AAP | Ep014: Primeiras reuniões com primeiros leads, um casal que decide se planejar aos 65 anos de idade e o planejador aconselhando no contexto de venda de uma empresa..
7 Feb 2023 · 60 min
Transcrição do episódio 14 (gravado 31 de janeiro de 2023) do podcast da Academia de Planejadores com André Novaes, Frederico Gonçalves, Rodrigo Guerreiro e Marcos Prete. Conversa entre colegas sobre casos reais: primeiro atendimento a um casal de médicos em pré-aposentadoria (≈65 anos), dinâmicas conjugais perante finanças e carreira, planejamento familiar (licença parental, decisão de um cônjuge reduzir carreira) e o papel do planejador em situações atípicas (ex.: acompanhar venda de empresa). O tom é prático, reflexivo e centrado na vida.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, sejam muito bem-vindos. A gente está aqui, 2023, voltando a gravar. A gente está retomando aqui. É o episódio 14 da série que começou em 2022, mas é o primeiro desse ano de 2023. E eu estou aqui na companhia do sempre já tradicional Frederico Gonçalves. Como é que você está? Tudo bem?
Tudo bom, André? Mais um ano para começarmos bem com podcast.
Mais um ano para a conta. Rodrigo Guerreiro também aqui. Um cara que recebe múltiplas cartinhas aqui também. Então quando a gente recebe muita cartinha, Rodrigão, a gente faz o convite para você voltar. Bem-vindo, Rodrigo.
Boa, boa. Obrigado, André. Valeu. É uma alegria estar aqui mais uma vez. É sempre um papo muito bom. Começando 23 com tudo.
Boa boa e pela primeira vez vindo lá de uma terra que é vermelha. É isso mesmo Marcos até onde eu sei Londrina é a terra vermelha por aí na terra boa. Tenho família por aí. Marcos Prete aqui pela primeira vez tendo esse papo com a gente. Marcão bem vindo.
Isso aí direto do interior do Paraná. Obrigado pelo convite Pé Vermelho aqui. É um prazer estar com vocês aqui. Obrigado André. Vamos lá 2023 com tudo.
Muito bem, muito bom. E, turma, só para recapitular aqui o nosso objetivo com essa conversa, com esse podcast, é que ela seja uma conversa entre colegas, aqui a gente não tem um script combinado, a gente aborda casos reais, E não só casos reais, mas também contemporâneos, contemporâneos na direção de o que aconteceu na semana anterior. Então aqui é um momento na semana onde eu tenho o privilégio de sentar na companhia do Fred, junto com outros profissionais e, ei, como é que foi a semana passada? A gente toma um bom café, bate um bom papo, troca experiências, tenta contribuir um com o outro. A gente busca fazer isso de uma maneira que seja muito interessante para quem está ouvindo. E aqui também a gente tem o objetivo de que você avalie um pouco a nossa cultura, a nossa natureza, a abordagem que a gente tem para os assuntos, na direção de termos sempre uma abordagem madura, profunda e abrangente dos casos reais que se apresentam. Porque a gente acredita que isso é a arte do planejamento, é poder lidar com questões reais, mas buscando não ser mais do mesmo, o mesmo de sempre, mas trazendo uma digital artística de cuidado, de zelo, de missão para aquilo que a gente faz. E, a partir de tudo isso, a gente deseja que isso seja um serviço de valor para quem está escutando a gente aqui nesse bate-papo. Rodrigão! Eu te convido a inaugurar aqui então a conversa. Como é que foi a semana passada? O que aconteceu de legal aí com você, para você, a partir de você na semana passada?
Bom, primeiro cliente de 2023. Então, novidade. É uma família com a qual eu tô iniciando o trabalho. A gente se encontrou apenas duas vezes até agora. Mas já tem alguns aspectos bem interessantes, assim, pra trazer aqui pra vocês, o pessoal que tá ouvindo a gente. É um casal num estágio super maduro da vida. Eles têm em torno de 65 anos, bem estabilizados na carreira. ainda muito ativos profissionalmente, são médicos e tem uma filha já independente. O que fez eles me procurarem é aquela necessidade de orientação nessa fase pré-aposentadoria. Então é uma fase que pode realmente gerar muitas dúvidas sobre o que foi feito, inseguranças sobre a capacidade de gerenciar o patrimônio ao longo da aposentadoria, a suficiência desse patrimônio. Mas eu trouxe esse caso porque ele é um exemplo, acho interessante, de diferenças de perspectiva dentro de um casal harmônico, mas ainda assim com as suas visões particulares. Ele completamente apaixonado pelo que faz, nunca conseguiu contemplar a possibilidade de não exercer sua atividade profissional. Bons ganhos, adora trabalhar. e não pensou em poupar para parar de trabalhar. Tem investimentos relativamente baixos para o que poderia. E o tema para ele sempre foi uma chateação. A sensação que eu tive é que parece para ele até uma preocupação menor assim menos nobre. Ele é tão apaixonado pela atividade profissional dele por ajudar essas pessoas e aquilo parecia uma questão menor se preocupar com isso. Ela gosta do que faz também. Também não pensa em parar mas certamente pensa em reduzir o ritmo. Teve problemas de saúde importante anos atrás que fez ela refletir muito sobre isso. E ela sempre se preocupou com os aspectos financeiros. Então ela tocou, digamos assim, a vida financeira deles. E o interessante é que eles têm históricos familiares que me parecem impactar aqui as questões. Ele vem de uma família, digamos que ele sempre teve a quem recorrer. Então tem um patrimônio familiar importante. Então acho que ainda que inconscientemente sempre se percebeu amparado. Ela não. ela tem uma origem humilde, não teve transferência de patrimônio, ela é a quem vão recorrer. Então o que me destacou aqui que eu ia trazer para vocês é justamente, tem sido interessante perceber como esse contexto familiar anterior influencia como eles individualmente veem a vida financeira e o patamar de preocupação diferente que cada um tem com o tema, sabe? É isso que me chama a atenção.
E, Rodrigo, deixa eu explorar uma coisa aqui, porque esse episódio deve ir ao ar no comecinho de fevereiro, mas a gente está gravando ele no finalzinho de janeiro, exatamente 31 de janeiro, e você comentou que é o primeiro casal do ano. Me conta, como é que nesses 30 dias você conseguiu já extrair tudo isso e ter essa leitura?
Como é que foi esse processo de exploração, de descoberta? Você usou algum tipo de técnica? Ao que você acredita já estar de posse de um panorama tão interessante acerca de um cliente novo na sua carteira?
André, acho que esse é um dos principais pontos da nossa atividade e que, talvez, para quem não está tão envolvido até surpreenda, é que a gente tem que escutar muito mais do que responder boa parte do nosso trabalho. E isso começa já antes dessas famílias se tornarem nossos clientes. Quando a gente tem o costume de ter um primeiro papo com as famílias, mesmo aquelas que já pesquisaram, têm alguma indicação, querem iniciar o trabalho, de toda forma a gente tem um primeiro papo. justamente pra entender o contexto dessa família. E nesse primeiro papo, eu me arrisco a dizer que bem mais do que a metade dele a gente tá ouvindo sobre eles, querendo saber mais. Naquele momento, primeiro pra saber se a gente pode ajudá-los. De fato, se é o que eles precisam. E daí depois, uma vez que a gente realmente pode ajudar e vai iniciar um trabalho, as duas primeiras reuniões, por exemplo, que eu já tive com eles, é muito sobre entender todas essas questões de histórico deles, um raio X da vida atual deles. Isso é muito importante realmente para fazer com responsabilidade qualquer planejamento, qualquer... sugestão para frente, o que a gente certamente vai fazer também ao longo do tempo.
Muito legal. E, Rodrigo, deixa eu trazer o Marcos aqui para essa conversa. O Marcos, a gente conversou, inclusive hoje, um pouquinho antes disso, e a gente rapidamente comentou que tanto ele como eu Temos uma natureza mais tímida, talvez um comportamento mais introvertido, mas a gente tem que viver uma vida extrovertida. Mas por que eu comento tudo isso, Marcos? Eu sei que você não vai se sentir muito à vontade de colocar isso, mas o Marcos teve uma grande experiência no contexto de um family office, Marcos, talvez de uma das famílias mais emblemáticas do Paraná. Eu sei que você conviveu com os fundadores e depois com as demais gerações. Dessa sua experiência, Marcos, o que você tem para dizer para a gente sobre perspectivas diferentes, seja entre cônjuges, seja entre gerações, e como até no contexto do family office vocês abordavam isso, se é que abordavam isso, o que você traz de tempero para essa questão perspectivas distintas, mas num contexto familiar, num contexto nuclear. O que você conta pra gente?
Sim. A minha experiência com eles nesse contexto do family office, eu vivenciei uma família muito presente no negócio. Uma empresa que, por mais da grande proporção, é uma família onde os diretores, os donos, a própria família, são bem pé no chão do próprio negócio. E quando se trata até das gerações futuras, por mais que são famílias que os filhos ainda estão ali saindo da adolescência, indo para a juventude, outros ainda são crianças e bebês, os mais velhos já estão presentes no negócio da família, vendo essa terceira geração de todo esse patrimônio que foi construído. Então isso eu vejo muito alinhamento entre o contexto total da família, entre os irmãos, a matriarca e os filhos que já estão, os filhos que já estão indo para a juventude, mas ali conhecendo todas as áreas do negócio, cada etapa, como que funciona. Acho que o alinhamento vai muito disso, a começar quando é uma empresa familiar, a começar o envolvimento de todos que participam, E essa estrutura onde a própria diretoria é muito pé no chão de cada etapa do negócio, são muito participativos.
Acho que isso acaba sendo um termo importante, o desejo de participar da temática toda, das conversas, do diálogo. O Rodrigo colocou um mais interessado no assunto, o outro talvez um pouco menos interessado. São medidas distintas, mas fato é, Rodrigo, agora com você num bem comum e você, inclusive, servindo como um elo que conecta talvez essas perspectivas. Rodrigão, já te passo a palavra, mas deixa eu escutar um pouco o Fred. Fredão, com certeza, na sua caminhada há 47 anos de carreira, você já deve ter passado também por situações como essa, perspectivas distintas num contexto conjugal para a temática planejamento financeiro. Não sei se necessariamente um é quadrado, outro redondo, um é de Marte, outro é de Vênus, mas talvez até sim, ou até mais distintos do que esse dito popular. Como é que você trata quando se depara com desníveis de interesse, de perspectivas dentro de um casal que você serve?
André, a pergunta é muito interessante porque é um desafio que talvez será constante na nossa carreira, esse desafio de enxergar essas diferenças, reconhecê-las e trabalhar com tudo isso. A melhor ferramenta que eu enxergo para isso é a ponta do diálogo entre os cônjuges.
E nas reuniões, eu até brinco que nas reuniões eles podem até brigar, mas que conversem entre as nossas reuniões, ou seja, a gente pode até discordar de algumas coisas ali ao longo das reuniões, mas eu medio com eles as questões todas e fora delas, conversem, expõem os seus sentimentos, suas situações, seus medos, seus anseios, seus projetos entendam como caminhar juntos para o lado que eles querem, que ambos querem. E sempre vai ser um convergir de passos ali que não necessariamente todos eles serão para a mesma direção, mas a ideia é que o montante todo vá convergindo para onde eles querem, mas é diálogo.
Perfeito. Eu acho que é interessante, Rodrigo.
Bom, você está começando com esse casal, acho que você já pôde exercer uma sensibilidade que me parece muito peculiar à sua prática, à sua característica profissional.
Acho que, como o Fred bem colocou, talvez seja até mais comum essas perspectivas distintas do que um pleno alinhamento. cabe a gente, cabe inclusive quem está ouvindo a gente, ativar essa sensibilidade e não se privar, até de muitas vezes, apontar perspectivas diferenciadas no casal. E tudo bem, elas podem conviver no contexto de um plano, de um planejamento bem desenhado. O que você espera, Rodrigo, desse caso daqui pra frente? Você já consegue criar algum tipo de prognóstico de pra onde você quer apontar essa história sua com esse casal? O que você enxerga aí pela frente?
André, acho que realmente um ponto importante que eu vejo e que eu tenho a intenção de trazer isso para ele, por exemplo, que para ele a vida financeira é mais dolorida do que para ela, é realmente esse aspecto de como Alguns profissionais, alguns clientes que a gente acompanha, que são profissionais apaixonados pelo seu ofício, autônomos, empresários, que têm seus negócios, por vezes, isso leva algum menos preso, digamos assim, de outros aspectos que sustentam esse ofício, como a vida financeira, como alguns pontos de gestão empresarial, mas que são super importantes justamente para sustentar aquilo que eles gostam tanto de fazer. A gente nunca vai ser tão apaixonado quanto, mas tem que ter algum cuidado com isso. E o que eu vejo para frente é que esse acompanhamento nosso, em conjunto, eles terem esse tempo dedicado no mês deles para estarem comigo e olharem a vida financeira deles integrada vai gerar uma troca muito rica. Eu acho que eles vão estar numa mesma página na qual eles nunca estiveram ao longo de todas essas décadas. Então eu acho que a condução do trabalho vai começar a aliviar para ela o peso da responsabilidade de gerenciar tudo sozinha até então, assim como eu tenho a expectativa de que isso vai gerar um caminho menos dolorido para ele, que está sendo introduzido ao tema, ao mesmo tempo em que ele se preocupa mais intensamente pela primeira vez. com a questão da finitude dele, do terço final da carreira dele. Acho que é esse caminho que vejo para frente e acho que eles vão conseguir se beneficiar muito. É isso.
Muito legal. Tem...
Acho que é muito importante quando a gente lida com alguém, talvez, acho que você usou palavras muito bem escolhidas, quando diz, por exemplo, talvez menosprezam alguma área, mas essas áreas poderiam e deveriam ser melhor cuidadas como suporte. Eu gosto também de uma conversa na direção, e realmente isso muitas vezes é característica de profissionais muito apaixonados por aquilo que fazem, o que eu acho que é um bom ingrediente, o problema é quando é o excesso. E justamente essa paixão passa a se confundir com identidade, como se ele só é o que é a partir do que ele faz. Então ele não consegue colocar outros elementos na vida. E vale aí uma boa discussão para essa direção. Tem um filme, Acho que chama The Bucket List, se não me engano.
Acho que é o Jack Nichols que faz esse filme. Ele está prestes a se aposentar. Para mim, é talvez até uma tradução contemporânea do que o autor do livro de Eclesiastes coloca quando diz que parece que foi tudo em vão. Parece que foi tudo em vão. E é interessante como profissionais de excelência, que estão aí com seus 60, começam a olhar no horizonte, cada vez mais perto, a sua aposentadoria, se têm a vida toda cravada na identidade profissional, muito mais provavelmente, ao pararem, a conclusão que chegam é de que foi tudo em vão. Então o papel de um planejador centrado na vida não é reduzir essa paixão, é calibrar esse propósito na direção de que é possível conjugar outras áreas da vida e disso derivar uma versão melhor, inclusive, como você bem colocou, Rodrigo, da profissão também, para que haja um suporte melhor.
Acho que é o The Bucket List, esse filme com o Jack Nichols. Vou fazer uma pesquisa depois e coloco aqui.
E, André, o interessante é que, eu já fiz essa analogia em algumas reuniões com alguns clientes, o interessante é que eu falo também para os clientes o seguinte, no limite o Planejador também vai funcionar como aquele personagem Russell, do Up, que chama o senhor Frederiksen para baixo.
Com a sua casa, e quando, ao final do filme, ele percebe que, caramba, tive uma baita vida com a minha esposa, tive uma baita vida, criei lembranças com ela, e eu cheguei ali e precisei levar a minha casa até a terra das cachoeiras para entender isso, e o moleque, o Russell, me mostrou isso. Então, às vezes, o planejador vai ser o Russell da vida dos clientes, chamando de volta, falando, vou puxar os balõezinhos de volta para vocês descerem, para a Terra e perceberem que a vida vale sim a pena e que as coisas precisam ser reformadas e construídas ao longo da vida, não só lá no final, não só lá, não aproveitar só depois, coisas do tipo.
Fred, e pior que já me chamaram de Sr. Frederiksen, veio bem a calhar, porque já me chamaram...
Não, mas você falou, eu não sou o Frederiksen.
É a sobrancelha, a sobrancelha do óculos.
Mas você fala assim, eu não sou o Frederiksen, eu sou o Russell.
Mas acho que, já que a gente está no filme, e aqui vou fazer a minha correção, nem o Russell, nem o Frederiksen, se a pronúncia está correta, apesar de que você tem razão, Fred, o exemplo super se encaixa, mas o filme que eu estava dizendo é com o Jack Nicholson, o nome é As Confissões de Schmidt. E eu fiz uma rápida pesquisa, que esse filme é de 2002. Olhem só, Warren Schmidt é um típico cidadão de classe média, cuja vida baseia-se em trabalho e família. Funcionário de uma grande companhia de seguros e casado há 42 anos. De repente, Schmidt se vê aposentado e viúvo.
E aí o filme se desenrola na questão da identidade. E aí, se não pudesse piorar, piora. Sua filha única vai se casar com um vendedor de colchões medíocre. Sem trabalho, sem família, Schmidt tenta controlar a vida da sua filha e se dá conta de que não tem controle nem sobre sua própria existência. Olha que bom filme para a gente recomendar para alguns clientes e dele depois derivar uma boa conversa. Muitas vezes a arte ensina e suporta o planejamento. Só para ficar aqui na brincadeira do arte do planejamento também. Muito bom, Rodrigão. Obrigado pelo caso. Em 2003 começou bem, começou quente para você. Obrigado por compartilhar.
Em 2023, voltou a uns 20 anos.
Eu falei 2003?
É porque o filme é de lá.
O filme é de 2002 e a gente está em 2023.
Queria eu que estivéssemos com essa maturidade toda em 2003, mas, enfim, faz parte da vida também.
Marcão, e você? O que você conta da semana passada? O que você teve de interessante para compartilhar?
Janeiro foi um... um mês um pouco atípico pra mim, porque como eu tenho um pouco mais de flexibilidade, assim, na área profissional, então eu precisei ficar com a minha filha nesse período de férias, né? Ela retornou às aulas ontem, e como minha esposa trabalha num regime comercial, horário comercial durante a semana, acabou ficando comigo o papel de babá aqui em casa.
Aí hoje você vai entrar, a partir de hoje você entra em férias.
Tipo isso. Mas é uma experiência gostosa, né? Ela tem um aninho e é uma diversão, é uma diversão, é um aprendizado gostoso. Mas nesse período, até conciliando com esse momento atual meu, eu tenho conversado com alguns amigos, alguns colegas que também estão nesse momento de vida, tanto na fase da gravidez ainda, ou naquele momento que já nasceu o bebê, ou já está com o filho pequeno, mas nesses momentos eles já estão pensando no futuro dessas crianças, na parte de educação, do ensino, a estrutura financeira da família e do próprio filho. Então, esses últimos dias eu me dediquei a estudar um pouco mais sobre isso, como direcionar esses casais. Que diante disso também, as esposas, profissionais, jovens, com muita vitalidade, muita vontade também de trabalhar, querem também usufruir um momento de maternidade, além daqueles meses que talvez uma licença permite. Talvez uns dois, três anos, para quando a criança for começar aí na escolinha, né? E isso acaba direcionando a provisão daquela família, daquele lar, somente para o marido, eventualmente, nesse período. Então, é um assunto que eu tenho procurado entender com mais sensibilidade, até para direcionar futuros clientes, nesse sentido dessa fase inicial do crescimento da família, né? Até porque são casais jovens, casais recém-formados, muitas vezes, que estão começando o crescimento profissional, né? Então é um tema bastante sensível, muitas vezes, para ser tratado.
Muito interessante. É legal esse seu caso da semana passada, Marcos, porque, até de novo resgatando o nome do nosso podcast, A Arte do Planejamento, talvez, ao falar sobre arte, a gente imagina uma peça de teatro ou um artista performando num palco, um filme acabado que a gente assiste ou um quadro pintado que a gente, então, vislumbra, mas a arte requer ensaios. Tenho um cliente, a filha mais velha deles, uma jovem mulher, hoje bailarina, titular do Teatro Municipal no Rio de Janeiro, e quando tenho a chance de conversar com ela, ela constantemente coloca que é como se existissem 50 partes de ensaio para uma parte de apresentação. Então, eu acho que essa sua semana serve muito como um ensaio realmente, eu acho fantástico essa atitude de deixa eu começar a conversar com pessoas, entender a perspectiva deles, porque olha só, chega uma hora que os filhos vêm, e talvez, temporariamente, Um dos cônjuges tem aqui dizer, eu vou abdicar, abrir mão, reduzir ou até mesmo se ausentar da carreira para cuidar do filho. Talvez aqueles casais até que tenham o privilégio de poder fazer isso. Deixa eu trazer o Fred para essa conversa. E, Fred, talvez aqui menos com o chapéu de planejador e mais como um testemunho, porque você, casado com Mariana, Mariana tinha uma carreira executiva numa grande empresa como uma contadora, de uma multinacional de bilhões e tiveram filhos. Como é que foi essa dinâmica na casa de vocês, o diálogo? Long story short, hoje as meninas já estão mais velhas, nem tanto a nossa querida Jujuzinha ainda nem tanto, mas a Mari já consegue. voltar a uma atividade. Mas como é que foi esse período da família conversar, dialogar? Rapidamente faça esse testemunho e depois o que você aprendeu dessa experiência própria e como você tem aconselhado os jovens casais a partir também da sua experiência?
Primeiro ponto, chamo todo mundo que está nos ouvindo aqui para ouvir um ou dois episódios atrás, onde eu conto um pouco da história dessa transição, falo um pouco mais até detalhado disso, porque a Mariana participou dessa transição, porque praticamente fizemos juntos alguns movimentos, e como um testemunho, menos como planejador, mas nós como um testemunho de vida mesmo.
Nos vimos grávidos e falamos, e aí? Nós temos um certo preparo financeiro, qual que é a nossa vontade e decisão? E aí a vontade e decisão foi, a Mariana falou assim, eu gostaria muito de que no primeiro ano da Ana Beatriz, da nossa primeira filha, que eu não voltasse a trabalhar e só depois olhasse para isso. Eu falei, bom, temos um plano a ser feito, temos cinco meses de licença maternidade, Mais um de férias, temos que fazer um delta ali para seis, sete meses de valores de salário dela e deixar com que ela exerça essa maternidade ao longo do primeiro ano. Decidimos por isso. E aí é tão bacana que você tem essa decisão madura, e ao mesmo tempo eu estava também fazendo a transição e tinha a reserva financeira todo plano para fazê-lo, Chegou ali terceiro, quarto mês de vida da Ana Beatriz, a Mari virou para mim como se empréstimo. Eu acho que eu não vou voltar.
Estou vislumbrando algumas outras coisas, queria te perguntar como é que é e o que você entenderia como eu montar o meu escritório. Eu falei, estou dentro, estamos juntos, vamos embora, vai ser saudável para você. E aí foi a decisão. Óbvio, não é tão belo e tranquilo como eu estou falando hoje, porque você gasta dinheiro para isso tudo, se programa, se entrega de algumas coisas, etc. Mas hoje, perguntando para ela, depois de ela receber, acho que eu posso falar isso, de ela receber três convites para voltar para a mesma empresa.
Ela, de forma muito tranquila e serena, fala, eu estou negando e tudo bem. A ótima decisão de vida foi tomada. Mas entendam que é uma decisão que precisa ser tomada, porque depois as escolhas são mais fáceis. Mas a decisão, o processo de decisão é importante, e a conversa, o diálogo.
Perfeito.
Rodrigão, e você? Como é que você está aí nessa perspectiva toda?
Já teve que enfrentar algo parecido dentro de casa ou tem clientes também que trazem para você essa prerrogativa de os filhos estão para vir ou os filhos vieram? Como é que fica agora o eixo profissional do casal? Já lidou com uma situação dessa?
Eu tenho alguns clientes nesse contexto, André. Tanto os com filhos pequenos, tanto aqueles que estão pensando em... Eu acho que é uma fase na vida que desperta, inclusive, por vezes, essa necessidade, esse desejo de ter um acompanhamento de um planejador. E é um contexto de muita incerteza, né? É uma fase, como o Marcos trouxe, né? Que tem um mundo de coisa preste a acontecer que você não faz ideia como vai ser. E você só tem certeza que vai transformar completamente a sua vida, né? E eu acho que a gente, ser humano, não lida tão bem com esse contexto de tanta incerteza quanto a gente imagina, né? em meio a tantas mudanças, alguma visibilidade financeira, por exemplo, pode gerar um grande alívio. É um estressor a menos nesse mar de novidade. Então, esse ponto que o Marcos trouxe, eu acho super importante, eu costumo comentar com os clientes, é fale com seus amigos.
Pergunte, quanto gasta? O que tem te surpreendido? O que é mais fácil do que imaginava? E aqui, lógico, a gente está num contexto falando de finanças, mas isso abrange muito mais do que finanças. Todas essas transformações. Às vezes a gente sofre muito tempo sozinho. Conversa, fala, pergunta para aquele que já teve os filhos, que estão em outra fase. E essas reflexões que o Fred comentou também. de se dedicar exclusivamente aos filhos algum tempo, pode ser uma alternativa, você pode, ah, vamos evitar alguns custos ao fazer isso, mas eu sempre trago também algumas outras questões que são importantes nesse momento de decisão sobre isso. vocês, ele ou ela, quem tá tomando, contemplando essa decisão, tá ok com isso. Por vezes compensa financeiramente, mas tem algum preço pessoal, de carreira, algo que te deixa desconfortável. Se quiser muito, é aquilo que a gente sempre fala, é possível planejar. É possível pensar, se estruturar para esse futuro, mas sempre levando todos esses cenários em conta. Hoje pode valer a pena financeiramente, mas e o futuro, o potencial? Discutir a concentração de renda em um, como o outro fica emocionalmente nessa situação. Então, acho que a grande questão aqui é que é importante estruturar um plano, não como se a gente soubesse o que vai acontecer, né? Porque isso seria uma ilusão, né? Mas contemplando o fato de que a gente não sabe, que existem algumas incertezas, e o nosso planejamento tem que contemplar isso, né? E daí, pra tentar fazer com que essa fase que é tão maravilhosa, de tantas descobertas, seja feita da maneira mais serena possível, né?
Acho que o mais legal aqui, convido quem está nos escutando a estar aderente a isso, é justamente esse ensaio que o Marcos, então, se propôs a fazer na semana passada. Não tinha reuniões com clientes, mas eu fui na direção de, até como um cientista, fui na direção de ser planejador e não apenas estar planejador quando estou na frente de clientes e ter conversas acerca disso. Eventualmente, dessas conversas, aprender um pouco mais e talvez delas derivar algum tipo de convite, algum tipo de provocação para que tal, talvez, contemplar, pensar esse tipo de situação na companhia de um planejador. O que eu me recordo de situações assim, e acho que o Rodrigo também foi muito feliz quando demonstra a sensibilidade para como é que aquele cônjuge fica quando há concentração de renda em apenas um deles. E é um papel nosso também articular isso e até, muitas vezes, fazer essas perguntas mais difíceis para um casal poder dizer para a gente como é que se sentem.
Mas acho que também a gente não deve se privar de, primeiro, tratar o adulto como adulto. Isso é uma marca, é uma digital que eu tenho. O que eu quero dizer com isso? O filho foi uma decisão de vocês. E agora existem consequências. E aqui eu não vou entrar em julgamento de valor. Se eu fosse entrar, para mim, as consequências são apenas positivas, mas existem consequências. E é importante dialogarem acerca disso. E muitas vezes, quando eu vejo uma dificuldade entre esses jovens casais de ceder e de se reorganizarem também a partir do filho, E eu sempre deixo uma pergunta no ar, quase como uma provocação. Eu digo, alguém vai ter que ceder. Alguém vai ter que ceder. E aí, então, eu emendo, quem é que cede?
E aí eles dão várias respostas, e eu digo, olha, para vocês irem refletir acerca disso até a nossa próxima reunião. Quem cede é o mais maduro.
Não.
E dali a gente consegue derivar muitas vezes outras reflexões. Me recordo também, para concluir, de um outro exercício, talvez uma quase provocação, principalmente para mulheres aqui. Eu creio que homens e mulheres essencialmente iguais, mas funcionalmente diferentes, até no contexto da maternidade, paternidade, eu convido. Não escute a minha perspectiva, mas também não escute apenas a perspectiva da cultura. que tal você direcionar os seus questionamentos para mulheres mais maduras que passaram por uma situação e vê o que elas têm para te dizer? E é amplamente mais comum quando elas topam esse exercício, voltam para o diálogo e dizem se há um arrependimento em algumas dessas mulheres é o tempo que não puderam passar com seus filhos na primeira infância. e muitas que têm um amplo sucesso financeiro. Há também o contrário. Há gente que tem um amargor na direção de, eu dediquei toda a minha vida ao meu filho, mas eu creio que isso não seja um problema dos filhos, seja um problema, de novo, do ego e da identidade. Achar que os filhos são a fonte da felicidade e os filhos, na verdade, são um presente para a gente cuidar. Mas, enfim, o papo aqui pode divergir bastante, eu adoro essa temática. Alguém ia fazer algum comentário, pessoal, quando eu rapidamente interrompi, me desculpem, que eu não me lembro quem era.
Sim, eu vejo de grande importância e um privilégio de casais jovens que nessa etapa da vida, tanto na fase da gravidez ou naquela fase antes da gravidez, quando está planejando a gravidez, de poder se preocupar com esse futuro, E aí entra também não o planejador financeiro que fala do dinheiro, mas o plano de vida que a gente tanto trabalha aqui e de você conectar os próprios valores, princípios, os anseios daquela família, daquele casal com o filho ou os filhos na direção que pretendem seguir. Porque eu acho que quando não é feito isso, as próprias tramas da vida, o próprio dia a dia, aquela coisa de vai acontecendo um dia após o outro, impede de ver esses valores, essas intenções que realmente estão conectadas com os próprios valores. E vai o grande papel do planejamento de vida, planejamento financeiro focado na vida daquela família.
Muito bom, muito bom. Você tem total razão, Marcos. Eu acho que como planejador e centrado na vida, uma reflexão financeira acerca dos filhos e da carreira não deve e não pode ser apenas e tão somente matemática. Ela passa também por isso. Mas, fundamentalmente, é o nosso papel não nos privarmos de reflexões difíceis na direção, por exemplo, do que vai gerar mais arrependimento. não apenas o que vai gerar mais conforto, o que vai gerar mais dinheiro para a família, mas as consequências das decisões, o que também gera arrependimento. E trazer esse assunto para a mesa... Eu sempre penso assim, quem mais que outro profissional poderia trazer isso? Conjugando o lado técnico das finanças e o lado totalmente emocional, humano, do cuidado com a vida. Muito bacana, cara. Parabéns pela atitude de estar ensaiando, estar afiando o machado. Isso é fundamental, fundamental.
E, Fradão, também entrando aqui nos nossos 20 minutos finais, o que você conta, cara? Aí dá um primeiro. Em 2022.
Você ficou de férias três semanas a cada quatro semanas. Isso está gravado, está na história, e não vem dizer que foi diferente. A gente está aqui no 31 de janeiro. Você voltou a trabalhar já? Ainda não? Pensa em voltar só depois da Páscoa. Como é que você está agora?
Voltei. Na verdade, quem está vendo o vídeo.
Mas.
Sim, voltei. Agora eu devo sair de férias só a cada seis semanas, aí tiro três, claro, trabalho seis, tiro três. É o equilíbrio, né?
É o equilíbrio. O equilíbrio é tudo.
Não é equilíbrio, é brincadeira. O pessoal vai achar que, ou alguns planejadores da própria live vão dizer assim, é por isso que ele não me responde às vezes.
Ah, tá vendo? Duro tem o motivo.
Brincadeiras da parte, eu acho que sim. O ano começou super bem, eu acabei não desligando muito, mas porque, enfim, precisava estruturar algumas coisas até para caminhar bem agora do ano inteiro.
E tive uma reunião, na verdade, um convite, né? para uma reunião com o cliente que ele me falou, Félio, eu preciso muito de você comigo na reunião onde o possível comprador da minha empresa vai fazer a oferta e eu sei que não, ele reconheceu, ele falou, eu sei que não é a sua especialidade nem o escopo efetivo do trabalho, olhar para tudo isso, mas enfim, a gente sabe que tem um pouco sim do olhar, Mas eu gostaria muito da tua companhia para isso, porque você tem trabalhado muito com as questões da minha vida, e essa empresa é a minha vida. Ele tem 73 anos. Essa empresa... Ele, um melhor amigo.
Que já faleceu.
E ele recebeu essa oferta e queria que eu fosse junto. E aí eu vislumbrei ali uma possibilidade também de conhecer o filho do ex-sócio dele, falecido, Entendeu um pouquinho todo esse cenário e deu certo, porque a ponta, não querendo ir para o epílogo, mas a ponta do desdobramento de tudo isso após a reunião foi muito legal, muito bacana. Então, o primeiro ponto, acho que o highlight é a importância do planejador para todos os momentos da vida e a segurança que ele sentiu de eu estar ao lado dele, ouvindo as coisas e refletindo sobre tudo. Então é um pouco daquele Life Center Planner, né, André, de você estar numa mesa, não necessariamente é a tua especialidade, mas você está ao lado do cliente para ouvir tudo e refletir junto com ele sobre as coisas da vida e o que aquilo impactaria.
Acho que uma boa maneira de a gente encerrar o primeiro episódio de 23 é encarando uma situação onde a gente pode se ver contra as cordas, viu, Rodrigo e Marcos? Então se preparem aí. Faço uma pergunta para os dois. Já receberam na carreira de vocês como planejadores algum convite atípico? que você não estava preparado, olha a sua situação, atípico, despreparado, e aqui eu não estou dizendo sem a competência para, eu estou dizendo sem o preparo para. Então, atípico, despreparado, mas que você não podia negar a sua participação.
Já receberam, não receberam, e não adianta querer sair pela tangente, não, não recebi, você não recebeu, o que você faria se recebesse? Então.
Contem aí o que vocês têm para dizer.
Eu talvez não foi um convite propriamente, mas um engano na apresentação do planejamento que a gente apresenta. A pessoa achar que a gente vai falar só de investimento. Então, eu já tive essa experiência de apresentar a própria atividade, essa própria contratação do planejamento financeiro através de um planejamento de vida e a pessoa achar que a gente vai falar apenas de investimento ou... Não é um convite enganoso, mas é uma... É um engano que surge aí no tema de finanças, que é lógico, é tão falado hoje em dia, é tanta informação, como você fala, André, é tanta informação que gera desinformação, que quando a gente fala de finanças, automaticamente as pessoas direcionam, achando que a gente vai conversar de investimento. Então eu já tive essa experiência. E aí, com o jeito, a gente, é lógico, traz pra mesa de volta e fala, não, vamos começar e tudo que abrange o próprio planejamento é focado no contexto geral da vida de cada família, de cada cliente.
Eu percebi que o Marcão meio que deu uma tangenciada ali na minha pergunta, ele deu uma boa resposta, trouxe um bom contexto, viu, Marcão? Mas é o seguinte, um convite, para falar de investimento, você está mais do que preparado, só não era o que você queria, mas você está mais do que preparado. Então, eu vou repetir a pergunta, um convite atípico, onde você não está preparado, para mim preparo não é falta de competência, não é da minha rotina, não é o meu comum. Se eu tivesse, talvez, uma semana, eu me prepararia, porque tenho a competência para me preparar. Mas, não, o convite é atípico, você não está preparado, mas você não pode negar o seu envolvimento.
E foi um... Só para contextualizar um pouquinho mais, os dois filhos dele estão morando no Canadá há 20 anos.
Os dois filhos deles me conheceram numa reunião que nós fizemos lá, para eu falar um pouco sobre tudo também, e eles quiseram. E o convite veio deles também, porque cada um me mandou uma mensagem para o Fred. Você precisa estar com o meu pai lá.
Olha só.
Ó, eu ainda não tomei um calor desse ainda.
Não aconteceu!
Eu não gostaria que viesse de você!
Tomar um calor foi ótimo!
Mas sabe o que o Fred comentando isso, mas também me faz pensar um ponto tão importante pra gente, né? para mim no estágio mais inicial de carreira vocês já mais maduros eu acho que é até um aspecto que é a se buscar vai digamos assim. Eu acho que porque esse convite para o Fred querer que ele estivesse lá é fruto de tudo que o Fred construiu certamente com eles. Então é um é um guia mesmo, é alguém que está junto dessa família e provavelmente já conduziu, já esteve junto deles em tantos aspectos que provavelmente na cabeça não há dúvida de que o Fred teria que estar lá, compartilhar disso, e que vai conseguir auxiliá-los, e a gente sabe que vai. Agora, de fato, quando você se vê nessa situação, eu acho que é o bom sentimento de responsabilidade que a gente sente, uma pressão, aquela pressão que a gente fez por merecer, de, olha, eu sei que você pode me ajudar, eu sinto isso e eu quero você por aqui. Então, lógico, não é fácil quando a gente se vê nessa situação, mas em muitas delas eu acho que é um reconhecimento até do valor. Então, quem sabe? Eu chego lá, eu chego lá, mas não é mais.
É válido para a experiência nossa também.
Sim, você sabe o que é legal? Olhando já para isso que a gente está desde o início aqui falando, do filme que o André comentou, do Up lá, do Frederico, do papel.
E etc. Coincidência ou não.
A gente começou a assistir uma série que todo mundo comenta há muito tempo e que eu não tinha começado ainda, que é Dizzy's Us. E nos primeiros capítulos, para quem já assistiu, o médico chega lá para o pai dos trigêmeos e fala assim, se você recebeu alguns limões aqui, faça uma boa limonada. Então, um pouquinho disso que eu fiz ali nessa reunião, porque isso me rendeu muitas coisas bacanas. Logo após, um café que nós tomamos logo após essa reunião, porque em conhecendo o filho do ex-sócio falecido, Eu percebi uma legítima vontade nele de assumir esse cargo, esse fardo de tocar a empresa, entendendo que, assim como se o pai estivesse vivo, ele gostaria de passar o bastão, o amigo do pai, de longa data vivo, também está querendo passar o bastão. E ele percebeu que, na verdade, esse meu cliente pensa em vender o negócio porque ele quer passar o bastão e não sabe se alguém está querendo assumir. E, na verdade, ele está mais querendo negar um negócio, talvez ele esteja mais querendo que eu esteja presente para falar que não é um bom negócio e continue, e topar alguém do lado dele com o desafio, então talvez ele está me enxergando como um conselheiro extraordinário enxergar essa questão desse negócio e entender até onde ele precisa ir, mas aí na reflexão acerca de toda a proposta feita, que é aquela primeira proposta, que não é o número final que vai chegar e etc. É num café ali que eu achei que ia ser de 15 minutos, eles pediram uma hora e meia, logo depois da reunião, ou seja, foi o dia inteiro para mim mesmo lá.
Eles falaram, ó, talvez não valha a pena nem a gente por educação, bater de volta numa contra-proposta muito alta e etc. É um parceiro nosso, vamos continuar assim, vamos agradecer a proposta, vamos falar que a gente quer tocar o negócio, provavelmente, porque esse filho do ex-sócio está querendo assumir uma parte, mas ele precisa receber a orientação e quer que esse meu cliente esteja ao lado dele para passar tudo legal.
Olha de onde fomos, depois de um pássaro. Como é que eu vou numa reunião dessa? Caramba, tal. Porque eu tenho os números da vida financeira pessoal dele, não da empresa.
Mas é interessante isso que você colocou, né, Fred? Talvez até... por conhecer tanto não só da vida financeira dele, mas da vida dele, é que há esse valor de a gente estar envolvido em decisões que, de novo, são atípicas, a gente não necessariamente está preparado, porque poderia envolver uma evaluation de uma empresa, você não teve dado a coisa nenhuma, você não fez diligência nenhuma.
Mas acho que a parte mais importante, quando eu, então, coloquei o calor, que o Rodrigo bem descreveu, Lembrando, um pedido atípico, onde a gente não está preparado, mas a gente sabe que não pode negar. Eu acho que o saber que não pode negar não é um rompente de triunfalismo da nossa parte, é mais uma manifestação de zelo da nossa parte, na direção de, como o Rodrigo bem colocou, eu preciso me envolver. É também uma marca de respeito, de admiração, de honra entre as partes.
Sinto que a gente vive na cultura do escopo. Tudo, muitas vezes, é determinado pelo escopo.
Só que o escopo, ele, muitas vezes, coloca todo mundo muito numa caixinha e evita um termo, que é um termo americano, que chama o extra mile. Eu sempre busco pensar com os meus clientes como é que eu posso ir um extra mile com eles, além de um escopo. Todo mundo gosta de ser surpreendido e todo mundo que provê algum tipo de valor gosta de dizer que surpreende, que agrega valor e etc. Mas a gente, para fazer isso de fato, a gente tem que assumir o risco de ir ao extra mile, de se envolver em situações atípicas onde a gente não está preparado para elas. E muitas vezes é nessa situação onde o bond, onde a conexão com o cliente supera camadas transacionais, relacionais e entra numa saudável intimidade. Então, eu acho que a gente tem que abraçar, realmente. Então, como é que vocês lidariam com isso? Pelo menos no Qtanja, que é o nosso grupo na live, a gente olha isso com muito bons olhos. Na direção... Mas e se eu errar? E se eu fizer alguma coisa errada? Vai derivar aprendizado disso. Eu não estou dizendo para ninguém aqui, até porque eu não acho que planejador financeiro nenhum aqui faz cirurgia cardíaca. A gente adora se comparar com o médico, mas aqui não faz sentido a gente ter essa comparação. E isso também requer, e aqui eu concluo, o preparo para isso. Depois você... saber, a partir de agora, que essa família provavelmente vai me convidar para reflexões cada vez mais maduras. Então, eu também me habilito, eu amplio minha competência para que, então, eu esteja preparado. Mas, se eu me privo, porque eu não me sinto preparado, eu não me aponto na direção de melhorar minha competência.
Por isso que eu sempre advogo na direção, não estou muito preparado ainda para isso, não sinto que talvez seja o meu... Lance-se alguma coisa.
Você tem muito pouco a perder. Talvez a única coisa que a gente tenha a perder é o nosso senso de proteção e o nosso ego. Perca isso rápido. Perca isso rápido. Porque depois a gente passa para você ganhar o que você tem que ganhar.
Perdão aqui pela interrupção. E olha só que bacana. Essa semana falei com vocês aqui no nosso conselho da profundidade cada vez maior que eu quero ter na relação com os clientes, porque eu vejo um positivo impacto disso tudo com alguns clientes que eu tenho há mais tempo. Mas desde que eu decidi, Rodrigão e Marcos, buscar por isso.
Eu decidi que vou me dedicar para isso a fim de buscar. E olha a surpresa grata, essa família que está comigo vai completar dois anos agora, em abril. Então, uma profundidade de relação intencional desde o início que traz desafios do tipo, mas que eu quero realmente. porque eu vejo que isso traz longevidade para a relação do planejador com o cliente e todo o exemplo. E a gente já tem diversas histórias juntos para contar nesse curto espaço de tempo e espero eu ter ainda mais. Então eu olho para algumas relações com alguns clientes e falo assim, quero ao menos tentar, vou pecar pelo excesso por tentar, e tudo bem. com todos chegarem a algo parecido. Se não chegarem a algo parecido, pelo menos eu estarei melhor.
Muito bom, muito bem, pessoal. Estamos aqui na fronteira da nossa uma hora. Rápida recapitulação. Começamos com o Rodrigo comentando acerca da primeira reunião com um novo casal que decidiu contratar um planejador financeiro aos 60 e aos 63 anos. E aqui um outro detalhe, Rodrigo, que na hora me passou desapercebido. Você está com que idade, Rodrigo?
34.
Teus pais te contratando... É interessantíssima essa questão também. Na verdade, por também ter casais com uma diferença de 30 ou mais anos do que eu tenho, o meu único desejo, quando eu olho, é que eu tenha essa humildade de, quando eu tiver aos meus 65, 70, poder olhar para alguém que talvez tenha hoje a idade das minhas filhas e dizer que precisa do conselho de vocês. Olha que bacana essa troca, essa história que vocês estão criando. O Marcão depois trouxe para a gente um presente também na direção de, se o planejamento é uma arte, e a gente acredita que é, senão a gente não chamaria esse espaço de arte do planejamento, A arte também é feita de ensaios. Então, aproveitei a semana passada, que ainda estava conjugando um tempo, cuidando da filhinha pequena, para ter conversas informais, indiretas, com jovens casais e afiando o meu machado. E depois o Fred conclui com um caso de alta temperatura, não é, Rodrigo? o planejador se envolvendo com um pedido atípico para o qual ele não estava preparado, mas ele não podia negar. E como é que a gente lida com isso? Muito obrigado, queridos cavalheiros, pela reinauguração desse podcast agora, em 2023. Foi um privilégio acompanhar vocês. Obrigado pela manhã.
Ótimo, fantástico, pessoal.
Valeu.
Muito bom.
Obrigado, pessoal. Sempre um prazer também estar aqui com vocês.
Obrigado, gente.
Um prazer. Valeu, pessoal. Grande abraço. Até o próximo. Tchau, tchau.
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