AAP Ep.034 | O que fazer quando não há recursos suficientes? | Projeto NexGen | Como aconselhar quando o cliente tem uma grande dúvida sobre tudo?
19 Sept 2023 · 64 min
Portuguese-language podcast episode (AAP Ep.034) hosted by André Novaes with guests Frederico Gonçalves, Ana Nilsson and Gabriel Faria. The episode centers on a difficult client case: a second-generation family business with operational and fiscal troubles, a reported ~3 million BRL tax liability, no social protections, and a terminally ill founder — prompting discussion on how planners should act when resources appear insufficient (clarify budgets, negotiate debts, involve business consultants, set clear step-by-step plans, and support clients emotionally). The conversation also shifts to Projeto NexGen: Gabriel’s initiative to connect young planners to exchange challenges (client acquisition, confidence, developing trust), with advice on persistence, obedience to process, and building long-term client relationships.
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Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao 34º episódio aqui do nosso podcast, A Arte do Planejamento. Não há a menor dúvida que esse é o melhor podcast de planejamento financeiro do bairro. Não há a menor dúvida. Eu aqui acabei de receber um cafezinho, obrigado. minha filha me trouxe um cafezinho aqui, mas olha só, vamos direto pro assunto, hoje a gente tá na companhia aqui do ilustríssimo Frederico Gonçalves, fala meu irmão, como é que cê tá?
Tudo bom, cafezinho por aqui também, tudo ótimo, mais um prazer.
E Fred, a gente tá aqui, né, brindando com o café, porque a gente tem uma presença mineira, né? E lá o café é Algo importante. É com muita honra que a gente apresenta o Ana Nilsson aqui também na conversa. Ana Nilsson, como é que você está?
Fala, André.
Bom dia.
Bom dia, Fred. É um prazer estar aqui com vocês. E café com requeijão, hein?
Aí é melhor ainda, hein? Aí é melhor ainda. O Ana Nilsson presenteou a gente com requeijão numa reunião presencial um tempo atrás. Muito bom. E também aqui, Gabriel Faria. o homem de um projeto novo que a gente vai compartilhar hoje aí, né, Gabriel? Quis fazer uma parte aqui justamente para compartilhar. Como é que você está? Está tudo bem?
Bom dia a todo mundo. Pois é, vamos conversar um pouquinho sobre essa iniciativa. e o pão de queijo também, mineiro, também é muito bom.
Tudo cabe bem. Pessoal, seguinte, só para relembrar, temos o objetivo aqui, nessa cerca de uma hora, de ter conversa, ombro a ombro, entre colegas planejadores. Aqui não é uma mentoria, não é um aconselhamento, é uma troca de ideias, de maneira bastante legitimada, também de maneira... com uma boa dose de vulnerabilidade e coragem, uma vez que a gente está colocando exatamente as coisas como elas são, os desafios que emergem na semana, no dia a dia, casos reais enfrentados por verdadeiros planejadores. A gente deseja que esse seja um momento a partir do qual você possa ter um olhar mais de perto, quase que de dentro, de como é a nossa atividade aqui como verdadeiros planejadores. É uma belíssima troca de experiências e a gente quer, então, que você compartilhe da profundidade e da abrangência, abrangência de casos, profundidade de condução que a gente tem aqui como planejador. E a gente começa o episódio de hoje conversando, conexão direta ali com Minas Gerais. Ana Nilson, Vamos escutar um pouquinho você, meu irmão, como é que foi a tua semana passada, que encontro interessante, que situação. Lá em Minas dizem que a gente não faz estudo de caso, que a gente faz estudo de causo. Então, me conta o que você tem para compartilhar direto de Minas para a gente.
Maravilha, André. O caso que eu trago hoje, para a gente poder conversar um pouco sobre ele, é um caso que mexeu comigo, como planejador. Eu atendo um casal, é um empresário, segunda geração de uma empresa familiar, ele assumiu a empresa há algum tempo, tem tocado o negócio, reformulado, melhorado gestão, Mas o negócio ainda não está indo tão bem. O pai dele que fundou a empresa, ele gerenciava a empresa pelo instinto mesmo, de forma muito intuitiva, então não tinha nenhum nível de organização e a empresa começou a ir mal. Esse meu cliente começou a implantar algumas estratégias de gestão, melhorou algumas coisas, mas ainda a empresa não vai bem. Hoje a empresa é responsável de garantir o sustento tanto da família desse meu cliente, como da família dos pais, que é o único propriedor de uma família com três pessoas, a esposa, o esposo e o filho em idade universitária Recentemente eles foram surpreendidos com o diagnóstico do pai, o pai estava com câncer nível 4, estágio 4 e na última semana o pai dele entrou em coma e os Os médicos entendem que ele não vai conseguir se reestabelecer, o prognóstico não é favorável. O filho está preocupado porque aprofundou nas finanças da família e viu que a conta não fecha há muito tempo e naturalmente essa responsabilidade vai ser dele e a empresa não tem caixa suficiente para suportar as duas famílias no nível de gasto que tem hoje.
Social, não tinha previdência, não tinha seguro de vida, a esposa não tem renda, a esposa não vai ter acesso a nenhum tipo de amparo e o filho está extremamente preocupado. E nesse contexto, como nós planejadores podemos ajudar para minimizar os impactos que foram construídos nos últimos anos de decisões que não foram linkadas com o futuro da família.
Uau!
Uau!
Você não podia ter começado um pouco mais fácil, não, Ana Nilsson? Já tem que começar, assim, no nível... Hein? Brincadeira, né? Se fosse aqui um... No game, a gente já começa na última fase, enfrentando o chefão. Mas me conta uma coisa, Anelis. Você está há quanto tempo servindo essa família, a segunda geração? Ou seja, os filhos desse pai que está nessa situação extremamente grave. Há quanto tempo você está com eles?
Perfeito. Esse casal eu acompanho há mais ou menos seis meses, é um casal que já está com a parte financeira pelo menos desenhada para o nível de retirada que ele fazia da empresa, o pai tinha uma retirada, essa retirada não estava sendo suficiente para quitar, mas ele não tinha essa percepção, ele foi aprofundar, tem dívidas trabalhistas com empregados, tem impostos que não foram pagos, então eles estão numa situação complicada Tem um CNPJ que eles descobriram que tem uma dívida de 3 milhões com o fisco, então é uma renegociação que, infelizmente, está deixando um passivo muito alto para a família.
Uau, Fredão, esse é um assunto só para quem tem.
Condições de ter uma boa conversa. Eu ia falar aqui que é um assunto para quem tem costas largas, mas isso é uma homenagem a você, Fred, que mantém as costas largas e está ficando com a barriga cada vez mais fininha. O Fred está no fitness aqui. Mas, queridão, a primeira sensação que eu tenho é uma pergunta difícil. Eu não queria estar nos seus sapatos, Fred, mas eu vou te colocar do mesmo jeito. O que fazer... Problemas todo mundo tem. Mas o que fazer quando parece que os recursos que a gente tem são insuficientes para resolver o problema que a gente enfrenta?
O que fazer quando os recursos parecem ser insuficientes para resolver o problema que a gente enfrenta?
Confesso que estava sorrindo de nervoso aqui, porque não é uma pergunta simples, realmente, mas me atendo aqui ao fato e à pergunta.
Primeiro ponto, não pode parecer, tem que ter uma clareza maior, ou seja, não temos que falar assim, acho que não dá, Primeiro ponto, vamos olhar porque pode ser que dê.
Temos que nos debruçar junto com o cliente nesse orçamento não mais familiar e agora é estarmos junto a ele nessa ponta da empresa, não necessariamente você fazendo, porque não é a tua expertise, mas você estando ao lado deles para de forma consultiva, de forma a ampliar tudo aquilo que eles têm como perspectiva, enxergar a real situação. e tentar entender se existem bens na empresa que podem ser arrolados nessa dívida, ou seja, que podem ser dados em garantia. Que dívida é essa no confisco? Qual o tipo de parcelamento que existe? Como é que está a receita dessa empresa? Como é que, enfim, aquela ponta do... orçamentária, DRE da empresa, aquelas questões todas de você colocar, tirar as ferramentas do cinto, Ana Nilce, agora e sentar ao lado deles para enxergar. Vamos entender. Primeiro ponto, eu estou do teu lado para entender qual é o orçamento familiar mínimo dessas duas famílias que são sustentadas por essa empresa. Mínimo de sobrevivência aqui, etc. Vamos falar dessa forma meio mais drástica mesmo. Empresa, como é que está a situação? O que pode ser distribuído? O que pode ser cortado? O que pode ser ajustado junto com o consultor que vai estar ali junto contigo nessa empresa?
Por quê?
Um pouco de princípio da competência aqui. A gente precisa deixar as pessoas trabalharem onde elas são especialistas, mas você tem que estar do lado da família para acompanhá-los nessas decisões que vão, que virão e serão necessárias. Então, precisa entender se tem bem essa dívida trabalhista, como é que dá para ela ser... negociada, bens pessoais, se não vale a pena a liquidação de algumas coisas para aquitações etc. Enfim, vai ter que misturar o caldo todo. Eu começaria por esse lado.
É interessante, Fran, que você me lembrou de uma história que daqui a pouco eu vou colocar aqui. Mas, Gabriel, pula para a conversa aqui também.
E esse é um caso difícil. É um caso que tem questões emocionais, tem a relação familiar.
Muitas vezes pode ter uma decepção na direção, mas como é que o meu pai... Muitas vezes a gente vê com olhos maiores.
Não percebia essa situação. É uma mistura de emoções. Mas nesse contexto, Gabriel.
O que você sugere? Alguma coisa, alguma condução que você gostaria de fazer? Você teria um primeiro passo para dar? Ou o teu primeiro passo seria se aconselhar com planejadores mais experientes? Mas eu digo isso porque você é muito sábio ao fazer isso. Mas se você tivesse que arriscar, o que você faria?
Com certeza, pedir ajuda seria uma das primeiras coisas que eu faria. E essa família, né, muito abençoada por ter justamente a ajuda da Ana Nilson pra ajudar a resolver essa situação. E como você falou, uma situação delicada, complicada, complexa. E acho que essa seria a primeira coisa que eu tentaria me organizar mentalmente, né? Olhar, a gente ter um panorama com muitas coisas aí pra resolver. E eu tentaria organizar, listar quais são as coisas que a gente tem, quais são todos os buraquinhos desse barco que a gente tá navegando, que a gente precisa começar a mapear tudo isso, realmente, acho que seria o primeiro passo, e depois organizar. Porque eu também me vejo muitas vezes na minha vida pessoal com muita coisa pra fazer, E isso, por si só, já acaba trazendo uma certa tensão ainda maior acerca do problema. Então, acho que a gente tem uma visão bem clara de quais são todos os problemas que a gente tem que resolver, organizar quais são os mais urgentes, os mais importantes, pra gente poder justamente ir atacando esses problemas nessa ordem, priorizar. Talvez não vai dar pra gente resolver tudo de uma vez só. Provavelmente não vai dar. Então, acho que essa organização é um pouco no que eu estaria focando a princípio pelo fato de me ver numa situação mais difícil do que a princípio eu imagino que conseguiria resolver. E essa outra parte também, aconselhar, conversar com outros planejadores mais experientes, até mesmo envolvendo uma empresa, conversar com um consultor empresarial, uma pessoa focada na vida empresarial, como eu foco na vida pessoal do empresário, então para mim faria sentido também. Então é um pouco do que eu faria nessa situação.
Muito legal. Olha, saiu-se muito bem. Muito bom, Gabriel. Muito legal te ouvir. Parabéns. E aí, Ana Nilsson, volto para você. Você viu que eu mandei para o Fred, depois eu falei com o Gabriel, volto para a Ana Nilsson, e dessa eu vou ficar de fora, viu? Vou deixar só quem entende mais o negócio opinar. Ana Nilsson, o que você... Qual é o teu plano de jogo para essa família? Qual é a tua linha de cuidado, de condução?
Perfeito.
A primeira coisa que eu conversei com eles ontem foi de ter uma clareza familiar, conversarem mesmo. Apesar de, inicialmente, eu sentir que não era o momento, porque eles estão com uma situação.
Está indo para o hospital, os médicos estão tomando decisões sobre isso, se mantém, se não mantém, e naturalmente essas decisões que são tomadas nesse período emocional tendem a endossar ainda mais os vieses comportamentais que a gente tem. Então eu preferi aconselhá-los a esperem um pouco, mas vão conversando entre vocês, Vamos mapeando tudo que está em jogo, as dívidas, os empregados, se está todo mundo ocultado ou se não está, a empresa, como é que está a parte de passivo, como é que estão os ativos, carros que possuem, veículos que possuem, qual que é a utilização de todos esses bens. Na questão do padrão de vida, faz sentido mudar de casa, não faz sentido mudar de casa para uma casa menor, para um lugar talvez um pouco mais próximo do filho, para ele dar uma assistência maior da mãe, Então a gente está tentando enxergar como vai ser a condução de vida e conectar isso à parte financeira, porque no final das contas é a empresa que vai arcar, eles não possuem uma outra linha de receita, é a empresa que vai ter que garantir a saúde deles. Quanto ao meu cliente, o que eu disse para ele ontem foi Principalmente, a gente fique saudável emocionalmente, mas garanta a saúde financeira da empresa, não tome decisões que não são compatíveis com a saúde financeira da empresa, até porque a empresa é responsável por duas famílias. Então, esses três números, esses três, um sempre jovem, dois perto, vamos colocar assim, precisam estar saudáveis para que no final, por mais que demore, ambos estejam bem.
Muito bom, muito bom. Olha, acho que a maneira como você trouxe o caso para a gente, Ana Nilson, e depois quando eu joguei ali algo não simples para o colo do Fred, ou seja, o que fazer quando parece que a gente não tem recursos suficientes para encarar o tamanho do problema? Eu rapidamente me lembro de algo que.
Ao meu ver, foi exatamente o que vocês falaram, mas é alguma coisa que foi escrita um tempinho atrás. É uma história contada... Estou aqui olhando as minhas notas, porque eu já tinha... Não me preparado exatamente para esse caso, mas para situações parecidas que eu já enfrentei. Essa história é narrada pelo profeta Eliseu. Ela está ali no segundo livro de Reis, na Bíblia, que conta a história de uma mulher que perdeu o marido e que os seus filhos foram levados cativos, escravos, pelos seus credores. Hoje a gente não é mais levado escravo, mas a gente é cativo de dívidas, de situações que complicam a gente, de preocupações. E ali, então, é interessante ver o que essa mulher começou a fazer. A primeira coisa é que ela teve iniciativa, como essa família está tendo. Diz ali que, em certo dia, a mulher foi falar com Eliseu, o profeta. Em certo dia, ela foi falar com a Ana Nilsson, o planejador. Eles foram falar e eles foram apresentar a situação, como o Fred bem colocou, o Gabriel bem destacou. O Fred trouxe a importância do regime de competência, do princípio de competência, talvez ir até na direção de ter uma iniciativa de buscar um conselheiro também na empresa para observar o que está acontecendo, o que pode ser feito. E o interessante é que eu tenho atuado da seguinte maneira quando eu tenho um cliente que enfrenta um desafio na sua clínica ou na sua empresa.
Apontando ele ou ela na direção de busque uma ajuda, mas não busque qualquer ajuda. Como na época bíblica existiam muitos profetas que não eram profetas, hoje existem muitos gurus que se apresentam como profetas e que são vendedores de mapas. Então também saber buscar alguém que tenha compaixão para a situação, como notadamente você está exercendo isso, Ana Nilsson, que tenha empatia com o problema e que possa de fato ajudar. Mas é interessante que depois dessa iniciativa, o que então o profeta disse para ela foi, vá pedir emprestada as vasilhas a todos os vizinhos. Ou seja, vá fazer alguma coisa, você tem que agir. É um pouco do que então Gabriel coloca, do que Fred também. olha o orçamento, vê o que tem pra enxugar, agora é a hora de agir também. O exercício dessa confiança, até uma confiança em Deus, não significa a irresponsabilidade com as atitudes, o que muitas vezes é confundido. Não, Deus vai cuidar, se adotar de melhora. Não. O exercício da confiança em Deus caminha de mãos dadas, com o pleno respeito da nossa parte em fazer o que a gente tem que fazer. E ali a instrução foi interessante, né? Pedir emprestada, peça muitas, entra em casa, fecha a porta, tem tudo. Ou seja, a gente tem que passar um plano claro para os clientes nessa hora, né, Nilson? A gente não pode, ah, mas que tal isso ou que tal aquilo? Ah, mas que tal esse? A gente tem que passar um plano claro. Os clientes agora não estão numa faculdade adequada para tomarem micro decisões, porque eles estão tendo que tomar macro decisões. Cabe a um bom planejador centrado na vida dizer, agora faça isso, depois faça aquilo, terceiro faça aquele outro, quarto passo é esse, o quinto é aquele outro. As pessoas precisam de direção e cabe a gente, enquanto verdadeiro planejador, dá essa direção. Não tensionemos mais as decisões que a família tem que tomar, porque a decisão agora está ali, no leito do hospital. Outras coisas a gente tem que apontar para uma direção. A gente tem que apontar para uma direção. E depois a história continua, mas eu acho que a gente já explorou bastante esse ponto. Celebre a iniciativa que essa família teve de te ajudar. Mas agora, mostre um plano claro. E a gente vai dizer, poxa, mas os clientes não obedecem, os clientes não fazem o que eu estou apontando. É porque a gente está pedindo para o cliente decidir e não para o cliente realizar. Eu estou falando sobre uma situação de tensão. Existem outros contextos que a gente convida o cliente para cocriar o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto passo. Mas existem situações na UTI onde um bom médico não diz, paciente, eu acho que você não está entendendo o que está acontecendo, se você sabe se está na UTI ou se está no cinema ou se está na praia. Olha, eu tenho três estratégias para cuidar aqui de você. Olha, tem o cenário A... O paciente morreu. O paciente morreu. a gente tem que saber dar uma direção, ok? Eu sei que isso incita alguns sentimentos, eventualmente alguns questionamentos, mas é o que eu deixo aqui sobre a mesa para a gente refletir. E que Deus abençoe, Ana Nilson, a sua atuação junto a essa família, meu irmão.
Obrigado pela palavra.
Valeu, valeu. Gabriel, vamos partir para você agora. O que você tem para contar em tal de um projeto novo? O que você está aprontando? Você viu que a gente fez uma mudança de rota aqui imediata, né? Deu um cavalo de pau aqui na conversa.
É, vai ser drástica a mudança.
Deu uma hora aqui na conversa, não podemos passar muito disso.
Vamos lá. Bom, então, eu... Aqui no contexto da live mesmo, acho que... Eu sou um dos únicos, se não o único, planejador com menos de 30 anos, aí vocês podem me corrigir. E eu vejo muito isso no mercado, muitos planejadores mais velhos, com mais experiência, mais velhos do que eu, a partir dos 30, 40 anos. Enfim, tem algumas peculiaridades, acho que na minha fase da carreira, mas principalmente na fase de vida, que... Seria interessante, né? Eu conversar com outras pessoas que também estão passando por isso. Então, eu tenho entrado em contato procurando nas redes sociais outros planejadores, né? Jovens planejadores, pra gente criar ali uma rede de contatos, né? Conversar um pouco sobre as nossas dificuldades, tentar se ajudar. E, enfim, é uma coisa nova, né? Já mandei mensagem pra alguns, já tenho reuniões marcadas. Inclusive, hoje, mais tarde, vou conversar com um. Tem gente que fica super animada com tudo isso. Nossa, cara, faz todo sentido, realmente. Outros ficam mais assim, né, acho que talvez um pouco pé atrás. Mas a gente vai descobrindo conforme for conversando. E eu acho que vai ser muito legal, porque a gente tendo... Claro que eu sei que, por exemplo, na live tem planejadores que começaram bem cedo, né. O André mesmo, eu sei que começou mais ou menos na minha idade. Então... Mas também, a fase da vida agora é outra, contexto... e alguns aspectos no mundo também são diferentes. Então, acho que é legal conversar justamente com pessoas que entendem o contexto, tudo isso que eu tô passando, eles tão passando. Poder trocar figurinha, né? Falar um pouco do que tem dado certo, o que não tem dado certo, dificuldades, desafios, enfim, pra gente poder crescer.
Legal. Já começaram essas conversas, Gabriel? Primeiro, parte o que você tem extraído já dessas conversas e também traga um pouco do seu testemunho aqui para a gente, Gabriel. Quais são os desafios que você tem enfrentado? Lembra, O grande barato aqui da arte do planejamento é a coragem, cuja manifestação talvez mais nobre seja a vulnerabilidade, ou seja, esses são os desafios reais que eu enfrento. A ideia aqui não é ficar bonito na foto, a ideia aqui é amadurecer, e não dá para amadurecer sem a gente enfrentar os desafios. O que você diz aí acerca das montanhas que você está tendo que escalar como um jovem planejador e o que você tem ouvido também das primeiras interações?
Pois é, um pouco dos meus desafios desde o começo foram muito relacionados à parte comercial do negócio, de conseguir clientes, de estar tranquilo para poder falar, apresentar.
Não era muito de fazer apresentação. Na escola, aqueles trabalhos em grupo que a gente tinha que apresentar na frente nunca foi meu porte. Então, eu sempre tive essa dificuldade pra falar, fazer ligação, conversar com as outras pessoas. Então, é claro que ao longo do tempo eu tenho me desenvolvido bastante nisso, mas ainda tem sido um dos maiores desafios. uma vez que contatei todo mundo que eu conheço, amigos, parentes, estou tentando agora recontatar todos eles e ainda assim, conseguir clientes além do mercado XY que a gente fala, das pessoas mais próximas da gente. Então, esse tem sido o maior desafio. A questão técnica também é algo que a gente sempre vai aprendendo, mas... naquele sentido de priorizar as maiores coisas que eu preciso aprender. Eu foco mais no comercial e quando tenho um cliente com alguma demanda, algum caso do Ana Nilsson, daí eu rebolo para os meus colegas planejadores aqui da Live, que têm muita experiência e sempre me ajudam muito com isso.
Joia. Ana Nilsson, pula para a conversa. Você está com que idade, Ana Nilsson?
Carinha de 27, 28, mas eu acho que você já está um pouquinho mais rodado. Você está com que idade?
Já, já estou um pouquinho rodado, André. Estou com 34.
34, está vendo? Entre o Gabriel e a gente, Fred, está o Ana Nilsson ali. Eu e o Fred temos exatamente a mesma idade, não é, Fred? Eu, 44, e você daqui a pouco com 44. A gente tem meses de diferença. Mas, Ana Nilsson.
E aí, cara, nessa ideia de desafios dos jovens planejadores, o que você tem para... Talvez um cara de 27, 28 olhe para um homem de 34 e diga, ei, eu tenho coisas que eu gostaria de te perguntar. O que você tem para dizer para essa turma?
Maravilha. Primeiro, deixe-me dar um contexto. Eu iniciei o meu processo de transição de carreira há cinco anos, então foi antes dos 30.
Legal, legal.
E venho do mercado financeiro. Então, eu fiquei 12 anos no mercado financeiro. E quando eu tava ali com meus 7, 8 anos de mercado financeiro, eu entendi que fazia sentido fazer uma transição de carreira. O que eu vejo, e tem uma madurez cada vez mais nessa nossa profissão, é que a confiança fecha. Então, muito mais do que qualquer tipo de marketing, é a gente prezar pelo vínculo de confiança. Normalmente, alguns clientes, alguns amigos, eles levam um tempo diferente para criar confiança no nosso trabalho. Primeiro por dois grandes fatores. Primeiro fator é, a nossa profissão ainda é desconhecida.
É o como a gente faz isso, qual solução realmente a gente entrega. Então, esse desafio de levar essa mensagem, ela faz a diferença na hora do cliente ou do nosso parceiro, mesmo que seja no universo XY ou não, a criar o nível de confiança necessário para depois sim a gente falar, não, agora é hora de, vem cá, vamos conversar.
Fazer essa relação sem profissional, eu penso que é a confiança. Hoje, o meu foco está em construir confiança antes mesmo de fazer qualquer tipo de prospecção.
Interessante. Está aí, Gabriel, algo... Importante você também ir dialogando com a turma mais jovem. Fredão, como eu sei que a gente tem um coração jovem, mas, por favor, não seja o coração jovem. A gente falou sobre isso ontem, né, queridão? A gente acha que ou a gente é quinta série ou a gente tem 44, 45 anos. Vamos deixar a quinta série de lado. Vamos tentar ir lá mais perto dos 30, assim. E aí, cara, quais eram tuas angústias, tuas dúvidas, teus receios? Eu até te coloco também a seguinte pergunta. Olhando em retrospectiva, como é que você acredita que você tenha superado eles? Porque eu sei que você os superou. Você consegue dizer um pouquinho do como foi superá-los?
O primeiro ponto é até contextualizar todo mundo que está participando aqui, que se você voltar 44, 43 para 44 menos 15, nós tínhamos menos de 30 quando começamos, certo? Então, essas dores, Gabriel, eu senti, né? Ana Nilson e etc., quem estiver nos ouvindo. lidar com isso numa fase mais jovem, talvez num contexto onde você não tem filho ainda, de repente, ou pode ter, na época, nenhum julgamento aqui preliminar, Mas é, efetivamente, um momento na sua vida onde você pode se questionar sobre, caramba, como é que eu vou ajudar pessoas mais velhas, mais experientes, e o que eu vou trazer para elas? Será que elas vão acreditar naquilo que... Vamos falar português, claro, que o moleque está trazendo, não é, Gabriel? Às vezes a gente olha, esse molecão está trazendo, e molecão no bom sentido da palavra, tá, gente? O cara é novão.
E, na verdade, acho que o grande ponto desde o início foi sempre tentar vencer, vamos usar termos bonitos aqui, mindsets fixos que você pode ter na sua cabeça em relação a tudo isso. Primeiro ponto.
Não suporto essa possibilidade dessa crença de síndrome do impostor. Se você se formou para, se você tem experiência, se você está estudando, se você é obediente a um processo, se você tem uma metodologia, se você tem tecnologia por trás de você, se você tem respaldo, se você está se formando para isso, cadê o impostor? Você está se dedicando a isso. E essa dedicação vai te trazer Prutos, pode ser um pouco depois, porque você também tem que estar à vontade com aquilo que você está fazendo, mas você tem que acreditar que isso é algo positivo para as pessoas, você tem que vencer algumas pontas onde você fala, mas será que as pessoas... Eu tinha, se voltarmos aí, acho que, se não me engano, foi episódio 13 ou 11, André, não lembro agora qual foi do... que a gente falou sobre a minha transição de carreira, eu acho que o principal ponto meu no início era, será que o cliente é para sempre mesmo? Será que eu posso ter cliente na longevidade mesmo? Será que dura oito, nove, dez, quinze anos, como eu tenho cliente hoje, né? Quatorze, quase quinze. Dá, mas você precisa caminhar essa atividade para entender que dá. Não dá para que... Gabriel, deixa eu transferir da minha cabeça para a sua tudo aquilo que acredito e hoje enxergo. Essa sensação você precisa passar por ela, mas o preparo, a obediência ao processo, a dedicação a tudo vai fazer com que você supere qualquer tipo de objeção, porque você vai falar com propriedade. Uma outra coisa que sempre prego para todo mundo, e aí, isso desde lá de trás da minha fase de engenharia, etc. Eu sempre aprendi isso com um baita, um dos melhores profissionais com quem eu lidei na minha vida, que foi um diretor da Exxon, que eu trabalhei, e eu lembro de coisas dele até hoje de forma clara. O cara é fantástico, realmente uma pessoa diferenciada. E ele falou, Fred, uma vez ele falou para mim o seguinte, sabe por que eu gosto daquilo que você contrapõe para a gente? porque eu percebi algo que eu aconselho a todos, que é o seguinte, se você não tem certeza daquilo que você vai falar, você para e fala, ó, preciso dar uma olhada, preciso pesquisar para te trazer melhor interpretações sobre isso. E a partir do momento que você mostra isso para as pessoas, próxima vez que ele te perguntar ou que algo for exposto para você e você responder, ele vai falar assim, caramba, o Gabriel, quando ele não soube, ele foi lá. pesquisar. Agora que ele tá me respondendo é porque eu tenho certeza que ele sabe. E aí você começa a passar confiança também. A pessoa entende que você não vai falar qualquer coisa. Por mais jovem que você seja, você não tá falando qualquer coisa, você tá falando com propriedade, entendeu? Eu acho que esses são os pontos pra você caminhar nessa questão da juventude dentro dessa atividade.
Bem colocado, bem colocado. Cara, eu acho que é um projeto belíssimo. Que bom que você topou aí o desafio, Gabriel, de ter essas conversas, de se colocar na posição de alguém que, inclusive, dá o primeiro passo na direção de reis. Somos planejadores, somos jovens, temos desafios. Que tal a gente bater um papo? Fato é que você vai encontrar gente que não vai estar disposta a conversar, mas você vai encontrar gente que está disposta, sim, a conversar. Acho que, nesse contexto.
Vivemos uma cultura que subestima bastante o papel da persistência em tudo na vida. Subestimamos o valor da persistência nos casamentos, nas relações de amizade, nas carreiras. Está fácil de existir. Está fácil buscar o caminho mais fácil. Está fácil se juntar à multidão. E é cada vez mais difícil se destacar. Até porque a gente fica com o eterno sentimento de que está todo mundo fazendo diferente. Quem sou eu aqui para fazer alguma coisa? Está todo mundo fazendo igual. Eu estou falando bem da nossa carreira, na direção de agente autônomo, de estar muito centrado em investimentos, o sonho grande, o vira sócio da empresa. O cara tem 0,000001 da empresa, mas ele pode dizer no LinkedIn que ele é sócio. Então, eu acho que é importante você estar ciente de que a persistência tem sido subvalorizada, E eu acho que é uma mensagem importante para você levar para essa turma mais jovem. E eu penso aqui em Timóteo, um jovem pastor da Bíblia. Ele era um cara extremamente dedicado, mas, na medida que ele conseguiu conjugar a dedicação, que é um pouco impetuosa, que é um pouco ousada, mas com a obediência que o Fred citou, é que Timóteo tornou-se um dos personagens mais comentados nos últimos 2.000, 3.000 anos.
Então, a gente tem que aprender a conjugar algo que é natural, que é uma dedicação, que é um ímpeto, Mas a gente também tem que saber obedecer. E o palavrinho impopular nos dias de hoje, a tal da obediência. Mas é o caminho. Eu não consigo apontar para nenhum caminho diferente, reconhecendo que os caminhos diferentes são muito mais populares, são muito mais politicamente corretos. Mas, ao olhar a minha trajetória, eu fui extremamente obediente. Eu confiei no processo e fui obediente.
Eu sempre uso uma seguinte analogia. A gente ouviu aquela história, Qual é o cachorro que ganha a luta? Se tem uma rinha de cachorros, qual é o que ganha? E a gente fala, aquele que a gente alimenta melhor. E numa corrida de cavalo, qual é o cavalo que ganha? Vocês sabem?
O papel do joque é fazer com que o cavalo não olhe para o lado.
O cavalo que ganha é aquele que não olha para o lado. É aquele que não está tanto tempo em rede social, é aquele que não está tanto tempo olhando o que os outros estão fazendo. Ele tem um objetivo. O grande trabalho do jockey é fazer com que o cavalo não olhe para o lado. Mesmo com aqueles tapumes.
Muitas vezes o cavalo vira para o lado e perde a corrida, porque ele se compara.
É muito importante ter essa dedicação jovial com uma obediência sábia. E no quesito obediência, saber escolher exatamente quem obedecer. Bons conselheiros. Aquele que diz o que precisa ser dito, e não aquilo que a gente quer escutar. Porque a gente também tem, né, Gabriel, na turma muito jovem, o guru ou o conselheiro é bom. Até começar a dizer o que a gente não quer ouvir.
Daí a persistência. Daí a persistência. Enfim, que Deus te abençoe também, meu irmão, nesse projeto que você traga um monte de história, um monte de aprendizado, até para a gente também poder aqui reavaliar algumas coisas, aprender com você e poder servir melhor quem está começando. Os desafios são grandes e eu tenho o sentimento de que são até maiores do que quando eu comecei. eu tenho evitado a postura de, ah, hoje em dia você tem tecnologia, você tem tudo. Eu acho que era mais fácil quando eu comecei. Então, que você seja uma liderança aí nascente para poder ajudar essa turma mais jovem, cara. Confio em você e conta comigo aqui para te assistir, para atuar como teu secretário nessa tarefa. Viu?
Está certo, cara. Obrigado.
Muito bom, muito bem. Era mais fácil, né, Fredão? Lá atrás não tinha muita confusão, não tinha muito nhaquinhaque, era mais fácil, né, cara?
Ah, mas nós passamos por bons momentos aí daquilo que eu falo pra todo mundo, e só pra finalizar o assunto com o Gabriel e com a Ana Nilson. da consistência que nós precisamos ter. Começar com fim em mente, esse fim que seja longo e longevo, porque consistência é o que o mercado menos tem, afinal de contas teve gente que falou que era para desbancarizar-se.
Trouxe todo mundo e virou um bancão. Então.
Aí é o cúmulo da inconsistência, mas enfim, É isso aí, é isso aí.
Queridão, já que você está com o microfone aí, segue o barco. Tua semana passada aí, cara, qual encontro interessante que você teve para compartilhar?
Na verdade, foi na sexta-feira, foi super bacana. É uma jovem senhora, vamos falar assim, então está com 58, então ainda está podendo aproveitar as coisas todas. Ela é separada, não tem filhos. Tem um histórico muito grande de uma atividade com.
Num primeiro momento, um escritório de contabilidade junto ao irmão e depois um escritório só dela. Então, estamos falando de quase 40 anos de atividade, delegadas do CRC na região, coisas do tipo. Está fazendo um curso lá e começando a ter algumas perícias fiscais, tributárias para fazer. E ela chegou a mim, indicada por um cliente, e olha só que engraçado. Num primeiro momento, ela queria apenas então somente uma consulta sobre a aquisição do apartamento pós a venda da casa dela. E aí, a partir dali.
Ela falou assim, mas eu quero te pagar uma única vez, etc. Eu falei, vamos conversar. E aí ela depois acabou me contratando. E desde então, tem sempre um ponto ali atrás de uma penumbra sobre esse escritório, porque o escritório era na casa que ela vendeu e aí depois ficou virtual.
Ela fazendo a reforma do apartamento para ter um escritório dela lá dentro, o apartamento focado para o lado dos sonhos dela ali, de como seria configurado, formatado. Mas sempre, desde sempre, não é porque eu sou vidente não, mas desde sempre um ponto que tocava na parte de atividade profissional, tinha uma pouco profundidade, etc. Até que ela trouxe a mim o seguinte. Pô, Fred, você me pediu, no meio do ano, para a gente dar uma olhada sobre esse nosso negócio, sobre esse meu negócio, para entender como é que está fechando, porque estava muita confusão dentro da obra do apartamento novo, da reforma do jeito que ela queria, e os limites que ela queria se impor por causa da venda da casa. Ela tem a cabeça ali de que precisa ficar com tanto guardado, e eu estou mostrando para ela não é por aí, que a gente tem que fazer com que o dinheiro tenha significado e não só número, não só montante. Bom, enfim, o receio de falar tanto do escritório é porque ela não sabe se ela quer continuar. Ela não sabe se ela quer essa atividade, ela acredita que ela quer agora, depois de... um pouquinho mais de seis meses de trabalho, ela está começando a conversar mais, e aí ela trouxe à tona isso, e eu falei assim, eu já sabia, porque você vem se esquivando desse assunto há tempos, de entender se isso é rentável, se isso é sustentável, etc. E aí, recentemente, apareceu a possibilidade de venda da carteira, e aí ela quer entender se essa carteira precisa ser vendida por quanto para que isso renda para ela, e aí a conta já não fecha, parceria com os escritórios onde ela vai entrar, com o nome dela, e basicamente o pessoal vai executar aquilo que ela não quer mais executar. Ou seja, boas decisões para a primeira fase foi venda da casa e mudança para o apartamento. Agora a fase é onde eu quero estar.
Legal.
Para sustentar tudo isso.
Mas parece que ela está trazendo também cada vez mais coisas para a mesa. de diálogo entre vocês.
É a profundidade que a gente vai criando, André. Você sabe que não é de uma hora para a outra, não é num estalar de dedos.
Tem o tempo do cliente, tem o tempo do contexto, tem o tempo da situação específica. O problema, Fred, é quando tudo isso muitas vezes parece que cai ao mesmo tempo. Vendo a empresa, vendo a carteira, mantenho a empresa, que tipo de vida eu quero viver.
Deixa eu te perguntar, É um caso do tipo, não sei se caso eu compro uma bicicleta ou não é tão extremado assim? Só para a gente poder... Você sabe.
Que desde sempre, por causa dessa fuga ao visualizar, por exemplo, o orçamento dela é muito claro, o orçamento pessoal, mas efetivamente o consumo da reserva que foi criada com a venda da casa e a obra do apartamento, óbvio que estava se misturando. Mas a partir do momento que nós impusermos saudáveis limites nessa questão de até onde ela gostaria de ir e tal, etc., começou a aparecer que o escritório não era tão fornecedor de receita dessa forma. E aí, realmente, ela está nessa fase, se caso, eu compro uma bicicleta, porque ao mesmo tempo que ela quer curtir algumas outras coisas, se cuidar, dedicar e etc., para algumas coisas pessoais, ela tem o receio de E esse montante que eu tenho, eu não quero que ele suma, eu não quero consumir tudo isso, eu preciso de tanto. Então aquela dúvida crucial é a seguinte, o que eu faço? Porque a clareza que eu coloquei para ela é a seguinte, a reserva é boa, mas não é 100% o suficiente, ela ainda precisa de um tempo para se formar, precisa crescer um pouco mais para ser 100% o suficiente, mas já dá para fazer algumas coisas, ou seja, talvez o negócio de terceirizar etc. possa fazer sentido, Você vê que ela fala assim, Fred, eu converso com a minha terapeuta, mas eu venho para você, eu melhoro. Porque aí você me dá clareza de tudo isso. Ela brincou assim, eu estou quase dispensando a moça. Falei, não, calma aí, eu não sou.
Terapeuta, mas... Uau, Renan Nilsson, pula para a conversa aqui. E aí? Devo casar? Devo comprar uma bicicleta? Como ajudar o cliente a, primeiro, ter mais clareza? Você até, quando comentou acerca do seu caso, citou a sua direção na direção da clareza. Esse é mais um caso onde a clareza é o imperativo. Se for, como é que você tem conduzido para a obtenção dessa clareza? Se não for, que rota você tem pegado?
Maravilha, André. Eu peguei um caso recente de uma família que está migrando, pivotando a vida, saindo de uma cidade totalmente diferente e construindo uma história em outro lugar em consequência de filhos, ambos acima dos 40, enfim. E o convite que eu fiz para eles foi algo que em nossas conversas dentro da Life você já tinha posicionado há um tempo atrás, Que é conectar liberdade financeira, independência financeira, liberdade financeira e propósito financeiro Como eu enxergo o meu tempo sendo preenchido e de que forma o dinheiro financia isso Porque às vezes a gente fica muito preocupado com o lado money Poxa, eu quero dinheiro para isso, quero dinheiro para aquilo, quero dinheiro para aquilo outro Mas tá, e quando eu tiver todo o dinheiro eu vou realmente ter condições e tempo para executar? Ou será que faz sentido buscar a clareza para um equilíbrio onde eu já começo a fazer algumas coisas que eu entendo que dá para fazer agora? Faz sentido eu esperar mais 5, 10 anos para, por exemplo, terceirizar a contabilidade, eu já botar com quase 70, com quase 70 exatamente, ou faz sentido agora com menos de 60 já ir criando um processo gradual de Aproveito aquilo que eu já construí e, ao mesmo tempo, garanto que isso será perfeito. Eu penso que isso vai de encontro ao propósito financeiro dessa pessoa.
Joia. Muito bem colocado. Bem colocado. E aí, Gabriel, e você, cara, ainda nessa fase também? Bom, pelo menos você já tomou uma decisão, né, Gabriel? Você tomou uma decisão por casar e não por comprar uma bicicleta. Não sei se você também comprou uma bicicleta, mas eu sei que você já é um homem bem casado.
Mas, cara, quando parece que tem várias coisas na mesa, caminhos diferentes, distintos, e não há muita clareza ou até não há muita indicação inicial de... Porque muitas vezes a gente quer ter a clareza no caminho, quando a gente deveria, como a Ana Nilsson colocou, ter a clareza no nosso próprio processo decisório, no nosso próprio projeto de vida. O que você tem feito, cara, para ajudar as pessoas a tomarem uma decisão, basicamente? No final do dia, temos que decidir. Como é que você tem construído uma arquitetura na direção de qual decisão tomar?
É, acho que essa questão da clareza é muito importante para justamente a gente saber com o que a gente está lidando, o que a gente tem, o que a gente quer fazer. Acho que nesse contexto do Fred tem tudo a ver com isso. E acho que uma das ferramentas que pelo menos tem me ajudado muito é escrever, é pegar, tirar da cabeça tudo que está ocupando ali, preocupando e passar ali, colocar a lista. E aí depois começar a priorizar, colocar o que é mais importante, a gente tem o jogo de priorização, pegar um item, comparar com o outro, ver o que é mais importante e aí subir no ranking. Acho que essa é uma das coisas mais importantes para ajudar a gente a ver o que é o mais importante. E aí, a partir do que a gente tem, a gente poder alocar os recursos para fazer aquilo que a gente quer fazer e que é mais importante, vai trazer mais qualidade de vida. E eu acho que isso ajuda muito a gente, na hora de tomar a decisão, fazer uma escolha que vai fazer a gente tanto fazer aquilo que a gente queria, não se prejudicar. Enfim, ter qualidade de vida.
Legal. Está aí uma boa ferramenta, uma boa prática, realmente. O download de ideias, colocar no papel algo que tem sido esquecido também culturalmente pela gente. É fato que a gente só consegue ter qualquer tipo de registro, E hoje, então, histórias, memórias, ensinamentos do que aconteceu com a nossa história, porque a gente fazia o download de ideias. E o download pessoal de ideias, ou seja, quem escrevia seus diários, por exemplo. algo também que hoje a gente não faz. A gente vai vivendo o dia a dia e é mais fácil tirar uma foto selfie fazendo biquinho, fazendo um filtrozinho ali e dizer, não, aqui está o meu diário e isso aqui registra a minha vida. Mas é o que a gente quer que os outros vejam e não o que a gente está sentindo e pensando. Fredão, como você vai conduzir esse processo? Acho que o download é uma boa, escrever. A gente sabe que na live, no cast, a gente tem algumas outras ferramentas. Mas qual é o teu toque pessoal nisso para ajudar alguém a ter maior clareza em que rumo seguir?
André, eu sempre tenho trazido para a mesa menos a questão dos números e mais a questão da reflexão acerca daquilo, da história que ela quer contar daqui para frente, de onde ela se enxerga, de como ela se enxerga daqui para frente, o que tem feito sentido, entender, por exemplo, Ok, hoje você não quer tudo isso, mas como é que você se enxerga lá na frente? Será que alguma atividade não é necessária? Será que uma supervisão técnica não é aquilo que você busca, por exemplo? Então, a terceirização combina bem com isso, você tem uma responsabilidade técnica e uma supervisão como uma pessoa escolhida como delegada do CRC da região, ou seja, uma pessoa que tem histórico, uma pessoa que está estudando para para a parte de perícia do Ministério Público etc. Ou seja, tenho colocado para ela o seguinte, onde você se vê, depois desse passo extremamente importante que foi a compra do apartamento, a construção, a criação desse lar ali, como você se vê viajando mais, como você gostaria, fazendo mais as coisas, mas, ao mesmo tempo, Tendo algo para pensar. Porque ela também falou, Fred, eu não me vejo parada. Foi perfeito. Vamos entender o que é isso. Precisa fazer... Por exemplo, nesse ponto, o life lens é fantástico, porque a pessoa consegue se enxergar daqui a seis meses e entender que o próximo passo daqui a cinco anos precisa se passar por alguns caminhos ali, a serem trilhados. Daqui a dez, o enxergar é mais difícil, mas é necessário, para que ela saiba o que ela gostaria de fazer e onde ela gostaria de estar. Aí aquela parte do, vamos deixar de pensar no se retirar efetivamente da atividade, sim, trazer de volta toda a tua experiência e usufruir da melhor forma possível dessa experiência que você criou ao longo desse tempo todo. Então, é mó barato porque efetivamente as reuniões têm sido mais densas, e de muita conversa. Gabriel, Ana Nilson, pouquíssimo cash, porque precisa-se falar de outras coisas. Óbvio que o cash está presente, óbvio que a discussão de como é que as coisas estão e onde que estão alocadas também tem nesses momentos, mas as últimas três reuniões, muito mais focado num papo onde o plano e projeto de vida da pessoa, da cliente, está em pauta só o tempo inteiro.
E o papel do planejador é representar o mapa, perdão, o guia para essa caminhada toda e não somente apresentar um mapa para ela seguir. Ou seja, toque o plano.
Acho que casos... múltiplos, onde tem muita coisa sobre isso. Olha, eu estou trazendo para o meu planejador muitas dúvidas sobre muitas coisas, dúvidas sobre tudo. Acho que a gente tem que sempre lembrar do seguinte, a gente tem uma perspectiva limitada do que o cliente quer, a gente, enquanto planejador. A gente é treinado pra falar de aposentadoria, pra falar de orçamento, pra falar de alocação de ativos, mas a gente também pode depois falar sobre coisas como educação de filhos, viagem, compra de uma casa, mas é uma perspectiva limitada do que o cliente quer. Por isso que a gente tem que estar mais centrado na vida do cliente e não apenas nos objetivos do cliente, e não apenas no dinheiro do cliente. Mas os clientes também têm uma perspectiva limitada do que eles podem fazer com o dinheiro deles, e eles têm uma perspectiva também limitada do que o planejador e o planejamento financeiro pode fazer na vida deles. Então, é uma grande oportunidade, na verdade, quando o cliente traz para a gente, para mim, é o grande semblante da confiança quando o cliente diz para a gente, ei, eu entendo, e pessoal, aqui a gente reconhece o eventual papel de... de apoios terapêuticos, psicológicos em algumas situações, mas quando o cliente diz, eu estou pensando em, não é porque a gente é melhor, é porque a gente tem se aprimorado e buscado se aprimorar na direção de ter conversas mais amplas e mais profundas. E quando a gente toca nesse aspecto, e também concilia isso uma condução monetária financeira, a gente sim consegue muitas vezes agregar um valor absurdo para a vida do cliente. Eu não estou falando aqui apenas das finanças comportamentais, que eu acho que é uma coisa meio modinha, particularmente falando. Eu até me lembro do trabalho aqui de uma americana, o nome dela, eu anotei aqui para a gente conversar, Megan Lurtz. Ela é professora na Universidade de Maryland, num programa de CFP que eles têm ali. Ela concluiu um pós-doc em Planejamento Financeiro Pessoal pela Kansas State University. E olha que interessante, ela também é a presidente da Associação de Terapia Financeira nos Estados Unidos, mas ela diz o seguinte, então não sou eu, Pesquisas de finanças e economia comportamental demonstram que NUDs, a gente adora, essa turma das finanças comportamentais adora, podem ser uma ferramenta útil para planejadores ajudarem os clientes a evitar o pensamento tendencioso. No entanto, embora alguns NUDs possam ser valiosos para ajudar os clientes em alguns casos, por exemplo, automatizando tarefas simples e rotineiras, nas quais o cliente não precisa se preocupar, há bem menos utilidade nos nudges para planejadores que desejam educar seus clientes como um todo, ajudá-los a desenvolver sua auto eficácia financeira, ampliar sua conscientização, e aqui para mim é a parte mais importante, guiá-los até a maturidade. Até a maturidade. É menos sobre como automatizar as coisas, como procedimentalizar as coisas, e é muito mais acerca de como dialogar de maneira profunda, acerca do que realmente importa. E aí perguntas do tipo, o que é o suficiente? Perguntas do tipo, o que você pode fazer com o excedente? A gente vai lidar com muita gente que tem. O suficiente é uma pergunta legal, mas que tal a gente entrar numa casquinha mais profunda? Meu querido cliente, você tem excedente? O que fazer com o excedente? E não só perguntar o quanto é o suficiente, porque a barrinha sempre pode estar um pouquinho lá mais para cima.
Um expediente que eu tenho usado muito na minha prática é, além de perguntar para o cliente quais são seus planos, quais são seus objetivos, o que você realmente deseja, eu tenho trazido para a mesa a seguinte reflexão. Qual é o plano de Deus para a sua vida?
Que tal não deixar Deus de fora nessa hora? Porque muito provavelmente, né, Ana Nilsson, numa enfermidade, Deus aparece. Num problema, Deus aparece. No desafio, Deus é recorrido. Mas e numa situação como essa? Por que não também trazer Ele pra mesa nessa situação? Qual é o projeto de Deus pra essa estação na tua vida?
E aí, sim, eu tenho encontrado conversas ainda mais profundas, ainda mais abrangentes.
Muito legal o caso, queridão. Eu nem percebi aqui, já estamos quase em uma hora e dois minutos. Olha só, hoje, para mim, a sensação que eu tenho é que a gente está meia hora conversando. Foi muito legal, muito legal as conversas. Mais uma vez, cara, e como é bom a gente poder... Viu, Gabriel? Na mesma medida que você, aos 30, tem servido casais mais velhos, olha também a gente. na altura dos nossos 44, 45, né, Fred, podendo servir pessoas com 60, 65. E na medida que a gente é obediente, confia num processo e busca relacionamentos profundos, como a Ana Nilsson bem destacou, isso cria confiança. Isso cria confiança. Obrigado, turma. Vamos encerrar?
Valeu, gente.
Obrigado pela oportunidade mais uma vez.
Muito bom, muito bem. Obrigado. E olha, Ana Nilson, já vai ligando o microfone aí. O Brasil é um país continental, porque eu falo de São Paulo, a Ana Nilson, lá em Minas Gerais, leva um tempo para chegar a coisa lá, viu, Ana Nilson? Não é bem norte de Minas, né, Ana Nilson? É norte de Minas já, o noroeste.
Norte de Minas, quase Bahia.
Exatamente, exatamente. É bom saber também que...
Amei, Aranilson, obrigado. Pessoal, só para lembrar, então, a gente aqui está numa dinâmica onde quando a gente consegue convergir a agenda dos planejadores, a gente faz um episódio. O nosso objetivo, né, Fredão, é a cada 15 dias. De vez em quando vai dar certo, de vez em quando pode ser mais frequente, mas a gente quer sempre manter aqui uma boa conversa, conversa na qual eu não tenho dúvidas, o Fred mesmo sempre cita isso, cara, quem mais aprende é a gente, né? Quem mais aprende é a gente, e é isso mesmo. Obrigado, meu irmão. Valeu, Turma.
Um abraço. Tchau, tchau.
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