A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #21

A recorded episode (podcast-style YouTube video) in Portuguese where host André Novaes and four guest financial planners discuss research by Daniel Kahneman (2010) and subsequent analyses about the relationship between income and happiness. Key empirical claims cited: the original paper reported a plateau around US$75,000 (2010); when inflation-adjusted to 2023 values this was rounded by the host to about US$134,000; the hosts also reference a ~20% subgroup described as a "minority unhappy" whose distress may not be alleviated by higher income (article mentions improvement up to ~US$100,000). The conversation blends empirical interpretation with practitioners' perspectives on sufficiency, contentment, generosity, and how planners address clients' relationships with money.
Questions this video answers
February 7, 2024
US$ 75,000 (2010)
Approximately US$ 133,665, rounded to US$ 134,000 (host's calculation)
About 20% of participants
About US$ 100,000
Chapters
Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao vigésimo primeiro episódio aqui do nosso podcast. Hoje, turma, a gente tá num formato diferente. Vocês logo vão ver que eu tô na já tradicional companhia do Fred, mas dessa vez Eu e o Fred temos a companhia de três outros planejadores. A gente não vai conversar acerca de encontros da semana passada. Eu lancei um desafio diferente para o grupo na semana anterior. foi publicado um estudo recente, ou talvez uma reedição de um estudo antigo, de 2010, do Daniel Kahneman, que então havia apontado que dinheiro sim traz felicidade ou compra felicidade. Tem a grande brincadeira de que se não compra, manda buscar. mas que existia um pico, ou seja, não existia nenhum ganho além de uma renda anual de US$ 75 mil. Deixa eu rapidamente introduzir aqui quem vai estar na conversa para a gente, depois eu continuo aqui com um primeiro prólogo do que a gente vai conversar e a gente vai ter uma boa conversa. Eu estou aqui na companhia do Fred. Como é que você está? Tudo bem?
Bom dia, tudo bom? Como é que vocês estão? Bom dia, boa tarde, boa noite. Esqueci, esqueci.
Nadinho, ele começou ontem a fazer isso, não tem problema. A gente tá aqui também na companhia do Euline. Euline, como é que você tá?
Tudo em ordem também, tudo bem.
Beleza.
Tiago, Tiago... Se o dinheiro não traz felicidade, mas manda buscar, então manda entregar aqui na minha casa, por favor.
Até o eminido.
Mas tem uma outra frase que eu acho melhor que essa, André. Fala assim, o dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz.
Eu acho que cortou na gravação isso. Fala de novo, o dinheiro não traz felicidade.
O dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz.
Só para completar a sequência de frases, olha, eu não sei se o dinheiro traz ou não felicidade, mas eu nunca vi ninguém triste num jet ski.
Tiagão, como é que você tá? Bem-vindo, Tiago Botelhos.
Olá, pessoal. Prazer em estar aqui. Acho que é um tema que já começou divertido. Muito bom.
Rodrigão, Rodrigo Guerreiro, como é que você tá?
Tudo ótimo, André. E aí, galera? Uma alegria estar aqui com vocês. Vamos falar sobre que tamanho tem que ter esse jet ski.
Olha que tamanho do jet ski, né?
Tem outra frase boa também, André, que não traz felicidade, mas é bem mais legal você chorar numa Ferrari.
Também tem essa, também tem essa. Papo descontraído, mas a conversa é boa, ela é séria. Então, em 2010, houve a publicação desse primeiro estudo de autoria, pelo menos de principal autoria, pelo Daniel Kahneman, que depois veio a ganhar um Nobel de Economia. Mas ali então esse estudo sugere que existe sim um ganho incremental ou uma correlação entre felicidade e dinheiro, mas que isso estaciona ali em cerca de 75 mil dólares. Fato é que se a gente então fala num pico de felicidade ou num topo aos 75 mil dólares em 2010, o mínimo que a gente tem que fazer, pelo menos, seria atualizar esse valor pela inflação. E ali eu fui fazer o meu estudo E eu entro então num site do próprio governo americano e de 2010 até fevereiro de 2023, eles não tinham o dado de março de 23, a gente tá gravando isso daqui no comecinho de abril, 75 mil dólares em janeiro de 2010, equivalem, hoje, a cerca de US$ 133.665. Vamos arredondar essa conta para US$ 134.000. Ou seja, até essa faixa, você vai ter, na medida que você tem mais dinheiro, mais felicidade, a partir disso, não, pelo menos, de acordo com o número atualizado do estudo de 2010. Porém, Kahneman e um outro cientista social, o nome dele é Matthew Killingsworth, eles se lançaram... em algo que eu achei interessantíssimo, porque foi como se fosse um duelo intelectual entre esses dois pesquisadores, não na direção de saber quem estava certo e quem estava errado, mas num saudável duelo de contradições. E parece que eles começam a chegar a algumas conclusões. E talvez, e aqui eu não vou me alongar muito, vamos fazer disso uma boa conversa, haja sim uma correlação maior e não necessariamente com o limite, talvez atualizado aí em cerca de 134 mil dólares hoje, entre felicidade e dinheiro. Sem mais, eu convido então aqui Fred, Euline, Rodrigo, Tiago Vocês leram o estudo, refletiram acerca disso e, além disso, um pouquinho também da perspectiva pessoal e, naturalmente, profissional de cada um de vocês na condução como guias de famílias nesse ambiente financeiro, pessoal, felicidade, família, emoções e etc. O que vocês têm para compartilhar? Quem vai primeiro?
A educação de todo mundo. Deixa que eu deixo. Já que eu comecei a falar, eu vou trazer o que me chamou a atenção, André. Eu conheci o estudo de 2010 do Kahneman, achei muito legal esse aspecto que você comentou dos dois pesquisadores, com as suas divergências, estabelecerem esse diálogo que fez com que o estudo até evoluísse. vai com duas grandes conclusões que eles colocam ali, de que a felicidade continua a aumentar mesmo em patamares maiores de renda. Mas também me chama a atenção o segundo ponto que eles colocam do que eles chamam lá de minoria infeliz, né. De que cerca de 20% ali realmente tem esse platô, né. E meio que, né, se você… Por mais que você seja rico, mas se você é infeliz, se você tem aspectos, né, que limitam muito a satisfação com a sua vida, sejam eles quais forem, né, mais dinheiro não vai te ajudar. Então eu acho que isso orienta bem a minha percepção de que, sem dúvida nenhuma, ele pode ser um facilitador na sua vida e eu acho que a gente vai comentar aqui em quais aspectos realmente ele é decisivo, mas que há um limite. Há um limite realmente para o o quanto o dinheiro consegue ajudar a sua satisfação geral, o seu bem-estar como um todo. Isso me chamou bastante a atenção e tratar as coisas no seu devido lugar, mas muito interessante mesmo.
Legal, legal. Euline, Thiago, Fred, vamos começar com as impressões de cada um de vocês para a gente ir aquecendo a conversa.
Para mim, ao ver o artigo, alguns pontos que o cara coloca, eu achei muita correlação com a famosa pirâmide de Maslow. E aí tem muito a ver como que as pessoas percebem o bem-estar, a felicidade, a realização. E aí o dinheiro reflete muito, porque a classificação da pirâmide de Maslow é justamente isso. Se você não tem o dinheiro para o básico, você vai ser infeliz, porque você não tem nem o que comer, que são as necessidades que a pirâmide começa lá na questão da fisiologia, da higiene. E aí chega um ponto mesmo que a pirâmide já se atingiu o pico, então talvez seja aí que esteja no limite atualizado dos 134 mil dólares, que a partir daí não adianta, que você não vai comprar mais realização pessoal, mais nada, se você não conseguiu até esse momento. Então achei muita correlação com a pirâmide de Maslow.
Demais. Legal, legal.
Fique claro, não é?
É uma pirâmide financeira, não é?
Boa.
Como chama aquela do filme lá que você indicou, André? Aquele filme lá do cara da bolsa. Tem um nome lá em inglês. Como chama isso em inglês? A pirâmide tem um nome.
Ponzi, não é? Ponzi Skin. Esquema de Ponzi. Ponzi, se eu não me engano, era um matemático italiano.
Isso.
Tiagão.
Eu achei muito interessante que o Leon trouxe a questão de Maslow. Eu ia fazer uma outra analogia.
Talvez não tão boa, mas de alguma forma complementar. Mas basicamente, quando a gente enxerga o dinheiro como uma ferramenta, que é o que ele é. Se você tem, por exemplo, uma caixa de ferramenta que tem ali um martelo, uma chave uma chave de fenda e um alicate é uma coisa. Agora se você tem uma caixa de ferramenta que tem múltiplos tamanhos de chave de fenda, múltiplos encaixes, você agregou para a sua caixa de ferramenta. E se você tem uma caixa de ferramenta mais robusta, você tem obviamente mais ferramentas para atingir outros objetivos. E o estudo, apesar de, até onde eu sei, ele não falou sobre a felicidade relacionada a como você gasta o dinheiro, E sim, o quanto você ganha simplesmente. Acho que eu estou estendendo aqui a analogia da felicidade, a conclusão de trazer mais felicidade justamente nesse ponto. Temos mais ferramentas para fazer mais coisas. E quando a gente consegue fazer mais coisas, a gente de alguma forma pode ter mais chance de ter esse bem estar de felicidade. Então é nesse sentido.
Joia, boas coisas para a gente, bons fios para a gente puxar desse novelo de ideias que a gente está criando. Fredão, e você, meu irmão? O que você achou disso tudo? Como você começa essa conversa?
Bom, é interessante ficar aqui por último. O que você pode pincelar coisas boas que os outros colocaram?
Mas fora a brincadeira de usar os termos dos outros, eu achei interessante também, eu procurei olhar bastante para o porquê que no primeiro estudo do Kahneman, que eu já havia lido e relido algumas vezes, existia esse platô considerado, ou seja, a partir de um certo momento você não tem um incremento de felicidade tão grande versus a renda, você fica num platô. E o novo estudo, colocando um pouco disso, mas que você vê que ele fala bastante do Collinsworth, falando bastante também, que existe sim um platôzinho ali, aumenta, mas não aumenta tanto, não é tão considerável e tal. É talvez essa minha tentativa de, com todos os clientes, e aí trazendo isso para a nossa atividade, entender se isso também não é algo que começa a trabalhar a ponta do quanto é suficiente. Talvez as pessoas estejam chegando na ponta de entender o quanto é suficiente e aí o incremento de felicidade não é tão grande porque talvez elas tenham conseguido conquistar o quanto é suficiente para elas, trazer de volta a elas a qualidade de vida de o quanto é suficiente. um limite ali que depois você começa a simplesmente querer ficar arranjando coisas para fazer. Então, eu achei interessante trabalhar na minha cabeça aqui um pouco o porquê que chega num certo limite e vira meio que um platô, o que faz isso acontecer. Será que é realmente essa busca de todo mundo de chegar num suficiente e ficar satisfeito com, ser grato pelas realizações, pelas conquistas, etc.? E isso me animou, porque é um bom sinal, um sinal de que a humanidade tem jeito mesmo.
Mas vocês viram como o cara, quando é planejador há uns 15 anos, vocês viram que ele disse que o Keynesworth propõe um platozinho, e o estudo diz que eles não têm muitos dados acima de 500 mil dólares. Esse é o platozinho do Fred. Coisa básica. Vou fazer uma conta fácil, 5x5, 2,5 milhões de reais por ano, um platôzinho básico.
Mas, André, olha que coisa interessante, até mesmo porque não são tantas pessoas que conseguem ter isso.
Claro.
E até mesmo pessoas que não vão responder esses questionamentos, pessoas que têm acesso a muito mais do que isso, a muito mais do que esses valores. É muito mais difícil você chamar essas pessoas para o tipo de pesquisa que eles fizeram. Mas eu entendo que ali é uma forçada que ele deu para chegar num novo montante ali, que falou assim, e aí, será que daqui para frente muda muito? E vamos entender que, sim, a gente atende pessoas aqui que têm talvez esse nível de renda anual, E você vê que são pessoas que vivem muito parecido e similarmente com outras que ganham bem menos, mas que conseguem, de forma ajustada, fazer as mesmas coisas.
Similar. É verdade, é verdade. Mas, olha só, deixa eu tentar dar mais uma puxada na conversa. A gente está chegando aqui no primeiro quarto do Baixo Papo e já vamos encarar de frente talvez a pergunta definitiva. Segundo o estudo, os autores, na verdade, dizem que flertam com duas grandes conclusões. Eu vou primeiro perguntar para cada um de vocês acerca da primeira delas, depois a gente vai abordar a segunda, que é um aspecto que o Rodrigo levantou. Mas a primeira conclusão diz o seguinte, que a felicidade continua a aumentar com a renda, mesmo na faixa alta de renda, para a maioria das pessoas. Não é para todos, mas para a maioria. Mostrando que para muitos de nós, em média, ter mais dinheiro pode nos tornar cada vez mais felizes. Então a pergunta que eu faço para cada um de vocês é, ter mais dinheiro faz a gente mais feliz? Vamos ver se vocês não ficam em cima do muro nessa.
O silêncio aponta...
Agora a gente pode inverter a ordem, não é, Fred?
Eu acho que sim. É, boa, boa.
Deixa eu pensar aqui.
Fred, me diz aí o que você tem para dizer. Acho que tem que ligar o microfone, queridão.
Repita, repita.
Ligar mais dinheiro pode nos tornar cada vez mais felizes? Olha, sem clichê aqui, vamos tentar assumir o risco aqui de tentar construir alguma coisa diferenciada. E, pessoal, a perspectiva pessoal de cada um, o que vocês dizem?
Esse é um ponto difícil, né? Porque trabalhando aqui há 15 anos já com as pessoas, você vê que existem comportamentos diferentes e até pessoas que acessam muito mais dinheiro e fazem coisas que você fala assim, pô, o cara podia fazer muito mais, né? E não faz, porque ele entende até onde vai, até onde que deixaria ele feliz, até onde é o suficiente e tal. Eu acho que para determinados perfis pode sim fazer bastante diferença, pode trazer sim mais felicidade, pode trazer sim mais sensação de conquistas e aí aquela brincadeira que tem a piada também de que o cara que acha que o dinheiro não traz mais felicidade é porque ele não sabe direito onde fazer compras, onde comprar, porque se ele souber ele vai conquistando mais coisas e tendo mais felicidade. Eu acredito que, no momento que nós vivemos e nessa confusão de informação que tem o tempo inteiro e esse mundo das redes sociais, onde a vida da grande maioria dessas influências parece ser a conquista final da felicidade suprema, ou seja, a vida bela, maravilhosa, sem nenhum defeito.
Eu acredito que, sim, possa passar a sensação para os outros, para a grande maioria, de que talvez com muito mais dinheiro eu possa trazer muito mais felicidade. Mas eu vejo cada vez mais pessoas agradecendo pelas coisas que têm, pelas conquistas que podem fazer.
Não é que eu quero ficar em cima do muro, mas eu vejo comportamentos muito diferentes em alguns espectros aqui.
E algumas pessoas conquistando algumas coisas diferentes, e eu olhando e falando assim, continua com a mesma felicidade, ele só está podendo fazer mais coisas. É difícil isso, é difícil você responder pelos outros, é difícil você ter, com essa experiência que nós temos, é difícil você falar simplesmente que sim, que muito mais vai trazer. Eu não consigo bater esse martelo e não é porque eu quero ficar em cima do muro, não, é porque eu vejo com bons olhos algumas coisas muito legais acontecendo com vários clientes. em relação a ter mais ou menos diferentes perspectivas, mas diferentes mesmo.
Eu vejo pessoas aqui fazendo um milhão de reais por ano e extremamente contentes por não ter nenhum carro e os carros da família, os dois, serem das empresas para as quais eles trabalham. E eles não fazem a menor diferença em ter ou não o deles. O que eles querem é viajar um pouco mais, curtir mais um pouco os filhos e ter uma qualidade de vida diferente. Ou seja, até a moradia tem que ser algo efetivo e mais perto do trabalho e das escolas, por exemplo.
E aí, vamos ampliar a conversa. O que vocês acham? O Fred disse que não ia ficar em cima do muro, mas acho que ele colocou um pezinho para um lado. Ele pulou de fato. Mas ele colocou um pezinho para um lado. Foi corajoso. Para ser a primeira resposta, acho que foi muito, muito corajosa. E vocês, Tiago, Euline e Rodrigo, dinheiro traz ou não felicidade?
Ok. Vamos lá. A pergunta nos induz a um sim ou a um não. E eu acho que tudo que envolve sim ou não nessa questão de planejamento financeiro a gente envolve necessariamente em erros, ao meu ver. E por que eu digo isso? Porque a resposta para mim mais direta seria sim, traz mais felicidade, desde que você tenha muita clareza do que é felicidade para você e do que é dinheiro para você. Essa talvez seja a única resposta direta ao ponto que eu conseguiria dar. Agora, como é que a gente explora essa coisa do que significa o dinheiro e do que significa a felicidade, né? Então, acho que isso é um pouco daquilo que é a beleza também do trabalho de poder caminhar com famílias e tudo mais, né? Então, é ajudar essas famílias a construir clareza sobre o que de fato importa para elas e construir clareza de como o dinheiro pode ser um meio melhor, né? Porque a verdade é, muitas pessoas chegam até nós justamente preocupadas porque nunca ganharam tanto dinheiro e nunca se viram com tanta dificuldade de fazer as coisas que querem fazer. Então, se eu olhasse só pra esse lado, eu responderia essa pergunta. Não, não traz mais felicidades, porque eu tô cheio de clientes que nunca ganharam tanto e não conseguem fazer as coisas que querem fazer. É meio controverso esse assunto, mas eu particularmente tenho um entendimento de que existe um trabalho que tem que ser feito dentro de cada um de nós, entender um pouco daquilo que eu entendo ser um princípio do contentamento. E o contentamento passa necessariamente por perceber que tem muitas coisas que você já consegue fazer com aquilo que você já tem. E quando você percebe que você já tem ferramentas suficientes para dar o próximo passo, para poder crescer, desenvolver, ser mais feliz, eu acho que a gente começa a se apegar mais sobre aquilo que a gente já tem e menos sobre aquilo que a gente não tem. Então assim, acho que para dar minhas pinceladas aqui, eu encerro por aqui.
É, eu acho que é bom porque até a gente pode entrar numa discussão filosófica do que defina o que é a felicidade. Brincando aqui, para o Banguela é ter dente, para o cego é enxergar.
E aí?
Para o capenguim ali é andar de forma correta. Por isso que eu falei que é relativo e eu vejo cenários diferentes ali com comportamentos, pessoas, enfim. Mas bora lá para os outros.
Boa, boa. Senhores? Eu estou na parte mais fácil, com essa pergunta, eu nem sequer me arrisco aqui da resposta, mas vamos lá, Euline.
Eu acho que tem uma questão sutil aí para responder sim ou não, que tem a ver com onde está o coração da pessoa que vai responder essa pergunta. Então, se o coração dessa pessoa está no dinheiro em si.
Na posse do dinheiro, no ter mais, dificilmente esse cara vai ter com os 500 mil lá do artigo, mil dólares, ele vai encontrar felicidade, porque ele sempre vai ter um sentimento de que falta um pouco. Igual perguntaram para o Rockefeller quanto que ele já trabalhava 16 horas por dia e já tinha dinheiro para viver o resto da vida e perguntaram para ele quanto ele precisava mais. Ele falou assim, só um pouquinho. Então, quando o coração da gente está naquilo, Então, para muitas pessoas, eu já fiz essa pergunta. Cara, se você ganhasse mais quantos reais por mês, você acalmaria? E é pouco dinheiro. As pessoas respondem 200 reais, 300 reais, não é muito. Então, tem muito a ver com o coração. Onde está o coração da pessoa? A própria Bíblia diz que onde está o seu coração, aí está o seu tesouro. Então, se a pessoa enxerga o dinheiro como fim, não vai ser feliz nunca, porque ele não vai preencher aquilo que o dinheiro ajuda. E aí eu lembro muito da questão dos sete pecados capitais, o pecado capital que está relacionado ao dinheiro é a avareza, o amor excessivo ao dinheiro. E o contrário, cada pecado capital tem uma virtude cardeal que contrapõe. E a virtude cardeal que contrapõe a avareza é justamente o que o Thiago comentou, o contentamento.
Então, o que é suficiente, o que vale mais? É você se matar de trabalhar ou você, como o exemplo do Fred, não, eu vou priorizar um trabalho onde eu consiga cumprir uma carga horária menor, mas eu tenha tempo para estar com os meus filhos? Eu fiz essa opção no começo da minha carreira, eu tinha uma opção de ganhar muito mais trabalhando em São Paulo. Eu falei, cara, só que eu fiz uma conta, o tempo que eu perdia dentro de um fretado todo dia, cara, meu filho recém-nascido, ainda não estava para nascer, eu falei, não, eu não vou ficar fazendo isso. Então, acho que aonde está o coração vai responder se traz ou não.
Felicidade. Muito bom. Muito legal.
Rodrigão, ficou difícil, hein?
No bom e no ruim, né? Agora eu tenho menos mão do Fred da primeira, mas também acho que os colegas falaram de tanta coisa boa, mas acho que, de fato, mesmo nós trabalhando com vários clientes, a maior parte deles, na realidade brasileira, ainda distantes desse platô, das centenas de milhares de dólares. Então a gente trabalha justamente nessa faixa que eu acho que, de fato, mais dinheiro pode te trazer mais felicidade. Mas eu acho que... que a gente tá relativizando aqui, né, na fala de todo mundo, é que reconhecer o fato de que o dinheiro, principalmente nas faixas iniciais ali, traz uma mudança que pode ser até brusca, né, e trazer realmente um incremento de satisfação, né, o fato dele poder fazer isso é diferente da gente dizer que a felicidade vai vir por conta do dinheiro, né, como se fosse o seu único problema, né, que eu acho que é a a segunda conclusão que a gente vai falar mais sobre. Agora, de fato, o dinheiro te dá capacidade de escolha, te dá liberdade. Então, vários temas que a gente lida, como se organizar financeiramente pode te proporcionar mudar carreira, sair de um relacionamento ruim. poxa, prover a educação que você quer pros seus filhos, lidar com situações de saúde familiares super relevantes, né? Todos esses temas aqui que eu falei são estressores, né, na vida das pessoas, que quando... tem uma restrição financeira, são só agravados. Então acho que a mensagem aqui é justamente de como ele pode te dar esse poder de escolha, essa liberdade maior de navegar nessas situações. Mas como o Thiago colocou, eu acho que é essencial, faz toda a diferença, cada um entender o que é relevante para si, para usar o dinheiro como meio, para daí conseguir derivar felicidade de fato. é colocar ali em prática o que é mais relevante na sua vida, pra aí sim aumentar a felicidade, né? Então, acho que é por aí, né? Ele traz sim um incremento, ele traz possibilidades, ele é um apoio super importante em vários momentos complicados da vida, mas por si só, não vai ser garantia de nada. E aí é o que o Fred colocou de tantas pessoas que chegaram lá entre aspas onde elas imaginavam que seria o oásis e se pegam frustradas porque percebem rapidamente que não é só uma questão de grana.
Muito bom.
Eu tenho um exemplo.
Pessoal recentíssimo de ontem, fresco aqui na cabeça, da minha irmã, que mudou de emprego, forçada, porque foi demitida do outro, e agora está trabalhando aqui do lado de casa, ela mandou uma mensagem de áudio ontem para a gente, felicíssima, descrevendo o seguinte, Gostaria de falar para vocês que levei 25 minutos para ir para o trabalho, 25 minutos para voltar e estou indo buscar os meus filhos na escola. Pensem em alguém feliz. Ela falou assim. Olha lá. Obviamente o novo emprego vai trazer dinheiro e vai trazer felicidade.
É uma linha bastante tênue, está totalmente interligado, mas a felicidade para ela talvez seja menos a questão da remuneração que ela vai ter nesse novo emprego e muito mais a qualidade de vida que ela vai ganhar.
Fato é, pessoal, é um assunto complexo que não é em respostas simples ou frases de impacto simples que a gente vai conseguir... Acho que nem a ideia, né? Estressar o assunto ou esgotar o assunto. Mas eu acho que é importante... Para mim, os destaques acerca dessa questão, se o dinheiro traz ou não felicidade... Primeiro.
Eu sempre reflito acerca disso primeiro tentando compreender De que lugar eu reflito acerca disso? E eu não consigo me abster do fato de que, por exemplo, eu sempre vou discutir pobreza a partir de uma mesa de riqueza. Não significa que eu seja rico. Significa que se eu exercer a mínima sensibilidade para a quaismagadora maioria das pessoas, a minha mesa é de riqueza. o que me traz dificuldade de refletir acerca de quem tem menos e muitas vezes muito menos e simplesmente dizer para essas pessoas que não, dinheiro não traz felicidade. Como vocês bem colocarem, eu acho que ele como uma ferramenta, como um meio, naturalmente nunca como um fim, ele pode sim minimizar grande desses elementos que o Rodrigo colocou que são estressores realmente na vida da maioria das pessoas. Mas é fato, o coração tem que estar em um lugar adequado para que isso também não vire uma idolatria. E a gente sabe que, virando idolatria, é que as coisas começam a colapsar, de fato, na nossa vida. E uma outra ponta, na minha reflexão acerca disso, eu tenho o privilégio de conhecer pessoas muito, muito generosas na minha vida, generosas financeiramente generosas, que doam dinheiro, que abençoam causas e pessoas. E se dinheiro traz felicidade, eu não sei. Eu só sei que o dinheiro doado não traz infelicidade. Eu não conheço nenhuma pessoa generosa depressiva. Eu não conheço nenhuma pessoa generosa triste. Então, talvez, numa perspectiva diferente, eu disse para ninguém ficar em cima do muro, mas a minha resposta honesta é eu não sei se dinheiro traz ou não felicidade, mas eu tenho aprendido e talvez eu possa dizer que criado esse conhecimento de que a generosidade não traz infelicidade. E talvez essa seja uma perspectiva interessante para a gente poder conversar. E nessa medida, dá para ser generoso com o que a gente tem, mas se a gente pudesse ser ainda mais generoso, talvez sim o dinheiro possa trazer felicidade, mas menos quando aplicado única e exclusivamente para o nosso benefício, mas também quando ele é usado para um benefício que vai além da gente, que vai além da gente. Acho que isso pode ser uma boa conversa. Mas olha só, eu acho que a segunda conclusão do estudo, ela é mais interessante, até. A segunda conclusão diz o seguinte, o estudo também descobriu, e aqui eu estou fazendo uma leitura de um artigo que foi publicado no Washington Post sobre esse estudo. E o artigo então diz, traduzindo para o português aqui na minha tentativa, o estudo também descobriu que havia uma minoria infeliz, cerca de 20% dos participantes, cuja infelicidade diminui com o aumento de renda, até certo ponto, e então não mostra mais progresso. Então aqui não é que a felicidade aumenta, é que a infelicidade diminui.
Essas pessoas tendem a experimentar misérias negativas, que normalmente não podem ser aliviadas ganhando mais dinheiro. O relatório cita exemplos como um desgosto amoroso, luto ou depressão clínica. Para eles, seu sofrimento pode diminuir à medida que sua renda aumenta para cerca de US$ 100 mil. Mas quem é infeliz, acima de 100 mil dólares, vai continuar infeliz. E cerca de 20% das pessoas, não é que elas estão infelizes, é que elas são infelizes.
E aí, qual é a perspectiva de cada um de vocês acerca disso?
Eu penso muito nesse sentido de que há questões maiores.
Mas é isso sim. Acho que é um ponto que a gente tocou agora que seus problemas não vão se encerrar na questão financeira. É lógico que eles estabelecem isso. Acho que a gente colocou desse patamar a partir do qual seria um ganho marginal. Então até lá existe um caminho. Acho que é o que a gente colocou aqui. Uma série de infortúnios aí que você consegue amenizar a dor ali não tendo que se preocupar com dinheiro, além de tudo. Então, claro que para a grande maioria eles colocam isso, esse limite dos 100 mil dólares. Mas é legal essa perspectiva de que nem tudo vai se resolver com dinheiro, né? E eu acho que se a gente refletir sobre o ser humano em si, a gente é bem ruim, acho, em projetar esses nossos sentimentos. A gente sempre acha que vai ter uma satisfação maior do que, de fato, a gente tem. Ah, quando eu tiver essa promoção, quando essa situação passar, quando eu comprar determinada coisa, né. E quando isso acontece, né, o André mesmo, você brinca várias vezes, né. Quem nunca pensou, ah, quando eu ganhar o dobro, né, aí eu vou ser feliz, né. Quando eu tiver aquele cargo, aí eu vou ser feliz. E pra muitos, felizmente, esse momento chega. Mas infelizmente, chega a frustração de perceber que não era exatamente aquilo, né? A gente se adapta a essas questões. E as questões mais profundas, que tipicamente é o que tá relacionado a esse sentimento de infelicidade, as coisas que realmente impactam a nossa vida, não vão ser resolvidas assim por… X reais a mais ou a menos, né? E eu acho que isso tá relacionado também com o ponto que o Fred trouxe, que eu acho que é um cuidado que a gente precisa passar a ter e a gente pode falar disso mais pra frente, que é como toda essa avaliação nossa se dá sempre a partir de um referencial. a gente tá sempre, a nossa cabeça tá sempre estabelecendo comparativos. E eu acho que o contexto que a gente vive hoje é mais complexo com relação a isso, e pode acentuar esse sentimento de infelicidade, se a gente não tiver ligado nisso, né? Mas acho que esses são os principais pontos, assim, que me faz essa conclusão deles pensar.
Fred levantou essa bola da rede social, uma boa bola. Já vou te passar a palavra. Olha só que interessante. Talvez uma outra perspectiva acerca dessa segunda conclusão pode apontar para dinheiro faz do feliz mais feliz e parece que há um ganho incremental na medida que a renda aumenta. Mas o dinheiro não faz o infeliz mais feliz.
E aqui a gente talvez tenha que pausar para uma boa reflexão. O dinheiro pode fazer do feliz mais feliz e cada vez mais dinheiro, talvez um pouco mais de felicidade. Eu lancei uma hipótese que talvez o exercício da generosidade possa ser um catalisador disso. Mas a segunda conclusão do estudo, então, diz que pessoas infelizes não necessariamente se tornam mais felizes ou menos infelizes com mais dinheiro.
E aí?
André, eu acho que assim.
Estressando um pouco mais o estudo, lendo outras coisas, até referências aqui, a tendência de felicidade das pessoas infelizes se você olhar os dois estudos ela não muda tem o mesmo padrão em 2010 2021 são 11 anos de diferença mudanças fantásticas no mundo, acontecimentos, coisas e etc. E você vê que as pessoas que são infelizes, elas não... você não incrementa a felicidade com o passar dos anos ou com a quantidade de dinheiro e etc. Então são descobertas que parecem contraditórias, mas são incrivelmente consistentes, concorda? De que existe um padrão onde pessoas não conseguem entender.
Ter relação com, se tornarem felizes, porque talvez seja aquela pessoa que nunca vai entender que o gramado dela é tão verde quanto o do vizinho. a pessoa tem alguma questão ali, que ela não consegue entender o que é suficiente pra ela, ela não consegue ser grata por tudo aquilo que acontece, e eu não tô falando que isso é um problema, que isso sejam más pessoas, não, é simplesmente que é comportamental, a pessoa não consegue trabalhar corretamente isso, e talvez sejam as pessoas que mais tenham problema com dinheiro, porque não interessa o quanto tenha, não vai ter o suficiente nunca, e nunca vai conseguir entender aquilo que precisa ser entendido, de aonde que eu chego, o quanto é suficiente, etc.
Então, Eu acho isso fantasticamente, ali a matemática, a estatística, etc., é extremamente consistente e traz uma beleza e uma clareza muito bacana pra gente. Que assim, ó, existe uma estabilização em certos patamares, tal, etc., mas tem coisas que nem o dinheiro vai transformar. A pessoa primeiro precisa se entender. A pessoa primeiro precisa entender a relação dela com o mundo, inclusive. Porque a pessoa que é infeliz vai ser infeliz com pouco ou com muito. Sabe aquela pessoa que parece o muro das lamentações? Ela está sempre... E de vez em quando eu me critico, por exemplo, por às vezes reclamar um pouco das coisas que tem, mas ao mesmo tempo eu falo assim, não, mas é porque eu quero um pouco a mais e isso é um combustível para mim, para eu ir em busca de outras coisas. Mas eu entendo que hoje eu tenho praticamente tudo que eu preciso e o suficiente, tá? E isso me traz um conforto e uma tranquilidade muito bacana. Esse entendimento traz felicidade, sim. Você fica, inclusive, mais calmo. Quem me conhece melhor sabe bem disso. Isso traz uma paz. Então, essas pessoas que não conseguem externar a felicidade ou não conseguem realmente senti-la, é porque precisam trabalhar ainda outras coisas. E talvez não vão conseguir.
Por quê?
Porque existe pessoa bipolar, existe pessoa super feliz, existe a pessoa super triste, existe a pessoa super divertida, existe a pessoa mais introvertida, e assim vai. E essa é a beleza do mundo, essas diferenças.
Muito bem, muito bom. E aí, Teolinha, Tiago, qual a perspectiva de vocês sobre Eu penso que tem.
Uma questão aí que é uma resposta a um evento externo, e geralmente as pessoas que, acho que na conclusão desse estudo, as pessoas que não conseguem lidar com esse evento externo de uma maneira a tirar proveito dele, elas tendem a continuar infelizes. Então elas não vão ter uma resposta. Então, por exemplo, quando você encara um evento externo, fala assim, eu não vou conseguir mudar isso. Vem aquela frase de caminhão, eu não tenho tudo que amo, mas dane-se, eu vou viver com o que eu tenho.
E aí, eu acho que é por isso que essas pessoas não vão conseguir lidar com isso, e elas percebem que o dinheiro não vai comprar isso, porque elas fugiram do controle desses efeitos, que é o luto, é uma decepção, algumas coisas que, assim, por mais que o dinheiro não vai comprar isso de volta. Então acho que essas pessoas não sabem lidar com esse evento externo e elas tendem a continuar infelizes. E aí o antídoto para isso é justamente o contrário. Você, cara, olhar para dentro e falar assim, não, apesar de eu não ter isso, ou esse evento externo me danificar, tem outras coisas que podem me energizar, dar sentido para a minha vida. Uma vez eu li um livro de um cara que ele fez uma definição do que é ser bem-sucedido, e ele faz uma série de comparações e ele fala assim, inclusive se alguém recebeu uma palavra de conforto, de alívio, e você trouxe luz para alguém, você foi bem sucedido. E aí acho que isso tem a ver com essa questão dessas pessoas continuarem felizes, porque elas não percebem que elas não podem mudar o evento externo, mas elas podem olhar para dentro e transformar a vida delas com outros significados que o evento externo acarretou. Então acho que é aí que cai esse ponto. Essas pessoas não vão mudar, porque elas têm uma percepção de que o dinheiro não vai fazer diferença. E não vai mesmo.
É uma pessoa muito realista. O dinheiro não vai mesmo, porque não adianta ela buscar no dinheiro. Mas aí ela estaciona, não decide pensar em outras coisas.
Aí vem a infelicidade mesmo.
Infelicidade. É isso aí. É isso aí.
E aí, Tiagão, ficou pra você agora o wrap-up dessa segunda conclusão do estudo sobre a infelicidade. Ela até pode melhorar um pouquinho, mas o infeliz não fica mais feliz mesmo com mais dinheiro. O que você tem pra dizer sobre isso?
Acho que está indo na linha do que o Lino trouxe, eu também entendo que tem uma questão muito relevante aí entre o que deveria influenciar o que. Se é as circunstâncias que vão influenciar até a sua identidade mesmo ou se é a sua identidade que vai influenciar as circunstâncias. Acho que no fim das contas isso resume bem o porquê que tem pessoas que são mais ricas e ficam mais felizes por isso e pessoas que são mais ricas e não são felizes por isso. É o que o Aline falou, você não consegue lidar com as circunstâncias externas a seu favor. E não só isso, você tem sempre alguma coisa que não está no seu controle, que está desfavorável a você e você constrói toda a sua narrativa de vida, todo o seu bem-estar e a sua proposição de objetivos frustrados com base nas circunstâncias não favoráveis. E isso, definitivamente, é a receita da infelicidade. Então, nesse sentido.
Eu acho que é um pouco daquilo que conecta, um pouco daquilo que eu penso versus aquilo que eu vejo aí desse estudo.
Muito interessante. Quando me deparei com essa segunda conclusão, Eu pensei, poxa, por que algumas pessoas são infelizes e parece que esse é um estado de ser e não uma... um momento que ela está passando, porque existem pessoas assim. E eu chego à conclusão, tentando fazer aqui uma extrapolação disso, eu tenho dedicado a minha carreira, e talvez até eu possa dizer que pelo menos buscado dedicar o meu processo de amadurecimento para compreender o amadurecimento e a sabedoria em si. E eu penso que basicamente no mundo, e aqui eu vou correr o risco do generalismo superficial, reducionista e até muitas vezes não adequado, mas eu acho que a coisa pode fazer algum sentido. Acho que no mundo existem pessoas que são sábias, existem pessoas que são tolas e existem pessoas que são más. Eu acho que existem pessoas que são ruins. Existem pessoas más no mundo. Não significa que elas não possam ser salvas, que elas não possam ser resgatadas. Mas tem gente cujo coração, cuja índole é naturalmente má. Mas essas pessoas eu vou separar um pouquinho e eu vou pensar mais nas pessoas que são sábias e que são tolas e que o difere cada uma delas. Acho que as pessoas que são sábias, elas conhecem a verdade. Eu não estou falando sobre realidade, porque a realidade pode ser também uma questão muito interpretativa. Eu acho que a verdade tem menos tons de cinza. A pessoa tola também conhece a verdade. E a maioria de nós somos tolos. A gente conhece a verdade. A sábia se adapta à verdade.
Enquanto que a tola busca adaptar a verdade à sua realidade. E não amadurece.
Então, pessoas sábias que amadurecem, ambas conhecem a verdade. Uma se curva à verdade, se adapta à verdade, obedece à verdade. E essas pessoas são aquelas sábias que amadurecem. Existem as tolas que conhecem a verdade, mas buscam adaptar a verdade à sua realidade. São subjetivas. São, mas eu penso assim, mas eu penso assado. Eu acho que as pessoas tolas são ecos de uma cultura, enquanto que as pessoas sábias buscam ser uma alternativa à cultura. E é na pessoa tola que é subjetiva, que busca adaptar a verdade a si mesmo, que tem o terreno mais fértil para a criação de falsos ídolos.
E essas são as pessoas que, no final do dia, são infelizes e não apenas estão infelizes. O sábio pode estar infeliz de acordo com alguma circunstância, de acordo com alguma situação. Já dizia, se eu não me engano, Frejá escreveu numa música que rir é bom, mas rir de tudo é desespero. Então, o sábio não é aquele que não se entristece, o sábio é aquele que não fica na tristeza. O tolo é aquele que talvez diz que não se entristece, porque ele pode adaptar à realidade, ele pode escolher o que ele quiser, mas, na verdade, ele não percebe que ele é triste por não reconhecer e se adaptar a uma verdade. Então, na minha prática... Só para concluir, André, quem são as pessoas más? Acho que as pessoas más mocam da verdade. Elas também conhecem, todo mundo conhece, mas elas mocam da verdade e buscam adaptar outras pessoas à sua verdade própria pessoal. Acho que essas pessoas são as pessoas más. Então, eu tenho aprendido na minha prática que, Na medida que eu assumo o risco de conversar com pessoas sobre a verdade, não é a minha verdade, não é a verdade delas, mas é a verdade eu tenho promovido mais reflexões e mais decisões na direção do que o Tiago bem colocou, do que é clareza, do que é uma perspectiva de futuro, mas isso sempre pautado menos no que a gente acha que as coisas sejam e mais ancorados no que é de fato uma verdade. E aqui eu posso estar extrapolando desde uma questão teológica, mas também aqui eu falo sobre questões muito práticas, na direção de cuidar bem de orçamento, ganhar gastar menos do que se ganha, fazer renúncias, fazer escolhas difíceis. E na medida que isso é sendo feito, reconhecendo que existe uma verdade, que ela não é subjetiva, a partir do nosso bem deleite, do que a gente bem desejar que seja, eu tenho percebido que as pessoas estão mais preparadas para o contentamento. para o contentamento. Ok, é assim que as coisas são, é assim que as coisas precisam ser, e a gente vai estar bem com isso. A gente vai estar bem com isso. Mas, enfim, um pouco desse meu take pessoal, de como eu tenho buscado imprimir isso na minha prática. Para concluir, eu quero fazer aqui um recorte menos secular, Os estudos, então, apontam para a correlação entre dinheiro e felicidade. Eu acho que dinheiro não tem problema nenhum. Ter bastante dinheiro não é problema nenhum. o que fazer com o dinheiro começa a apresentar alguns desafios. Eu jamais vou me apresentar aqui como alguém que tenha decodificado todos eles, decifrado tudo e tenho resposta para todas as coisas. Mas eu queria trazer uma outra perspectiva bíblica também. Euline citou um trecho da Bíblia. Isso que eu cito está na primeira carta de Paulo, da primeira Timóteo, Capítulo 6, que diz que na verdade, versículo 10, salvo engano, tá aqui na minha colinha, diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Não é o dinheiro a raiz de todos os males. E talvez também não seja o dinheiro a raiz de toda felicidade. Mas a Bíblia diz que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Não é o amor à carreira, não é o amor a uma pessoa, não é o amor a uma projeção de alguma coisa, que a raiz de todos os males, todos os demais, é o amor ao dinheiro. Na prática de vocês, como é que vocês têm abordado isso com o cliente, têm encontrado ambiente para abordar isso ou prefere deixar isso um pouco de lado? É teológico demais e o nosso papel aqui é só fazer orçamento fluxo de caixa, plano de investimento e carteiras. O que vocês dizem para quem está ouvindo a gente?
Adivinha só pelas minhas falas iniciais.
A gente precisa entrar no detalhe do comportamento, do que é importante para os clientes, do que traz felicidade para eles, do que são as realizações. E como a Euline bem falou, o dinheiro vai ser a mídia, a ferramenta, o meio através do qual nós vamos trabalhar esses conceitos, realizar as conquistas e organizar a vida.
E aí?
Estou totalmente de acordo com isso, de trazer essa consciência mesmo de que o dinheiro é a ferramenta, o meio, E tem sido uma prática minha, com os meus clientes, é tentar trazer essa visão. Para que o dinheiro? Para que serve? Ele é bom?
Ele é bom.
Se o dinheiro for o nosso servo.
Ele é muito bom.
Mas, se a gente deixar ele mandar na gente, a gente dança.
E aí, passa pelo contentamento, sim. E essa resposta, que é uma resposta que permeia todas as contas que a gente faz para os nossos clientes, todos os planos de investimento, mensurar cada sonho, é a questão da suficiência. Quanto é o suficiente? E aí, Quando a gente chega nessa medida correta, a gente percebe que o amor ao dinheiro não se tornou problema, mas o dinheiro ajudou a resolver um problema que trouxe mais felicidade, que trouxe contentamento, que trouxe suficiência.
E aí vem aquela palavra que você usou e que eu acho que é fantástica na questão do que o dinheiro também tem que ser usado para generosidade. Citando outra parte na Bíblia que fala que a gente ganha dinheiro não é só para a gente, mas é também para acudir àquele que tem necessidade. Eu tenho exemplos na família mesmo de pessoas que foram extremamente generosas. E tem exemplo também na família de um cara que tem muito dinheiro e não conseguiu usufruir tudo que o dinheiro podia dar para ele até hoje. Então a generosidade ajuda muito nisso.
Sem dúvida, sem dúvida.
Esse aspecto da suficiência que o Euline traz, André, eu até acho que ele tem esse benefício duplo de, primeiro, de trazer algo concreto para as pessoas. Tirá-las, às vezes, daquela angústia de preciso acumular, preciso ganhar mais, preciso ir atrás. mas com uma ideia abstrata do que ela, de fato, precisa. E daí ela fica nessa angústia há muito tempo, né? E nessa infelicidade, né? Então, acho que trazer, ajudá-los a entender o quanto é que nós estamos falando de fato, que no estudo, inclusive, eles elaboram essa parte quantitativa, que eu acho que é importante, né? Acho que traz, primeiro, esse aspecto concreto, né? E eu acho que um outro ponto relevante é que combate uma série de coisas que estão no nosso entorno hoje em dia que alimentam o sentimento contrário, o sentimento de insuficiência. O que a gente comentou hoje a gente tem um acesso tão fácil ao que é a vida de milhares e milhares de outras pessoas, né, que aqueles nossos comparativos que antes eram com o vizinho, com o cunhado, com o irmão, né, agora estão sempre relacionados às pessoas que são as referências máximas de qualquer coisa, né, seja o atleta mais forte, ou a pessoa mais rica, o executivo mais brilhante. E isso tudo só alimenta esse sentimento de insuficiência, essa incompletude. E como a gente vive desses comparativos, você vai se ver num contexto constante de que você está na perda, de que você está lá na parte do... do triste, do insuficiente, do inadequado. Então, acho que o ponto que você traz também, que é importante, não só fala anterior, é que a gente precisa ativamente combater isso. Porque a gente tá nesse caldo que não nos ajuda. Então, o que eu trago pra vocês antes é, a gente precisa se ajudar. Então, como é que eu limito esse comparativo? Como é que eu desenvolvo essa consciência de que isso acontece? E eu acho que uma das maneiras de fazer isso é refletir sobre o que é o suficiente. sobre o que de fato você valoriza, o que a gente precisa mesmo, né? E daí canalizar o dinheiro como meio para essas coisas, né? E tipicamente, a gente percebe, né? Essas coisas, lógico, superadas aquelas necessidades básicas que a gente falou, né? Quando você consegue passar por isso, isso não vai estar relacionado a um bem, a uma joia, a um cargo. Isso muito provavelmente vai estar relacionado às vivências que você vai ter. Há um show que você vai com o seu filho, há uma festa de casamento que você consegue reunir as pessoas que te amam. Esses outros aspectos, né. Um, exercer a generosidade, como vocês falaram, né. Gaste dinheiro com alguém que não seja você. Aí a gente começa a perceber realmente que são essas coisas que trazem impactos mais duradouros e uma sensação de felicidade mesmo, né.
Muito bom, muito bom, Rodrigão. Tiagão, qual a tua perspectiva acerca disso pra gente caminhar aqui pra conclusão desse bom bate-papo?
Assim, o grande ponto, como planejador, eu vejo que a gente tem um papel muito importante de poder ajudar o cliente a lidar melhor com o dinheiro. E isso passa necessariamente por trazer reflexões desse tipo. E eu acho que o desafio não é fazer a pessoa concordar ou discordar, que amor é o dinheiro, é a raiz de todos os males. Acho que o ponto é, qual é a cara disso? Como isso, que contornos práticos da vida, que decisões práticas da vida revelam que está acontecendo ou não está acontecendo. Acho que nosso papel tem mais a ver com esse aspecto assim, sabe? Porque, beleza, todo mundo vai falar, não quero amar o dinheiro, não amo um milhão. de reais. Mas como é que isso se desdobra, sabe? Nas decisões, por exemplo, eu não vou me mudar de cidade, porque se eu me mudar de cidade eu vou ter uma vida muito melhor, mas eu vou ter que abrir mão do meu salário. Ah, eu não vou ter mais filhos, porque se eu tiver mais filhos eu vou ter que abrir mão de algumas outras coisas. Ah, eu não vou fazer um ano sabático para repensar a minha vida, porque se eu fizer isso, minha carreira vai ficar estacionada, meu colega vai ser promovido e eu não. Então assim, acho que são esses desdobramentos que a gente precisa ajudar as pessoas a trazerem à tona. Acho que é por aí que passa um pouco do nosso papel também.
Muito bom, pessoal. Muito bem.
A questão, André, de ser grato pelas coisas é muito importante. Nem só de coisas ruins e não interessantes vive a rede social. Eu assisti um vídeo muito interessante.
De um cara perguntando para as pessoas e aí se ganhasse um milhão de dólares você ia ficar feliz. Caramba fantástico. E se você ganhasse 10. Nossa melhor ainda. Agora e se você tivesse a certeza que após ganhar isso você não acordaria amanhã. Como é que você se sentiria.
Ou seja, o que ia acontecer? O cara morreu, não acorda. Todo mundo falou assim, não, não ficaria feliz, eu prefiro acordar. Então, poxa, se a gente prefere acordar todo dia a um milhão, dez milhões, por que nós não somos gratos pelos nossos dias e fazemos com que eles sejam as pequenas conquistas e a soma de todas essas traga tudo aquilo que nós queremos conquistar, fazer e etc.
Tem muita coisa interessante rodando. Pessoal, acho que foi uma boa reflexão.
Acho que quando o Tiago... Vou até deixar esse convite aqui, viu, Tiago? Acho que você... Trouxe uma abordagem interessante quando falou da questão da ferramenta e de que se a gente, então, abre o nosso kit de ferramentas... Bom, deixa eu primeiro dar um passo para trás.
E já te faço o convite, Tiago. Talvez a definição mais ortodoxa que os economistas tragam para as funções, para o papel do dinheiro, as três famosas, o dinheiro, então, como um meio de troca, o dinheiro como unidade de valor e o dinheiro como reserva de valor, e se esse valor for a felicidade, quanto mais dinheiro, talvez sim mais felicidade, mas aí também a felicidade é colocada como um ídolo e a gente sabe que isso não é tão bom. Mas, e eu acredito que a gente tenha bebido da mesma fonte, Thiago, existe um autor americano chamado Ron Blue, um homem cristão, um planejador financeiro, e ele então apresenta três outras funções para o dinheiro, talvez uma perspectiva, ao meu ver, mais amplificada. o dinheiro como ferramenta, o dinheiro como um teste e o dinheiro como um testemunho. Ferramenta justamente na direção do uso, do meio. Teste, porque a gente é testado o tempo todo, a gente é colocado à prova o tempo todo, até no que tange as nossas emoções frente ao dinheiro. E testemunho, porque se a ferramenta for bem usada e o teste for relevante, A gente pode depois, e a Bíblia diz que mais importante do que começar bem a vida é terminar bem a vida, atuar como testemunho, dar testemunhos de como é que a gente buscou um bom uso do dinheiro. Então, as funções ortodoxas, meio de troca, reserva de valor, unidade de valor, essa perspectiva, ferramenta colocada a teste para que a gente possa dar bons testemunhos. O Tiago, então, trouxe essa perspectiva, né, Tiago, de, olha, se o kit de ferramentas for um pouco melhor, for mais avançado, tiver mais ferramentas, talvez a gente possa encarar testes maiores, encarar missões maiores e, por consequência, talvez dar testemunhos de maior impacto lá na frente. E o convite aqui, acho que isso vale um artigo, viu, Tiago? Vale uma boa reflexão sobre o tamanho das ferramentas, a quantidade das ferramentas, a relevância dos testes e depois o impacto do testemunho, né? Eu acho que vale uma boa reflexão. O tamanho das ferramentas, a relevância dos testes e o impacto do testemunho. Mas, turma, foi uma boa conversa. Aqui a gente não quer esgotar o assunto, quem somos nós, para qualquer pretensão nessa direção, mas foi apenas um recorte aqui entre planejadores, um pouco da nossa perspectiva pessoal, um pouco do que a gente tem exercido junto aos nossos clientes. e um pouco dessa marca que a gente pelo menos tenta. Nem sempre a gente tem sucesso nisso, mas a gente não se priva de tentar, de amadurecer os clientes, de conversar acerca do que é suficiente e de, se não promover felicidade, talvez destruir, pelo menos essa é a minha intenção, o amor ao dinheiro. E tem muita gente que tem isso, eu ainda conheço muita gente que tem isso. Eu até tenho que talvez dizer que eu ainda tenho um pouco disso dentro do meu coração. Então acho que reflexões como essa, diálogos como esse, servem para a gente também refletir. E eu espero que, para quem esteja ouvindo a gente, isso esteja sendo de bom uso.
Obrigado, turma. Obrigado pela participação de vocês.
Obrigado, gente.
Valeu.
Ótimo papo.
Um prazer.
Um prazer.
Falou, gente.
Voltamos ao formato tradicional. Obrigado, Lini. Obrigado, Rodrigo. Obrigado, Fred. Obrigado, Thiago. Escreva o artigo.
Valeu.
Grande abraço. Tchau, tchau.
Tchau.
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