápido para julgar e eu sou mais lento para aprender. Eu tenho esse traço. E o problema é que, se eu sou rápido para julgar, eu sou instantâneo para sentenciar. Porque se a gente pega o processo judicial, existe o julgamento. E depois existe a sentença. E eu não consigo ter muito tempo entre julgamento e sentença. Eu já meio que sentencio de cara. Então isso é algo que eu tenho que, na minha personalidade, intencionalmente cuidar. O que eu entendo, Fred, do seu relato, é um coração disposto a aprender. um coração disposto a aprender. Então, como consequência disso, a gente se diverte mesmo numa nova primeira reunião. Mas como você tem lidado? Porque talvez eu também possa falar assim, não, André? Acho que você está sendo muito crítico consigo mesmo. Vinte e tantos anos depois, Já tem muita coisa que a gente vê e que são padrões e que se repetem. Então, como o André bem colocou, o processo permite a gente, quando conjugado com a experiência, faça a mesma coisa muito mais rápido. Ou até deixe de fazer muitas coisas que não são precisas, que não são necessárias de serem feitas. Mas eu reconheço aqui com os meus colegas que esse é um ponto a desenvolver na minha carreira e muito mais até na minha personalidade. Eu julgo rápido, sentencio instantaneamente e tenho aprendido mais devagar. Mas eu estou consciente disso. E você, Fred? Para você concluir esse caso, como é que você está lidando com essa questão do julgamento, da sentença e do aprendizado? Como é que você tem se desenvolvido nessa área?
Cara, eu tenho me desenvolvido no meu dia a dia, André. Cada vez mais eu tenho aprendido que qualquer tipo de preconceito a qualquer condição dos clientes e etc. é um julgamento que nós não devemos fazer porque.
Deus é tão bacana que coloca pessoas muito legais na nossa vida aqui para trabalharmos e de diversos pontos, modelos, jeitos, configurações familiares e etc. E isso tem me ajudado demais a entender que Talvez as pessoas tenham tido um dia mais tough que o meu e tudo bem, ele é uma intensificada dentro da reunião. E aí eu também relativizo um pouco mais essa questão de talvez o meu não seja tanto, então calma, olha melhor para tudo isso. É no dia a dia, essa troca de experiência com vocês e com o mercado, porque participo de outros fóruns e etc. é que eu tenho me desenvolvido, eu não vejo outro momento para me desenvolver em relação a essa questão relacional com os clientes que não seja passando por elas.
Lançando os desafios e não me escondendo atrás de agora do alto dos meus X anos e do que eu tenho de quantidade de clientes, algumas coisas eu não quero mais.
Não. Obviamente, é interessante podermos escolher tal, etc., mas vira irrelevante se você só fizer o que você quer. Você tem que sair da caixinha. Assim como o cliente do André, ele tem que... Querer ser ajudado em querer sair dessa questão, estar aberto a coisas novas, flexível, algumas coisas, e ter de forma muito correta que nós, como profissionais, o entendimento do que é certo, do branco que é branco, do preto que é preto e não tem tom de cinza. e caminhar pelo caminho que nós sabemos que dá certo. E mostrar para o cliente o seguinte, não dá para ficar que nem a Alice ali na encruzilhada. Para onde eu quero ir, o gato responde. Depende, para onde você gostaria? Ah, não sei. Então, tudo faz o caminho. Então, a gente tem que entender com o cliente o seguinte, processo de decisão correto, a escolha fica mais fácil depois.
Para a gente concluir aqui, uma das coisas que eu tenho, eu deixo as chaves do meu carro e da minha casa no mesmo lugar, até porque se eu não fizer assim eu vou perdê-las. Mas nesse lugar onde eu as deixo em casa, tem um quadro atrás, um quadro pequenininho, e ali está escrito, lembre-se por que você começou. Lembre-se por que você começou.
E caminhando para 20 anos de carreira, hoje eu reconheço a profunda sabedoria que existe nessa simples frase. Lembre-se por que você começou. Porque se eu lembrar só das repetições, das decepções, dos enganos, das tristezas, tem hora que a gente pode até optar por, por que eu vou fazer isso de novo?
Mas quando a gente tem o coração mais apontado para o lembre-se porque você começou, lembre-se porque você começou, a gente traz vida nova para as pessoas, trazendo uma vida renovada para a gente também.
Então, essa é a minha última palavra aqui do episódio de hoje. Mesmo quando um desafio enorme, como o que o André colocou pra gente, acontece. Também os desafios que parecem que são muito constantes, né, adressar na sua carteira. Lembre-se porque você começou. E cuidado com o que a gente pede.
Eu queria ganhar mais dinheiro como planejador. Olha, a única maneira de ganhar mais dinheiro é resolvendo o problema maior. Então, se você quiser resolver ganhar mais dinheiro, você vai ter que resolver o problema maior. Lembre-se porque você começou e cuidado no que você pede. Para concluir aqui a nossa conversa. Dressa, muito obrigado, viu? Que bom que não passou nenhum alien por aí hoje.
Mais ou menos, né?
É, no momento lá passou rapidinho, né? Mas eu vi que você saiu de casa, mandou ele embora e voltou para dentro para a gente conversar.
Coloquei ordem na casa hoje.
Meu xará, obrigado, meu irmão. Obrigado por participar. O André rapidamente comentou, galera, estou no meio de uma obra aqui, escritório para concluir, casa para concluir, mas quem vê o vídeo vê que ele vai estar de terno, de paletó, mas ele está de bermuda por baixo. Viu, pessoal? A verdade é essa.
Obrigado, meu irmão.
Agradeço o convite, estou à disposição. A partir de agora, realmente, terei mais tempo. Estou muito indo essa semana e a partir da semana que vem terei mais tempo para me dedicar.
Amém, todo mundo quer aprender com você também, meu irmão. Fradel, obrigado por mais essa companhia e por mostrar para a gente como é importante lembrar o porquê a gente começou.
Isso aí. Obrigado, gente. Prazer novamente estar aqui com vocês. Abraço.
Valeu, pessoal. Um abraço.
Um abraço.
Tchau, tchau.
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