AAP Ep015 | Resgatando a importância de gestão de gastos/orçamento, um caso de (in)fidelidade financeira, clientes retornando/renovando o mandato.
14 Feb 2023 · 64 min
Episódio 15 do podcast 'Arte do Planejamento' (Academia de Planejadores) com André Novaes, Frederico Gonçalves, Gabriel Pereira e Ronaldo Askar. A conversa (gravada em 14/02/2023) traz relatos de atendimentos reais sobre gestão de orçamento, reativação de hábitos financeiros, uso de automação (conexão bancária/Cash Conecta) e casos de assimetrias/infidelidade financeira entre cônjuges, além de retomada e renovação de mandatos de planejamento.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, seja muito bem-vindo ao 15º episódio aqui do nosso podcast Arte do Planejamento. Hoje eu estou na companhia do já célebre participante aqui, Frederico Gonçalves. Como é que está? Tudo bem por aí, queridão?
Tudo bom, pessoal? Como é que vocês estão? Tudo tranquilo?
Tudo beleza? Também temos aqui a companhia lá do sul do país, uma das regiões mais bacanas. Gabriel, o meu sonho é me aposentar no sul do país, hein, cara? Tem que me ajudar a fazer isso acontecer. Gabriel Pereira de volta! Como é que você tá, Gabi? Tudo bem?
Olá, André. Olá, pessoal. Tudo bom? Prazer estar aqui novamente.
Muito bom, muito bem. E é também um cara que a gente não para de receber cartinhas. Imagina a Fred e o Gabriel quando a gente começar a mostrar o vídeo. com essas bochechas charmosas do nosso querido Ronaldo Askar. Meu irmão, Ronaldo, pessoal, hoje aqui em Campinas veio passar uma semana com a gente aqui. Muita coisa boa acontecendo, né, Ronaldo? Ronaldo começando a liderar um projeto nosso por aqui. Meu irmão, seja muito bem-vindo. Muito, muito bom ter você de novo por aqui.
Isso aí, pessoal. Bom dia. É maravilhoso estar aqui novamente.
Muito bem, muito bom. Pessoal, vamos lá, vamos já então aquecer nos motores aqui, só para lembrar rapidamente o propósito desse nosso tempo aqui. Para a gente é um privilégio, você que está escutando essa nossa conversa, mas antes de tudo, tá? Isso aqui é uma conversa entre colegas, a gente aqui não quer ser, em hipótese alguma, a última palavra em nada que a gente compartilha por aqui, a gente quer na verdade ampliar o diálogo, A gente apenas assume o risco aqui, talvez, de ser a primeira palavra numa abordagem, em casos reais, diferente, mais profunda, mais abrangente, com um toque de um planejamento centrado na vida dos clientes. É uma grande troca de experiências entre a gente. A gente se diverte fazendo isso daqui. O Fred sempre comenta comigo, cara, como é bacana aquele nosso tempo no podcast. podendo interagir e conversar acerca do que a gente viveu na prática, na real, na semana anterior. E, pessoal, isso também é mais um exercício que a gente pratica por aqui com o objetivo de te entregar uma lente crítica para avaliar o nosso estilo, a nossa linguagem, como a gente aborda casos reais com clientes, para que então você pondere, será que faz sentido eu me aproximar mais da academia, ver o que mais esses caras têm para oferecer, mas a gente não quer que você entre num quarto escuro, por isso, então, a gente aqui de maneira até vulnerável, coloca os casos reais de novo, sem o objetivo de ser a última palavra, mas assumindo o risco de talvez ser a primeira palavra, te convidando pra uma reflexão mais ampla. Sem mais delongas, vamos começar aqui a nossa conversa. Ronaldão, você que tá aqui então visitando a gente, da Bela BH, como é que foi sua semana passada, cara? O que você teve pra compartilhar com a gente?
Bom, André, Sempre bom estar aqui, pessoal. Semana passada eu atendi, além de vários clientes, uma família que me marcou a reunião porque já estamos juntos há três anos. Um casal que até então só tinha uma filha, descobri na reunião que eles estão grávidos, agora esperando um menininho. E esse cliente é sócio de um grupo empresarial, ao qual eu atendo vários sócios e alguns gerentes. E o que chamou mais atenção nessa reunião foi o pedido dele, já bem no início. Ele fez ali uma atualização que durou 35 minutos, ele só contando efetivamente o que havia acontecido. Pode parecer que a gente já não se reunia há tanto tempo, mas fazia somente três meses que a gente não encontrava. E a empresa passando por um momento de transformação muito grande, descobrimos que ele foi promovido, um grande ajuste salarial, novos desafios além da gravidez, mas o que mais chamou atenção foi o pedido dele, ou seja, Ronaldo, eu quero efetivamente entender o que acontece com o meu orçamento. Uma família organizada, com uma boa reserva, investimentos, um certo patrimônio, mas ele mesmo foi percebendo que ele se perdeu um pouco no caminho em relação aos lançamentos. E na nossa prática, a gente desenvolve com o cliente uma importância sobre a clareza do orçamento, parafraseando aí André Novaes, orçamento é rei. Então, esse cliente percebeu ali exatamente isso. Cara, eu quero que você me ajude novamente a construir aquela clareza do orçamento. Então fizemos, sim, uma grande revisão de tudo isso, estabelecemos novos compromissos, e o que chamou atenção também foi que ele, de certa forma, até gerou um pouco de desconforto, porque a esposa também não se sentia mais engajada. E nessa primeira reunião deste ano, que foi uma reunião somente para essas atualizações, a gente já automaticamente falou, cara, traz ela de volta para as reuniões, vamos retomar tudo isso, principalmente agora num momento onde a chegada de um novo filho traz imensos desafios, principalmente com uma criança ainda pequena em casa, e ele sim, ele retomou aquela experiência que tivemos ali pouco antes do início do ano passado, onde ela efetivamente falou assim, Ronaldo, eu acho que tá legal, mas a minha esposa não quer participar mais de algumas reuniões. E assim, a gente convidou a esposa novamente, E o compromisso é para que, já na próxima semana, a gente retome todo o trabalho ali, buscando o projeto, o andamento, a continuidade do projeto e vida dessa família.
Eles estão com você há quanto tempo, Ronaldo, essa família?
Três anos. A gente começou em maio, vai fazer três anos. Maio de 2019, maio de 2020, aliás. Maio de 2020. E é um casal novo, eles não têm 40 anos ainda, são de Belo Horizonte, mas moram em Cuiabá. Eles cuidam da filial da empresa que está sediada lá. E é um casal que particularmente eu tenho muito apreço por eles, são muito queridos.
Olha que interessante aqui, turma. Três anos, né? já então passaram por todo aquele processo de arquitetura, de montagem do orçamento, talvez aquele estímulo, aquela motivação inicial para então manter-se engajado com a prática do lançamento, mas agora é hora de reativar um pouco disso. Bom que emerge essa percepção por parte de um dos cônjuges, no caso o marido, e também a sensibilidade dele na direção de trazer a esposa. Deixa eu trazer o Fred primeiro para a conversa, Fred. Já passou por situações análogas, cara? Ter que, talvez muitas vezes, dar um botão de reset e dizer, pessoal, vamos lembrar o porquê a gente começou, vamos resgatar o primeiro amor junto ao orçamento, aos lançamentos. Quem ouve a gente deve estar pensando, esses caras são loucos, né? Quem é que ama orçamento aqui? Quem é que ama fazer lançamento? mas a gente sabe a importância do que a gente tem que fazer e que o trabalho do planejador não é só fazer o que o cliente quer fazer, é fazer o que o cliente precisa que seja feito. Mas aí, Fred, já teve uma experiência onde você teve que resgatar a motivação de clientes? Como é que você fez isso?
Já tive, já tive sim. E também, acho que um pouco do caso que eu vou contar depois, eles já tiveram também o resgate. André, eu acho que à medida que a intimidade e a relação planejador-cliente vai crescendo, obviamente vai, como tudo, tendo uma acomodação natural. Em alguns momentos, tanto o cliente quanto até mesmo nós, planejadores, perdemos um pouquinho aquela ponta de ser mais enfático em algumas coisas, algumas questões, ou sermos mais.
Como é que eu chamo de obedientes, algumas coisas que a gente sabe que são importantes. Então, um pouco daquele, a direção que vira o ato de dirigir que vira algo automático. E aí começa que, de repente, você colocou algumas coisas repetidas no seu orçamento, então a repetição te mostra o fluxo, mas não mostra efetivamente aquilo que você cria o hábito de lançar tudo, etc. E aí você, necessariamente, num momento ali que vê alguma mudança, alguma coisa surgindo, fala, opa, peraí, eu preciso retomar algo aqui. Então, acho que faz parte, acho, acredito que faz parte do trabalho longevo nosso junto aos clientes, de vez em quando, retomar algumas coisas do tipo. E tudo bem. Algumas coisas entraram num regime de instabilidade, mas não necessariamente aquela instabilidade vai ser a mais saudável para sempre, porque a vida é bem quadradinha, não é redonda. Então, coisas vão surgir e você, num momento correto, vem lá, pega de volta e falou, opa, vamos voltar a focar para cá.
Muito bom. Gabriel, o Brasil é um país de dimensões continentais. Esse tipo de situação só acontece aqui, a Cuiabá, BH, Campinas, São Paulo ou no sul do país. A turma também perde motivação para manter aderente a boas decisões a partir dos gastos, a partir de um orçamento bem estruturado, bem controlado, O que você diz para a gente? Como é que as coisas funcionam por aí?
André, não muda muita coisa, não. Apesar do Brasil ser grande, acho que a nossa cultura é bastante enraizada, independente da região que a gente esteja. Eu trago o que eu posso trazer sobre essa situação. Eu estou ainda começando a viver essa experiência, dos meus primeiros clientes entrando em um terceiro ano de planejamento ao meu lado, E o que eu tenho percebido é que a gente passa por alguns ciclos.
Após uma primeira fase mais robusta de trabalho, a gente começa a passar por alguns ciclos. Alguns clientes, em alguns momentos, têm um certo desengajamento e daqui a pouco alguma situação que eu percebo é que às vezes alguma situação de vida do próprio cliente ou da própria economia, algo que impacta a vida dele, geram a necessidade de uma retomada e é onde o cliente começa a perceber que aquilo que a gente vem, em todas as reuniões, falando repetidamente para o cliente, naquele momento, então, ele enxerga a importância de estar fazendo aquilo. Pois é, Gabriel, você já vem falando isso há um tempo, acho que eu preciso mesmo voltar a lançar, voltar a acompanhar o meu orçamento ou algo nesse sentido. A gente, principalmente quem está tendo essas primeiras experiências como eu, a gente fica um pouco, às vezes, ansioso em querer falar para o cliente antes que ele perceba, mas eu acho que faz parte do processo, sim, o cliente ter esse aprendizado a partir das experiências, porque se a gente, talvez, forçar a coisa demais, talvez não seja um aprendizado do cliente, ele se sinta um pouco apoiado, que, opa, tá forçando demais, não é isso que eu quero, acho que o nosso papel é estar ali do lado, mostrando pra ele, porque aí eu acho que quando ele enxerga aquilo, ele daí reforça a importância de ter um planejador ao lado dele, pô, eu preciso de alguém pra estar aqui sempre me lembrando, sempre me guiando, me mostrando o caminho pra que ele não me perca.
Ronaldão, deixa eu passar de volta essa bola para você. A gente sabe, o que a gente faz tem muito mais traços de uma trilha que a gente convida o cliente a seguir do que um trilho a partir do qual ele não pode sair. Mas o Gabriel destacou uma coisa, também pegando o gancho que o Fred colocou, de um lado a gente como planejador sabe a importância do óbvio simples e do simples que funciona, como por exemplo Orçamento, manter-se atento a ele. É fato que isso só leva a coisas boas. Mas, de um outro lado, a gente também compreende que, como o Gabriel destacou, existem fases, algumas coisas depois vão meio que se diluindo e parece que tudo vai bem. Acho que aquilo que eu queria te ouvir, Ronaldo, é como conjugar, de um lado, esse senso de responsabilidade que a gente não pode se privar de imprimi-lo junto ao cliente na direção de existe um job to be done. Existe responsabilização. Algumas coisas precisam ser feitas. A gente gosta muito de fazer o comparativo com a atividade médica, mas eu não iria em nenhum médico e diz, não, você pode tomar uma opção aqui de como é que você quer que eu faça a cirurgia com você. Se você quiser fazer um exame médico, tudo bem, mas se não, estima aí mais ou menos como é que tá seu colesterol, mais ou menos como é que tá seu triglicérides, que eu vou lá e eu opero você assim mesmo. Não. E não é à toa que esses caras são tão bem reconhecidos. Então, como conjugar, Ronaldo? De um lado, a importância de sempre ter o orçamento em dia. Do outro, entendendo também que não dá para tensionar demais essa corda. Como é que você tem aprendido a lidar com isso?
André, o início da conversa foi tão agradável, dado o tipo de relacionamento que a gente construiu ao longo desses três anos, que o cliente humildemente me pediu desculpas. Eu quero te pedir desculpas por eu não ter feito aquilo que você sinalizou que era tão importante. Eu aceitei as desculpas, claro, mas deixei consciente de que a responsabilidade efetivamente é dele. E ali o meu papel, honestamente, não era de julgá-lo, era de penalizá-lo, ao contrário. Cara, da mesma forma que a gente iniciou esse trabalho três anos atrás com essa visão, construção de visão clara do orçamento, O caminho agora é efetivamente dar alguns passos pra trás e refazer esse trabalho. E ajustes foram necessários, enfim. Mas esse senso de responsabilização dele, eu achei interessante porque ele mesmo percebeu que com pouquíssimo tempo, somente 90 dias ali, ele sentiu que o caminho dele foi desviando. Ele fala, a sensação que eu tô tendo é que efetivamente eu não estou sabendo o que eu tô fazendo. E aí trouxemos sim o velho e bom orçamento bem feito, orientando o cliente inclusive sobre a funcionalidade que a nossa ferramenta permite, que é a conexão através dos dados bancários. Tudo bem, Ronaldo. E esses últimos 30 dias, e ali nasceu um novo compromisso, ele falou, olha, nós vamos liberar a conexão por esses 30 dias, para que você consiga puxar esses dados, mas já é um compromisso de que é dessa vez, enfim, para que ele sim retomasse o hábito de realizar os lançamentos. E a gente ainda construiu o compromisso dele levando essa responsabilidade também para a esposa, que mesmo hoje cuidando de uma filha pequena e com a gravidez, eu acredito sim que aquelas reuniões que fazíamos, mesmo eu e ela uma vez por semana, para fazer o alinhamento, elas estão fazendo falta. Ele deixou muito nítido isso. Isso está fazendo falta e isso fazia muito bem para a gente. Eu percebi até o quê? Ele estava precisando de ajuda, ele estava precisando efetivamente desabafar a respeito.
É um cara fantástico, acho que essa sua sensibilidade... Fredel, aquece o gogô aí, O Ronaldo comentou, pessoal, do puxar os dados, conectar, a gente hoje tem essa funcionalidade dentro da nossa plataforma tecnológica, a gente deu o nome de Cache Conecta. Fred, você liderou esse projeto aqui, e o cliente então fala assim, agora que tem como conectar, e eu fazia coisa semi-automática, convenhamos, não é automático, semi-automático, Eu quero fazer isso desde já. Eu não quero esse negócio de ter que fazer manualmente, não. Eu só te contrato se eu puder fazer esse negócio automático. O que você tem para dizer para esse cliente? Cara, dá para automatizar ou semi-automatizar desde o início? Ou você é um pouco mais bravo e diz que não?
O que você conta para a gente? Você me pergunta porque você sabe qual é o meu conceito e minha resposta para isso.
Gente, eu efetivamente acredito que numa metodologia na qual nós estamos aqui navegando por ela nos últimos 15, 16 anos, e tem dado certo, sim, tem dado certo, onde o cliente constrói um bom hábito através dos lançamentos que ele faz manualmente, sim, ele tem um trabalho de olhar para isso tudo, é extremamente importante que no início isso aconteça com o ônus da atividade de lançamento sendo do cliente, não a automatização. E o mais importante para isso, gente, é que a pessoa tenha uma mente flexível e aberta. Porque não tem uma única forma de fazer as coisas. Então, eu mesmo também falo assim, não, tudo bem, dá para negociar um pouco isso, deixar uma flexibilidade? Sim. Mas é importante que saibamos que existem caminhos que talvez nós não conhecemos e, portanto, essa mente flexível pode nos abrir algumas coisas diferentes para algumas respostas que a gente ainda não tem, tá? Então, talvez, mesmo eles querendo total automatização e mesmo eu falando que no início talvez não seja interessante, tenho visto também que eu preciso abrir a mente e eles também para entender que, ó, talvez uma combinação. Sim, mas é importante que a gente entenda que não tem só um caminho para fazer, mas tem uma história toda para a gente contar aí de positivos impactos de criação.
Para fazer com que a coisa aconteça. Eu ainda estou na mente um pouco inflexível aqui, no iniciozinho ali, de um cliente ter mais o trabalho para isso, mas depois abrindo para essa forma semi-automática do coração.
Fala que ele está um pouquinho inflexível, mas é mentira, viu, pessoal? Ele está totalmente inflexível e eu acho que está certo. Acho que no começo, o cliente tem sim que criar essa musculatura. A gente não pode ir para o caminho inverso, não é, Fred? É. de não permitir a oportunidade do cliente de ter consciência acerca do que acontece. A automação facilita, mas ela não permite a consciência. Ninguém fica consciente de alguma coisa num automático. Tanto é que há o dito popular.
Isso significa que eu fiz isso sem pensar, eu fiz isso sem ponderar, sem enxergar a causa e consequência. Então, eu acho que a gente tem muito a celebrar a liderança do Fred na direção da gente ter obtido o Open Finance, o Cash Connect, Mas a gente também tem esse lido muito responsável de que, primeiro, a gente ajuda o cliente a criar o hábito, porque o hábito cria uma versão melhor do cliente. E depois, para celebrar tudo isso, claro que a gente vai liberar. Está, inclusive, previsto dentro da metodologia.
Mas muito legal, muito bacana, Ronaldo.
Até mesmo se você me permitir um comentário final aqui, André, até mesmo porque é o seguinte, a pessoa fica com aquela impressão de que ela vai ficar guiando as coisas dela, olhando para o retrovisor. Na verdade, não. Você vai fazer conforme está acontecendo. Então, não é uma coisa passada, é uma coisa de agora para frente. E aí você consegue enxergar as possibilidades. E o primeiro passo para você dominar as finanças não é sair cortando gastos, por exemplo, sem planejamento. Então você precisa enxergar o que está acontecendo.
Exatamente. Muito bom, Rogão. Que bom. Parabéns pelos três anos. E eu creio até que o pedido de desculpas do cliente seja também uma... Primeiro, acho que uma demonstração de humildade da parte dele, mas acho que uma humildade que emerge também do respeito e da confiança que ele tem ao seu trabalho. Eu também, muitas vezes, quando retomo, depois de... longos dois anos e meio, uma atividade física com personal, a primeira coisa que eu tenho de coração para dizer para ele é desculpa, desculpa por não ter te obedecido por dois anos e meio, agora eu consigo ver o resultado disso e eu vejo realmente na pança o resultado disso. Vamos partir para o Gabriel aqui agora. Gabi, o que você tem para a gente aí para contar o que aconteceu por aí no sul do país na semana passada?
André, tem um caso, uma saia justa que eu me deparei na semana passada, que eu achei bastante interessante para trazer aqui para nós discutirmos. Tem uma família que nós estamos há quatro meses em paurejamento. No início, trabalhando ali arquitetura do orçamento, a gente já ficou bem característico que era uma família que estava com um certo desequilíbrio orçamentário, os gastos superiores à receita, E uma falta de liquidez também, família que possui imóveis, mas sem recursos líquidos, ou seja, sem dinheiro, sem capital investido. E muitos gastos desses referentes a reformas nesses imóveis que eles compraram com a ideia de estar alugando ou vendendo.
Nos primeiros meses, eu tentei entender um pouco mais isso e passei a tentar mostrar para eles o impacto que isso estava tendo no orçamento deles. Fizemos um cálculo de reserva de emergência para trazer uma liquidez imediata necessária, talvez até para despertar neles, quem sabe, a possibilidade de estar vendendo um dos imóveis para trazer essa tranquilidade, essa liquidez, até porque era um dos dos objetivos ao contratar o planejador, fazer uma tranquilidade financeira para a família. E nessa reunião da semana passada, ao discutirmos isso, falar de que forma a gente ia buscar essa liquidez, essa reserva de emergência, um dos cônjuges me vira o computador que ele estava usando na nossa reunião e me mostra um extrato de uma conta bancária, de um valor significativo, vou dizer aqui o valor cerca de 300 mil reais, de uma forma que, pela forma que ele me mostrou, era algo ainda sigiloso perante a outro Conge. E aquilo, pra mim, assim, na forma como foi, no momento que estava, na forma como foi, me deixou assim numa saia justa. Eu mantive a reunião até o final sem trazer isso à tona, mas já assinou um alerta ali que algo não está correndo muito bem naquele relacionamento, principalmente no que tange às finanças.
Então você nem chegou a questionar esse cônjuge que revelou esse patrimônio, o motivo dele manter esse patrimônio, não revelado para o seu cônjuge. Você chegou a perguntar o motivo ou teve que manobrar e disfarçar a situação?
Eu tive que disfarçar porque ele aproveitou o momento em que o outro cônjuge foi buscar algo, estava na residência deles, esteve ausente por poucos segundos. Então eu não tive essa oportunidade. A única coisa que eu busquei fazer, ainda não teve retorno, Convidei esse cônjuge que me mostrou isso para a gente bater um papo.
Legal.
É uma orientação que eu já tive dentro da nossa metodologia, mas ainda não teve nenhum desenrolar.
Mas é muito legal. Reparem, pessoal, a realidade do que a gente está debatendo aqui. Esse caso foi na semana passada, então a gente não está trazendo aqui a conclusão dele ou a solução dele, mas a problemática que se apresenta. Eu aqui vou pegar emprestada um pouco da humildade do cliente do Ronaldo e vou deixar esse caso para quem entende de coisa difícil, viu, Gabriel? Que é o Fred e o Ronaldo.
E aí, Ronaldão, Fredão, como é que vocês lidam com um caso de talvez até uma infidelidade financeira? O Gabriel ali... Você estava há pouco tempo com a sua família, não é, Gabriel? Uns quatro, cinco meses?
Quatro, cinco meses.
Então, começando a entender o contexto, tudo aponta para... Opa, parece que a coisa está um pouco apertada, a gente tem que montar aqui uma reserva de emergência. E um dos cônjuges diz... Rei, eu tenho um negócio aqui que eu quero que você saiba, mas não deu muito para explorar ainda. Aparentemente, eu não quero que o outro saiba. Enfim, eu vou me aquietar aqui, porque a coisa é muito complexa. Fred e Ronaldo, a bola está com vocês.
Fredão, quer começar?
Gabriel, aborda você.
Vamos lá, vamos lá, vamos lá. Gabriel.
Eu já lidei com um caso praticamente idêntico. E o interessante é que esse casal, eles não são meus clientes mais, mas nós caminhamos ali por um ano e meio, enfim, um casal de médicos de Belo Horizonte, e o interessante foi que já nas primeiras reuniões a esposa sinalizava assim, ele mente, ele mente, eu sei que ele mente. E falei, ele mente sobre o quê? Ela falou, ele mente sobre o quanto ele ganha. E o marido, calado, mudo. E aquilo, eu falei assim, eu vou guardar isso aqui para um outro momento, porque eu realmente acredito, né, que vem mais coisa por aí. E chegou num determinado momento ali, já na fase do ajuste, em que efetivamente eu fiz essa pergunta. Eles com um orçamento totalmente deficitário, um orçamento realmente muito negativo. E ela trouxe isso novamente. Eu falei que ele mente. E a pergunta que eu fiz foi só uma. Onde é que vocês querem enxergar com isso? Só que eu fiz a pergunta duas vezes. Onde é que vocês querem enxergar com isso? o que efetivamente ela também não dizia verdade o tempo todo.
Então, na hora que eles foram descobertos, e aqui eu estou fazendo aspas, imediatamente os dois ficaram realmente com uma certa vergonha, a ideia não foi deixá-los numa saia justa, mas a pergunta foi extremamente objetiva, porque eu sinalizei que construir um projeto de vida, através de um planejamento financeiro, onde efetivamente a verdade não era dita, não fazia mais sentido eles confiarem em mim esse trabalho. Primeiro, porque não é o meu traço cultural, e segundo, porque efetivamente eu não via mais sucesso na relação com eles. Então, de uma maneira muito educada e até muito elegante, eu pedi a eles uma decisão imediata. O que vocês querem construir comigo daqui em diante? E a gente pode encerrar a reunião por aqui hoje, mas eu gostaria que vocês refletissem e me trouxessem essa notícia depois. Pode ser por telefone, pelo WhatsApp, mas hoje a gente encerra a reunião por aqui. E eles estiveram em um prazo de dois, três dias, até que eles conseguiram conversar a respeito, e eles mesmos sinalizaram. Realmente a gente não falava um para o outro, quanto era a remuneração de cada um. E ali eu, humildemente, também recebi a resposta dos dois e falei, vamos começar novamente? E assim, nós começamos novamente e fizemos um ótimo trabalho, mas eles, enfim, por motivos pessoais, eles estão juntos ainda, a gente conversa de vez em quando, mas eles decidiram encerrar o trabalho. Mas foi interessante, Gabriel. Eu precisei, honestamente, ter muita coragem para dizer, mas eu me baseei na confiança em que eles me prestaram no início do relacionamento. Foi isso que me motivou efetivamente.
Fredão, para você se preparar, deixa eu fazer só mais uma pergunta aqui. Eu acho que o Ronaldo colocou uma coisa aqui interessantíssima, daqui a pouco eu comento. Mas Gabriel, ao longo desses quatro meses, você tem alguma desconfiança do motivo que o levou, que levou um desses cônjuges a suprimir do planejamento, essa informação relevante. Há algum traço de gasto demasiado do outro cônjuge? Você conseguiu, mais ou menos, talvez elaborar uma hipótese aqui. Você tem algum elemento a mais? Como é que está?
André, essa é uma coisa que eu estou tentando... Eu passei a reanalisar as primeiras reuniões para tentar enxergar algum caminho nesse sentido. Existe um discurso dos cônjuges com relação a um desequilíbrio de gastos por parte de outro.
Mas desde que nós começamos o trabalho, isso não se apresentou na forma como ele dizia. Eu vejo que o que mais impacta o orçamento é o próprio gasto que eles têm com esses imóveis.
E o cônjuge que me mostrou os recursos, foi o mesmo cônjuge que me contratou, vamos dizer assim, que me chamou primeiro, que na reunião demonstrou mais interesse. Então, acho que é importante uma conversa com ele, porque eu quero entender se ele realmente tinha esse recurso e não sabia uma forma adequada de apresentar para o outro cônjuge sem que o outro se achasse no direito de gastar, ou se alguma coisa é um pouco mais excusa, se ele procurou para me tornar legítimo um recurso só dele, vamos dizer assim. Estou conjecturando e não estou querendo pré-julgar, por isso que acho que é importante. Acho que isso que o Ronald trouxe... Vou usar muito o Ronald, porque vou perguntar para ele. Onde você quer chegar com isso? Acho que ajudou muito essa tua abordagem, Ronald.
Fredão, põe aí o chapéu de chefe. E repara que te colocaram uma cebola na frente, você vai ter que tirar camadas para tentar descobrir qual é a verdadeira agenda. Como é que você tem lidado com essas cebolas que os clientes apresentam, Fred, onde na superfície não necessariamente é o que de fato é?
Não é simples, mas... O tempo ajuda, primeiro ponto, a sinceridade e o profissionalismo do planejador ajuda também Então se você não demonstrar nenhuma escolha de lado, nenhuma pendência pra esse tá certo e o outro tá errado E entender o que é certo e o que é errado pra eles, junto com eles e abrir de forma franca e sincera para a conversa. Você tem que tirar disso tudo aí essa ponta, Gabriel, de o que gera nele essa insegurança de não vou mostrar para a minha esposa a reserva que eu tenho. Eu tenho medo que ela acabe. Há uns casos atrás, alguns podcasts atrás, eu não vou me lembrar exatamente qual que é, mas eu descrevi um caso da importância que o marido dava pra participação da esposa no processo todo, porque ele sempre considerou que se ele falasse pra ela que ganha 50, ela ia dar um jeito de gastar 50, se ele falasse que ele ganha 60, ela ia dar um jeito de.
Ela entender que o que tem para gastar é isso, o restante é para investimento e tal, etc. E ao longo do processo, ele realmente foi segurando muito algumas coisas, mas eu sempre puxando para a fala, nas reuniões e etc, até que naquela reunião que eu descrevi no episódio depois, eu lembro, e a gente coloca na chamada desse podcast.
Da participação da esposa e como que a soma deles, do esforço, etc., poderia dar mais resultados e tudo mais, e tudo aquilo que era importante eu trazer junto com eles para que ela entendesse tudo. Então, assim, você vai ter que ganhar a confiança dele para que ele tenha confiança na esposa, ou seja, você vai ter que fazer um processo de educação dessa família para que ambos, um confie no outro.
Eles possam caminhar juntos, porque a força deles juntos é muito maior.
Muito legal!
Eu achei interessante, nesse ano de 2023, a temática que a gente escolheu aqui como expressão do que um planejador live faz é o que, então, eu talvez tenha tido apenas o privilégio de nomear IT, IT como referência para impacto transformador. E quando eu apresentei isso para a equipe, a mensagem central do impacto transformador é a habilidade que um planejador tem de conjugar coisas. E olha que interessante os exemplos que tanto Ronaldo e Fred deram. Ronaldo, algo muito interessante, o Gabriel até já disse, tomei nota na direção de, ei, onde é que você quer chegar com isso? Qual é o propósito disso? Qual é o destino disso? Talvez a consequência até de uma atitude como essa. E ali, a gente que toma o risco de fazer isso tem diversos caminhos para seguir. Mas o Fred também trouxe uma outra perspectiva, que é qual o medo que o motiva a, por exemplo, não revelar? E a conjugação dessas duas coisas é muito interessante, explorar a motivação e explorar a consequência de uma problemática que nos foi apresentada ou de uma situação não trivial que é apresentada para a gente. E eu acho que você também acertou, Gabriel, quando você então disse que a minha decisão foi chamar ele para uma conversa particular, para não tensionar ainda mais algo. E Ronaldo sempre gosta de colocar isso para a gente. Gabriel, ele fez um pedido de ajuda. Ele fez um pedido de ajuda. Cara, eu acho que... Isso é o que existe, não é o que eu gostaria que existisse, mas eu não sei fazer a coisa mudar. Ronaldo, diga lá.
Interessante, Gabriel, por você ter colocado esse tema. Eu recordei que na sexta-feira passada, na parte da manhã, eu fiz uma reunião com um lead indicado por um irmão, que é cliente há três anos, e esse irmão falou, você precisa conversar com o Ronaldo, porque o irmão está numa ascensão profissional, realmente, recebendo altos valores, e ele é noivo. E eu deixei essa pergunta para o final. Falei, vem cá, sua noiva vai participar conosco? Ele falou, é isso que eu queria te perguntar, porque eu percebi aí que a gente precisa mostrar tudo e tem umas coisas que ela não pode saber.
Eu olhei bem para ele e falei assim, Ok, qual é o problema dela saber? E outra, você quer continuar com isso até quando? Porque efetivamente se você iniciar um relacionamento conjugal com essa barreira, você vai ficar preso a ela para sempre. Ou seja, ali mais uma vez tive uma coragem de um lead já receber uma uma mensagem nessa, sem antes se tornar cliente. E o que me ajudou, Gabriel, a conduzir a família anterior, foi exatamente uma frase que a gente utiliza muito na live, que é deixar o errado de lado e efetivamente começar a fazer o certo. Esse traço de não julgamento. Ok, gente, que bom que vocês descobriram. E agora, vamos fazer o certo? Vamos partir efetivamente para o certo?
É fato, né, Gabriel? E baita caso. A gente vive uma cultura que muitas vezes aponta que cada um vive no seu quadrado, cada um pode fazer o que quer, cada um pode decidir o que é, Mas creio que o nosso trabalho como verdadeiros planejadores não é ser um eco dessa cultura, é ser uma alternativa para essa cultura. alternativa que vai na direção justamente das motivações, das consequências, e apontar para... Ei, ninguém aqui precisa ser PHD em relacionamento para saber que um relacionamento que nasce assimétrico tende a não se sustentar. É engenharia pura, né, Fredão? Não dá para você manter um negócio onde os níveis estão muito diferentes. E a gente também tem que contribuir para, naturalmente, sem um julgamento precipitado, daí, por exemplo, o... Ok, eu não vou tensionar a reunião.
Poxa, eu vou talvez ter que usar um tempo a mais meu para ter uma conversa particular com ele. Mas, de novo, se o que a gente faz é assinado pela prerrogativa do eu me importo, eu me importo, eu me importo, não é uma questão de horas gastas, é uma questão de relacionamento resgatado. E eu acho que isso tem que ser marca, tem que ser digital no que a gente faz. Então.
Eu acho que Deus te deu um presente, Gabriel, de estar no contexto desse casamento. E talvez ele esteja olhando lá de cima e dizendo, não tem nada a ver com o percentual de CDI, meu querido. tem a ver com o amor entre essas duas pessoas e o que você deve e pode revitalizar nesse relacionamento. Então, que Deus te abençoe. Viu?
Obrigado. Vamos fazer desse limão uma limonada.
Agora é o momento do aleluia, irmãos. Vocês têm que todos dizer isso.
Amém.
Brincadeira.
Eu tô aqui anotando um monte de coisa aqui. Vocês estão me vendo aqui, porque eu tô anotando papo aqui, porque eu gostei de alguns pontos que vocês trouxeram. Por isso que eu gosto.
Muito.
Continuando aqui a nossa homilia, Fred, e você? O que você teve aí na semana passada para compartilhar com a gente, queridão?
Deixa eu trazer meu ponto aqui, então, do pastoreio. Cara, de forma muito legal e surpreendente, esse ano tem começado animado, depois do ajuste todo, viajando, etc, e com algumas, sinceramente, algumas mensagens que eu não esperava, mas que recebi, e foram super legais.
Vou descrever um caso de semana passada.
Fredão, deixa só. Você começou o ano animado, mas você estava triste antes? Porque, assim, Ronaldo, acho que a gente vai ter que dar um abraço em conjunto com o Fred. Você estava mais triste? O ano passado eles só tiravam férias, não é, Gabriel? O Gabriel tirava férias sem parar. Esse ano eles já começaram trabalhando. Estava triste ainda assim, queridão? O que você conta para a gente dessa? Não é, né?
O ano passado realmente foi. Quem conviveu comigo sabe que foi um ano de cuidados com a saúde, etc.
Foram forças adquiridas para tocar esse ano bem. E eu coloquei aqui, na minha cabeça, algumas metas.
Ele aproveitou, André, para fazer um curso de figurino corporativo.
Ele fez. Deixou de usar a camiseta que ele deixava aberta até o meio da barriga, caminhoneiro. Em mãos caminhoneiro Fred, agora ele virou planejador, está certo.
Não vou poder falar mesmo, mas tudo bem.
Mas o mais legal foi o contato que eu recebi de duas irmãs que já foram minhas clientes. A última delas havia cancelado há cerca de dois anos, então foi ali no inicio da pandemia. Se eu não me engano, meados 20, então um pouquinho mais de dois anos.
E para minha grata surpresa, me ligaram e uma falou assim, ó, minha irmã quer falar com você também, vamos tentar agendar algo conjunto? E o legal é isso, o respeito que elas tiveram para a agenda, porque elas sabem que eu não me desloco sempre para São Paulo, e falaram assim, a gente queria muito falar hoje com você, mas vamos combinar no mesmo dia. Foi super bacana revê-las, porque é uma família que eu tenho um carinho bastante especial. A terceira irmã já foi nossa cliente também, e um outro é planejador nosso. Então é uma família bastante querida. E elas me convidaram para a gente conversar sobre uma retomada do trabalho. E foi muito bacana revê-las, revê-las em momentos cada uma ali num momento diferente, mas elas reconhecendo a importância do trabalho e a importância de ter alguém de confiança ao lado para olhar por tudo.
Muito legal. Acho que uma das coisas que eu sempre me lembro, Fred, até algo que você generosamente é bastante vocal na direção de compartilhar com a equipe, é justamente a... Pessoal, fiquem tranquilos. Muitas vezes o cliente cancela, ele pausa por um tempo, mas em um instante retornam, e muitos retornam. Você tem um traço interessante de conseguir manter um relacionamento interessante com algumas pessoas por algum motivo, decidiram descontinuar e é muito comum ver os clientes retornarem para a sua carteira. Como é que você reestabelece os mandatos? Ele quer voltar e você já conhece um pouco como ele é, já conhece o que funcionou, o que não funcionou. Como é que você dialoga na direção de um novo mandato?
André, é mó barato porque, assim, Legal que ambos ali tinham histórias, obviamente, né? Ambas situações tinham histórias diferentes, uma delas num caso posterior ali de separação, então ela foi cliente minha com o marido, depois foi cliente minha sozinha, depois parou e agora retomou, num momento aqui de um novo casamento dela, superlegal isso, tá superfeliz. Até assim, sabe, você vê que a aura dela tá melhor mesmo, né?
E aí, a conversa vai muito no ponto do seguinte, gente, então vocês estão reconhecendo a importância de um acompanhamento próximo, de alguém que vocês podem confiar, de alguém que pode, é que alguém que pode não, é alguém que vai pensar somente e realmente naquilo que vocês precisam, naquilo que vocês deveriam fazer, naquilo que vocês deveriam adquirir nesse mercado financeiro, vamos falar assim, né? nessa gestão da vida de vocês, que vai passar pela gestão do planejamento, aqueles três pilares, o planejamento de vida e somado ao planejamento financeiro, vai nos dar ferramenta para falarmos do planejamento de investimentos. Mas sem os dois anteriores, a gente não conseguiria nada de forma correta. Então eu reforço essas teorias todas e o maior barato é que assim, sem querer, sem combinar, acontecem coisas no meio da reunião que você fala assim, putz, não precisou nem eu falar, o cliente percebeu. E eu já falo aqui pra vocês o highlight aí de uma delas. Mas nessa hora, André, eu reforço a importância de tudo, inclusive até de algo que eu sei que para ambos os casais ali é chato, que era a parte dos lançamentos. Eu falei, gente, nós vamos ter que retomar. Nós temos a comunicação com o banco de vocês, porque eu já sei qual é o banco deles, mas não vou permitir que seja direto por isso num primeiro momento que a gente recebe tudo isso, né?
E reforço tudo, inclusive combinando uma sequência de agenda já para esse ano. Então eu tenho uma agenda com eles aí até novembro.
Antes de você falar o highlight, Fredão, deixa eu também trazer agora o Gabriel e o Ronaldo. Vocês já passaram por essa... Eu até aqui pensando também, muitas vezes talvez seja um evento natural reestabelecer o mandato quando o cliente decide voltar. Então ele já foi cliente, ele deixou de ser, ele decide voltar. Mas muitas vezes também é necessário reestabelecer o mandato com o cliente que está na nossa base Aí está um pouco inerte, parece. Enfim, conta um pouquinho, Ronaldo e Gabriel, bem rapidamente, vocês já passaram por situações assim de reestabelecimento, reativação de por que a gente está junto? O que a gente quer fazer desse relacionamento, desse trabalho com esse planejamento? O que vocês contam?
Bom, coincidência ou não, na semana passada, o meu primeiro cliente, primeiro cliente, André, e você lembra quem é?
Sim, sim.
Ele me chamou, cara, a gente precisa retomar aquele trabalho.
Olha só.
Acabou que ele marcou a reunião, me desmarcou em cima da hora e falou, me dá mais um tempinho, a gente vai precisar retomar. Percebi sim, mais uma vez, que eles precisam de apoio. Um outro cliente, também sócio da empresa que eu atendo, que no ano passado foi tomando algumas decisões sozinho e falou, cara, acho que a gente pode dar um tempo. Não, eu preciso retomar. Agora eu já resolvi o que eu precisava, tá na hora da gente voltar a conversar efetivamente. Eu fiquei satisfeito por merecer a confiança deles novamente. Acredito que, obviamente, nos próximos dias a gente vai sentar e efetivamente redesenhar tudo isso. E num desses o Fred até me ajudou. Eu te chamei semana passada, te fiz um questionamento. Cara, como é que eu me posiciono nessa retomada? Ele falou, demonstre a verdade, demonstre que a situação efetivamente hoje, ela é outra. Existe mais experiência, mais bagagem e isso também deve ser colocado na mesa. E eu, obviamente, aceitei essa orientação. Aqueles clientes que fogem um pouco da trilha, eu acho que cabe a nós, como planejadores, ajudar o cliente a reconstruir esse caminho. Defende que planejamento financeiro é diferente de plano, é um filme que você escreve ao longo da vida, e acho que cabe ao planejador mesmo procurar, orientar, não no sentido de cobrar.
É importante.
Vamos retomar isso.
É isso aí. Acho que faz parte da arte também, muitas vezes, a gente entender que eu não tenho mais um contrato com ele, mas eu posso manter um relacionamento com eles. Apesar de alimentar, de repente, né, Fred, com algum texto, com algum estímulo, ou até mesmo com algum cuidado. Olá, tudo bem? Estou mandando uma mensagem apenas para saber como é que vocês estão. De repente, numa dessas, Gabriel, cara, que bom, estamos grávidos de novo. Mudei de emprego, mudei de carreira, alguma coisa aconteceu. Surge ali um estímulo para um bom bate-papo. Mas, Caradão, antes de você vir com o highlight, cara...
Não, deixa eu só colocar aqui aquela ponta de que você sabe bem aí que tem vira e mexe indicação de um casal de clientes que já não é mais um cliente e constantemente vem gente deles. Então é importante você manter essa relação, seja ela qual for, mas corretamente dimensionada entre você e seu cliente ou ex-cliente.
Exatamente, exatamente. E, Gabi, e você aí, cara?
Não começou ontem, né, Gabriel? Mas ainda não fez 10 anos, né? Já dá para ter ali um... E não teve também tantos ex-clientes assim. já dá para ter alguma visão de alguma retomada, de alguma renovação de mandato?
André, o que eu tenho sentido mais é muito em linha que vocês trouxeram aqui, é que alguns desses clientes que cancelaram, ainda não reverti nenhum, mas sempre quando há um cancelamento, a gente tem uma conversa final com esse cliente e a gente sente a necessidade do cliente do planejamento ou a motivação dele cancelar, E o que eu tenho visto é que algum desses clientes que demonstraram, ou eles demonstraram e enxerguei que há uma possibilidade. Eu tenho tentado manter esse contato sem um contrato, mas também muito em linha que o Fred falou, tenho recebido indicações de ex-clientes. Eles enxergam a importância do nosso trabalho, talvez por uma situação pessoal, cancelaram ainda, não voltaram. Mas eu acredito que, como você mesmo disse, ainda estou engatinhando, acho que vou ter retornos de clientes num futuro não muito distante.
Muito legal, muito legal. Bacana, bacana. Frandão, qual o highlight do caos?
O mais engraçado é que, se fosse combinado, não teria sido melhor. Eles estavam me expondo, o segundo casal. a irmã mais nova estava me expondo algumas coisas, ela e o marido de um histórico recente de empreendedorismo que estava no radar lá atrás já no nosso início de trabalho desde sempre.
E ele estava ali me colocando nas questões de precisar de certa liquidez, de ter que resgatar dinheiro e etc. E aí, eu não sabia, mas ele havia pedido para que a assessora de investimento dele resgatasse um valor bom para a conta dele, porque o negócio estava demandando.
E aí, para a minha surpresa e fúria dele, a assessora, sem dó nem piedade, estava resgatando só os melhores investimentos dele em tesouro direto, com taxas de IPCA mais 7, porque não era do interesse dela manter aquilo na carteira, porque, na verdade, ela não queria que ele mexesse naquilo que dá comissão para ela, que são a montueira de fundos que ela colocou a eles lá. E ele possesso, mas possesso. Eu nunca tinha visto ele tão bravo daquele jeito. Ele falou alguns palavrões. Eu tentei acalmá-lo, mas confesso que dei até uma risadinha por dentro.
E aí ele falou, tá vendo por que a gente tem que voltar? Porque, cara, eu só confio em você. As outras pessoas fazem isso.
É. E é interessante você colocar, porque, de um lado, como eu disse, a gente não quer ser a última palavra, mas eu também disse que a gente não deixa de assumir o risco de ser a primeira palavra.
A gente que busca atuar como verdadeiro planejador, a gente tem que estar preparado para uma única coisa. Isso vai acontecer cada vez mais. Cada vez mais. Na medida que os comissionamentos vão reduzindo, na medida que o percentual de assets under management, o percentual número vai reduzindo, manobras...
Diferentes, vão cada vez mais serem cada vez mais propostas para os nossos clientes. E eu creio, e seria legal que a gente concluísse o episódio pegando um pouco a perspectiva de vocês, eu realmente creio que isso vai nos ajudar. mas eu parto do pressuposto de que o adulto é adulto, de que as pessoas são cientes do que está acontecendo. E eu creio que, se conjugado a isso, a gente também, enquanto planejador, não se priva de mostrar como as coisas funcionam. E aqui eu vou fazer um parênteses. Se uma das dores que eu tive na minha caminhada Até no contexto da liderança da Life, na academia, é muitas vezes me deparar com alguns planejadores que sabem como o mercado funciona, sabem como funciona o mercado de comissão e transacional, mas, ao mesmo tempo, eles se mantêm meio que reservados de uma crítica muito grande, porque eu ainda creio que, no fundo, o que eles mais desejam é um dia, se não der certo a carreira de planejador, Eu não vou ter perdido a moral para, de repente, estar do outro lado da mesa. E, ao fazerem isso, não percebem o quão estão se privando de, de fato, se apresentarem para um cliente como profissional de confiança. E derivarem disso o que o Fred acabou de testemunhar. Eu só confio em você. Mas, enfim, o que vocês acham disso, pessoal? Eu acho que vai ajudar. porque essa assimetria tem sido corrigida, os adultos gostam de serem tratados como adultos e ninguém gosta de um interesseiro por trás. E vocês, o que vocês acham disso?
A gente vive isso na prática, André. A gente não está mais numa fase de achar. A gente vive isso, assim como o Fred. vivenciou com clientes indicados, a gente participa dessa forma. Exatamente dessa forma. Para mim, não há dúvida de que o nosso negócio não é o dinheiro, é a confiança.
O relacionamento que estabelecemos com os nossos clientes é um relacionamento de confiança e não baseado no dinheiro. A medida em que o cliente compreende Efetivamente, ele vai cada vez mais ter a liberdade, Gabriel, de trazer informações ultramente sigilosas, que ele não teve coragem de colocar nem para o cônjuge. Então, não se sinta desanimado com esse caso. Como o André comentou, ele é um grande presente. E você, com certeza, conseguiu gerar confiança nesse cliente que já 4, 5 meses de trabalho te abrir uma informação tão relevante. Ele efetivamente precisa de ajuda.
Muito bom, muito bom.
Eu concordo. André, eu concordo também contigo com o que você trouxe ali, que isso nos ajuda. Porque abre um oceano azul para o nosso trabalho. Eu vejo que os nossos clientes, fica muito mais fácil e evidente para eles esse conflito de interesse. Eles já começam a perceber isso antes de se tornarem clientes, quando a gente vai ter uma primeira conversa com ele, que é notório, né? A maioria das pessoas que vêm conversar com a gente, mesmo aquelas que não contratam, elas enxergam. Pô, Azazel, a tua abordagem foi completamente diferente. Você não quis conhecer e saber só sobre o meu dinheiro. Antes disso, muitas vezes a gente nem pergunta sobre o dinheiro, antes eles já enxergam que a nossa abordagem é diferente. Acho que o maior desafio para a gente levar é isso para aqueles que ainda não chegaram até nós, porque no atual momento muitos deles estão achando que já participaram de uma revolução. Ah, eu saí das garras do meu banco, agora eu estou tendo mais opções de investimento, de uma forma muito mais democrática, estou tendo uma rentabilidade melhor. E trata-se muitas vezes um falso engano. Eu acho que o desafio está aí.
Ao mesmo tempo, você tem razão, é um privilégio ter esse desafio também, concordo, Gabriel, concordo. O desafio do Oceano Azul, né, by Gabriel Pereira, tá, isso aí. Fredão, vou deixar vocês errar esse episódio, cara, o caso é seu, se vira com ele.
Não perfeito, acho que os comentários foram ótimos. Vocês estão vendo aqui que eu estou anotando realmente um monte de coisas, porque eu quero ampliar esse espectro da minha avaliação em relação a tudo isso, e isso tem me ajudado bastante. Eu acho que isso só vem a confirmar que eu fui para essas duas reuniões com uma sensação excelente e saí delas de uma sensação de dever cumprido num primeiro momento e um baita desafio para esse segundo, porque agora a régua subiu. Agora a régua subiu. Talvez eles estejam imaginando algo que até nem eu saiba se eu posso, mas eu topei. E logo depois fiz a reunião com outro casal de clientes lá, que também foi muito legal. E até uma pena não poder falar dessa, que foi ótimo, porque as duas superaram mesmo. Mas só demonstra que nós estamos no caminho certo.
Ou seja, depois da semana com dois casos bons, você abandonou aquela tua ideia de tirar férias daqui a três semanas, ou continua?
Não, carnaval eu saio, né? Até mesmo porque fechei três clientes na semana passada, então tá bom, né?
Depois do carnaval, você trabalha direto ou você vai ter mais alguma viagem?
Ô, Ronaldo, Gabriel, três clientes novos na semana passada, tá bom, não tá?
Dá pra pedir música no Fantástico.
O Fred não pede música, ele pede uma semana de férias. O cara não é brincadeira, né?
Como diria o meu amigo Ronaldo Ascari, anda comigo.
André, eu fiquei curioso e muito curioso sobre qual vai ser a fantasia do Fred nesse carnaval.
Eu também estou. Eu sei qual é.
Eu só não sei se vai ser a versão baby shark ou a versão tubarão vai te pegar, mas é uma dessas duas.
Entendi.
Não parece, né, queridão? Meu irmão, nada mais que merecido. Aproveite aí esse tempo com 20 pesos. E depois o Fred vai ter que me aguentar. A gente vai viajar uma semana juntos aí também de férias. A gente vai voltar a fazer o que a gente fazia antes da pandemia, né, meu irmão?
E segundo as nossas esposas, nós vamos passar alguns e-mails de lá, né?
Pessoal, muito obrigado mais uma vez. A gente está aqui passando pouquinhos minutos da uma hora. A gente sempre tenta ficar aqui em uma hora, cinco minutos mais, cinco minutos menos. Gabriel, brigadão, cara, pela participação. Baita caso, baita presente. E eu não tenho dúvida de que esse cliente não podia estar em cuidado melhor. Então, parabéns e cuide bem. Ronaldão, vamos curtir a semana aqui em Campinas. Muito bom ter você aqui por perto. E Fredão, como sempre, cara, obrigado pela companhia. Valeu, turma. Obrigado.
E semana que vem estamos juntos de novo.
Um abraço.
Um abraço, pessoal. Obrigado.
Obrigado, pessoal.
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