AAP | Ep.033: Crescimento patrimonial acelerado. O que é mais seguro: ter casa ou ter dinheiro? Cliente perde o emprego no 1º mês de contratação de um PFP.
5 Sept 2023 · 63 min
Transcrição do episódio 33 do podcast 'A Arte do Planejamento' com André Novaes, Frederico, Carlos Amadi e Rodrigo Guerreiro. O episódio discute três casos práticos de planejamento financeiro: (1) família com patrimônio financeiro ~R$8M e distribuições anuais (~R$4M) enfrentando excesso de oportunidades e necessidade de priorização; (2) casal perto dos 60 com patrimônio concentrado em terreno/casa e o dilema 'ter casa ou ter liquidez' para aposentadoria; (3) cliente que perde o emprego logo após contratar um planejador, exigindo reavaliação urgente do orçamento e das verbas rescisórias. O foco é metodológico: desacelerar decisões, simplificar processos, avaliar competência do cliente para novos projetos e usar exercícios de projeção de vida para orientar escolhas.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, seja muito bem-vindo ao 33º episódio aqui do nosso podcast, A Arte do Planejamento, que faz um sucesso absoluto intergaláctico. Hoje eu estou aqui na companhia do Frederico, como sempre. Fala, meu irmão, como é que você está?
Tudo bom, pessoal? Todos muito bem-vindos aqui, mais um episódio. Um grande prazer estar com todos vocês.
Muito bem, muito bom. Também aqui na companhia do Carlos Amadi, Rodrigo Guerreiro. Carlão, como é que você está?
Bom dia, tudo jóia, graças a Deus, André, e por aí?
Graças a Deus, tudo jóia também. Rodrigo, como é que estão as coisas por aí? Imagina, imagina, é um privilégio tê-lo mais uma vez aqui conosco. Olá, Rodrigão, tudo bem aí?
Tudo ótimo, tudo bem, André, Carlos, Fred, uma alegria estar aqui de novo.
Muito bom, muito bem. Vamos já mergulhar aqui nesse nosso conteúdo, só relembrando, reforçando a ideia que a gente tem uma conversa entre colegas, entre profissionais de casos reais, experiências que a gente teve na semana anterior. É uma grande troca aqui de experiências. A gente não tem um script pré-definido aqui. Então, a ideia é você poder ter um olhar de bastidor de como é que a gente aborda casos, como é que a gente, então, encara desafios e como que a gente busca, no exercício da arte do planejamento, servir, servir famílias. E também que isso sirva para você ter uma boa impressão do que é a atividade de um verdadeiro planejador, um planejador atuante no modelo direto, aquele que é remunerado única e exclusivamente pelos clientes e, principalmente, não dependente daqueles modelos de negócio que são restritos a cuidar de gente que tem grana. A gente cuida de gente que tem dinheiro, mas o modelo é completamente outro. Vamos ver se a gente aqui... Vê o Fred, Carlos e Rodrigo. Se a gente consegue mostrar para a turma que, mesmo lidando muitas vezes com uma boa quantia de dinheiro, a gente busca uma abordagem diferente, mais centrada no grande escopo do projeto de vida. Sem mais, deixa eu trazer aqui para a roda o Carlos. Carlão, conta para a gente, meu irmão, o que você tem aí de um caso interessante para compartilhar, para a gente poder dialogar. Legal.
Eu resolvi compartilhar um caso de uma família que eu comecei a atender recentemente, agora a gente está completando cerca de três meses juntos, e eu acho que é um caso que traz algumas particularidades interessantes, muito em linha com o que você acabou de observar a respeito de como ampliar a nossa abordagem junto a clientes ou famílias que já detêm um patrimônio financeiro mais robusto, até mesmo uma renda mais elevada. Em linhas gerais, esse é um casal, ambos em torno de 40 anos de idade. Eles são, respectivamente, uma médica e um representante comercial. Eles têm dois filhos, atualmente em idade escolar, ainda cursando o ensino fundamental. Pelas nossas primeiras estimativas orçamentárias, a renda familiar total oscila bastante, isso é fato, são dois profissionais autônomos, então a renda oscila da faixa de 20, podendo chegar até quase o dobro disso, chegando até quase 40 mil reais mensais. No entanto, eles têm um caso, uma situação bastante específica, que aumenta, pelo menos numa periodicidade anual, substancialmente a renda que essa família deriva a partir de distribuições via de regra que acontecem uma vez por ano, advindas de uma holding familiar da mulher que compõe esse casal. Ela é parte da família fundadora de uma holding do setor de insumos agrícolas, uma empresa já bastante consolidada no mercado, com alto faturamento, E essas distribuições podem chegar a pelo menos R$ 4 milhões por ano. Isso frente a uma estimativa inicial que a gente fez de orçamento que prevê gastos mensais familiares na casa de R$ 60 mil. Isso ainda a gente está em fase de teste. Ao que tudo indica, realmente, parece que tem uma aderência a essa base orçamentária. Agora, particularmente de maneira pontual, eles têm gasto um pouco mais do que isso porque eles estão fazendo uma reforma na casa deles, mas, ao que tudo indica, os gastos familiares ficam na casa de 60 mil reais mensais. Portanto, os gastos já são maiores do que a renda derivada a partir, então, somente do trabalho de ambos. E isso já acontece há algum tempo, desde que começaram essas distribuições vindas dessa holding familiar. Então, uma primeira preocupação que eles trouxeram para o início do trabalho foi justamente o ritmo de utilização desse estoque patrimonial, advindo dessas distribuições anuais, e também de um estoque já existente. Eles já detêm hoje um patrimônio puramente financeiro, próximo de R$ 8 milhões, Essa era, então, uma primeira pergunta. Será que a gente está usando para poder honrar a nossa estrutura de gastos mensais, manter o nosso padrão de vida? A gente está usando algo que seria adequado frente ao tamanho desse estoque que já existe? Porque, pelo que a gente tem observado, tudo nos leva a crer que eles devem ter um superávit anual, podendo chegar a cerca de 4 milhões de reais de superávit, se a gente considera a somatória dessas distribuições admindas da empresa. mais a renda que eles derivam do trabalho, algo em torno de 3,7 a 4 milhões de reais de superávit anual eles devem ter.
Perfeito.
Então, eu acho interessante esse estágio do trabalho, porque começa a surgir uma grande pergunta, que é o que a gente vai fazer com isso? É uma família que tem uma situação patrimonial muito favorável, um superávit potencialmente muito robusto, Mas, a partir disso, também começam a surgir algumas dúvidas. E o que eu percebo, muitas delas motivadas por convites que começam a ser feitos, por oportunidades que começam a ser contempladas, ideias de investimento que vão muito além daquilo que hoje eles têm capacidade de se dedicar e competência para avaliar, envolvendo, por exemplo, projetos, investimentos no setor imobiliário, estou com a ideia de comprar um terreno ali para depois pensar em uma parceria com algum empresário para que a gente possa, por exemplo, fazer um local comercial, um supermercado ou qualquer outra coisa desse tipo, sendo que a pessoa nunca teve nenhuma experiência com isso anteriormente. Eu acho que é uma tendência natural, à medida em que as pessoas começam a se ver numa situação como essa e criar conexões com outros grupos de pessoas, muitas delas também empresários, corretores de imóveis, etc. Via de regra, os convites começam a chegar. E isso acaba criando, muitas vezes, eu acho que um estado de beirando a ansiedade, uma ansiedade que eu acho que não é necessária. E só para concluir o contexto familiar, tem também uma questão relacionada a uma potencial revisão de uma carteira de investimento já existente. Hoje, como eu comentei, é uma carteira que tem ali algo próximo de 8 milhões de reais. literalmente com dezenas de ativos que não são necessariamente descorrelacionados entre si. Aquela coisa clássica que a gente conhece de carteiras com dezenas de fundos de investimento, a maioria fundos multimercado, Então é uma diversificação que me parece muito ilusória. É quantidade de ativos, mas não necessariamente diversificados adequadamente. Então, ao que tudo indica, o processo também deve passar por aí, rever o que já existe.
Muito interessante.
Esse é o grande cenário dessa família.
Eu acho que tem aqui alguns contornos para a gente explorar. De um lado.
Será que existe um desafio estritamente financeiro num superávit potencial de 3,7 milhões por ano? Vamos depois talvez abordar isso. Um outro também é, uau, agora o Carlos passa a ser quem recebe uma grande coleção de... Rei, tem uma oportunidade aqui. Rei, tem uma oportunidade ali. Rei, tem... Uau! Como ajudar o cliente a fazer o vetting disso tudo. E se não bastasse, um cuidado necessário na direção também de ter um relacionamento sadio com profissionais de mercado, mas na vertical de investimento, a partir do que o Carlos colocou. Mas eu quero começar trazendo o Rodrigo para essa conversa. Fred, vai preparando aí. Eu queria, um pouco depois, da sua perspectiva acerca de como a gente, enquanto planejador, se relaciona com... Quando a gente recebe uma carteira multifacetada, com dezenas de ativos, qual é o caminho que você tem sugerido? Mas, Rodrigo, para pegar aí o segundo gancho.
Eu vou assumir aqui o risco do primeiro deles. Bom, para mim, e eu coloco isso com muito cuidado, mas ao mesmo tempo com muita tranquilidade, o desafio não é financeiro. Se a gente fosse olhar realmente pela vertical, acho que assim, eu me lembro de certa vez eu ter ouvido, muita gente disse, ah, beleza não é tão importante, são as mulheres mais lindas do mundo que dizem que beleza não é importante. Não, olha, dinheiro não é tudo no mundo. O cara acabou de dizer isso, deixou o porte dele ali no restaurante onde a gente vai pagar 500 reais pelo menu gourmet. Não me parece que é um problema financeiro, mas existem outros desafios o Carlos bem colocou. Nessa parte de alguém que está dizendo, eu tenho diversas oportunidades aqui, eu quero entender melhor o que eu posso fazer, já com cerca de 8 milhões que eu tenho, mais com cerca de 3.7 a 4 milhões que eu terei de superávit de todos os anos, e parece que eu posso dizer que esse todos os anos vai acontecer de fato e por alguns anos também de fato. Como é que você lida, Rodrigo, numa situação onde tem um monte de coisa acontecendo e um monte de oportunidade pintando no radar do cliente? Como é que você aconselha? Qual é a tua estrutura de aconselhamento para clarear as coisas?
André, eu... Primeiro que eu concordo completamente com você. Eu acho que um primeiro aspecto aqui é a gente não precisa sofrer também com o que não existe. Então essas situações, por exemplo, que o Carlos comentou, eles têm atividade profissional deles e uma determinada renda. que hoje se mostra até bem menor do que essa renda que pode ser derivada de um patrimônio familiar, a gente não precisa também limitar, por exemplo, o padrão de vida dessa família, só a atividade profissional primária que eles têm. A gente não precisa também viver no mundo da lua. É uma realidade, é um fato, eles contam com esse patrimônio, conseguem derivar essa renda, Agora, de fato, existem cuidados a serem tomados nesse contexto. Eu acho que a gente é ótimo quando você se vê num contexto desse, de ter muito, digamos assim, mas é preciso se precaver porque quem tem muito pode errar grande. A gente, todo mundo aqui já soube de histórias, às vezes teve próximo ou já ouviu dizer, já ouviu falar de pessoas com patrimônios grandes e que conseguiram dilapidar ou se ver numa situação complicada mesmo partindo de um contexto muito bom. Eu acho que isso está muito relacionado a... segurar essa empolgação que essa liberdade traz. Quando você tem acesso a muito recurso, de fato, você tem uma capacidade de execução muito grande. Então, quando você não tem essa disposição e você quer montar uma padaria, você vai ter que dar passo a passo, vai ter que ser algo construído ao longo de um período em que você tem muita chance de revisitar Aquele negócio, por exemplo, aquele plano. Quando você tem muito recurso à disposição, você tem uma capacidade de execução muito grande, o que é ótimo, mas que também pode fazer com que as coisas sejam feitas rapidamente e você não tenha esse aprendizado a tempo e você acabe cometendo muitos erros. E essas propostas aparecem. Isso, para quem tem recurso, muitas ideias vão chegar. E são poucas as ideias que são, de fato, boas, viáveis, ou que estão no seu círculo de competência. Acho que o Carlos passou próximo disso, acho que esse é um aspecto importante. Não é porque a gente tem muitas possibilidades que a gente é capaz de fazer tudo mesmo. Então eu acho que aqui um grande desafio é não se deixar levar pela complexidade, muita coisa a se fazer, muita coisa distante do que é a sua área de atuação. Como a gente consegue manter isso simples e evitar os grandes equívocos.
Carlão, deixa eu voltar rapidamente para você. O Rodrigo colocou, poxa, talvez na direção de que o cliente, trazendo inúmeras oportunidades, uma atuação relevante de um planejador, seja a cautela, seja a ponderação, seja desacelerar um processo que aparentemente está acelerado, e como manifestação disso uma certa ansiedade na direção de, mas eu não posso não fazer nada. Eu não posso deixar de aproveitar algumas coisas. O Rodrigo apresenta para a gente um contexto de ponderação e de desaceleração. Agora, uma vez isso feito, Você tem aí algum conselho, alguma dica de como profissionais podem aconselhar clientes na avaliação do que é realmente uma oportunidade, o que realmente possa fazer sentido? Como é que você tem ajudado o cliente a filtrar tantas oportunidades que emergem, principalmente a partir de alguém que tem, de fato, condições de tatear algumas dessas oportunidades? Como é que você tem contribuído para o filtro, para que a decisão seja melhor tomada?
Bom, primeiro que é importante observar, particularmente nesse caso, eu me vejo hoje justamente nesse estágio de melhor compreensão, melhor entendimento, de melhor conhecimento de toda a estrutura almejada de um projeto de vida dessa família. A gente está no momento, até metodologicamente falando, que prevê na nossa metodologia Analyze que a gente comece a estabelecer algumas linhas de conversa e de avaliação mais relacionadas à priorização de objetivos e assim por diante. E a gente está falando de uma situação que não só já existe um estoque bastante relevante, mas uma perspectiva de crescimento extremamente acelerado desse estoque. Recentemente mesmo, eles me procuraram para dizer que haverá, a curto prazo, já uma outra distribuição ainda não prevista, conforme era a previsão original para esse ano. Então, o que tudo indica, o patrimônio financeiro deles vai dobrar de um ano para o outro. E depois disso, ele tende a continuar crescendo. Então, o que eu enxergo claramente, num contexto como esse, é que acho que é um caso muito emblemático, de que, primeiro, mais dinheiro não é necessariamente a solução e muitas vezes mais dinheiro traz mais ansiedade, traz mais dúvidas, traz mais anseios. Então o que eu tenho procurado começar a conversar com eles são conversas, são interações no sentido de criar uma distinção entre o que eu considero uma ambição que é positiva, ela é saudável, ela tem o seu valor, e o que eu acho que passa a ser uma certa ganância até. Muitas vezes é bem complexo você traçar essa linha que divide a ambição da ganância. Eu acho que necessariamente isso passa pela priorização. Respondendo mais diretamente a sua pergunta a respeito de como entender o que é ou não é uma oportunidade, o que me parece, no caso de uma família como essa, por se tratar de uma família que não tem um envolvimento direto nos negócios familiares que promovem essa distribuição anual. Esse não é o caso, eles não têm experiência prévia como investidores, nem tampouco como empresários, sempre foram autônomos. Então, eu acho que o ponto mais central de avaliação do que é ou não é adequado para eles a nível de oportunidades é, primeiro, obviamente, uma análise de risco, minimamente, uma análise de risco e retorno, mas, acima de tudo, uma ponderação a respeito de qual é a competência que eles têm para, de fato, viabilizar o que quer que seja esse projeto para o qual eles venham a ser convidados. Como você vai, de fato, poder se dedicar a isso sem que isso se torne desnecessariamente mais um vetor de ansiedade na sua vida? Eu acho que são conversas na direção de entender, será que não dá para a gente simplificar toda essa história? Será que uma estrutura decisória, muito mais simplificada do que essa que vocês estão imaginando hoje, não vai não só garantir, mas permitir que, no caminho até vocês alcançarem o que quer que seja que vocês queiram alcançar, vocês tenham bem mais tranquilidade, bem mais serenidade? É mais ou menos por aí que eu tenho tentado ir, sabe, André?
Interessante. Muito interessante. Olha só, Fredão, quero que você participe dessa conversa também. Talvez, de um lado, Rodrigo tenha proposto uma atitude sadia de desacelerar. O Carlos adicionou a isso o simplificar. E eu sei que você também lida com clientes que têm uma situação patrimonial robusta e que também são alvos de propostas. Propostas que muitas vezes realmente fica uma linha turva entre aproveito ou não, é realmente uma sadia ambição ou é uma prejudicial ganância. O que você tem aconselhado os clientes na direção de ponderarem, de realmente pensarem? acerca do que devem fazer com os recursos que têm.
André, primeiro ponto é que eu incentivo os clientes a compartilharem comigo as oportunidades, entre aspas, aqui que eu estou colocando, apresentadas a eles, para que, na análise minha junto a eles, eu possa mostrá-los como interpretar aquilo que tem vindo e começar a um processo decisório de entender aquilo que faz sentido. Então, é aquela ponta da formação que nós damos ao nosso cliente para que ele entenda aquilo que ele tem. E, em entendendo aquilo que ele tem, ele sabe o porquê que ele tem E ele entende que oportunidades milagrosas não existem e que tudo precisa ser estudado e trazido ao ponto do plano e projeto de vida dele que faz sentido ou não. Então o meu incentivo é sempre esse. não deixo de atender nenhuma demanda que o cliente fala assim, Fred, gerente de tal me mandou isso, o que você acha? Assim, assim, assado, desse, desse jeito, vamos bater um papo, ou lembra daquilo que eu falei em tal ponto, isso, isso, isso, por isso não, tá? Mas o cliente entende aquilo que está acontecendo, eu deixo muito claro, por mais tecnicidade que possa aparecer em alguns momentos, a gente precisa conversar com o cliente alinhando alguns pontos sobre risco, retorno, muita bagunça, o que eu costumo brincar, Carlão, acho que o Rodrigo e o André já me ouviram falar, que eu falo que os caras das corretoras dos bancos chegam, espalham a farofa, jogam para tudo quanto é lado, alguma coisa vai dar certo. E aí, naquele que dá certo, ele fala, está vendo? Aqui deu certo, então vamos seguir para tal ponta. E como esse deu certo, agora resgate para fazer outro, porque... Valela. Valela, falácia, equívocos e etc., porque não está contextualizado para aquilo que o cliente tem. Então, o meu conselho sempre vai, junto ao cliente, no ensinamento daquilo que ele precisa entender para que a decisão seja tomada. as reflexões que ele precisa fazer de para onde ele quer que a vida dele vá para entender para onde que o dinheiro dele tem que ser alocado.
Basicamente isso.
Olha só, bons elementos. Primeiro, uma desaceleração, que eu creio que seja realmente talvez aqui o primeiro passo, até como um contraste radical frente a tudo que chega rápido demais. Depois, uma simplificação para o processo e talvez o Fred apontando aqui, assim como o Carlos também colocou. você avaliar as competências que você tem, as habilidades que você tem, pra você poder também fazer uma boa gestão de oportunidades. Eu quero fazer um closing aqui desse caso, pra mim, O que define uma oportunidade? É o que eu sempre comento com clientes que também têm... Primeiro.
Eu parto do pressuposto com o cliente ideal. Eu gosto de setar uma expectativa com o meu cliente acerca de como a gente vai conversar sobre oportunidades. E o primeiro set que eu faço é o seguinte. Olha, a bênção geralmente é individual. A responsabilidade é coletiva. O que eu quero dizer? São herdeiros. A bênção é pessoal. A responsabilidade tem que ser coletiva. Ou seja, para eu poder te aconselhar, não é mais acerca do que esse dinheiro pode fazer para você. É o que esse dinheiro pode fazer além do que ele pode fazer para você. Eu começo setando essa expectativa. A bênção, a dádiva, a herança, o recurso, ele é pessoal. A responsabilidade deveria ser enxergada e percebida de maneira mais coletiva. Depois, eu digo, o que é uma oportunidade? Para mim, oportunidade não é um evento, não é uma coisa. Eu digo que oportunidade é um conjunto de circunstâncias que torna possível a realização de algo. E eu repito isso com o cliente, a oportunidade é um conjunto de circunstâncias que torna possível a realização de algo. E aqui a palavra conjunto é a chave dessa definição. Ou seja, oportunidade não é algo isolado, algo que deva ser aproveitado a qualquer custo, mas sim uma série de eventos que devem estar perfeitamente alinhados. E aí eu me recordo também, e quem me conhece de alguns carnavais sabe que eu...
Há algum tempo já não me privo mais, por exemplo, de trazer uma sabedoria bíblica para casos contemporâneos, e eu me lembro da história de José no Egito. Entre os 17 anos de José, quando ele foi então vendido, cativo, escravo pelos seus irmãos, e os 30 anos de José, quando ele assume como governador, É um intervalo de 13 anos. E, nesses 13 anos, o que Deus deu para José foi a oportunidade de fazer boa gestão de oportunidades.
Ou seja, a gente tem que passar, muitas vezes, por esse processo. Eu digo isso apenas para reiterar o que acabei de aprender com vocês. É sobre desacelerar. é sobre simplificar e é sobre se capacitar. Talvez, em algum momento, valha a pena dizer... Que tipo de conhecimento, de know-how, o mundo hoje em dia está oferecendo para você poder avaliar oportunidades de negócio, oportunidades imobiliárias que te apresentam? Lógico que o Fred tem total razão, em combinação com o projeto de vida, mas justamente para que essa combinação seja robusta, que tipo de curso essas pessoas podem fazer? Muito provavelmente, e claro, o Carlos trouxe todo o cuidado, ainda estou tateando o caso, ainda estou conhecendo a história deles, mas pode ser que esse representante comercial não perceba mais no exercício da representação comercial a maior expressão de uma vocação. Talvez ele agora reposicione isso na direção de, eu preciso aprender a cuidar mais desse patrimônio. E aí eu creio que ao fazer isso, ao trazer algo racional, você neutraliza algo emocional, que é ter uma oportunidade. Preciso aproveitar. Me trouxeram algo que eu preciso reagir àquilo. Ao desacelerar, ao simplificar e ao aprender, você não reage mais a uma oportunidade, você age na direção de um projeto de vida. E eu creio que a gente tenha que contemplar Esse é o debate. Debate, não. Essa é a boa conversa que eu sempre tenho com os meus clientes, que trazem muitas coisas para a mesa. Só é uma oportunidade. Só é uma oportunidade. Quando for um conjunto de situações, de circunstâncias, de características que torna possível. Um conjunto. Se for só algo isolado, é uma vontade. É um desejo. É um devaneio. Não é uma oportunidade. É mais o oportunismo de alguém e não uma oportunidade para você. e isso cria uma boa conversa, né? Muito bom, Fredão, vamos deixar para um outro capítulo, como é que você faria, tá bom, para uma carteira de 117 ativos, eu sei que você quer falar sobre isso, sei que teu coração, ele pulsa mais forte assim para falar sobre esse assunto, mas segura aí, vamos deixar isso por um outro momento, porque o relógio corre, Carolão, obrigado pelo caso, que Deus abençoe.
Obrigado a vocês.
Se eu falar, vai ser um episódio no mínimo polêmico, mas tudo bem.
Acho que você tem aí uma função junto a esse casal na direção de amadurecimento dos processos de decisão. E eu volto então para o começo do meu aprendizado. A bênção é individual. A responsabilidade, quando coletiva, quando coletiva inaltece a bênção individual.
O meu caso é bem interessante, é um casal já no estágio maduro, estão se aproximando ali dos 60 anos e vislumbrando a proximidade da aposentadoria. Então, o grande objetivo deles com o começo do nosso trabalho é justamente planejar esses passos. Eles vêm ainda aproximadamente mais 10 anos de atividade, hoje a renda da família vem da atuação dele como um executivo numa empresa. Os filhos estão naquela fase parcialmente dependentes, então já trabalham, estão formados, mas tem uma ou outra continha pendurada ali no pai ainda, mas nada muito relevante. Eles têm a mãe deles como dependente, né? Então, uma idosa que precisa ali dos cuidados deles. E atualmente, eles têm ali as despesas praticamente tão altas quanto a renda. Tem alguma capacidade de poupança, mas bem próxima ali às despesas no todo. do que eles ganham mensalmente. E parte relevante dessa despesa está na aquisição de um terreno. Eles estão concluindo a aquisição de um terreno grande que vai representar mais de 90% do patrimônio deles. Então o patrimônio deles é bem concentrado nesse terreno que eles devem concluir de aquitação desse terreno daqui um ano mais ou menos. Hoje tem um... um tema específico entre o casal, que eles conversam bastante, que é o que representaria segurança para eles nesse aproximar da aposentadoria e quando tiverem aposentados. Ter esse terreno com uma casa, construir uma casa própria para eles morarem e não terem mais a questão do aluguel ali nas despesas deles, mas isso de certa forma conflita com você constituir um patrimônio com uma liquidez maior, um patrimônio financeiro, por exemplo, do qual eles poderiam... derivar renda nessa nova fase da vida deles. Então esse é um tema que eu tenho começado a tratar com eles, tentado entender a perspectiva de cada um e como conciliar, se é que é possível conciliar esses dois aspectos, imobilizar o patrimônio, uma casa para moradia, ou abrir mão disso para ter um patrimônio que gere renda de forma mais fácil nessa futura fase da vida que eles estão querendo planejar.
Fred, deixa eu começar com você. O grande dilema, a capa para um livro. Ter casa ou ter grana? O que é mais seguro? Contexto. Um casal com 60 anos. com uma boa renda, os filhos, eu gostei da delicadeza do Rodrigo, parcialmente independentes. E aí, Fred, o que é mais seguro? Ter casa ou ter dinheiro?
Veja bem, André, eu estou rindo antes da sua pergunta, porque não é uma resposta fácil do ponto de vista interpretativo das pessoas, mas é muito fácil do ponto de vista financeiro. Do ponto de vista financeiro, obviamente, você não tem ponto.
A não ser que os clientes do Rodrigo queiram.
Filhos parcialmente independentes, no momento que o filho pedir algo para eles, eles vendem um banheiro da casa e pagam a conta dos filhos. Ou, se o filho precisar de algo a mais, ele vende o quarto do casal para isso. Eu acredito que não seja possível você...
Deixa eu pegar um último. Mas será que não é melhor, então, ter o imóvel para que o filho não possa dizer, papai e mamãe estão com dinheiro, então deixa eu... Será que não é estratégia, então, não poder vender o banheiro? O que você me diz?
Pode ser, eles que sabem a conta dos filhos, pode ser. Mas efetivamente, André, o que a gente tem que entender é que pessoas na casa dos 60 anos passaram mais da metade da vida deles sem saber da existência, porque não existia, uma estruturação financeira de aplicações com segurança do Tesouro Direto, por exemplo, que é um jovem que tem 20 e poucos anos. O Tesouro Direto foi criado há 21 anos, exatamente 21 anos, ou seja, a maioridade inclusive jurídica O Tesouro conquistou esse ano. Imagina só, essa família passou 40 anos da vida deles sem existir isso, ou como meu pai diria, existindo só as apostas em bolsa, como ele falava. Só tinha isso ou comprar a casa. Então, para eles, a efetivação do sonho, a segurança está no imóvel. Quando, na verdade, você tem uma nova estruturação hoje, possível de dar segurança maior até e liquidez maior no investimento. Agora, se a conta for une exclusivamente financeira, é muito fácil de a gente mostrar para o cliente que não, não faça. Agora, precisa de toda uma contextualização de tudo isso para ajustar. Então, eu sempre trabalho com os clientes nessa ponta. Se vocês deixarem o financeiro comandar, Vocês nunca vão fazer, porque a matemática é simples, nesse caso, clara e direta. Ela não vai valer a pena. Agora, não é só a matemática que tem como andar isso.
Até mesmo porque é o seguinte, uma concentração imobiliária dessa, deu uma dor de barriga neles com 70 e poucos anos, vende a casa. No desespero, perde dinheiro.
Eu senti que a resposta do Fred foi positivamente diplomática, viu, Carlão?
Eu não quis ensabuar, só estou dando...
Não, de forma alguma. Acho que ela foi diplomática e, no final do dia, o contexto impera. Mas, Carlão, você tem alguma outra perspectiva? Você tem abordado esse grande dilema do que é mais seguro ter uma casa ou ter liquidez que vem a partir de investimentos financeiros para um casal de cerca de 60 anos? Como é que você tem construído o teu cuidar, o teu aconselhamento em contextos como esse?
Eu não me lembro agora de cabeça de casos tão análogos quanto esse do Rodrigo, do ponto de vista da configuração patrimonial. Pelo que eu entendi, o Rodrigo está falando, então, de uma situação de um casal, uma casa dos 60 anos, cujo patrimônio se concentra quase que exclusivamente no imóvel.
Eu acho que não é um imóvel, né, Rodrigo, se não me engano.
É um terreno.
E terreno não gera renda. Para gerar renda, talvez ele vai ter que ter alguma edificação ali. Mas, enfim, desculpa, Carlos.
Ou seja, uma ultraconcentração ali. E é interessante observar a estrutura de aconselhamento à medida em que a gente vai evoluindo na linha do tempo da história de vida de um cliente ou de uma família. Esse é um tipo de caso que eu acho que traz algumas ponderações a respeito da visão que eles têm para a própria aposentadoria. Se eu não estiver enganado, o próprio contexto, o próprio termo de aposentadoria, ele remete a uma coisa como vou me retirar aos aposentos. E eu acho que o conceito Evoluiu, tem evoluído, ainda bem que tem evoluído ao longo do tempo. E eu me lembro até de um termo que, salvo engano, é usado pelo Mitch Anthony. Ele tem livros muito bons a respeito disso também. E ele usa um jogo de palavras no inglês. Ele diz, from retire to refire, alguma coisa assim. Então, a ideia é você entender. Você está se aposentando de alguma coisa ou você pretende se aposentar para alguma coisa? Acho que isso muda toda a estrutura decisória a respeito dessa fase da vida. chamada aposentadoria. E as decisões imobiliárias, particularmente, via de regra no Brasil, eu percebo que elas têm sempre um viés meio cultural também. ainda mais para um casal de uma geração anterior à nossa, que já está com 60 anos, certamente deve haver, sim, talvez uma predisposição a encarar uma concentração num patrimônio mais imobilizado como sinônimo também de mais segurança, de mais estabilidade, o que não necessariamente é o caso hoje em dia. Acho que a gente não precisa ir muito além do que o Fred já expôs para chegar à conclusão de que Se a gente fosse submeter essa decisão a uma avaliação daquilo que de fato esse casal precisa na aposentadoria, talvez a gente chegasse muito rapidamente à conclusão de que garantir uma a locação muito diferente do que essa que eles têm ou que eles pretendem ter, seria muito mais adequado, inclusive do ponto de vista da gestão de liquidez que eles devem precisar e tudo mais, ainda mais considerando que também há uma situação familiar envolvendo filhos que ainda têm alguma dependência, né, Rodrigo? Então, em resumo, Eu acho que o conceito de aposentadoria nos moldes como a gente a aborda, primeiro que é muito recente, eu acho sempre interessante, eu particularmente na minha carteira de clientes hoje, clientes com esse perfil de já se aproximando da aposentadoria, se aproximando dos 60, 60 e poucos anos, representam hoje uma minoria. no universo da minha carteira de clientes, mas eu sempre... Por um lado, acho que é um desafio, que traz também um desafio meio geracional, talvez cultural, para esse tipo de conversa, porque eu percebo que eles compreendem a aposentadoria de uma forma diferente daquela que hoje eu compreendo, mas também é uma oportunidade para algumas conversas interessantes nessa direção, no sentido de ampliar um pouco a visão que eles têm a respeito do que é uma alocação mais adequada. Se faz sentido ter esse tamanho e concentração num único terreno, ou a gente pode eventualmente pensar em converter esse estoque patrimonial para alguma alocação com maior liquidez, que garanta mais disponibilidade, que garanta perenidade, e acho que esse é o grande risco que eles precisam avaliar, que é o risco de longevidade, acima de tudo. O que vai garantir, de fato, uma boa perenidade desse estoque patrimonial? Então, eu não sei se eu forneço aqui alguma resposta, mas são mais experiências na tentativa de ampliar um pouco a discussão em torno do que significa se aposentar. E para pessoas com essa faixa etária, eu acho que essa tende a ser uma conversa interessante, a partir inclusive da interação, como também é o caso do Rodrigo, com uma pessoa mais jovem, que já tem uma visão um pouco distinta, talvez até renovada em algum sentido, a respeito do que é essa fase de aposentadoria, inclusive no que diz respeito às decisões financeiras que a envolvem.
Acho que houve uma contribuição muito sadia, Carlos, até no que tange à estrutura da linguagem, quando você propõe o desafio de não apenas pensar na aposentadoria como me aposentando de, mas principalmente como me aposentando para. Rodrigo, e aí? O que você pensa?
Só uma parte de conteúdo que eu até anotei, Carlão. Gostei da colocação.
Boa, boa.
Ela não é minha, viu? Preciso deixar muito claro. Eu aprendi isso com o Mitch Anthony, cara.
Não, não. E as nossas leituras, às vezes, você lembra de alguma coisa, eu lembro de outra, o André de outra, o Rodrigo de outra. A gente tem que contribuir para lembrar. Cara, você falou e eu escrevi aqui já para ficar. É legal.
Rodrigão, próximos capítulos com esse casal, cara. O que você tem? O que você está pensando em fazer?
Bom, André, primeiro, é ótimo ouvir todo mundo realmente, porque a gente acaba passando por vários aspectos que realmente traduzem o que eu tenho vivenciado com eles. Os próximos passos, primeiro a gente já começou ótimas conversas para trazer um pouco uma distinção mais clara entre o que é você ter fluxo e o que é você ter estoque. A gente trata normalmente isso com os nossos clientes, às vezes são conceitos um pouco nebulosos na visão das pessoas, e aqui a distinção é, bom, o que é aquilo que entra e sai todo mês, que eu uso para pagar minhas contas, meu salário, minhas despesas, e o que é um patrimônio que eu tenho? E nem sempre é tão fácil desse patrimônio derivar renda. A brincadeira do Fred é perfeita. É bom, eu tenho uma casa ali, eu não consigo vender um banheiro para pagar o supermercado desse mês. Então existe uma dificuldade ali naquele contexto de gerar fluxo daquele estoque. Então a gente já teve umas conversas importantes sobre isso, que foram ótimas. E eu acho que trouxeram uma clareza maior para eles da existência desse dilema, digamos assim. Existem aqui caminhos que podem resultar em... em fins bem diferentes. E aí, os próximos passos têm sido trazer alguns números e alguns cenários para mostrar o que pode ser essa construção de 10 anos, o que eles podem esperar, o que é suficiente. Não só trazer esses números e cenários, não para provar pontos, Mas eu acho que para trazer clarezas, para que seja possível conduzi-los a ter uma visão clara do que são esses cenários futuros possíveis. Uma imobilização maior que resulta numa disponibilidade de renda menor, Ou não, ou eu repenso essa casa, o tamanho dessa casa, o terreno e talvez eu conte com uma renda maior. Então é nisso que a gente vai trabalhar os próximos passos e também ter um pouco De calma, esses 10 anos que eles têm, eles vão ter uma capacidade de poupança considerável a partir de um curto prazo e a gente ter calma em quais decisões precisam ser tomadas hoje E quais vão poder se beneficiar, digamos assim, de uma clareza maior sobre o que o futuro reserva. Eu vou querer morar lá mesmo, desse terreno, nessa casa, com essa metragem. Será que é isso que eu vou querer da minha aposentadoria? Vai ter que ser essa casa, nessa localidade? Talvez tenha netos nesse momento? Será que eu não vou querer estar mais próximo? Então são tantas questões que vão acontecer ao longo desse período e que podem reformar o que eles pensam hoje, que também acho que é relacionado ao nosso primeiro ponto, é segurar um pouco a ansiedade. Às vezes a gente está... muito preocupado com alguns pontos que a gente pode deixar a vida dar mais informação para a gente. Mas, lógico, sem deixar de lado as coisas que a gente precisa começar a fazer agora, por exemplo, botar em prática essa capacidade de poupança.
Palavras têm poder.
E o download de ideias tem poder. Em situações assim, um exercício que eu sempre proponho para os meus clientes, justamente nesse dilema mesmo, é vamos projetar a vida para daqui a dez anos. Dez anos. E eu quero que você escreva como que vai ser o seu dia a dia, ou seja, que horas você acorda, o que você vai fazer depois. E cenário número um, você tem um imóvel E você tá com pouco recurso financeiro. Como é que vai ser o teu dia a dia? Você escreve direito, onde é que você vai acordar? O que você vai fazer? O que você vai fazer na manhã? O que você vai fazer na hora do almoço? Escreva o teu dia a dia, que é onde você vai viver, lembra? As pessoas não vão viver no futuro, elas vão viver no dia a dia. Elas não vão viver numa aposentadoria abstrata, elas vão viver no dia a dia.
E numa outra folha de papel, a gente vai fazer o mesmo exercício, porém agora você tem dinheiro. Você tem dinheiro. Você mora num lugar menor, mas você tem dinheiro.
Como é que vai ser o teu dia a dia?
E vamos fazer isso com honestidade, muitas vezes até com uma bruta honestidade. E depois a gente vai ler acerca disso. E a gente vai começar a refletir. que dia a dia eu prefiro poder viver.
E isso tem ajudado muita gente a perceber, opa, eu acho que eu começo a entender qual é a resposta. Mesmo sem a gente ter que ter dado resposta qualquer. Convidar as pessoas a planejarem e se projetarem no dia a dia. tem sido um exercício poderoso para dilemas como esse.
Muito legal. Espero, assim como disse para o Carlos, que Deus te faça de bênção na vida desse experiente casal e para que a decisão seja muito bem tomada, muito bem conduzida. Fredão, de um lado, Gente que tem muita grana, está tudo tranquilo, mas um monte de desafio emerge na direção de oportunidade e oportunismo. Aí o Rodrigo trouxe um casal que, poxa, ou vou construir uma casa bacana e vai me dar segurança, ou talvez eu vá tentar uma liquidez maior.
E o teu cliente, ele trouxe, está tudo bem, está tudo legal com o que você vai trazer aí da semana passada. Conta para a gente um pouquinho aí do teu caos.
Bom, graças a Deus está tudo ótimo com eles, né? Ela está super bem, o filhinho deles lindo, fantástico ali, nascido há pouco tempo, menos de um ano. Ele está saudável também. Então, na parte de saúde, tudo tranquilo. Mas na semana que eles me contrataram, ela recebeu a notícia recém-retornada de licença maternidade, que havia sido desligada da empresa. uma demissão ali em cerca de três minutos, onde tudo foi bloqueado, nenhuma despedida foi permitida e etc. Uma pessoa que tinha um cargo relativamente alto dentro da empresa.
Nada no C-level, mas ali parte de gestão mais operacional e estratégica. uma pessoa que tinha previdência corporativa diferenciada, carro da empresa, enfim, uma pessoa que estava fazendo cursos para evolução na carreira dentro da empresa. Na semana da decisão da contratação do planejador para ajudá-los a programar melhor essas questões, olhar para bônus, etc. Fred, fui desligado. E aí?
Vamos seguir com você e entendemos que é o melhor momento para estarmos juntos. Já era e agora mais ainda. Mas e aí? Não está mais tudo 100%. Saúde, graças a Deus, tudo bem, mas... não está mais 100%. Então, e aí? Como é que fica o escopo do planejador? Como é que fica o trabalho do planejador? Como é que fica tudo? Porque não tem mais aquele fluxo previsto. Discussões diferentes a partir de agora. Então, esse é o caso.
Interessante. Sempre quando há algo súbito, eu me lembro de uma... Planejadora americana, autora, pesquisadora, pensadora, chamada Susan Bradley. Ela fundou, nos Estados Unidos, o Sudden Money Institute. Ela diz que a vida não traz mudanças, a vida é mudanças. Portanto, temos que saber transitar sobre elas, precisamos saber navegar. Ela desenvolve toda uma carreira na direção de apoiar planejadores a lidarem com mudanças súbitas. Lógico, esse é o texto dentro do contexto americano. Muita gente tem herdado um bom dinheiro nos Estados Unidos. e, de repente, você tem um sudden money, mas você também pode ter outras coisas sudden, outras coisas súbitas. Mas, Fred, dá mais um tempero para a gente, então. Você disse, você já contou o fim do filme, mas está tudo bem, ela mesmo assim quer me contratar e está tudo beleza, vamos continuar, mas convenhamos. Não foi o que eu fiz. Uma conversa de pré-contratação, para entender o escopo, e ela fala assim, pré-adquirido, aquilo tudo já não é mais bem assim. E aí, como é que você contorna uma situação como essa? Você mudou alguma coisa na direção de, bom, então agora vamos ganhar mais dinheiro, vamos falar sobre carreira, vamos falar sobre como cuidar da recisão? ou ainda, by the book, segue ali olhando o orçamento, o que você teve que fazer de diferente?
Entendo. Por que eu quis trazer esse caso? Porque é um caso onde você está ali fechando a contratação com o cliente, você, como eu sempre falo para todo mundo, a gente tem que começar com o fim em mente, então a gente vai entendendo o que precisa ser feito, lapidando as coisas e começando a organizar o início de todo o trabalho, aí você tem uma... Uma notícia dessa que é o seguinte, quem efetivamente tinha receita na família era ela. Então está sem. Ele com receitas muito esporádicas, etc. Tanto é que o trabalho seria focado também nessa questão de alguns negócios que ele resolveu montar e que não estão dando certo. Não a consultoria para o negócio, mas decisões de vida. E ela falando assim, Fred, fica tranquilo que a gente vai sustentar isso tudo com as minhas entradas, algumas coisas aqui, e aí de repente falou assim, essa entrada não tem mais. Acho que o papel correto do planejador e o desafio maior foi o seguinte, precisamos então marcar uma reunião posterior à primeira, onde a gente montou o orçamento todo e começou a conversar sobre as questões. Vamos entender essa rescisão, o que é feito com ela, existe uma dívida imobiliária, não precisa ser vendido, existe um carro que é corporativo e não vai ter mais, então vocês não têm locomoção em São Paulo. distante do centro, porque eles estão em Alphaville, uma localização que demanda carro só o tempo inteiro. Tem que decidir isso, tem que entender o que vai ser feito com o FGTS liberado, com verbas recisórias, o que você quer fazer daqui para frente, quais são as suas perspectivas até de cursos que você quer fazer para se reestruturar, se realocar e etc.
Então é um desafio bastante saudável. Eu falo para você que muitas vezes é muito mais prazeroso do que falar sobre qualquer carteira com a farofa espalhada.
Sem dúvida. Sem dúvida. Interessante. Carlão, já que o Fredão citou Já teve alguma situação como essa, cara, onde até ontem, tudo aquilo que tivesse sido combinado, convenhamos. A gente está aqui falando com planejadores, a gente faz algumas reuniões com uma família, com um cliente, para apresentar o trabalho, mas também para conhecer um pouco do contexto, e a gente já parte de algumas direções, de um caminho inicial com aquele cliente. De repente, uma mudança repentina. Já passou por isso? Ainda não? O que você tem para testemunhar, compartilhar aqui com a gente?
Já, já passei, assim, em maior ou menor medida, alguma mudança mais estrutural do ponto de vista orçamentário, sim, já acompanhei, por exemplo, um cliente médico que vinha construindo basicamente uma carreira quase que exclusivamente concentrada em uma rotina de plantões, e aí decide começar a se dedicar a uma área até distinta daquela área na qual ele era especialista, ele é um cardiologista, Então, assim, isso com uma série de implicações orçamentárias para a família, né? Teve outra situação também de um outro médico cardiologista que até então atuava junto a uma equipe especializada aqui na região de Campinas, resolveu sair dessa equipe. E aí, nesse caso, ele fez durante algum período, durante algum tempo, um caminho inverso. Ele passou então a cobrir o rombo orçamentário com uma dinâmica de plantões, né? até que ele pudesse se reposicionar junto a uma outra equipe, um outro grupo de sócios médicos dentro de uma clínica. Então, em algumas ocasiões, sim, já participei de algumas mudanças mais estruturais, até também de... de decisões de carreira até num estágio mais avançado. Eu tenho um cliente que eu acho que até comentei sobre ele na minha outra participação, é um engenheiro químico de formação, funcionário público, uma carreira super estável, que resolveu se dedicar a duas outras frentes, uma delas um hobby pessoal dele, que é a produção de cervejas artesanais, e um outro projeto envolvendo um convite que ele recebeu de um familiar para se dedicar a uma um projeto no setor imobiliário, na Bahia, na construção civil, basicamente construindo casas no segmento Minha Casa Minha Vida. Então, algumas experiências nessa direção, sim, eu já vivenciei, é sempre interessante.
Interessante, legal. Rodrigão, e você, cara?
Existe ali uma linha a ser seguida, já minimamente traçada, e pessoal, não entendam, acho que todo mundo aqui contempla de maneira muito madura o fato de que antes de começar um trabalho, a gente ainda não sabe quase nada do cliente, mas a gente sabe alguma coisa sobre o cliente. E aí essa alguma coisa que não é a foto completa, ela desmorona. Já teve algum caso assim, Rodrigo, na sua caminhada, se acontecer, como é que você imagina que você vai estar lidando aí? Estou te colocando aqui numa fogueirinha aí, Rodrigão, mas o que você diz aí? Já teve um caso assim? Nunca tive e vou saber o que fazer quando aparecer. É uma resposta legítima, viu, Rodrigo?
Eu tive, eu já tive um caso de pele de prêmio, né? E um casal numa situação difícil mesmo, porque era um caso de endividamento que a gente vinha trabalhando e um deles teve essa... infeliz surpresa de se ver ali sem um emprego ainda. Então, claro que isso complica ainda mais o trabalho, sem dúvida. Deixa tudo mais delicado. Mas eu acho que são nessas horas até, André, que fica mais evidente e deixa mais relevante o trabalho feito, por exemplo, que eu tinha feito com esse casal, ou que o Fred está no início, ou o que o Fred vai fazer com eles. Talvez tendo que dar um senso de urgência ainda maior para algumas atividades, mas eu acho que esses contextos mostram como é relevante a gente ter essa base que a gente constrói com os nossos clientes, bem feita de... clareza do que é sua vida financeira, o que é seu orçamento, para onde está indo esse dinheiro, porque tudo isso traz capacidade de escolha, capacidade de análise crítica, dimensionamento de reserva, o que é possível derivar dessa reserva. Tudo isso que a gente constrói num contexto desse em que escolhas vão precisar. Você precisa fazer num período que pode ser temporário, vai passar, a gente sabe que ela vai superar isso, mas é um momento que você precisa ter alguma agilidade para ajustar o possível, para manter o que é mais relevante. E agora, claro, acho que no contexto dela, Uma delicadeza particular, né, André? Acho que vocês três aqui sabem isso melhor do que eu. Eu não tive essa experiência ainda, né? Mas passar por isso com um filho de seis, sete meses, né? É um filho pequeno, ela acabou de voltar de licença, né? Essa já é uma fase da vida super delicada, né? A vida já mudaria. Agora, isso fica mais desafiador ainda. Então, eu acho que só reforça, realmente, a relevância do trabalho que o Fred vai conduzir com eles. E, sem dúvida, quando isso passar, elas se recolocando, eles vão se beneficiar ainda mais desse trabalho que, lógico, não vai ser fácil construir agora, mas vai ser determinante para décadas que vão vir pela frente.
Bem colocado, bem colocado. Eu sinto que em situações assim, a grande contribuição que a gente tem é justamente na direção de clarear todo o ambiente, porque quando a gente está cometido com uma notícia de uma mudança, a gente tem um pouco a reação de lutar ou fugir, que basicamente são reações que a gente tem ao invés de ações que a gente toma.
Talvez já aconteceu comigo, por exemplo, André, estava tudo certo para começar, mas, cara, perdi um contrato, perdi um negócio, vou ter que adiar o começo de um trabalho. Não, não, calma. Agora não é hora de você resolver o teu problema sozinho. Agora é hora da gente encontrar uma solução juntos. E a gente é treinado, desde a escola, a resolver problemas. A gente não é treinado a encontrar soluções. A gente é ensinado a reagir o que nos pedem e não em agir na direção do que realmente deveria ser. E quando eu coloco esses contrastes para os clientes, parece que faz sentido o que você está dizendo. Eu deveria agora aproveitar isso como um tempo de inventário pessoal para realmente refletir qual é a próxima estação na minha vida, qual é o próximo capítulo, e agir como co-autor desse próximo capítulo e não apenas... Bom, deixo agora voltar para o meu casulo e eu resolvo sozinho a minha situação e depois eu me aconselho, depois eu me apoio. junto com alguém. Então, para quem estiver ouvindo a gente, eventualmente você já passou por uma situação onde estava tudo ok e o cliente diz, algo mudou, vou ter que repensar. Diga, ok, algo mudou e é porque algo mudou que a gente precisa começar. Para que então você não reaja na direção de resolver um problema, mas para que você aja na direção de encontrar uma solução. Tudo bom, Fredão? Que Deus também te abençoe aí nesse caso. Tá tudo em ordem? Já sabe exatamente o que fazer?
Sim, a conversa foi super bacana, porque ela ficou muito divertida.
É lógico que você sabe o que fazer.
Não sei, mas eu fiquei super feliz, porque... Ela entrou na reunião com uma cara muito tensa e saiu sorrindo. E o marido dela depois me ligou e falou, Fred, obrigado, porque ela estava precisando dessa conversa. Ele me ligou. Superlegal. E, cara, foram decisões pautadas nas conversas. Sabe o que eu enxergo com isso, pessoal? É um desafio para o planejador, é um desafio para a cliente, mas é uma baita de uma oportunidade de ampliar o relacionamento com esse casal muito antes do que qualquer tempo poderia. Você acelera um pouco a entrada em alguns assuntos que talvez não teriam tanta aceleração, porque você dosaria de outra forma. Mas é super legal porque você se aproxima mais ainda deles.
Interessante, interessante. Muito legal, muito legal. Muito bom, agradeço mais uma vez. Chegamos ao final aqui da nossa conversa. A gente sempre, quando flerta com a uma hora aqui, a gente começa a fechar a quitanda por aqui. Então eu agradeço, Rodrigo, pela participação, Carlos, pela participação, Fred, pela co... Como é que fala? Co-host? Co-anfi...
Não vai ficar legal. Não vai ficar legal.
É produção, né?
Produção, produção.
Produção é melhor, né, Carlos?
O Fred é o bolinho do nosso podcast aqui. É assim que ele é. Tá feito. Turma, obrigado. Grande beijo. Espero que tenha sido bacana para quem escutou a gente, que a gente possa ter contribuído. Até o próximo. Beijão. Tchau, tchau.
Valeu, gente. Um abraço. Tchau, tchau.
E aí.
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