Os brasileiros de 23 anos que criaram a BREX, empresa de 2.6 bilhões de dólares

Henrique Dubugras and Pedro Franceschi built Brex to $2.6 billion starting as teenagers in Brazil. They met on Twitter arguing about text editors, launched a payments startup in high school, then pivoted at Stanford to chase a massive opportunity in US business payments. Their complementary skills and willingness to leave school to scale fast became the difference.
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Eu comecei a programar quando eu tinha uns 12 anos de idade, porque tinha basicamente um jogo que eu queria jogar, que era pago, e eu descobri que se eu aprendesse a programar eu conseguia jogar de graça. Eu montei uma versão desse jogo que ficou super popular, mas depois de 2 anos eu recebi uma notificação falando que eu tava quebrando umas patentes.
Eu não sabia o que que era isso, mas minha mãe ficou preocupada e falou: "Digga strackway." E eu entrei meio sério em programação quando a Apple lançou o iPhone, que eu tava desbloqueando o iPhone pros meus amigos que compravam iPhone nos Estados Unidos e iam pro Brasil. Quando a Apple lançou o iPhone 3G, o iPhone novo, não tinha mais como fazer isso. E eu achei um jeito novo de fazer o primeiro jailbreak nessa época que tinha pra esse iPhone. Eu quase fui processado pela Apple alguns anos depois por quebrarmos patente no Siri, que é o assistente de voz da Apple.
Eu conheci o Pedro pelo Twitter. A gente tava brigando no no Twitter qual que é o melhor editor de texto, porque quando você é programador, editor de texto é tipo o seu time de futebol. Tem um que é bom, que é tipo Corinthians, que é o Vim, e um que é ruim, que é tipo São Paulo, que é o Emacs.
A gente tava discutindo por 140 caracteres, ele acabou ficando bem reduzido, a gente acabou indo pro Skype e ficou amigo. E eu acabei trocando pelo editor de texto do Henrique também, que é uma parte engraçada da história.
Pô, eu trabalhei em startups durante minha adolescência, Eu tentei fundar minha própria startup de educação, que deu errado. E daí, no último ano do ensino médio, eu fundei a Pagar.me, que era um meio de pagamento online parecido com o que é o PagSeguro no Brasil, o Mercado Pago.
A gente ficou amigo muito rápido, ele também tinha um problema com pagamento, e a gente resolveu começar o Pagar.me basicamente por isso, porque a gente viu que tinha uma grande oportunidade de fazer um negócio melhor se a gente fosse repensar esse problema do zero. E daí a gente ficou em empacamento até hoje.
Pô, a Pagani deu um pouco certo, a gente chegou a um tamanho bom. Especialmente depois que você faz alguma coisa que dá um pouquinho certo, você acha que você pode muito mais, né? Então eu sempre fui bem ambicioso, sempre quis mais, sempre quis chegar mais longe.
O motivo que eu vim para Stanford foi, acho que foi muito por causa do Henrique. Ele sempre quis vir para cá e estudar em Stanford. E a gente decidiu trabalhar junto por muito tempo, desde que a gente começou o Pagar.me, porque acho que a gente é muito complementar no que a gente faz. E basicamente o que acabou acontecendo foi que eu decidi aplicar em setembro de 2013 e o deadline era dezembro. 2013 foi o ano que a gente começou o Pagar.me e também era o meu terceiro ano do ensino médio. Então, eu morava no Rio, a empresa era em São Paulo, então eu tinha uma rotina de basicamente voar entre Rio e São Paulo fazendo terceiro ano, vestibular no Brasil. Resolvendo aplicar para o SAT e fazendo o application todo para as faculdades americanas, que não foi muito fácil, mas acabou dando tudo certo.
Começar uma empresa enquanto você está na faculdade tem uma vantagem que é: você pensa que se der tudo errado você volta para a faculdade, entendeu? Então meio que cria uma rede de segurança que é interessante, enquanto se você já estiver indo super bem na sua carreira é um pouco mais difícil, tem família, você tem tudo, é um pouco mais difícil você largar tudo isso.
E aí quando a gente veio, acho que o motivo foi muito do que a gente o que eu estava falando de a gente queria sempre ter construído um negócio daqui no Vale do Silício, entender como isso funcionava. Stanford é um lugar que a gente poderia não só aprender como isso funcionava, mas também conhecer muita gente e de fato aprender mais sobre computação, sobre business, sobre todas as coisas que a gente tinha gaps, que a gente achava, e foi muito por isso que a gente veio.
Pô, tem um Silicon Valley clichê aqui, né, que o Zuckerberg dropou a faculdade, o Bill Gates dropou a faculdade, Então, se você dropar uma faculdade boa aqui nos Estados Unidos, você tem uma chance, assim, as pessoas te dão uma chance de ser que nem eles, e te colocam: "Pô, talvez esse cara esteja na mesma caixa." Isso ajudou a gente, na verdade, em vez de atrapalhar.
E a ideia era passar um ano, segundo eles, explorando o que é que tinha no Vale, o que é que tinha de novidade, e só então pensar o que é que seria o próximo passo. Conhecendo os meninos, não duraram nem 4 meses na universidade e já estavam na Y Combinator. O Y Combinator eu não conhecia, pra quem não conhece é a Harvard das aceleradoras, pra acelerar o crescimento delas e ajudar a encontrar o product-market fit, escalar e conseguir investidor depois. E eles entraram com a ideia, primeiramente, uma ideia em augmented reality, então virtual reality, coisas desse tipo. E lá eles perceberam duas coisas: a primeira é que argumented reality, eles não entendiam muito desse ramo e estariam competindo com Apple, Google, Microsoft, Facebook. E a segunda coisa que eles perceberam é que existia realmente uma oportunidade gigante num setor de pagamentos que já era tão familiar para eles.
Bom, sair de Stanford foi— a decisão foi um pouco, eu não diria que precipitada, mas eu acho que a gente começou o Brax muito porque a gente queria fazer um negócio, a gente sempre teve essa vontade muito grande de trabalhar. E acho que quando a gente ficou 6 meses sem trabalhar depois de sair do Pagar.me, a gente tava num modo um pouco depressivo. E quando o Brex começou a andar, a gente começou a ver que de fato tinha um negócio legal pra ser feito. Eu acho que a decisão de sair foi primeiro de trancar a nossa matrícula por quanto tempo a gente conseguisse. E quando o negócio começou a caminhar, a gente viu que provavelmente a gente não voltaria.
Ficou muito claro que o que tava acontecendo no Brex era uma coisa muito especial. Porque não é todo dia que as empresas crescem na velocidade que o Brax tem crescido. Todo mês que a gente ia lá no escritório do Brax olhar, ele já estava o dobro do tamanho, com triplo de cliente e o triplo de volume.
No Brasil você tem, não tem muita gente que é experiente em empresas crescendo. No Brasil ou tem o cara que trabalha em empresa grande ou o cara que acabou de sair da faculdade. Não tem pessoas, muitas pessoas que que passaram por esse crescimento. Aqui nos Estados Unidos tem. Mas ao mesmo tempo no Brasil, por causa que não tinha tantos recursos, não tinha tanto dinheiro, forçava a gente a ser muito mais diligente em criar soluções que os clientes de fato viam valor. Versus aqui é muito fácil você levantar dinheiro e você achar que tá tendo sucesso ainda sem estar gerando muito valor. Então ter feito a Pagame no Brasil foi uma puta escola pra gente conseguir fazer um negócio de sucesso aqui.
Henrique e o Pedro têm uma partnership realmente muito especial e muito rara, se complementam de uma forma como eu nunca vi, assim, tem uma dinâmica como eu nunca vi antes.
Acho que o Henrique, ele é muito, ele é um comunicador muito expressivo, então ele consegue explicar muito claramente o que ele pensa e projetar uma ambição muito clara, assim, que é muito cativante para todo mundo. Eu acho que ele também é muito, muito bom em entender com as pessoas, quais são os incentivos das pessoas, o que motivam elas, de um jeito muito fundamental.
Pedro, ele programava melhor do que eu. Então ele falou: "Henrique, vai fazer todo o resto, que eu vou programar, você não vai meter a mão no meu código não." E aí eu fui fazer o resto. Então acabou que como a gente começou muito cedo, a gente só se desenvolveu diferente.
A coisa mais diferente, eu diria, é que tem um alinhamento muito leal de longo prazo, assim, eu acho que é muito incondicional, acho que isso é muito diferente. Eu acho que o que a gente sabe é que independente de se for o Braxer ou pagar qualquer outra coisa, Stanford e tal, a gente quer trabalhar junto por muito tempo e estar junto porque eu acho que tem o fato que a gente é muito complementar e tem o fato também que a gente gosta muito um do outro. Acho que de uma forma mais geral, eu acho que essa é a principal coisa. Onde eu me vejo em 10 anos? Eu diria que fazendo a mesma coisa numa escala maior. Eu acho que a gente, o Braxer, a gente montou sempre com essa cabeça de como a gente faz essa empresa por 10, 20 anos. Mínimo. E acho que a gente tem uma sorte muito grande de estar no lugar certo, com as pessoas certas, com a quantidade de capital e mercado certas. E eu acho que não fazer uso disso para estar num lugar muito ambicioso em 10 anos é provavelmente a coisa errada.
Acho que em 10 anos eu me vejo cada vez fazendo mais as coisas que eu gosto de fazer na Brax, tendo um time melhor, tocando a parte. Pô, espero que numa empresa grande. 10 anos acho que dá para fazer um negócio bem legal. É... então, mas o cara tá trabalhando pra cacete.
Na minha opinião, isso é mais importante porque isso cria precedentes, eu acho. Uma das coisas que eu fico mais triste de ver no Brasil é que as pessoas, na minha opinião, não estão nem tentando fazer uma empresa maior que o Google. E eu fico muito triste que as pessoas não tentam. E o maior motivo pelas pessoas não tentam, eu acho, é que não tem exemplos, não tem precedentes antes. Elas estão pensando pequeno demais, elas estão pensando em empreender para São Paulo, estão pensando em empreender para fazer a maior empresa da cidade delas, o que é muito legal, mas eu gostaria de ver mais gente tentando fazer a maior empresa do mundo no Brasil, e eu acho que a gente precisa ter esse denso disso.
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