Professor Newton Campos | O futuro promissor dos Search Funds

This is a YouTube video titled "Professor Newton Campos | O futuro promissor dos Search Funds" created in August 2025. It features a detailed interview-style conversation between Nilton Campos and Newton Campos discussing the concept, structure, and future trends of Search Funds, a form of entrepreneurship by acquisition. The discussion covers the relationship between Search Funds, Venture Capital, and Private Equity, the role of business schools, and the growing interest in this investment model. The content is in Portuguese and provides an in-depth exploration of this emerging investment class with expert insights from Newton Campos.
Olá pessoal, eu sou Cláudio Cardoso e esse é o Collab Trends, o nome já diz, é o podcast de entrevistas que nasceu no programa de inovação do Banco Alfa. Aqui a gente conversa com fundadores de startups, o mundo do Venture Capital, das finanças, enfim, hoje é um papo muito especial, porque a gente não vai falar exatamente de Venture Capital, mas de uma outra forma de investimento, uma outra linha de investimento, outro movimento de investimentos tão importante e tão emergente agora com grande força para o futuro, que é o CertiFunds. A gente vai conversar com ninguém menos do que Newton O Newton é, na verdade, um especialista nesse mundo aqui no Brasil e representa muito bem essa vertente, e a gente vai fazer uma bela reflexão sobre isso. Ele cresceu cercado por engenheiros de software, placas de circuito impresso, na década de 80, e desde então ele já fez de tudo um pouco aí na criação e crescimento de pequenos negócios pelo mundo. Ele é um cara, um globetrotter, a gente vai ver isso também. Ele tem larga experiência em projetos de empreendedorismo, ele também pesquisa e ensina empreendedorismo por aquisição, uma tradução talvez dos search funds, tendo publicado vários livros, estudos e cursos nessa área para universidades das quais ele faz parte e leciona, como a FGV, a IE de Madrid, o MIT, o célebre Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Chicago, Oxford, um currículo espetacular, Newton. Boas-vindas.
Muito obrigado pelo convite, tô feliz.
Obrigado, eu também. A gente tá. Faltou dizer uma coisa muito importante. Hoje é um episódio muito especial. Não é à toa que a gente conseguiu um horário aqui na agenda do Newton, que acabou de retornar dos Estados Unidos. Esse é o programa número 100 do Trends. É um marco pra gente. Muito legal.
Parabéns.
Vamos começar pelo Trends e pela tendência, né? Falando de Search Funds. Eu acho que é, primeiro, botar na mesa o assunto. Aliás, sua camisa já diz aqui 150% Search Funds.
Exato.
O que é Search Funds?
Vamos lá, eu vou tentar explicar de forma bem sucinta, direta. Basicamente, é uma forma alternativa de você se tornar um empreendedor ou uma empreendedora. Então, que forma alternativa é essa? Ao invés de você começar uma empresa do zero, basicamente você pede pra alguém comprar uma empresa pra você. De forma muito reduzida, resumida. Bom, mas como que se faz isso? E isso foi desenvolvido dentro dessas principais universidades do mundo, ao longo dos anos, e vem crescendo de forma muito ascendente nos últimos anos particularmente. E ela recebeu um formato muito específico que funciona mais ou menos assim, você levanta um negócio chamado, como aluno da universidade, você levanta um negócio chamado Search Capital, ou seja, é o capital para você procurar uma empresa, e aí esse é uma espécie de um salário e dinheiro para você poder viajar, visitar as empresas. fazer uma análise, contratar um advogado, um contador para ver se a empresa é boa, etc. Se levanta, normalmente uma quantia que vai de 300 a 600 mil dólares, e com esse dinheiro você procura uma empresa que vai levar de seis meses até dois anos e meio, normalmente, para você localizar essa empresa. Você vai analisar, normalmente, você e sua equipe. Esse dinheiro também te ajuda a montar uma equipe. Você vai analisar por volta de 500 a 1.000 empresas para comprar e após escolher 2, 3, 4, você vai fazer uma oferta de compra por aquela empresa junto com os seus investidores que já te adiantaram o Search Capital e agora vão te fornecer o Acquisition Capital. para o empreendedor ou para a empreendedora. O Acquisition Capital, por sua vez, ele varia normalmente de 5 até 25 milhões de dólares, parece muito dinheiro, porque a gente sempre quando ouve milhões de dólares parece muito dinheiro, mas é suficiente para comprar uma empresa de médio porte. Normalmente uma empresa que vai ter por volta de 50 a 100 funcionários. E aí, uma vez levantado esse dinheiro, se compra a empresa e essa pessoa, que a gente chamava até então de Searcher, se chama agora o CEO ou a CEO da empresa.
Agora veja, um dos pilares evidentes desse movimento é o imenso conhecimento do que é empreendedorismo, gestão, empresarial. É por isso que está ligado a escolas, ou isso pode também ser praticado, digamos assim, no mercado. Tem escritórios de search funds.
Na verdade, compra e venda de empresa sempre existiu, a vida toda. Essa forma específica é uma forma que a gente claramente observa como uma forma mais sofisticada, que de certa forma é fruto do conhecimento cada vez maior que a gente tem de Private Equity e Venture Capital. Para quem não conhece aqui do nosso público, basicamente a gente poderia resumir o Private Equity Venture Capital como a compra e venda de ações de empresas de capital fechado. Ou seja, são empresas que as ações não estão por aí, é publicamente a venda. Qualquer praticamente empresa de capital fechado, você pode oferecer e comprar uma porcentagem dela. Mas não é tão fácil, tem que achar, falar com os donos, comprar 10%, 20%, 50%, 60%, negociar, não é simples. Mas com o amadurecimento e o maior conhecimento dessa indústria, tanto de private equity como de venture capital no mundo inteiro, os search funds despontam como uma forma bastante segura de empreender.
Muito interessante. Agora, além disso, eu acho que como ponto de partida, ainda dando uma introduzida no assunto, startups têm, por natureza, a promessa dos múltiplos, um potencial de crescimento muito grande. Eu estou entendendo que investir e comprar pequenos e médios negócios é um outro tipo de escala de crescimento, talvez mais orgânico, não tão acentuado. Fala um pouco pra gente essa comparação a partir desse ponto entre Venture Capital e Search Funds.
Vamos lá. Eu considero, pra facilitar também, que o Search Funds, eles estão... Ou a gente chama também... É uma forma de empreendedorismo por aquisição na academia. O nome do assunto é empreendedorismo por aquisição. Dentro do empreendedorismo por aquisição, você tem alguns tipos de forma de fazer isso. Uma delas são os Search Funds. Outra seria, por exemplo, a franquia. No Certified, eu considero que ele está bem no meio entre o Private Equity Venture Capital. O que quer dizer isso? Que você tem o risco do empreendedor ou da empreendedora, porque você está apostando por uma pessoa, E essa pessoa pode, de um dia para o outro, mudar, desejar outra coisa, etc. Então tem um risco aí que é a pessoa que você está apostando. E, por outro lado, você tem um risco que é mais associado ao Private Equity, que é o tamanho da empresa que você comprou. Como, em geral, em Certified, só se compra empresas muito saudáveis, Ou seja, às vezes tem gente que pensa, entendi, você vai comprar uma casa velha, reformar e vender. Não, não é isso. Você vai comprar uma empresa saudável e com aquele espírito empreendedor, daquela pessoa que está tocando a empresa, você vai aumentar, escalar, inovar, crescer a empresa. Normalmente, o objetivo tradicional de search fund é você comprar uma empresa que vale X e chegar até um valor de 5X para você considerar vender, essa empresa para alguém ou fazer alguma coisa com aquela empresa. Entretanto, agora com essa, vamos dizer, exposição que os search funds estão tendo no mundo inteiro, crescendo, já se começa a ter uma visão um pouco mais ousada também do modelo, dizendo assim, pô, muito legal, eu gostaria de patrocinar você como empreendedor, comprar uma empresa por X e a gente fazer essa empresa ficar 5, 10 vezes maior. Entretanto, tem um carinha ali que a gente, né, conhece, tal, de Elon Musk, que ele, quando a gente pergunta quem fundou a Tesla, todo mundo acha que foi ele. Mas não, ele comprou a Tesla por 10 milhões de dólares. Eu não lembro o valor exato, mas é ordem de grandeza. Então você vê, era uma empresa relativamente pequena, não sei se foi 10 ou 15, mas enfim, dentro do escopo do Certified ainda. E, pô, hoje a empresa é, não sei quantas vezes maior, 100, 200...
É, bilhões, né? Bilhões.
É, não sei quantas vezes maior, mas enfim. O ponto é que hoje tem referências como essa, do tipo assim, pô, o cara comprou uma empresa ali pequena, cresceu pra caramba, pô, por que eu também não posso fazer isso? Então a gente tem umas referências que vêm do Venture Capital, Obviamente são situações diferentes, eu não quero dizer que search fund é comprar a Tesla e fazer ela virar a Tesla, mas enfim, existe sim uma conversa com os searchers falando assim, pô, até onde você acha que pode chegar? Dependendo da empresa que a gente comprar, todos juntos, até onde será que essa empresa consegue ir? Até onde ela consegue inovar? Até onde ela consegue se tornar mais sustentável? Impactar mais a sociedade positivamente? E tudo isso são perguntas que cada vez são mais pertinentes e vêm praticamente tanto do Venture Capital como do Private Equity.
Quer dizer, tem uma... há uma... como é que eu posso dizer? Na fronteira entre Search Funds, veja se eu entendi bem, e Venture Capital, ela vão... essa fronteira é um pouco borrada, digamos assim, ela não tem um... um limite muito bem definido.
É, nunca tem, né? Porque mesmo, se a gente pegar a prática de venture capital especificamente, você tem aquele venture capital lá, vai lá no comecinho, que é o early stage, lá na fronteira com o crowdfunding com o Anjo, e mesmo o mercado de venture capital, você vai crescendo o nível de risco que ele quer até o mínimo risco possível, que são aquelas casas normalmente maiores de venture capital, que só entram quando o negócio já deu super certo.
Séries bem avançadas, milhões.
O negócio já está super bem, então o risco é bem diminuído. Essas casas famosas entram num risco muito baixo. para fazer o negócio realmente explodir. Então, mesmo dentro do venture capital, você já tem um degradê, vamos dizer assim. E no search fund é uma modalidade nova, a gente chama de asset class, é uma classe de ativo nova, relativamente nova. Na verdade, às vezes comentam, Pô, mas os search funds surgiram nos anos 80, é verdade. Mas só que ela surgiu nos anos 80 e tinha, sei lá, um search fund por ano, dois, era um negócio bem caseiro, que só acontecia em Stanford e Harvard, praticamente, entre os alunos e os professores, e ficou ali adormecido durante o crescimento do private equity nos anos 80 e depois do venture capital nos anos 90, 2000. Mas enfim, hoje não. Hoje a gente já tem, por exemplo, nesse exato momento no Brasil, nós temos 12 searchers procurando empresas para comprar. E nós temos, nós calculamos já várias vezes, nós temos por volta de 50 mil empresas que poderiam ser compradas por esses empreendedores. Então você vê a disparidade. Tem 50 mil empresas alvo. no Brasil, mais ou menos, e 12 pessoas ou grupos de pessoas procurando. Então, ainda tem espaço para bastante searcher, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Fantástico. Então, aproveitando aqui agora, eu vou fazer duas perguntas aqui juntas. Uma é até que ponto essas casas, esses 12, estão ligados a instituições de ensino? Ótima pergunta. Essa é uma questão. E uma outra questão, conta pra gente um pouco o processo, a estrutura da linha de produção, digamos assim, desse negócio. Porque procurar empresa, cara, como é que procura empresa? E que critérios são utilizados? Nossa, é um mundo de coisas. Esse podcast não vai acabar nunca, Nilo.
Não, tem gente que fala, eu voltei agora de um congresso lá em Boston e teve um grande líder aí da área de Certifando que disse exatamente isso. Ele falou, cara, o bacana do Certifando é que esse processo todo, ele é como se fosse um curso. Ele é como se fosse uma escola de CEO, uma escola de empreendedorismo. Porque você vai lá desde o comecinho, quando o cara começa a pedir, já vou entrar em detalhes, 20, 30 mil dólares para os amigos, para ele procurar a empresa para comprar, para investidores, etc. Até chegar lá no fim, onde ele já tem uma empresa com 1.000 funcionários, 2.000 funcionários, 500 funcionários, onde ele já tem uma responsabilidade ou ela muito maior. com muitos outros tipos de desafios, mas isso tudo se passa ao longo, normalmente, de 5 a 10 anos. Então, realmente, é uma grande escola, é o que ele dizia. E por isso que eu acho também que está tão atrelado às universidades. Você fez a pergunta dos 12 quantos vieram de uma top business school. Hoje, no Brasil, eu calcularia que 9 ou 10. Ou seja, grande parte. Os estudos que calculam isso demonstram que cerca de 85% a 90% dos searchers no mundo hoje, nós devemos ter por volta de 200 no mundo hoje procurando empresa para comprar, por volta de 90% fizeram uma das melhores 15 escolas de negócios do mundo.
Incrível.
Então tá muito atrelado. E mais, as casas de investimento maiores hoje, elas estão nas cidades onde essas universidades estão. Então, as principais capitais hoje de search funds pra tudo, pra networking, congresso, investimento, etc, são São Francisco, Chicago, Boston e Madri.
Incrível, hein? Exatamente, onde tem escolas de negócios de alto nível. Em algum momento dos últimos 20 anos, eu ouvi um comentário há uns 20 anos mais ou menos, que o número certamente não tomem como certo, mas era alguma coisa assim, 50% das empresas que faturam mais do que, digamos, 20 milhões de dólares nos Estados Unidos, tem alunos do MIT ou de uma outra escola lá. Assim, metade... Era assustador. Era um número assim, por favor, não tomem esses números como certo. Mas era alguma coisa dessa ordem de grandeza. Nossa, o que é?
Aqui no Brasil não é tão diferente, não.
Pois é, é uma mágica, né? Botam a escola boa, dali sai coisa boa. Essa é a mágica, né? E que não é mágica nenhuma, é processo.
E que nós descobrimos que não é só conteúdo, né? Depois que nós temos acesso a praticamente tudo, você pode fazer qualquer matéria do MBA praticamente na internet. O conteúdo, né? Porque a gente... Quantas vezes já... falaram que as escolas de negócios iam terminar. E não, pelo contrário, elas estão ainda fortes.
Florescendo.
E ainda são hubs de encontro de pessoas altamente capacitadas, altamente ambiciosas, etc. Então, assim, nós estamos descobrindo, nessa última década, que essas escolas vão além do conteúdo. Elas têm muito a ver com networking, experiência, tempo para pensar, para comparar, etc. O que o conteúdo te dá.
O café, sei lá, não sei se é um bom nome aqui, um off topic, na saída aqui no elevador, o cara ali dá uma ideia e diz, cara, isso muda tudo. Mas voltando ao processo, então, você tem um escritório de busca, depois tem a questão de acquisition, tudo isso é uma espécie de esteira, né? E já está toda montadinha, Hilton, essa equação, essa epistemologia do contábil.
Curiosamente, até, para quem tiver curiosidade, o negócio está aberto na internet, existe como se fosse uma receita de bolo que é disponibilizada de graça pela Universidade de Stanford, se chama Primer on Search Funds. É um texto que está na internet, que tem cerca de 60 páginas, que resume tudo isso e é a bíblia do assunto. Esses professores e alunos de Stanford, a cada, não sei, dois, três, quatro anos, renovam, atualizam esse texto. E esse é o que a gente considera a bíblia do asset class. Então, qualquer dúvida que alguém tenha, olha lá. E, obviamente, dá para você sair um ponto aqui, um ponto ali, mas, em geral, as linhas mestras estão lá. E aí, como é que é para responder à pergunta que você fez anteriormente? Começa com o aluno, normalmente, dentro da universidade, se perguntando o que ele quer fazer depois do curso. Isso pode ser uma carreira numa multinacional, pode ser montar uma startup, pode ser trabalhar num organismo internacional, numa ONG. etc, a cabeça de todo mundo está fervendo dentro da universidade ali, cada um vai por um caminho. Até poucos anos atrás, até sei lá, cinco anos atrás, a pergunta que a gente fazia, eu fazia para os meus alunos era, quem aqui quer montar o próprio negócio? E aí uma porcentagem levantava a mão, eu como professor de empreendedorismo. Desde uns cinco anos atrás eu mudei minha pergunta. Aí eu falo assim, pessoal, quem aqui quer montar seu próprio negócio ou comprar um negócio e crescer ele? Eu mudei minha pergunta. E aí, curiosamente, há cinco, seis anos atrás, era, sei lá, vamos dizer, de 60 alunos, 20 levantavam a mão, quero montar minha própria startup, minha própria empresa, e nenhum levantava falando, comprar e crescer, o que esse cara está falando? Agora não, curiosamente, eu faço a mesma pergunta nos cursos onde eu dou aula, Pessoal, quem aqui quer... E, curiosamente, tem mais gente que diz, prefiro comprar e crescer do que montar do zero. Então, você vê como que é um trend aqui, remetendo ao... Tudo bem que isso não é uma pesquisa científica, é só pesquisa que eu faço com quatro turmas por ano, cinco. Mas, assim, pra mim, chama muito a minha atenção de ter, entre os alunos que têm interesse em empreendedorismo, que a maior parte tem o maior interesse em comprar e crescer do que começar do zero. Por quê? Porque hoje, depois de tanto tempo passando com startup, diferentes ondas, etc, venture capital, risco, etc, a gente já sabe que o jogo é muito difícil. Hoje, dez anos atrás, as pessoas não sabiam tanto. Mas hoje a gente já tem bastante claro que se você montar uma startup, você tem que ter muito estômago, muito estômago. E não é que no Certify não tenha que ter, também tem que ter. Só que você depende mais do seu suor. Na startup, tinha um professor que eu gosto muito dele, que se chamava Christensen, professor famoso de inovação, que ele falava, pô, tem um fator sorte aí no mundo das startups que é um pouco agoniante, né? Será de mil startups qual que vai dar certo? De cem, qual que vai dar certo? E no Certifun não tem esse papel sorte tão prepoderante. Você pegou uma empresa que está bem, que já está dando lucro, que já tem seus clientes, já tem seus fornecedores, já tem seus funcionários, e agora você está sentado ali aprendendo com seus funcionários, falando, bom, agora para onde a gente vai, todos nós aqui? que agora a gente tem sangue novo, vamos para frente. Então, depende mais do seu suor e do seu trabalho duro e da sua capacidade de liderança, de boa interlocução com os investidores, com os clientes, etc., do que da sorte, como é no caso das startups.
Uma coisa que me faz pensar também é que, talvez, e falando até de uma forma um tanto caricaturada aqui, o startupeiro, ele parte de uma ideia, de algo de individual ou de mais dois ou três sócios no máximo. Já um, eu vou inventar aqui um nome, deve ter esse nome, um search funder.
A gente chama de searcher.
Searcher. Ele tem, eu imagino que o conhecimento dele, um dos conhecimentos fundamentais é a gestão da sociedade e dos investidores também.
Exato.
Então esse cara, não só ele tem que ter o cap table na visão dele, mas toda uma linha, uma trilha de gestão, de retorno, de crescimento. Fala um pouco pra gente disso aí.
Tanto que eu adoro consumir os poucos estudos que tem dessa área no mundo, e eu mesmo fiz um ano passado na América Latina, e nós conseguimos mapear a demografia dos searchers latino-americanos. E searchers que normalmente têm mais chances de encontrar empresas na América Latina, São searchers que têm uma experiência prévia normalmente, além do MBA, além da escola de negócios, têm uma experiência prévia com consultoria estratégica, ou em empresa familiar, ou em empresas de médio ou pequeno porte, ou em operações. de empresas, ajudando na operação da empresa, ou às vezes também em fundos de investimento em private equity, ou seja, que estão diariamente lidando com compra e venda de empresas. Então, assim, esses são os perfis que normalmente se dão melhor no processo do search fund. Então, às vezes me perguntam o que a pessoa pode fazer para se preparar para isso. E, obviamente, além de pensar em fazer uma boa escola de negócios, também tem se envolver com o mundo do empreendedorismo, tanto desde o ponto de vista da consultoria, como desde o ponto de vista mesmo de fazer acontecer, de estar lá numa pequena média empresa ajudando a construir aquela empresa. E aí, o que acontece então? Dentro dos cursos, essas pessoas estão avaliando as possibilidades de carreira. E cada vez mais, aquela pessoa que se sente apta a gerir esse processo e adquirir uma empresa, opta por ir pelo caminho do Certifund. E aí o próximo passo é a pessoa fazer um, a gente chamaria de plano de negócios, mas que no mundo do Certifund chama PPM. que basicamente é um documento da área de investimento, onde você mostra qual vai ser o seu projeto. Mas seria o equivalente ao plano de negócios. Nesse PPM, a pessoa descreve tudo, ela é padrão também, então praticamente todos os PPMs são iguais. A pessoa descreve, no caso dela, o que ela tem de diferencial para poder encontrar uma empresa e tal, e ela calcula o valor que ela vai pedir, e aí com esse PPM pronto, ela vai procurar tanto os Triple F, lembra o Family, Friends and Fans?
Family and Fools?
Não, e Fans. Não, Family, Friends and Fans. O pessoal chama de Fools, mas não, são os seus fãs. E aí, tanto esse quanto os próprios investidores de search funds, que cada vez tem mais no mundo. Aqui no Brasil, hoje, nós já temos cinco recorrentes. Acho que devem vir mais uns cinco aí em breve. Mas a nível mundial, nós já temos mais de 300 investidores de search funds e eles tendem, alguns deles, a investir em outros países.
Vou me permitir uma viagem aqui na maionese. À medida que essa, digamos, nova indústria vai se estruturando, certamente uma indústria das startups e do venture capital no mundo, cria pressão de preço? Ou seja, a pessoa que tá montando um novo negócio, ou já montou um novo negócio, ou não, assim, eu tenho quatro padarias maravilhosas em São Paulo. São Paulo é o paraíso das padarias. Tem lugares que nem tem esse mesmo conceito. Aliás, a maioria dos lugares do mundo não tem. É outra forma de fazer, nem pior nem melhor, mas adequada pra cultura do local. Mas padoca aqui é um jogo. o cara, de alguma forma, cria pressão pelos bons negócios para a aquisição, ou isso não altera tanto, porque isso já é natural do próprio negócio?
Ótima pergunta. Essa é uma coisa que nós que pesquisamos o assunto, eu falo com outros professores, nós tivemos um encontro de professores em dezembro em Harvard, e foi o primeiro encontro de professores que estudam Certifunds. no mundo, e a gente discutia, um dos pontos era esse, até onde vai isso tudo? Será que a gente consegue calcular qual o tamanho futuro desse mercado? Será que ele vai ficar pequeno do jeito que ele é hoje, ou ele vai crescer? Até quanto vai crescer, etc. Mas uma coisa que está clara é que tem muito, muito, muito mais empresa do que Searcher. Não dá nem para comparar a disparidade entre um número e outro. Por um lado, tá? Empresas-alvo, ou seja, empresas de qualidade. O que acontece? Normalmente, as empresas que os searchers procuram, e isso é de propósito do modelo, tá? Elas estão fora do alvo dos fundos de private equity. Porque os fundos de private equity preferem comprar normalmente companhias, mesmo os fundos que vão mais pra baixo, que valem, normalmente, acima de 25, 30 milhões de dólares. Então, essas empresas são empresas que, normalmente, não têm liquidez. Não é fácil vender. Entendeu? Então, é de propósito, justamente para que o search tenha um público maior. E essas empresas estão naquele limite de se tornar, em breve, uma empresa de maior porte. Então, isso é uma coisa que limita um pouco a concorrência, por um lado. Por outro, tem um aspecto muito interessante, não acontece no mundo inteiro, mas em muitos países, que é o envelhecimento da população. Então você tem, em muitos países do mundo, principalmente Europa, Estados Unidos, Japão e Ásia, ali para Japão, Coreia, China, você tem um envelhecimento acelerado da população e, portanto, fundadores de empresas que fundaram a empresa 20, 30 anos atrás. Os filhos, que seriam os naturais herdeiros dessa empresa, não têm interesse no negócio dos pais. Para você ter uma ideia, mais de 80% das empresas que são adquiridas por search funds são empresas que têm problema de sucessão.
Interessante.
Ou seja, são empresas de qualidade, mas que não tem quem a toque depois que o fundador sair. E isso acontece por quê? Porque normalmente também, essas empresas a gente chama elas carinhosamente de boring businesses. São negócios chatos. Então, os filhos que cresceram normalmente já com o pai e a mãe empresária, num bom colégio, numa boa faculdade, com bons recursos, etc. Olha pra empresa da família e fala assim, pô, jura que você quer que eu toque isso aí?
Eu quero transformar isso em dinheiro pra fazer outra coisa.
Não, nem tanto, nem tanto. Mas assim, eu te dou um exemplo, um exemplo prático que eu vi outro dia. Os fundadores falaram, cara, um filho meu é piloto de avião, o outro é surfista profissional, a última coisa que eles querem é, sei lá, tocar um negócio de espuma. Tipo, porra, pai, na boa, eu tenho coisa mais interessante pra fazer do que tocar uma empresa de espuma. Essa foi a sua vida, não é a minha. Então esse é um problema normal, natural em empresas familiares. E aí o que acontece é que, claro, os fundadores ficam, putz, e agora? E até alguns anos atrás, o fundador vender a empresa era um carimbo de fracasso. Mas isso está mudando hoje. Porque lembra que hoje em dia o pessoal, pô, vendi minha empresa, o cara mandou bem, que legal e tal. Então até culturalmente isso está mudando. Então hoje em dia você vender uma empresa não é tão feio assim. Afinal de contas você vai levar 10, 20 milhões de dólares no bolso?
Não é nem mais vender, é fazer um exit.
Exato, exatamente. E o cara que estava lá preocupado, tipo, pô, meus filhos não têm interesse na minha empresa de espuma, agora ele tá, pô... Problema deles, eles que façam a vida deles. Um já é piloto de avião, outro já é surfista, outro já é sei lá o quê. Tipo, deixa eles tocarem a vida deles, eu quero meus 20 milhões de dólares.
É isso aí, deixa eles esperarem. Quando chegarem aqui em casa e virem minha Lamborghini na garagem, vão se interessar.
E aí hoje isso é mais factível, entendeu? E é um... conectado com o envelhecimento também.
O pessoal, vocês não acreditem nessas coisas que eu tô falando aqui de Lamborghini, é pura brincadeira, né? É uma conversão de toda uma vida em um negócio. Mas olha, esse mundo é espetacular. Eu queria falar só uma coisa para os nossos ouvintes aqui, nossos espectadores do YouTube, é o seguinte, eu vou deixar na descrição a referência para o Primer Search Funds, de Stanford, né?
Ótimo.
É isso? Vou deixar uma referência lá e vou também procurar alguma coisa sobre PPM, tá? Para deixar aí para o pessoal.
Lá tem, o PPM está lá dentro.
Está lá dentro do Stanford.
Lá já descreve. E eu lancei ano passado, lá na Universidade de Oxford, o primeiro dicionário de search funds do mundo.
Que lindo.
Vamos botar isso aqui também. Pode pôr.
Vamos botar isso aqui, que é de sua autoria.
Chama Glossary of Search Funds.
Glossary of Search Funds.
Tem 250 termos que eu já controlava da minha vida prévia de Private Active Venture Capital, e aí eu reli todos esses 250 termos sob a ótica do search fund.
Puxa, sensacional. Infelizmente, o tempo é curtíssimo, mas eu queria, assim, tem duas coisas que eu não posso deixar de perguntar. Primeiro, eu vou deixar as duas perguntas, tipo entrevista de futebol. O cara sempre faz duas perguntas, não sei por quê.
Pô, se a gente for falar do Fluminense, eu tô numa boa época. Tá dentro, né?
Tá na hora.
Tá numa boa época.
Mas olha, um é o seguinte, como foi ter sido aluno do Christensen? É isso aí, eu não posso deixar de perguntar, né? É surreal! E a outra coisa que eu já entrego aqui é o seguinte... Trends, você já disse. No nome do programa, tendências... Que perspectiva você vê para o Search Funds? Ficamos com essas duas aí.
Então, vamos lá, vamos lá. O Christian... É engraçado, né? Não, calma, calma, calma... Tudo tem uma explicação. O Christian sempre foi professor da minha irmã.
Olha!
Porque eu fiz o meu MBA na Espanha.
Ok.
Lá na IE, em Madrid. E a minha irmã fez a HBS. Então, o Christian sempre foi professor dela. Só que, obviamente, né? Eu, curioso, falava, e aí, como é que foi a aula hoje?
Que maravilha!
Então eu peguei a Rebarba, vamos dizer assim, e ela me trazia insights incríveis das aulas dela. E eu anotava e tal, tanto que no meu primeiro livro eu tenho uns dois ou três insights muito legais que eu ponho lá de histórias que ela me contou dele.
Sensacional. Mas olha, eu vou até ser um pouco indelicado com você, interromper você no meio das duas perguntas, porque eu tenho a crença assim inabalável de que você está por algum tempo passar próximo desse nível de gente, eu acho que se aprende alguma coisa pelo impacto das ondas que essas pessoas trazem. São verdadeiros gênios da humanidade. E você pode se considerar, porque você tá ali no primeiro grau de impacto com a sua irmã.
A gente tá todo dia aprendendo.
Impressionante. Mas fala aí pra gente das tendências. O que você enxerga aí pra frente? Porque é um mundo vibrante.
Vou tentar ser, vamos lá, sucinto, mas, ao mesmo tempo, responsável e profundo, vamos dizer, com o que eu tenho visto. A gente está numa fase do capitalismo que a gente poderia dizer que a gente está vivendo uma fase de privatização do capitalismo. Ou seja, a nossa capacidade, lembra que o capitalismo vai evoluindo, desenvolvendo a nossa capacidade de comprar e vender coisas. tudo, tempo, água, madeira, inclusive ações de empresas de capital fechado. Então assim, a gente está numa fase onde, mais do que nunca, a gente é capaz de comprar ações de empresas de capital fechado nas maiores geografias, nas mais diversas geografias do mundo. Então a gente está numa fase onde isso é possível, viável, e cada vez mais pessoas têm investido, tanto em startups quanto em empresas tipo as de search funds. Então a gente está nessa fase e isso requer que as pessoas Prestem atenção, aprendam, debatam mais sobre isso, porque é uma consequência. Como a gente está nessa fase desse sistema que a gente vive, a gente precisa, todos nós, os advogados, contadores, os profissionais de comunicação, de inovação, etc., precisam se atualizar e saber o que está acontecendo. O Certifund se enquadra dentro dessa mega tendência, ou seja, mega tendência para a veracrutização da economia e o Certifund é mais uma forma onde você pode exercer e se apoiar nessa mega tendência. Então, eu acredito que a tendência de... formatos como o Search Funds e afins, ou seja, que já estão surgindo. A gente tem um formato, por exemplo, chamado Self Funded, que é você, ao invés de procurar um investidor para te ajudar a encontrar a empresa, você procura sozinho, por conta própria. Você se banca. E aí, quando você achar a empresa, você fala, vai para os vencedores, achei a empresa, eu por conta própria, sozinho. Me dá um pouquinho mais de equity aí, vai. Porque eu achei por conta própria.
Todo o trabalho já foi feito.
Então, ao invés de você me dar até 30% da empresa, me dá 35%. Meu ponto é que a gente está vendo como tendências a sofisticação da forma pela qual a gente compra e vende pequenas e médias empresas. E o Certifunds é uma dessas formas que a tendência é crescer. bastante no mundo todo. Por quê? Porque é um formato padronizado, com linguajar padronizado, onde todo mundo mais ou menos fala a mesma língua, onde você pode ir para qualquer uma das grandes escolas do mundo e aprender. A gente calculou lá em dezembro que tinham 15 escolas hoje que lecionam essa matéria, mas nesse ano vão entrar mais 5, e ano que vem vão entrar mais 10. Enfim, o negócio vai começar a crescer exatamente. Então vai passar a fazer mais parte do nosso dia a dia.
Nilton, super obrigado pela sua presença, pelo horário que você conseguiu pra gente aí, fez uma ginástica de volta de viagem, uma verdadeira honra pra gente, muito obrigado.
Nada, muito obrigado a vocês, parabéns.
Obrigado. Bom, pessoal, a gente chegou ao final do Trends nº 100 aqui com o professor Nilton Campos, que é um entusiasta dos search funds, abriu uma porta aí de... ideias e pensamentos para todos nós, professor da FGV do IE de Madri. Então você já sabe, continue com a gente aí nos canais do Banco Alfa, tanto no Spotify como no YouTube e até o próximo programa.
Quanto em empresas tipo as de search funds. Então a gente está nessa fase e isso requer que as pessoas prestem atenção, aprendam, debatam mais sobre isso, porque é uma consequência. Como a gente está nessa fase desse sistema que a gente vive, a gente precisa, todos nós, os advogados, contadores, os profissionais de comunicação, de inovação, etc., precisam se atualizar e saber o que está acontecendo. O Certifund se enquadra dentro dessa mega tendência, ou seja, mega tendência para a veracrutização da economia, e o Certifund é mais uma forma onde você pode exercer e se apoiar nessa mega tendência. Então, eu acredito que a tendência de... formatos como o Search Funds e afins, ou seja, que já estão surgindo. A gente tem um formato, por exemplo, chamado Self Funded, que é você, ao invés de procurar investidor para te ajudar a encontrar a empresa, você procura sozinho, por conta própria. Você se banca. E aí, quando você achar a empresa, você fala, ó, vai para os vencedores, ó, achei a empresa, eu por conta própria, sozinho. Me dá um pouquinho mais de equity aí, vai. Porque eu achei por conta própria.
Todo o trabalho já foi feito.
Então, ao invés de você me dar até 30% da empresa, me dá 35%. Meu ponto é que a gente está vendo como tendências a sofisticação da forma pela qual a gente compra e vende pequenas e médias empresas. E o Certifunds é uma dessas formas que a tendência é crescer. bastante no mundo todo. Por quê? Porque é um formato padronizado, com linguajar padronizado, onde todo mundo mais ou menos fala a mesma língua, onde você pode ir para qualquer uma das grandes escolas do mundo e aprender. A gente calculou lá em dezembro que tinham 15 escolas hoje que lecionam essa matéria, mas nesse ano vão entrar mais 5, e ano que vem vão entrar mais 10, e enfim, o negócio vai começar a crescer exatamente. Então vai passar a fazer mais parte do nosso dia a dia.
Newton, superobrigado pela sua presença, pelo horário que você...
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