Curiosidade, pouca idade e vontade que vencem barreiras: Pedro Franceschi at TEDxSudeste

Pedro Franceschi hacked iPhones at 12 to unlock them, building tools like Quick2jPwner that got him noticed online. He started tinkering with his dad's Macs at 6, turned his passion into a small unlocking business, and landed an internship despite being below Brazil's legal working age.
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Então, quando o pessoal do TED me procurou, a primeira coisa que eles me perguntaram foi de onde vem o meu interesse por tecnologia. Eu fiquei na hora meio— não sabia como responder isso para eles. Mas aí, pensando depois, eu pensei: Isso é uma coisa que veio comigo, não sei de onde veio, de onde surgiu. Com 6, 7 anos, eu lembro que mexia nos computadores de trabalho do meu pai e as frases que mais ouvia eram: "Ah, dá um joguinho para ele brincar no computador", "Tira a mão disso daí, Pedro, isso é sério, isso não é brincadeira". E um ponto importante é que os computadores que ele usava eram Macs, porque ele trabalhava com fotografia. Mas eu não desisti, o tempo passou e com uns 8, 9 anos eu comecei até interesse por programação, que eu também não sei de onde veio. Nessa época eu tinha uns 8, 9 anos e o pessoal que tinha a minha idade se interessava por assuntos que não eram os mesmos que me interessavam: futebol, figurinha, videogame. O que eu gostava era de computador, de programação, de fazer meus primeiros programas, de pesquisar sobre os assuntos que eu gostava relacionados à computação. E por isso eu não me relacionava muito com o pessoal da minha idade. Eu conversava muito com os adultos, você pode imaginar a preocupação da minha família com isso, né? Além disso, o assunto do momento era o tempo que as crianças passavam na frente do computador. Eu lembro que a minha mãe leu uma matéria falando que a filha do Bill Gates só podia ficar 45 minutos por dia no computador. Aí eu pensei: "Poxa, a filha do Bill Gates só fica 45 minutos por dia no computador, quanto tempo eu ia ficar? Minha vida ia virar um inferno, né?" A sorte, a sorte foi que o Steve Jobs não fez nenhuma declaração assim. É por isso que eu sou fã dele. E como toda família, a gente tinha um computador compartilhado que todo mundo usava. Então, eles não me deixavam instalar as milhares de coisas que eu precisava para programar nele. Mas, mesmo assim, eu forçava uma barra e instalava. Eu tinha que dividir o computador com todo mundo, né? E um dia, para minha surpresa, em 2006, a minha mãe me deu meu primeiro aparelho da Apple, que foi um iPod Nano de primeira geração. No início achei ele muito legal, como qualquer aparelho da Apple, mas com o tempo eu comecei a ficar um pouco entediada porque eu via que o aparelho, assim, de hardware ele podia me oferecer muito mais do que o software mostrava visivelmente no aparelho. Então eu comecei a pesquisar sobre como rodar vídeo nele, que era uma função que eu já tinha visto no iPod no YouTube rodando vídeo, e aí eu comecei a pesquisar E comecei a hackear o aparelho. Eu continuo fazendo isso até hoje nos iPhones e iPod Touch. E um dia, os meus amigos começaram a ganhar os seus primeiros iPods e iPhones. E eles gostaram da ideia de ter coisas a mais nos seus aparelhos. E o que poderia ser uma camaradagem virou um serviço, porque eu não podia dar para eles a única coisa que eu tinha para vender. E foi assim que eu comecei a ganhar um "Eu ganho um certo dinheirinho com esses serviços." Eu faço isso até hoje nos iPhones e iPod Touch. E aquele pessoal que não ligava muito para mim porque tinha interesse diferente do meu passou a se interessar pelo que eu fazia, passou a entender, na verdade, o que eu fazia, porque, afinal, agora a gente estava falando a mesma língua. Eu não sei se foi porque eles cresceram e começaram a se interessar por tecnologia ou se foi porque o mundo só fala cada vez mais em tecnologia, E quando se falava em tecnologia, iPhone, desbloqueio, eu tinha virado tipo uma referência pro pessoal, eles pensavam em mim. E eu comecei a ganhar um certo dinheirinho com esses desbloqueios, como eu já falei, e eu queria sempre comprar os aparelhos mais modernos da Apple, mas a minha família não me deixava gastar tudo que eu tinha com isso. Pra eles, ter um PC e um Mac era tão irracional quanto ter dois micro-ondas, um do lado do outro. Eu tive que insistir muito pra que eles deixassem eu usar o dinheiro como eu quisesse. E também me dessem uma forcinha para me ajudar a comprar os aparelhos. Foi então que a minha família entendeu que quando eu ficava o dia inteiro em rede social, em MSN, conversando com os outros, eu fazia alguma coisa de útil no computador e na internet. Tá, eu também uso rede social e MSN, mas eu também fazia algo de útil. Então, eu fui desenvolvendo ferramentas para me ajudarem a desbloquear mais aparelhos em menos tempo. Depois eu comecei a pensar em liberar esses projetos para que outras pessoas pudessem usufruir do que eu tinha feito. E aí eu lancei o Quick2jPwner, que é o primeiro programa para fazer o desbloqueio simples do iPod Touch 2G, e o Quickoib, que instalava o iPhone Linux no iPhone temporariamente, porque na época isso era uma novidade, as pessoas queriam testar, mas tinham medo de instalar porque isso poderia estragar os aparelhos para sempre. Inclusive, uma curiosidade é que esse projeto evoluiu do Linux no iPhone para o iDroid, que é o Android, o sistema operacional do Google, rodando no iPhone. Então, com esses programas, o usuário podia testar o Linux, se gostasse, ele instalava permanentemente, ele não tinha o risco de instalar e ter o aparelho quebrado, bricado. E essas duas ferramentas foram bastante comentadas na web em grandes sites gringos como o iSpace, iPhone Italia, The iPhone Wiki, iClarified, Linux on the iPhone, Apple Diário e alguns outros. E com esses projetos e ferramentas que eu criei, alguns blogs brasileiros publicaram artigos sobre mim, sobre os meus projetos. E foi assim que o pessoal de uma empresa de desenvolvimento para iPhone me conheceu me chamaram para trabalhar com eles. Eu nunca pude imaginar que isso ia acontecer. Mas também tinha um problema. Eu fiquei contente, mas na web eu dizia ter 14 anos para ter credibilidade e se levar a sério. Mas na vida real eu só tinha 12 e no Brasil só é permitido estagiar com 14. Mas mesmo assim eu visitei a empresa algumas vezes e fui entendendo como funciona uma software house. Eu gostei muito da experiência. Então, qual o resumo dessa história? Me entregavam uma coisa que é para um determinado uso, Aí eu olhava e pensava: "Por que eu também não posso fazer tal coisa com isso?" Quando a gente tem 13 anos e olha para o mundo dessa forma, a gente encontra um monte de barreiras. Então, quando é que será que a gente vai poder começar a pensar dessa forma? Quando fizer 18, 30, 50 anos? Quando eu tinha 11 anos, foi difícil convencer as pessoas que eu precisava gastar meu dinheiro no iPod touch, quando para eles já tinha um ótimo iPod nano. Com 12 anos, foi difícil convencer que eu precisava gastar meu dinheiro no iPhone 3GS. Quando já tinham 3 dias. Com 3 dias não está sendo muito simples convencer as pessoas que eu quero gastar o dinheiro que eu tenho e que me deem uma ajudinha para comprar um iPad, mesmo já tendo um iPhone e um Mac. Imagino o que eles pensam: "Um brinquedinho de 600 dólares na mão de um garoto de 13 anos? É, pelo visto essa vai ser difícil." Obrigada. Tá bem? Obrigada.
Seguinte, primeiro nós já temos uma fila de iPhones aqui, inclusive o meu, você não vai sair daqui tão cedo, garotão, você fica aqui.
Tá bem?
Segundo, você acaba de receber uma proposta para fazer um aplicativo para o TEDx Sudeste?
Pois é, assim, ele não está pronto ainda, falta interface gráfica, mas assim, deve estar pronto em breve. Está fazendo, pois é, mas vai estar pronto. Quer ver?
Claro!
Espera aí, deixa eu botar isso aqui.
Cara, eu não entendo nada que ele fala.
Espera aí.
Não, não, não, espera aí, espera aí, espera aí. Vem cá, volta lá na tela daquela lá da senha. A senha, desculpa, o quê? É a senha mais rápida do Oeste. Não, deixa para lá, eu vi, tá bom. Que isso, que isso, rapaz?
O aplicativo vai começar nessa tela, que aqui ele não está pegando sinal.
Espera aí, espera aí, ele é muito rápido, ele é muito rápido.
Aqui ele ainda não está Não está funcionando porque eu estou sem sinal aqui e o sinal do operador não está pegando, mas aqui vai ter um mapa, aqui vai mostrar o planetário onde a gente está, TEDx Sudeste, e vai ter— ele não está mostrando aqui porque ele não tem sinal do GPS, mas vai mostrar um pontinho azul mostrando a sua localização. Aí aqui na outra aba de palestrante vai mostrar uma lista com todos os palestrantes que se apresentaram aqui hoje, e aí clicando no nome vai mostrar a descrição do palestrante, E aí aqui vai mostrar uma imagem. Na parte de vídeos, você vai poder ver todos os vídeos das palestras. Aqui ele não está carregando porque os vídeos ainda não estão online. E aí aqui ele vai carregar as notícias. Ele não está carregando porque não tem sinal de conexão, mas ele vai pegar do feed do site e vai mostrar aqui no iPhone. É isso.
É isso. Você já sabe mexer no Twitter, já?
Sei.
Depois a gente conversa, trocamos ideias.
Tá bem.
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