A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #29

André Novaes, Fred, Thiago Botelhos, and Gabriel Pereira discuss how to teach kids about money through allowances and accounts, plan for retirement by estimating future income needs, and bring partners into financial planning before marriage.
Chapters
Olá, sejam todos bem-vindos, bem-vindas. 29º episódio, Fred, o que você acha disso?
Fantástico, né? Aproximando cada vez mais do trigésimo e do centésimo.
Eu só comemoro quando chegar em 100, cara. Mas vamos lá, um de cada vez.
O mais legal é que a gente vai comemorar e esses dois caras.
É isso aí. Vamos dar nossas boas-vindas aqui ao Thiago Botelhos, Gabriel Pereira. Bom dia, boa tarde, boa noite, bom final de semana, boa madrugada. Como é que vocês estão por aí?
Olá, mais um privilégio estar aqui com vocês. Tudo ótimo?
Olá, pessoal. Prazer estar aqui mais uma vez. Um bom dia, uma boa tarde, uma boa noite para todos que estão nos ouvindo.
Muito bem, muito bom. Olha só, rapidamente, para lembrar, o nosso objetivo aqui com esse tempo, com esse podcast, é te dar um olhar prático, um olhar real do que acontece no dia a dia de um planejador financeiro. uma conversa entre colegas profissionais, um tempo que a gente dedica aqui, hora semanalmente, hora a cada duas semanas, para a gente então trocar experiências, ombro a ombro, e ter um bom diálogo acerca de casos, e eu volto a reforçar, reais, reais, é uma grande troca de experiências, e a gente também tem o desejo de que esse momento lhe sirva para quem estiver ouvindo a gente, para que você possa, então, compreender a profundidade, a maturidade e a abrangência que envolve um verdadeiro planejamento financeiro pessoal. E a gente realmente acredita que isso seja um serviço de valor, algo que a gente faz com muito carinho, com muita alegria também, a gente se diverte aqui na direção de te apontar para o verdadeiro planejamento financeiro pessoal, e aqui a gente não fica em cima do muro, aquele que é feito no modelo direto, não associado a qualquer tipo de remuneração atrelada a investimentos do cliente. Sem mais delongas, eu aqui já pulo lá para o sul do país, conexão direta com o belíssimo estado de Santa Catarina, cada vez eu fico mais encantado, viu, Gabriel, com o que eu vejo das Serras Catarinenses e tudo mais, E te convido, meu amigo, a compartilhar que encontro interessante que você teve na semana passada pra gente conversar.
E só uma parte, agora a terra do segundo melhor parque do mundo, vocês viram?
É verdade. A nossa serra aqui tem se desenvolvido bastante e... o inverno aqui na serra cada vez crescendo mais o ano de pousadas, restaurantes, daqui a pouco nós chegamos perto de gramado lá no Rio Grande do Sul.
Pois é, pois é, pois é, tem uma boa chance. E aí, meu irmão, conta aí da semana passada.
Mas vamos lá, ó, semana tive uma reunião interessante numa fase de IAD, que a gente chama, né, de acompanhamento dinâmico das famílias, uma fase um pouco mais, é, adiante do trabalho, onde a gente já passou pela primeira fase ali de estruturação, onde a gente traz temas relevantes não só para o planejamento, mas também conectado com a necessidade da família. E essa família é um casal relativamente jovem, um filho de 11 anos. Nas primeiras reuniões a gente já viu ali o interesse deles de trazer um bom exemplo e educar o filho financeiramente de uma maneira correta. E eu encontrei então a oportunidade de, nessa D, a gente trazer um assunto de educação financeira para o filho deles. Convidamos o filho para participar da reunião, não participa de todas as reuniões, mas é legal sempre, quando possível, trazer o filho para o planejamento, para ele enxergar o que o pai e a mãe estão fazendo, até para podê-los engajar nesse trabalho. E, então, essa reunião foi uma oportunidade que teve de estar ensinando o filho um pouco sobre o dinheiro e, principalmente, o investimento, que é aquela parte que muitas vezes a gente aprende está mais adulto, o dinheiro muitas vezes a gente aprende a gastar ele quando é jovem, e muitas vezes não sabe de onde ele vem, como ele vem, como é duro, está acumulando ele. Então foi uma reunião bastante interessante, onde eu pude estar mostrando para ele, na prática, o que é um investimento e como fazer, a gente conseguiu fazer já um primeiro investimento ali durante a própria reunião.
Olha só, um caso interessante aqui de educação financeira para filhos, para a gente contextualizar um pouco melhor, o Gabriel, pai de uma menininha, eu tenho duas meninas, o Fred tem duas meninas, mas quem vai começar a falar sobre isso é o Tiago, porque ele ganhou de todo mundo, ele tem três meninas, olha que coisa maluca, aqui a gente só tem filhas. E não só isso, Tiago, além das três meninas, é casado com uma educadora, Então acho que você pode dar bons pitacos aqui para a gente sobre educação financeira para filhos. O que você tem para compartilhar, Tiago? Já passou por essa situação? Como é que você conduz um caso análogo?
A preocupação com a educação dos filhos é muito recorrente, basicamente porque traz aquela sensação de eu não quero que meus filhos passem pelo que eu passei, ou eu não quero que meus filhos aprendam ou demorem para aprender a fazer gestão financeira. Então é uma motivação muito legítima e é um privilégio poder ajudar. Eu tive poucas oportunidades ainda de trazer uma criança para uma reunião, isso é uma coisa que acontece em algumas situações, mas de qualquer forma eu entendo que a gente tem que começar reforçando para mim o que é básico, que é poder ajudar os pais a perceberem que eles são realmente o exemplo e que não existe nada mais relevante, não existe técnicas, não existe ferramentas, não existe mesada que vai superar o poder que o exemplo e a forma como ele conduz as finanças em casa vai deixar. Então passa muito por como os pais conversam sobre dinheiro em casa, passa muito sobre como os pais mostram para o filho os hábitos de consumo. Então eu gosto muito de poder ajudar os pais a perceberem quais são as oportunidades que eles têm para ensinar os filhos como eles decidem e como essa forma de decidir é uma forma boa, intencional e saudável, digamos assim.
Olha só, o Thiago trouxe então essa perspectiva, o exemplo, que eu acho que realmente não há nada mais robusto do que isso, não há nada mais até didático na direção de de fato formar não apenas uma educação financeira, mas um caráter financeiro. E eu achei muito interessante, Thiago, esse apontamento na direção de como tomam decisões, o processo para uma tomada de decisão. Fred, e você? O que você já caminhou nessa direção, nesse contexto de educação financeira para filhos? O que você pode compartilhar?
Eu tenho até um cliente que tem me pedido um pouco isso, para falarmos sobre sobre isso para a filha dele. E ele é um cara muito preocupado, ele sempre me falou que ele tem uma relação com o dinheiro diferente, segundo ele, esquisita. Então ele tem aquele ponto, às vezes, meio controlador, mas ao mesmo tempo tem aquele ponto de, cara, mas eu sei que isso precisa vir e trazer qualidade de vida para nós, então eu preciso maneirar um pouco isso, etc. Mas eu queria muito que a minha esposa e a minha filha, agora ele está com um filhinho de três meses, a filha tem seis, dez, sete anos, que elas entendessem um pouco mais junto conosco tudo isso.
E que possamos caminhar nessa questão de eu entender que, se eu deixar um pouco mais solto, o negócio não vai descambar. Esse é o medo dele, ele acha que elas vão gastar muito. E aí eu trago para ele alguns exemplos que podemos e devemos fazer, por exemplo, nessa questão da educação financeira dos filhos, como, por exemplo, eu acredito que o Gabriel tenha feito. Hoje tem Inter, CFCs e etc., e você pode, por exemplo, abrir uma continha no nome da criança e o presentinho que ela ganha, ou o semanado e etc., fazer com que ela vá gastando ali daquela conta, inclusive podendo fazer investimentos, se ela quiser, para começar a ter contato com isso. Então, por exemplo, as nossas aqui, Leandra, estudam na mesma escola e têm aquele crédito para o almoço e para os lanches da semana, por exemplo, na escola. Elas gerenciam isso. Outro dia, a Ana Beatriz virou para mim e falou assim, papai, eu percebi que, por exemplo, tal ponto lá é muito caro, eu acho que não vale a pena. Realmente, ela falou isso para mim. Você me ensinou a olhar pra isso, e hoje eu percebo que se eu for comprar um Kinder Ovo é muito melhor que eu compre fora do que lá na escola, que custa três vezes o que custa aqui fora. Esse contato é necessário. Essas falas, esses exemplos são necessários, e a gente só consegue liderar pelo exemplo. E precisa partir dos pais esse exemplo pra trazer os filhos, conforme forem crescendo, no contexto desse orçamento, até chegar a um ponto que eu sei que o André tem aí clientes, que adolescentes administram o quanto eles custam por mês como um todo. Ele paga o boleto da escola, ele paga o boleto do inglês da academia. Por quê? Porque ele recebe do pai no dia X um dinheiro para pagar o mês dele. E se ele salva alguma coisa, ele pode investir ou fazer alguma opção de gasto. Então é necessário, porque chega numa fase lá na frente, não sei se vocês lembram do primeiro salário de cada um de vocês, mas eu lembro bem do meu. Eu talvez não tinha, talvez não, sem dúvida alguma, não tinha maturidade alguma com isso aí, eu simplesmente achei que eu podia gastar tudo. Eu comprei roupas e coloquei som num carro. Foi tudo. Por quê? Porque eu estava naquela ponta de que dinheiro é diversão só. Não tem responsabilidade em cima dele.
É isso aí.
Esse é um tema muito fascinante.
Acho que a educação financeira para filhos, quando ela emerge, é uma boa oportunidade para a gente também entender e talvez relembrar Um dia os nossos clientes foram os filhos que aprenderam algumas coisas dos pais. Ou seja, aqui a gente tem sobre a mesa três gerações. Talvez o nosso cliente sendo a geração dois, os pais dos nossos clientes sendo a geração um, e os filhos dos nossos clientes, então, a geração três. E eu sempre busco na direção que quando recebo um convite para apoiar um cliente na direção de educar seus filhos, de também entender primeiro que tipo de educação que você recebeu dos seus pais. Isso vai me ajudar também a entender como é que eles processam as informações, como é que eles desenham as suas tomadas de decisões, e isso me dá um elemento geracional interessante para a gente conversar sobre como conduzir agora com os filhos. E, de minha parte, eu nunca deixo também de trazer um traço cultural contemporâneo para esse tipo de conversa. O que quero dizer com isso? Que tipo de criança a gente tem criado, preparado para o mundo? E tudo parece que aponta para uma criança muito acostumada com o quentinho, A escola é ótima, comidinha não falta, você pode aprender educação financeira com o dinheiro do papai. Papai abriu a conta, papai fez tudo, depois já tá investindo. E eu penso, poxa, será que a gente está criando um caráter adequado, um caráter capaz de passar por provas e não se curvar facilmente a fragilidade emocional que parece ser uma marca dessa geração mais nova? Então eu tenho apontado os pais para que tal a gente ensinar, a partir da educação financeira para os filhos, algo que eles vão inevitavelmente ter que aprender, que é a se frustrar. A se frustrar. Que tal ensinar isso para os filhos? Que existem os limites, que existe a frustração, que nem tudo vai ser possível. E depois, então, não ensinar isso com o senso de simplesmente se desfrutar com a dor do filho, muito pelo contrário, mas ensinar isso entendendo que os pais vão ter que colocar tempo e maturidade emocional pra conversar com os filhos sobre as frustrações, sobre não ter sido possível ter tudo o que queriam, comprado tudo o que desejavam, no tempo que gostariam. Isso requer tempo, isso requer ser pai e não estar pai. Isso requer uma educação de caráter, que ao meu ver a educação financeira pode ser um meio pra isso. E nessa direção é que então a gente cria esse costume de sempre dar pro filho um pouco menos do que ele gostaria de ter. e ele ter que gerenciar escolhas. E, inevitavelmente, a criança vai escolher errado. Por quê? Porque ela está aprendendo. Mas ela só vai aprender a escolher certo se ela passar pelo escolher errado. E os pais têm privado as crianças de escolher errado, de passar pela frustração do errado, e um dia, cedo ou tarde, isso vai acontecer e ela não vai estar preparada para lidar com aquilo. Aí o que vai acontecer? Quando a gente não está preparado, Pinta o quê? A frustração e a fragilidade emocional. Pinta a ansiedade e coisas do gênero. Então, como é que eu tenho buscado fazer isso? Primeiro, combinar esse jogo com os pais, entendendo também a história geracional do que aprenderam com os seus pais. E depois, criando uma estrutura financeira para os filhos, onde eles sempre vão ter menos do que eles gostariam de ter, menos do que a gente estimou que eles poderiam ter, o que requer, então, o quê? Decisão na direção do o que eu vou deixar de lado. E olha, eu não conheço uma criança que deixar de lado não signifique frustração. Vou dar um único exemplo, minha filha vai fazer 11 anos, ela quer fazer uma festa em casa, um cinema em casa, e ela quis chamar sete amigas. a gente teve que dizer, em casa só tem cinco camas, duas vão ter que ficar de fora, como é que você vai escolher isso? Ela está ponderando, como é que vai fazer, quem vai ter que deixar de fora, quem não pode convidar, porque quem não pode convidar faz parte. Não necessariamente do fato de ter que escolher cinco, mas do ponderar sobre escolhas, ponderar sobre renúncias. E depois ela vai ter que chegar numa decisão. Não tem nada a ver com grana isso aqui, tem a ver com decisão, como o Thiago bem colocou. Só que na medida que amadurece, para eu concluir, e o Fred bem citou, o que eu faço com adolescentes, a partir dos 14, 15 anos, é eles também enxergarem, primeiro, uma parte do dinheiro que pode ir do pai para eles, também na direção de eles exercerem generosidade. E na generosidade a gente aponta para, desde, por exemplo, conhecer um lar de pessoas idosas ou um lar de crianças carentes e destinar um dinheiro, e não só o dinheiro, mas conhecer esses lugares, porque uma realidade diferente é fundamental a gente conhecer.
Depois também a questão do investimento, mas o dinheiro que sobra pra ele gastar é sempre menos do que... Ou seja, sempre necessariamente a ponta para ele vai ter que fazer alguma renúncia, ele vai ter que deixar alguma coisa de lado. E isso causa dor na criança, causa frustração pra criança. E ao mesmo tempo que causa dor e frustração, cria-se o quê? Ambiente para o diálogo familiar, para a instrução em caráter. E aí então o dinheiro não forma um bom investidor, forma uma criança que amadurece, forma um adolescente mais preparado para a frustração. E eu creio que é nessa direção que enquanto planejador financeiro a gente pode cuidar da educação financeira dos filhos dos nossos clientes. Tem vários detalhes sobre isso depois, o Fred acho que já me ouviu, né Fred, na direção da criação do Banco dos Pais, o que acontece se faltar dinheiro, vou deixar meu filho totalmente sem participar de algum encontro social com seus colegas adolescentes? Não, você pode emprestar, só que para cada dinheiro que você empresta você cobra caro. Mas e se meu filho tomar boas decisões e não gastar tudo no mês? Ele pode investir no Banco dos Pais, mas ao investir no Banco dos Pais ele não recebe tanto de volta. Esses são detalhes que, quem sabe, mais para frente a gente elabora mais. Gabriel, termino com você. Cara, esse primeiro caso. O que você enxerga como próximos passos agora para esse caso? O que você está afim de fazer com eles? O que você está imaginando que possa ser feito?
Então, André, acho que agora foi uma introdução. Como o Fred trouxe ali, a gente começou com a abertura de uma conta. O pai determinou que os gastos referentes a lanches, na escola e guloseimas vai passar a ser administrado pelo filho através de uma semanada, a princípio, para não ficar um pouco no espaço de tempo muito longo, e estimulando sempre ele a derivar um percentual daquele valor ali para os investimentos. Não vai ir bem de encontro com o que você mencionou, a frustração. Pô, mas esse valor eu ainda vou ter que guardar para investir?
Então foi isso, o grande desafio agora é ver se na prática ele vai conseguir fazer isso. O pai, para estimular, já deu um dinheiro inicial para a gente fazer um investimento e foi muito legal porque a gente mostrou para ele de uma forma bastante lúdica. alguns investimentos mais simples, como é que funciona o fato de estar emprestando dinheiro, para quem está emprestando, o que recebe de volta, como recebe de volta, então isso gerou um estímulo para ele, fizemos algumas simulações desse dinheiro que ele botou hoje, quanto é que vai estar valendo daqui a um certo tempo, se ele repetir esse valor ao longo dos meses, o quanto que vai ser lá na frente, isso brilhou os olhos dele, nossa, vou ter tudo isso daqui a um ano, se você conseguir ter essa disciplina. Então, agora o grande desafio é colocar em prática, acompanhar, ajudar a acompanhar ele para ver se ele está conseguindo derivar, usar esse dinheiro de forma inteligente e está colocando alguma coisa ali todo mês nos investimentos. Vamos ver como é que vai ser.
Muito bom, muito bom. Parabéns, parabéns por ter auxiliado, servido à família nessa direção. Acho que é legal convidar esse filho, sei lá, para três ou quatro meses, para participar de novo de uma conversa e ver o que ele está achando do processo.
Muito legal, muito legal. Não subestime a capacidade das crianças, porque elas têm muito mais do que a gente espera, muito mais. Eu já ouvi recentemente da minha filha, que eu acho que não contei isso pro Gabriel e pro Thiago, mas a minha filha, a Beatriz, ela virou pra mim e perguntou outro dia, do nada. Papai, me conta aí quantos carros você teve? Aí eu fui falando e tal, ela virou pra mim e falou assim, queria te dar uma sugestão e fazer um pedido. Vamos fazer um regime de carro daqui pra frente? Você precisa parar de trabalhar.
Acho que você precisa do planejador financeiro.
Concordo.
Que é um bom sinal. É um bom sinal da parte dela.
Ou um mau sinal da sua parte?
O bom sinal da parte dela. O mau sinal dela eu já sei que é, porque eu sei que tenho esse problema de sempre justificar. Mas todos nós temos, e como nós nos conhecemos bem, Começando a lidar com isso, né? É uma coisa que eu gosto e, assim, eu arranjo justificativa a qualquer momento que você quiser pra trocar um carro. Eu tenho que lidar muito bem com isso, inclusive quando o cliente me traz. Fred, vou trocar o carro. Eu já tô querendo ir na concessionária com o cara.
A gente faz os bastidores do processo de decisão do Fred. O Fred, ele não faz uma conta para ver se vale a pena. Ele chegou à conclusão de que vale a pena. Ele faz uma conta para justificar que ele já sabe que vai valer a pena.
Já ele até brinca comigo, né? Ela fala, viu, essa conta aí é aquela que você fez ou é aquela que deu mesmo?
Fred, vamos emendar já com o seu caso, por gentileza, cara. Conta para a gente um encontro interessante da semana passada para a gente compartilhar.
Foi um encontro superinteressante. Eu já citei esse casal aqui. Eles têm me surpreendido positivamente toda vez. Um casal jovem, superbacana também, divertidíssimos. Ele tem me ensinado muito sobre apicultura e algumas outras coisas interessantes. É o grande sonho da vida dele. E eles têm uma vida muito tranquila. Ela é médica, ele é programador de alto nível, umas coisas mais complexas. O cara é super inteligente, você conversa com ele, você percebe.
E aí, reunião anterior a dessa semana passada, nós montamos aquilo que a gente chama, pessoal, na SP3, no Almejar.
Plano de contas para o que vai ser o futuro deles, quanto vai custar e quanto eles precisam ter lá. E aí eles saíram, pô, legal, então temos que ajustar tudo para fazer caber isso, e o elefantinho foi colocado na sala deles. Legal, beleza. E aí, semana passada, na reunião, falaram assim, gente, ó, temos que combinar a data para que isso aconteça, como nós fizemos lá atrás. Lembra, isso aqui, agora a gente sai do Almejada.
Com isso, é tentar buscar aquela média saudável que a gente chama de sobra zero. E ela virou para mim e falou assim, Fred, você percebeu que a gente saiu um pouco incomodado? Falei, sem dúvida, lembra que eu brinco com vocês que é ajustar ou assustar. É, mas eu saí incomodado não porque eu acho que não conseguimos fazer isso, mas que eu acho que não tem necessidade de tudo isso. Eu achei superlegal porque eles saíram de uma reunião para outra refletindo acerca do futuro deles, E de quanto custaria isso? E o que talvez eles deveriam e precisariam abrir mão ao longo desse prazo todo para chegar lá? Ela com 34, ele com 32? Quanto que eles teriam que abrir mão, talvez, do mês a mês? E o estilo de vida que eles querem lá na frente? Então, o que eu achei legal e que é divertidíssimo, que eu acho que vale a pena a gente discutir aqui, são essas.
Junto aos clientes, nem para eles e nem por eles, mas junto a eles, de tudo aquilo que eles querem construir ao longo da venda. Se fôssemos só remunerados pela quantidade de dinheiro investido, obviamente, nós falaríamos o quê? Imagina, não abra mão disso. Você tem que ter mais e mais. Não, na verdade, você tem que construir mais e mais, você tem que realizar mais e mais. Então, a ideia ali foi revisitarmos. E aí eu comecei a incentivá-los a revisitar. Eu sempre faço isso, mas ela pediu também. Prazo, quantidade de dinheiro, valor mensal e etc. E foi uma reflexão super bacana, porque foi divertido que no meio do caminho eles falaram sobre gravidez ou não, onde estamos morando, se continuamos aqui nessa região praticamente limítrofe, a rural que eles moram aqui, carro, ele tem um carro antigo que ele quer reformar e ele quer ter outro, é aquelas coisas que vai... E aí você vai construindo uma história, gente, que é fantástico, vira uma reunião divertidíssima, não vira uma reunião só de números, vira uma reunião que você está construindo um plano maior com o cliente, agindo, né, André, que nem nós falamos no podcast anterior, agindo em direção lá e não reagindo por causa dele.
É interessante, a maneira como a gente constrói um planejamento de aposentadoria aqui, a gente aponta os clientes para uma reflexão na direção de estimarem uma renda mensal futura. Aí a gente tem a nossa forma de calcular o estoque patrimonial necessário para que derivem essa renda mensal e depois a matemática financeira pura calculando quanto eles já têm carimbado ou destinado para esse projeto aposentadoria, o prazo e então o produto disso o quanto eles precisam investir. Mas isso passa por essa reflexão que é o quanto será o suficiente no futuro. E muitas vezes para famílias que ainda têm dificuldade de saber o quanto é o suficiente no presente. Tiago, nessa direção, eu sei que você se interessa muito por essa temática do o suficiente. Como é que você tem conduzido com os seus clientes este exercício preditivo, talvez, ou até um exercício, melhor dizendo, imaginativo, do quanto eu vou precisar de renda no futuro? E esse futuro, muitas vezes, é daqui a 30 anos. Olha a loucura.
Para a gente poder decodificar e enxergar a necessidade de investimento presente para um plano de aposentadoria futura? Que tipo de conversa, que tipo de exercício você tem colocado sobre a mesa com seus clientes para que esse número seja melhor estabelecido?
Bom, acho que eu tenho um... Eu tenho uma característica de ser pragmático em algumas questões. Esse é um tema que eu uso, essas questões pragmáticas, para poder puxar conversas que não necessariamente são pragmáticas. Mas o meu pragmatismo leva para uma conversa na direção de, ok, quando é esse momento onde vocês se imaginam não depender mais do dinheiro vindo do trabalho? E aí a primeira pergunta já é desafiadora, que é justamente determinar ali um ano, uma idade, onde essa pessoa ou esse casal se imagina. E aí quando a gente começa a conversar sobre isso, já começam a vir os primeiros incômodos, no sentido de, caramba, nunca pensei sobre isso. E aí na hora que eu coloco embaixo quantos anos os filhos vão ter nesse momento, É uma outra camada de reflexão que surge também e fazem eles se pensarem, né? Puxa, será que eles vão estar independentes financeiramente de nós ou não? E aí começa a se desenhar uma comparação entre o contexto futuro e o contexto atual. Ah, o contexto futuro é que talvez os filhos já não sejam mais dependentes da gente financeiramente. Ah, o contexto futuro é que eu definitivamente não quero trabalhar mais 10 horas por dia igual ao trabalho, então eu necessariamente quero sim diminuir drasticamente a minha carga de trabalho lá na frente aos 65, aos 70, aos 60, independente aqui de quando a gente chega. E aí a gente tem condição de poder, a partir do orçamento presente, já testado minimamente, já um pouco mais claro, uma coisa chutada pelo cliente numa primeira reunião, então eu realmente me surpreendo, pessoas que conseguem ter essa conversa sem minimamente ter caminhado alguns meses com os clientes, mas de qualquer forma a gente já testou isso, já conhece um pouco mais esse contexto de gasto, de consumo, de estilo de vida e a partir dele a gente traça uma comparação e começa a desenhar então qual que é essa renda futura razoável. E eu deixo muito claro que isso é um ponto de partida, de longe não é uma foto que a gente vai pendurar e deixar lá fixa para sempre, pelo contrário, é só um ponto de partida para a gente ter uma referência inicial e aí continuar a conversa. A beleza da aposentadoria é um pouco isso, que a gente vai estar sempre conversando sobre ela no futuro. Então esse é um pouco do do pragmatismo que eu coloco, mas, ao mesmo tempo, já dando esse espaço para essa conversa e reflexão.
Muito interessante, muito interessante. Gabriel, e por aí, no sul do país? É interessante tratar de planejamento financeiro num país com dimensões continentais. Quando um cliente se depara com, uau, para eu chegar, Com essa renda mensal que eu almejo, portanto, nesse estoque patrimonial, nesse prazo, o que eu preciso investir todo mês, a partir do dia de hoje, é muito mais do que aparenta ser possível. Como é que você tem lidado com essa frustração? Com esse susto, o Fred citou aqui, dentro da nossa metodologia, e o Tiago também comentou, a gente só trata de aposentadoria a partir de uma terceira reunião. consolidando esse projeto na quarta reunião, que dentro da metodologia tem o nome de almejar a nossa terceira reunião, mas muitas vezes ela deveria ser chamada de assustar. Não pensava que eu precisava de tanto para chegar onde eu quero chegar. Decepções emergem, expectativas precisam ser alinhadas. Como você tem conduzido isso?
Então, André, eu acho que esse é um tema, eu considero o tema mais importante dentro de um processo de planejamento financeiro e também é o tema que eu mais gosto. E é o mais desafiador, tanto para o planejador quanto para o próprio cliente. Eu considero que é um momento de grandes quebras de paradigmas. Porque o cliente vem com duas perspectivas. Uma, por ele estar planejado, se planejando, ele tem aquela perspectiva de talvez poder parar um pouco mais cedo que a maioria das pessoas, ou já que eu vou me sujeitar a isso, então ele vem com essa perspectiva de trazer uma idade um pouco menos avançada, mas ao mesmo tempo ele tem aquela perspectiva antiga também do aposentadoria.
Como era antigamente, como foi com os nossos pais, com os nossos avós, que ele se imagina inútil, que ele não vai poder mais gerar nenhum tipo de renda, então ele vem com aquela com aquela pensão, a partir dessa data não quero mais trabalhar. E aí é onde a gente muda a perspectiva que não é parar de trabalhar, mas é deixar de depender do dinheiro que vem do trabalho. Isso ajuda uma, ajuda na outra, ajuda a gente, quem sabe, a aceitação maior do cliente de que não é essa data de talvez 55 ou 60 anos, que pode ser 65, 70 ou até o 75. Porque daí essa cálculo começa a ficar um pouco mais plausível dentro do orçamento do cliente. Então é um momento importante para a gente introduzir esse novo conceito de aposentadoria para o cliente, para ajudar a diminuir essa dor, esse susto que realmente porque também o cliente vem daquela ideia do gerente dele ou do assessor dele que quando ele fez uma aposentadoria, com aquele cálculo lá, com aqueles mil, dois mil talvez que ele esteja contribuindo, lá na frente a vida dele está resolvida e é um susto para ele, porque faltou considerar ali a expectativa de vida de uma forma adequada, faltou considerar também muitas vezes a inflação, porque uma renda de 10 mil hoje não é a mesma coisa que uma renda daqui 20 anos, não vai ser 10 mil que vai poder cobrir os mesmos gastos que a gente tem. Então, quando a gente coloca todos esses componentes no cálculo, gera esse número que muitas vezes assusta, mas como o próprio Thiago trouxe, é um primeiro cálculo, ao longo do tempo a gente vai ajustando isso e o cliente também vai digerindo esse número. e ajustando ele para a realidade do orçamento, que é o mais importante.
Muito bom. A minha caminhada com clientes aponta para que o número que eles... esperavam ou acreditavam que fosse necessário para a aposentadoria, versus aquele que de fato é necessário é de cerca de três vezes a diferença. Ou seja, o que de fato é necessário para chegarem onde querem chegar, no prazo que desejam chegar, é três vezes mais do que eles pensavam que fosse. Fred, você trouxe um caso pelo que eu entendi, de um casal que percebeu então o valor de recalibrar as expectativas da aposentadoria na direção de talvez não precisemos de tudo isso, naturalmente isso emerge de algum estímulo que você fez, mas eu coloco para você a mesma situação do Gabriel. E quando a frustração é tão grande, Que tipo de diálogo você tem com os clientes? Para eu chegar na minha aposentadoria, esse investimento que eu pensava que era de R$ 4 mil por mês veio para R$ 12 mil por mês. E se eu fizer esses R$ 12 mil por mês, eu não tenho renda para pagar a escola do meu filho, para pagar meu plano de saúde, para fazer minhas viagens, para trocar os carros que eu quero trocar no tempo que eu quero trocar. Tipo o Fred, que era sete meses e meio. Como é que você lida com uma situação dessa? A parte do carro você pode deixar de fora da resposta.
Não, mas eu tenho lidado bem, tenho passado ao menos três anos com os carros agora.
Ao menos, é verdade, é verdade.
Gente, assim, eu acho que essa parte é a parte mais legal. Quando começam a surgir esses bons embates, essas boas lutas, essas boas reflexões, é que nós podemos aparecer mais e melhor, e quando eu falo aparecer mais e melhor, não é que a gente quer aparecer, é estar ao lado do que a gente mais e melhor, presentes, como guia realmente para a realização de todos esses planos, esses sonhos, essas metas.
Por quê?
Porque aí, necessariamente, existe o real.
A.
Real, eu falei necessariamente antes, eu não quero encaixar a necessidade de novo aqui, mas existe, vamos apagar o necessariamente, existe a real necessidade de reflexões e discussões mais profundas acerca de como a vida está configurada hoje e como eles querem configurá-la ao longo do tempo, ou seja, temos que entender como é que o fluxo deles vai ao longo do tempo, para chegar lá na frente e entender se tudo isso vai ser necessário ou não é. Que seja, começar a entender se dá para calibrar 10% a menos disso, já vai ajudar na conta mensal, anos a mais, então não é 60, 65, 70, e principalmente eles começarem a se pagar antes de pagar as outras coisas. Ou seja, primeiro, de alguma forma, investirem, mesmo que não seja tudo aquilo que é necessário, para começar a criar o hábito, para começar a criar a reflexão em relação a isso e fazer aquilo que eu gosto muito de falar para todos eles, gastar o dinheiro melhor. Não é gastar menos, é gastar melhor. Ou seja, profundidade de relação para reflexão.
Alinhada a esses planos e objetivos, e entender que talvez realmente, Fred, esquece, você não vai poder ficar tricando com a hora que você quiser, porque você tem um plano maior lá na frente. Então vamos tomar boas decisões para que você troque agora, para que não se complique mais à frente, para que você faça outras coisas ao mesmo tempo, saiba dizer os bons não, esteja aberto para os sims necessários e corretos e claros, porque também é uma coisa que falamos aí as semanas passadas, se o sim não é claro, então é não, não é, André? E começar realmente a virar a chave para o lado de o que ajustes pontuais no orçamento podem e devem fazer em favor desse plano maior lá na frente? Como é que vocês querem caminhar com esse fluxo? Que tipo de escola vocês querem dar.
Para os filhos de vocês. Ela condiz com aquela educação que vocês querem passar para eles, ou vocês só estão pagando para terceirizar alguma coisa? Reflexões mais profundas sobre todos os gastos, para que cheguem lá na frente, a pessoa também chega à conclusão que o seguinte, é, realmente talvez eu não precise de tudo isso lá na frente, e se precisar, eu começo a conseguir ajustar a curva daqui até lá. E vai encaixando, vai avançando. e vai moldando e dando aqueles conselhos inspiradores para os clientes, para que eles caminhem em direção a.
Muito bom. Thiagão, você comentou aqui a aposentadoria É uma foto que se tira e se guarda, mas um filme que constantemente se reavalia. Com qual periodicidade você tem feito isso com seus clientes? Como é que tem sido essa prática de repensar a aposentadoria?
Existem algumas transições de vida que acabam nos impulsionando para esse olhar, né? Que é, por exemplo, filhos, por exemplo, transições de carreira, por exemplo, uma mudança de cidade, uma mudança de país. São momentos chaves que acontecem em transições bem significativas e o dinheiro muda drasticamente de direção. Acho que esses são bons momentos da gente reavaliar esse planejamento de transição de vida. de aposentadoria mais do que dizer que tem que reavaliar cada ano e tudo mais né quando a vida está relativamente estável vamos supor existe ali uma carreira sendo consolidada, os filhos crescendo, não existe grandes, drásticas mudanças, eu acho que anualmente dar uma olhada pode ser uma boa periodicidade. Quando eu falo dar uma olhada não necessariamente é revisar todo o plano, mas sim poder se conectar com ele de uma forma que a gente consiga revisar claramente porque a gente desenhou o que a gente desenhou e tá tudo bem continuado do jeito que tá. Então, talvez seja uma forma prática.
Desculpe te interromper, mas você usou uma palavra que é legal a gente até colocar de outra forma. É o que você falou, não necessariamente revisar, mas revisitar para entender que está tudo bem.
É isso.
Para entender que combina com aquilo que você gostaria de fazer, para entender que se encaixa com tudo aquilo que você gostaria de construir.
É, eu acho que aí o público também... E aqui talvez eu não trouxe o contraste, mas só para complementar, eu acho que o ponto é, não são as transições de governo a cada 4 anos, não são as transições de taxa de juros a cada X tempo, e muito menos os novos produtos financeiros que são lançados no mercado, que são as oportunidades de reavaliar o plano de aposentadoria, são as transições de vida.
É induzido a isso, porque o mercado financeiro é movido por isso, mas a gente tem que realmente se colocar nessa contramaré aí, nesse ponto.
Outro ponto aqui interessante que o Thiago falou, eu vou aproveitar ontem mesmo, que eu recebi esse dinheiro e coloquei ali e tal, vamos alocar aos poucos para o lado que você precisa e não para onde está. Mas aos poucos. Aí ele falou, legal, aí você vai me avisando das oportunidades? Eu falei, não, nós vamos decidir como nós vamos fazer, e em decidir no fazer, nós vamos fazer naquele dia combinado. Ah, mas... Mas não, não importa a taxa que está, o que importa é onde você tem que chegar.
Uau, muita conversa boa aqui nessa aposentadoria. Eu só termino aqui. Vilti, já preciso aquecer o microfone aí e trazer o teu caso da semana passada. Quando eu me deparo com um hiato muito grande, uma decepção do cliente, um susto do cliente entre aquilo que ele achava que era e aquilo que ele percebe como tendo que ser, a primeira coisa que eu digo é, o plano é seu, não é meu. Eu só fiz a conta. Cada um com seus problemas. Eu digo, se você quiser depois repensar, recalcular isso, vamos junto, mas a tradução matemática do que você quer é essa. Vamos encarar isso de frente, tratar o adulto como adulto e recalibrar? Ok, eu estou aqui para ajudar, mas eu acho que é importante a gente lembrar, o plano é do cliente. A gente auxilia na direção de alinhar a expectativa de condução das decisões da obtenção, mas no final do dia o plano é do cliente. Ti, conta pra gente, o que você encontrou de interessante na semana passada?
Bom, tem uma situação de uma cliente que acompanha, a gente faz junto um planejamento já há um ano e ela tá num momento de transição agora, entrando num relacionamento onde eles estão já sonhando com uma vida em conjunto, né? E ela percebeu nas conversas com o namorado, futuro noivo, logo noivo, a necessidade de poder ter mais conversas intencionais em torno de planos de vida, em torno do dinheiro. Então a intenção dela era justamente poder incluir isso, incluir ele na conversa. E aí sempre tem um pouco daquela sensação, como é que isso pode fluir sem que impacte tudo que foi construído e estava sendo um plano bem construído, e ao mesmo tempo uma mensagem muito boa, que é justamente o privilégio de poder agora não só ajudar uma pessoa, mas ajudar a consolidar uma visão financeira conjunta antes, ou pelo menos ajudar para que esse processo em conjunto caminhe de maneira boa e saudável desde o início.
Eu acho que a gente nunca teve aqui uma conversa, Tiago, na direção de um noivado financeiro. Eu me recordo da gente até falar sobre casamento financeiro. E sempre me lembro que o casamento financeiro só vem à mesa quando, por exemplo, as coisas parecem que não estão tão encaixadas. Me parece o noivado financeiro algo interessante na direção de... já preparar o casamento financeiro, esse alinhamento inicial, essas conversas iniciais. Mas você traz um tempero interessante, que é o quê? Ela já via caminhando com você há cerca de um ano, então já existe ali uma formatação.
E agora esse noivo chega e ele é apresentado a isso, isso é apresentado a ele. Nessa direção, Fred, começo aqui com você. Já passou por isso, cara, de algum cliente que traz uma nova peça para o projeto? Como é que a coisa ficou? Os cuidados que você teve? Como conduziu esse processo?
Eu sorri aqui um pouco antes, porque eu fiquei pensando no que a galera que está ouvindo vai achar. O Thiago está falando, é superdivertido, porque ele vai entrar agora. E aí a galera deve estar falando, esses caras são sadomasoquistas. O negócio vai complicar e eles gostam. O negócio vai mudar e eles gostam. E eu também ri, porque eu também gosto. Então, a galera que está ouvindo deve brincar com a gente dessa forma. Mas brincadeiras a parte aqui. Já aconteceu sim, tá? Eu vou começar pelo cuidado que nós temos que tomar, Tati, em relação a isso, acredito que você já tem muita maturidade, já pensou nisso, ou já nos ouviu falar nisso, já conversamos sobre isso. A entrada de uma nova pessoa no processo, a gente primeiro precisa entender que ele tem que vir para colaborar e entender que você está colaborando e não que vocês estão confetindo. Principalmente em casos que eu já tive, onde era uma cliente, sexo feminino, e entrou um futuro cônjuge, sexo masculino, e começou a entender que não sei, e tô com ciúme de que esse cara tá falando, e ela respeita demais as opiniões dele, e eu não sei se eu tô a fim de aceitar isso tudo. Esse cuidado é importante, porque você tem que trazer ele para o lado da família, Então, por exemplo, é mais fácil, mais simples quando essa família já está configurada. Isso posto esse cuidado tomado, e na grande maioria das vezes vamos entender que as pessoas não são más, então a grande maioria é o contrário dessas... Dois casos que eu tive de entendimento da outra parte que talvez era o início de uma competição e depois eu amenizei a questão toda.
É divertido demais você trazer a pessoa para o contexto daquele futuro cônjuge e ele começar a construir de forma correta junto a ela ou junto a ele todo o futuro deles num casamento saudável financeiro para que as coisas comecem bem, entrem bem e que eles tenham discernimento e diálogo em relação a tudo aquilo que eles querem fazer e que as coisas comecem a gradualmente se encaixar da maneira com a qual eles estão projetando que elas se encaixem, ou seja, eles começam a construir juntos, não simplesmente faz um catadão junto e coloca. Então é superlegal até de você voltar um pouquinho para trás na questão do trabalho e colocar ele a par de algum passo a passo que nós estamos atrás, de entender como é que essas contas, eles imaginam que elas fiquem. É um exercício muito legal. Dá mais trabalho? Lógico que dá. Mas é um exercício muito legal para que eles comecem de forma correta e que você os orientem de forma correta. Então, de forma geral, é o cuidado inicial da pessoa entender que não é uma competição, você está ali para ajudá-los, você não quer aparecer.
Que é estar ao lado deles, né? E o que você respeita é a história de vida que eles querem contar. Se não, você não quer acreditar as regras de promissão.
Muito interessante. Gabriel, e você? Nessa direção assim de um... Já pegou algum caso assim de noivado financeiro ou você já foi colocado bem no contexto do casamento financeiro para tentar ajudar e equacionar melhor.
Não fui colocado ainda, no casamento não fui colocado ainda, mas eu estou prestes a entrar em alguns noivados de clientes que ainda estavam sozinhos, mas tinham uma namorada e agora estão tentando trazer o namorado. em viés de trazê-los para dentro do planejamento financeiro. E quando o Fred falou ali que talvez sejam sadomasoquistas, eu acho que nós, como planejadores, temos que comemorar quando isso acontece, porque é um sinal de que a outra pessoa está aberta, porque é muito comum haver um certo ceticismo. da pessoa que não faz, porque ela não conhece. Aí eu tenho casos de que comecei com uma pessoa e essa pessoa começou um relacionamento e como ela já estava comigo, ela sabe do benefício do meu trabalho, o outro não deu abertura. Ela simplesmente disse, ok, tudo bem, nós não vamos ter, então, um casamento financeiro, porque eu não abro mão disso e isso é importante pra mim. Mas o risco maior está até talvez nos leads, que muitas vezes já aconteceu comigo, ou seja, já aconteceu com vocês, um deles vir nos procurar, achar isso interessante, e tentar trazer o outro antes do contrato e acabar não acontecendo a contratação, porque a outra parte é muito cética com relação a isso e como ele ainda não teve o início desse trabalho, acaba não acontecendo. Então acho que a gente deve comemorar, sim, é um desafio, mas a gente deve comemorar porque isso é uma oportunidade. E uma coisa talvez contrária que eu já vivenciei, é de uma cliente que ela procurou sozinha, E não quis o marido no momento porque ela disse, eu sei que o problema para o casamento financeiro sou eu, eu quero estar melhor preparada para depois eu poder trazer ele para dentro do prorregimento. Então é uma situação que traz muitos desafios, mas também muitas oportunidades.
E como são casos distintos, únicos, talvez seja o melhor termo, aponta ainda mais para a direção do nome que a gente dá para esse nosso exercício aqui, que é a arte do planejamento. Eu já passei por situações assim também, de noivado e de casamento. E uma prática que eu tenho em casos assim é não falar apenas do que a gente está fazendo no contexto do planejamento, mas investir um tempo para que cada um também entenda, e geralmente essa conversa não existe. O que eu quero dizer com isso? Como é que cada um chega para o planejamento financeiro? Ou seja, vamos imaginar que estamos diante de João e Maria. Quais são as histórias financeiras que João aprendeu dos seus pais e da sua família? Isso é importante, Maria, escutar. E quais são as histórias que Maria aprendeu e escutou dos seus pais que é importante João conhecer? Histórias acerca do dinheiro, histórias acerca de valores, histórias acerca de vida, histórias acerca de família, de como tomam decisões, de como se frustraram. E eu acho que é importante, primeiro, esse reconhecimento de como chegam para depois uma boa conversa acerca de como estão e a soma dos dois o fomento para como deverão estar lá na frente, agora no contexto de uma aliança conjugal. Mas muitas vezes a gente se priva de investir um tempo na biografia do indivíduo para criar a narrativa do casal. E a biografia do indivíduo também é importante para a gente entender.
E a isso, então, eu tenho percebido que alivia um pouco todo esse cuidado relevante que todos colocaram na direção de aquele que ainda não participa, que ainda é externo ao planejamento financeiro, ele pode entrar com cautela. Eu entendo que a maneira que a gente dilui essa cautela ou essa preocupação do novo entrante, é menos acerca do que está acontecendo e do que vai acontecer. E deixa eu te conhecer melhor. Me conta um pouco da sua história, faça com que o seu cônjuge também conheça um pouco mais dessa história, e disso a gente cria, então, uma alternativa à história da família. É um pouco do exercício que eu tenho buscado fazer. Primeiro a biografia, para depois a narrativa conjunta.
Isso que você colocou, André, porque quando eu recebi essa notícia de que ela queria que ele participasse do processo, a gente conseguiu agendar uma reunião juntos, e a primeira pergunta que eu fiz é, por que você fulana convidou fulano? E a segunda pergunta que eu fiz é, por que você fulano aceitou o convite de fulana? E isso foi interessante porque, no fim das contas, não só eu me conectei com a motivação deles de estarem lá juntos, como também eles já colocaram na mesa ali aquilo que está na preocupação e, ao mesmo tempo, já dá a oportunidade de conhecer minimamente como cada um está chegando nessa história. E eu acho que um dos desafios que eu também penso nesse contexto é noivado financeiro, de fato, é diferente de casamento financeiro. O noivado é um momento de conhecer um ao outro. E que jeito de conhecer se não esse jeito de olhar através dos números? Esse é um jeito absurdamente incrível. Porque eu já tive também a não tão feliz experiência de poder conduzir um casal casado, que já estava casado há alguns anos, e o processo os conduziu para um término de relacionamento. Então isso é um desafio É triste no fim das contas, mas é o que acabou acontecendo. E quando um noivado caminha para o fim, é porque necessariamente o processo ajudou eles a tomarem uma decisão mais consciente, necessariamente. Então eu acho que realmente é importante esse processo de poder... É um privilégio para essa família.
E aqui está o significado de por que nós nos divertimos e falamos que isso é tão legal e importante. Você pode ajudar uma família a ser construída nas bases sólidas de tudo, seja do amor, do carinho, da atenção e da parte financeira, que pode ser um dos grandes motivadores lá na frente de separações, porque a gente sabe disso. Então eles vão começar bem. E note que, por isso que a gente vai sempre falar sobre essa questão da arte, a sensibilidade do Thiago de começar perguntando e fazendo boas perguntas para eles, para que eles reflitam e contem um pouco mais para ele os porquês. Assim como eu falei no podcast passado sobre aquela questão da pressa, de que alguma coisa me chamou a atenção que eu tinha que conhecer.
Um pouco mais da história do cliente, porque tinha algo por trás de tudo aquilo, e me explicou muita coisa. Então é importante que nós tenhamos uma visão muito além dos números com os nossos clientes. Os números vão nos ajudar, mas eles serão ferramentas, e não o fim em si. Se o fim em si for só número, fica no mercado falando sobre fundo e ETF.
É isso aí, é isso aí. Olha só, citei no começo do episódio, como assim eu faço nos últimos 29, que isso também é um serviço que a gente busca prestar, e eu acho que a gente encerra então esse episódio justamente marcando isso em que direção. Aprendi com um conhecido amigo americano, Mitch Anthony, ele que disse pela primeira vez que é melhor preparar do que reparar. E isso requer proatividade. Então, para quem estiver ouvindo a gente e está servindo alguém solteiro, mas porque você se importa com a história de vida, entende que essa pessoa está apontando a sua vida para o noivado e na direção de que é melhor preparar do que reparar, Que tal já, então, estimular um convite para que o noivo ou a noiva participem de algumas conversas, você auxiliando ali na direção de escrever a biografia ou, então, que atue como facilitador para que cada um compartilhe a sua biografia financeira e de vida. E você, então, depois participa dessa narrativa conjugal junto com eles. Então, é melhor preparar do que reparar segundo o Mitch Anthony, a gente inclusive toma isso emprestado como uma das marcas que a gente tem ali no site da Life, apontando para a necessária proatividade de um planejador. E para quem estiver ouvindo a gente, segue, fica a dica, né? É melhor preparar do que reparar. O noivado financeiro antes do casamento financeiro é muito, muito bom. Muito bem, terminamos mais um episódio. Chegamos aqui a uma hora de conversa. Agradeço ao Fred, sempre aqui ao meu lado.
Anfitrião aqui do podcast. Gabriel, muito obrigado pelo tempo, pela disponibilidade. Tiago, também super te agradeço por aceitar o convite e compartilhar acerca das experiências. Obrigado, pessoal.
Valeu. Obrigado.
Valeu. Obrigado pela oportunidade.
Valeu, gente.
Um abração pra todo mundo. Obrigado, Tiago e Gabriel.
Até o trigésimo episódio daqui a pouco. Um beijo pra todo mundo. Fica com Deus. Um abraço. Tchau, tchau.
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