Construção Industrializada no Setor Público: Desafios e Inovação em SP | Marcos Monteiro (SIURB)

Neste episódio do ConstruiCast, o apresentador Paulo entrevista Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, para discutir a adoção da construção industrializada no setor público. Marcos apresenta um panorama das barreiras históricas – volatilidade econômica, escassez de mão‑de‑obra qualificada e a predominância de soluções pontuais – que limitam o avanço da industrialização, que atualmente representa cerca de 15,7 % das obras no Brasil. Ele destaca a importância cultural do mestre de obras como elo entre canteiro e gestão, apontando a perda de atratividade da profissão e a dificuldade de formar novos profissionais. São citados casos concretos da prefeitura: reservatórios e tampas pré‑moldados, escolas pré‑fabricadas, estações metálicas do BRT Radial Leste/Aricanduva e a ciclopassarela Érica Salom, ilustrando como diferentes tipologias (concreto, aço, madeira) podem ser combinadas. Marcos esclarece a diferença entre pré‑moldado (no canteiro) e pré‑fabricado (fábrica) e enfatiza a necessidade de planejamento logístico antecipado. A tecnologia é abordada em três frentes: inteligência artificial para apoio administrativo e análise de alternativas, BIM como ambiente de modelagem 3D enriquecido com dados de materiais, produtividade e sequenciamento, e a criação de um grupo BIM interno com diretrizes de licitação e precificação. Ele também comenta os entraves da gestão pública – rigor de controle, risco de erro e necessidade de estudos-piloto – e indica que obras lineares (drenagem, canalização) e estruturas metálicas são as que melhor se adaptam à industrialização, apesar do custo inicial mais alto, que se compensa em custos indiretos e redução de mão‑de‑obra. Ao final, convida o público a visitar a Modern Construction Show e reforça o compromisso da secretaria com transparência e comunicação com a população.
Chapters
Construção industrializada no setor público é o tema do bate-papo de hoje.
Construi, cresce arquitetura, engenharia e construção.
Este episódio é um oferecimento Hub e Construção. Sejam todos bem-vindos a mais um episódio diretamente do Distrito Aimbi no Modern Construction Show. Hoje eu recebo Marcos Monteiro, ele é secretário municipal de infraestrutura urbana e obras de São Paulo. Marcos, seja bem-vindo para esse bate-papo aqui para a gente conversar sobre construção industrializada no setor público.
Obrigado, Paulo, muito legal estar aqui com vocês, ter a oportunidade de falar um pouco do que a gente tem feito na cidade de São Paulo, com as obras, as dificuldades, os benefícios, né, que essas obras vão trazer para a população.
Marcos, eu tô falando aqui com profissional da construção civil, então isso me deixa muito à vontade. Você pode só se apresentar um pouco? Quem é o Marcos? Antes da gente entrar no tema propriamente dito.
Paulo, eu sou engenheiro civil, formei em 88 no Mackenzie. Desde o início, né, da minha carreira mais profissional, mesmo no estágio, eu me especializei na área de estruturas. Dou aula na Mauá, né, na Escola de Engenharia Mauá, na pós-graduação da Mauá também, desde 97, e também alguns cursos no Mackenzie e vivenciando, né, toda essa área da construção civil, mas com meu escritório. E desde 2021, convidado pelo prefeito Ricardo Nunes para participar da gestão como secretário de obras da cidade.
Então você que tá acompanhando, é importante, esse conteúdo ele chega para você gratuito, mas tem uma equipe grande trabalhando para levar informação de qualidade para você. Uma forma de ajudar é dar sua opinião no final, contribua com quem sabe seu conhecimento para a gente deixar esse material ainda mais rico. Agora, Marcos, para você, qual que é a principal dificuldade da gente começar a industrializar mais as obras, principalmente no setor público?
Veja, Paulo, a gente vem discutindo industrialização no Brasil há muitos anos, né? Hoje mesmo, numa das conversas, foi falado que você já tinha experiências de construção industrializada na década de 60. Então, a questão não é que a gente aqui no Brasil não usa, mas são iniciativas às vezes muito localizadas, muito pontuais, que se começa a utilizar, às vezes muda as características de mercado, a correlação de forças entre mão de obra, entre a influência e o peso da mão de obra e dos insumos. Então, nós temos um mercado muito variável de construção civil. Também essa questão, às vezes você está num momento econômico melhor em que a construção civil está maior, está mais capitalizada. Em outros momentos a gente entra em crise. O último momento em que a gente teve a pandemia, a gente achou que a construção civil ia entrar numa ladeira muito grande e aconteceu o contrário. Então a construção civil ela sofre com esses percalços de caminho. Então acho que também por causa disso, porque a construção industrializada, a gente está falando em fazer grande parte da produção em fábricas, o que exige investimento, o que exige equipamento. Então eu acho que uma grande parcela da construção industrializada não avançar numa velocidade maior tem a ver com esses sobressaltos econômicos que a gente tem. Outra questão sempre foi a mão de obra, de você sempre— eu digo que a grande concorrente da construção industrializada é a construção do canteiro, não é um processo executivo, mas é a construção do canteiro, porque a gente sempre teve a mão de obra mais abundante e com isso os valores do insumo, da mão de obra, pesando menos nos orçamentos. E quando a gente fala em construção industrializada, a necessidade de você pegar e fazer investimentos em equipamentos, e isso nunca levou a construção civil a, de forma mais pesada, né, fazer esses investimentos necessários para a gente aumentar esse percentual da construção industrializada, que pelo que eu vi no último índice da da Fundação Getúlio Vargas de construção industrializada, hoje, se eu não me engano, é 15,7% das construções empregam a construção industrializada de forma mais intensiva dentro da construção.
Isso sendo otimista, né?
É, é o levantamento que tem. Se eu não me engano, em 2025 era 14,8%, em um ano chegou em 15,7%, então um crescimento ainda não muito substancial, né?
Ô, Marcos, você acha que também a gente tem uma questão cultural Até porque a gente conversando antes da gravação, eu falei do Mestre Cláudio, que é um cara que ele faz um movimento muito forte ali na região de Brasília, e a gente tá tentando fazer com que as empresas do setor da construção civil olhem mais para esses profissionais que vivem o dia a dia de obra, porque para a gente industrializar a gente precisa quebrar algumas barreiras. E muitas vezes não adianta nada eu aqui no meu escritório projeto algo industrializado, só que lá na ponta quem vai utilizar não tem conhecimento. Então, como que você vê esse lado do conhecimento no sentido de olhar para os profissionais que vivem o dia a dia de obra?
Veja, Paulo, na construção civil, e que eu acompanho questão de obra já desde que eu me formei, até diante de me formar lá em 88, o mestre de obras sempre foi uma figura chave dentro do canteiro. Que é quem faz a ligação, né, entre o pessoal que tá ali na obra trabalhando, os encarregados das diversas especialidades, com o pessoal de gestão que tá ali mais dentro do escritório.
Os tomadores de decisões, esses gestores.
Os tomadores de decisão. Então ele sempre foi muito importante em dar essas diretrizes pras equipes de trabalho de como executar, em qual ordem, e de colocar o canteiro dentro de um processo de procedimentos mais organizados. Então sempre foi uma figura-chave, mas que o que a gente tem acompanhado, até em função dos momentos da construção civil e das alternativas que as pessoas mais jovens têm hoje de outras oportunidades de mercado, se perdeu um pouco, né? A construção civil perdeu um pouco dessa atratividade, então a gente não tem tido mais a formação de profissionais ao longo do tempo. E eu tenho observado nas construtoras, primeiro, a questão de escassez geral da mão de obra e realmente você encontrar hoje esse mestre de obra experiente, que tem essa visão mais geral da obra, que tem essa capacidade de se comunicar adequadamente com a mão de obra, tá cada vez mais raro.
Então é uma escassez, caro e escasso.
Na verdade eu falei caro, né, mas o que a gente tem visto nas funções, mais até em função dessa escassez, o que a gente tem visto nas obras é que os funcionários especializados, né, quem tem uma formação melhor ou tem uma especialidade, então de azulejista, né, e esses profissionais principalmente de de acabamento tem sido, tem conseguido uma valorização. Mas daí são poucos, porque a gente não conseguiu formar ao longo desses últimos anos esses profissionais.
Não, a gente tá trabalhando para tentar de alguma forma levar conhecimento, levar conteúdo, para que quem sabe a gente consiga atrair mais profissionais. Porque um mestre de obra você não consegue formar num curso, né?
O cara tem que viver, são vários anos de experiência de obra.
Ô Marcos, eu queria que você aproveitasse, como a gente tem um tempo curto infelizmente, queria que você trouxesse onde vocês estão utilizando construção industrializada no setor público.
Lá na Secretaria de Obras a gente tem algumas missões, algumas atribuições. Então as obras de drenagem a gente executa lá, então todo o planejamento, a construção dos reservatórios, dos piscinões, das canalizações na cidade. Obras viárias também são executadas, várias delas na Secretaria, em parceria com a Secretaria Municipal dos Transportes. Nós fazemos a manutenção dos próprios municipais, dos prédios municipais, e também o programa de manutenção de pontes e viadutos da cidade é gerenciado por nós, e temos uma parceria grande na Secretaria de Educação. Então hoje aqui no evento, na abertura, A gente até, eu fui mediador de um painel justamente de construção industrializada do setor público e para abrir esse painel a gente mostrou alguns cases nossos de construção industrializada. Mostrei, por exemplo, reservatórios com tampa que é para acúmulo de água, para segurar água de chuva até passar a chuva e a gente poder ir liberando essa água aos poucos e evitar alagamentos nas regiões mais baixas. Então reservatórios pré-moldados com pilares pré-moldados, alagem de tampa pré-moldada. Mostrei algumas situações de canalização de córregos também com a utilização de pré-moldados. A gente viu também escolas que a gente está fazendo, novas escolas com a Secretaria de Educação, um céu que a gente esteve visitando com o prefeito Ricardo Nunes na semana passada, céu redondinhos, que é ali na Rua Guido Aliberti, né, ali divisa com São Caetano, uns prédios que quem já passou por lá viu que são redondos, e ali num terreno uma escola pré-moldada. E a gente tá também iniciando obras de outros 6 céus em pré-moldado, utilizando o pré-fabricado. Preciso, né, fabricado na fábrica e não no canteiro.
Maravilha. Então, só para esclarecer, quando a gente fala em pré-moldado, é o processo que ele é pré-moldado em canteiro, e o pré-fabricado, ele é fabricado na fábrica e transportado para o local da obra. Nesse processo todo, a gente também tem a questão logística, que é um fator importante, que às vezes pode até inviabilizar um projeto de construção industrializada.
Se você não tem acessos, né, na obra adequados para fazer o os içamentos, patolar os guindastes. Então são cuidados, são características que você tem que levar em conta não só no momento da execução, mas bem antes, lá no início do projeto, em que se toma partido da construção industrializada e de você ter os parceiros corretos e as análises adequadas para você ir em frente com o projeto e depois com a execução sem grandes problemas. A construção industrializada em geral tem essa característica. Você tem que pensar muito mais ali durante o projeto, compatibilizar projetos para que efetivamente a hora que você chegue na obra seja um processo de montagem e com isso você tenha todos os benefícios que a construção industrializada pode trazer. Só citando também duas outras que eu estava comentando das nossas experiências com construção industrializada. Estamos fazendo o BRT Radial Leste, o BRT Aricanduva, em que todas as estações são em estrutura metálica. A gente já pode ver, principalmente ali na Radial Leste, algumas estações sendo montadas. Então, uma configuração diferente que mostra que a construção industrializada não precisa ser quadradinha.
E é 100% metálico ou é híbrido, concreto e metálico?
As estações vão ser 100% metálicas. É lógico que você tem os acabamentos e tal. Mas ali você não vai ter uma laje de concreto de cobertura, vai ser 100% metálico. E a questão, e também a gente mostrou um caso de uma ciclopassarela, chama Ciclopassarela Érica Salom, ali paralela com a Ponte Bernardo Goldfarb, que também foi executada com estrutura, uma grande treliça metálica na parte inferior, depois pré-moldados de concreto no tabuleiro. Então são várias experiências na gestão.
Marco, você tem algum exemplo como você trouxe da escola assim? Qual que é o tipo de solução para moradia? Você tem algum case que você consiga compartilhar com a gente?
Olha, lá na Secretaria de Obras nós não fazemos obras de habitação.
Mas você influencia? Porque assim, você tá muito conectado aí com o setor, com as empresas. De certa forma você acaba influenciando, não que necessariamente na secretaria, mas algo que de repente saiu por influência sua?
Tá, veja o seguinte, e daí é importante a sua pergunta, porque como eu venho da área de projeto estrutural e o meu escritório tinha, né, tem como característica estudar várias alternativas para construtoras, para a gente chegar no processo e na tipologia de execução em que você tenha a qualidade. E daí, independente do processo, você tem que chegar num num nível de qualidade que é o nível prescrito pelas normas, mas também a questão de um menor custo final. Afinal de contas, quem está investindo tem a expectativa de obter o menor custo final. E o que nessa experiência que a gente tem é que não existe um processo executivo que vai ser o melhor para qualquer situação. E eu acho que a Modern Construction tem essa função importante, porque Sempre se falou o pessoal pré-moldado ou pré-fabricado trabalhando numa direção, o pessoal de metálicas em outra. Agora a gente viu, né, que entrou aqui na feira também a Associação de Madeira Engenheirada. Então de você ter várias situações e que provavelmente num empreendimento não vai ser apenas uma delas que vai levar ao melhor resultado. Então o que a gente está vendo hoje é uma interlocução. Entre essas várias soluções estruturais para a gente chegar efetivamente na melhor solução para cada empreendimento. A gente pode ter até tipologias, como você falou, né, de edifícios, mas não quer dizer que para toda situação de edifícios uma única solução vai ser a melhor sempre. É importante estudar caso a caso, mudam os vãos, mudam as características do terreno de implantação, então são Mudam até as condições logísticas que a gente comentou.
Exatamente.
Então, para cada situação você vai ter a melhor solução e nada melhor daí que você tenha profissionais com experiência no uso de construção industrializada para chegar nessa solução. Não pode ter pressa, porque na construção civil às vezes o tempo entre a decisão do investimento e querer entrar na obra pessoal enxuga demais, né? E daí é o que a gente fala, se você não tem dados, um estudo adequado, vai sair o convencional que todo mundo pode fazer. Então o que a gente está falando do principal cuidado na construção industrializada é esse, é você ter um tempo adequado para pegar, ver as características, fazer os projetos, compatibilizar os projetos para você ganhar na obra. E é o que a gente vê nos países, né, em outros países, nos Estados Unidos, na Europa, você ocupar mais tempo no projeto, pensar, compatibilizar e transformar a tua obra numa linha de montagem.
Marcos, você falou do Modern Construction Show e você vê, é o único evento que você tem as 3 principais tipologias construtivas: o aço, a madeira e o concreto. E eu acredito muito nessa fala que você trouxe, que é quando a gente olhar para obra e usar a melhor solução para aquele tipo de obra, aí sim a gente vai ter uma qualidade muito melhor de projeto.
E colher todos os benefícios que a gente pode ter, né, com redução de mão de obra, com aumento de produtividade. Então é esse o conceito importante e que a Moderna Construção Xantac trazendo essa proposta, né, de você buscar essa otimização.
Não, sensacional. Tem mais tempo para mais uma pergunta?
Claro.
Queria, você trouxe essa parte da compatibilização de projeto, enfim, falou de vários projetos. Eu queria entender de você como que é utilizada a tecnologia nesses projetos de industrialização.
O que eu tava comentando, né, na abertura, é que eu acho que a gente tem hoje 3 linhas, né, ou 3 caminhos que a gente vai ter que lidar nesse momento da construção civil daqui para frente. Primeiro, a inteligência artificial, né. Então, inteligência artificial, apesar de muita gente tá discutindo se vai acabar com o mundo, eu acho que isso tá meio distante, né. Falando de construção civil, ela vai ser uma ferramenta importante, tanto quanto a informatização foi. Chegar no canteiro, né, acabar com a mão de obra de canteiro ou tomar algumas decisões, eu acho que a gente tá meio distante disso. Mas a gente utilizar inteligência artificial nas áreas administrativas, nos processos, na gestão pública, processos licitatórios, e também E eu acho que ela vai poder ajudar muito na busca, né, justamente dessa melhor solução, porque ela tem uma capacidade de analisar as alternativas, desde que seja alimentada corretamente, mas uma capacidade de combinar essas alternativas que vai nos ajudar muito, né, de ser mais assertivo na escolha dos processos.
Porque você tem dados, né, ali. Então você tem muita informação que facilita a tomada de decisão. Utilização é em outros projetos parecidos.
Exato, e ela tem uma capacidade de tratar esses dados, combinar esses dados de uma maneira muito mais rápida do que a gente tem. O segundo, a segunda linha é a questão do BIM, né? Então o BIM não é só um modelo 3D, a gente tá falando de, o normal, né, falar da compatibilização de projetos no BIM, mas é muito mais que isso. A gente tá falando de inserir informações dos materiais, dos insumos, de produtividade, sequência executiva dentro do modelo. E com isso ele te dá apoio não só durante a fase do projeto, mas planejamento, na execução e no pós-obra também. Então eu acho que é um caminho que não tem volta e a gente ainda tá muito atrasado na questão do BIM, mas estamos caminhando. Né? Você tem algumas iniciativas muito interessantes na secretaria, na SP Obras, que é uma empresa indireta de gerenciamento da prefeitura. A gente já tem algumas iniciativas nesse sentido. E a questão da construção industrializada, não há dúvida, a gente vai ter que pegar, que traçar esse caminho. Existe dúvida, muitas vezes se questiona, né? A gestão pública é lenta. E eu Eu diria que não é só uma questão de lentidão, é uma questão que na gestão pública nós não podemos errar. É diferente se eu sou um privado e eu tenho uma empresa, eu tomo uma decisão e se eu errar eu vou colher as consequências. Na gestão pública a gente não pode errar, porque se eu errar eu estou gastando dinheiro do contribuinte. Então nós não temos esse direito. Então é natural. Que a gente busque, né, na inovação, na busca de novas tecnologias, ter a segurança de olhar experiências anteriores, projetos piloto, e que a gente tenha a segurança de aquilo vai, essa inovação efetivamente vai trazer benefícios. E daí também a gente tem umas, tem os órgãos de controle olhando porque, para o que a gente está fazendo, e questionando se realmente é aquela a melhor solução? O porquê que está se adotando se você não está direcionando uma licitação? Então são cuidados que quem está na gestão pública tem que estar atento, mas o que a gente tem visto é que a construção industrializada está cada vez mais disseminada e que a gente tem cada vez mais facilidade de utilizar nas nossas obras esse conceito.
Marcos, e só para a última pergunta sobre tecnologia, nesse processo de pensar no uso, É pensar ali no dia a dia, na operação. Vocês já têm alguma ação para utilizar o BIM nesse processo de uso?
Temos. Nós, na semana passada, até fica um convite, quem quiser conhecer as publicações de Siúrbia, a gente tem muita coisa, muito planejamento. Eu brinco, brinco não, porque é verdade que nós temos técnicos lá na secretaria muito bons, muito preocupados com a cidade, um trabalho de planejamento robusto. Então hoje quem entrar lá no site da CIURB vai encontrar os cadernos de drenagem, que a gente estuda as bacias hidrográficas da cidade, propõe as soluções para a cidade, o plano diretor de drenagem que ordena as obras, o plano municipal de redução de risco também que trata das obras em situação de risco. E vocês vão então, todo esse material tá lá e pode encontrar também o caderno BIM Nós temos um grupo de BIM lá dentro da secretaria que estabeleceu os critérios e diretrizes para a gente contratar, fazer projetos dentro da prefeitura utilizando o BIM. Então os cuidados com os termos de referência, com os editais de licitação, e agora a gente está indo para a próxima fase que é a precificação desses projetos, que também é uma grande dúvida no mercado. De como você paga os projetos desenvolvidos em BIM.
Muito bacana. Agora, uma última pergunta para a gente encerrar. Onde que a industrialização no setor público, que tipo de obra funciona melhor?
Olha, obras de canalização, obras lineares funciona muito bem. A grande dificuldade que a gente tem nesse tipo de obra às vezes é de acesso, né? Porque muitas vezes você tem comunidades, você não tem nem espaço para chegar ali no córrego. E no pré-moldado a gente está falando em grandes equipamentos tendo que chegar, mas sem dúvida é uma obra com poucas interferências e que a gente consegue utilizar muito bem. As estações metálicas que eu estava falando dos BRTs também se encaixam totalmente. E daí o cuidado de toda pessoa que vai usar a construção industrializada. A construção industrializada tem um custo inicial maior. Então isso não há dúvida, é meio que consenso no mercado, mas a gente sempre tem que pensar no custo final, porque a construção industrializada te dá muitos benefícios nos custos indiretos pela redução do tempo de obra e outros fatores que até a gente teve oportunidade de falar um pouquinho hoje, que indicam, e a questão da escassez de mão de obra, indicam que realmente é um é o caminho que a gente tem que seguir dentro da construção.
É muito boa essa sua fala, secretário, porque a gente tende a, eu tô pagando, assim, um custo inicial é um pouco mais alto, só que ela se paga muito rápido. Então é importante a gente não simplesmente olhar material por material, não. Vamos olhar para a solução completa e sempre olhar médio e longo prazo, como isso vai trazer muitos benefícios.
Perfeito, é isso aí.
Queria que você trouxesse aí suas palavras finais para a gente encerrar esse episódio do Constricast diretamente do Modern Construction Show no Distrito A e B.
Convidar a todos que ligados ou não ao setor da construção para visitar a feira, tá muito legal. Não é uma feira grande, mas que você vê muita novidade, muita solução. Então parabenizar os organizadores da feira, parabenizar a ABCIC, a ABCEN, a Associação de Madeira Engenheirada, não lembro Abracime, que entrou agora nessa segunda edição da feira pela iniciativa, pelo desprendimento de— porque antes era um pouco assim, né, cada um brigava pelo mercado, mas não de uma forma integrada. E hoje então essa visão, né, da importância da união para a gente buscar um mercado melhor. E de nós na prefeitura, a gente fica à disposição para vocês. Eu acho que A gente está fazendo um programa de obras muito intenso. Hoje são mais de 11 mil obras entregues na cidade desde 2021, 1.500 obras em execução, muita coisa saindo. A gente tem consciência que alguns transtornos são causados, mas é o ônus que a gente paga de morar na quinta maior metrópole do mundo. Então, o que a gente tenta fazer na execução dessas obras, primeiro, é usar processos que causem menores transtornos. E segundo, sempre tá em contato com a população para que apontem problemas dessas obras e a gente possa minimizar esse qualquer tipo de transtorno que a gente esteja trazendo. Mas obrigado, Paulo, pelo convite.
Te agradeço, Marcos. E as portas do Construcasts estão abertas aí sempre que vocês quiserem falar sobre alguma solução nova, algum case de sucesso em São Paulo, enfim, ou no Brasil. Nosso papel é promover conhecimento para quem realmente faz o Brasil, para quem realmente faz a coisa acontecer. E para fechar este episódio, eu digo: conhecimento também se constrói. E fica aqui a minha pergunta: você acabou de construir muito conhecimento. De novo, compartilhe agora o que você aprendeu com outras pessoas que também precisam desse conhecimento. Um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no ConstruiCast.
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