Poema “O Trabalho” de Khalil Gibran narrado por Ricardo Pereira

Ricardo Pereira narrates Khalil Gibran's poem "O Trabalho" in Portuguese, reframing labor as sacred expression rather than burden. Gibran uses metaphors of flutes, marble, and wind to show how work done with love becomes a manifestation of existence, feeding community and connecting us to the divine. The poem contrasts this with work done in indifference, which yields bitter bread and poisoned wine.
Chapters
Depois um operário lhe diz: "Fala-nos do trabalho." E ele respondeu dizendo: "Vós trabalhais para poder manter a paz com a terra e a alma da terra, pois ser ocioso É tornar-se estranho às estações e ficar afastado da procissão da vida que marcha majestosamente e com orgulhosa submissão em direção ao infinito. Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o sussurro das horas se transforma em música. Qual de vós quereria ser uma cana muda e silenciosa quando tudo o resto canta em uníssono? Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição e o labor um infortúnio. Mas eu digo-vos que quando trabalhais, estás a preencher um dos sonhos mais importantes da Terra, que vos foi destinado quando esse sonho nasceu. E quando vos ligais ao trabalho, estais verdadeiramente a amar a vida. E amar a vida através do trabalho é ter intimidade com o segredo mais secreto da vida. Mas se na dor chamais ao nascimento uma provação e à manutenção da carne uma maldição gravada na vossa fronte, Então vos digo que nada, exceto o suor na vossa fronte, apagará aquilo que está escrito. Também vos foi dito que a vida é escuridão, e no vosso cansaço fazeis-vos eco de tudo o que os cansados vos disseram. E eu digo que a vida é mesmo escuridão, exceto quando existe necessidade. E toda a necessidade é cega, exceto quando existe sabedoria. E toda a sabedoria é vã, exceto quando existe trabalho. E todo o trabalho é vazio, exceto se houver amor. E quando trabalhais com amor, estais a ligar-vos a vós mesmos e uns aos outros e a Deus. E o que é trabalhar com amor? É tecer o pano com fios arrancados do vosso coração, como se os vossos bem-amados fossem usar esse humano. É contribuir uma casa com afeto, como se os vossos bem-amados fossem viver nessa casa. É semear sementes com ternura e fazer a colheita com alegria, como se os vossos bem-amados fossem comer a fruta. É dar a todas as coisas um sopro do vosso espírito, e saber que todos os abençoados defuntos estão à vossa volta a observar-vos. Muitas vezes vos ouvi dizer, como se estivésseis a falar durante o sono: "Aquele que trabalha o mármore e encontra na pedra a forma da sua própria alma é mais nobre do que aquele que trabalha a terra. E aquele que agarra o arco-íris para o colocar numa tela à semelhança do homem é mais do que aquele que faz as sandálias para os nossos pés. Mas eu digo, não no sono, mas no despertar, que o vento não fala, mais docemente com o carvalho gigante do que com a mais ínfima erva. E é grande aquele que, sozinho, transforma a voz do vento numa canção tornada doce pelo seu amor. O trabalho É o amor tornado visível. E se não sabeis trabalhar com amor, mas com desagrado, é melhor deixardes o trabalho e sentardes à porta do templo a pedirdes mola àqueles que trabalham com alegria. Pois se fizerdes o pão com indiferença, Estareis a fazer um pão tão amargo que só saciará metade da fome. E se esmagardes as uvas de má vontade, essa má vontade contaminará o vinho com veneno. E se cantardes como anjos, mas não apreciardes os cânticos, estareis a ensurdecer a conhecer os ouvidos do homem as vozes do dia e as vozes da noite.
More from Ricardo

Gaining Clarity in Darkness: the Power of Failing and Movement in a Dark Night of the Soul #shorts

Why VS How To Questions in a Dark Night of the Soul - How To Change Your Thoughts (#shorts 1)

What Attracts Us In a Romantic Partnership - Podcast (episode 2, #shorts 2) #darknightofthesoul

Myth “Ego is bad” in a Dark Night of the Soul (DNOT month 1, #shorts 1) #darknightofthesoul

Healing Childhood Wounds in a Dark Night of the Soul - Podcast (episode 2, #shorts 2)





