Ricardo Pereira recites Kahlil Gibran's poem "O Amor" in Portuguese, exploring love as a paradoxical force that both elevates and wounds. Gibran describes love as something that cannot be possessed, determines the course of life, and demands total surrender for self-knowledge and fulfillment.
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E alguém disse: Fala-nos do amor. Quando o amor vos fizer sinal, segui-o, ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos, ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir. E quando vos falar, acreditai nele, apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos como o vento norte ao sacudir os jardins. Porque assim como o vosso amor vos engrandece, também deve crucificar-vos. E assim como se eleva à vossa altura e acaricia os ramos mais frágeis que tremem ao sol, também penetrará até às raízes, sacudindo o seu apego à terra. Como braçadas de trigo vos leva, malha-vos até ficardes nus, passa-vos pelo crivo para vos livrar do joio, mói-vos até à brancura, amassa-vos até ficardes maleáveis. Então entrega-vos ao seu fogo para poder descer o pão sagrado no festim de Deus. Tudo isto vos fará o amor para poder desconhecer os segredos do vosso coração e por este conhecimento vos tornar Sois o coração da vida. Mas se no vosso medo buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor a caminho do mundo sem estações. Onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas. O amor só dá de si mesmo e só recebe de si mesmo. O amor não possui nem quer ser possuído. Porque o amor basta ao amor. E não penseis que podeis guiar o curso do amor, porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso. O amor não tem outro desejo senão consumar-se. Mas se amarem e tiverem desejos, deverão ser estes: fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite; conhecer a dor da excessiva ternura; ser ferido pela própria inteligência do amor e sangrar de bom grado e alegremente. Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor. Descansar ao meio-dia e meditar no êxtase do amor. Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado e na boca um canto de louvor.