A Arte do Planejamento | 🎙️ Episódio #9

André Novaes, Frederico Gonçalves, Erika, and Hugo Oliveira discuss real client cases: how a cancer diagnosis shifts someone's view of time and money, the tension between spending now and saving for later, and why buying a home becomes an emotional decision, not just a financial one.
Chapters
Olá, seja muito bem-vindo ao 27º... Estou brincando. Ao 9º... Ao 9º... Ao 9º episódio aqui do nosso podcast Arte do Planejamento. Meu nome é André Novaes. Hoje eu estou na companhia do sempre aqui presente, Frederico Gonçalves. Como vai?
Tudo bom, André? Como é que está? Como é que está, pessoal? Quem nos está assistindo ao vídeo, não combinamos, mas estamos com cores parecidas aqui, então vamos lá.
Bom dia, queridão. Erika, mais uma vez aqui. A Erika brilhou no nosso episódio número 5. Voltou aqui para esse episódio número 9. Erika, como é que você está? Tudo bem?
Tudo bem, graças a Deus. Obrigada pelo convite novamente. Tudo de bom pra todos. Ótimo episódio pra nós.
Vai ser divertido. E pela primeiríssima vez, vindo direto lá das ondas de Minas Gerais, Belo Horizonte, Hugo Oliveira está aqui com a gente. Hugo, como é que você está?
Olá, pessoal. Estou bem, graças a Deus. Sou planejador aí lá e espero que todos se divirtam e aproveitem o conteúdo.
Amém, muito bem. Pessoal, rapidamente então, só para a gente estar aqui num bom contexto, o nosso objetivo aqui com esse podcast, com esse momento, é te convidar para participar dessa roda de conversa, momento no qual a gente troca e comenta acerca das nossas experiências de casos reais, de encontros reais, que a gente teve na semana anterior. A gente também deseja que você possa perceber um traço marcante da nossa prática aqui como verdadeiros planejadores que é buscar conversas maduras, buscar profundidade e também te apresentar o quão abrangente pode ser a atuação de um verdadeiro planejador financeiro. E por fim, para a gente entrar no que realmente importa, a gente crê e diz para você nos avaliar na direção disso ser um serviço relevante para você, profissional de serviços financeiros que almeja, que contempla a transição para a carreira como planejador. A gente quer poder te dar esse serviço, te prestar esse serviço, ok? Erika, vamos começar com você, por gentileza. Estou aqui com o meu café preparado, na minha caneca vermelha, para te escutar um pouquinho. Você está com uma água aí? Saúde! Como foi a sua semana passada? Que encontro interessante você teve? Compartilha com a gente, Erika, por gentileza.
Que bacana! O meu encontro mais marcante foi com uma moça de 39 anos, solteira, ela é uma pessoa cheia de vida, muito inteligente, muito ativa, inclusive na questão da generosidade, e ela passou por um problema de saúde que reduziu a perspectiva de longevidade dela, e isso se percebe aí já um traço.
Por isso, acabou tirando ela do eixo um pouco e ela tá numa atitude mais perdulária, palavras dela mesmo, inclusive. Ela se preocupa com isso, mas ao mesmo tempo ela, de certa forma, entende que mexeu com ela nessa situação de uma doença grave, foi um câncer de mama, enfim. e ela agora tá nessa perspectiva de encontrar o meio do caminho, o centro, porque a preocupação nossa é de que a longevidade venha, porque é viável, é possível, mesmo tendo um problema como esse tão sério, é muito provável que ela viva muitos anos, então não dá pra gente também pensar que não há mais vida pra ela, que ela tem que aproveitar a vida como se não houvesse amanhã Então esse é o caso que eu tenho aí, que foi mais emblemático e que a gente tá construindo juntas um caminho equilibrado Uau, uau.
E Erika, conta pra gente um pouquinho, assim que você, então, escutou essa circunstância, esse desafio que ela passa, essa doença grave, qual foi o primeiro sentimento que você teve? Aquilo, de alguma maneira, foi uma surpresa que ela trouxe na reunião, ou isso já havia sido antes anunciado? Mas até antes da gente falar um pouquinho, dos desdobramentos, eu quero colher um pouco do seu sentimento, inclusive como mulher, ao escutar isso dela. O que você compartilha? Abra seu coração aqui pra gente.
Nossa, super interessante e difícil a gente poder estar junto com uma pessoa que a gente percebe que pode se aprofundar mais com essa pessoa. É um trabalho que eu estou fazendo de mulher para mulher, enfim. E eu entendo muito dos desafios que ela está passando. Ela tem muitos sonhos, ela sempre trouxe para mim uma série de projetos que ela tem, ela inclusive já está terminando a faculdade de psicologia, ela já tinha outra faculdade, agora está terminando de psicologia, começou a fazer trabalhos de palestras, quer dizer, é uma pessoa muito vibrante, muito ativa. que merece todo esse carinho. E eu me sinto honrada, na verdade, de poder estar junto e poder ajudar ela nesse trabalho de equilíbrio, de poder ajudar ela nesse equilíbrio.
E como é que ela colocou essa questão? Porque de um lado, bom, fato, né? Há esse desafio, mas ela tem esses traços de generosidade, de ir pra uma segunda faculdade, de iniciar projetos de palestra, aula, atendimento. Mas parece que ela também trouxe para você a questão da diminuição de uma perspectiva e um traço dessa perspectiva diminuída, um comportamento perdulário, conforme palavras da própria cliente. Nesse contexto, Erika, a gente quer um pouquinho mais de você ainda. O que você pensa em fazer? O que você tem preparado? Como você vai cuidar dela nesse contexto?
Eu entendo que nesse momento ela precisa primeiro se cuidar, a parte de saúde dela tá inicialmente resolvida, ela tá com remédios agora oncológicos que ela toma, então isso tem um gasto também, claro, né? Mas a cirurgia foi feita, foi feita essa primeira etapa mais agressiva, vamos dizer, então tá num momento aí de crescer cabelo, enfim, então ela tá voltando nesse aspecto. e a minha intenção é que ela perceba a importância dela ter clareza do orçamento dela. Nesse primeiro momento, como foi uma primeira reunião estimativa de orçamento, eu não trouxe nenhum aspecto de já cortar alguma coisa. A gente fez esse primeiro trabalho e ela já foi viajar com a família, inclusive, com os sobrinhos, com a irmã. Enfim, ela tem dívidas, enfim, mas ela tá também indo viajar. Se fosse pensar só no contexto cru, radical, pragmático, talvez não deveria ir viajar, mas tem todo esse backstage, tudo isso que aconteceu com ela. Então, quem sou eu para falar, não, não vai viajar com a sua família? Algo tão importante também. Eu pretendo ir construindo aos poucos esse trabalho, dela perceber que, sim, existe muita coisa para ela realizar ainda, e ela precisa só equilibrar mesmo esse... esse aspecto, talvez nesse momento ela cuidar dela mesma primeiro.
Fredão, se prepara aí, daqui a pouco quero o Hugo também na conversa, mas dentro da nossa metodologia, pessoal, o primeiro passo que a gente caminha ao lado com o cliente é justamente estimar, convidar o cliente para formalizar como é que ele percebe a vida financeira dele, estimando. A gente tem toda uma metodologia para fazer isso, ora conjugando técnicas de orçamento, ora também já jogando uma lente mais profunda no projeto de vida. Mas, Fred.
Uma doença grave, muitas vezes uma que poderia... E talvez como primeira reação aponte para... Eu preciso me preocupar com isso agora, somente isso. O que importa é o presente, eu tenho aqui viver. Talvez como traço disso, eu não quero perder nada. Eu faço a viagem com os meus sobrinhos, eu faço que me convidarem. Mas, de outro lado, ela parece que está curada. o que aponta, como a Erika bem colocou, para a gente poder enxergar questões mais longevas. Ao longo da sua experiência, Fred, como é que você tem lidado com talvez essa harmonia entre, eu desejo muito o dia de hoje, e existe ali uma pauta real do porquê disso. Mas, ao mesmo tempo, enquanto planejadores, a gente tem que acolher o presente, mas sem deixar de apontar para o futuro. Como é que você tem buscado essa harmonia, construído esse diálogo, essas reflexões com os clientes?
André, primeiro que, se Deus quiser, está tudo encaminhado, né, Erika? E ela ficará bem. Então, acho que o papel da Erika é muito importante ali também, mostrar pra ela essas perspectivas, até com o avanço de toda a medicina, etc. A gente, tendo muitos clientes médicos, a gente sabe que tem muita coisa, né? Que realmente supera esses males e essas mazelas que surgem aí na nossa vida, né? passei e passo por um problema família parecido, né, com meu pai, então a gente sabe que, né, acho que agora é apoio, é força e entendimento do guia que você passa a ser pra ela, Érica, da guia, perdão, que você passa a ser pra ela em relação a tudo isso. Agora, ferramentas, como lidar com tudo isso, temos à disposição e precisamos sacar delas, simplesmente quase todas agora, talvez, para olhar um pouco nesse início importante desse trabalho teu com ela, Érica, para todas essas perspectivas. Eu gosto muito de trazer para os clientes, quando existe essa ponta deles me questionarem sobre, pô, Fred, parece muita futurologia, pensar lá na frente, essa longevidade que é algo que é discutível, que a gente não sabe quanto é, tal, etc. E justamente por não saber que a gente tem que dar muita atenção, né? Porque o que nós queremos é que vivamos todos nós muito, né? E aí eu trago um TED Talks que a gente assistiu internamente aqui na live, André, numa fase lá que estávamos fazendo um trabalho em conjunto do... que chama A Batalha do Eu Presente com o Eu Futuro. E fala um pouco desse balanço entre sorrir agora para conseguir sorrir sempre e não simplesmente imaginar uma gargalhada agora para um sofrimento lá na frente, ou seja, você não ter forças para sorrir lá na frente. O que eu coloco aqui é similar àquele amigo que faz muita piada e você ri tanto, ri tanto que você não tem nem força de sorrir logo depois. Mas também não pode ser aquele... aquele sofrimento de agora e só pensando lá na frente. Então tem que entender esse equilíbrio de um sorriso ao longo da vida. Ou seja, é aproveitar o hoje, resolver o passado, quando surgem dívidas ou quando temos dívidas, resolver o hoje, viver com qualidade, ter clareza sobre isso, e entender a necessidade futura, sem querer adivinhar a longevidade. independente de problema de saúde. E que podem surgir outros, ou podemos não ter nada, se Deus quiser. Então, não é uma equação que é solucionável numa resposta única. Ela tem que ser gerenciada ao longo do tempo. E o livro dos sonhos, André, eu gosto muito de trazê-lo aqui também, tá? Porque aquela perspectiva daquela nossa conversa no livro dos sonhos sobre e se você tivesse só 5 anos, o que você faria? E tendo 30, faria diferente? Ou seja, como a gente não sabe, se a resposta é diferente pra um e outro, a gente tem que entender o porquê. Porque, na verdade, a resposta tem que ser a mesma. Você vai viver sem saber qual é o prazo que você tem. Mas você vai se preparar para tudo.
Muito bom, muito bom. Hugo, eu sinto que um dos privilégios que a gente tem de buscar uma equipe coesa, coesa a partir dos pilares, uma mesma metodologia, uma mesma tecnologia e, principalmente, gente que conjuga a clareza do mesmo modelo de negócio. é a gente poder, de um lado, contar com a experiência de quem já caminhou, mas também, de outro, aqueles mais experientes se curvarem, muitas vezes, até a ousadia dos mais novos que podem trazer uma perspectiva nova. No seu caso, Hugo, dando ainda os primeiros passos como planejador, como é que você enxerga essa questão da harmonia entre o presente, o futuro, o gastar agora, o gastar depois? Qual é o pitaco que você pode dar para a gente nisso, Hugo?
É bem interessante, porque muitas pessoas, quando ouvem falar de planejamento financeiro, eles pensam muito no presente. Então, às vezes, as pessoas acham, olha, o seu papel vai ser cortar tudo que eu tenho Então, qualquer coisa que possa ser excesso hoje, a sua função vai ser a tesourinha de cortar todos esses gastos. E uma coisa muito legal que a gente sempre fala, é que se a gente tiver qualidade e assumir o nosso papel, a nós tomar as rédeas da situação, e ter mais consciência de tudo aquilo de onde nós estamos.
Para onde nós estamos indo, nós conhecemos bem a história que nós estamos construindo, isso, por si, já ajuda na tomada de decisão do hoje, sem comprometer o futuro. Então, assim, André, eu vi em um dos podcasts que foi.
Cafézinho né e assim é a conta que você fez apresentou rápido lá daria em 30 anos 150 mil reais olha o que você pode fazer com 150 mil reais mas é assim o que o cafezinho pode fazer hoje na vida das pessoas, o que ele pode trazer de alegria, de contentamento, de relacionamento social, eu sou suspeito a falar porque eu adoro a companhia, uma boa companhia na hora do café, seja da minha esposa, seja de um.
Amigo, Mas, Hugo, como mineiro, você gosta da companhia de alguém com café ou você gosta da companhia do pão de queijo com café? Só para ficar claro o negócio aqui.
Aqui em Minas é quase obrigatório o.
Pão de queijo com café.
E o nosso café também tem toda uma questão.
Chamam para tomar café aqui em Minas Gerais, é uma situação assim, a pessoa normalmente te coloca dentro da cozinha dela para você tomar aquele café. E a pessoa faz questão de que você depois emita a sua opinião sobre o café. E aí, gostou do café? Então, essas coisas a gente não pode abrir mão, porque ontem eu tive a oportunidade de falar também com uma pessoa, eu disse assim, não tira o tempero da sua vida, evita o desperdício, evita aquilo que vai para o ralo sem nenhum controle. e a vida é para ser vivida no hoje, só que se você também não tiver, assumir o controle do hoje, amanhã também você vai estar passando uma situação desconfortável. Então, o legal é a gente estar com consciência, sabendo, assumir realmente a rédea da situação, o controle, e falando isso, eu sei onde vou, então eu tenho controle do que eu posso fazer hoje. E se o cafezinho vai te trazer uma qualidade de vida hoje, que vai refletir em todos os aspectos da sua vida? Toma aquele cafezinho coado, entra dentro da cozinha da pessoa, leva um pão de queijo, você já está tomando o café, leva um pão de queijo e se divirta com isso.
Muito legal, Jogul, e é interessante. Acho que a Erika foi muito cuidadosa quando colocou que a cliente disse que é perdulária. E se a gente para para analisar o que significa isso? Até muitas vezes explorar junto ao cliente. Defina o que é ser perdulário. E talvez não seja necessariamente gastar muito. O Fred sempre aponta, já fez isso em episódios anteriores, vale a pena você ouvir desde o primeiro. Fred, não é uma questão de gastar muito ou de gastar pouco, é de gastar melhor. E esse melhor vem a partir do que o Hugo muito bem colocou. Então, olha só, um cara com 15 anos, um cara começando, colocaram a mesma coisa, que é a consciência. Eu tenho que ter consciência das decisões que estou tomando. E eu creio que o nosso papel, e aqui também como traço da arte, seja que essa consciência também tenha elementos do quanto a pessoa tem que destinar no presente para o futuro.
Talvez, Erika, ela tenha... Me recordando aqui de clientes que passaram por situações graves, a gente pôde aproveitar isso como uma oportunidade para conversar sobre até a brevidade da vida. Sêneca trouxe esse termo há milênios atrás. A vida é breve, de fato, mas essa percepção da brevidade deve apontar para aquilo que realmente importa. E aquilo que realmente importa deve capitanear as decisões de consumo. E o nosso papel, como guardiões do futuro, é também mostrar que tem coisas que também verdadeiramente importam no futuro dela. e colocar essa conta numa mesma perspectiva. Daí a relevância do sobra zero, mas que vem com uma metodologia que primeiro parte do que ela estima gastar para depois, paulatinamente, a gente ir construindo isso com ela. Imagina se a gente chega numa primeira reunião de um plano financeiro dizendo, ok, eu entendo a sua situação, eu vou exercer aqui uma empatia a cinematográfica, mas, olha, é isso que você precisa investir para a aposentadoria, que tem que ser a sua locação de atrás, não vamos para lugar nenhum com o cliente. Então, isso requer tempo. E aqui o meu último ponto acerca disso, se requer tempo, a gente precisa também encontrar uma oferta conjugando método de trabalho, tecnologia de trabalho, cultura de trabalho, que a gente também é bem remunerado ao longo desse tempo todo. Eu acho que a gente aqui não está num ambiente onde a gente pode ser desprovido de também cuidar de quem cuida, de também cuidar do planejador que cuida. Por isso, a gente sempre advoga nessa direção. Não é apenas sobre ter um número grande de clientes, é sobre ter histórias qualitativas que te suportem na carreira por décadas e décadas e décadas. Muito bom, Erika, você ter trazido esse caso inaugurado. E eu aqui, já que o Hugo está com o Gol-Gol aquecido, Fredão, vamos chamar ele aqui para... Ah, você tem uma parte? Diga lá.
André, só um ponto, tá? Para deixar aí, que eu sei que você às vezes escreve ali também na descrição do caso e da disponibilidade ali do podcast, etc., mas é o Daniel Goldstein, que eu citei ali no TED, para vocês procurarem, muito legal. A batalha do meu presente com o meu futuro está em inglês, mas tem traduções. E, Hugo, não é te corrigindo, é só para a gente melhorar aqui na minha interpretação a fala, eu gosto muito da clareza e não do controle. Mas eu sei o que você quis dizer, tá?
Não, muito bom. Talvez o sentido, quando eu falo controle, eu digo não ser um mero coadjuvante da sua história, mas ser o protagonista, você sentar e ver de forma panorâmica onde você quer chegar e você participar disso ativamente. Eu coloco o controle nessa situação.
O controle da situação e a clareza de tudo que acontece, perfeito.
Ela não mudou, não é?
Está vendo? Eu disse que para a gente não errar o microfone, e eu é que errei até agora. Hugo, fica com o microfone aberto, compartilha para a gente como é que o encontro que você teve na semana passada, o que foi de destaque por Belo Horizonte.
Na verdade, foi um encontro online, são clientes que são grandes amigos nossos, principalmente da minha esposa, de longa data, desde a infância, tenho o privilégio de poder agora servi-los como planejador. E uma coisa que percebi no nosso encontro, a necessidade deles de poder construir um patrimônio significativo. São clientes que têm um coração muito bom, exercem generosidade, gostam de empreender. Tem uma família maravilhosa que todo mundo que convive com eles tem uma grande admiração.
E tem tudo para poder... construir uma história maravilhosa e deixar um lindo legado para a família, para os amigos. São pessoas que a gente admira muito e que eu admiro eles há muito tempo. E uma coisa que a gente percebe é que a falta de disciplina, de poder controlar, e aí Fred, desculpe eu dizer a palavra controle, mas eu acho que é exatamente nesse caso, gastos muitas vezes com falta de qualidade, e decisões tomadas puramente emocionais. O que eles poderiam ter hoje de patrimônio é muito maior do que a gente percebe na atualidade. E o sonho de comprar um imóvel... Eu vejo que, na maioria das vezes, comprar uma casa tem esse lado emocional. Mas era um caso, por exemplo, da minha cliente, que ela dizia, eu quero que as minhas filhas tenham esse laço com o quartinho delas, e quando elas crescerem, elas poderem chegar ali no quarto delas e falar assim, olha, eu cresci aqui, aqui eu fazia o dever, aqui eu dormia, eu brincava com a minha irmãzinha, como eu, Faço isso até hoje, quando entro na casa da minha mãe. Então aquela questão muito emocional acabou aflorando e influenciando muito na questão da decisão. E uma reserva financeira que a gente estava começando a construir, eles acabaram abrindo mão dessa reserva toda para se comprar um imóvel, do momento que a gente sabe, de juros muito altos, uma parcela muito alta, E depois que passou a decisão de comprar.
Aí que ela começou a botar a cabeça um pouco mais racional e disse, o Hugo, eu acho que vou pagar três vezes mais do que o valor do imóvel. E ela começou a ficar muito tensa com aquilo. E eu falei assim, olha, vamos fazer o seguinte, vamos contar um plano. para que você consiga não pagar três vezes mais, mas pagar só um pouco a mais. E agora nós vamos precisar de disciplina e começar a trabalhar com eles, a necessidade de ter essa disciplina, coisa que hoje a gente vê que não é o forte deles, que eles vão assim, deixa do jeito que a vida vai levando, nas decisões, nas emoções, e acaba que depois venha talvez um arrependimento de alguma coisa.
Diogo, você comentou que eles tratam-se de um cliente de alta renda. Dê rapidamente 10, 15 segundos um pouco do perfil demográfico deles para a gente. Trabalham com o quê? Que alta renda é essa? Só para a gente ter um ponteiro a mais.
Perfeito. O esposo é médico. e a esposa é administradora. Além do serviço na área médica, eles também empreendem, tem participações em clínicas e em vários outros negócios. A esposa, como administradora, acaba cuidando disso. Eles são do Rio de Janeiro, têm negócios também em Minas, mas a maior parte ali no Rio de Janeiro.
Tá. Erika, se prepara aí para a minha pergunta. Você, uma carreira, longa em serviços financeiros, agora exercendo a coragem de caminhar, de começar a caminhar como verdadeira planejadora, casada, mãe.
Casa própria, a filha, não sei se o desejo vem da filha ou não, mas, poxa, que bom. Eu sou pai também, tenho duas meninas, seria incrível. elas poderem ter o cantinho delas e crescer, fazer o dever. Então, a saída para isso é um bom imóvel, um imóvel próprio. Mas isso vai consumir a pouca reserva que a gente tem e vai colocar a gente na trajetória de uma longa dívida para pagar.
E aí, como lidar numa situação dessa? Como é que você tem se preparado para isso? Talvez no grande dilema. Aqui não é apenas uma questão imobiliária que estamos conversando. Tem outros contornos. Esse assunto sempre emerge. Mas e aí? Você, como mãe, como planejadora.
Como é que você se desenrola nesse rolo?
Existe na compra de um imóvel muito sentimento envolvido. Existe toda uma pressão também, as pessoas entendem que muitas vezes é importante realmente ter, adquirir um imóvel Eu já fui muito mais a favor disso, tenho meu imóvel, enfim Mas eu entendo que hoje existem coisas um pouco antes para a gente entender se é o caso de se comprar um imóvel ou não E muitas vezes o problema não é ter ou não o imóvel, na minha opinião É a questão de ter a disciplina ou não de adquirir aquele imóvel de uma forma que vai ser muito mais importante para aquela família E a maioria das vezes as pessoas adquirem imóvel por medo de não ter um teto para morar, às vezes, ou não ter aquele imóvel que a pessoa deseja, mesmo, aquele padrão que a pessoa deseja, ou por não conseguir guardar recurso mesmo. Na minha experiência como bancária, eu muitas vezes ouvi, poxa, se a gente não tem uma dívida, a gente não consegue construir nada. Era muito do que eu ouvia, sabe? Ah, se eu não tiver uma parcela de um consórcio, de um crédito imobiliário, eu não vou conseguir construir nada. Aí é que a gente traz o aspecto de planejamento financeiro. Se a pessoa está comprometida com o projeto dela, que seja de comprar imóvel ou qualquer outra coisa que a pessoa queira realizar, não precisa ter a parcela para se pagar. O compromisso lá com o banco, aquela dívida que a pessoa teve que assumir com juros. isso traz um custo para a família, então o nosso trabalho acaba sendo extremamente relevante quando a gente traz essa importância do trabalho e quando a gente traz a importância de trazer para a família que o valor a frequência dos investimentos, aquela disciplina, tudo aquilo que a pessoa pode fazer com o recurso que ela tem, vai naturalmente trazer projetos a mais, vai construir um imóvel, comprar um imóvel de uma forma menos custosa para ela mesma. Entendo dessa forma hoje.
Fredão.
Vira e mexe, mexe e vira, imóvel está na pauta. Eu acho que a gente, com o privilégio até que a gente tem de uma amizade de décadas e décadas, o Fred muito mais velho do que eu, o Fred quando estava no PhD, eu estava entrando no colegial, mas a gente se conheceu. Mas, queridão, a gente sabe que a gente tem uma história familiar que também tem semelhança. Eu vou falar por mim agora, meus pais no sonho da casa própria, no medo de não ter um teto, financiaram um imóvel, e eu pude perceber, na medida que eu amadurecia, que o sonho da casa própria virou o pesadelo do orçamento. E aquilo trouxe mais dor.
More from André

Lobotomia Financeira: O ciclo da lavagem cerebral em profissionais financeiros

Autoridade Vs. Influência, uma madura reflexão para planejadores financeiros pessoais.








