AAP | Ep007: Life Transitions, ajudando o cliente a ter/aumentar renda, diminuição do padrão de vida para aumento do bem-estar.
18 Oct 2022 · 64 min
Episódio 7 do podcast 'Arte do Planejamento' (Academia de Planejadores) em que André Novaes, Fred, Rodrigo Guerreiro e Thiago Botelhos discutem como planejadores financeiros auxiliam clientes em transições de vida — divórcio, mudança de padrão de vida, cuidados com pais idosos, desemprego — enfatizando a importância do diagnóstico inicial, criação de margem financeira, cenários (projeções) e relacionamento longo entre planejador e cliente como fator gerador de tranquilidade. O episódio apresenta vários casos reais e lições práticas sobre diminuir padrão de vida para aumentar bem-estar, organizar contas, priorizar objetivos e integrar conversas difíceis além do escopo técnico.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, sejam todos muito bem-vindos ao sétimo episódio aqui do nosso podcast Arte do Planejamento. Deixa eu te apresentar a boa companhia que a gente tem aqui para o bate-papo de hoje. Como sempre, o Fred aqui, o meu co-anfitrião. Como vai, Fred? Tudo bem?
Tudo bom, pessoal? Como é que vocês estão? Mais um dia aqui, mas um enorme prazer em estar aqui com todos vocês.
Muito bem, a gente tem aqui o repeteco da participação do Rodrigo Guerreiro, do Thiago Botelhos. Rodrigo, como é que você está? Tudo bem?
Tudo bom, André? E aí, pessoal? Muito feliz de estar de novo aqui, conversar mais um pouco com vocês.
Boa, Rodrigão. Thiago, mais uma vez, bem-vindo e obrigado por destilar a tua experiência, o teu conhecimento aqui para a gente.
Mais uma vez é um prazer estar aqui com vocês.
Muito bom. Turma, é o seguinte, só para reforçar, o grande objetivo que a gente tem com esse podcast é permitir um olhar mais maduro, com profundidade, com abrangência. Profundidade, a gente vai na direção da verticalidade do que um verdadeiro planejador financeiro faz. abrangência, horizontalidade, a multiplicidade de assuntos, de situações, de contextos que a gente pode imprimir o nosso serviço, o Eu Me Importo, e ajudar as famílias. A gente aborda aqui casos reais, casos que cada um de nós aqui enfrentou, vivenciou na semana passada com cliente real, com gente real. Então, aqui não tem script, não tem nenhuma combinação prévia, é exatamente a vida de um planejador como ela é. É uma grande troca de experiências entre colegas e para a gente é um privilégio poder a prestar esse serviço para a comunidade, uma comunidade vibrante, uma comunidade crescente de planejadores no país. Rodrigão, vamos começar com você. Você compartilhando para a gente o que você viveu na semana passada. Quem estiver escutando a gente aqui, não sei se está no carro, não sei se está numa academia, se está em casa, mas a gente está aqui num bom bate-papo. Eu estou tomando meu café, espero que vocês também. Rodrigo, deixa a gente te escutar.
André, hoje... trazer uma conversa aqui que eu acho muito, muito interessante, acho que é a história de vida rica e que impacta bem na vida financeira. Essa pessoa com quem eu conversei na última semana, qual o contexto dela? Pessoa da área da saúde, médico, e eu acho esse caso muito interessante porque mostra como ao longo da vida a gente vai ter diferentes fases com diferentes necessidades. Então, durante a vida de estudante de medicina, uma vida vai, digamos, do típico estudante sem grana. Então, claro, o curso de medicina é uma demanda super grande, então ele não conciliava outras atividades com isso. Tinha uma vida ok de estudante ali, mas com a grana contada. Mas já no fim do curso, da graduação, essa pessoa começa a se relacionar com outra, com quem se casa, e é uma pessoa mais velha, com uma condição de vida muito boa, já num estágio de carreira já avançado. Então, essa pessoa com quem eu conversei semana passada, ela já iniciou a vida profissional numa condição financeira muito confortável, por conta da condição do parceiro. E nessa condição nunca durante vários anos se preocupou com absolutamente nada da vida financeira. Então teve todo esse início, os primeiros 10 anos de carreira sem de fato se preocupar com nada da vida financeira por conta da situação muito tranquila do parceiro e que arcava com todas as despesas. já tinha uma moradia muito confortável, uma casa grande, uma vida rica de fato. E depois de alguns anos, alguns vários anos, mais de 10 anos, esse relacionamento terminou. E de forma, digamos, relativamente tardia, essa pessoa se viu pela primeira vez na vida dela ali, tendo que tocar individualmente a vida financeira, ter que olhar para a vida profissional também com alguma profundidade maior sobre quanto ganha, que tipo de vida ela pode ter a partir de agora. Então teve uma redução do padrão de vida, claro, e a pessoa me procurou para conversar justamente porque estava vivendo esse momento, essa separação se deu um pouco menos de um ano e a pessoa se viu nessa situação perdido mesmo de fato, sem o mínimo realmente de conhecimento ali das questões mais práticas do dia a dia financeiras mesmo. E até questões relacionadas a impostos, o que eu preciso fazer, a vida profissional dela, o que eu preciso olhar, o que eu preciso anotar, controlar, como é que eu me planejo para o futuro. Então questionamentos que a vida adulta te obrigam a se relacionar com o dinheiro, mas que essa pessoa está vivendo isso agora. Então é esse caso aqui que eu quero trazer, que acho que mostra bem como ao longo da vida a gente pode ter diferentes momentos, bem distintos.
Rodrigo, num caso desse, alguém então que aparentemente você precisa Exercitar, além do planejamento, todo um processo de reeducação. Muitas vezes, a reeducação vai na direção de reformar alguns conceitos, abrir mão de algumas coisas e colocar outras no lugar. Me parece um caso também no qual você tem uma relevância potencialmente até terapêutica junto a essa cliente. Como é que você enxerga isso?
Você traçando os primeiros passos da sua caminhada, como se sente frente a esse desafio, Rodrigo?
O André, acho que está bem evidente esse aspecto que você comentou, porque para além da questão financeira, tem uma questão bem prática dessa parte de educação financeira, de conduzir essa pessoa em alguns temas que ela precisa agora dominar individualmente, mas tem de fato uma mudança grande na vida dessa pessoa, não só pelo término do relacionamento, claro, mas com uma mudança de padrão de vida. Então, como eu falei, o parceiro dessa pessoa tinha uma vida muito confortável, da qual ela desfrutava ali também. E ela fez esse primeiro movimento, mudou de moradia, e um aspecto interessante até é que ela está mudando agora pela segunda vez de moradia porque ela vivia numa casa tão grande que o primeiro movimento dela foi para um apartamento que agora rapidamente ela descobriu que ainda é grande e que ainda gera uma despesa muito relevante. Então está fazendo mais um movimento para algo mais simples, porque está se dando conta de que, de fato, não precisa de todo aquele espaço, de todo esse gasto também. Mas tem um processo de mudança de vida mesmo, num âmbito maior, de não ter mais esse relacionamento. de ter um outro padrão de vida e agora mais responsabilidades no que diz respeito ao dia-a-dia da vida, que realmente é mais complexo. O lado positivo que eu percebo é que essa pessoa chegou para conversar comigo aparentemente num estágio de maturidade bem grande, bastante consciência desse processo, e eu acho que procurar um profissional como a gente, é inclusive um dos sintomas disso, foi algo que eu comentei com ela, a consciência da busca da ajuda do profissional, de valorizar de fato essa necessidade de um profissional para conduzir esse processo da maneira mais serena possível, para ter esse entendimento mais aprofundado da vida financeira dela, numa transição que não é só uma questão financeira, é muito mais complicada que isso.
Tremendo, tremendo. Fred, Tiago, quero convidar vocês aqui para a conversa. Deixa eu convidar o Tiago primeiro. Esse caso me parece uma situação na qual atender a cliente no escopo do planejamento financeiro ou até mesmo somente no escopo da nossa metodologia ajuda, mas não completa. Eu creio que seja um caso no qual a gente tenha que imprimir um relacionamento mais cuidadoso com a cliente. Tiago, como é que você tem aprendido na sua carreira já com um bom número de clientes, com alguns anos, já podendo ter vivido ciclos com clientes, essa função entre atender no escopo e relacionar-se além dele. Isso é algo que você pratica? Como é que você tem percebido isso? Compartilhe um pouco para a gente.
A minha percepção vai na direção de.
Ao estar conectado com o contexto de vida do outro lado, perceber que a pessoa está mais disposta a encarar determinado processo, porque ela te contratou por alguma razão. mas ao mesmo tempo ela muitas vezes se vê ali imersa no seu próprio contexto, no seu próprio mundo de relacionamentos e acaba sendo cega para um tanto de outras coisas. E essa questão de você usar a metodologia, mas ao mesmo tempo ir além, no sentido de que você precisa perceber que aquele contexto está realmente favorecendo para uma conversa diferente, ou pelo menos complementada àquilo que seria aquela coisa mais dura do financeiro, quanto que está gastando, para onde está indo o dinheiro, qual é o tamanho do patrimônio, de onde vem tal coisa e tal coisa. é você realmente começar a se conectar com as histórias por trás dessas movimentações financeiras. Em momentos de transições são momentos bem drásticos, muitas vezes de mudança de direção do dinheiro. E eu acho que essa é uma grande oportunidade que a gente tem de poder se conectar. Porque essas movimentações, ajudar o cliente a perceber que essas movimentações de dinheiro estão definitivamente conectadas com as decisões que ela tomou. Algumas totalmente conscientes, outras talvez nem tanto. Então eu tenho percebido que esse relacionar tem muito a ver com isso. A gente vai sair da metodologia num sentido de que a gente vai poder realmente entender o que está por trás daquela grande mudança de direção do dinheiro, digamos assim.
Joia, joia. Muito bem. Fred, e você, cara, como é que você tem aí com uma.
Uma década e mais alguma coisa de experiência também. E a gente sabe que isso não serve como uma medida triunfalista, isso só serve para mostrar para a gente quanto a gente ainda tem para aprender. Mas.
De novo, um caso que, ao meu ver, extrapola o escopo, tem traços terapêuticos e que, para mim, é um evidente convite para um relacionamento que provavelmente pode inclusive passar por conversas difíceis, como o Tiago destacou. O que você tem aprendido na sua carreira? Como é que você tem percebido isso? Compartilha pra gente.
Primeiro ponto, né, André? Os anos de experiência só vão acumular histórias e casos similares, parecidos e etc. que vão funcionar como lições aprendidas, para termos mais coisas para conversar, para falar, cenários que já olhamos. Mas eu acho que, nesse ponto, a principal A questão ali junto com o Rodrigo e com o cliente é que, assim, incentivar esse relacionamento com o cliente, incentivar essas conversas difíceis que precisarão ser feitas, etc., é o canal até para que o Rodrigo, por exemplo, na construção da carreira dele, tenha esse desafio como essa lição aprendida que pode lhe servir, Rodrigo, para N outros casos, tá? E um ponto muito importante é o seguinte, olha a importância que tem da sequência do trabalho ao longo de uma vida com o planejamento. Por quê? Com o planejador ao lado, né? A gente fala muito do casamento financeiro, dos casais, etc. Talvez esse casamento tenha sido tão financeiramente feito ali que existiu essa dependência do outro, essa interdependência, essa flexibilização do padrão de vida e etc., das coisas que ele ou ela conseguiu conquistar, e que cegaram um pouco a visão dele do mundo real. E como a vida não é redondinha, ela é bem quadrada, o planejador e o planejamento como guia ao longo da vida são extremamente importantes. Nota que você vai ter A partir de agora, essa função num, talvez, novo ciclo da vida, né? Dessa pessoa. Numa construção de não que ele tenha errado alguma coisa em relação ao relacionamento e etc. Acontece, né? Acontece. Mas que ele pode reformar tudo isso e tratar de forma diferente daqui pra frente outros relacionamentos, Outra visão dele da profissão, da carreira, da parte financeira pessoal e etc. Então, podem ser conversas tratadas como difíceis, tá, André? Mas são necessárias.
Sem dúvida.
Essa profundidade é necessária para que você construa.
A imagem, realmente, de um guia junto a essa nova família, de repente, que vai se formar, de repente, a pessoa se relaciona com outra e forma uma nova família, e que você realmente signifique talvez a ferramenta de uma mudança dele olhar para tudo, enxergar tudo de forma correta. e não se privar só em olhar para a parte financeira. É muito do papel do planejador em falar para o cliente o seguinte, ó, tudo bem que a gente vai olhar para a parte financeira para você entender e aprender tudo isso, mas o mais importante é a gente entender aquilo que a tua vida vai demandar para que você tenha as melhores decisões financeiras atreladas e alocadas a ela, a tua vida pessoal, familiar e etc., e profissional. Então, necessário essas conversas difíceis e necessário o teu papel para entender que esse passado recente dele não define, prepara ele ou ela, perdão, para as coisas futuras. E assim, cara, não deixe de mergulhar nessa relação que você pode construir com esse cliente porque vai ser extremamente importante a tua companhia para essa mudança.
Bem colocado. Uma coisa importante que tenho aprendido em casos assim, onde o escopo se amplifica, vai desde organização de contas para pagar, passa por questões de impostos, tem o planejamento. Estimo que, em algum momento, ela vai te convidar para repensar a carreira, que vai te convidar para participar de um escopo realmente amplo. O cuidado que eu creio que a gente tem que ter como planejador é, se a gente também decide por tocar tudo, fazer tudo, se envolver com tudo, sem uma ordem, a probabilidade de a gente gerar o sentimento no cliente de que a gente não está fazendo nada, ela existe. Então, o que eu coloco quando situações assim são apresentadas, primeiro, é um agradecimento na direção de contar com a nossa ajuda. Mas depois da gratidão, uma ordem e uma orientação. E eu digo o seguinte, a gente tem diversas ruas aqui para a gente percorrer, entre onde a gente está e onde a gente quer chegar. E eu me sinto privilegiado em passar por todas essas ruas. Mas, para agora, para essa estação da nossa vida, qual é a avenida? Qual é a avenida? Qual é o tema central para a gente poder cuidar? Muito na direção daquilo que a gente aprende com o livro A Única Coisa. Qual é a avenida? Qual é a única coisa que, se a gente percorrer, todas as demais ficam mais claras, se tornam mais evidentes, fica melhor a gente poder, posteriormente, percorrer. Então, Rodrigo, É um privilégio, um presente que você tem de estar podendo servir num escopo ampliado, mas não deixe de imprimir esse cuidado para que o sentimento não seja de divagação, mas para que o sentimento seja de concentração. Qual é a avenida que a gente tem que percorrer? Não descartando as ruas, mas qual é a avenida que a gente tem que percorrer? Muito bacana, cara, casa muito legal, boa maneira de começar o bate-papo aqui. Deixa eu ver agora, deixa eu convidar o Fred agora. Fred, compartilha você, cara, o que você viveu aí na semana passada. Você raramente estava trabalhando na semana passada, como a gente já tem percebido, mas conta para a gente, teve alguma coisa diferente?
Intrigas da oposição, lógico que estava.
Naturalmente, naturalmente.
André, eu acho que é um caso que veio, inclusive, de uma cliente que está há bastante tempo comigo. E por estar há bastante tempo, a gente entra tanto nesse detalhe. E eu acho que vem muito... Defina.
Há bastante tempo, queridão. Quanto tempo você tem o privilégio de servi-la?
Se eu não me engano, seis anos agora.
É, seis ou cinco e meio, alguma coisa do tipo. Então tem um bom tempo já aí nessa estrada, vamos falar assim.
E o mais bacana é que também, sem querer aqui, um pouco alinhado ali com o que eu acabei de falar para o Rodrigo, uma cliente também que veio caminhando com mudanças necessárias na vida, mas que as avenidas foram começando a ser escolhidas ao longo do processo de planejamento e realmente, gente, eu vou frisar muito isso, o guia que o planejador tem que significar ali dentro da questão do plano priorário de vida da família, da pessoa e etc. Então, uma pessoa que há tempo atrás, no início do trabalho, tinha muita reticência em relação àquilo que estava gastando, se podia sair. Olha só, já com quase 40 anos, se podia sair da casa dos pais, porque ajudava demais os pais na parte financeira e etc. Tanto é a ponto de o carro dela estar com o pai e a mãe. Ela usa Uber para tudo, porque o carro fica lá à disposição deles. Mas ela tinha aquela vontade de sair de casa. Aí o trabalho primeiro foi de, ó, ok, saiu de casa, pode tocar, as coisas seguem e tudo bem. E aí mostrar pra ela que, ó, cabe o sair de casa, cabe ainda uma certa ajuda, que também é um próprio desmame que ela foi fazendo em relação a essa parte toda, porque tem outros irmãos ali também que precisam ajudar, né, e que podem. E foi caminhando com isso. até um ponto que tudo estava ok, os investimentos sendo feitos para o futuro, para as viagens, para os congressos, para as coisas todas que ela quer fazer, inclusive para dar liberdade para ela, num determinado ponto, de escolher aonde ela ia trabalhar e começar a... Aqui eu posso tirar o pé, porque eu vou entrar em outro, vou fazer outra coisa, quero buscar coisas que combinam mais com a minha carreira e com aquilo que eu quero fazer. Ela é médica, tá? E o que acontece? Recentemente, o pai teve um grande problema, um agravo na condição de saúde, e ela, como médica, precisou decidir assim. Cara, eu vou precisar colocar meu pai numa casa de cuidados. E o custo ia explodir.
O mais legal, o mais importante é que toda a conversa rumou muito para essa questão de o quanto que ela está sofrendo e não estar lá, não ter percebido talvez alguma coisa que ela podia ter percebido e tal, etc. Mas ao mesmo tempo ela ter a consciência de que a decisão foi a correta e que ela precisava disso e tudo mais. E agora ela entender que está tudo bem mesmo se ela aumentar três vezes a ajuda que ela vai dar.
Para a família, porque ela está continuando podendo fazer tudo e mais isso. Nas equações todas, mas ela tinha uma reticência muito grande de.
Meus irmãos não vão ajudar, eu não posso contar, eu sou a mais velha, eu preciso fazer, eu preciso fazer e eu estou com medo de não conseguir investir para minhas coisas, não conseguir dedicar para aquilo que eu quero, não conseguir ajustar o meu final de semana livre que eu quero, os plantões do jeito que eu quero colocar, tal, etc. E as coisas estão caminhando, estão caminhando super bem e a ajuda está saindo 100% dela para essa ponta de cuidado e olha o mais legal.
O pai dela tá respondendo super bem a todo o tratamento, porque ele precisa de cuidado diário. Então ele tá melhorando, ele tá conseguindo arrumar de comida totalmente líquida pra mais pastosa e daqui a pouco talvez pra uma outra evolução e assim vai, tá? Começando a conseguir fazer as coisas de forma mais autônoma, mas com o tratamento que ela precisava dar. para ele, independente de qualquer situação financeira que pudesse lhe apresentar, sem questionar quem poderia ou não ajudar, etc., mas uma clareza muito grande de que todos os projetos continuarão mesmo que ela precise, dentro dessa mudança, Rodrigão, do plano de vida no meio do caminho ali, talvez olhar e falar assim, putz, Fred, eu saí de casa lá atrás e agora, talvez, aquele custo todo que eu tenho sozinha, eu preciso fazer lá. E a gente olhar e falar, tudo bem, não é ganhar mais, gastar melhor e agora cabe.
Agora, Fred, uma coisa só para... Acho que tem uma coisa interessante para explorar. Eu imagino que, ao destinar uma ajuda que você citou possivelmente três vezes maior, para poder cuidar do pai, algum reflexo disso na vida financeira, seja nos gastos presentes ou seja nos investimentos futuros, provavelmente ela teve. Mas, naturalmente, você também está colocando a relevância Eu quis explorar a questão de quanto tempo, porque em cinco anos e meio ou seis já existiram ciclos abertos, ciclos fechados e ciclos renovados. Mas algum reflexo tem, algum impacto tem? Como é que vocês lidaram com isso? Você projetou alguma consequência? Vocês criaram cenários? Quais técnicas do planejamento financeiro você usou para que ela tenha tranquilidade numa situação de vida.
O legal é que eu queria bem tocar nesse ponto, André. O ponto todo foi o seguinte, a gente sabe que aqui dentro, como a gente lida com esse carimbar do dinheiro e essa destinação toda, a alocação 100% obediente à destinação e etc. E aí, o que nós pudemos ver? Que, na verdade, ela está muito à frente do plano da aposentadoria dela, que é o principal e mais custoso.
E eu mostrei para ela que a frente que ela está, significa ela poder gastar esses três vezes mais sem afetar o plano dela futuro. Então, não teve que inventar dinheiro, teve que redestinar. Mas as coisas estão tão corretas no orçamento dela que ela continuou fazendo aquilo que ela se colocou para fazer todo mês, aquela parcela para ela, para o futuro. e mesmo assim ainda está cabendo. Por quê? Porque ela tinha uma sobra de alocação ajustada com algumas coisas que nós fomos fazendo ao longo do tempo e que estava sendo destinada para esse acelerar do plano naquele momento que ela decidiu. O acelerar do plano era até para uma opção de alteração do trabalho agora, de outras opções de trabalho que ela está buscando, etc. Ou seja, para talvez ganhar menos por um período, E o mais legal, esses cenários todos pintados, você vê que ajudou a uma necessidade que surgiu, não estava programada, né? e que pode e deve ajudá-la nessas decisões financeiras em relação ao trabalho também. Por quê? Porque ela vai poder dedicar mais tempo se ela fizer algumas opções que a gente está... Algumas coisas que estão pintando na fase de vida dela de profissional, entendeu? Então, assim, cenários. Lá na frente está tudo certo. Se você continuar colaborando desse jeito, pode ser menos e tudo bem, porque nós estamos à frente. Fred, quanto à frente, se eu recalcular hoje com o montante que ela já juntou, na verdade, a parcela cai pela metade. Mas ela falou, Fred, quero manter essa parcela, quando der, eu faço inteira, se não, eu faço a metade. E vamos entender isso. E tira um peso absurdo. Por quê? Porque ela estava com aquele peso do seguinte, cara, eu preciso fazer isso, mas eu também preciso fazer aquilo, mas sabe aquela questão de... Vai faltar abraço e, na verdade, não, está tudo bem.
Cara, isso é uma coisa muito interessante, até para tentar ilustrar e convidar quem está escutando a gente aqui, pelo menos a imaginar um pouco do que a gente está falando. A gente tem uma ferramenta dentro do sistema que a gente usa, chamada Dreams Under Management, ou sonhos sob gestão, e basicamente essa ferramenta, tentando explicar de maneira bastante direta, ela permite aos nossos clientes perceber não somente o quanto rendeu a carteira de investimento, não somente render o quanto aquela carteira rendeu comparada a um benchmark do mercado, mas fundamentalmente enxergar o quanto aquela carteira rende, de acordo com a expectativa que ele criou ao longo do tempo para como ela deveria e o quanto ela deveria render. Ou seja, a gente tenta entregar a seguinte imagem. Hey, você começou a planejar sua aposentadoria, digamos, há 5 anos atrás com o Fred, Era um projeto para 30 anos, portanto a gente já caminhou 5 dos 30, faltam 25. Nesse marco era para você ter X destinado para a sua aposentadoria. Você já tem 2X. A gente sabe se tem mais, ou ela pode antecipar o tempo, ou no mesmo tempo ela pode aumentar o valor futuro desejado, ou como o Fred apontou para ela, para a gente manter o mesmo prazo e a gente chegar no mesmo valor futuro, a partir de agora você pode investir menos. Mas olha só, além disso, a derivada disso é muito mais importante do que o próprio número que isso mostra. Qual é a derivada? Eu posso ser generosa. Eu posso ajudar meu pai e eu posso fazer isso em paz. Acho que duas coisas são evidentes. Eu quero convidar o Tiago e o Rodrigo também para compartilharem um pouquinho. Como é que vocês imaginam estar usando isso no futuro? Mas quais são as duas coisas evidentes? Primeiro, a relevância da continuidade de longo prazo com o planejador. para que tudo isso seja, quando necessário, acontecer, ter uma narrativa e um contexto amplo para que a tranquilidade seja, então, dialogada e criada e não simplesmente fica tranquilo por ficar tranquilo. Existe uma história que suporta isso. E outro ponto.
O nosso trabalho não pode ser pautado em investimentos, não pode ser sequer remunerado pautado em investimentos, porque potencialmente o Fred, a gente como planejador, a gente também tem que ter a total tranquilidade, a total isenção para resgate quando necessário, deixe de investir quando necessário. Tiago Rodrigo, como é que vocês se sentem no contexto Muitas vezes, como é que vocês até projetam essas conversas? Porque eu também creio que, muitas vezes, para a gente chegar onde a gente quer chegar, a gente tem que projetar chegar onde a gente deseja chegar. Como é que vocês imaginam esse tipo de diálogo com os clientes, podendo então mostrar para eles justamente o produto dessa conta que a gente faz? Como vocês imaginam usando isso, os benefícios disso? O que vocês têm para dizer para a gente?
E só antes deles entrarem aqui, só para dar mais um tempero. Algumas reuniões mais recentes, nós pouco falamos de dinheiro, mas muito mais falamos sobre plano e projeto dela e toda a sensação que ela tinha de aquilo que ela precisava fazer.
Depois o Chavo, que é mais experiente que eu, depois ele arremata. Vou falar as coisas que me veio à mente aqui, André, e que me chamaram muita atenção nesses casos de transição que o Fred trouxe, que de alguma maneira também está relacionado com aquele primeiro caso que a gente comentou. O primeiro ponto é que, de fato, a gente só consegue avaliar esses impactos dessas mudanças porque a gente sabe onde tá pisando hoje. Então, por vezes, os clientes ficam até em dúvida, né? Não, mas eu tenho um tema de transição de carreira, eu tenho um tema de uma mudança na minha vida, eu preciso olhar mesmo aqui, registrar algumas coisas, passar tanto tempo nesse diagnóstico, né? Mas de fato, o ponto de partida é o ponto de partida por um motivo. A gente precisa ter alguma clareza de onde a gente está saindo para conseguir fazer com qualidade essa projeção. E eu acho que a palavra que você trouxe, André, é chave nessas transições. É paz. é trazer paz de espírito para essa mudança, fazer isso com serenidade. Essas transições já são estressantes por si só.
E por vezes essas questões, por exemplo, que o Fred traz de saúde, Acho que a gente quando se vê nisso, a gente pensa às vezes, não, isso está acima de qualquer coisa, eu estou falando de saúde, eu estou falando do meu pai, dinheiro, o que é dinheiro perto disso? Mas a grande questão aqui, para esses aspectos que vão para além de uma questão financeira, o que você não quer ter em conjunto com essas transições, é um problema financeiro, é uma preocupação financeira. Ter essa parte já com clareza, com segurança, isso ameniza muito toda e qualquer situação dessa. E quem está ouvindo a gente, que já esteve próximo de uma situação dessa, sabe bem claro, isso marca a gente quando você passa por um momento desse. E não se engane, Você pode estar no hospital com um parente numa situação super vulnerável e você vai ter que lidar com essa situação. Você vai ter que descer no segundo andar do hospital e discutir o financiamento, discutir como aquilo vai ser pago e ir atrás do plano de saúde. Infelizmente, a gente não consegue fugir dessas questões. Então, ter isso equacionado faz toda a diferença pra você, de fato, focar no que importa, ter isso resolvido, você vai focar no seu pai, você vai focar na pessoa que está com aquele problema, você vai focar na sua transição de carreira. Isso para mim, nessa história do Fred, é o que chama mais atenção realmente, a relevância de ter esse trabalho bem feito e o que você falou, os anos dão uma profundidade ainda maior para isso.
Muito bom, Rodrigo. Tiagão, e você, cara? Como é que você... A gente aqui tem o privilégio de ter acompanhado o Tiago, um homem cuidadoso, analítico, observador das coisas. Então, eu tenho o sentimento de que você tem algo legal para compartilhar com a gente quando pode olhar os números, as consequências dos números, todo esse viés analítico. O que você tem para compartilhar?
Subiu a barra aqui para mim.
Assim, eu acho que essa clareza que o Rodrigo traz, para mim, passa por uma resposta bem específica, que é quanto custa a minha vida hoje.
E conversar sobre isso não é tão simples, e chegar nesse número não é tão simples. E aí conversa com aquilo que o Fred hoje teve condições de fazer, que é quanto eu quero que minha vida custe lá na frente. porque ele só sabe que a cliente dele está duas vezes à frente do plano porque já existe uma clareza de quanto custa essa vida lá na frente. porque essa tranquilidade é impossível dela emergir quando a gente não tem um plano, porque se a gente fica naquela onda de vai dar tudo certo no final, tá tudo bem, não tem uma preocupação e tudo mais, efetivamente isso é uma auto enganação a meu ver, porque acaba sendo um processo onde você Como é que você fica tranquilo de destinar R$2.000, R$3.000, não sei quanto, para uma doação ou uma ajuda a um parente todos os meses, a partir do momento em que você não faz a menor ideia quanto esses R$2.000 significa a menos na sua aposentadoria lá na frente. Então, colocar isso na ponta do lápis, para mim, é definitivo. Para mim, esse caso ilustra uma coisa que acaba sendo completamente negligenciado pela toda a indústria do mercado financeiro, que é o assunto que a gente poderia talvez colocar aqui como cuidados paliativos dos pais, cuidado com nossos pais. E isso não só é uma realidade, mas a gente vive uma certa exaltação da juventude, uma certa negligência com relação aos pais, aos idosos, e vive no mundo à lua achando que a gente nunca vai dar trabalho para ninguém. Na verdade, assim como nossos pais em algum momento estão dando trabalho para a gente, a gente também vai dar trabalho para os nossos filhos e a gente precisa de alguma forma se preparar para isso, inclusive financeiramente. Mas acho que isso é um privilégio, participar desse processo com os clientes.
Bem colocado, Thiago. Você usou o termo paliativo. Eu me recordo aqui de um casal, médicos, clientes, jovens, mas que optaram por se especializar em medicina paliativa, em cuidados paliativos, ambos orientais, e como as reuniões com eles são agradáveis, porque eles também colocam... André, o sentimento que a gente tem é que o cuidado de um planejador é paliativo. na direção também de criar um ambiente higienicamente, até para falar um pouco aqui de Maslow, e também financeiramente adequado para a gente conduzir a vida toda, entendendo com maturidade, com honestidade, o tamanho disso, ou seja, a relevância da aposentadoria lá na frente. Esse é um tema bom para a gente explorar. Fred, cara, acho que é um tema interessantíssimo e eu acho muito legal quando você presenteia a gente com casos de cinco, seis anos e eu me recordo de uma conversa com alguns planejadores americanos, que a gente aqui com 10, 12, 15, somos bebês quando esses caras então conversam há cerca dos últimos 30, 40 anos que viveram com clientes, mas eu me lembro de um deles um cara que eu conheci em Mineápolis, e ele usou um termo que, no seu caso, me fez lembrar desse termo. E ele me falou, olha, o grande valor de um planejador, talvez o nosso papel poderia ser definido como, eu vou falar em inglês, é difícil traduzir, mas vocês me ajudam, ele falou, somos peacemakers on life transitions. A gente é fazedor da paz, nas transições de vida. E ele dizendo, a gente não precisa inventar nenhuma life transition, nenhuma transição, elas ocorrem naturalmente. Agora, o nosso papel é dar paz nisso que geralmente desestabiliza as pessoas. Um emprego novo pode desestabilizar, o desemprego pode desestabilizar. Um casamento, um divórcio, o nascimento dos filhos, a saída dos filhos de casa, o empreender, tantas coisas. E um bom planejamento sustenta, suporta tudo isso. Mas não é só o planejamento, e é aqui que eu concluo. É a relação longeva com o planejador. É a relação longeva com o planejador.
E o mais interessante, fazendo um trocadilho aqui com as palavras, André, o peace pode ser de peace também de pedaço, tá? Corrige a minha pronúncia se tiver errada, mas pode ser um pouquinho de pedaço. Por que eu falo pedaço? Porque, na verdade, tanto esse que eu trouxe quanto o do Rodrigo será e tem sido, problemas que talvez estejam sendo apresentados de forma muito complexa, mas que, na verdade, dividindo as ruas e nas próximas avenidas que nós vamos tomar no caminho, é o mais correto a se fazer. A solução, nós engenheiros aqui, Rodrigo e Thiago, sabemos disso, a solução integrativa passa por dividir em problemas menores e que nós sabemos a solução para formatar a solução do problema maior e que parecia insolúvel. Então a gente vai ao longo do tempo com a relação com o tratamento, junto com o cliente, tratamento que eu digo assim, tratamento das questões, né? E às vezes pode ser até um tratamento mesmo da educação financeira, dividindo tudo em problemas menores, solucionáveis e que vão se apresentando como, olha, olha a soma disso, olha o que vai dar lá na frente. E, na verdade, tanto a aposentadoria quanto outras coisas que vão surgir, Sendo divididas de forma correta em problemas menores, a solução começa a se apresentar de forma mais tranquila, e a sequência dela é que vai construir todo o plano lá na frente.
Muito bom. Muito bom, queridão. Tiagão, pra gente conhecer um pouquinho mais sobre como foi a sua semana passada, qual caso, caos ou encontro relevante você pode compartilhar com a gente?
Vamos lá, tem um caso de uma cliente que me contratou em um período de desemprego, então ela estava em uma fase com algum patrimônio, mas ao mesmo tempo com dívida. e desempregada, ou seja, era um momento bastante turbulento, na verdade, e ela viu que ela precisava de ajuda e ela realmente topou E aí a nossa primeira fase do trabalho foi o tempo todo resgatando, no caso, as principais prioridades e aquilo que ela realmente precisava fazer. Então a gente tinha que realmente priorizar algumas batalhas e aquilo que foi o foco ao longo de alguns meses até ela conseguir um emprego foi justamente esse foco por tentar encontrar essa alternativa de renda que ia viabilizar outras coisas. Mas é interessante perceber que ao longo desses meses e ao longo do momento onde ela ainda não tinha clareza de quanto ela ia de fato ter de renda, como é que seria isso, a gente teve a possibilidade de encarar algumas coisas de frente e tomar algumas decisões importantes. Então, eu gosto muito daquela analogia da da árvore que no inverno você tem ali aquele momento de perda das folhas, perda das flores e a gente vai e enxerga que está numa fase onde a gente precisa se apegar às raízes e aos caules que é o que vai manter a árvore viva no final das contas para voltar a primavera e tudo mais.
E a cliente no caso ela estava muito decidida eu não quero Eu não quero que você me fale coisas aqui para me afagar o meu ego. Não, eu quero que você me ajude a tomar decisões que me tirem, me ajudem a tirar dessa situação. E aí, com essa disposição, ela no primeiro e no segundo mês de conversa, ela já conseguiu enxergar que um primeiro passo seria sair da casa onde ela estava e ir para um lugar que custaria três vezes menos durante aquele período. Essa decisão não é uma decisão simples, porque de fato ela estava no conforto de uma casa de dois dormitórios perto da praia, poucos quilômetros da praia, e ela voltou para a cidade de São Paulo num apartamento de um dormitório. Então imagine a diferença disso, que tinha num termo de padrão de vida, mas ela estava realmente disposta a poder fazer a coisa diferente. E nesse processo, a gente teve a chance de conversar, então, não só sobre como é que foi esse processo de dívidas, mas sobre a questão do endividamento e organizando as fases, como é que a gente ia resolver esse processo todo de...
O Thiago teve algum problema no áudio ali, pessoal. Daqui a pouco ele volta. Vamos aproveitar um pouco.
Eu estou aqui fazendo as minhas anotações para poder dar uma meada, não perder o fio da meada. Olha só que coisa interessante que ele colocou. Ô Thiago, você voltou, imagina. Eu tentei aqui enrolar enquanto você estava por aí, mas que bom que você me salvou, porque eu não estava conseguindo, eu não estava tendo sucesso aqui na minha...
Não, não, é, me perdoe por essa fala técnica.
Imagina, travou no seguinte, você falou uma coisa interessante. Eu já tenho aqui duas coisas para te perguntar, mas só para você continuar, concluir. Você falou sobre uma mudança estrutural, sair de uma casa confortável, dois dormitórios perto da praia, voltando para São Paulo, um dormitório. Já vou até te dar o gancho aqui do que eu anotei. Eu coloquei aqui uma diminuição do padrão de vida para aumento do bem-estar. É mais ou menos isso, isso foi possível, mas enfim, conclua o caso para a gente poder explorar, tem algumas facetas legais aqui.
Sim, e aí no dia que chegou a notícia onde ela teria um emprego e teria uma renda, aquilo se tornou um oásis, no sentido de que, caramba, tudo aquilo que a gente veio construindo de primeiro faz isso, primeiro faz aquilo, primeiro faz aquilo outro, dá uma margem, e a margem que ela consegue construir agora, a partir de um padrão de vida mais modesto, dá condições dela sair dessa, superar essa montanha de uma maneira muito mais rápida. E, de novo, decisões a partir de conversas que a gente teve complexas e difíceis.
E eu quero pegar um pouco disso, porque uma coisa que você colocou também é que, primeiro, me parece uma cliente muito consciente e muito madura, até na direção de dizer, eu reconheço que eu preciso de ajuda. num contexto onde há um patrimônio, mas também há dívidas, e eu ainda não tenho mais renda. E você comentou que a primeira fase do trabalho foi resgatar prioridades. Como é que você fez isso, Tiago? Como é que você conduz os seus clientes na direção de resgatar prioridades?
Bom, em primeiro lugar a gente tem que combinar, eu acabo combinando com os meus clientes aquilo que seria um grande objetivo inicial. Eu deixo meu cliente trazer essa grande meta. E aí obviamente tem a ver no caso dela, tinha a ver, o que mais agoniava ela era a questão da dívida e obviamente que a resolução da dívida vinha com o retorno de uma renda. Agora o que um planejador financeiro pode fazer em termos de oferecer um trabalho, oferecer uma renda? Não, mas o que a gente pode seguir em um caminho, então vamos redirecionar, isso aqui está contido, isso aqui consegue ser uma prioridade, mas aqui dentro do nosso trabalho o que a gente pode fazer é olhar para dentro de casa e enxergar aquilo que está hoje nas suas possibilidades. Então a partir do momento que a gente mapeia o padrão de vida, mapeia o custo de vida, Isso torna evidente e durante a conversa a própria pessoa, ao perceber algumas coisas que ela não enxergava, ela começa a identificar, então, retornando à neologia, começa a identificar o que são flores e folhas e o que é caule e o que é raiz. E ela se apegando ao caule e à raiz tem a condição da gente junto tomar a decisão de é por aqui que a gente tem que seguir.
Muito bom. Fred, já passou alguma vez por uma situação análoga, contexto no qual você teve que ajudar um cliente a recuperar a renda? recuperar um trabalho ou até mesmo aumentar a renda, porque a gente fala muito no planejamento financeiro sobre não é gastar menos, é gastar melhor, mas chega uma hora que a gente também precisa abordar renda, é um dos componentes. Como é que se lida em casos assim?
André, primeiro ponto, só citar aqui para o Thiago, para se ele quiser usar aqui, pode usar também, que é legal a gente trocar as frases e as experiências. O mais legal aqui é que dessa cliente agora, essa renda significou um bônus para ela, não é, Thiago? Porque você equalizou tudo e agora surgiu uma renda onde, na verdade, ao invés de pagar muitas coisas, ela vai ter uma, não uma sobra, mas um alívio. Então esse ajuste foi super importante. É o que eu brinco com meus clientes, falando assim, o bônus tem que significar bônus e não pagamento de contas lá contando com ele. A mesma coisa aqui, o Tiago fez um super trabalho legal para que ela pudesse ajustar tudo para que agora a renda nova significasse um bônus para ela. Mas sim, André, já passei por isso. alguns clientes nessa questão de que, ok, a gente não gosta muito de falar que a solução do problema é buscar renda, mas às vezes precisa, mas temos que ser realistas, óbvio que o mais fácil para o planejador é falar assim, vamos lá que precisa ganhar mais, lembra, a gente sempre fala em gastar melhor e não ganhar mais, mas às vezes sim, precisa esse ponto, mas eu acho que o mais importante é essa construção junto com o cliente daquilo que é a necessidade financeira dele mínima e básica, para que até ele esteja aberto a oportunidades de trabalho ou locais ou estratégias onde ele conhecendo aquilo que ele precisa minimamente, ele passa a enxergar essas oportunidades como coisas boas e interessantes, que podem abrir o caminho dele. Porque, às vezes, a pessoa está num ponto tal que ela acredita que ela tem aquela necessidade de renda lá em cima, e ela talvez tenha deixado passar uma oportunidade só porque não era aquele valor. E não sei se vocês já tiveram, mas eu já tive pessoas que estavam nessa situação E que, ah, mas, pô, Fred, antes da gente olhar pra isso, eu já deixei, na verdade, uma oportunidade dessa passar porque eu achei que era pouco. Mas, na verdade, às vezes, não é que é pouco, é o suficiente pra você começar a dar o passo, né? Então, essa clareza é superimportante, principalmente para essas pessoas que estão nessa situação, porque, às vezes, essa oportunidade abre o caminho. Então, a importância de cenários, assim como no caso do Rodrigo, no meu e aqui do Tiago, ele pintar esses cenários, ele construir essas questões todas para que ela possa estar aberta também há oportunidades, há coisas boas que vêm pela frente, e sim, temos que estruturar até passos profissionais junto com os clientes, ou seja, qual é a tua prioridade, o que combina aí, o que você gostaria de realizar, de fazer, onde são as possibilidades de você aplicar ali para ter a oportunidade de trabalho, né? Construir esses cenários para ela entender que Poxa, talvez esse apartamento muito menor e bem mais barato, Thiago, seja muito mais próximo das oportunidades de trabalho dela e facilite toda a vida. Até na manutenção de um custo baixo. Então, olha a importância de você enxergar tudo isso e lapidar com o cliente essas escolhas. Porque, sim, faz parte do planejamento também de poder ter as escolhas das oportunidades que aparecem e, de repente, Opa, beleza, vou abraçar essa aqui. E às vezes essa é o trampolim só para as próximas questões que vão aparecer. Então, tive, sempre trabalhei com isso de a gente conhecer aquilo que é preciso para tirar o peso das costas e entender que, opa, pode ter coisa que já passou aí pela tua frente e você talvez negou por uma ausência de clareza de tudo que precisa ser feito, né? E agora, com a clareza, você pode topar algumas coisas. Citando um caso aqui de ontem, uma cliente minha que estava há 12 anos sem trabalhar, tá? Só dependente do marido. E semana passada pintou uma coisa pra ela que, assim, Fred, não é muito, mas é uma oportunidade de eu voltar. E como nós estruturamos todas as nossas contas, Isso já ajuda e eu vou voltar. Eu vou começar a me mostrar de novo para o mercado e começar a entender tudo. Olha a importância.
Rodrigão, olha que coisa legal aqui. Eu volto a destacar algo que o Tiago colocou, bem colocou. a criação de margem. Então, como é importante na vida a gente ter margem, o Fred depois trouxe uma aplicação extremamente prática dessa margem, que é poder olhar para uma oportunidade Anotem o que o Fred colocou. Não é uma questão de ser muito ou pouco, é uma questão de ser suficiente. Isso aqui dá um episódio inteiro. Que bom que o Fred citou isso. Mas, Rodrigo, muitas vezes, para criar margem, a gente vai ter que passar pelo que o Tiago passou, que é uma mudança estrutural. É fácil falar, preciso criar margem. Diminui a TV a cabo, come um pouquinho menos fora de casa, compra um pouco menos de roupa. Eu aqui vou te colocar um desafio, Rodrigo. E uma mudança estrutural na direção de mudar de casa, tirar filho da escola, mudar plano de saúde, deixar de ajudar algum parente, como no caso, que eventualmente o Fred, isso também pode acontecer, porque não há renda. E aí, você, apesar ainda de uma jovem caminhada, já passou por isso? Se não passou, como é que você tem se preparado para isso, Rodrigo?
André, não passei e eu acho que é isso que fica na cabeça de qualquer planejador, né? Esses momentos, né? Como que eu me coloco numa situação dessa que eu acho que é das mais complexas mesmo. essas escolhas, de fato os sacrifícios. E daí eu espero que o pessoal de casa aprenda o tanto que eu aprendo aqui ouvindo vocês, porque acho que o que o Thiago colocou deixou claro o valor de ter alguém ao seu lado para dar algum pragmatismo nessas decisões no momento de dificuldade. Essas escolhas que você coloca são super difíceis e muitas delas super pessoais e a pessoa vai ter que tomar a responsabilidade afinal das contas no final das contas é dela por essa decisão mas o nosso papel ali em trazer esse olhar mais pragmático, dá essa segurança, o suporte para essa pessoa faz toda a diferença. E acho que o que o Tiago trouxe aqui que me chama a atenção é de você dar visibilidade às vezes de que isso é um processo, de que isso passa. Isso vai passar. Algumas dessas escolhas, num momento de crise desse, lógico que vão ser difíceis. Eu imagino essa mudança de casa, lógico que é sofrida. Mas isso é uma fase. Isso vai passar. E como a gente já está vendo essa mudança que o Tiago trouxe, quando recupera o emprego, é uma nova perspectiva. Você é uma pessoa diferente, até abre outras possibilidades, de repente, que antes você jamais pensaria. Então, lógico que são muito delicadas essas mudanças, isso envolve também aquilo que a gente comentou, ter profundidade com o cliente, mas acho que dá visibilidade de que alguns desses passos são passageiros e a gente vai se recuperar disso e vamos seguir a vida à frente, pode dar muita força para as pessoas que estão num momento de fragilidade, realmente. Dá esse pragmatismo e, inclusive, na questão paliativa que o Fred traz, dá renda suficiente. Eu acho que aquilo te coloca, inclusive, num estado de espírito melhor, mais tranquilo, mais calmo, para buscar coisas melhores. A gente precisa, nesse momento, pensar nisso também.
Muito bom, muito bom.
Eu vou trazer o termo que o meu cliente que passou por isso trouxe. Fred é libertador. Na hora que eu olho e aceito uma oportunidade sabendo que ela é do tamanho que eu preciso financeiramente e que a partir dela eu posso construir outras coisas porque eu equalizei toda a minha vida. E aí novas oportunidades podem ser buscadas com aquela renda garantida, mesmo que seja dentro da própria empresa ou do próprio local de trabalho, que, na verdade, foi o que ele está construindo. Agora, enfim, ele foi promovido recentemente.
Olha que legal. Tiagão, eu vou te dar a honra de encerrar esse nosso bate-papo. Um caso no qual a gente pôde abordar aqui um cliente que precisa de renda. Não é nem uma questão de aumentar a renda, ela estava sem renda. e o exemplo de como um planejador pode auxiliar. A gente não atua diretamente, a gente não faz recolocação, o que não impede a gente, eventualmente, de conectar um ponto aqui a colar, se isso for possível, mas a importância do como o Rodrigo destacou, com pragmatismo, cria margem. Cria margem para dar esse senso que o Fred, então, compartilha de liberdade na direção de poder enxergar melhor como é que a vida está. Mas, Tiago, quero te convidar a encerrar muito brevemente. Parece que ela chegou bem, disposta a ter a sua ajuda, aberta a essa ajuda. E quando a gente tem que criar margem, com quem não está disposto a criar margem? Você quer comentar, quer deixar para um outro episódio, deixar um gostinho de quero mais para quem está ouvindo? O que você pode dizer para a gente?
Essa daí é desafiadora, definitivamente. Eu sempre parto de um princípio que se o cliente escolheu, desenvolver um relacionamento comigo, e eu, a partir desse momento, também escolhi resolver um relacionamento com ele, a gente precisa combinar algumas coisas, né? E esses combinados bem feitos, eu tenho o costume de deixar claro que a gente vai, por muitas vezes, permear alguns assuntos que não necessariamente ele gostaria de passar, porém eu quero ter essa liberdade, esse aval, digamos assim, por poder comentar e trazer esses assuntos à tona. E eu gosto de fazer esse combinado antes que essa situação chegue. Agora, ainda assim, quando ela chega e ainda assim quando o cliente não está disposto, a gente precisa... E eu também, de volta ao meu pragmatismo, quero também poder fazer algumas escolhas, que a gente sim vai poder ter avanços importantes, ainda que aquela margem necessária ele não queira, pelo menos, agir naquele primeiro momento. Então eu também não vou criar um embate, mas eu vou tentar minimamente ter alguns avanços que o incentivem a perceber que o próximo grande passo deveria ser por esse caminho e insistir nessa direção. Mas eu acho que a gente pode sim trazer um outro novo episódio aí para trazer nuances de como convencer que o caminho não é o que o cliente quer naquele momento.
Mas você já trouxe um elemento fundamental, que é deixar o jogo claro. No início, na constituição do relacionamento, ter a nobreza, ao meu ver, da honestidade que aponta para a direção de a gente vai conversar acerca do que é preciso e não acerca do que é confortável. E tratar o adulto como adulto. que é o que a gente sempre conversa aqui também, mas isso é talvez, quem sabe, uma provocação para um bate-papo futuro, para um episódio futuro. Deixa eu aqui agradecer ao Rodrigo. Rodrigo, você brilha no começo de uma carreira com colocações sempre muito maduras, muito bem colocadas, e para a gente é um privilégio poder aprender também com quem dá os primeiros passos de maneira tão robusta na carreira. Agradeço também ao Tiago. que sempre traz esses casos interessantes e nunca se furta, principalmente quando eu tento colocar ele contra a parede, ele sai bem, ele sai mais forte ainda. Fred, muito obrigado pela experiência, pela vivência, pelas frases, pelos ensinamentos. Para mim é um privilégio estar na companhia de vocês e de todo mundo que está ouvindo a gente aqui. Obrigado, obrigado a cada um de vocês.
Obrigado, pessoal. Mais uma vez, um abraço.
Obrigado. Um abraço a todos.
Valeu pessoal, um abraço, até o próximo episódio, tchau, tchau!
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