AI FIRST #2 . André Abucham e Lauro Fiuza - Os desafios intrageracionais dentro e fora das empresas

André Abucham and Lauro Fiuza discuss how AI adoption creates generational divides in companies. Lauro's organization uses Anthropic's language model for research and business planning, envisioning an AI "non-biological advisor." Older generations want tools for quality of life; younger leaders chase competitive advantage.
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Estamos vivendo uma revolução, inclusive como a gente estava batendo papo aqui, a gente desenvolve uma ferramenta hoje, amanhã já tem 3 mais avançadas do que ela. Então em algum momento você tem que começar, não adianta pensar que você tá atrasado, porque atrasado ficará se não fizer nada, né?
Conta um pouquinho pra gente o que que tá no forno, o que que já tá pronto.
Que a possibilidade da gente olhar pra empresa identificar quem são os embaixadores da AI. Você olha lá para o seu corpo de executivos, o seu time, e de repente você descobre, Doni, que lá naquela juventude tem um monte de gente usando à torto e direito o tempo inteiro um monte de coisa, e eles estão rodando na frente.
Os dois são a segunda geração das suas empresas, trabalham com milhares de pessoas e têm os seus desafios. De encarar a inteligência artificial como algo que pode fazer diferença no seu negócio. Hoje aqui com Lauro Fiusa Neto. Lauro, obrigado pela tua presença aqui. E com André Abucham. André, um prazer te entrevistar novamente.
E o que nós vamos ver daqui para frente é absolutamente incerto, ninguém sabe ao certo. Com certeza nos laboratórios do mundo já tem muita gente bem mais avançada nas possibilidades do que vai se desenvolver.
O podcast do IPO Brasil, agora na série AI First, conversando com empreendedores e empresários a respeito das suas iniciativas sobre inteligência artificial. No primeiro episódio, a gente falou com pessoas que estavam investindo em inteligência artificial com certa profundidade, seus erros e acertos. E agora, no segundo episódio, a gente traz dois empresários que têm uma história parecida em alguns aspectos, né? Os dois são a segunda geração das suas empresas, trabalham com milhares de pessoas e têm os seus desafios de encarar a inteligência artificial como algo que pode fazer diferença no seu negócio. Estou hoje aqui com o Lauro Fiusa Neto. Lauro, obrigado pela tua presença aqui.
Prazer, Duane.
E com o André Abucham. André, um prazer te entrevistar novamente.
Obrigado, Duane, obrigado pelo convite.
Maravilha. Começando aqui, Lauro, queria te ouvir um pouco, falar um pouco do seu negócio, do seu papel, E a partir daí a gente vai elaborando as nossas perguntas aqui.
Claro. Bom, eu sou, como você mencionou já, segunda geração, negócio fundado pelo meu pai em 1969. A Cevitec é uma empresa de engenharia essencialmente e que ao longo desses 57 anos de vida ela foi se reinventando em algumas etapas do processo, da jornada, né? Ela começou como uma empresa especializada em construir sistemas de ar-condicionado central para grandes empreendimentos e ao longo do tempo nós fomos nos especializando em construir usinas de geração de energia que hoje é a principal atividade da Cevitec. E agora estamos pensando já na terceira pivotada que é quais negócios que essa experiência vivida e esse know-how adquirido até agora podem nos proporcionar para frente. Esse é um estudo que está em em pauta.
Ok, me fala um pouco do dimensionamento da Servitec hoje. Qual o volume de usinas que vocês têm em operação, número de pessoas envolvidas?
A Servitec tem mais ou menos 85, 86 usinas, das quais nós temos 3 usinas eólicas, nós temos 80 e alguma coisa, porque sempre muda, sempre entra mais uma no portfólio, usinas solares de pequeno porte. E duas usinas hidrelétricas também de pequeno porte. Vamos somar aí por volta de 86, 87 ativos sob gestão em por volta de 14 estados na federação.
Número de pessoas?
Quando a gente entra em fase de operação desses ativos, que é o caso hoje, nós temos poucas obras acontecendo, o volume de pessoas envolvidas ele diminui bastante. A gente agrega muito, muita mão de obra e muita geração de emprego quando nós estamos construindo essas usinas. Então hoje a gente deve estar com uns 250, 280 funcionários colaboradores.
Ótimo, bacana. André, me conta um pouco da G-Form, embora já conheça, mas da última vez que eu te entrevistei para cá certamente tem mudanças aí, né?
Com certeza. A principal é que nós vamos chegar a 50 anos esse ano, mês que vem. Então a gente vive um momento de muita emoção assim, de muita curtição de poder ter vivido todos esses 50 anos, de chegado onde nós estamos. A empresa foi fundada pelo meu querido tio, o Arnaldo Lândes de Souza Melo, melhor amigo do meu pai. Logo em seguida que ele fundou a empresa, eles se juntaram, e a gente teve uma empresa sempre dirigida por dois presidentes, uma coisa que academicamente não é muito escrita nos livros, mas no nosso caso deu muito certo. Eles ficaram à frente da empresa até o ano de 2016, né? E a gente tem um grupo de 5 empresas do ANEEL. A gente nasceu com a empresa de engenharia, né, que é a primeira vertical, que tem alguns focos muito específicos do que a gente gosta de fazer, e principalmente o que a gente não faz. Aí tem empresa de desenvolvimento imobiliário, a empresa de energia focada também em fontes renováveis, no nosso caso são só usinas eólicas. E aí a gente tem uma desenvolvedora de projetos de energia renovável e uma comercializadora. Nós temos uma empresa de concessões e investimentos, PPPs, com 5 ativos nessa empresa. E a empresa caçula que a gente criou em 2023 foi uma gestora que vem crescendo ao longo dos últimos anos para suportar esse ecossistema das empresas de investimento. E acho que o meu grande desafio olhando para frente, como hoje o presidente das participações e da engenharia, é ver como é que a gente coloca esse ecossistema de 5 empresas para oferecer para os nossos clientes soluções que somente quem tem 5 empresas atuando nesses setores pode trazer.
E como é que vocês estão organizados lá? Assim, o teu time de liderança cuida de verticais especificamente?
São verticais, a gente tem um CEO em cada empresa e eu atuo como CEO da Holding trabalhando com eles, ajudando a gente a crescer. Uma empresa de capital humano muito mais intensivo, diferente do Lalo, que me dá orgulho, com seus 300 colaboradores, a gente tá com 8 mil agora. Isso para nós é uma razão de muita responsabilidade, porque o principal valor nosso nas empresas é sempre a saúde e a segurança do nosso time. Então toda noite eu tenho que dormir pensando como é que eu cuido dessa turma toda e como é que AI me ajuda nessa jornada. E aí já tá ajudando.
Maravilha. Então começando nessa linha de falar um pouco de inteligência artificial, queria que você falasse sobre como esse tema começou a te impactar ao ponto de você entender que era importante para você e para o seu negócio?
Bom, obrigado. Eu vou dar uns passos para trás, Duane, porque lá no IPO a gente vive intensamente a jornada de aprendizagem contínua. Acho que esse é um dos grandes motes da nossa organização. Eu, quando tinha 35 anos, tive a chance de fazer o OPM, um curso chamado Owners and Present Management Program, da Faculdade de Harvard. E lá eu tive acesso a diversas matérias que eu não tinha aprendido durante a minha faculdade e nem minha formação executiva. Uma delas foi a matéria de inovação. Durante 3 anos eu pude aprender com a professora Linda Applegate, a quem eu tenho uma gratidão enorme, sobre inovação. E nos idos de 16 ou 17, a Linda nos provocou a criar no Brasil o primeiro hub do nosso setor de engenharia, desenvolvimento imobiliário, cidades inteligentes, para acelerar startups. Então a gente criou esse hub fora da nossa empresa, diferente da nossa cultura, aliás, completamente diferente da nossa cultura, para ir acelerando diversas startups. E a gente ficou nessa toada durante muitos anos. Agora eu acelero para frente. Vamos chegar mais perto da AI, passando pela transformação digital. No IPO a gente tem um network muito poderoso, inclusive um dos maiores networks de todo IPO dessa comunidade, 38 mil líderes. CEOs, o network de construção e real estate são os dois maiores. Todo ano eles fazem um encontro anual onde a gente vai discutir temas importantes. Em 2025 eu fui curioso para Nova York pensando que a gente ia ver de grandes obras, projetos, execução, parte de física, e de repente a agenda era só sobre AI. Será que eu vim parar no lugar errado? E o foco era bastante AI. E tô lá assistindo as palestras. Me lembro muito bem quando subiu o presidente de uma empresa chamada, acho que é Pomerleau, canadense, e começou a apresentar os benefícios das suas 42 iniciativas de AI. Puxei meu celular de lado, falei com meu time lá, falei: e nós aqui, quantos já temos andando? E eram 3, e das 3, 2 teriam impacto muito pequeno. Falei: bom, tudo bem, entendi, tô super atrasado. Os caras estão super adiantados, vou voltar e vou começar essa jornada, vou me organizar, criar governança, criar os limites, tentar criar uma estratégia, né, porque não foi fácil criar nossa estratégia de AI, e depois pôr para rodar. Em seguida, o IPO me ofereceu uma outra grande oportunidade. Eu falo tudo isso para convidar os meus colegas do IPO para irem para fora também, irem nas universidades lá fora, Eu já tive na Singularity, já tive em Harvard, e aí fui para MIT. Aí o MIT fez uma agenda de uma semana para a gente trabalhar o tema de AI para os nossos negócios. Então eu tenho que agradecer muito a tudo isso que eu recebo do IPO, todas essas provocações, porque hoje orgulhosamente eu tenho 14 projetos andando, todos eles muito bem mapeados, muito bem estruturados, com toda a parte da equação financeira e o retorno dos investimentos rodando. Agora, eu te diria que se talvez eu não tivesse dado esse pulo lá atrás nas agendas do IPO, eu tivesse andando um pouco para trás. Isso tudo no âmbito da empresa. Já na física, eu amo as minhas ferramentinhas de AI.
É, não, essa do que você usa na física, quero deixar para o final, porque sempre tem os gadgets que a gente está acostumado a fazer, né? É isso aí. E quero também depois entrar em todas essas iniciativas aí para a gente poder ter experiências aqui compartilhadas também.
Ótimo. Vamos nessa!
Para você, Lauro, me conta uma coisa, como é que foi o primeiro contato com AI? Como é que isso tá presente na sua vida pessoal e profissional?
Bom, eu me vejo hoje no estágio que o André estava quando ele foi fazer esse curso, onde você encontrou o canadense que tava bem na tua frente em relação ao desenvolvimento. Nós estamos começando a pensar as ferramentas de AI dentro da empresa, agora. Eu acho que é algo que nunca é tarde para começar. Estamos vendo uma revolução, inclusive como a gente estava batendo papo aqui, a gente desenvolve uma ferramenta hoje, amanhã já tem 3 mais avançadas do que ela. Então em algum momento você tem que começar, não adianta pensar que você tá atrasado, porque atrasado ficará se não fizer nada, né? AI para mim ele surgiu já há algum tempo, eu também fiz esse programa do Singularity em 2017. E naquela época eu fui nesse programa, eu fui exposto não só a um mundo de AI como programação de software, mas a um mundo de tecnologia no estado da arte. Esse curso especificamente que é oferecido na comunidade do WIPO, ele te expõe a diversos segmentos da economia real onde inovações muito avançadas estão sendo trabalhadas, desenvolvidas e evoluindo. E isso ajuda muito a abrir a mente, né, abrir a cabeça em relação, pô, o que que isso pode ser aplicado para o meu negócio, para o meu segmento? E se eu não fizer, como é que eu vou ficar em relação à minha concorrência? Tudo isso é muito importante. Então, desde 2017 eu fiquei tão impactado por esse programa que em 2018 eu levei meu pai e meu irmão que são, enfim, nós dois somos sucessores dele. E desde essa época a gente já, eu e meu irmão, já trabalhamos muito juntos e já conduzimos a atividade da empresa. E fomos os três, porque eu queria, eu percebi que era premente mostrar para eles, era fundamental que eles vissem aquilo que eu tinha visto um ano antes, porque aquilo, né, como diz o americano, blew my mind. E foi uma experiência super, super legal. Nesse curso também fui tocado na ideia do que hoje a gente enxerga como AI, né? Então, bem ou mal, se você parar para pensar, o AI nada mais é do que uma evolução do software, da tecnologia de software, em função de capacidade de processamento. Eu pego muito exemplo do Uber, O Uber, eles já contaram a história que o Uber só começou a se viabilizar no momento em que a rede de telecom chegou no 3G ou no 4G, porque antes disso o tempo de resposta entre o usuário e o motorista era muito lento e aí a experiência do consumidor ia ser muito ruim e não conseguia se viabilizar. A partir do momento que a tecnologia de telecomunicações se viabilizou, viabilizou o negócio. E o que nós estamos vendo hoje é viável em função de chips como NVIDIA, os GPUs, que tem uma capacidade de processamento muito mais avançada do que os CPUs tradicionais, apesar da sua evolução também. E o que nós vamos ver daqui para frente é absolutamente incerto, ninguém sabe ao certo. Com certeza, nos laboratórios do mundo já tem muita gente bem mais avançada nas possibilidades do que vai se desenvolver, mas muito vai depender da criatividade de quem desenvolve as soluções, pensando no dia a dia real das pessoas. Então eu olho para AI hoje como essa evolução, e uma evolução constante, que à medida que esse processamento vai evoluindo, novas possibilidades vão surgindo. Então é muito essencial se inserir no universo para você, a partir do teu conhecimento do teu negócio, saber capturar as soluções que mais se adequam. E em função disso a gente está fazendo esse trabalho hoje junto a algumas consultorias para primeiro mapear a minha demanda hoje da nossa empresa. Ela tem menos a ver com questões operacionais e muito mais a ver, alguma coisa com questões operacionais sem dúvida, mas muito mais a ver também com prospecção, porque o nosso negócio ele vive em função de proporcionar ao setor elétrico, quando eu falo de geração, proporcionar ao setor elétrico as soluções que o setor elétrico precisa. Eu não sou um conglomerado de empresas do setor elétrico tal qual Axia, Engie, essas grandes companhias. Eu sou um cara que traz para o setor aquilo que o setor precisa naquele momento em função de uma adequação de matriz de geração de energia. Então eu tô um pouco à frente, eu preciso estar à frente de novas soluções e eu preciso estar à frente da concorrência para me diferenciar, porque eu sou pequeno nesse segmento, eu sou pequeno. Então é usar essas ferramentas ao meu favor, no sentido de me ajudar a me posicionar melhor nos certames, nos processos, nas concorrências, enfim, qualquer que seja o ambiente de disputa que a gente tem que participar.
Que imagino, Lauro, seja um ambiente muito, muito complexo em termos de regulamentos, de detalhes, etc. Então, aqui você tá tentando desenvolver diferenciais competitivos baseado na utilização de inteligência artificial para facilitar o teu entendimento e a tomada de decisão em relação a isso. Seria nessa direção?
Exatamente, para agilizar a minha tomada de decisão. Um setor regulado, como é o caso da energia, e talvez, por exemplo, saúde pode ser que seja semelhante a isso, você fica muito engessado muitas vezes, né? Eu olho para o para soluções que me surgem e tento encaixar ela no segmento e às vezes não vejo como fazer porque eu tô engessado, eu tenho muito mais nãos do que sims em termos de possibilidades, mas dentro da minha esfera de atuação, daquilo que eu controlo, eu consigo tomar decisões melhores e mais rápidas se eu aplicar essas soluções. É o mapeamento que nós estamos fazendo agora. Isso me ajuda a ser mais competitivo quando eu trago, quando eu vou participar de uma nova tecnologia que está sendo inserida no setor elétrico, eu vou participar de uma concorrência, isso pode me trazer competitividade.
Interessante. Você falou do Uber, né? Tem essa questão de que a infraestrutura tecnológica precisava evoluir para que o Uber pudesse evoluir também como produto, como serviço. E no Brasil ele entrou 8 anos depois do ano em que ele foi criado, que foi na Copa de 2014, que precisava de um outro movimento, que era uma demanda muito maior do que a oferta. Então na Copa muitas pessoas estavam aqui se deslocando, pessoas de fora da cidade, a frota de táxi não dava conta de atender essas empresas, perdão, de atender essas pessoas. E aí então as pessoas baixavam o aplicativo, o carro chegava na sua frente e te levava no outro lugar. Você fala, olha, A mágica aconteceu, funcionou. Então, na história, as invenções tecnológicas passam por esse tipo de situação, né? Elas primeiro aparecem, né? Só que elas de repente não encontram um problema claro para resolver, mas elas estão ali, né? Como a inteligência artificial, a gente tá vivendo ela agora, mas ela não foi criada agora, né? Ela foi criada faz muito tempo e ela vai encontrando o problema para resolver e em algum momento ela vira um produto e esse produto passa a ser utilizado por nós aqui, né? Então tem similaridades aí nessa jornada, né? Sem dúvida. André, me diga uma coisa, esses 14 projetos que tem lá na Engieform, conta um pouquinho pra gente o que que tá no forno, o que que já tá pronto.
Eu vou primeiro falar sobre quem tá por trás dos 14 projetos, porque acho que é muito importante, aproveitando que o Lauro talvez esteja um pouquinho para trás no tempo de quando a gente começou, que é a possibilidade da gente olhar para a empresa, identificar quem são os embaixadores da AI. Você olha lá para o seu corpo de executivos, o seu time, de repente você descobre, Dona, que lá naquela juventude tem um monte de gente usando à torto e direito o tempo inteiro um monte de coisa, e eles estão rodando na frente. Eu me lembro muito do Matheus, foi um dos primeiros caras que começou a transformar tudo que era plan de Excel, quando apareceu o Power BI, em Power BI, e foi o primeiro cara que quando apareceu então o uso das ferramentas corporativas, porque você precisa regular que ferramenta os caras vão usar, como vão usar, tem que ter todas as regras, né? Ele foi transformando tudo que vinha do Excel, Power BI, em cloud hoje para gente, né? Então eu acho que uma das grandes maravilhas que tem, sem passar pelas 14 iniciativas, é a possibilidade da gente fazer gestão de como você dirige uma empresa utilizando AI para moer esses números todos, analisar cenários, planejar 1 ano, 2 anos, 5 anos, ligar os riscos, ligar as oportunidades, e você conseguir de um jeito que era muito difícil quando a gente trabalhava com Excel, Power BI, você vê cenários que te ajudam a tomar decisão muito importantes, né? Então acho que assim, de todas as iniciativas, essa aqui Você vai acoplando as ferramentas e o time vai usando. E aí eles vão usando na área de suprimentos, eles vão usando no RH, eles vão usando no jurídico, eles vão usando no planejamento, gestão e controle, e eles vão usando também na parte de segurança. A gente tem, por exemplo, agora uns robôs nos nossos canteiros de obra que circulam pelas obras. Eles têm câmeras que filmam 360 graus, interligados a um sistema com AI, que eles dão alertas se tem uma situação insegura, eles estão mapeando tudo que tá acontecendo 24 horas por dia, integrado com os profissionais que têm que cuidar da segurança do time. Ao mesmo tempo, a gente acopa, e essa vem da história lá da ida para Nova York, a gente é também talvez a segunda empresa no Brasil a usar uma ferramenta chamada Hélice Technologies. Ela é a melhor ferramenta que a gente já conheceu de planejamento, gestão e controle usando AI de projetos, de projetos. Então, um dos maiores desafios que a gente executa esse ano, acho que a gente nem conversou sobre isso, é uma interligação entre as bacias de água aqui de São Paulo para trazer água que vão abastecer a nossa região metropolitana com 22 milhões de pessoas. E para nós poder estar usando essa ferramenta tão inovadora, tão transformadora, que faz tanta coisa preditiva é uma coisa espetacular, né? Então a gente vem tentando esses pilotos, sempre sabendo que alguns vão dar certo, outros vão dando menos certo, mas a gente se permite tentar, arriscar e eventualmente pivotar rapidamente se as nossas tentativas não derem certo. Agora, a cultura de AI na empresa, achar quem são os embaixadores, definir a governança, as regras É step 1. Pode parecer algo muito simples, mas muita empresa sai fazendo de forma muito desorganizada e isso custa muito caro.
Falando um pouco dessa experiência com a gestão, né, de Excel para Power BI, modelos de gestão, então uma companhia com o número de funcionários que tem a Engieform tem um desdobramento, né, um envolvimento em gestão deve ser bastante intenso. Fala para a gente um pouco como é que era o antes e como é agora, assim, em termos de tempo, em termos de velocidade, em termos de qualidade da informação.
Tá vendo o sorriso no rosto? De verdade. Há muitos anos, talvez 15 anos, a gente entrou na disciplina do professor Falcone. A quem eu tenho uma gratidão enorme pela forma como a gente faz gestão. Então, a gente tem todas aquelas coisas do gerenciamento por diretrizes, as matérias do planejamento de gestão e controle.
Fato, causa e ação.
Exatamente, faz os 3 Gs e por aí vai. E tudo isso estava por trás de ferramentas muito robustas, desenvolvidas ao longo de muitos anos. Com bastante Excel, né? E aquilo ali eu sei que era muito trabalhoso para todo mundo que tava na ponta, mês a mês, apurar os indicadores, apurar os resultados, trazer para a gente avaliar como tá e fazer plano de ação para a gente poder superar os nossos objetivos, as nossas metas. Tem uma coisa que a gente gosta de bater meta, né? Quem não gosta? Aí você consegue sair do Excel, Dani, e vai para o Power BI, eu já achei uma baita de uma evolução. Então, mais visual, mais visual, mais fácil de você ir buscando, mexendo nos cenários, testando se os números estão certos, as hipóteses. E eu já tava relativamente contente, mas o próprio time mesmo, junto com os principais embaixadores que são usuários pesados de AI, eles migraram esses BIs para o cloud, né? Então eu brinco com Claudinho, tá dentro da empresa fazendo tudo. E realmente, quando a gente saiu do Excel para o Power BI e levou toda essa parte de gestão de dados, resultados, indicadores, eu tenho certeza que a gente tá usando assim uma fração muito pequena do que a gente levava para poder pegar esses dados, imputar os dados, criar os indicadores. A gente tá usando muito mais tempo para ver que direção a gente quer ir, como é que a gente corrige os desvios, como é que a gente supera os objetivos. E claro, a gente vive dos clientes. Então, como é que a gente supera a expectativa dos nossos clientes baseado em tudo isso que tá por trás desses nossos painéis de gestão? Então, realmente, eu tô muito contente com essa evolução e agradeço. E por agradecer, eu vou agradecer a Maíra, o Bruno, a Juliana, o Matheus, essa turma que tá tão inquieta, o Bruno, né, fazendo todas essas coisas pra gente na empresa.
Fala o nome de todo mundo, porque com 8 mil funcionários, nossa audiência aqui vai ficar louca.
Não, mas é o seguinte, eu falo, eu agradeço a todos em nome deles. Essa eu já aprendi.
Tá ótimo. E tem essa O nome da nossa série, que é AI First, que significa você pensar a partir da AI e não necessariamente só usar AI, é que no momento 1 as pessoas passam a fazer muito mais rápido o que elas já faziam. Isso dá uma sensação boa, né? Então as apresentações ficam melhores e tudo mais e tal. E depois você vai percebendo que na verdade você não precisa reproduzir aquilo que você reproduzia porque aquilo já não é mais necessário. Você passa a simplificar a tua jornada e eventualmente melhorar a qualidade daquilo que você está dedicando o seu tempo. E eu percebo que as pessoas passam por esse processo. Primeiro, um processo de um superpoder. Você faz qualquer coisa, você planeja uma viagem, você executa uma tarefa, você analisa dados rapidamente e depois você vai percebendo que já não é mais necessário fazer isso. Por quê? Porque você processa as suas informações na inteligência artificial e manda para alguém. E a pessoa recebe e processa na inteligência artificial para compreender. Então são dois agentes conversando um com o outro, não são duas pessoas, né? Você percebe um pouco isso, André? Assim, à medida que você deu o poder para as pessoas e a maneira como elas começaram a dirigir o carro novo assim?
Vamos ser autênticos nessa conversa aqui. Você, quando me mandou ontem às 10 da noite a pauta, você fez na munheca ou usou AI?
Não, mais do que isso, eu fiz na AI, mas eu falei assim, eu vou mandar para o André antes para ele rodar, dar tempo de rodar na AI dele.
Mas é óbvio, e eu rodei numa Perguntei tudo que ela sabia e tal para criar aqui os possíveis caminhos para a gente bater um papo e joguei em outra para ver se validava, né? Mas eu quero dizer para você uma coisa que eu não tô gostando. Ficou muito fácil da gente produzir todos esses slides com tantos dados e etc. Eu tenho impressão que a gente tá se perdendo um pouco no que a gente quer comunicar. Eu vejo que hoje em dia, quando alguém tem que trazer uma apresentação para a gente lá na diretoria, aparece esses PowerPoints com 53 slides, sai uma lágrima do olho, né? E eu preciso de resumo executivo, gente, senão eu não consigo processar tanta informação. Informação. E eu percebo que os slides estão cada vez com mais dado. Na verdade é um slide, mas tem informação que poderia estar em 10. Então eu acho que a gente tem como comunidade aí é tomar um pouco de cuidado com o uso das ferramentas para fazer as apresentações, para a gente não perder o foco do que de fato é crucialmente importante em cada nível hierárquico. Veja bem, se o Lauro é o CEO de tantas empresas que levam tantas coisas com tanta complexidade, O Lauro consegue processar um resumo de uma página. Não adianta mandar para o Lauro 45 páginas, ele não sabe nem onde achar a informação mais importante. Então eu acho que tem um risco na AI da turma ir se perdendo com essa facilidade de produzir conteúdo e no final nem comunicar o que é mais relevante.
E tem um outro erro aí, que é o jeito que ela se comunica, o tipo de comunicação é um tipo de comunicação que tem vícios de linguagem, né? Tem muitas antíteses, tem muita travessão e tudo mais. E aí você percebe que os conteúdos vêm menos autorais e mais replicados. Então, acho que também tem um outro aprendizado aí de, ok, né? Você tá utilizando inteligência artificial para reproduzir aquilo que você essencialmente gostaria de reproduzir, não uma camada que não é exatamente você, é uma mistura de você, mas é muito mais a AI do que você, né? Exato. Ô, Lauro, me conta uma coisa. No teu setor, assim, o que que você viu de interessante nessa área que você falou, uau, isso aqui vai mudar, assim, tem uma influência grande para o nosso negócio?
Olha, a gente faz muita análise regulatória, por exemplo, então é muito produtivo, né? Inclusive, até vinculando aqui com o ponto que o André colocou agora, usar ferramenta em ganho de produtividade é diferente de usar ferramenta para te livrar de um problema.
Né?
Você não adianta, como ele bem colocou, concordo super com ele, você tem que saber sua audiência para saber o que você vai apresentar. Você tem que conhecer sua audiência. E não adianta você vir com 50 slides porque audiência não vai ler e vai perder atenção no terceiro slide. Então, que mensagem que você tá passando se você não tem, se você não preparou algo que tem essa capacidade de passar mensagem? E Quando a gente usa as ferramentas hoje de AI, mas apesar de estarmos no início da jornada, já tem muita gente usando, a gente usa muito com o objetivo de melhorar produtividade, chegar mais rápido nas conclusões e facilitar a tomada de decisão, não necessariamente sem checar. Então isso também é outra coisa que é muito importante, seja através de usar duas ferramentas, seja através de você conferir a fonte e tudo mais, mas ter certeza de que aquela informação é fidedigna. O ganho de produtividade para muitas das coisas do nosso segmento, voltando o fato dele ser regulado e que eu sou meio engessado, ele é o principal objetivo da gente em desenvolvimento de novos projetos. Tem um monte de ferramentas hoje que podem ser utilizadas e formas de você utilizar essas ferramentas para poder melhorar a tua tomada de decisão. Então eu hoje, eu tenho que pensar em posicionar uma usina num determinado local, eu tenho que encontrar um terreno, eu tenho que encontrar um terreno que tem baixa complexidade ambiental para que eu possa licenciá-lo, eu tenho que encontrar um terreno com essa característica que seja próximo de uma subestação que tenha margem de escoamento, Todas essas fontes, muitas dessas fontes são públicas. Você tem que saber procurar. E se você não tem uma ferramenta para te entregar isso rapidamente, você perde muito tempo. E aí você perde competitividade, porque leva tempo para informação chegar e você não consegue trabalhar ela ao seu favor, tá? Então não existe uma, não existe uma uma varinha mágica para esse negócio. É tentativa e erro mesmo. É você buscar as ferramentas, saber se aquilo funciona, saber o que que não funciona, passar para o próximo estágio e evoluindo na solução. Toda solução para qualquer rotina, qualquer processo, qualquer empresa, ela vai ser customizável. Não tem como você fazer uma coisa, pegar da prateleira e aplicar imediatamente. Vai ser customizável. Sem essa customização você não cria diferenciação. Você tem que saber o que você precisa e aí essa customização é fundamental. Então a gente tem, a gente tem tateado em várias ferramentas e o grupo dessas ferramentas é que a gente constrói as soluções que nos ajudam.
Basicamente a gente tá falando de informações complexas e dispersas. Para você coletar, você já tem um desafio. Depois, para você processar essas informações e ter um resumo claro também é um outro desafio. E de repente a jornada vai te antecipar e vai te facilitar um pouco nessa caminhada.
E fazendo um link com o que o André colocou aqui antes, entenda a sua audiência, saber o que você quer. De nada adianta eu ter uma porrada de ferramenta aqui que eu não sei Vou usar para quê se eu não sei onde é que eu quero chegar? Você tem que saber onde você quer chegar para poder usar as ferramentas corretas e saber fazer com que elas trabalhem a teu favor. Isso eu acho que nós estamos no começo da jornada de AI no mundo, para a humanidade. E esse processo agora, ele é um processo contínuo também. Você não vai chegar agora, eu descobri, eu consegui formatar minha AI, então daqui para frente eu não preciso mais mexer nisso, a minha empresa vai bombar daqui para frente porque vai ganhar produtividade. Não, isso é um trabalho contínuo, é que nem médico, você todo dia estuda, não tem jeito.
Não tem bala de prata, né? Não tem bala de prata. E eu penso também no teu setor que toda a parte que envolve a gestão da produtividade das usinas, porque envolve fluxos hídricos e uma série de outras variáveis, né, que no mundo vem mudando e isso, né, a gente percebe o tempo inteiro que o volume de concentração de chuvas é maior do que não sei quantas vezes na história, enfim, tudo isso vai mudando, imagino eu, além da questão regulatória, o manejo que você precisa ter para tirar a melhor produtividade de todo esse parque gerador de energia, né? Além também da gestão das manutenções, além também da produtividade como um todo. Nessa área, você acha que também tem oportunidade?
Tem oportunidade, você não precisa nem utilizar ao meu modo de ver, ainda leigo em muitas coisas. Talvez pessoas que venham assistir aqui que sejam mais, mais tech possam me criticar nesse aspecto, mas o que eu vejo é que você não precisa nem ferramentas tão evoluídas para ter melhores respostas para isso, porque já tem muita tecnologia embarcada nesses aspectos. A tecnologia de sensores hoje é fenomenal. Empresas hoje que a partir de sensores conseguem ter informações muito mais evoluídas sobre o funcionamento de equipamentos já existem aos montes e muitas delas inclusive brasileiras. A Delfos é uma, fazendo um merchan aqui da Delfos, a Delfos é uma que a gente usa e que é uma empresa fantástica nesse aspecto de preditividade de funcionamento e de, para melhorar ciclos de manutenção dos equipamentos, por exemplo, a partir de informações do que o próprio equipamento gera, ela já tá lá disponível. É como você colhe essa informação e processa ela. Isso já existe há anos. Hoje a gente já consegue ter um nível de monitoramento e de acompanhamento da nossa matriz de equipamentos super evoluída em função de tecnologias que já existem. Esses caras podem trazer inovações. E que nós vamos adotar, nós vamos utilizar. Eu não sou uma empresa de serviço, eu sou empresa de aderir a soluções que existem para melhorar a entrega para o meu cliente. Eu não sou uma empresa de criar inovação. Quem cria inovação normalmente é um fabricante. Então eu tenho que estar pesquisando por essas inovações para jogar no meu negócio, no meu segmento, no meu setor, e tentar melhorar a qualidade do produto que vai para frente.
André, e no caso da Engieform, você falou dos embaixadores, né, que são pessoas disseminadoras de conhecimento, mas AI tem um processo de primeiro aprendizado para depois passar pelo processo de eleição dos embaixadores, depois decidir quais são as iniciativas. Como é que envolve as pessoas nessa jornada assim? Porque não é sobre pressão, né, sobre influência.
Exato. E principalmente as pessoas acreditarem genuinamente que isso aí faz sentido. Eu sou um dono de empresa, um CEO apaixonado pelo tema de cultura. Inclusive, a última vez que passei por aqui falamos um monte sobre cultura, propósito, junto com a Pri, né? E quando a gente fez 47 anos, a gente criou a Academia Ingeform, que inclusive fez 3 anos agora, dia 14. A gente celebrou os 3 anos da academia.
Eu vi que você fez uma postagem sobre os 3 anos da academia.
Ficou legal essa postagem, pessoal. O pessoal de comunicação é muito criativo lá. E acho que a gente falou, a academia falou bastante do que representa, a quantidade de horas investidas. E a gente não pode parar com isso. Doni, não é porque você pegou e fez um letramento sobre AI, chamou os maiores especialistas pra fazerem não sei quantas horas sobre AI, que passado um tempo você não vai ter que voltar e falar de novo, porque tudo mudou. E pessoas também entraram na empresa, alguns saíram, né? Isso é um rito constante na academia que forma pessoas nessa direção. E agora, como a gente tá celebrando 50 anos, 5 empresas, tentando operar mais como holding, né, num outro olhar, vem a importância do tema do CSC. E a gente quebrando a cuca sobre o CSC, a nossa visão empresarial é ser uma empresa referência em gestão e desenvolvimento de pessoas. Começa assim a nossa frase. Academia forma pessoas. Referência em gestão, Duane, a gente sempre traz os consultores com quem a gente aprende. Nesse caso, estamos trabalhando com Álvares Marçal e discutindo muito como é que a gente vai operar o nosso CSC, como a gente vai operar mais como holding. E o que eu mais gostei na apresentação dessa semana é que eles identificaram 60 lacunas em processos que eu posso automatizar e usar AI. Uma das coisas que assim me pôs outro sorriso no rosto no CSC. Não, a gente tá implantando, a gente tá fortalecendo o CSC. Eles olharam as verticais, olharam elas operando em sinergia, e tem 60 boas oportunidades para a gente discutir, automatizar e aplicar as ferramentas de AI. Então eu volto no tema: vamos nas pessoas. Como é que os embaixadores trabalham? Como é que eles compartilham conhecimento? Como é que eles atuam nas áreas como protagonistas e sponsors? Eu volto nas pessoas. No final pode ter toda AI, mas as pessoas vão ser sempre protagonistas desses processos, dessas mudanças, dessa aceleração.
E como é que você acha que na tua empresa as pessoas estão percebendo esse movimento, assim, do bate-papo que você tem com elas?
Tá gostoso, é um tema que é recorrente, aparece nas nossas reuniões de alinhamento e cultura. A gente tem uma reunião que entra todo mundo no Zoom, as lideranças, e faz as atualizações. A gente tem os boletins mensais que explicam os avanços, tem os grupos trabalhando como grupos focais. Então é uma coisa que foi de adormecida há não tanto tempo atrás, há quase 2 anos atrás, assim, andando em passos muito lentos, pra uma coisa que tá agora numa velocidade de cruzeiro que eu gosto bastante. Só não sei onde vai nos levar.
É o início, né? Agora, você falou desse projeto com a Álvares e Marçal, e se você puder falar um pouco assim Qual era o objetivo que você tinha na hora de chamar eles e identificar essas oportunidades? Se é um projeto que olha processo e tecnologia, se é mais voltado para tecnologia. Dá uma visão assim do flow que você espera dessa iniciativa e se você puder falar um pouco.
Não, eu posso sim, com prazer. É sempre legal a gente poder aprender, né, Doni? A gente gosta de viver essa vida aprendendo e eu me vejo agora indo para um lugar que eu sou um CEO em formação, porque eu até já tava muito tempo na cadeira de CEO da engenharia, tava confortável nessa cadeira fazendo a empresa evoluir na direção que a gente queria conforme estratégia. Mas agora eu passo a atuar como presidente da holding, e ali como presidente da holding eu tinha muito mais dúvida do que certeza. E uma das coisas que essa empresa de consultoria vai fazer conosco é trabalhar essa estratégia, essa visão de como operar com como holdings, assim, com empresas em sinergia, e ver como é que a gente também, com o CSC mais bem estruturado, processos mais bem organizados, a gente pode ir numa direção diferente.
Que basicamente é, você tocava engenharia, mas tinha aqui a holding sendo tocada, no caso, pelo seu—
Não, a holding não tinha ainda.
Não tinha ainda o papel dela.
Não tinha, não tinha.
Eram operações independentes.
Operações independentes.
E aí, como você já tem um CSC, e você tem as verticais agora, talvez você tenha oportunidades diversas de aproveitar ainda mais o que é comum entre as empresas, o que são oportunidades, etc.
Exato, estamos no meio dessa jornada, é um projeto de 12 semanas, foram as primeiras 4 e estamos firmes com eles, porque a gente entende que muito do que precisa acontecer eles vão nos ajudando, mas nós internamente temos que produzir o conteúdo, aportar as nossas horas, dedicar bastante profundidade ao nosso trabalho para tirar o melhor resultado do projeto.
Legal. Lauro, e o seu time de liderança com esse assunto de AI? Assim, o que que você já percebe? Qual tipo de provocação você faz nessa área? O que você já tem percebido assim de mudança? Porque isso não é só da empresa, isso é do mundo, né? O mundo opera com AI de uma maneira muito mais intensa do que era um ano atrás.
Eu acho que uma das principais características que todo CEO tem que buscar quando constrói o seu time é buscar pessoas que sejam curiosas e que queiram aprender mais. Isso é algo que é fundamental. E nesse aspecto, a gente teve muita sorte de tomar boas decisões nesse tema. Nós temos lá um grupo de lideranças que é extremamente engajado nessa jornada. E pessoas que inclusive estão, conseguem dialogar com os consultores de igual para igual. Isso ajuda muito.
Eleva o nível.
Eleva o nível, quebra a barreira mais rápido, você consegue desenvolver soluções num ritmo muito mais intenso, porque você não perde tempo tentando aprender ainda, você já sabe o que que é, o que a outra pessoa tá falando, consequentemente o nível de, o ritmo de implantação disso ou de decisão do que funciona ou não funciona muito mais rápido também. E essas pessoas estão alinhadas com os objetivos da companhia porque são líderes. Então, quando você tem uma governança, que eu tenho certeza que a IG Form também opera dessa forma, quando você tem uma governança onde você tem um nível de liderança alinhado com os valores e missão e valores da companhia e os objetivos, tudo flui muito mais fácil. Quebrar barreiras. Quando a gente fala de AI para as organizações, quebrar a barreira da novidade, quebrar a barreira do medo, isso é algo fundamental, né? No passado, como se fazia gestão no passado, era de cima para baixo, vai ser assim porque eu tô mandando e tal. Hoje em dia não é mais assim. E não é mais assim porque nós todos evoluímos, né, como executivos e como empresas. A gestão hoje é muito mais colaborativa, então a gente precisa dar conforto para aquelas pessoas, os colaboradores, que são as pessoas que realmente fazem a coisa acontecer no dia a dia. Precisamos dar conforto para eles que aquela ferramenta vem para ajudar e não para ou tirar o emprego dele ou ameaçar o status dele ou coisas desse tipo, porque todo mundo tem sua vida, todo mundo trabalha buscando os seus objetivos de vida e a gente tem que respeitar isso. E o engajamento, ele depende de quão bem você trata o seu colaborador, o seu parceiro ali. Portanto, a cultura da implantação de ferramentas tecnológicas na empresa, ela tem que partir de um ponto de colaboração, ela tem que partir de um ponto de melhora para todos, melhoria para todos, todo mundo sai ganhando. Todo mundo tem que entender que isso é assim. E de fato, se não for, se essa não for o objetivo, você não vai conseguir implantar nada.
Se você me permitir, claro, não tem jeito, Lauro. Assim, na nossa empresa, quem lidera essa área é o Dárcio Gustavo, faz um trabalho maravilhoso. Mas não adianta ele como, eles como líderes de área, se eles não puderem trabalhar de forma colaborativa, em parceria, como equipe, né, Doni? Eu sonho em ter equipes que jogam muito bem, sabe? Trabalho muito para isso. A Copa do Mundo nos deu uma aula, que não adiantava ter talentos individuais como a gente tinha na seleção do Brasil quando a equipe da Espanha jogava tão afinada, tão entrosada.
E até menos bonito, né?
E menos bonito, muito menos bonito do que o Vini correndo ali pela esquerda, mas enfim. Um dos meus sonhos como CEO é realmente que a gente consiga jogar entrosado, todo mundo. Tá lá a turma da TI, de AI, mas eles estão sempre com as áreas fim colaborando. E aí esse entrosamento da seleção da empresa passando bem, Que eu acho que a gente busca na implantação de projetos, equipes que jogam assim muito entrosadas. Esse é um dos desafios que eu acho dos mais divinos e dos mais complexos. Quem conseguir isso empresarialmente ganha a Copa do Mundo.
É, eu acho que uma das coisas que mudou muito, né, é que a tecnologia saiu da TI, né? A tecnologia tá no negócio agora, e cada vez menos você vai precisar de especialistas para tentar resolver problemas que a tecnologia resolvia, porque você tem os agentes, você tem respostas que são rápidas e tudo mais. Mas eu ainda percebo, inclusive na juventude, tá, que é necessário empurrar um pouco assim, não é tão natural as pessoas saírem utilizando. E aí eu me peguei em algumas situações, quando vinha alguma coisa para ser apresentada, por exemplo, me peguei perguntando como aquilo foi construído. E muitas vezes eu percebi que aquilo tinha sido construído de uma maneira ainda, não vou chamar de analógica, mas ainda sem utilizar o potencial que a inteligência artificial acaba oferecendo para todo mundo. E uma das decisões é: vamos fazer juntos. Primeiro, eu precisei aprender, não sou um expert no assunto, obviamente, mas eu precisei aprender minimamente para poder trocar de igual para igual e poder dizer que determinados caminhos, por exemplo, numa área de atendimento, tem um monte de coisa para ser feita, uma forma interessantíssima de poder compilar dados, resolver problemas que são de nível muitíssimo operacional, etc., e ajudar a fazer da primeira vez. E eu percebi não uma resistência, mas uma sensação de, puta, nunca ninguém entrou aqui na minha mesa, no meu jeito de fazer. Isso gerou um certo desconforto que eu tentei resolver com confiança. A gente não confia um no outro, então não tô aqui para te colocar exposto para nada. A gente tá aqui, tô aprendendo junto com você e tô fazendo umas coisas aqui. Vamos Vamos fazer junto? Faz de lá dessa vez, volta aqui, vamos dar uma olhada. Isso é um sinal de resistência. Eu queria que vocês falassem um pouco sobre o que vocês perceberam e como é que vocês estão— André, poderia começar por você? Como é que vocês estão demovendo essa barreirinha? Porque eu acho que ela é natural e ela é presente, assim, não dá pra dizer que ela não existe.
Bom, vamos primeiro pensar assim no quanto o Lauro e eu temos que honrar os nossos mais velhos. Né, estamos aqui como segunda geração porque os nossos pais abriram a floresta para nós e começaram tudo do zero. Deve ter sido muito mais difícil do que a gente que chegou como segunda geração. E claro, transformamos as empresas, abrimos outras empresas, empreendemos, né? E é normal que quando a gente chegue, por exemplo, ao nosso conselho, aos nossos comitês, onde tem as pessoas mais experientes, a gente encontre alguma resistência. E acho que a resistência vem do medo da gente ou errar e não corrigir muito rápido, ou daquela inovação, transformação, uso de AI não trazer o resultado que seja tão surpreendente. Acho que nesse lugar que o jovem quer acelerar muito e que o pessoal mais experiente tem algum receio, é, acho que é aí que tá a diferença das gerações, essa dificuldade da gente às vezes encontrar o ponto de equilíbrio. Agora, qual que é o melhor jeito deles também aprenderem com isso? Eu brinquei muito lá com o nosso time, se cada um pegasse 15 minutos por dia, a empresa oferece, para trabalhar fuçando as ferramentas de AI. O que tem de curso na internet é uma barbaridade. Você vai no YouTube, vai lá na página da Microsoft, vai na página da Anthropic, tem infinitos cursos. Você pode ser um grande autodidata com um pouco de curiosidade, que você falou, e 15 minutos, o seu próprio letramento vai muito longe. Então É o tema do protagonismo. A empresa pode te oferecer muita coisa, mas você também pode ser autodidata, você também pode avançar nessa direção. E isso eu converso até com os meus mais experientes, porque eu quero que eles também estejam mais perto de tudo isso. Isso é o mundo de hoje, esse é o mundo contemporâneo. Não adianta a gente pensar que a comunicação vai acontecer via fax.
Verdade. E você, Lauro, como é que é essa coisa da resistência? O que você percebe? Como é que você trabalha isso na sua empresa?
Isso é engraçado. Eu acho que boa parte das resistências iniciais, elas começam quando aquilo tem um potencial de te ameaçar.
Perder o emprego.
Aí você segura. Não, espera aí, isso não vai dar certo, não é bom assim.
Não é tão fácil assim.
Não é tão fácil assim porque o processo é desse jeito, não vai dar certo e tal. Aí você, beleza. Aí daqui a pouco os caras cometem um erro, dá uma puta de um problemaço lá, um prejuízo. Aí você chega na próxima reunião, e aí, pessoal, estamos preparados ou não estamos? Aí os cara ficam sem argumento. Então você tem que saber ter a sensibilidade de usar o momento adequado para passar a mensagem. Tem coisas que falam por si e tem coisas que você tem que forçar um pouquinho mais.
Nada como um fracasso para colocar a gente no lugar certo para aprender, né?
Que inclusive fracassos são muito importantes para você passar uma cultura positiva. Eu nunca penalizo ao ponto de demitir as pessoas quando erros acontecem. Essa pessoa pode sair quando o terceiro erro acontece, porque se ela não aprendeu mesmo, inclusive, se você não aprendeu é porque novos erros estão permitidos, não tá funcionando.
Ricardo Basaglia, nosso querido colega de IPO, Uma vez foi dar uma palestra na Engenheira Fórmula sobre a cultura do erro. Ela foi uma palestra muito interessante, provocou muito a nossa turma. E aí nós temos, Duane, lá uma intranet que a gente chama da nossa plataforma de lições aprendidas. Faz muito tempo que eu queria tirar o que a gente aprende de forma executando corretamente e principalmente os erros e ter registrado fora da cabeça das pessoas. Então faz já, não sei se uma década, que a gente tem essa plataforma que coloca lá todas as coisas que a gente aprende E o pessoal acessa, são divulgadas as principais histórias toda semana. E agora a inovação com a AI é que a gente ligou isso no OpenAI. E aí quando o cara tá, por exemplo, falando, vamos começar uma obra predial, vamos fazer uma estaca, ele vai fazer uma estaca raiz, ele busca 30 histórias da Engenheiro de como fazer essa estaca raiz especificamente. Mas agora ele consegue pegar a melhor história da Engenheiro e fala, bom, essa aqui, me acha uma semelhante mais contemporânea para eu também ter uma visão fora da empresa sobre lições aprendidas. Então ali é um depositório de muita história de erros e acertos.
Interessante, interessante. Eu acho que você tinha comentado também antes da gente começar a gravar que você vai se comunicar com o time também através de AI, né?
É isso aí. Aí eu tenho que agradecer os meus amigos lá de Harvard, porque um dia num grupo de WhatsApp eu vi um cara testando um conselheiro não biológico Como é que é? Aí eu entrei na discussão, né? De cara, muito questionamento. Isso aí não vai servir pra nada.
Conselheiro do board, né?
Board member. E aí eu fui conversar com o André Rezende, meu amigão. Falei, bom, você tá usando, tá legal, tal. E comecei a desenvolver essa ferramenta. Tô desenvolvendo ela faz quase um ano, com pessoas espalhadas pelo mundo. E tá pronto a minha mente digital, que agora em outubro entra em teste. Com o time da Engefone, podendo conversar com o André não biológico e falando de alguns temas que a gente definiu. E a gente vai ver se isso aí cria valor realmente, se as pessoas se sentem confortáveis ouvindo algumas coisas que eu não consigo fazer com o time que cresceu tanto na escala que eu gostaria. Eu realmente tenho muito prazer de fazer os papos com o André nos negócios, nas pontas, com os times específicos, falar da história da empresa, o momento presente, visão de futuro, fortalecer a cultura, que é sempre a minha principal pauta nos papos com o time. E isso, o meu clone, que tem 52 ferramentas de AI por trás, tá super redondo, vai rodar agora em outubro. Agora, também testamos ele nas reuniões de conselho. Subimos pauta de conselho, subimos os dados, cada um dos conselheiros emitiu uma opinião, e no final a gente pediu opinião também para o clone, se ele tinha uma visão diferente, tinha percebido um dado diferente, ou se ele também confirmava a nossa hipótese. Então, isso é uma coisa divertida, estamos fazendo, e estou contente que a gente está tentando essas coisas diferentes também.
Queria explorar essa questão geracional que a gente começou a falar aqui, e eu percebo que aí tem uma grande mudança, né? Porque é claro que sempre novas tecnologias foram entrando na vida da gente, né? Na nossa vida profissional, a gente viu a internet, né? Depois viu o Big Data, depois viu uma série de outras coisas. E eu percebo que tem uma diferença, né? Eu tenho 48 anos e a gente tem uma idade parecida aqui de vida, né? O André é um pouco mais jovem, obviamente, né, Lobo? Mas a gente percebe assim que a geração anterior à nossa olha para essa tecnologia, pelo menos na minha percepção, como mais uma tecnologia que é legal, mas assim, nada que seja capaz de mudar o ponteiro. E a sensação que eu tenho, eu acho que isso é compartilhado, é de que essa tecnologia ela tem um potencial de transformação muito maior do que várias outras que a gente vivenciou. Várias outras, né? Algo talvez equiparado à invenção da energia elétrica, né? Ou a invenção de containers, né? Parece que não é nada container, mas a movimentação logística do mundo era muito diferente sem containers, né? E não era uma tecnologia tão high-tech assim, é uma coisa Uma coisa muito mais processual e de modelagem do que qualquer outra coisa. Então tem coisas assim que mudaram a história do mundo, né? E aí nesse ponto eu acho que tem uma questão geracional de tratar essa transformação como algo que é mais uma transformação e a gente está olhando para o mundo vai mudar totalmente, né? Então até a gente está falando aqui há uma semana depois de uma comunicação que saiu de um ex-funcionário da Anthropic dizendo que as inteligências artificiais precisam diminuir o seu ritmo de evolução porque elas têm um potencial de acabar com a humanidade em 10 anos. É uma coisa, né, catastrófica, e dita pelos principais líderes, confirmada pelos principais líderes, né? Quando a gente fala dessa questão geracional, vocês sentem isso também? Ou seja, por mais que a turma esteja embarcada, ela não tá totalmente embarcada ou não tá totalmente sensível com essa profundidade?
Eu acho, Duane, que tem diversas formas de você olhar para esse, para esse tema. A primeira é você saber filtrar a informação que chega. Então, cara, essa notícia do cara da Anthropic, você precisa entender que contexto que ele falou isso, como é a personalidade dessa pessoa, o que que ele tava envolvido em fazer, como é que ele é no dia a dia. Tem pessoas que adoram ser catastróficas, né? E aí o mundo vai se acabar. Eu não acho que isso vai acontecer.
Tem aquela coisa que fala, né, tem um problema para cada solução, né?
Mas ele tá tão envolto, tão envolvido com aquele desenvolvimento e acompanhando o que que a solução pode fazer, que ele se transforma num futurista do apocalipse. Aí ele pegou o primeiro microfone que apareceu na frente dele, ele Ele falou. Então tem que saber filtrar, né? Eu acho que o artigo, a fala dele é muito bom para enredo de filme de ficção científica. Daqui a pouco vai sair um, aliás, já tem vários nesse sentido, né? Mas enfim, a geração que tá chegando, ela vai ter uma facilidade de utilizar essas ferramentas muito maior do que a nossa, sem dúvida alguma. Mas cabe a nós inserir a ferramenta no contexto do dia a dia, né? E aí nós estamos falando aqui da relação com empresas. O nosso papel é o papel de começar a adoção e o uso dessas ferramentas e da cultura da inovação nesse sentido.
Patrocinar, né?
Patrocinar.
Motivar.
Patrocinar, né? Forçar, entre aspas, com que isso se transforme que isso se torne uma questão absolutamente intrínseca da cultura das nossas empresas. O AI, ele não é diferente dos anos 2000, quando aconteceu a internet, ele não é diferente de quando surgiu o telefone, ele não é diferente de quando surgiu o carro, ele não é diferente de quando surgiu a energia elétrica e todas as inovações que o mundo já passou. E o mundo vai continuar passando por inovações. É mais sobre o que que isso aqui pode proporcionar e como que eu coloco isso a meu favor, como já disse antes. O que que vai ser a AI daqui a 25 anos? Se põe no ano 2000, olhando para frente, o que que seria a internet? Primeira vez que eu fui—
Teria investido na Amazon.
Não, eu não tô falando nem de investir.
Teria investido na Amazon, só vendia livro. Vendia livros.
Isso é outra coisa que é impossível, porque você não vai nunca saber que a Amazon ia dar o que ia acontecer, o que aconteceu.
Não, mais do que isso, né? Porque vender livro na internet era alguma coisa impensável, né? Porque você precisa da experiência, precisa folhear e tal, né?
Mas, mas você olhando assim, eu fui exposto à internet a primeira vez que eu vi um Explorer, que na época era aquele Netscape, né? Eu acho, num computador, foi até num family seminar, eu acho que lá em Santa Catarina, na década de 90. Colocaram um computador na frente da recepção lá que você podia brincar à vontade. Eu sentei na frente dele, fiquei olhando para aquela tela com a barrinha lá em cima. E agora, o que que eu faço? Tinha a menor ideia de como é que operava aquele negócio. Mas pessoas que já estavam envolvidas olhavam para aquilo e diziam, pô, o que que isso aqui pode proporcionar? Ninguém sabe, mas isso vai dar uma revolução. E tá aí o efeito. Hoje a gente fala de internet como se fala de bicicleta. Verdade. Não é mais mistério para ninguém. E a AI vai ser, um dia vai ser isso, talvez numa velocidade maior, mas vão haver vários desdobramentos. Então, o nosso objetivo é inserir essa ferramenta, essa tecnologia no nosso dia a dia para a gente poder usufruir dela. O André falou uma coisa muito importante que é parte de fato de empresas que têm sucessão. O desafio dos nossos pais ao construir os seus negócios Não só pela época em que eles fizeram, como pelo desafio de você se inserir no mercado de trabalho, se inserir na competição, vencer as barreiras da competição e transformar o teu produto, que é você ou a tua empresa, em ter um diferencial competitivo perante os demais, é muito maior. Pegar ela na inércia, sem dúvida que tem vantagens, Naturalmente tem outros desafios, porque você passa a ser uma empresa menos empreendedora, mais executiva, você tem que colocar processo, rotina, cuidar de cultura, isso tudo que o André mencionou aqui é extremamente importante para estar no outro estágio. E agora que essas ferramentas são talvez até mais importantes, porque no empreendedorismo a empresa quando é pequena você é muito muito mais o teu suor e a tua capacidade de conquistar vendas e desbravar, etc., do que a qualidade das rotinas e processos que você tem instalado, porque são tão poucas, não vai fazer muita diferença. Mas quando a empresa cresce, isso vai fazer diferença. Então a gente entra num estágio de gestão onde esse tipo de ferramenta vai ser extremamente importante.
Pra você, André, essa questão geracional, como é que funciona?
Posso buscar um ângulo diferente?
Obviamente.
Vim aqui pra isso. Quando eu me formei lá no curso da OPM, o meu paraninfo foi o Clayton Christensen.
Falecido?
Bem no finzinho da vida dele. Tinha tido AVC, tinha tido câncer, capaz de— tô tentando resgatar esse vídeo da nossa formatura. E pra quem não sabe, ele é o cara que criou aquela expressão, né, a Inovação disruptiva, né? E livros e livros sobre inovação, o dilema do inovador, né? Mas o livro que eu mais gosto dele se chama Como Medir Sua Vida. How will you measure your life? Você ainda não leu?
Tem 12 itens lá, não é isso?
É como você vai medir a sua vida. E eu fiquei pensando um pouco nas gerações. A gente conseguiu agora, Mauro, criar o nosso conselho de família, tá muito legal. E o conselho de família tem 3 gerações. Os fundadores ali, todos perto dos 80, né, com suas esposas. Nós aqui, os filhos ali, a turma tá chegando mais nos 40, 50. E tem os 8 netos, tudo a molecada. E a gente tem as reuniões do conselho de família, etc., e tem os cursos no conselho de família. A gente tem a nossa academia servindo conselho de família, e lá o tema de AI também tá presente. Agora vamos falar um pouco desse negócio das gerações e AI. Por exemplo, vou pegar o seu Reinaldo, meu pai, Dona Suzana, minha mãe. O que que eles querem aí aos seus 80 com AI, Duane? Eles querem o uso das ferramentas para as coisas deles, ou eles querem bastante hora com os netos? Eles querem refeições gostosas em famílias, curtir os hobbies deles, estarem com as pessoas que eles amam, né? A gente também tem que conectar um pouco esse negócio do desafio da tecnologia e as gerações. Com os desejos verdadeiros deles a cada momento da vida. Porque no final, como diria o professor, como é que você vai medir sua vida? E ele media através da quantidade de conexões que geravam impactos positivos, pessoas que saíam agradecidas depois de um bate-papo como esse. Então eu espero, agora aqui nesse bate-papo aqui com o Duane, a gente possa ter deixado alguma contribuição assim também.
Sem dúvida, presidente. Sempre que eu te encontro é sempre um prazer, sempre saio renovado das nossas conversas. E você tem esse pensamento, você é uma pessoa que olha para a vida com uma visão de longo prazo. Você não olha para a vida como se algo pudesse acontecer somente nesse dia ou nessa semana, né? Eu acho que isso aí você herdou e você tá levando para frente, sem dúvida alguma.
E vivo o meu fórum que a gente fez no Retiro esse final de semana, e o tema era a jornada agora depois dos 50. E aí dá uma mergulhada profunda, que não é o teu caso, né, André?
Tá longe dos 50, né? Nada, já virei essa curva com essa beleza aí. Pessoal, queria falar um pouco sobre como a inteligência artificial mudou aí no dia a dia de vocês, assim, olhando para o que vocês fazem, gestão de equipes, organização e tudo mais. Queria que vocês falassem um pouco assim, o que que vocês estão usando, como vocês estão usando, o que que vocês têm aprendido, o que que vocês já ouviram falar, mas não deu tempo ainda de de começar a colocar?
Ó, a gente aderiu à ferramenta do Anthropic e aí as lideranças passaram, adotaram essa ferramenta e estão inserindo informações do dia a dia que eles usam para, quando eles usam a ferramenta para fazer pesquisa, coisas desse tipo, para interagir, isso vai ficando armazenado na inteligência da empresa. Legal. E aí ele vai pegando essa inteligência conjunta para daqui a pouco, porque ainda tem uma construção de base de dados ainda a ser feita, isso se transformar em alguma coisa um pouco mais sofisticada como pensamento da empresa a partir das pessoas. Eu pessoalmente uso muito o Anthropic para fazer pesquisa. Eu não tô tão avançado quanto o André de ter a, como é que se chama, o conselheiro não biológico, né? Não nesse nível ainda, quero chegar, que eu acho que isso é super legal, mas eu hoje uso muito para fazer plano de negócios, para fazer pesquisa de mercado, para fazer consultas regulatórias, que regulatório para a gente é algo muito importante, que é muito presente no nosso dia a dia, saber o que pode, o que não pode fazer. Mais uma vez, ambiente super engessado, você tem que buscar as brechas, né? Brecha no bom sentido, hein, pessoal? No sentido Como é que eu vou me diferenciar naquilo que pode ser feito e que alguém não pensou? E essas ferramentas, elas têm nos ajudado bastante nisso, e a mim pessoalmente nesse sentido também. Eu tenho uma outra coisa também que eu queria mencionar, que é um traço hereditário, que eu agradeço ao meu pai, O meu pai sempre foi um cara muito inquieto em relação a isso, então inovação para ele sempre foi uma busca incessante. Não inovação tecnológica necessariamente, mas como se posicionar diferente, né? Ele sempre foi muito inquieto em relação a isso, ele construiu essa cultura para os filhos nesse aspecto. Então, para a gente, para mim e para o Pedro, tentar novidades, tentar novas formas novos nichos, novas soluções, novas tecnologias, novidades, sempre foi uma coisa muito normal e natural, algo que a gente busca em função do que ele sempre pregou, né? Se transformou numa cultura além da empresa, muito mais pessoal nossa, minha e dele, e isso facilita muito na hora de trazer novidade para a empresa. Eu confesso que eu estou mais atrasado que o André, Mas não sei não, viu?
Não, ele é filho de Laurão, chama ele às vezes de Tio Laurão. Tio Laurão, um dos primeiros caras do Brasil a fazer o OPM. Olha que o cara tava na vanguarda, um dos primeiros white papers do Brasil. Formou dois filhos brilhantes que estudaram nas melhores faculdades que eu conheço, né? Então ali é assim, como é que é, a fruta boa cai sempre perto do pé, né? Mas eu acho que assim, a gente falou bastante ferramentas, etc. Acho que Eu vou falar uma coisa que é curiosa, né, Roni? Eu, quando penso lá na nossa academia, que forma as pessoas, eu vejo que sempre um tema que angustia muito as pessoas é o uso do tempo, né? Não à toa a gente ouve tanto o tema de burnout, é tanta gente indo estudar psicologia, cuidar das pessoas. E eu desenvolvi uma ferramenta pra fazer gestão do tempo. Mas poxa, André, é uma ferramenta valiosa? Eu acho que é. Eu acho que as pessoas se perdem muito na gestão do tempo.
Essa ferramenta ajuda a gente a aumentar o tempo, André?
Olha, não, eu acho que ajuda a gente a fazer de fato o que você pretende fazer, né? Então você cria o seu tempo do jeito que você quiser, define isso, e aí um agentezinho, um robozinho, te ajuda a te dizer se por dia, por semana, por mês você tá usando o seu tempo de acordo com a sua estratégia. Agora pensa no potencial de você usar isso numa organização de forma exponencial. Pode ter certeza que as pessoas vão colocar mais foco no que é importante e possivelmente, se tudo der certo, no meu sonho, até trabalhar um pouco menos. Porque eles vão trabalhar no que é crucialmente importante com mais afinco, mais qualidade, e de repente vão poder ir pra casa mais cedo, ficar com as esposas, os esposos, os parceiros, os filhos, os pais, e por aí vai. Então acho que uma ferramenta de gestão do tempo pode servir pra isso.
Explorar o ócio criativo.
Isso é muito bom, hein?
Delícia, né? Senhores, agradecer a vocês por essa conversa de hoje, que foi muito boa. Tenho aqui sempre a curadoria do IPOcast, né? Eu olhando para você, Andrezão, aqui, ó, A História da Riqueza do Homem, né? Do Feudalismo ao Século 21. Ô, louco!
Esse eu não li mesmo. Obrigadíssimo.
Esse aqui para você. E tem esse aqui do Max Tegmark, né? Que é A Vida 3.0, falando um pouco sobre inteligência artificial, né? O ser humano na era da inteligência artificial, Lauro. Espero que seja uma boa leitura para você.
Obrigado, Donny.
Obrigado, Donny.
Espetacular.
Eu acho que as histórias de vocês são histórias realmente muito importantes porque ajudam as pessoas que não são do mundo da tecnologia, não são de empresas onde você pode implementar várias tecnologias em várias etapas, mas ao mesmo tempo essa mudança da inteligência artificial ela é uma mudança que mexe com a sociedade como um todo. E foi muito bom poder ouvir de vocês o como isso toca a vida pessoal de vocês, os negócios de vocês, as gerações, né? Porque nem todo mundo precisa realmente conhecer de tudo, mas é importante todo mundo entender que isso é importante para o nosso tempo e de que isso vai mudar o nosso negócio de alguma forma. E eu acho que vocês compartilharam isso aqui de uma maneira muito profunda e muito desafiadora também, porque assim, não me parece ser nada simples. Mas tá na pauta, então é assim que se transforma. E o lifelong learning, né, André, que você sempre fala, né? Então assim, as provocações que a gente acaba tendo para fazer as coisas, elas são sempre oriundas de novos conhecimentos, né? São os novos conhecimentos, né, o que a gente vem aqui conversar, que você ouviu do André, que você fala, opa, vou usar também, vou procurar saber. Isso vai mexendo com a gente, né?
Duane, não posso deixar de pegar esse gancho. Eu sei que muitos dos nossos colegas do IPO adoram ver os podcasts que você conduz, lidera. Reforço o convite aqui, pessoal, participem dos nossos eventos de learning, vão na FGV, na nossa universidade, vão para fora do Brasil, tem muita coisa acontecendo direto. Tem um evento espetacular na China agora em outubro, tem as faculdades na Europa, enfim, que a gente possa participar de tudo isso que o IPO oferece para a gente poder viver nessa agenda de lifelong learning. Eu tô com um compromisso comigo, tentar fazer pelo menos uma vez por ano, até a minha finitude, um evento do IPO para aprender mais.
Eu tô super ansioso, agora em outubro eu vou fazer um curso em Harvard de inteligência artificial para empreendedores e executivos, né? Olhando da, não a visão operacional da inteligência artificial, mas como você pensa a partir da inteligência artificial. E eu já tô me preparando para isso e a cabeça já tá mexendo, então acho que isso isso mexe com a gente, né? E aí depois a gente repassa com a mesma intensidade, né?
Eu tenho o privilégio de ser casado com a Patrícia Báthory, que é uma psicóloga brilhante e autora de um livro chamado Conectados. Então tudo isso que foi falado aqui, inclusive nessa última deixa que você deu, da troca de ideias, troca de experiências, etc., é uma grande verdade. Ela fala muito isso no livro, os benefícios dessa troca e dessa vida em comunidade, em sociedade, de uma forma colaborativa. Foi um prazer gigantesco fazer essa entrevista.
Eu quero meu livro autografado, hein? Um para mim, um para o Duane, da Patrícia, com carinho.
Senhores, um grande prazer, muito obrigado.
Obrigado, Lauro, mais uma vez. Obrigado, Duane.
Obrigado, André.
Obrigado, Lauro.
Mais um episódio da série AI First, hoje falando um pouco sobre os desafios das gerações com inteligência artificial. Se você ainda não assistiu o primeiro episódio, volta lá no canal, né, e assista tanto no Spotify quanto no YouTube. Até a próxima! Para saber mais, acesse o portal exame.com e busque pelo menu do site pelo canal Líderes Extraordinários.
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