A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #30

André Novaes talks with Renato Boa, Ronaldo Askar, and Frederico Gonçalves about financial planning that goes beyond spreadsheets. Real cases show why cutting rent or moving money matters less than changing habits and building client trust through steady, honest guidance.
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Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao trigésimo episódio aqui do nosso podcast A Arte do Planejamento. Hoje, a gente está na companhia daqueles que são campeões de cartinhas por aqui também, viu, Renato Burro, Ronaldo Askar e o nosso magnífico Frederico Gonçalves. Como é que vocês estão, pessoal? Tudo bem?
Olá, pessoal.
Bom dia, boa tarde, boa noite a todos. Faltam só 70, André.
Faltam só 70%. Agora, assim, eu me aposento. E aí, pra mim, já tá tudo encerrado. Mas olha só, episódio especial número 30. E vamos então já, porque acho que a gente tem coisa boa aqui para conversar. Quem é um pouquinho mais sensível e acompanha a gente aqui em sequência, pode perceber que a gente está espaçando mais aqui os episódios. A ideia é tentar ter essa conversa a cada duas semanas. A gente está com uma agenda bastante intensa aqui. Ora treinamento dentro da live, ora... A agenda dessa turma está ocupada demais. Está ocupada demais. Mas a ideia é a gente manter. essa agenda de conversa, porque eu acho que ela é muito boa. Só para recapitular, a gente aqui está tendo uma conversa entre colegas profissionais, a gente aproveita esse momento para tomar um bom café, ter uma boa conversa, explorar bons casos. É uma abordagem de casos que são reais, que cada um de nós viveu aí numa semana anterior, então é um caso real e é um caso quente. A gente quer que você tenha um olhar, uma perspectiva de como é o dia-a-dia, como que é a prática ou, como a gente prefere dizer, como que é a arte do planejamento que cada um de nós aqui entrega, realiza, co-cria com os nossos clientes. E você também deve usar esse espaço para perceber e até mesmo para comparar a forma como a gente aborda esses casos, a maneira como a gente, então, lida com cada uma das situações, buscando sempre o amadurecimento, uma profundidade e abrangência nas conversas. Sem mais delongas, eu agora convido o nosso querido Renato, Renato Boa, lá de São José dos Campos, o pai das quatro figurinhas mais lindas que eu conheço. Tivemos o privilégio de estarmos juntos nesse final de semana. Mas aí, Nathão, conta pra gente, cara, como é que foi aí tua semana passada? Que encontro interessante você teve, intrigante, e que te traz aí bons desafios pra gente poder ponderar junto.
Põe desafio nisso, viu, André? Eu tô... Fora o desafio da esquadra aqui, né? Espero que ninguém me interrompa aqui. Mas o desafio que tem sido interessante com a família que eu lidei semana passada, né? Um casal. E eles me procuraram porque estavam endividados, enrolados, não conseguiam sair daquela situação de pagar conta, pagar dívida, não sobrar nada, faltar dinheiro no outro mês E a gente foi estruturando, entendendo para onde está indo o dinheiro, dando clareza para isso, mas isso não foi suficiente. Percebi com eles que, eu costumo colocar isso, que a vida é uma vida sistêmica. Existe todo um sistema ao redor da nossa vida que não só gira em torno do dinheiro, não só gira em torno da vida da pessoa, mas.
É um conjunto de variáveis, e com esse casal e com outros casais também, mais específico essa família, eu tenho lidado com a estrutura da vida deles, ou seja, como é o dia a dia. como que está sendo o registro dos gastos deles, como está sendo a parte de exercícios físicos. Falei que vinha alguém aqui.
Não tem problema nenhum, a vida real é assim mesmo.
E como que eles lidam com esses hábitos no dia a dia. Então eu tenho estruturado o dia a dia da família para entender como estruturar a vida financeira deles. É um negócio bem interessante, tá sendo bem interessante. A gente já tá tocando num ponto de mudanças estruturais, né? Então, é um casal que teve neném e tal, e a gente percebeu que assim, apertou mais as contas, as contas apertaram mais, e tá na hora de reduzir o aluguel, por exemplo. conseguiram reduzir o carro, estava demais. Então, começar a reduzir, até deixar a dívida um pouquinho de lado, não vamos estressar a dívida, mas vamos começar a pensar em como melhorar o dia a dia de vocês para depois, então, atacar as dívidas.
E é um cliente, então, que está enfrentando uma situação de endividamento.
Enfrentando uma situação de endividamento.
E olha que interessante o que o Renato tá trazendo pra gente. Muitas vezes a gente pode abordar uma situação de endividamento e dizer, bom, a gente precisa melhorar alguns hábitos de consumo.
E o Renato já disse pra gente, olha, eu também tô lidando com questões estruturais. Então, além da gente ter que melhorar questões de consumo, a gente também tem que tocar em questões estruturais. Mas talvez questões estruturais a gente possa entender por uma mudança de casa, mudança de escola, mudanças mais drásticas. Mas acho que o Renato foi uma camada além. que além de lidar com hábitos de consumo, além da gente ter que também dialogar acerca de mudanças estruturais, a gente está falando em questões pessoais, da integralidade realmente. Eu preciso mudar o teu estilo de vida, preciso mudar a maneira como você aborda a vida, talvez até a sua cosnovisão frente a tudo o que acontece na sua vida. E eu acho que essa não é Melhor dizendo, creio que essa seja uma conversa que flerta com a gente amadurecer o cliente e não apenas enriquecer o cliente. Ou seja, conversas de maturidade, conversas de responsabilização. Vamos puxar e convidar o Fred e o Ronaldo aqui para a conversa. Bom, primeiro, uma coisa interessante. Estamos aqui numa conversa também entre pais. Ronaldo com dois meninos, eu com duas meninas, o Fred com duas meninas e o Renato decidiu quebrar a banca por completo e tem quatro filhos. Viu, turma? Só para vocês saberem quem é que está falando. E acho que isso é interessante porque eu nunca digo que eu sou ou eu estou maduro. Eu digo que eu estou na direção do amadurecimento. E essa é uma boa jornada, inclusive como pai. Mas e vocês, Ronaldo, Fred, como é que vocês estão percebendo esse tipo de agenda com os clientes? Ela é mais importante? Ela não é tão importante para todos os clientes? Como é que vocês têm lidado com a questão do amadurecer, do aprimorar, do falar sobre o estilo de vida? É que eu não estou falando sobre hábitos de consumo, porque a gente também tem um mercado que associa isso Estilo de vida com o carro que eu dirijo, a roupa que eu uso, as viagens que eu faço. Eu tô falando de uma coisa mais profunda, como é que eu conduzo a minha vida. Como é que vocês têm lidado com isso?
Fredão, um de cada vez.
Eu começo?
André, tá bom.
Não, você começa, sempre você.
Vamos lá. André, é legal a gente poder conversar e aspirar sobre isso, porque além de sermos pais, somos maridos, somos profissionais e somos consumidores também. E de certa forma, o cliente que nos confia uma missão tão nobre quanto a nossa, que é conduzi-los rumo a uma melhor versão de si mesmos, eles com certeza se espelham naquilo que fazemos e somos.
Normalmente, quando a gente começa a entrar nessas conversas mais íntimas com os clientes, isso é muito natural dentro do nosso processo, o cliente chega e fala assim, e aí, como é que você faz na sua casa? Como é que você lida com esse desafio que a gente está passando, às vezes, de uma mudança de hábito para melhorar consumo? E assim, efetivamente, a gente precisa, de certa forma, abrir essa situação. Quando eu falo abrir, é respeitando o contexto do cliente mostrar para ele que aquilo que é necessário é possível. Muitas vezes os clientes com nível de endividamento alto, eles têm uma percepção de que eles não vão conseguir sair dessa situação. E na verdade, eu entendo, até por experiência de vários clientes endividados já atendidos, que isso é de fato uma questão, sim, de responsabilização, ou seja, a pessoa assumir que o momento que ela está vivendo é único e exclusivamente por responsabilidade dela ou da família, mas que é possível ela, digamos, sair do buraco. E obviamente a gente não vai ter uma solução mágica e imediata. Ali sim é necessário fazer toda uma revisão, provavelmente até de todos os conceitos que a pessoa já aprendeu acerca do uso do dinheiro. E a gente entende que isso também leva tempo. Então eu entendo como o maior desafio de ajudar um casal de endividados melhorar a sua percepção, é de fato controlar a ansiedade deles em relação à necessidade da solução efetiva, além da parte técnica, da parte prática, mas sim conduzir essa família, olha, vocês não chegaram a essa situação de endividamento de um dia para o outro. Então vamos entender que nós também vamos precisar de um prazo para tirá-los dessa situação de endividamento. E aí que eu percebo que a gente, de fato, tem que elevar, mostrar para o cliente que ali ele precisa ser maduro, ele vai precisar adquirir maturidade de uma forma ou de outra.
Concordo, muito bem colocado. Acho que um bom ponto também essa questão do gerenciar a ansiedade, porque muitas vezes a gente se contamina pela ansiedade do cliente, a gente também quer resolver rápido, como demonstração de que a gente está fazendo algo, mesmo sabendo que a gente está atuando na superfície do problema e não na raiz da problemática. Fredão, e você, meu irmão, como é que você tem percebido essa questão? De novo, aqui o tema é.
Trabalhar a pessoa e não apenas o problema da pessoa. A gente costuma dizer que o planejamento financeiro transforma a vida das pessoas. Eu creio que a maneira mais adequada para que isso seja feito é transformando as pessoas, para que elas também possam, então, conduzir melhor as suas próprias narrativas. Como é que você percebe tudo isso?
André, eu concordo com todos os pontos aqui que vocês colocaram, que o Ronaldo.
Colocou.
Mas eu gosto sempre de falar para os clientes o seguinte, a dívida em si, por exemplo, ela não tem que ser o alvo principal de todo e qualquer esforço e trabalho nosso aqui, porque no limite a dívida ela se resolve, eu sempre falo isso, ela se resolve com o tempo, Ela, na data e prazo que ela foi combinada, ela vai, enfim, dá, você vai pagar todas as parcelas e ok. Ah, Fred, isso é um pensamento muito relativista ou simplista? Não, na verdade, é só para entendermos junto com o cliente que é o seguinte, o problema não é solucionar o fato vindo depois de uma ação mal resolvida, de uma decisão mal tomada, de um processo só de reação e não ação em direção a... Entendeu? Então, o que a gente tem que resolver é o fator endividador, porque senão o cara vai, depois de uma tonelada, caminhar com uma tonelada nas costas, a hora que você tira essa tonelada das costas dele, ele vai caminhar com o mesmo esforço e vai sair correndo em direção a alguma coisa. Ele vai estar errado, ou não necessariamente corretamente ligado àquilo que ele quer e precisa. Então, o que a gente tem que... O que eu tento e tento mostrar para o cliente, óbvio, quando eu falo tento, é porque você vai criando essa rotina de densidade na relação com o cliente, de maturidade nas decisões, nas conversas, na profundidade daquilo que você conversa e reflete com o cliente. Mas eu tento sempre manter essa repetição, que é a mãe dessa compreensão toda do que o cliente precisa entender. uma mensagem consistente, com um senso forte de direção. E qual direção é essa, Fred? A direção para a qual o cliente precisa caminhar, não aquela que está indo. Nós precisamos criar essa ponta de confiança. O cliente precisa entender que aquilo que você está fazendo é aquilo que ele precisa fazer. Aquilo que você está falando, existe consistência entre aquilo que você fala e aquilo do jeito que você age.
E, obviamente, num caso desse, pode falar.
Você falou uma coisa um minuto atrás que ficou preso na minha cabeça porque eu achei interessantíssimo. Ou seja, você disse, veja se eu entendi corretamente, não é uma boa resolver rapidamente o problema da dívida. Por quê? Tentando agora também fazer um paralelo com aquela famosa ilustração do o quê, o como e o porquê. Pelo que eu entendi do que você comentou, e Fred, por favor, corrija se eu estiver enganado. Se a gente resolve rapidamente a dívida, a gente pode ter resolvido o quê atropelando o como, sequer comentando acerca do porquê. Vai voltar rápido a dívida.
O cara continua fazendo o mesmo tipo de esforço para o lado errado. A pessoa efetivamente caminha com essa analogia, a pessoa sai correndo numa direção porque ela mantém o mesmo esforço e aquele negócio. Eu brinco às vezes com o cliente e falo assim, é como a fatura do cartão ou o maior peso que você teve na sua vida. O corpo sempre vai buscar esse peso. E se você não mantiver, num período maior, aquele peso que depois que você emagreceu, etc, essa consistência se perde e o corpo vai falar assim, não, eu preciso manter aquilo que era mais confortável. É a mesma coisa, a fatura do cartão uma vez paga de 10, mesmo que não seja factível, o cara vai sentir que ele pode pagar de novo. Então o que a gente tem que caminhar com o cliente é o seguinte, consistência entre as nossas palavras e as nossas ações, respondendo aquela grande questão que todo mundo quer, que é o conforto que a gente pode dar para os nossos clientes, que é tudo vai ficar bem. Eu começo aqui com vocês com um fim em mente, e eu vou saber responder essas questões de vocês via um processo que eu entendo aonde ele vai chegar e sei que é o melhor para vocês. Mas eu preciso que vocês me entendam, que vocês tenham de volta aquele olhar crítico naquilo que está acontecendo, porque, na verdade, essas pessoas querem o seguinte, o santo milagreiro, o cara que vai chegar e apagar o incêndio. E aí, depois do incêndio apagado, ele facilmente te substitui, porque você virou um custo. E aí, de repente, fala assim, cara, agora eu tenho que economizar, porque eu não tenho mais a dívida, eu também não tenho mais o Ronaldo, o Fred, o Renato e o André. E aí, você fica, exclusivamente, aquele cara que entrega o quê? Ah, eu entrego o mapa. Tá aqui o mapa. Quer outro mapa? Tá aqui, ó. Tá aqui o mapa. Sendo que, na verdade, gente, quem comanda para onde tem que chegar não é o Waze, é você que coloca o local, de fato, do final da viagem. Ele só te ajuda num caminho mais correto, mais rápido, ou menos trânsito, ou o que quer que seja. Ele ajuda. mas ele não determina para onde você quer ir. E, na verdade, resolver a dívida não determina para onde você quer ir, só vai te aliviar. Aí vai ficar quentinho, como a gente tem falado muito, vai ficar quentinho.
Deixa eu aproveitar, Fred, e voltar uma bola para o Ronaldo antes do Renato fechar, porque acho que você pegou muito bem o que o Ronaldo colocou a questão da ansiedade, quando aponta o seguinte, Dívida não resolve rápido, ela não emerge rápido e uma boa solução é aquela que é mais até de dentro para fora do que simplesmente resolver a matemática. Ronaldo, eu volto com você justamente nesse ponto que você trouxe para a conversa, que é a ansiedade. E talvez aqui a pergunta que eu queira te fazer é, já sabemos que a ansiedade é do cliente e que muitas vezes ela é contaminada para o planejador. Como dosar bem essa questão de fazer as coisas de maneira equilibrada, num tempo adequado, mas, como você também bem nos ensina, esse equilíbrio não represente um ambiente quentinho. Como seria dosar essa ausência da ansiedade, que é ruim, mas no outro extremo também não ficar relaxado demais e a coisa estar quentinha o bastante para que eu não faça talvez as mudanças estruturais que o Renato propõe? Como você tem dosado isso?
Vou pegar até um próprio gancho do Bo. Os orientais têm uma visão sistêmica diferente. Gostei disso, Bo. Vocês têm essa prática. André.
O deixar quentinho, ou seja, a gente ficar na zona de conforto, ficar muito confortável, é um dos maiores erros que um cliente ou um planejador pode orientar um cliente a se manter lá.
Ou colocar um caso real de uma família que eu comecei a atender em novembro de 2018, onde ele não tinha mais condição de fazer nada. Na verdade, quem me contratou foram os amigos, dois amigos cansados de tentar ajudar essa família. Eles falaram assim, Ronaldo, a gente precisa de alguém profissional para cuidar dessa família, a gente não aguenta mais só emprestar dinheiro. E uma frase que me marcou na construção do mandato, ou seja, na minha primeira reunião eu sempre construo mandato, foi que na hora que eu abordei o casal sobre se eles estariam dispostos a pagar um preço para melhorar a condição de vida deles, A esposa abertamente falou assim, eu prefiro pagar um preço por algo que vai me trazer resultado, porque hoje eu já estou pagando um preço muito alto e a gente perdeu totalmente a qualidade de vida e a nossa esperança de continuarmos juntos, inclusive. E esse caso é tão interessante que eles são clientes até hoje, já resolvemos uma grande parte do endividamento. Eles não moram no Brasil mais, inclusive. Eles hoje moram em outro país por causa do trabalho dele. Nasceu o terceiro filho deles na última sexta-feira. Eu acompanhei o nascimento de dois filhos deles ao longo desse processo. Mas o mais interessante foi que, no meio desse processo, eles decidiram se separar. E eles me chamaram para conversar e eu conversei com os dois individualmente e, de certa forma, eu apresentei aquela frase deles lá. Vem cá, vocês falaram que queriam pagar um preço. Qual é o preço que vocês vão pagar agora se vocês continuarem separados? Então, ela se sentiu muito sensibilizada, mas ele, efetivamente, foi quem tomou a boa decisão e reformou o ponto de vista dele. Na verdade, quem precisava exatamente dessa chamada de atenção, ou carinhosamente um puxão de orelha, era o marido. Porque ali no momento em que conversamos, não vou dar todos os detalhes aqui, porque é uma história mais longa e a gente pode deixar para outro dia. Realmente é uma história legal. Mas ele percebeu que ele precisava da mudança. E aí somente nesse momento em que ele assumiu essa responsabilidade, foi que ele conseguiu efetivamente reconstruir a vida conjugal. E, gente, vocês podem até achar que isso é uma historinha, mas eu tenho como comprovar. Um dos sonhos que a gente construiu na SP2 foi que, sete meses depois, ele já estaria morando num apartamento alugado, porque eles moravam na casa da avó da esposa. E uma semana antes disso ser concluído, eles estavam morando nesse apartamento alugado. É uma das reuniões mais emblemáticas que eu já tive, e a gente lembra disso até hoje, no momento em que eles ainda percebem que, às vezes, eles estão oscilando na responsabilização. Ah, vamos deixar isso aqui para depois. Eu falei, opa, espera aí, vocês lembram que lá atrás vocês conseguiram resolver uma série de outras coisas a partir do momento que vocês deram foco, que vocês se responsabilizaram por isso também, agora a situação é outra. Vem mais um herdeiro aí e a gente precisa efetivamente mostrar para eles e para vocês que é possível mudar essa situação. Então, eu não encontrei outra forma, me alonguei um pouquinho aqui, mas não encontrei outra forma de explicar isso de uma forma prática. E, sim, foi necessária essa construção de maturidade para ele, André.
Interessante.
A gente conversa abertamente sobre isso.
Mostra bem a densidade e profundidade, não é, Bobo? Concluindo o caso, Próximos desafios que você está enxergando exatamente com esse cliente? Fala um pouco sobre consumo. Você já está flertando com questões estruturais. Como você tem conduzido a questão de mudança do dia a dia, do estilo de vida que eles têm? Como você tem feito isso?
Acho que pegando bem o que o Ronaldo colocou, o que você questionou aí, Ronaldo, também, em termos de não deixar acomodar. E isso me faz lembrar de uma das primeiras reuniões que eu tive com eles, que eles falaram que a gente acomoda muito fácil, e falaram abertamente. E foi bem, e ao longo de todo o processo, foi nítido isso, que realmente eles acomodam muito fácil. Então, o que eu tenho colocado como desafio até para pra minha pessoa como planejador, como profissional, é entender o que ele precisa fazer primeiro e ficar meio que no pé. Não ser extremamente chato, mas se precisar, sim. Porque entra aquele aspecto de que eu não vou desistir dessa família. Eu tenho isso em mente, que as famílias que hoje eu atendo são famílias que eu não quero desistir delas. Eu vou até o final, entendeu? Quem vai desistir primeiro com certeza serão eles, não eu. Então, nessa caminhada, nessa jornada, é ligações, é estar junto, é marcar encontros, de repente marcar um café pra alinhar o que tá acontecendo, conversar. com a família em separado, conversa com o marido, com a esposa, enfim, entendendo. E teve momentos, na última reunião teve um momento bem interessante que ele se ausentou e ela pôde falar mais e contar um pouco. Nossa, já tem sido muito bom, ele já está mudando, ele não era assim. Então, essa construção da confiança é bem importante, eu acho que isso já foi construído com essa família, por isso a gente consegue ter mais liberdade de conversas mais profundas e estabelecimento de metas, agora é pegar e fazer acontecer.
Acho que você colocou uma coisa muito importante. Muitas vezes, casos assim requerem da gente, isso vale para quem escuta, microações. Talvez você combinar, durante 10, 15, 20 minutos por semana, a gente vai ter um ponto de contato só para saber como as coisas estão. Lembra, tudo é produto de um hábito, de um costume, de uma maneira, de um modus operandi. E muitas vezes a gente também ficar simplesmente sentado na nossa metodologia que diz que a gente se reúne a cada mês ou dois ou três meses, é muito mais estar aderente ao que a gente quer fazer e menos sensível ao que precisa ser feito. Então essas micro reuniões, micro pontos de contato podem funcionar também muito bem. Mas o Renato acho que usou o termo ideal, que é o eu me importo. Eu me importo com o caso, então eu vou, tem o termo em inglês para isso, eu vou o extra mile, eu ando um pouco a mais, eu faço um pouco além. né? Muito bom, muito bem Renatão, obrigado por inaugurar, inauguramos bem, hein? O assunto tá quente aqui já em vinte e seis minutos de conversa, agora a gente vai tentar sintetizar os outros dois casos pra não passar de uma hora. Ronaldo, eu convido você agora, cara, pra compartilhar pra gente. Que caso interessante que você teve na semana passada.
Maravilha.
3 meses, estamos iniciando ali a SP3, e 6 reuniões já realizadas. Ou seja, realmente a gente percebeu que eram necessários mais encontros do que a metodologia orienta, digamos. A gente sabe que isso não é problema nenhum. Mas confesso que o nível de intimidade que já foi criado com esse casal desde a AC, É o que mais me permite me aproximar mais deles e conduzi-los naquilo que eles efetivamente desejam, porque é um casal... muito agradável, eles são muito alinhados financeiramente, muito alinhados conjugalmente, existe efetivamente um belíssimo casamento financeiro, mas o grande desafio dessa família é conseguir ajudá-los a organizar tudo o que eles precisam, uma vez que ele é um profissional de TI, CLT, ela é uma advogada.
E eles decidiram empreender na profissão dela. Então, há 24 meses ela não tira nenhum centavo de dividendos do escritório. Ou seja, ela está efetivamente reinvestindo todo o resultado que ela oferece dentro de um grande projeto profissional. E é maravilhoso poder ajudá-los, principalmente no momento em que eles vão percebendo novos desafios e falam assim, como é que a gente vai lidar com isso agora, uma vez que eles também têm um bebê de dois anos? E a vida deles como um todo é uma vida extremamente agitada. Às vezes o espaçamento das reuniões foi necessário exatamente em função disso, porque o marido não consegue às vezes terminar as reuniões. Então eu falo, vamos reunir, reunir num espaçamento maior e a gente vai mantendo essa chama acesa. E novas decisões a respeito até do empreendimento dela já começaram a aparecer, mesmo antes da gente concluir a SP3. Então está sendo interessante e ao mesmo tempo desafiador, porque normalmente um casal que fala abertamente de forma muito organizada sobre o dinheiro e os projetos, vem o desafio. E aí, o que eu vou levar para essa família de relevante? A gente tem encontrado espaço ali para apoiá-los ainda mais.
Ou seja, o desafio desse caso, que me parece um caso dos sonhos. Casal legal, jovens que se apoiam mutuamente, que exercem ali não só o amor de sentimento, mas o de atitude, um para com o outro. E que tudo vai bem. Mas, ou seja, você trouxe agora um elemento interessante. O desafio aqui é... E aí, deixa eu ver se eu entendi. Como é que eu, planejador, alimento essa relação entre nós? Como é que eu trago de novo? é mais nessa direção, o que eu tenho para fazer de diferente aqui, só para ficar mais claro aqui o desafio que você está enfrentando com esse casal, um desafio bom, eu tenho certeza disso, mas se você tentar articular o desafio.
É um ótimo desafio, porque entra a questão técnica inteira do planejamento financeiro, as seis áreas estão sendo efetivamente, dentro de cada uma, de cada fase efetivamente a gente tem abordado isso, mas entra uma questão muito grande sobre o estilo de vida, ou seja, os dois já se enxergam como, Ronaldo, a gente sabe que a gente tem um sobrepeso, A gente sabe que a gente precisa organizar mais a nossa casa, a gente sabe que a gente precisa ter uma agenda mais efetiva de casal e com o nosso filho. Como é que a gente vai organizar tudo isso efetivamente? E uma das grandes ferramentas que temos foi, assim, determinante para essa mudança de mentalidade deles a respeito do uso da agenda familiar.
Quantos filhos ele tem, queridão?
Eles têm um filho que acabou de fazer dois anos.
Renato, alguém precisa organizar a agenda, tem um filho de dois anos. Quem tem quatro filhos? O que você tem para aconselhar para isso? Como organiza a agenda? É um problema organizar gênero com um filho de dois anos? Ixi, isso daí, né?
Acho que assim, até trazendo o caso aqui, né? Às vezes a gente fica tão atarefado e você fala, chuta a agenda pra janela, joga fora esse negócio que não tá funcionando, né? Mas é uma demanda recorrente e assim, organizar a agenda, acho que tem que trazer muito dos benefícios que tudo isso vai trazer. Então, uma vez que você tem realmente uma agenda em blocos, tem algo bem desenhadinho, lógico, por mais que esteja desenhado, as coisas fogem um pouco do controle, acho que com o filho também deve fugir, mas é algo assim que mostrar os benefícios disso tudo, sabe? De ansiedade muitas vezes, de cumprimento de metas, eu sou meio da área de projetos, acho que vocês sabem aí, então a parte metas para mim é bem importante, a gente acaba estabelecendo essas metas ou micrometas, de repente, para algo como ser satisfatório. E você atingindo tudo isso, você sabe que a vida, ela melhora com o mundo todo. Você consegue construir a agenda de casais, você consegue estabelecer um tempo seu, por exemplo. Hoje eu vejo o quanto isso é importante. Só vejo, tá gente? Faz tempo que eu não tenho o meu tempo, né? É algo que eu sinto falta e eu sei que isso dá para fazer, dá para estabelecer dentro de uma agenda em blocos. Talvez trazendo a realidade nossa para com o cliente ajuda isso, ajuda a dar essa visibilidade também. Se fizer assim hoje, Até que tá funcionando melhor assim, né? Porque, lógico, tem todo esse apoio Uma coisa, talvez trazendo o meu exemplo já aqui dentro, né? Acho que o André sabe muito bem o convívio e tudo mais que a gente já tem A construção de agenda em blocos, hoje ela depende muito de ter a responsabilização de todas as partes Então, não adianta construir só agenda, mas trazer a responsabilização, entendendo quem que vai fazer o quê, em que momento, quem vai cuidar de um, de dois, de três ou de quatro, e a gente colocar tudo isso junto com a agenda, tem sido algo bem importante, bem mais produtivo também.
É isso aí, muito bom.
Em termos de agenda seria isso. Ronaldo, mas acho que em termos de desafio, uma coisa que é bem legal, eu trago um exemplo de um cliente que eu tenho, que ele fala assim, é gostoso conversar com você, planejador, porque sempre tem temáticas que a gente não pensa. Acho que isso é um ponto bem legal de novidades. Beleza, vamos falar sobre aposentadoria. O que você vai fazer na sua aposentadoria? temática X que dá para ficar o ano inteiro refletindo sobre essa temática. Então, isso é bem agradável, é um desafio bem gostoso também de se lidar.
Muito bom, deixa eu trazer o Fred aqui. Fred, eu quero te trazer um contorno diferente a partir do caso do Ronaldo, resgatando um casal com um maduro casamento financeiro, eles se apoiam mutuamente, Acho que o Ronaldo colocou elementos interessantes aí também, na direção de que ela, advogada, empreendendo na área jurídica há dois anos, dois anos sem derivar um dividendo. E também alguns hábitos, costumes, uma vida que parece estar agitada demais. A pergunta que eu te faço aqui é, quais são os perigos quando tudo parece que está indo muito bem?
Quais são os perigos? quando tudo parece que está tudo bem. Ou não tem perigo, a gente é que tem a mania de ver problema onde ele não existe. Ou talvez o nosso papel, estando um pouquinho à frente, seja na direção de, ei, é melhor preparar do que reparar.
Você sabe que não é pra ficar, eu não faço isso que eu vou descrever aqui pra ficar cutucando o cliente pra inventar coisa. Mas eu sempre pergunto qual é a próxima onda que nós vamos surfar, porque todo mundo tem uma onda, um patamar, um platôzinho que se mantém ali. Pode, de forma perigosa ou não, virar uma zona de conforto, né? Então eu falo assim, ó, quais são os planos? As coisas mudaram? As coisas atualizaram? Pra onde vocês estão caminhando? É pra onde vocês gostariam? Algum ajuste necessário? A vida não é redonda, ela é bem quadradinha, né? Ela não gira que nem uma rodinha bonitinha, não. Ela dá aquelas... aqueles solavancos. Então isso posto.
Eu não deixo, eu estou gostando muito dessa analogia, eu não deixo quentinho, não proposital, óbvio que fica confortável, óbvio que o cliente sabe que está de forma correta, brincando aqui com aquela história do Garrincha lá atrás que o Garrincha entra no campo dribla todo mundo e faz o gol. Aí ele virou assim mas vocês combinaram com os russos que vai ser assim. Porque tem um adversário. Aqui é a mesma coisa tem a vida tem os percalços tem os imprevistos a agenda dá para se combinar mas sai aí.
Como é que eu faço? Estamos preparados para esses possíveis imprevistos, etc. Não é aquela questão do planejador querer mostrar que ele está ali e justificar que ele está ali perguntando para o cliente aquilo que ele quer fazer a mais, qual é a próxima onda, etc. É efetivamente caminharmos junto para que o cliente saiba que, ó, talvez, virar do seu planejador uma pergunta disruptiva, uma pergunta que vai fazer você sair de uma zona de conforto para pensar, no seu ponto de vista, do que é mais correto para vocês. Então, por exemplo, vou dar um exemplo. Clientes meus tinham acabado de ter filhos ao final do ano passado, mais ou menos agosto.
Não, agosto.
Não, minto, um pouco antes, junho. Chegou o final do ano, eles muito bem definidos lá, mas vira e mexe falando um pouco sobre, cara, mudamos de Campinas para Indaiatuba, tá legal, mas o apartamento não é aquilo que a gente gostaria, mas beleza, nossa decisão foi alugar. Ótimo. Papel do planejador. Cara, eles decidiram alugar, óbvio, melhor, porque quanto mais investimento tiver no banco, melhor, porque eu recebo por ele? Não. Justamente porque eu não recebo por isso, é que eu posso vir e questioná-los o seguinte. Gente, como é que tá a FGTS? Como é que tá o saldo dos dívidendos daquilo e daquilo outro? O carimbo pra casa de vocês que estava ali a X de distância, está aqui a tantos por cento do plano. Somado ao FGTS mais esse bônus que foi recebido, o que vocês acham de procurar uma casa de até tanto?
E eles compraram a casa no final do ano e trocaram o carro. Eles não estavam pensando nisso. Ah, Fred, mas você fez eles gastarem dinheiro?" Não, eu fiz eles terem qualidade de vida, eles queriam, eles precisavam enxergar que estava tudo bem para tomar esse passo. Eles não estavam dando esse passo, o planejador foi lá e fez o quê? Questionou eles se as coisas estavam certas, questionou eles se eles não podiam pensar em outras coisas.
Aí eles viraram para mim, a mãe dela, é minha cliente também, ela falou, Fred, o que você fez? compraram a casa, trocaram o carro e estão indo viajar.
Eu falei, está tudo bem.
Esse é um exemplo muito legal, porque, muitas vezes, a gente tem uma abordagem reativa ao cliente. O cliente traz uma situação, ou as situações vão se revelando a partir da metodologia, do convívio, de forma natural. Mas, muitas vezes, cabe também a gente estimular uma mudança de rota, ter uma mudança de rota da maneira como eles pensam, abordam o que está acontecendo com a vida. Algo que eu gosto de fazer, até na direção de amadurecer, é sempre conversar com os clientes acerca da motivação que eles têm para fazerem o que estão fazendo. Então, por exemplo, qual é a grande motivação para empreender na área jurídica, já reconhecendo que há dois anos não sentiram dívida? Eu não estou dizendo que isso é um problema, isso é uma característica. Mas que, a partir de uma reflexão da motivação, essa característica pode ser algo saudável, intencional, ou pode ser um sinal de alerta. Que, muitas vezes, se a gente não destacar e proativamente sugerir uma abordagem renovada, fica tudo bem. Quando, na verdade, não se está tudo bem. Mas a ferramenta que eu mais tenho usado é a dialogástica das motivações. Eu acho que essa é uma janela interessante para a alma, uma janela para o que realmente importa para as pessoas. Qual é a motivação para tudo isso? Ronaldão, faz um recap desse caos aí.
Pegando exatamente esse gancho da motivação, a primeira SP3, onde a gente abordou o livro dos sonhos, eles leram o livro dos sonhos um para o outro, alguns desafios começaram a aparecer, porque o marido quer mudar de carreira, porque ele não quer mais ter que ir para São.
Paulo.
Então ele vem numa negociação com o atual empregador e chegou a avaliar a mudança até para empregadores estrangeiros, onde ele poderia trabalhar 100% em home office, que é o objetivo dele. E ao mesmo tempo, ela queria comprar uma sala para ela montar o escritório novo, uma vez que ela acabou de adquirir um grande cliente e o receio dela era, a hora que esse cliente quiser vir me visitar, eu preciso ter um escritório a altura.
E aí a gente assume mais um risco e empreende mais, utiliza a reserva de emergência e mais. Então, por aí começaram até grandes conversas a respeito de boas decisões que precisam ser tomadas. E, ao mesmo tempo, a necessidade dela, ela falou assim, Ternano, Ronaldo, eu sei que eu preciso descansar, eu não estou descansando. Às vezes eu trabalho até às 11, 11 e meia da noite, eu não estou vendo meu filho, eu sei que eu preciso fazer um check-up. aquela enxurrada de necessidades, e ali a gente vem efetivamente criando essa narrativa do porquê. E do porquê, se são muitos porquês, o que a gente vai começar a fazer primeiro? Então, nessa última reunião a gente conseguiu estabelecer prioridades sobre o que vai ser feito primeiro. A sala é tão urgente assim? Fizemos todos os cálculos, eles enxergaram que é mais interessante alugar o imóvel comercial do que comprar, por mais que parecesse uma grande oportunidade. Mas a conversa foi realizada, o cenário foi construído. E o outro ponto, será que com a esposa precisando ainda dar mais atenção, porque adquiriu um novo cliente, a sala é mais importante do que ela fortalecer a equipe de back office? Porque senão ela não vai conseguir nem entregar.
E o que é mais importante ainda? Você, marido, mudar de emprego agora e assumir um certo risco, uma vez que é possível negociar essa questão do deslocamento com o atual empregador. Então acabou que no final ele conseguiu negociar com o empregador a manutenção dele em home office, o que tirou dele a necessidade pela busca de um novo trabalho. Ele conseguiu manter o foco no empreendimento da esposa, que acaba que no final é familiar também. Ela já sinalizou ontem que ela vai ter o primeiro dividendo esse mês. Ela também está conseguindo já começar a derivar. E o que a gente já vem abordando desde o início é a revisão dos hábitos pessoais. Ou seja, aqueles hábitos de 30 dias que a gente vem ajudando os clientes a construir, eles levam à risca. E vários microprobleminhas que eles tinham em termos de organização de um cardápio de almoço, porque os dois almoçam em casa. A organização da casa que incomodava o marido, eles efetivamente estão conseguindo cumprir. O que a gente bate agora é para os exercícios físicos que eles mesmos demandaram. A gente sabe que a gente está bem acima do peso e isso nos preocupa. Falei, então, agora que vocês compreenderam o poder desses pequenos compromissos, nós também vamos incluir isso na agenda de vocês. E é aí que estão as novidades, ou seja, a gente tem, sim, relevância e a gente pode trazer novidades para eles.
Me lembro, Ronaldo, você comentou algo até para o wrap-up desse caso. Sempre quando um cliente me traz uma oportunidade, alguma coisa para a gente fazer, eu digo, olha, oportunidade desprovido de conta, literalmente, conta, é uma vontade, não é uma oportunidade. Oportunidade com conta, fazendo conta, pode ser um oportunismo, na verdade. Você está querendo levar vantagem em alguma coisa. oportunidade com motivação é uma decisão madura. Qual é a motivação para isso? Provavelmente a gente vai ter uma decisão madura. Olha só, o Renato Boi inaugurou com uma conversa sobre responsabilização e visão integral e mudar hábitos, mas não apenas isso, estrutura e também modus operandi. Depois o Ronaldo trouxe um caso de um casamento financeiro, onde tudo vai bem, mas naturalmente existem os desafios da gente.
Proativamente apontar novas reflexões, novos caminhos, ponderações renovadas, motivação. Fred, você então agora conclui com chave de ouro esse nosso trigésimo episódio. O que você teve de caso interessante na semana passada?
Eu confesso, anotando um monte de coisa boa, porque o Renato e o Ronaldo têm trazido analogias e pontos importantes. Eu falo para todo mundo que participar disso aqui é ótimo, porque você vai aprendendo também. O caso que eu trago Eu acho que fala muito sobre a necessidade do planejador que faz as coisas de forma... Desculpa a pretensão aqui, pessoal, mas faz as coisas de forma correta. Não estou falando que eu só faço as coisas de forma correta, O jeito de se fazer correto é caminhando para isso que eu vou falar, que é o seguinte, chega um cliente novo para você, mas... um dos maiores FIIs que você cobra, com uma carteira bastante grande e composta por um monte de estruturas criadas pelo quê? Por uma família que é herdeira de um ótimo patrimônio, que recebeu ajuda de três casas. Casas com letrinhas e sem letrinhas. Então, você já sabe onde estamos falando. Algumas casas com letrinhas, outras casas que têm nomes grandes. E aquela sopa de letrinhas, de informações, e que o cliente não sabe explicar o que está ali dentro, etc.
Qual que é a ideia de alguém que chega numa ponta dessa? Nossa, vou precisar mostrar agora o meu serviço porque é um dos maiores FIIs que eu recebo. Olha a oportunidade. Ou efetivamente caminhar para o lado do... Deixa eu entender com o cliente de forma correta a profundidade que precisa ser na relação para que o dinheiro caminhe para onde ela precisa e não para onde os outros querem. Então esse é o caso, é o caso de uma conversa agora depois do terceiro mês de relação, terceiro para o quarto mês de relação com essa cliente, a conversa profunda que caminhou para ela entender mais e melhor onde ela precisaria estar.
Ela entender mais e melhor sobre as indicações que começam a chegar para ela e eu explicando a ela o que significa ou não e se faz sentido ou não. E a ausência de pressa de se mostrar mudanças para um lado que a gente sabe que seria melhor para o cliente mais à frente, mas que a gente precisa construir com ele, em detrimento a querer mostrar tudo num primeiro momento e sair pisando na jaque, espalhando a farofa para tudo quanto é lado. Então esse foi o highlight da minha semana passada, essa conversa que a hora que eu comecei, a cliente falou, Fred.
Era isso que eu queria ouvir.
Era essa tranquilidade, essa calma e esse caminhar para o lado correto. É isso que eu quero entender.
De uma pessoa que entrou super desconfiada, entrou passando um outro e-mail que não era o principal dela e depois falou, não, eu vejo que para vocês eu preciso ter a comunicação mais correta, então é esse e-mail que a gente vai usar. Ou seja, uma pessoa que está ressabiada com o mercado. É medida que você entra e faz o mesmo que o mercado todo faz.
Acho que você usou um bom termo, cara. A desconfiança, que é a desconstrução da confiança. E eu acho que o mercado financeiro, nas suas diversas mudanças, tem sido muito eficiente em desconstruir uma confiança. E a gente tem visto o fruto disso. Agora... E numa situação como essa, deixa eu trazer o Ronaldo e o Renato aqui.
A gente até comentou um pouco sobre isso, quando o Ronaldo bem destacou a questão da ansiedade, que essa ansiedade não seja nossa. Mas o cliente chega muitas vezes desconfiado. Como é que vocês lidam com situações como essa? Vocês têm algum costume, vocês têm alguma prática para tentar criar um ambiente mais adequado para o cliente poder confiar mais na gente. Eu rapidamente resgato aqui o nosso conceito de confiança, aquele que conjuga caráter com competência. Então, se a gente tem caráter e a gente tem competência no que a gente faz, o produto disso junto às pessoas é confiança. Mas parece que o mercado é mais orientado a, tudo que você trouxe para mim está errado, o bom mesmo é o que eu tenho. E a gente é diferente disso, porque a gente não tem nada. Então a gente pode ter, inclusive, uma leitura mais adequada. Como é que vocês têm lidado com clientes assim, Ronaldo? Depois o Renato.
Bom, já com alguns anos de profissão, já encarei alguma... Algumas situações, algumas até em tom de brincadeira.
Algumas até a gente conversou, né? Algumas até a gente conversou sobre.
Exatamente.
Ainda tem frutos daquilo ali, tá, Fred?
Nossa, divertido no mínimo.
É, divertido, exatamente. Mas um cliente recente, ele achou pouco comum ele ter que nos apresentar um extrato dos ativos.
E...
Ele falou, ok, abertamente eu perguntei, tá, como é que você espera que eu conduza uma análise a respeito dos seus ativos atuais sem eu ter acesso às informações? Qual é a sua expectativa a respeito? Ele é só uma preocupação de como é que esses dados serão tratados e quem vai ter acesso efetivamente. Ali imediatamente eu restabeleci a relação de confiança, e indiquei que efetivamente nenhuma outra pessoa, a não ser eu, tem acesso aos dados financeiros. Então, esse caso foi resolvido assim. Mas o outro caso, já até mais antigo, um cliente já bem experiente, com um patrimônio totalmente pulverizado, espalhado entre várias casas, ele decidiu já depois que a análise inicial, que a gente chama de pre-cash, havia sido feita, ele falou, eu lembrei, que existe um montante ainda num outro banco e tudo, e como eu já tinha uma certa intimidade com ele, eu tomei a liberdade de brincar assim, falei, cara, você joga tênis? Ele falou, não jogo não, por quê? Porque o tênis é o seguinte, é um esporte se você mandar uma bola ruim para o cara. ele vai te devolver uma bola muito pior. Então, vamos entender que eu preciso das informações da forma correta para que a gente também entenda as suas motivações a respeito dessas alocações atuais. Então, eu sempre procuro construir primeiro a relação de confiança e fortalecê-la. E à medida em que o cliente vai apresentando os dados, eu nunca dou um diagnóstico sem efetivamente compreender dele as motivações para que as alocações estejam feitas da forma como estão. Procure entender o que motivou, qual a finalidade desses investimentos e, principalmente, se ele compreende o que foi feito, se ele tem o conhecimento. E, normalmente, André, Fred e Burro, a gente tem se deparado com o mercado da terceirização. As pessoas terceirizam demais as opiniões e principalmente as decisões a respeito dos investimentos e é aí que a gente ainda consegue gerar mais valor. porque como a nossa metodologia tem uma parte muito educacional, a gente traz o cliente para o centro das decisões, das alocações. É aí que eu percebo a grande avenida para a gente também gerar muito valor, e não só isso, mas conduzir o cliente para aquilo que é adequado para ele.
Muito bom, muito bem. Boa, qual é o teu take, pessoal, sobre essa questão aí de... o cliente já chega, já quer fazer algumas coisas, e como a gente estabelece confiança, como é que você tem atuado?
Acho que entra naquele ponto que o Fred já comentou hoje, a consistência. Então, uma vez que você tem a consistência, vai fazendo certo, você sabe o trajeto que você precisa para atingir aquele alvo, acho que você sendo consistente, com a fala certa, não querendo atender a demanda do cliente, ele já vai notar essa diferença de você não ficar querendo atender a demanda, mas aqui está rendendo mais, Mas calma aí, a gente não tá pensando aqui, a gente não tá pensando nas motivações, onde a gente vai destinar, para que fim a gente vai destinar esse investimento, e aí sim você vai adquirindo a confiança do seu cliente, vai tirando a desconfiança e adquirindo muito confiança, porque há uma consistência, há algo que você realmente está importando com o cliente, não com o ativo do cliente, com aquele montante que ele tem. Você está se preocupando com a vida dele, ele percebe isso. É muito nítido, é muito fácil de ele perceber isso na gente.
Ele está junto.
Eu já tive casos também que o cliente não quis entrar no barco.
Acontece. Mas eu acho que esse é um tipo de cliente que, quando desprovido dessa consistência que a gente convida, nem é um cliente adequado para a gente poder... Esse é um cliente que sai caro numa carteira. O conceito de carteira... Eu gosto muito do termo em inglês, eles chamam de Book of Clients. É um livro de clientes. E tem capítulos que não fazem parte. O meu take pessoal nisso, acho que o Fred foi muito elegante até ao colocar, mas a gente, enquanto planejador financeiro, é que agora eu estou pedindo uma licença para não incluir como planejador financeiro agente autônomo de investimento, consultor de investimento, gerente de banco, private banker, essa turma é importante, mas eles têm uma outra cadeira na mesa de serviços financeiros. O verdadeiro planejador financeiro adora, por exemplo, fazer comparação com o médico. A gente é um médico do bolso, a gente até gosta de servir médico, porque parece que existe uma certa empatia, um certo entendimento mais direto, mas acho também que a gente tem que entender outras características da atividade médica. Por exemplo, eu não sei se eu iria para um médico que Eu dissesse, doutor, é o seguinte, essa é a minha situação, esses são os meus exames, e eu gostaria que os meus exames fossem analisados dessa maneira, eu gostaria que o meu tratamento fosse feito dessa forma, e eu gostaria também que a minha cirurgia fosse feita com essa técnica. Eu digo, tudo bem, eu faço do jeito que você quer, e paciente, tem mais algum conselho que você gostaria? O que você acha dessa minha sugestão aqui para o que eu estou a fazer? A gente não cria autoridade. quando a gente tem ansiedade. A gente não cria autoridade quando a gente tem ansiedade. A autoridade é criada na direção e na mesma intensidade que a gente parte de alguns pressupostos, como todos esses que vocês bem colocaram. Eu creio que, pelo menos é como eu tenho buscado manter a minha conduta, nem sempre deu certo, assim como o Renato também, eu tive clientes que não toparam essa conduta. Mas a manifestação da minha conduta é expressa na frase que diz, mais vale o investidor que você é do que o investimento que você faz. Isso aponta para uma caminhada, não para uma corrida de 100 metros. Isso aponta para uma estratégia de décadas e não para uma locação de trimestre. E isso tem que ser também muito bem conversado com bons clientes. O cliente que quer que tudo seja mudado muito rápido e que as mudanças sejam muito constantes, vai mudar de planejador muito rápido, vai mudar de casa muito rápido. Você tem que decidir qual é o tipo de cliente que você quer.
Desculpa a tosse aqui que eu desmutei para falar justamente no outro ponto, o André falou mais vale o investidor que você se torna do que o investimento que você faz e mais vão valer as perguntas que nós fazemos do que efetivamente todas as respostas que nós podemos dar. Porque as perguntas vão direcionar os nossos clientes para aquilo que nós estamos criando junto com ele e questionando para ele, o sentido de tudo aquilo para o plano e projeto de vida dele. E não simplesmente olhando para uma prateleira de nomes bonitinhos e pacotinhos de maldade, falando assim, ah, vamos para cá, para lá, porque eu gosto mais desse, eu conversei com aquele gestor e fiz aquilo, e esse aqui, meneheme, não era mais, etc. Não. O que a gente está falando aqui é o seguinte, é aquilo que faz sentido para o cliente. é aquilo que ele precisa ter, é aquela direção que ele precisa tomar. E aí sabe o que é mais legal? É que sem essa pressa... Aquilo que eu falei, tem bons números aí de setembro para frente, vencendo simplesmente, caindo na conta para quê? Para que a gente possa caminhar para aquilo que ela precisa. E não que eu precise falar, sai resgatando tudo, pisa na jaca, mercado secundário, perde dinheiro, porque eu quero mostrar onde eu vou te levar.
É interessante que a gente, o ser humano, foi capaz de construir edifícios que superaram 100 andares há mais de 100 anos. A gente foi até a Lua em 1969, há mais de 50 anos. A gente já tem carro que dirige sozinho nos últimos 10 anos. E mais recentemente, a gente tem um negócio chamado inteligência artificial que é capaz de responder todas as perguntas. Nenhuma dessas invenções é capaz de fazer pergunta.
Nenhuma.
Ainda mais as boas perguntas, não é, André?
Pessoal, é isso aí. Valeu pela conversa, uma hora, dois minutos aqui de bate-papo. Espero que quem tenha estado com a gente, quem acompanhou aqui, tenha gostado. De novo, o nosso objetivo aqui é que seja um papo real, um papo que a gente vai trazendo traços de profundidade, que a gente também pega um ponto e vai para outras conversas, mostrando a nossa abrangência de atuação, tudo isso em um grande envelope chamado A Arte, A Arte do Planejamento Ronaldo, obrigado pela participação. Renato, muito obrigado. Manda um abraço pra turminha toda. Queridão, mais um de 30 pra conta. Obrigado.
Obrigado a vocês, pessoal.
Faltam 70 só, gente. Faltam 70 só.
É isso aí. Valeu. Obrigado, turma. Tchau, tchau.
Até o próximo.
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