Como ZERAR o Desperdício na Obra e Economizar R$ 600 mil com Construção Off-Site | Construecast #200

Three architects discuss off-site construction, which builds 3-5 times faster with nearly zero waste. The Rei Pelé Training Center in Santos was completed in 56 days at 1,056 m², saving R$500-600 thousand on freight alone through factory assembly and optimized logistics.
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Sejam bem-vindos a um episódio especial diretamente da Construir Aí. Eu tô ao lado de três arquitetos para falar dos desafios de projetar em construção industrializada e também de viabilizar esses projetos.
Construir cast arquitetura, engenharia e construção.
Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Ao meu lado direito, Breno. Kleber, Luan. Vou começar aqui com o professor, né, professor de todos nós aqui. Kleber, eu queria que você falasse de forma objetiva o que que é, contextualiza o que que é construção industrializada.
Construção industrializada é tirar a obra do canteiro de obras. Esse é o conceito básico da construção industrializada offsite, fora do canteiro. É um termo que a gente usa do inglês, mas é basicamente essa a ideia. E quando a gente tira do canteiro, a gente tira da intempérie, a gente tira da chuva, a gente tira do sol e utiliza materiais mais leves que removem da equação o artesanal, o trabalho manual que requer habilidade de quem faz, e a gente transfere essa habilidade para a indústria, com a precisão da indústria. Basicamente É esse o processo. Os desafios que advêm dela aí são outros tantos, porque a gente ganha um nível de precisão maior que não conversa tão claramente com a construção civil, ela tem menos precisão nesses casos e a gente tem que encontrar uma forma dessas duas linguagens conversarem. Basicamente é isso.
Então olha que legal, então a gente tá aqui com 3 arquitetos E quando a gente fala de construção industrializada, num primeiro momento quem resolve industrializar já se depara com a questão de custo, porque de certa forma quando eu comparo preço por preço, realmente construção industrializada é mais cara. Agora, falando de uma forma também que você tem o dom da comunicação, Cleber, então eu queria que você trouxesse, falasse um pouquinho das vantagens da construção industrializada E como eu devo fazer essa conta para que realmente eu me convença a construir de forma industrializada?
A primeira coisa que a gente fala, e essa é uma máxima: tempo é dinheiro. Então, quando a gente fala de que tempo é dinheiro, o tempo é uma equação importante da construção industrializada, porque eu construo 3, 4 ou 5 vezes mais rápido. Então, eu não estou falando só do custo direto, porque eu não comparo tijolo com aço, tijolo com painel isotérmico, tijolo com madeira. Eu comparo um produto industrializado que foi pensado para ser montado com velocidade e com precisão para um processo artesanal que tem, entre outros elementos da equação, a cura. Os materiais têm que secar, colar, o cimento demanda 28 dias para atingir, no caso do concreto, a sua resistência máxima, argamassa leva 7 dias para consolidar. E esses prazos fazem diferença nessa equação. A gente tem experiências aqui enormes, o Breno vai poder dizer, o Luan vai poder dizer, de construções que comparavelmente uma com a outra foram incrivelmente mais velozes. O Breno vai te contar aí provavelmente de um CT de um time de futebol cuja equação era impossível na velocidade que ele precisava pro uso que ele precisava dar pra aquele produto. O Juan vai te contar de operações de hospedagem que funcionaram dentro do próprio período do verão que ele precisava pra operar. E essa é a realidade da diferença entre custo de uma coisa e custo da outra.
Então, vamos pro case agora? Fala um pouquinho pra gente qual que era o desafio e como que vocês resolveram com a construção industrializada.
Ah, perfeito. O desafio era, nós tínhamos que montar um CT inteiro para base no mesmo lugar que existiu o antigo, porque o antigo era de 1980, ele tava muito deteriorado. Só que não poderia parar os treinamentos, não poderiam parar as atividades dentro do CT. Então a gente trabalhou esse prazo aí de 60 dias, foi entregue em 56. E a ideia era trazer tudo de uma forma modular, com alguns parceiros que vieram para fazer essa composição. O CT acabou que era maior do que o existente e foram 1.056 metros quadrados montados em 56 dias. E o CT, ele foi desenvolvido todo em fábrica. Nós fizemos uma logística de trazer os componentes de uma cidade do interior de São Paulo traseiro, chassi, a estrutura, né, de outra cidade de São Paulo, unimos em um galpão que era próximo à região do CT. Então boa parte dele, né, quase 95% dele foi montado nesse galpão. Faltando 15 dias ali mais ou menos para o final, aí sim foi demolido o CT antigo, foi feito ali a parte da fundação de uma forma mais simplificada. Até porque a estrutura era mais leve do que a existente. E nós chegamos com os módulos ali em um intervalo de 7, 10 dias para fazer toda essa montagem. Então o desafio era não atrapalhar todas as atividades que rolavam ali e entregar algo com qualidade, algo que servisse mais de um tipo de categoria de base ali, com mais qualidade, tecnologia, inovação, enfim.
Breno, nesse processo de projetar, você como arquiteto, é você que orquestra ali um projeto? Como que vai funcionar toda essa logística? Eu desenhei o chassi, parte de fechamento, você especifica tudo? Por outro lado, a gente tem o desafio logístico. Então é você que orquestra toda essa parte de logística? Como que vai funcionar tudo para que você consiga no final atender esse desafio de prazo?
O arquiteto tem um papel fundamental nisso, até porque nós temos que entender como isso vai funcionar, né? Puts, vai chegar modular, mas eu tenho o desafio da logística, como você falou. Se eu chegasse com 49 carretas, cada uma com módulo, vindo da OCTR em Santos e os módulos vinham de São José do Rio Preto, cara, a gente tá falando de praticamente R$200.000, R$300.000 só de frete. Então trazer eles pré-montados, né, então só o piso e o teto montados e os pilares não. A gente conseguia trazer 14 em uma carreta para essa base próxima ao CT e fazer o restante da montagem ali. Então dessa forma a gente economizou aproximadamente R$500 mil, R$600 mil. Fora isso, não é só o arquiteto que define, tá, tem o engenheiro, tem o responsável pela fábrica, que também vai auxiliar nesse processo. Então toda essa parte de componentes que você vai colocar no projeto é definido pelo arquiteto também e pensando na agilidade. Então, por exemplo, nós trabalhamos com uma estrutura metálica e painéis de concreto a cada 60 centímetros. Então não fazia sentido eu colocar, por exemplo, janelas que elas ocupassem, eu precisasse fazer recortes nos painéis para encaixar janelas. Então a gente substituiu um painel por janela. Isso fez com que a gente ganhasse produtividade, as esquadrias vinham prontas, além de diminuir mão de obra, uma série de facilidades.
E você, na hora que, como você entende dessa parte de industrialização, você na hora de projetar você faz o aproveitamento maior do material, o que resulta também numa economia no final.
Exato, gera economia financeira, gera a questão da sustentabilidade também. Otimização de mão de obra, diminuição de prazo. Então a gente entregou mais de 1.000 metros com 4 dias a menos antes do prazo. Tudo isso com uma série de fatores, uma série de decisões que foram tomadas antes de começar o projeto de fato.
Sensacional! Antes de passar para o Luan, qual foi o fechamento? É teto, fechamento lateral? O que vocês utilizaram lá como solução de fechamento?
Nós usamos estrutura metálica, de aço galvanizado. Nós usamos Light Wall como fechamento, que era um dos parceiros. Nós usamos as telhas da MBP, as telhas isotérmicas MBP como cobertura, e o piso foi de placa cimentícia da Eternit, além de outros parceiros, né, Imprimax, que entrou com a parte de adesivos e identidade visual, enfim, dentre outros parceiros.
Agora vamos passar aqui para o Luan. Agora eu vou passar para o professor fazer esse bate-papo aí, você pergunta para o Luan.
Vamos lá, Luan. Luan é um arquiteto que se preocupou em desenvolver o sistema, desenvolver as famílias. É um cara que melhor desenvolveu todo o conjunto de componentes que compõem o sistema, né? Todos nós aprendemos a lógica de construção de componentes com o Luan. E o Luan tem clareza de como interagir nesses componentes e como eles se relacionam. E através desta solução ele criou projetos lindíssimos, muitos deles em muitos locais, inclusive fora do país.
Eu achei interessante quando vocês falaram sobre a produtividade, sobre a coordenação de pensar o projeto estrutural antes de conceber, pensar nas barras, que é o que a gente hoje como arquiteto precisa fazer, porque como você falou, o metro quadrado ele fica um pouco mais elevado que o convencional. Porque é uma solução pronta, uma solução para um mercado novo. Hoje tempo é dinheiro. Então o arquiteto, ele começa a desbloquear, o arquiteto do novo mercado, habilidades como pensar a logística. Quando eu projetei a casa de Rancho Queimado, a gente teve que fazer, cara, como é que a gente vai subir os caminhões? Qual que é o primeiro caminhão que vai subir? Qual que vai ser o último a descer? Como é que vai ser o primeiro a descarregar? Então a gente começa a desbloquear essas habilidades novas que a universidade não ensina, né? Então é tudo muito novo. Então eu acho muito interessante quando a gente traz isso pra antes, né, bem no início, pra conceber o projeto. O que que eu vou fazer? Uma coisa que é muito comum no mercado é a gente pensar no memorial descritivo no finalzinho do projeto, mas a gente, quando projeta pra industrializado, a gente precisa pensar no memorial bem antes, né? Qual que vai ser a materialidade da estrutura, do fechamento? Que eu consigo prever, como o Breno falou, a paginação dos painéis. Reduzir o recorte, reduzir o trabalho.
E tem um desafio, como na verdade nós estamos trabalhando com materiais tecnológicos e novos, esses materiais têm obrigatoriamente que apresentar desempenho de longevidade, de uso e de velocidade muito maiores do que os materiais convencionais. Então você concorre hoje com uma parede de alvenaria, você concorre hoje com uma laje de concreto, Como é que eu falo para um material que pesa 5, 6, 10 vezes menos que tenha que ter a mesma resistência, a mesma durabilidade, a mesma vida útil e a estanqueidade do material? O material de alvenaria, o material de construção convencional, ele já tem as suas próprias patologias que são conhecidas. Quando você lança um produto novo, A exemplo agora dos nossos carros elétricos, né? O que vai acontecer com o carro elétrico se amanhã a bateria não funcionar? O sistema tá comprometido? Então ele tem que ser melhor do que o material convencional. E nisso esses meninos aqui têm toda habilidade. E o que a gente vai tentar provar ao longo do tempo é que a vida útil é sustentável, que o produto é ecologicamente eficiente, termicamente eficiente. Pra você ter uma ideia, um painel isotérmico como esse que eu tô aqui, ele tem desempenho térmico equivalente, esse painel de 50mm, a uma parede de alvenaria de 1,5m, que é uma coisa...
É um produto pronto, né?
Pode?
Eu tenho uma pergunta, inclusive, Luan, depois pra você, depois que o professor terminar. Você trouxe um ponto da questão do conhecimento do arquiteto na hora de projetar. A partir do momento que esse arquiteto ele tem conhecimento sobre aquilo, sobre aquele sistema, né, ou sobre industrialização, tem um ponto muito importante que é o aproveitamento do material. Porque se a gente se depara constantemente com a questão custo, a partir do momento que o arquiteto na hora de projetar tem conhecimento sobre o aproveitamento de material, isso entra de repente como um fator decisivo.
Total, total.
E qual que é o desafio para você, ao seu ver, no mercado de arquitetura para esse processo de formação sobre o tema industrialização para os profissionais de arquitetura?
Eu acredito que boa parte do profissional da arquitetura, ele precisa passar por uma nova roupagem, que é entender os materiais de construção a seco. O arquiteto, ele já vem de um mercado que exigia pouco de projeto. A industrialização, ela exige muito de projeto. Porque é mais tempo de projeto do que tempo de fabricação. Então o arquiteto ele precisa entender desses novos materiais, novos métodos construtivos e novos materiais de construção industrializada. A gente vai ter uma curva de aprendizagem gigante nesse mercado pelos profissionais de arquitetura. Então ele precisa entender qual que é o tamanho da placa, qual que é o tamanho, quanto que ela pesa, eu preciso conceber uma casa, ela vai transitar aonde? Ela vai ser içada? Ela vai chegar pronta? A gente vai fragmentar ela em painéis? Então o arquiteto ele precisa voltar para essa cadeira de estudante, para entender os novos materiais e poder fazer uma concepção mais eficiente, mais produtiva, mais que vai performar até melhor do que a construção que ele fazia antes.
Então É, você trouxe assim, a gente tá falando dessa parte de aproveitamento de material, óbvio, e aí tem outro ponto também que é a parte logística, que também impacta, né, como o Breno trouxe aqui. E que dica você traria nesse bate-papo, já pra gente adiantar, pra profissionais de arquitetura, pra que ele de fato vá pra essa cadeira de estudante, pra que a gente tenha um ganho e consiga acelerar de fato esse processo de industrialização da construção, porque tudo nasce no projeto.
Exato, eu brinco com vários colegas de arquitetura, profissionais de arquitetura, sempre me pedem, me dá uma dica, né? Eu falo, cara, estudem os materiais de condução a seco, porque isso aí vai te dar um banco de dados para você utilizar no seu projeto, isso vai te ajudar na hora da concepção. Muita gente pensa que arquitetura industrializada ela vai engessar, Ela vai limitar, mas o fator limitante é a falta de conhecimento dos materiais, porque uma hora que ele consegue entender essa parametrização de todos os materiais, o céu é o limite, a gente vira um Lego.
Agora tem uma pergunta para você, Kleber. Quando falamos em industrializar, como ele falou, como o Luan falou, dessa parte de conhecer os materiais. A partir do momento que eu conheço os materiais, enfim, a parte logística, eu acabo tendo mais liberdade para trabalhar. E quando falamos em industrializar, a gente também tem a parte da tecnologia que a gente pode usar ao nosso favor, como por exemplo a tecnologia BIM, enfim. O que que você como professor traria para de recado para a indústria, para ajudar nesse processo também de nova, ou melhor, de formar de novo os profissionais de arquitetura. Eu circulo em vários lugares, enfim, então passo por vários escritórios de arquitetura e realmente a gente precisa trabalhar mais esse processo de formação, assim, e são muitos profissionais que precisam passar por isso.
Construção industrializada é um novo paradigma. É uma grande mudança que requer conhecimento de— os níveis de precisão são diferentes, os níveis de modulação são diferentes. A gente fala de uma coisa que é importante nessa década, que é uma tônica importante, que é sustentabilidade. Hoje, quando o produto industrializado ele é claramente bem projetado, o resíduo que a gente gera é mínimo. Hoje, construção civil tradicional fala em um volume de resíduo da ordem de 30%, ou seja, a cada 3 casas eu jogo uma casa fora. O volume de resíduo de uma construção industrializada, quando bem planejada e preparada na indústria, é quase zero, bem perto de zero. Meu consumo de água é 15 vezes, 20 vezes menor. Então, essas questões Têm que ser analisadas na etapa original de projeto. E isso deve-se ao conhecimento dos materiais. Como é que a arquitetura funcionou até hoje? Eu desenho e entendo o que vai caber dentro, independente da medida. O arquiteto de construção industrializada pensa no desempenho do material, na modulação máxima do material, no maior aproveitamento do material. A gente começa a conceber o projeto a partir desta realidade, porque tem uma preocupação sim de geração de resíduo, tem uma preocupação sim da otimização de recurso. Quando o Breno fala, ah, eu vou criar um cachilho que é do tamanho do meu painel, é porque ele tá otimizando o recurso. Ele não quer desperdício, ele quer velocidade, ele não quer recorte, ele não quer ajuste, ele quer que a indústria converse entre os os demais componentes. Todas as disciplinas têm que se integrar. Então, quando eu falo de instalações, eu sou mais eficiente. Quando eu falo de elétrica, eu sou mais eficiente. Quando eu falo de desempenho térmico, é, uma parede de desempenho térmico eficiente, ela não usa ar-condicionado, ela reduz a sua carga térmica drasticamente. A minha ventilação cruzada, quando bem pensada, ela reduz drasticamente conforto térmico. Tudo isso está pensado industrialmente. A gente é mais perto da indústria automobilística do que da indústria da construção civil hoje. E isso é a realidade que nós aqui estamos aqui como bastiões para tentar levantar essa indústria na direção certa.
Ô Kleber, e nesse processo de desenvolvimento da indústria, você hoje está representando uma indústria importante do setor, que é a MDP Isobloc. E como que nasce esse processo? Assim, você desenvolve um produto, Automaticamente ele já vai pra uma biblioteca BIM ou primeiro ele tem que passar por um processo de, enfim, de validação do mercado pra depois vocês passarem isso pra biblioteca BIM?
É, o mercado trabalha com dimensões que a gente chama de antropométricas, né? Nós trabalhamos no módulo até hoje americano que é o módulo do pé. Então nossas barras têm 6 metros, nossos conjuntos têm múltiplos de 1,20 m, de 1.200 mm. Todo o mercado de construção industrializada opera sob essa lógica. E aí quando você entende essa lógica e passa a trabalhar a partir dela, você reduz o seu desperdício. Então você vai pegar a modulação do steel frame e do drywall, ela é múltiplos de 400 mm, 300 mm ou 600 mm, que é sempre um múltiplo do pad de 0,3, é 30 centímetros, tá? Com essa lógica, entendendo essa lógica, o desperdício tende a se reduzir a zero, né? Ou bem perto disso. Toda indústria metal, metalúrgica, de madeira trabalha sob essa lógica. E aí todos nós, entendendo essa lógica, fazemos isso. Lembrando que esses materiais são infinitamente mais leves. Então todo o volume de concreto armado é significativamente menor, né? Nós estamos falando de uma casa de construção convencional, não que eu tô dizendo que ela não seja viável nem boa, ela é boa, realizável e tá aqui há mais de 500 anos, mas a gente tem uma demanda, escassez de mão de obra, velocidade, questões ambientais que são importantes. Uma casa de construção industrializada pesa 5 vezes menos. Nós estamos falando de uma casa de 1 tonelada por metro quadrado em alvenaria para uma casa de 200 kg por metro quadrado em materiais alternativos industrializados. E isso é uma grande diferença, né? Eu falo de um painel que pesa 5 kg por metro quadrado contra um painel de alvenaria que pesa perto de 200 kg por metro quadrado, com desempenho térmico superior ao painel de alvenaria. Eu insisto, não estou dizendo que um material é pior ou melhor, eles são diferentes.
Não, sensacional. Agora só pra gente fazer a última, pra fechar aqui, você traz essa parte da união ali da parte de arquitetura com a indústria. Como que foi o processo lá no CT Rei Pelé, lá em Santos, essa comunicação entre arquitetura e indústria? Para poder viabilizar aquele projeto nesse prazo recorde?
Não, perfeito. Na verdade, no caso do CT, a gente tinha um prazo muito apertado. Então a conexão precisou ser constante e o bom relacionamento, o bom entendimento do projeto, de cada componente, foi um diferencial. Nós precisávamos, dentro de um determinado prazo ali, tá sendo bem claro, A gente fez o projeto de modulação todo em no máximo 7 dias, mas assim, virando noites, contato constante. A gente já sabia que componentes também seriam utilizados, já sabíamos o tipo de módulo, qual que era a espessura da parede dos pilares, qual que eram as espessuras dos pilares, das vigas, como eles iam ser colocados, como eles seriam acoplados. Como cada componente seria fixado naquele painel. Depois a gente fez um estudo logístico para entender como ele seria colocado no espaço onde vai ser, onde era o CT, né? Então nós fizemos, utilizamos dois guindastes ali porque o módulo era um pouquinho mais pesado do que o convencional, até para suportar um trânsito maior de pessoas. E essa conexão com a engenharia ela passou de não só detalhes de projeto, mas basicamente o desenvolvimento de um novo sistema, tá? Puxando um pouquinho do gancho do que o Luan falou, a construção industrializada ela não te limita. Se você conhece bem os materiais, se você conhece bem as possibilidades, você às vezes cria um sistema diferente do que já foi utilizado no mercado. Você cria novas possibilidades, cria novas oportunidades de se trabalhar e assim acelerando, trazendo mais qualidade, diminuindo o desperdício e tudo isso pra gente ter mais qualidade, uma entrega muito mais rápida.
Sensacional.
O arquiteto, ele já é criativo por si só, né? A universidade ela traz isso como arquitetura, da gente pensar fora da caixinha. Mas quando ele entende a regra do jogo, ele vai conseguir criar novas soluções, vai puxar mais a engenharia. A engenharia ela vem sendo puxada por novas criações de arquitetura, né? Então eu acho que é isso que o Breno falou mesmo.
Luan, e você tá em São Paulo?
Floripa, Florianópolis.
Posso fazer um convite, professor, para ele ir lá no nosso estúdio fazer um bate-papo lá mais aprofundado, para a gente de alguma forma ajudar estudantes e também arquitetos já que estão aí no dia a dia?
Vamos marcar.
Então tá convidado já. Agora suas palavras finais para a gente encerrar esse episódio.
Eu quero agradecer o convite aqui, né, a oportunidade de estar sempre falando sobre construção industrializada. É um prazer, eu acho que para todos aqui. E é isso, vamos marcar a conversa para a gente papear mais sobre construção industrializada.
Bacana, eu acredito que a industrialização é o caminho para a gente resolver esse problema de déficit habitacional que o país vive. Agora, professor, suas palavras para a gente encerrar esse Esse episódio aqui com 3 arquitetos, eu tô me sentindo arquiteto.
É, em casa, né? Cara, acho que assim, o que eu falo nas minhas palestras é: tempo é vida. E a gente tá falando de tempo. Hoje a velocidade que as coisas acontecem, a velocidade que o tempo passa, ela é incomensurável, não dá pra contar. E quando a gente fala de esperar pra ter o sonho da casa, por exemplo, em 10, em 12, em 14 meses, não sei se cabe no tempo de hoje, desse imediatismo da nossa vida. E a gente tem tanta coisa pra realizar, tanta coisa pra viver. Então eu acho que a construção industrializada veio pra ficar e pra criar possibilidades da gente viver melhor e mais.
Olha aqui, fechamento. E aí, Breno, olha a responsabilidade que você tem agora. E antes de você falar suas palavras finais, o Kleber falou, trouxe um ponto aqui importante, que é tempo. Antes, Kleber, quando a gente pegava um trabalho numa obra, as pessoas tinham receio de entregar rápido porque aquela pessoa podia achar que o cara tava ganhando muito, quando na verdade quanto mais rápido menos entrega, é menos transtorno, a pessoa vai ocupar aquele lugar muito mais rápido. Então a construção também é tempo, industrialização traz isso para você. Breno, suas palavras finais.
Nossa, que responsabilidade, né? Podia ter deixado o professor por último ali, porque não, eu queria agradecer o convite, poder falar sobre construção industrializada é realmente um prazer. Como o pessoal falou, é um caminho sem volta, uma economia de tempo, de qualidade, de... Cara, são muitas possibilidades que você tem pra trabalhar, sabe? É uma infinidade de produtos, é uma infinidade de projetos, de coisas que você vai pensando. Quem entrar assim, que é um caminho sem volta, vai se apaixonar e, cara, vai trabalhar de uma forma super... Não vou falar que é super tranquila, né? Tendo certeza que você vai entregar para o seu cliente o melhor ali, sabe? Então é isso. E novamente queria agradecer o convite por estar com essas feras todas aqui.
É, e na terceira vez vai pedir música, né, Brando?
Terceira vez eu peço música.
Esse foi mais um episódio diretamente da Construir Aí aqui em Balneário Camboriú. E uma coisa importante: conhecimento também se constrói. Então se você quer ajudar alguém a construir conhecimento, compartilhe este episódio. Com quem você acredita que pode, de alguma forma, ajudar.
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