AAP Ep016 | Reunião de Acolhimento, Gestão orçamentária para clientes que ganham mais de 1 Mi, Reflexões sobre trabalho, descanso e renda.
21 Feb 2023 · 63 min
Episode AAP Ep016 (hosts: André Novaes; guests: Frederico Gonçalves, Carlos Amadi, Roberto Kenji) discusses three core themes: (1) a "reunião de acolhimento" for a client grieving a parent and navigating sadness, relief and guilt with pastoral and peer perspectives; (2) financial planning for a young client whose income rose from ~R$200k (2019) to >R$1.1M (2022), covering budget growth, elective spending, reserve building, sudden loss of employment and decisions about buying housing; (3) reflections on work, rest and FOMO/POMO—advocating intentional, "carimbado" rest and agenda-based prioritization as part of healthy financial and life planning.
Chapters
Ajudando os verdadeiros planejadores e planejadoras a ter maior clareza, mais clientes e a se tornar a melhor versão de si mesmo. Este é o podcast da Academia de Planejadores.
Olá, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda para o nosso décimo sexto episódio aqui do podcast A Arte do Planejamento. Meu nome é André Novaes e é um prazer estar com cada um de vocês aqui. A gente fielmente crê que esse conteúdo chega até você na hora que ele tem que chegar até você. Hoje eu estou na companhia do Frederico Gonçalves. Fredão, como é que você está? Tudo bem?
Tudo bom, pessoal? Como é que vocês estão? Tudo tranquilo?
Também na nossa companhia, o famosíssimo aqui no Contexto da Academia, Carlão Amadi. Carlos Amadi, meu irmão, que bom ter você aqui com a gente, cara. Obrigado aí, frente a tantas preocupações, dedicar esse tempo pra gente, meu irmão. Bem-vindo.
Imagina, eu que agradeço. É um prazer poder participar. Obrigado pelo convite.
E também temos aqui a companhia do nosso rei das cartinhas. Ninguém recebe mais cartas do que Roberto Kenji, o segundo colocado, que são artistas globais. Ficaram longe do Roberto Kenji. Kenji, meu querido irmão, é um prazer ter você aqui de novo. Tudo bem?
Tudo bom. Prazer é meu, pessoal. Prometo que vou responder as cartinhas que ainda não recebi, mas vamos lá.
Muito bom. Turma, eu vou te chamar, Kenji, para o terceiro caso aqui. Claro que antes da gente ter esse papo, pessoal, a gente investe uns três, cinco minutinhos, só alinhando um pouquinho, e o Kenji vai trazer o que para mim tem se tornado de fato uma assinatura na prática dele, que é a questão da harmonia. Mas antes da gente começar, deixa eu só relembrar o propósito da gente estar aqui. Isso daqui nada mais nada menos é do que uma conversa entre colegas. A gente investe aqui uma hora toda semana conversar sobre coisas reais, o que de fato aconteceu. Naturalmente, a gente só omite o nome dos clientes por questões óbvias, mas tudo que a gente dialoga, troca aqui é real e é real e é contemporâneo, é o que aconteceu na semana passada na prática de cada um de nós aqui. É uma grande troca de experiências e a gente deseja que esse espaço sirva para você que contempla ou uma transição de carreira, ou um amadurecimento na sua prática, na direção de atuar apenas e somente como planejador financeiro, que isso lhe sirva para saber, enxergar, sentir, perceber como que é o dia a dia de um planejador. E também, e também, para que você nos critique na direção da gente te prover uma lente na qual você então avalia. Esses caras falam de coisas diferentes, esses caras abordam as situações reais, contemporâneas, com profundidade e de maneira madura. Esse é o nosso grande propósito aqui. Sem mais delongas, Fredão! Geralmente a gente te convida para encerrar os episódios, mas dessa vez eu vou te convidar para inaugurar esse décimo sexto episódio. Conta pra gente o que você teve de legal aí na semana passada.
Você deixou eu inaugurar porque sabe que eu não estava de férias.
Também tem essa. É verdade.
A gente tem três semanas trabalhando. O Carlão não estava aqui nos outros episódios, mas sempre a gente brinca da constância da questão das férias minhas, brincadeiras à parte. André, é o seguinte.
Eu trouxe um caso muito legal a alguns podcasts atrás de uma cliente minha Tinha uma certa dor ali de entender se dava para ela ajudar o pai que estava precisando de uma ajuda, de cuidados especiais numa casa de cuidados com idosos e tal, etc. E a gente descobriu que tudo bem, cabe, dá certo, continua com os planos e tudo mais. Final do ano, o pai dela faleceu, e além da tristeza que traz, ela trouxe uma reflexão interessante, que foi, poxa, Fred, ao mesmo tempo que estou triste, tenho um alívio.
E tem um olhar necessariamente para frente para eu cumprir com aquilo que nós estávamos conversando e que eu tinha ainda algumas dúvidas se eu ia partir ou não, porque tinha esse peso. Ela falou que não estava sabendo muito como lidar com tudo isso, porque, caramba, será que é legítimo eu sentir esse alívio, a lembrança do meu pai aqui e o que eu faço? Em resumo, o que eu faço? Como eu lido com tudo isso? Porque, efetivamente, as coisas... estão planejadas para acontecer e talvez agora eu possa acelerar algumas coisas.
Ou seja, de um lado.
A natural tristeza, o luto pelo que aconteceu, talvez o alívio, Fred, só para um tempero a mais, emerge. porque o pai demandava dessa cliente algum tipo de suporte financeiro, que naturalmente não mais é necessário, e talvez a combinação dessa tristeza com alívio resultando num sentimento de culpa, é mais ou menos isso que a gente está dialogando.
É óbvio que não é para ter, mas em termos, sim. Ela falou, Fred, será que eu preciso me sentir culpada por estar minimamente aliviada com... Ela me tirou um peso, apesar da tristeza, mas a hora que eu olho aqui para frente, e até isso é superimportante, porque até em homenagem à lembrança do meu pai, eu sei que ele gostaria que eu caminhasse, Realmente, e tudo bem. Ela falou como lidar com tudo isso, como enxergar tudo isso e como tomar as decisões, porque ela falou assim, estou muito impactada com tudo isso, então, efetivamente.
Não estou sabendo muito o que fazer.
Está bom.
Eu vou primeiro chamar o Carlos aqui para conversa, mas quem já vai preparando o seu repertório, o Kenji tem uma formação também teológica. E talvez seria legal, Kenji, de escutar um pouquinho até na direção do luto, do papel de tudo isso, para justamente a gente aproveitar esse espaço não para conversar apenas do mais do mesmo, mas talvez também trazendo uma abordagem diferenciada. E eu acho que se tem alguém aqui, Carlos, para trazer algo que não seja mais do mesmo é o Carlos, seja na direção de aconselhar um cliente que lida com isso, talvez até, Carlão, pelo fato de você também ter enfrentado isso na família, a perda do seu pai. E aí, o que você tem para dizer num caso como esse, Carlos, se um cliente te apresenta uma situação na qual há tristeza, o alívio, mas talvez a questão de culpa, como é que você estaria puxando esse fio aí na direção de apontar o cliente para uma direção melhor?
Eu acho que a melhor forma de tentar elaborar aqui alguma coisa, André, é também compartilhando um pouco como você colocou, né? da minha experiência pessoal. Como você sabe, eu perdi meu pai, isso agora já faz pouco mais de 10 anos, e foi uma coisa meio abrupta, meio repentina, num acidente de trânsito, e com todas as suas repercussões e implicações, muitas das quais reverberam até hoje.
E isso me ensinou talvez a encarar esse tipo de situação com uma postura, acima de tudo, de acolhimento e de reconhecimento de que é uma sensação genuína. O luto é absolutamente inevitável. Hoje mesmo, inclusive pela manhã, estava ouvindo um trecho de um podcast em que dois filósofos e neurocientistas conversando entre eles começavam a abordar como é que seria se a gente tivesse acesso a uma pílula, um medicamento que imediatamente anulasse o sentimento de luto pela perda de uma pessoa querida.
E acho que a gente não precisa elucubrar muito aqui a questão. O argumento colocado nessa conversa é de que eu não gostaria de ter acesso a um negócio como esse, porque o luto faz parte da nossa natureza. Não seria nem adequado, por mais que pudesse ser confortável, você tomar um negócio que simplesmente apagasse a tristeza pela perda de alguém tão importante, tão relevante para você. Então, a minha postura tende a ser essa. Uma impressão que eu tenho, tendo de alguma forma passado por uma situação parecida, é que, particularmente no meu caso, hoje eu consigo perceber, mas veja, depois de decorridos mais de 10 anos, eu consigo perceber com bastante clareza que, de imediato, algumas das minhas decisões mais importantes Em alguma medida, era como se eu tentasse submetê-las à minha visão a respeito de qual seria a resposta do meu pai àquela decisão. Talvez seja um pouco disso que o Fred esteja sentindo, pelo que você contou. E eu também acho que isso é normal, isso é natural, ainda mais em se tratando de uma relação, pelo que me parece, em que havia afeto, havia carinho, havia respeito, havia admiração. Então eu também acho que por algum tempo me percebi nessa situação, como se tudo que eu fosse fazer, todas as grandes decisões que eu tivesse que tomar, necessariamente tivessem que passar pelo Crivo, que era eu mesmo que construía, daquilo que eu achava que... O que será que meu pai pensaria a respeito disso? Então acho que, em grande medida, vale você também reconhecer que isso é natural. E depois de muito tempo, eu comecei, paulatinamente, a perceber as coisas de uma forma um pouco diferente, talvez aceitar o fato de que a história do meu pai foi a história dele, o tempo dele foi o tempo dele, as decisões dele foram as decisões dele, e a minha história, o meu tempo e as minhas decisões são as minhas, e as nossas histórias não são iguais, por uma série de fatores. Isso, de alguma forma, me trouxe alguma leveza. Não quero colocar isso também como uma tentativa de argumentar que não seja importante atuar à luz da memória, da lembrança, do senso de respeito e, em alguma medida, até um senso de alguma submissão, que acho que tem uma conexão muito estreita com o respeito que a gente nutre pelos nossos pais, no sentido de honrar eles também. Não é para diminuir a relevância disso. mas acho que não tem absolutamente nada que possa substituir o passar dos anos, o passar do tempo, e não é pouco tempo, até que isso seja percebido de uma maneira diferente. É um pouco como percebo tudo isso, André. Em essência, é um tipo de situação que demanda acolhimento acima de tudo, presença, o exercício de uma capacidade muito genuína de ouvir. Muitas vezes, ouvir é o suficiente. A gente não precisa, necessariamente, ir muito além disso.
Muito legal. Muito bom, muito bom. A sua contribuição, Carlos, já me ajudou aqui a anotar para o caso do Fred um nome diferente aqui para o caso. Quem estiver ouvindo esse podcast sabe que, para todo caso, a gente tem um título e uma breve descrição. E, a partir do que você, então, compartilha, eu estou chamando de uma reunião de acolhimento, viu, Fred? Kenji, vamos esticar esse assunto aqui. Naturalmente, fiquei muito à vontade também para compartilhar alguma experiência pessoal, profissional que você teve nesse contexto, mas como eu nunca quero deixar de aproveitar a oportunidade de aprender com você e com o seu conhecimento teológico, o que você tem pra dizer pra gente sobre uma situação como essa, o luto, a perda, a culpa, a honra?
Compartilha um pouco com a gente, meu irmão.
Vendo a descrição que o Fred trouxe, você estava na casa de repouso, imagino que já esteja avançado em idade, E parece-me que foi, na verdade, o mais natural e, teoricamente, o mais, entre aspas, ideal possível no enfrentamento de um luto, porque quando a gente fala luto, Tem várias formas de encarar ou de reagir a um luto. O caso que o Carlão trouxe foi talvez uma interrupção abrupta, de uma forma talvez antecipada, porque normalmente esperamos que vá à idade avançada para poder realmente terminar a jornada aqui na Terra. E aqui, meu pai também, temos uma história meio parecida, foi há oito anos, meu pai faleceu também por doença, câncer. não era esperado, então talvez uma antecipação não reconhecida, não abrupta, talvez como um acidente, mas teve um processo em que depois não foi tão bem sucedido. Então esse caso de luto são talvez mais pesado ou talvez menos, com aceitação mais difícil. Mas talvez esse caso da cliente que ela falou, que o Fred trouxe, parece mais natural e parece que houve uma aceitação do processo, uma maturidade, parece que foi realmente com muita... inteligência emocional, lidada muito bem, e talvez isso saia do padrão, que é tão comum a gente ter esse peso, um vínculo emocional que talvez não foi bem resolvido, por eles mesmo talvez estarem já bem conversado, encaminhado, como o Fred falou, já sabe que o pai gostaria que já caminhasse, é um caso provavelmente meio raro de boa comunicação, de entendimento, contextualização, sabe? E na Bíblia também a gente fala que quando já está avançada em idade, já é uma bênção. e reconhecimento de uma bênção, a próxima etapa é partir bem. E essa transição não tem aquele choro pesado, pelo contrário, às vezes tem um certo contentamento, não de alegria, não vamos fazer festa porque ele faleceu, pelo contrário, ela ficou impactada, não sabe lidar com o sentimento porque não tem culpa, mas acho que parece mais próximo do ideal, parece mais próximo do natural que deveria ser, em vez daquela dor extrema, uma passagem natural do bastão e seguir a vida em frente com as memórias, não é esquecimento. Então, vejo muita maturidade, vejo um toque de bênção no processo natural que as coisas são aqui na Terra ainda, com a presença da morte. Idealmente, a morte se extinguirá, mas não podemos fugir desse fato ainda. Ainda é uma ilusão a imortalidade, nesse caso físico que estamos falando, porque no caso espiritual, se for ver, temos outros caminhos, outras respostas. Então, parece-me, se for tudo bem encaminhado, há uma paz. Embora luto, há uma paz que parece contraditória, parece que não se mistura, mas existe essa possibilidade, sim. E parece que foi isso.
Desculpe entrar direto aqui, mas é interessante porque o processo de decisão para que ela levasse o pai até essa casa de repouso ficou muito na mão dela, porque, além de financeiramente ela precisar tomar essa decisão, porque cabia a ela essa sustentação dessa condição, Ela é médica. Então ela estava enxergando que realmente o pai precisava desses cuidados, que em casa ele pioraria. E até, inclusive, ele começou a se alimentar melhor.
O que era só sopa passou a ser pastoso até. E aí depois evoluindo e tal. Mas ela ainda tem esse peso de, caramba, será que deveria ter sido melhor eu deixar ele terminar a vida dele em casa? Enfim, essas coisas todas.
Do contrário desse mundo ideal, que talvez a gente pinte, que a gente não criticando nem falando nada, existia uma relação ali de orientais, então o pai muito patriarca e muito distante em alguns momentos, a coisa não vai custar em toda.
Mas sempre dando o exemplo do que ele gostaria que os filhos fossem ou se tornassem. E ela, como a mais velha, como mulher, até não era encarada como uma líder natural da família, mas ela exerceu isso. Você sabe bem, né, Kenji, como é que é, não seria ela a líder natural, mas ela caminhou para isso. Então, é legal com o processo de amadurecimento dela, de perceber que ela realmente se tornou isso, mas ela tem um certo receio de se tornar, porque não é a tradição que a mulher o faça. que ela caminhe com essas coisas. Então, o legal é que ela fica nesse sentimento de talvez esteja saindo um pouco fora daquilo que era para ser, mas eu estou fazendo, estou conquistando, as coisas acontecem, eu lidero, eu decido, mas talvez não era para eu decidir, aí que peso que é, estou fazendo, posso, não? Sabe, fica aquele negócio, aquela briga constante.
Imagina, Kenji, por favor.
Só pela decisão de ter feito o melhor, pensado melhor, tomado as atitudes, foi muito melhor do que ter sido passivo, que poderia com certeza gerar amargura e ressentimento por não ter agido da melhor forma. Então, pelo contrário.
Acertou diversas vezes com as decisões pesadas, e mesmo assim ainda tem aquela insegurança que é natural mesmo.
E o legal é que no podcast lá anterior eu trouxe isso, o processo de decisão que foi muito maduro e extremamente importante a presença do planejamento financeiro para ela entender que ela poderia dar esse passo e nada seria mudado. Então quem olhar para esse podcast lá atrás vai perceber que eu estou falando da evolução de um caso que eu citei. Então por isso que eu trouxe ele, porque Os dois momentos foram muito impactantes, tanto na vida lá atrás quanto agora, nessa condução pós-morte, vamos falar assim.
Fredão, acho incrível esse seu cuidado em trazer contextos mais avançados de casos que a gente discutiu anteriormente. Mas como também sei que você adora novela, é noveleiro de plantão, Anota o episódio que você fala as coisas. Na novela tal, capítulo tal, eu falei tal assunto. Aí a gente pode amarrar as pontas e quem está ouvindo esse vai falar assim, vou ouvir tal número. É só para você lembrar das novelas que você assiste. Como eu não assisto novela?
É por isso que eu não lembro e não gravo. O trabalho de quem está pautando aqui o podcast é o André.
Ele assiste novela, sim, pessoal.
É o André e o Jesus, amado, sempre o Jesus. Desculpa o sincericídio aqui cometido, mas, nossa, é bizarro.
Mas deixa eu ir rapidinho, queridão, para a gente caminhar. Curiosamente, eu e o Carlos frequentamos a mesma igreja, o Fred já esteve lá algumas vezes, mas estamos estudando sobre o de Eclesiastes. Ao te ouvir, Fred, lembrei de uma passagem em Eclesiastes 7, de 2 a 4, e ali rapidamente diz que é melhor ir a uma casa onde há luto. Primeiro, deixe-me fazer um rápido contexto. Em casos como esse, aqui nesses 15, 20 minutos, a gente fala sobre a camada fina da casquinha do caso. Imagina a casquinha. Eu estou falando da camada fina da casquinha, ou seja, a gente nem abordou a casquinha ainda, muito menos o contexto, o relacionamento. Isso está na sua arte, o acompanhamento dessa cliente. Mas eu acho que é um caso interessante na direção de... Muitas vezes a gente tem uma cultura que aponta para não abordar muito esse assunto, não tocar muito esse assunto, eu já tenho buscado uma prática diferente. Seja no falecimento, seja o luto, por exemplo, por decorrência do falecimento de um relacionamento conjugal. Recentemente, eu tive um cliente que disse, perdi meus filhos. E o que aconteceu faz um tempo que eu não consigo mais conversar com eles. É um tipo de luto. Os filhos não morreram, mas ele diz que perdeu os filhos. Perder os filhos para a cultura, por exemplo. Mas enfim, Eclesiastes 7, de 2 a 4, rapidamente diz, É melhor ir a uma casa onde há luto do que uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos. Os vivos devem levar isso a sério. A tristeza é melhor do que o riso, porque o rosto triste melhora o coração. O coração do sábio está na casa onde há luto, mas o do tolo na casa da alegria". Fazendo uma rápida pausa, o meu entendimento, eu pelo menos olho isso daqui e falo, caramba, faz total sentido. Quando na minha vida eu estou em momentos bons, momentos felizes, nada de errado com eles, nada contra tê-los, eu almejo tê-los, mas também no meu silêncio eu percebo que eu flerto com o ensimesmamento, flerto com... É lógico, mereço tudo isso mesmo, é lógico, trabalho para caramba, é lógico, comecei esse negócio quando ninguém começou, sou pioneiro nesse negócio. É só coisa de tolo. de tolo alguma coisa nessa direção. Já muitas vezes, e mesmo no meu contexto pessoal, conjugal, profissional, eu tenho momentos de tristeza, é quando eu busco sabedoria. É quando eu percebo que não tem nada a ver comigo. Eu preciso de uma sabedoria que supera o meu entendimento. Então, é a maneira como eu enxergo. Mas aqui, para concluir, para não ficar só nesse tom de luto, Acho uma coisa muito legal que o Kenji colocou.
Também, em Eclesiastes, no mesmo capítulo, mas no versículo 1, diz que o bom no homem é melhor do que um perfume finíssimo. E o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. Mas isso aponta para a direção de que a gente tem que ter um propósito maior na vida, que é terminar bem. terminar bem. Você pode ter uma vida linda, aí quando o cara falece, descobre que tinha, de repente, relações extraconjugais, tinha uma dívida muito grande, a reputação ao longo da vida não foi muito bem cuidada. Então, terminar bem e apontar para que o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento, aponta pra gente o seguinte, aqui a gente tem uma escolha pra fazer, a gente tem uma deliberação pra fazer, e isso é por puro amor de Deus. Ele não é um Deus manipulativo, ele é um Deus amoroso, portanto ele nos dá o livre-arbítrio. E o que seria da vida nossa e dos nossos clientes se a gente tivesse essa perspectiva de terminar bem? O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento. Quais as decisões que eu faço, quais os cuidados que eu tenho, quais os combates que eu luto e quais aqueles que eu me privo de lutar na direção de que o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento.
Ou seja, a gente está falando de reputação e boas obras aqui. E talvez, Fred, você de novo, a gente está na linha fina da casquinha do caso, apontar essa cliente para teu pai talvez tenha terminado bem e você pode continuar bem. E isso, então, não tem nada de culpa, não tem nada de peso, e não tem nada sobre viver a vida dele, como o Carlos bem colocou, mas você pode carregar a partir do que você recebeu e terminar bem. Muito bem, muito bom. Carlão, o que você tem pra contar pra gente, meu irmão, acerca da semana passada?
Eu estava consultando aqui a minha agenda e na semana passada eu tive algumas reuniões com clientes, mas uma que eu vou comentar aqui que eu acho que é um destaque bacana, é uma reunião que eu tive com um cliente que é um dos meus primeiros clientes, é um cara que já caminha comigo desde o comecinho de 2019, então esse ano a gente se aproxima de cinco anos juntos. É um cliente que tem o seguinte perfil, ele é bastante jovem, tem 32 anos de idade, é um executivo, é um cara que tem uma história de vida muito interessante, inclusive passando também por alguns desafios muito grandes, que não foram realmente triviais, e para mim tem sido realmente uma alegria e até um... um privilégio realmente testemunhar ao longo desses pouco mais de quatro anos a maneira como ele tem amadurecido, inclusive amadurecido do ponto de vista até espiritual. Hoje um cara que tem uma fé muito madura, realmente, e que se ampara nela para boa parte das tomadas de decisões que ele tem. Mas, basicamente, é um caso que acho que traz um elemento de cuidado com a gestão orçamentária interessante, porque entre 2019 e 2022, final do ano passado, ele teve um incremento de renda muito substancial. A renda dele aumentou pouco mais de cinco vezes nesse período, de uma renda anual em 2019 em torno de R$ 200 mil para uma renda anual no ano passado acima de R$ 1,1 milhão. Boa parte dessa renda proveniente de comissões. Então, houve evidentemente um salto muito substancial de renda e uma parte importante dessa conversa que eu tive com ele na semana passada foi motivada por um receio que ele mesmo expôs com o fato de que, em alguma medida, esse incremento de renda também tem sido acompanhado de um aumento substancial no padrão de gastos. Apesar de ele ter uma estrutura orçamentária bastante enxuta, ainda não é casado, atualmente ele está solteiro, não tem filhos, não tem dependentes, mas enquanto a renda cresceu pouco mais de cinco vezes nesses últimos anos, os gastos cresceram pouco mais de três vezes. Tudo bem que não foi na mesma medida. mas evidentemente é um incremento bastante substancial também. Então a gente começou a lançar um olhar um pouco mais cuidadoso, mais cauteloso, ao que motivou esse crescimento da estrutura de gastos, tendo em vista que aqueles gastos que nós classificamos até metodologicamente como os gastos compromissados e frequentes, não mudaram tanto assim nesse período. a estrutura básica de gastos de moradia dele não mudou, os gastos básicos, por exemplo, com abastecimento da casa, compras de supermercado, esse tipo de coisa permaneceu relativamente estável nesse período. Então, grande parte do que contribuiu para esse incremento nos gastos foram aqueles itens que nós classificamos como eletivos. Por exemplo, as viagens, as compras de roupas, esse tipo de gasto que naturalmente tende a ser muito mais suscetível ou sujeito a um esforço de gestão mais cuidadoso. E é um caso que traz também alguns elementos interessantes, porque uma parte importante também disso foi ou tem sido no sentido do exercício do que a gente pode chamar aqui talvez de generosidade. Ele é um cara muito comprometido com a disciplina, realmente o compromisso do dízimo. Então, literalmente, religiosamente, ele tem cumprido com isso, mesmo ao longo desse processo de aumento de receita. E ele também incrementou muito substancialmente algumas doações, ofertas e um auxílio financeiro que ele tem feito, inclusive, para amigos e familiares. Então esse é um grande panorama. É claro que a gente cuidou ao longo desses últimos anos para que ele também construísse uma reserva financeira, uma boa reserva de liquidez, da qual ele dispõe atualmente. Então isso está muito longe de ser uma situação alarmante.
E ele também tem agora reavaliado algumas decisões até mais estruturais do ponto de vista orçamentário, principalmente em relação à moradia. Um ponto que foi levantado nessa reunião na semana passada foi inclusive uma intenção de comprar o imóvel no qual ele reside atualmente, que é um imóvel alugado, e a gente começou agora a fazer algumas contas para avaliar se é um momento oportuno e se é um movimento coerente. Então, em linhas gerais, é o que eu colocaria como highlight da semana passada.
Legal, legal. Interessante, porque esse caso aponta para...
Como lidar um orçamento para quem ganha mais de um milhão de reais por ano? E reparem, no próprio relato do Carlos, a única coisa que ele citou que se aproxima de gestão de ativos e carteira foi, ele já tem uma reserva de liquidez, bem desenhada. E o cliente trouxe, cinco anos depois, então é importante destacar aqui também o contexto educativo já na direção de formar esse cliente para que ele observe o que realmente importa, e ao observar o que realmente importa, né, Carlos, ele traz para a equação questões de decisões do dia a dia, a partir de uma renda de mais de um milhão de reais. Então, eu primeiro convido o Fred aqui para participar do bate-papo, Fred, Cara, eu sei que você atende uma grande quantidade de clientes também que fazem mais de um milhão de reais, são advogados, são empresários, são médicos. E nesse contexto, como é que fica a gestão do orçamento, cara? Dá para tomar um cafezinho ou temos que olhar isso com cuidado?
Lógico que dá, deve. Inclusive quando marco com eles, que é fantástico, é mais gostoso. E eu pago para eles, isso é ótimo.
Boa.
Brincadeiras e questões à parte aqui, acho que o primeiro ponto que falo para todos eles, óbvio que vai chegar em um determinado momento.
Que a microgestão realmente pode ser que se torne até bastante cansativa. Entendo aqui os termos, pode ser que se torne. Mas ainda assim, eu forço, no bom sentido da palavra, para o lado da necessidade de encontrarmos esse caminho do meio entre tudo bem, não vai ser tão detalhado, mas precisamos ter uma visão clara e objetiva de tudo que está acontecendo, para que vocês possam ter a certeza de que vocês podem caminhar por todo esse caminho que vocês gostariam de caminhar. Ou seja, para que você saiba que os projetos estão acontecendo, que vocês estão viajando e que as histórias serão contadas. Tem bastante coisa para entrar, então a gente pode sim ter bastante coisa para sair, bastante coisa para fazer, bastante coisa para investir, bastante coisa para investir no futuro, no presente e no meio termo ali. Lembra, temos que criar histórias para contar e não falar só sobre os números. Mas sim, a gestão do fluxo de caixa, do fluxo, perdão, dos clientes ao longo do tempo vai mostrar muito para eles o seguinte, criando um orçamento, você deixa tudo tranquilo.
E aí, se vierem coisas a mais, você pode e deve decidir por acelerar algo, conquistar outra coisa ou simplesmente, como eu brinco com os clientes, torrar o dinheiro que veio. Sem dúvida, sem dor. Eu entendo ali que o cliente do Carlos está, caramba, mas tem um traço de um aumento muito considerável de gasto, etc. O que é meio natural, mas ele tem que entender que se ele está com tudo ok, tudo bem.
Eu acho que, inclusive, em relação a isso, viu, Fred.
Me parece aqui uma grande evidência daquilo que o André comentou a respeito de formar o cliente, porque em grande medida o que me permite hoje ter uma conversa esclarecida e esclarecedora com esse cliente É o fato de que, ao longo desses mais de quatro anos agora, ele sempre foi muito disciplinado em relação à dinâmica de lançamentos. A gente consegue enxergar exatamente o que aconteceu, o que tem acontecido com o orçamento dele ao longo desses quatro anos. Então, mesmo se tratando de um cara que atingiu um patamar de geração de renda numa idade muito jovem, com 32 anos, ele não deixou que isso também se tornasse um fator para deixar essa ponta do orçamento solta. Então, todas as nossas interações, que hoje tendem a ser bimestrais ou trimestrais.
Em todas elas a gente tem todos os subsídios para enxergar exatamente o que aconteceu. E dado o que aconteceu, quais são os mecanismos que a gente tem para ajustar a rota daqui em diante. E só antes de passar também a palavra para o Kenji, eu até esqueci de mencionar um outro elemento em relação a esse caso, que é importante, que traz um pouco mais de complexidade, que é o fato de que, apesar dele ter aumentado a renda em cerca de cinco vezes nos últimos quatro anos e já atingido esse patamar de pouco mais de um milhão de reais no ano passado, no final do ano passado ele recebeu uma notícia, que foi o desligamento da empresa na qual ele estava trabalhando.
Ou seja, ele está desempregado. O cara fez mais de um milhão de reais no ano passado, de uma hora para outra recebe essa notícia, ele está desempregado. Ele vinha movimentando um projeto paralelo para também empreender, vendendo cursos online na área que ele domina. Mas ainda é uma coisa muito incipiente, ainda num estágio muito inicial e que não contribui para gerar renda. Aliás, até o contrário, tem mais demandado recursos do que gerado. Nesse último final de semana agora, eu fui agraciado com a notícia de que ele já se recolocou. Ele está, inclusive, agora numa viagem na Ásia visitando a sede dessa nova empresa. Mas uma parte importante então do que motivou ou do que causou um pouco dessa ansiedade, esse receio com a questão orçamentária, foi o fato de que depois de um período de muito aumento de receita, um aumento bem acelerado.
A coisa teoricamente se esgotou no sentido de o grande mecanismo, o condutor daquele incremento de receita não mais existia. O que eu faço daqui em diante? Então, só um elemento adicional aí para o caso.
Baita camada adicional. Então, Kenji, a pergunta que eu ia fazer para você já era importante, agora ela ficou importante vezes dois, porque uma das lentes que o Carlos traz com o caso é, e o Fred muito bem, compartilhou um pouco da sua experiência, a gestão orçamentária de clientes que ganham uma grande quantidade de dinheiro por ano, um milhão, mais de um milhão de reais. E o Fred disse, tem que fazer, é importante fazer, é possível simplificar algumas estruturas no orçamento, mas tem que fazer. E a gente advoga muito nessa direção, o Carlos reiterou a importância de ter esses insumos para justamente poder dialogar bem com o cliente. Só que agora tem uma lente nova, que é, eu me lembro de um treinamento de uma americana chamada Susan Bradley, e ela tem o Southern Money Institute. e ele se dedica a estudar o que acontece na vida de famílias que recebem uma notícia inesperada que impacta o money. Geralmente a gente pensa nisso e fala, recebeu uma herança, ganhou na loteria, vendeu algum imóvel, teve evento de liquidez. Mas o que o cliente do Carlos enfrentou também pode ser configurado como um sudden money, que é você fazer 1 milhão e 100 mil no ano passado, em algum momento da história, antes dele ser recolocado, esse ano a sua perspectiva, por enquanto, é fazer zero. Nessa situação, Kenji, o que você faria para o cliente? Quais contornos você daria para a conversa? O que você tem para compartilhar?
Cara, é um caso bem interessante. Tinha dois pontos, acho que seria interessante tocar, agora tem três. O primeiro, quando ele começou a ganhar, o Carlão falou que aumentou o eletivo e a primeira coisa que veio assim, não julgando, mas uma reflexão, é como é difícil a gestão de desejos da pessoa. Porque é natural, quando a gente ganha mais, querer comprar coisas melhores ou mais caras, embora consiga viver de uma forma é igual, mas a tendência é os desejos começarem a aparecer e essa gestão começa a inflar, né? Mas nada que seja ruim, cabe dentro, como o Fred falou, não tem problema nenhum. Até porque o ponto que o Carlão falou que ele é muito fiel no dízimo, tem a sua generosidade bem atuante, Eu não vejo um grande problema se realmente for uma generosidade genuína. Talvez entraria em uma conversa mais profunda de qual é a raiz disso, as motivações, se é uma mera religiosidade ou se tem realmente um amor.
Pelo Deus, pela instituição ao mesmo tempo, que faz ele agir naturalmente com muita disciplina, até porque ele é disciplinado, né? E se não tem nenhum aquele resquício de, poxa, estou fazendo isso para aliviar alguma dor interna, ou me sentir melhor nas doações, que também é natural às vezes ter, mas essas reflexões acabam purificando se tiver alguma raiz dessa, porque predominância parece a parte boa, positiva, genuína, mas se há algum resquício, se há alguma coisinha até legal, purificar ainda mais os sentimentos e as motivações. E para o final, acho que quando tem uma grande oportunidade de ganhar, quintuplicar a receita e de repente multiplicar por zero, que é o oposto do sudden money, é um sudden susto.
É um sudden lack of money.
Sudden zero.
Sudden zero.
Mas isso é bom, porque quando você encara isso como uma oportunidade que nunca se abriria se mantivesse a rotina, agora ele pode, não somente por motivos financeiros, além do que duplicar, pode ser que ele ganhe muito mais do que um milhão, dois, três milhões por ano. Mas se isso estiver ligado com a vocação, missão, propósito, algo que ele talvez não adentrasse se tivesse preso à rotina anterior, é um ganho. Nem que o salário seja metade, ou 5 vezes menos, ou 10 vezes menos, mas que haja outros fatores que compensem a vida. A vida não é somente a parte financeira, a parte dimensorável pelo dinheiro em si, mas espero que agora Larry consiga desvendar e cumprir propostas ainda maiores, e quem sabe, e provavelmente ele vai mais do que quintuplicar a receita não para ele, mas talvez para impacto na sociedade, se for a visão dele, impacto no reino e tudo mais. É o lucro para todos no final.
Amém, muito bom, muito bem. Carlão, que bom, não é? E ele está em sua companhia ao longo desse tempo todo. Eu imagino que um sudden muitas vezes diz, bom, recebi uma notícia, tenho que dar uma orientação. Mas quando a gente está no contexto do cliente, não só no texto de uma notícia, a gente dá mais do que uma orientação. Acho que a gente dá um conselho na direção de talvez purificar, como o Kenji colocou, de apontar para um exercício vocacional. Mas acho que, acima de tudo, de distensionar um pouco o que tudo que é repentino naturalmente tensiona. ganhem muito, perdem tudo, parece que a sua vida se define pela circunstância. Já quando há um relacionamento de contexto, cinco anos, dez anos, cabe a um verdadeiro planejador também o papel de resgatar algumas coisas. Vamos lembrar algumas coisas que já conversamos, vamos relembrar alguns eventos que a gente já passou junto, e poder, distensionando a circunstância, recolocar o cliente num contexto. E talvez, como o Kenji bem colocou, está aí talvez uma oportunidade de apontar a vida não mais para um novo emprego, mas agora para um exercício vocacional. E por quê? Carlos bem colocou, a reserva de emergência foi feita e muito provavelmente, Carlos, uma boa parte dessa reserva foi feita quando a Selic estava em um dígito, em um dígito baixo. Mas se faz reserva de emergência, se faz, porque não importa o momento do ativo, o que importa é o contexto de vida. E é isso que a gente busca propagar por aqui. Muito bom, cara. Obrigado.
Só um rápido comentário aqui para a gente concluir, para ouvir o caso do Kenji.
Veja, um homem jovem, sem filhos, solteiro, que ao longo de cerca de quatro anos observa a sua renda crescendo mais de cinco vezes, chegando a mais de um milhão de reais no ano. A gente tem aqui todos os elementos, para decisões impensadas, para decisões imediatistas, inclusive decisões de investimento, de estratégia de alocação. Isso chegou a ser alvo de algumas conversas que a gente teve nesse período. Eu me lembro de algumas ocasiões nas quais esse cliente me questionou no sentido, será que não dá para a gente ter, não exatamente com essas palavras, mas o que ele queria me dizer é, será que não dá para a gente ter um pouco mais de emoção aqui nos investimentos, fazer alguma coisa diferente, alguma coisa mais exótica? E, graças a Deus, a gente cuidou para que não fosse essa a tônica das decisões dele. E é só por isso que hoje, passados esses quatro anos, mesmo que ele não tivesse se recolocado.
Ele também pode contar com uma reserva patrimonial, com um estoque de patrimônio financeiro bastante substancial, que cresceu bastante nesse período, sem fazer absolutamente nenhuma loucura. Então, eu acho que isso reforça a importância, a relevância do nosso papel também nessas situações que normalmente podem ser entendidas como um caminho que acaba desvirtuando o cliente de alguma forma, que acaba tirando ele de uma rota mais adequada.
Talvez se tivesse feito a decora teria piorado, né?
Exatamente. Se a gente tivesse ido na onda do mercado, dos influenciadores ao longo desse período e deslocado uma parte importante aqui dos investimentos dele, já que a renda fixa morreu, Agora ela não morreu mais, aquela conversa fiada de sempre. Imagina se eu tivesse feito um movimento como esse e deslocado parte substancial dos recursos dele para renda variável. Certamente ele estaria agora numa situação muito diferente da qual ele está.
É isso mesmo.
É importante a gente estar perto do cliente nos momentos bons e nos ruins.
Exatamente. Parabéns, meu irmão. Parabéns. Kenji, o que você traz para a gente?
Da semana passada, meu irmão.
É engraçado que passar por momentos ruins junto com o cliente, como o Carlos falou agora no final, reforça o vínculo. Uma cliente estava passando por um momento de baixa durante o planejamento e a reação natural, acho que assim, de uma médica autônoma que abriu consultório, é focar na renda, aumentar a receita e tudo mais. E pra poder cumprir os seus gastos altos, decidindo querer morar sozinho, comprar uma casa, tem que aumentar naturalmente a renda. Sempre é adição, né? E pra ganhar mais, tem que fazer mestrado, tem que fazer outros cursos, tem que contratar pessoas e falar sempre mais e mais e mais gastos. E a reação é ter mais receita financeira. O que foi o ápice da adição na rotina, na agenda? Que não se pode adicionar mais tempo em um dia, não pode-se adicionar mais dias na semana. mais meses no ano, então isso acabou fazendo com que chegasse a burnout, chegasse ao nível de estresse altíssimo, tendo que ter despesas com terapias e tratamentos altos, então acabou ainda mais aumentando os gastos e acabou sendo um ciclo muito vicioso, espiral para baixo. Então a abordagem foi porque temos que ganhar sempre mais para resolver as coisas, quais decisões que podemos fazer por um lado financeiro e também pelo cuidado da pessoa, como é que você tem descansado, tem algum ritual da noite ou não, como é que é seu final de semana e trabalhar sobre descanso, não consegue descansar naturalmente porque está ansiosa, tudo mais para as decisões que tomou. Mas falar sobre o descanso foi uma agenda de meses que, como a gente estava carimbando, aumentando o valor da consulta para diminuir a quantidade de atendimento, ao mesmo tempo que mexerem coisas do consultório, foi porque, mesmo tirando segunda de manhã, sexta-tarde, continuar cansado, foi vamos carimbar então, fazer uma agenda para um descanso na semana, tornar isso mais sagrado do que o trabalho, né? E o que ela gosta de fazer, que desestressa, que revigora, que tem uma pausa, consegue olhar pra si mesma. E carimbava um domingo de uma forma simples e que não podia fazer atividade nenhuma. Porque além dessas coisas que gostava, de canto, de dança, de natação. Nossa! Muita coisa. Domingo de amanhã. Acorde naturalmente. A única coisa que ela vai fazer é adorar ir para a padaria tomar um café sem horário e faz um brunch. Não pode fazer nada, nenhum exercício, nenhuma atividade a não ser esse descanso por três, quatro horas que seja necessário. voltar pra casa, não pode arrumar a casa, não pode mergulhar e fazer tarefas de segunda ainda, tudo mais, foi feito na sexta agora, e fazer momento de descanso, conectar com pessoas, ou famílias, ou amigos, mas ter... respirar, cool down, sair dos seus motores, e isso tem sortido um perfeito, e tem conseguido tomar decisões melhores, de retirar algumas coisas da agenda que ela gostaria de fazer, mas que não estava fazendo sentido. Foi um caminho de maturidade que teve consequências financeiras, obviamente.
Muito legal. Acho que esse é um caso bastante culturalmente presente. no nosso dia a dia, que é justamente essa sensação de que sempre temos que ter o tempo ocupado. Não conseguimos ficar com nós mesmos. Parece que tem que ter uma atividade o tempo todo. Recentemente eu vi algo que me chamou muito a atenção, e eu disse no começo do nosso bate-papo que você traria essa sua assinatura, que é justamente a harmonia. Se de um lado a cultura diz, work hard, play hard, a cultura não diz, work hard, play hard, e depois outra, rest hard. Então a gente está toda hora em ação, ou é working ou é playing, e isso esgota as pessoas. Não obstante, uma cultura de ansiosos, uma cultura depois de deprimidos, uma cultura de tanta gente desestabilizada. A gente priva a nossa mente, o nosso corpo, a nossa alma de um descanso genuíno. Daqui a pouco eu vou chamar o Carlão e o Fred O Fred tem uma perspectiva interessante para compartilhar com a gente sobre isso, porque o Fred, honestamente, de forma madura, nas nossas conversas já disse que tem alguns domingos em que eu tenho dificuldade em não fazer nada, mas acho que você, de maneira muito honrosa e madura, tem descoberto que talvez eu tenha que reavaliar algumas dessas coisas também. Mas, para concluir, eu sinto que muita dessa urgência que a gente tem de estar ocupado o tempo todo emerge também do que a cultura chama de FOMO, ou Fear of Missing Out, o medo de ficar de fora. Ficar de fora de uma atividade física no domingo, de um encontro com um grupo no domingo, de alguma coisa familiar no domingo. E eu ouvi de uma autora, ela disse, olha como uma palavrinha pode mudar tudo. E ela, como assim uma palavrinha? Se a gente mudasse em inglês o F de fear pelo P de pleasure. E ao invés de FOMO, a gente tem o POMO. que é o pleasure of missing out. É o prazer de ficar de fora de algumas coisas e de manter-se não sozinho, mas em solitude. Então, o que eu quero trazer o Carlos e o Fred, deixa eu dar esse rápido prólogo. Pelo menos eu, com o privilégio de conhecer ambos, sei que o Fred, De um lado, viu, Fred, um pouco mais de desafio na direção de ficar sozinho, de ficar mais em silêncio. E você já colocou isso de maneira muito honesta e madura. E o Carlos também, não é, Carlão? Estou expondo os dois aqui. Que cara deselegante que eu sou, mas acho que tem aprendizado dessa exposição. O Carlos já me disse, e eu até disse, cara, acho que a gente vai ter que montar o clube dos eremitas aqui. O Carlos me disse, André, eu ficaria tranquilamente um final de semana inteiro em silêncio.
E eu digo, Carlão, eu acho que eu te entendo. Mas, ao mesmo tempo, eu também entendo o lado do Fred, na direção de... Então, eu ainda não me defini muito bem, quero pedir ajuda dos dois aí para o que vocês têm para dizer sobre tudo isso.
E, pessoal, o reflexo disso é finanças puras, seja na capacidade de produzir, seja na capacidade de avaliar o que está acontecendo. Fred, Carlos, a palavra está com vocês, quem vai primeiro?
Fredão, quer começar?
Não, começa quem fala menos.
É lógico.
André, acho que você foi muito preciso na sua colocação. Eu realmente tenho um pouco dessa natureza mais introspectiva, o que até, de alguma forma, é um elemento que me desafia a quebrar um pouco esse padrão, na medida em que a carreira de um planejador necessariamente é uma carreira que traz demanda uma habilidade relacional, mas a maneira como eu percebo essa questão do FOMO, do Fear of Missing Out, ela se traduz para mim, eu acho que acima de tudo, em alguma medida de ansiedade, sabe? E eu também percebo isso com alguma frequência na caminhada junto com muitos dos meus clientes, E, curiosamente, não necessariamente somente aqueles que são mais jovens e, teoricamente, uma geração mais suscetível a tudo isso. Eu tenho percebido isso também com clientes já acima dos seus 50 anos de idade. Então, me parece que é uma condição sociocultural que é um pouco da marca dos tempos, o sinal dos tempos mesmo. E é fato, a gente está absolutamente suscetível a isso. Eu realmente percebo essa questão do fear of missing out como uma sensação da constante necessidade da atualização e da preferência por aquilo que é recente em detrimento daquilo que é que já tem mais tempo e que, de alguma forma, eu começo a perceber que talvez até tenha mais relevância. Eu sempre me lembro, quando eu penso sobre isso, daquilo que a gente ouviu lá no contexto da chácara, da igreja que a gente frequenta, quando o Ricardo, que é quem lidera a igreja, sugeriu que a geração atual sabe muito a respeito daquilo que aconteceu nas últimas 24 horas, mas quase nada sobre o que aconteceu nos últimos 24 anos. Acho que isso é uma marca muito central de toda essa conversa. Eu não sou alheio a isso. Aliás, muito, muito longe disso. O que eu tenho procurado fazer é realmente promover uma quebra intencional desse padrão. e tentando de alguma maneira me aproximar disso que você colocou aí como o pleasure of missing out. Eu acho que isso só se faz possível se a gente tem muita, eu não vou dizer, talvez convicção não seja a palavra mais adequada, mas se a gente tem segurança a respeito daquilo que é prioritário para nós. E a melhor medida disso vai muito na linha do que o Kenji colocou e que ele tem feito com essa cliente, que é a construção de um planejamento de agenda, tão simples quanto isso. O orçamento daquilo que a gente quer realizar é a nossa agenda. E na medida que a gente entende e enxerga isso como um reflexo adequado daquilo que é prioritário, eu acho que você começa a se ver um pouco menos suscetível a esse receio de estar perdendo alguma coisa. É como eu tenho, de alguma forma, tentado lidar, porque eu acho que se não houver realmente intenção, intencionalidade para quebrar esse padrão, você acaba... quase que literalmente vivendo ausente. É como eu já me vi em diversos momentos, inclusive momentos nos quais eu estava fisicamente junto com a minha família, junto com as minhas filhas, mas emocionalmente, psicologicamente, mentalmente, eu não estava ali. É uma maneira como eu percebo essa questão, André.
Legal, legal. Fredão, o que você tem pra dizer aí? Tinha um filme, né? Saturday Night Fever. o Fredão é Sunday Morning Fever. Ou não, Fredão? Estou errado.
Ah, não sei se é Sunday, mas talvez o final de semana inteiro. Realmente eu tenho… Weekend Morning Fever. Realmente eu tenho um desespero, uma psiquê quando eu olho em casa e vejo as meninas ali na hora do almoço, do sábado ou do domingo, ainda de pijama. Eu falo, gente, nós temos dias vagos aqui para fazermos algo. Eu sei que nem sempre isso é necessário, mas eu tenho essa vontade, eu preciso fazer algo. Então, eu fico, às vezes, me vendo caçando coisas. Por isso, justamente, que assim, não ligo pra… Que sábado de manhã eu venho atender algum cliente, porque muitas vezes eu volto pra casa e as meninas ainda estão acordando. Então, não perdi nada, a não ser o sono delas, né? Mas eu… Assim como tudo na vida, É importante todo mundo lidar com uma média, com um equilíbrio ou, melhor dizendo, com uma harmonia, não é, Kenji? Sobre tudo isso. Então, olho para o André e para o Carlos, realmente não me vejo fazendo um momento sabático de silêncio, porque senão eu mesmo vou me auto-irritar. Falar alguma coisa com você mesmo é brincadeira. Mas preciso também, preciso desse momento, preciso dessa questão. Então, acredito que é o seguinte, principalmente, Levando para esse lado do cliente que está sofrendo por estar fora de algo, realmente você precisa estar dentro, pertencente a tudo e a todos, e com todos, e fazer tudo, e ser convidado para tudo, e saber de tudo, e ser comunicado de tudo, e estar na crista da onda em tudo? Não, na verdade, você precisa estar onde você precisa estar, onde você gostaria de estar. do jeito que você gostaria de fazer. Então, também aprendo com esse mecanismo de tentativa de, por exemplo, de balanceamento, de equilíbrio, dessa questão toda, é entender que tem sempre um meio do caminho ali. Talvez seja mais fácil esse meio do caminho para mim de setembro a fevereiro. O resto do ano é mais difícil, no final de semana. Para quem gosta de NFL vai entender o porquê que é de setembro a fevereiro, que é a temporada. E aí domingo eu passo ali imerso talvez nos jogos. Mas mesmo assim, mesmo nesses momentos eu ter me questionado que eu preciso interagir com as meninas, às vezes eu preciso estar no meu quarto ou assistindo ou simplesmente com as coisas de ligado ou lendo ou em silêncio, porque é bom, é bom. Talvez fosse sempre, se sempre tenha sido no meu caso aqui, uma... ansiedade reprimida ali e que sai por esse ponto. Mas aí esse autoconhecimento e essas conversas aqui, todas as nossas interações, elas servem muito para quê? Também para aprendermos a lidarmos com tudo. E se olharmos para os clientes e falar assim, será que não é para esse lado que você quer caminhar? Ou você quer realmente estar com tudo e com todos o tempo inteiro? Não tem como. Onipresente, onipotente, a gente só sabe, só conheceu um e só vai existir ele.
É interessante, né, Fredão, esse tom que você traz. Eu vou convidar o Kenji aqui para o wrap-up em 40 segundos. Como a gente, se colocando na posição de ajudar o cliente, muitas vezes vê na situação do cliente uma oportunidade para a gente aprender e se ajudar. Kenji, para o embrulho final, o que você aprendeu com esse caso?
Aprendi também que se eu carimbar, meu descanso acaba sendo uma boa ferramenta, embora a gente já saiba mais ou menos, né? E se a gente não carimbar, muitas vezes acaba saindo controle, adicionando aditivos adulterados para o seu descanso que não turbinam a semana, pelo contrário, vai entupindo aí as veias e escapamentos.
Um grande paradoxo. Eu quero produzir mais. Não é apenas descanse mais, é descanse de forma intencional. E, de fato, busque descansar. Mas, enfim, baita reflexão. Quem sabe um dia a gente faz um episódio A Arte do Descanso. O Fred quis puxar a conversa para A Arte do Touchdown, mas ele não conseguiu, porque aqui encerramos o décimo sexto episódio da Arte do Planejamento. Queridos, obrigado pela participação de vocês. A gente passou um pouquinho, pouquinho, pouquinho da fronteira da uma hora. Kenji, mais uma vez, obrigado pela participação. Carlão, obrigado pela primeira participação. Acho que agora você vai receber várias cartinhas também pedindo a sua volta aqui, meu irmão. E Fredão, desce no sexto, cara. Daqui a pouco a gente tá fazendo 20, hein?
Legal, hein?
Valeu, meu irmão. Valeu. Obrigado, Turma.
Um abração, gente.
Um abraço para o Turma. Tchau, tchau.
Obrigado, abração.
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