#192 André Abucham - Por dentro da Engeform: como cultura vira vantagem competitiva

André Abucham, president of Engeform, traces his path from São Paulo to the Citigroup in New York and back to the family company. He explains how the company formalized its culture through the Alma Project and measures impact across 42 hospitals, 7,000 beds, and 50 million patient visits, while transforming spaces like the former Carandiru prison into a youth park.
Chapters
Eu acho que o tema de cultura, né, eu comecei a entender a importância dele quando eu estive em Nova York. Essas grandes escolas multinacionais nos ensinam a ver cultura de um jeito muito diferente. E o que é curioso é que quando eu cheguei na Engieform em 2006, a gente celebrava 30 anos. E é claro que a empresa tinha uma cultura muito forte, mas ela não estava escrita em lugar nenhum, você acredita? Juntos. Aí eu brinco, né, das duas gerações, né, os mais experientes que trouxeram aí, abriram a floresta, tal, trabalhando junto com os mais jovens que foram chegando. A gente foi construindo essa cultura, esse elemento vivo.
Há mais de 18 anos à frente da Engieforme, uma das principais empresas de engenharia do país, ele lidera projetos complexos, responde tecnicamente por mais de 150 grandes obras e atua como embaixador de cultura organizacional que coloca pessoas no centro. Seja muito bem-vindo ao podcast, Andre Abucham.
Dentro da minha cabeça, assim, de empreendedor, eu me considero muito empreendedor, sabe, China? Mais do que engenheiro, eu me considero empreendedor. Eu falei: "Olha, e se a gente então conseguisse criar uma empresa com uma cultura muito forte?" E que a cultura fosse o elemento de trabalho, da liderança, mais relevante. Porque agora a gente vai mexer em estratégia no começo do ano. Todo começo de ano a gente vai lá, faz alinhamento estratégico, tal, revê estratégia. Às vezes chegam as consultorias, ajudam, tal. Mas cultura é todo dia, né? Sejam bem-vindos ao YPOcast Líderes Extraordinários, uma plataforma dedicada à sua jornada de desenvolvimento pessoal e profissional. Conheça as histórias inspiradoras de diversos executivos e empreendedores. Esta iniciativa é uma colaboração do YPO Brasil e da Exame. Assista agora mais um episódio e acesse nosso site.
Bem-vindo a mais um episódio do YPOcast, o podcast YPO Brasil. Aqui contamos histórias de líderes que transformam negócios e vidas. E a abertura do programa não poderia caber melhor para um convidado do que para ele, porque ele sempre fala que sua grande inspiração é fazer a diferença na vida do maior número de pessoas possível. E assim ele tem feito. Há mais de 18 anos à frente da Engieforme, uma das principais empresas de engenharia do país, ele lidera projetos complexos, responde tecnicamente por mais de 150 grandes obras e atua como embaixador de cultura organizacional que coloca pessoas no centro. Hoje, além de diretor-superintendente da operação, ele também lidera a holding do grupo, com atuação em áreas como desenvolvimento imobiliário, energia, concessões, investimentos e gestão de recursos. Sua trajetória ainda inclui experiência internacional como vice-presidente sênior do Citigroup em Nova York, atuação como conselheiro do IPO e um trabalho consistente no campo social, apoiando crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade. Seja muito bem-vindo ao podcast, Andre Abucham.
Que prazer estar aqui, Xêina. É muito legal poder voltar aqui e poder atualizar nossa conversa, ter uma nova prosa.
Ah, a gente tem muito o que conversar.
Que legal!
Animada! Andre, a gente começa o programa pedindo para os nossos convidados contarem um pouco da história. Você tem muita história para contar, você recentemente inclusive escreveu um livro e eu queria um pouco saber que momentos da sua história você acha que fizeram você ser quem é hoje, pessoa que completou seus 50 anos de vida recentemente e fez, está fazendo muitas reflexões.
Realmente, assim, chegar aos 50 é curioso, né? Eu sei que você ainda não chegou, mas assim, eu falo com colegas meus que chegaram e a gente fica muito reflexivo antes de chegar aos 50 anos. E eu acho que eu passei ali uns bons meses fritando um pouco o cérebro, pensando muito de onde a gente veio, por que que a gente tá aqui, né? E principalmente do que a gente quer daqui pra frente. E eu, como alguns amigos meus sabem, principalmente no fórum, né? Eu criei um hábito mais velho de escrever. E aí eu pedi um presente pro meu professor de escrita criativa, ele falou: "André, de presente pra você, você ganhou ter que escrever uma carta pro André da infância, vindo no tempo, na terceira pessoa." E aí me pôs pra pensar um pouco mais de onde a gente veio, por que que a gente tá aqui, né?
E aí, já tem uns spoilers?
Acho que a gente pode comentar, acho que é legal falar que eu tive a voz do lado da minha família materna, que foram muito inspiradores. Então, o livro que eu vou deixar com você fala do João Vilac. E o João é o pai da minha mãe, e com ele eu tive a oportunidade de ter meu primeiro estágio, aos 13 anos, na Photoshop. Talvez alguns wipeers de São Paulo conheçam, porque ficava ali na Barão de Capanema, com a Ministra Rocha Azevedo, onde hoje tem um restaurante do Alex Atala, né? Ali era a loja do meu avô. Onde eu aprendi a trabalhar com 13 anos, fui pro comércio e comecei a tomar paixão por temas como esse. E vindo da família da minha mãe, formada, que foi estudar história, apaixonada por filosofia, eu desenvolvi uma inteligência do outro lado do cérebro de quem tem um pai engenheiro, que foi minha inspiração pra ir pra engenharia. E aqui a gente roda com aquele modelo analítico, matemático, de processos, né? Paixão pelas planilhas, pelos números. Então acho que eu vim dessa infância onde a gente ia se formando, talvez com duas visões de como enxergar o mundo. E aproveitei para estudar também, tive a oportunidade de estudar numa escola que se explica como uma escola humanista. E talvez só agora mais recente fui entender a conexão da minha infância, essa passagem por uma escola que tem como primeiro olhar essa formação humanista, e o líder, o pai, o filho, o amigo, né? O executivo que eu sou hoje.
Que legal! É, e você tava falando que apesar de essas duas visões parecerem muito diferentes, extremas, na verdade hoje elas são super complementares e são muito de quem você é, né?
Exatamente.
Pai e mãe refletidos na sua liderança.
Exatamente. É muito gostoso poder pivotar e acho que no fundo elas se complementam, né? Acho que elas se complementam o tempo inteiro.
Yin e Yang.
Exatamente.
Muito bom. André, você cursou engenharia, você comentou, né, pai engenheiro, mais estruturado e tudo mais, você escolheu cursar a engenharia, né, apesar de ter esses dois lados, ter a filosofia e a engenharia ali inspirando você. Você tem na família um negócio de engenharia, mas você decidiu uma vida no exterior e trabalhar no banco e não seguir de imediato nesse lugar da empresa familiar e sair. Como é que foi essa decisão e por que você tomou ela? Como que ela, como que sua família recebeu? Como é que foi isso para você depois? Como você trouxe esses aprendizados? Enfim, queria saber um pouquinho mais.
Que legal. Primeiro eu quero ir lá atrás, porque eu cresci, né? Nessa carta que eu estou escrevendo para mim mesmo, eu estou indo lá no tempo vendo marcos da minha vida e acho que uma coisa muito importante foi ter crescido frequentando canteiros de obra com meu pai. Aos sábados é quando ele podia me pegar, colocar no carro e a gente ia ver as obras. E eu sempre gostei muito de ver tudo aquilo acontecendo, ver as máquinas trabalhando, os prédios sendo erguidos, os projetos de saneamento básico, que são uma paixão nossa na empresa, acontecendo, né? E acho que isso me levou nessa direção de quando foi chegando aquela época do vestibular, né? É curioso, China, porque pouca gente sabe que eu entrei em engenharia e direito. E eu comecei a cursar também direito ao mesmo tempo. Mas era muita coisa fazer as duas faculdades, não ia sobrar tempo pra nada. E desde os 18 anos, uma das coisas que eu mais queria era trabalhar. Apesar de a gente abrir aqui falando que eu voltei em 2006, então são 18 anos que eu tô de volta aí, 19 anos que eu tô de volta em G-Form. Na verdade, meu primeiro emprego na G-Form, que foi meu segundo emprego, foi em 95.
Depois da loja do avô.
É, e depois de um outro emprego que eu tive antes, com 18 anos, eu fui trabalhar na EMURB, pra entender o que era o outro lado do balcão de engenharia, né? A Empresa Municipal de Urbanização.
Olha que legal essa parte.
Eu tive como patrão ali um cara que entendia demais, conhecia demais São Paulo, foi muito gostoso aprender sobre a nossa cidade na visão dele. Mas eu te conto tudo isso porque assim, a paixão da engenharia vem de casa.
De infância.
Como tenho 5 filhos e agora tenho filho de 21 anos, mas tenho filho de 4 anos, eu já vivo esse negócio das expectativas profissionais deles e cada um indo numa direção, né? Mas pra mim isso foi uma coisa um pouco mais fácil, porque realmente assim, eu queria aquilo e foi muito gostoso.
Interessante, né? É um pouco diferente de algumas das histórias que a gente ouve aqui, onde o trabalho roubava o pai ou a mãe dos filhos, né? E aí você viveu o trabalho do pai de uma forma mais positiva e não como algo que te tirava o seu pai.
Não, mas veja bem, vamos voltar lá na década de 80, 90, o pai trabalhava muito, né? Todos os pais trabalhavam muito. Então assim, não tinham essa presença que nós hoje, né? Eu de 50 anos e as gerações para baixo, né? O papel dos pais na família tem se tornado uma coisa muito diferente. Pais mais presentes que dividem agenda com as esposas para cuidar dos filhos, para levar na escola, para educar, para final de semana, para enfim, né? Eu vejo que hoje o papel da paternidade na nossa sociedade evoluiu muito. Os pais, eu acho que isso é muito positivo, sim, positivo e desafiador. Me sinto bastante desafiado, com certeza, com certeza. Mas assim, me ajudou muito a chegar na engenharia. Como você, sou maquenzista, adorei estudar no Mackenzie. Fiz uma turma de amigos incrível que até hoje, né? A gente se formou em 98, então nós vamos aí pra 27 anos de formado, 28 anos de formados. Eu tenho um grupo de amigos que a gente é muito próximo. Todo ano a gente celebra mais um ano de amizade. O grupo do WhatsApp é ativo quase todos os dias, né? A gente conseguiu preservar essa amizade gostosa. E é uma coisa que eu me orgulho muito, porque eu sempre tive um papel de protagonismo Nessas turmas aí, em manter essas chamas vivas.
É, sua liderança aí, seja no IPO, seja no Mackenzie, seja na Engenformas, que enfim, tem, tem uma coisa meio nata, né? Tá aí, né? É, tá aí. E o direito, ele voltou em algum momento?
Ele não voltou, ele não voltou, mas eu tenho uma paixão, né? É, pouca gente sabe que o pai da esposa do João Vilac, que a gente vai falar mais um pouco, ele foi o ministro Alexandre Marcondes Machado. E esse ministro que trabalhou com Getúlio Vargas foi quem criou a nossa CLT. Olha! Então ele foi um grande advogado, um cara muito importante na área trabalhista e até hoje assim é muito reconhecido pelo que ele construiu aqui no Brasil. Mas assim, homens de negócio tem que dominar um pouco do direito, não tem jeito, né? A gente tá direto com os contratos, com os desafios aí de gestão, né? Então acho isso tudo muito importante. E aí eu vou voltar naquela pergunta sua anterior. Porque vem a ida pra Nova York. E às vezes eu brinco aqui, né? Eu sou uma pessoa que adoro planejar. E adoro planejar na empresa e adoro planejar na vida pessoal. A Brigitte, minha esposa, diz que quer me assassinar. Porque tá em cima da minha mesa lá em casa o primeiro semestre inteiro pra gente dar uma organizada nas coisas. E ela quer me... Pelo amor de Deus.
Sim, mas te entendo. Eu tenho 2 anos já.
Pois é, eu tô querendo enfrentar com ela o primeiro semestre. Mas é bonito que às vezes a gente planeja muito e Deus ri lá em cima porque: "Ah, você tá achando que é isso? Vai acontecer aquilo outro, né?" E a ida pra Nova York foi uma coisa muito inusitada, assim, muito inesperada. Numa reunião de trabalho do meu pai, uma amiga dele, judia israelense, gostou do meu jeito, da cara do moleque, e acho que ela fez um convite meio piada, assim. Falou: "Ah, pô, esse menino, pô, bem que podia vir estagiar um pouco com a gente em Nova York." Quando terminou a reunião, eu cheguei pro meu pai e falei: "Você acha que ela tá falando sério? Será que dá pra eu estagiar em Nova York?" Isso é 98. Eu tô lá fazendo o 10º semestre... Acabou a escola? Não, ainda tô no 10º semestre de engenharia no McKinsey. Então, enquanto eu tô cursando o 10º semestre, eu começo a ir pra Nova York, ir pras entrevistas, ir procurar onde morar, porque assim que eu me formei, eu fui pra Nova York trabalhar na antiga Salomon Brothers Smith Barney. Que aí fez a fusão com o Citibank e virou o Citigroup. E qual que era o plano? Era ficar pouco tempo. 3 meses, 6 meses, 1 ano, quem diria, né? E eu acabei tendo uma carreira muito bacana, muito especial e hoje eu sou especialmente grato a tudo que eu pude viver em Nova York e principalmente tudo que eu pude aprender que talvez se eu tivesse ficado na empresa familiar, eu vejo que em vários podcasts a gente tem oportunidade de falar de empresas familiares, mas cada vez mais eu acho que as segundas gerações e terceiras gerações em grupos familiares têm a obrigação de ir fora, trabalhar fora, aprender fora, enfrentar desafios fora antes de retornarem para as empresas das suas famílias.
Vocês têm algum tipo de estatuto na empresa que indica esse caminho de carreira para trabalhar?
Pois é, ano passado nós somos uma empresa controlada por duas famílias meio a meio, E um modelo que muitos dos nossos colegas do IPO poderiam dizer que não deveria ter funcionado nunca. Porque meu tio Arnaldo, que é o fundador, junto com meu pai, eles co-presidiram a empresa por 40 anos. Até eu virar presidente há uns 10 anos atrás, um pouco mais. E eles conseguiram juntos fazer isso dar certo.
É lindo, né?
Tem muitos livros acadêmicos que dizem que isso não vai dar certo nunca. Mas nós somos uma antítese, porque a empresa começou com uma mesa e duas cadeiras, né? Ela começou literalmente do zero. E aí, chegando aos 50 anos, a gente resolveu fazer um projeto muito legal ano passado que se chamava Projeto Alma. Talvez por cuidar da alma, da essência da empresa. E ali a gente foi mergulhar em temas de governança. Foi um projeto de um ano inteiro, de muitas horas, mas muitas horas mesmo, cuidando do conselho de acionistas, cuidando do conselho de administração. Cuidando do conselho de família, cuidando de temas relacionados à parte mais executiva de diretoria. E eu te prometo que o resultante desse trabalho são 220 páginas estruturadas de documentos validados pelos fundadores, esposas, filhos, e isso já alinhado como é que vai impactar a terceira geração. Então, até a terceira geração, que a gente brinca que é G1, G2, G3, A gente realmente reorganizou tudo, revisitamos o acordo de acionistas, política de gestão do conselho de família, programa de desenvolvimento dos filhos e dos netos. Então tem uma jornada muito interessante aí que faz parte do projeto Engie Forme 100 anos.
Olha, parabéns, viu? Acho que é um grande legado você chegar nesse lugar, né? Tando nesse lugar e conseguir aproveitar da G1 É, sendo G2 e pensar na G3 e já ter conselho de família, administração e acionistas, isso é sempre um grande desafio, né? A gente vê empresas de quase 100 anos sem acordo de acionista assinado, então maravilhoso, parabéns. E eu queria falar um pouco disso, da sua volta para a Engieforme, né? Porque a gente também ouve bastante aqui sobre como que é trabalhar, como que foi para você e como que é trabalhar em empresa familiar, ser o filho do fundador, ser o sobrinho dos dois fundadores, como é que foi para você voltar, chegar e aí conquistar o seu lugar e o seu espaço?
Eu vou chegar na volta, mas antes eu quero passar num ponto na chegada, porque a pergunta passa por chegadas. Acho que é muito legal poder também comentar aqui, e eu tenho percebido, Sheyna, que os filhos dos YPOs têm ouvido nosso podcast. Então esse depoimento que eu vou deixar aqui Talvez seja pros iangs, né? Eu quando cheguei em Nova York, recém-formado engenheiro do McKinsey, achei que eu fosse já ser alguém, né? E na verdade, o começo da minha carreira em Nova York foi servindo café, passando fax, tirando xerox muito, bom, tirava com as duas mãos, tirei muito xerox, né? Abria a porta, enfim, atendia telefone. E logo no começo ali da carreira, eu juro que eu tinha feito inglês na Cultura Inglesa, não sei, eu lembro que tinha viajado muito pra fora, meus pais sempre incentivaram muito que a gente viajasse, No currículo, inglês avançado. Tudo tava lá escrito. Fluento. De repente, quando me deram a primeira cadeira mais importante, eu tinha uma patroa chamada Tina Carbo, que infelizmente faleceu no final do ano passado, fiquei super triste. Mas tocou o telefone, né? E eu atendi. E a Tina já olhou, né, pra ver que eu tinha que passar a ligação pra ela. E eu perguntei com quem eu tava falando. E a mulher falou: "Você tá falando... This is... blah blah blah." Aí eu peguei e falei: "Não entendi nada, nada, nada." Aí eu falei: "Olha, senhora, me desculpa, eu tô começando aqui agora. Se a senhora puder repetir de novo seu nome?" Fiz a forca já, né, pras letrinhas. E ela falou: "Blblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblblbl Aí eu ouvi e falei: "Puta vida!" Falei: "Olha, Tina, atende a Hillary Clinton." Ela falou: "Quem?" Falei: "A Hillary Clinton no telefone, acho que é melhor você atender, porque afinal, né, é a Hillary Clinton." Passei, passei pra Tina a Hillary Clinton, ela atendeu a mulher, azar meu, segunda, terceira executiva do Citigroup em Nova York, despachou tudo que precisava com a Tina e deixou a missão de demitir esse imigrante analfabeto recém-chegado no banco Demitido. Ali era um mês que eu tava em Nova York, tinha feito festa de despedida em São Paulo, vendido o carro, terminado com a namorada, alugado apartamento por 6 meses. Demitido. A Tina saiu que nem um trator, bochechas vermelhas, "vai, não sei o quê". E aí, aquele momento que você fala: "O que eu faço agora?" Eu aceito essa demissão, ponho meu rabinho no meio das pernas, volto pra São Paulo completamente derrotado. Ou... E me saiu uma da manga. Falei: "Olha, Tina, eu peço desculpas, meu inglês vai melhorar, né, conforme... Inclusive vou até estudar mais inglês aqui." "Mas esse escritório é uma zona, Tina, eu nunca vi um escritório tão desorganizado, inclusive se você me deixar fazer umas planilhas dinâmicas pra você, você me dá uma semana, sua vida vai ser outra, você vai achar as coisas no computador, tal... Me dá uma chance, Tina." E ela falou: "Auf Wiedersehen!" e foi embora. E aí eu tive que tentar ir dormir em casa, e fui pra casa e deitei, devo ter ficado com os olhos abertos assim a noite inteira. E no dia seguinte, graças a Deus, a Tina voltou e falou: "Então começa a arrumar essa porcaria aqui." Mas se a Tina não tivesse me demitido ali depois de um mês, começo de 99, a minha história de vida teria sido completamente diferente, né? Então, eu acho que a gente tem que pensar um pouco assim, falando mais para os jovens, né? Esse lance da resiliência, de você não aceitar esses primeiros nãos de cara e não ser criativo ou curioso para tentar sair. É corajoso para sair desses, nossa, que a vida vai dar, vai dar, vai te apresentar. E da mesma forma que eu tive esse na volta, quando eu cheguei em Nova York, a volta para o Brasil ela não foi simples. Aliás, ela não foi nada simples, porque eu brinco que foi o meu maior erro e o meu maior acerto, a volta. A volta ela foi marcada pelo seguinte: o momento que meu pai fazia 60 anos, ele chega para mim Numa ligação telefônica e falou: "Olha, filhão, fiz 60, sabe que suas irmãs não vão trabalhar aqui na empresa, não tenho certeza se os filhos do Arnaldo vão trabalhar na empresa, você não quer considerar começar a ir voltando, vir bater um papo comigo, né?" E aí eu vim conversar com ele, entendi que era um chamado pra voltar, e quando eu voltei, que eu brinco que foi uma hora certa, Eu cometi o maior erro, porque eu não combinei nada com ele, com Arnaldo. Absolutamente nada.
Você apareceu aqui.
Então, não, assim, eu era—
Não combinou o que você ia fazer e—
Nada. Eu contei, assim, eu era Senior Vice President em Nova York, tava já indo pro meu 8º ano, tinha uma remuneração muito relevante, morava em Manhattan, num ponto super legal, e tinha um escritório olhando pro Central Park, liderava um grupo grande de pessoas, tava de terno e gravata, bonitão todo dia. E aí, quando eu cheguei na Engeforme, Me despedi na segunda-feira na Madison com a 57, choradeira lá na mesa e tal. Inclusive tenho contato com muita gente que eu trabalhei até hoje. E aí chego aqui, capacete, uma bota, uma trena, e eu olho e falo: "Mas o que que é isso aí? Para quem que é isso aí?" "Não, você é bem-vindo de volta." Falei: "Ah, que legal." "Eu vou usar como isso aí?" "É, você vai usar como engenheiro zero na empresa. Você precisa reaprender tudo de engenharia. Você esqueceu tudo." "Ah, então eu preciso aprender tudo de engenharia. Sou engenheiro zero." "E quem lidera engenheiro zero na empresa?" "Engenheiro zero lidera os estagiários, lidera os supervisores, os médicos, não sei o quê." "Boa. E qual que é o meu primeiro desafio?" "Não, nós vamos transformar o Carandiru." no Parque da Juventude. Eu falei: o Carandiru? Aquele onde teve aquela tragédia do filme lá? É, é, 2 anos e meio no Carandiru, você vai transformar no Parque da Juventude, vai ter um timaço com você e tal, você vai aprender engenharia lá. Então eu brinco que eu fui da Médico 57 para ser lá 4 do pavilhão 4 do Carandiru, né? Literalmente foi, né? E ali eu trabalhei muito, que aprendendo engenharia e Porque, de novo, eu acho que essa história é bacana, porque a gente falava sobre livros, livros que te permitem viver uma vida com mais humildade, né? Você falava. Realmente, ali eu tive que aceitar dar muitos passos pra trás, acreditando que eu ia viver uma vida com muito mais propósito. Porque lá em Nova York, foi muito legal, porque a Salomon Brothers me parou e não tinha uma área grande pra cuidar de Brasil. Por que eu fiquei tantos anos? Eu tava numa powerhouse, né? Eu tinha um cartão de visitas super poderoso e tinha pouca gente naquela época focando em Brasil.
Que falava português, que sabia de Brasil.
Isso, e aí a gente foi abrindo a área que cuidava de pessoas, mais a área institucional. E a minha sócia era uma pessoa muito bacana, né? E de repente a gente criou uma unidade de negócio muito grande lá. E ao voltar, foram muitos passos pra trás na minha carreira. E na Engieform, a gente pra ver, a carreira vai evoluindo, mas lá tem todo um processo, tem toda uma governança, tem todo um rito.
Você falou de engenheiro zero, imagino que depois é 1, 2, 3, enfim.
E daí coordenador, e aí gerente, e aí não sei o quê, e depois diretor. E assim foi sendo a minha história dentro da empresa.
Olha só, mas você teria, looking back, agora que você tá nessa fase de olhar feito diferente, você acha que se você tivesse negociado Talvez eu tivesse pedido pra eles, porque fui pro salário de engenheiro zero, né?
Eu vou te pôr em dinheiro de hoje, talvez R$8.200, ganhar o primeiro dinheiro recém-formado. Eu já tinha dois filhos, né? Então assim, os primeiros anos de Ingefone foram literalmente uma aposta, pagando pra trabalhar, pra poder estar num lugar que eu acreditava que ia construir uma nova empresa. Porque a empresa que eu cheguei e a empresa que a gente tem hoje É uma coisa completamente diferente. E eu sou muito grato aos fundadores, meu pai, meu tio e aos conselheiros que estavam com eles, porque eles me permitiram chegar cheio de ideias junto com o IPO, era o Gilberto Feldman, que chega em 2008, né? O Gilberto chega em 2007 ou 2008 e juntos nós que somos a segunda geração da empresa, a gente assumiu uma empresa que era de um jeito em 2006, uma construtora que trabalhava pro setor público e privado, que talvez faturasse ali, sei lá, 50 e 500 colaboradores, num grupo muito diferente hoje, entendeu? Um grupo que se transformou muito, cresceu muito e criou muito impacto positivo em várias dimensões. Então, eu sou grato assim aos fundadores, ao meu pai, ao meu tio e aos conselheiros que estavam ali no começo por permitir tanta transformação.
Olha que legal, muito impactante a história, né? Ficar pensando nesses aprendizados e nessa coragem também do pai, né? De pegar, não é que ele não sabia, sabia que você tava bem lá em Nova York, ele te visitava, você veio para cá, ganhava. Essa coragem de fazer uma proposta dessas e acreditar que isso ia fazer a diferença.
Mas tinha uma coisa que talvez nem ele nem eu soubéssemos tamanho da magnitude, que é o tal do tema do propósito, né? Na sua abertura você falou do quanto eu gosto de viver minha vida em cima de um propósito, que eu demorei muito para achar, né? Hoje eu falo desse jeito, mas durante 40 e tantos anos eu não sabia muito bem qual era o meu propósito de vida, né? Lá no banco, com certeza eu não podia fazer a diferença na vida do máximo de pessoas através da minha arte de engenharar, seja qual for a arte de engenharar. Mas quando eu volto para a Engenforme, trabalha no Brasil em 17 estados, às vezes a gente tem 10 mil funcionários, às vezes 7 mil funcionários, depende do momento do ano. Eu acho que a gente faz coisas incríveis que fazem a diferença na vida de milhares de brasileiros. E como um bom engenheiro, eu adoro quantificar essas coisas, sabia? Quando eu penso—
Alguma delas assim? Acho que transformar uma prisão em parque é uma delas.
Essa é uma delas. Muita gente frequenta. Já foi no Parque da Juventude? Jura?
Juro.
Que legal, porque pouca gente acho que do IPO deve conhecer o Parque da Juventude, mas eu convido vocês a conhecerem. Não só porque o parque é bonito, né? Tem uma biblioteca linda que a gente fez também, mas é um parque de 60 mil metros quadrados, super arborizado. E deixa ainda mais uma dica: o melhor restaurante de comida armênia árabe do Brasil fica ali do lado, chama Casa Garabed.
Olha isso mesmo, delícia de comida.
Fui na dica e me perdi onde eu tava.
Você tava falando das grandes obras e grandes impactos que vocês fizeram, além do Carandiru, que a gente já mencionou.
Eu gosto muito de quantificar cultura e as coisas que a gente faz, né? Então, até um pouco de tempo atrás, a gente tava construindo 11 hospitais simultaneamente no Brasil. A gente tava lá em Novo Hamburgo fazendo uma Unimed, tava lá em Natal fazendo uma Unimed, tava trabalhando no Espírito Santo, tava trabalhando em Minas Gerais, tava trabalhando no Ceará. Era um monte de hospital ao mesmo tempo. E a gente resolveu fazer uma pesquisa, Xena, que foi a seguinte: a gente já fez mais de 42 hospitais, mais de 7 mil leitos, e a gente foi nesses hospitais para tentar descobrir quantos milhões de pessoas são atendidas por ano nesses hospitais, quantas pessoas passam, e por aí vai. E essa nossa pesquisa resultou em 50 milhões de brasileiros passando, atendidos todos os anos nos hospitais que a gente construiu. Olha, então aí você materializa pro pessoal que tá ali na produção, um pedreiro, um servente, um pintor, que na verdade não tá fazendo a parede, né? Ele tá construindo equipamento de saúde de primeira que vai salvar a vida de um monte de gente, às vezes da família dele, às vezes da própria família dele, que foi o caso de um cara lá no Rio de Janeiro que a gente viveu na Rede D'Or recente. A gente fez um hospital maravilhoso na Barra da Tijuca pro Paulo, pro Paulo Mão, nosso colega do IPU. E uma pessoa da nossa equipe precisou ser atendida nesse hospital e só foi salva porque tava lá. Se tivesse ido pra algum outro hospital, provavelmente não teria tido o cuidado de qualidade como teve lá na Rede D'Or, né? E aí quando a gente vai pra área de saneamento, que é outra área que eu amo, foi muito fácil pra gente também quantificar o impacto das nossas obras de água e esgoto que a gente fez nos últimos 10 anos. E ali a gente consegue atingir 30 milhões de brasileiros. Aí você pega o Giba da Engenform Energia com os parques eólicos de Serra das Vacas, que levam energia limpa e sustentável para uma cidade de 500 mil pessoas, cidade de grande porte, com suas indústrias, né, seus hospitais e tudo mais. Então eu gosto muito de poder medir esse impacto nosso feito através desse propósito.
Que legal, que legal, André. Tenho certeza que isso motiva inclusive as pessoas que trabalham. E é bom porque é um tema que eu tava querendo entrar, era o tema de cultura. Acho que Cultura é algo que é um dever dos líderes, especialmente empresas com alma, como foi o projeto de vocês ano passado e como eu sei que é a empresa de vocês. E eu acho que a cultura, o jeito de você falar, certamente é o jeito do seu pai, do seu tio e é algo que vocês têm o desafio de como perpetuar, né? Essa preocupação de não estamos só construindo, colocando parede, tijolo, aço enfim, um em cima do outro, a gente tá construindo uma infraestrutura pra suportar e pra que a vida das pessoas seja melhor, né? Então, como que você faz? Como que você— você me contou um pouquinho, né, de quando você estuda cultura, o quanto você se preocupa em cultura, o que que você faz na prática, como você vê cultura e como você faz na prática pra levar essa cultura que tá tão presente em você pra um time tão grande, né? Milhares de pessoas.
Legal, obrigado pela pergunta. Eu acho que o tema de cultura, né, eu comecei a entender a importância dele quando eu estive em Nova York. Essas grandes escolas multinacionais nos ensinam a ver cultura de um jeito muito diferente. E o que é curioso é que quando eu cheguei na Engieform em 2006, a gente celebrava 30 anos. E é claro que a empresa tinha uma cultura muito forte, mas ela não estava escrita em lugar nenhum, você acredita? Então, um dos grandes trabalhos que a gente fez logo depois da minha volta foi tentar tirar dos rostos...
Colocar em palavras, é difícil, né?
Colocar em palavras, assim, mas nós não tínhamos a missão, não tínhamos visão, não tínhamos atributos, não tínhamos valores, não tínhamos propósito, não tínhamos nada. E juntos, aí eu brinco, né, chamo das duas gerações, né, os mais experientes que trouxeram aí, abriram a floresta, tal, trabalhando junto com os mais jovens que foram chegando, a gente foi construindo essa cultura. Esse elemento vivo. E aí também tive a chance e a oportunidade de fazer o OPM lá em 2011, que acho que foi um marco na minha vida, né? E tantos colegas do meu OPM 43 estão aqui no IPU conosco, né? E eu gosto tanto disso. E lá a gente também mergulhou muito na importância da cultura nas empresas. E aí, dentro da minha cabeça, assim, de empreendedor, eu me considero muito empreendedor, sabe, China? Mais do que engenheiro, eu me considero empreendedor. Eu falei: olha, e se a gente então Consiste em criar uma empresa com uma cultura muito forte. E que a cultura fosse o elemento de trabalho da liderança mais relevante. Porque agora a gente vai mexer em estratégia no começo do ano. Todo começo de ano a gente vai lá, faz o alinhamento estratégico, tal, revê estratégia. Às vezes chegam as consultorias, ajudam, tal. Mas cultura é todo dia, né? E pra trazer o que é teoria um pouco pra prática, Eu tenho algumas coisas que eu gosto de fazer que trabalham com bastante firmeza cultura, né? Na minha agenda de CEO da engenharia e do grupo, eu tô direto interagindo com negócios, áreas, fazendo o Papo com o André. A gente chama na engenharia de Papo com o Ava. E não tem um Papo com o Ava que eu não começo falando sobre cultura. E os elementos de cultura, eles têm que ser trabalhados de forma diferente ao longo do tempo. Porque pode ter um ano que você quer fortalecer mais a sua agenda de aprendizagem contínua. Daqui a pouco eu vou contar para vocês da nossa academia, que se conecta tanto com essa jornada do IPO, de lifelong learning, né? Pode ter um momento que você precisa cuidar mais da saúde e segurança do time. Para para pensar, China, toda noite quando eu vou dormir, eu preciso garantir que no próximo dia 10 mil pessoas vão trabalhar nas nossas obras e vão voltar para casa sem acidentes, vão voltar melhor do que chegaram. É um desafio enorme, né? A gente trabalha o senso de propriedade, relacionamento interpessoal. Então assim, nos papos com a AVA a gente trabalha cultura, nas mesas a gente trabalha cultura, nome das salas de reunião são os valores da empresa.
É, tem símbolos e sistemas, né? Não é só muito.
E assim, isso tem que ser multiplicado por toda a liderança. Queria só reforçar Que claro, eu posso ser o embaixador da cultura, mas se a gente não consegue cascatear isso através de toda a liderança, em todos os seus níveis, a cultura não se perpetua. Então o que eu gosto de pensar, mais do que de pensar, de ver, é que quando a gente fazia o Mundo e Média em Novo Hamburgo, se você voar de Novo Hamburgo até Natal são 5 horas de voo, pra gente ver o tamanho do Brasil, a cultura da Engeforme fazendo a mesma coisa é a mesma.
Legal.
E eu adoro sentir isso. Outro dia eu fui visitar um negócio nosso em Itabira e voltei super contente. Foi a primeira vez que eu fui lá ver o negócio e a cultura tava presente. E a cultura tava presente nas paredes, mas nas conversas e nos bate-papos, né? Então realmente eu acredito muito naquela frase que a cultura come a estratégia no café da manhã.
Ah, também adoro.
Deixo aqui a dica do livro do Sanjay Gulati pra quem não leu.
O livro Deep Purpose, para mim, foi um livro que realmente me ajudou a abrir minha cabeça sobre como dirigir uma empresa através do propósito, propósito genuíno, autêntico, e que as pessoas possam se conectar. Exatamente. Sem dúvida, sem dúvida. Que legal, André. Eu acho que a gente falou um pouquinho disso. A minha época de startup, a única coisa que a gente tinha era propósito para oferecer para as pessoas. E aí eu vi qual o poder e o valor de oferecer propósito. Então é muito legal. E acho que tem o desafio de como manter, né? Como manter isso. Eu falo que é sempre uma preocupação do líder, você já falou que é levar isso para as lideranças. Você falou que cultura é todo dia, né? Então você tem que ver todo mundo vivendo e demonstrando aquela cultura todo dia e tá sempre muito alerta para garantir que qualquer desvio a gente ajuda a corrigir, né? Com certeza, mas é o tempo inteiro, viu? E eu acho que você mencionou Gilberto, né, o Giba, que tá com vocês, a construção da Serra da Vaca. E eu fiquei sabendo que você levou seu filho mais velho para lá. Como é que foi isso?
Conta um pouco dessa experiência. Inclusive, um abraço para o Giba, que era do meu fórum, querido. Grande Giba. Para mim foi muito emocionante. Poder ir à Serra das Vacas com o Pedro, porque primeiro ele tá agora estudando, estudando 6 meses fora do Brasil, então a gente vai ficar, não sei se eu vou conseguir vê-lo ao longo desses 6 meses, né? E eu queria ter um momento pai e filho e queria também ajudar ele a entender o que que é pra nós o maior investimento da nossa família, que são aqueles 3 parques que a gente tem, os quase 100 aerogeradores que geram 242 megas, E o gostoso dessa viagem com o Pedro foi que primeiro eu fiz o Giba ouvir o podcast, o Pedro ouviu o podcast do Giba pra entender um pouco mais. Aí fui explicando tudo, e aí o Pedro foi entendendo, e o Pedro já conhece, já estagiou várias vezes alguns períodos na empresa, e ele consegue conectar com os temas de cultura e tal. E a gente fez um novo parque agora, com uns equipamentos super modernos, porque eu já tinha ido em Serra das Vacas antes, E a gente tinha que subir no aerogerador pelas escadas, né? E é um desafio enorme, assim, pra quem não tem problema com altura e esforço físico, porque são 120 metros de escadinha marinheiro. Mas esse novo, ele tem um elevadorzinho top.
Ah, é?
Você sobe assim, ó... Fica assim?
Como é que é?
Apertadinho? Apertadinho. Vai de 2 assim, apertado, mas chega lá em cima... E lá em cima, esse novo aerogerador nosso parece um apartamento amplo de Higienópolis, com muitos quartos e sala. E aí eu cheguei lá em cima... "Da outra vez eu tentava tanto, não tinha conseguido fazer uma foto como eu queria. Esse dia eu tomei coragem, fiz minha foto. Aí o Pedro chegou em seguida, eu já tava com medo, né, porque venta lá em cima muito alto. E quando eu olho, o Pedro explorando tudo era gerador, subiu mais alto, foi pra cá, foi pra lá e resolveu tirar uma foto num lugar que ele sentou, que é onde tá a hélice assim, né, e ele olhava pro infinito, pro tamanho do mundo, né." E ficou ali um tempo meditando, refletindo, e eu achei tudo aquilo tão bonito, sabe? E talvez se conectou um pouco com meu pai me levando na infância ver as coisas da nossa empresa. Olha que legal. O Pedro estudou psicologia.
É isso que eu ia perguntar, o que ele estudou?
Ele estudou psicologia.
Então, cultura é um tema certamente que ele gosta.
Muito, e pessoas, né? Sem dúvida, pessoas. Então foi uma viagem muito bacana, foi muito gostoso ver a materialização de um sonho grande nosso, que foi a criação do terceiro parque Serra das Vacas. E o Giba, né, o Giba tem como propósito lá na Engie Farma Energia essa transformação da matriz energética para uma matriz mais limpa e sustentável, né.
Com certeza, lindo também, a gente se orgulha muito. Ai, parabéns! E que emoção, a gente ouve muito isso, né, o de pai para filho, de pai para filho, enfim, essas, esses momentos e essa possibilidade de mostrar o impacto da família e E tá lá presencial, você com 5, né? Enfim, levou o Pedro, depois vai levar cada um e cada um vai ser uma experiência diferente. E o quanto isso marca. Aqui no podcast a gente tem muita gente que conta: "Ah, eu lembro que meu pai me levou..." Bom, você mencionou, mas eu lembro de ir na fábrica de bolos, na fábrica de algodão, na fábrica de tal. E isso marca muito a vida das crianças, dos iangs que a gente falou aqui. Então, que legal, que privilégio, Pedro. É, e que bom que as gerações anteriores fizeram tanta coisa legal para poder, para poder mostrar, né? Legal mesmo. Queria entrar um pouquinho na parte, um pouquinho mais nessa parte de pessoas, né? Que você falou um pouco do momento lá nos bastidores, do momento da pandemia, dessa questão de cuidar de pessoas. E nessa época você fez a empresa faturar 150% a mais, um plano que ninguém tinha previsto e foi algo diferente. Aí junta isso a criatividade, ousadia, coragem com planejamento. Como é que conta um pouquinho mais como é que você fez isso?
Acho que a primeira coisa que eu queria contar assim é que eu vim de Nova York na época de setembro 11, né? Eu tava ali.
Você tava em Nova York?
Tava ali no World Trade Center, em Nova York. Vivi tudo com muita intensidade.
77 Comédia, isso foi na...
Não, mas eu tava naquela época trabalhando num outro lugar, mas eu vivi tudo com muita intensidade. Então, quando veio a crise do COVID, aquele tava guardadinho. Como fazer o plano de crise, como montar as equipes, como colocar o foco total no cuidado com as pessoas, cuidado com a saúde, né? Acho que realmente a Engenforme naquele momento Trabalhou muito bem, assim, cuidou muito das pessoas e acho que fez muita diferença. Mas assim, a pandemia trouxe prejuízos pra todas as empresas. Não tem empresa que não sofreu com a pandemia. A gente também assim foi. Acho que a pandemia começou no final de 20, a nossa principal dor chegou em 23. Você acredita? 21 a gente foi um pouco melhor, 22... É uma combinação de um monte de coisas. Mas 23 foi o ano da dor, né? E eu brinquei ao abrir a primeira reunião desse ano, que na minha visão a gente fechou 25, eu tô super contente com os resultados que a gente entregou, um ciclo de 5 anos impactados pela pandemia. Porque de um jeito ou de outro, até o ano passado, a gente ainda tinha ressaca pós-pandemia. O começo de 25 tem a marca de ressaca pós-pandemia. E o que eu espero E aí, acho que, não sei se ele tá rindo de mim, é que a gente possa ter agora 5 anos um pouco mais tranquilos.
Vacas gordas.
De vacas gordas, né?
Ano presidencial, ano de eleição.
E no final, eu acho que a gente conseguiu, Xenia, ao longo dos últimos anos, criar um grupo de 5 empresas que se complementam muito. Acho que o crescimento do grupo nosso vem um pouco dessa inquietude como empreendedores, porque se eu cheguei era uma empresa de engenharia, a desenvolvimento imobiliário tava nascendo, nasceu um braço relevante nosso, que era uma empresa de energia, que é a maior empresa do grupo, tem uma empresa de concessões e investimentos, temos uma gestora e estamos com um olhar muito diferente como fazer essas 5 empresas trabalharem juntas e terem um potencial pela sinergia que talvez alguns competidores nossos não tenham.
Eu ia te pedir um pouco disso, né, na abertura eu falei das 5 e você mencionou agora muito rapidamente, mas como que Você, como olhando com esse olhar da holding, né? O que que você vê de complementariedade? Como que você vê essas 5 se ajudando e se complementando?
Primeiro assim, eu preciso aprender a ser um CEO da holding, tá? É, então pode ser o novo, tô há 6 meses ali, ainda acumula da engenharia, né? Que é onde tá nosso maior faturamento, os maiores desafios do dia a dia. Então, com certeza, sim, ser CEO da Holding é um novo desafio para mim. Mas eu vou te dar um exemplo de uma coisa que aconteceu conosco que me traz muito orgulho e satisfação, porque se conecta com negócios, mas se conecta com propósito, né? Ano passado, nós ganhamos a primeira PPP educacional do Brasil. O Governo do Estado de São Paulo resolveu contratar empresas privadas para construírem 17 escolas Greenfield e operarem durante 25 anos. Nós nos juntamos ao Quineia, então Engenforme e Quineia ganharam um lote, né, que tá agora em construção, as escolas estão em construção no estado de São Paulo, e nós vamos levar educação de qualidade, uma escola nova construída com arte, que vai ser bem mantida, que vai ser bem operada, né, por 25 anos. Então A gente tem muita paixão pelo tema de educação também, né? Nós temos uma academia na Engieforme, onde a gente dedica uma porcentagem relevante da folha de pagamento pra levar formação pro nosso time. E essas escolas foram um caso de sucesso pelo seguinte: a Engieforme Concessões e Investimentos participa desse BID, a engenharia sabe orçar escolas e sabe executar se necessário. O Giba Energia pode vender energia limpa, sustentável, mais barato. A nossa gestora capta dinheiro no mercado e a Desenvolvimento Imobiliário é especialista em manter 120 mil metros quadrados de edificação aqui em São Paulo. Então, as 5 empresas junto com a fortaleza do Quineia, né, aquela potência financeira e grandes gestores amigos e parceiros lá, a gente se juntou e tivemos sucesso nesse projeto. Mas ali você viu a Ingeform, a força do todo, né, a força do todo trabalhando de forma sinérgica. Tanto é que a gente tem hoje um comitê de sinergia que acontece regularmente para ver como é que essas empresas conseguem se ajuntar a ser algo maior do que uma ação individual. Acho que esse é o meu maior desafio. Como olhar o grupo transversal, como através desse olhar transversal vou buscar redução de custo, melhoria de eficiência, fortalecimento de cultura. E claro, o maior papel de todos os líderes, a gente não pode sair daqui sem falar disso, Que é a geração do resultado, é entregar as metas, né? Como diria o professor Falcone, o líder tem que bater as metas fazendo certo com o time. Esse trabalho em sinergia, todo mundo trabalhando junto, né? Colaborando de forma cooperativa, sem burocracia, sem politicagem, né?
Pequeno desafio, é pequeno desafio.
Daí vem os cabelos brancos que me restam.
Não sei do que você está falando. Ai, maravilhoso, vou querer acompanhar isso aí, que vou ter essa oportunidade de acompanhar todos esses desafios e entender exatamente qual é essa força do todo e que outros projetos e oportunidades você vai poder juntar essa fortaleza que é a holding, né? Agora eu queria mudar um pouquinho de assunto, lá na abertura eu falei de impacto social, Queria falar agora mais sobre a Associação Beneficente Santa Fé. Já tive a oportunidade de participar de algumas ações, acho lindo, maravilhoso o trabalho de vocês, me emociono quando participo, me emociono quando ouço as histórias, mas não sei se todo mundo conhece, então conta um pouquinho mais pra gente sobre a Santa Fé.
Obrigado por poder falar aqui porque muitos YPOs me veem me expondo muito pela Santa Fé, né? Eu realmente faço isso com muito gosto, porque em 1998 a gente foi procurado pela fundadora da Santa Fé, a Márcia Dias. Ela tinha fundado a Santa Fé em 95 e ela vinha no momento de muita necessidade de apoio financeiro e de gestão. E ali naquele momento, Arnaldo abraçou a Santa Fé e passou 12 anos à frente de um conselho ajudando a Santa Fé mudar a história de crianças e adolescentes. Vítimas de abandono, maus-tratos e violência. A gente fala assim, não tangibiliza muito o que a Santa Fé faz, mas o que ela é mais reconhecida, Xenia, é em ter as casas que a gente acolhe as meninas mães vítimas de estupro. É aí que está a nossa principal bandeira, é isso que a gente faz há mais de 30 anos, que é acolher essas meninas de 12, 13, 14 anos que chegam grávidas ou logo depois terem seus filhos e tentar ajudar essas meninas, ressignificar essas histórias e reverter esse ciclo vicioso, pra que elas possam voltar pra sociedade e ter a vida que elas merecem ter, né? Em 2011, quando eu fui fazer o OPM, eu tava lá no módulo 1, e ali eu ganhei um grande amigo de vida, que até hoje pra mim, assim, um cara espetacular, que é o Marcos Urrai. Cê precisa dar um jeito de um dia trazer o Marcos Urrai aqui. Ele vai fugir que nem o diabo da Helena. Sei, eu conheço o Marquito.
Então você me ajuda, por favor, porque eu acho que eu já convidei ele.
Não sei como é que nós vamos, é uma meta, é uma meta. Eu vou ter que discutir isso pessoalmente com ele.
Meta para 2026, né?
E aí eu falei: isso, o que que você faz para ajudar alguém assim, terceiro setor, tal? A gente lê um caso que remetia a isso, né? Aí ele falou: cara, eu acho que eu faço pouco, tal. Falei: vamos escolher um projeto, empurrar juntos. E ali em 2011, eu com o Suhay, a gente cria um conselho de apoio à gestão da Santa Fé, de amigos, né? E aí eu fui ampliando, fui me tornando uma pessoa mais vocal no sentido de provocar as pessoas a fazerem algo. Minha grande provocação, China, nunca é assim: venham ajudar a Santa Fé. Provocação assim: é impossível ser um bom cidadão e não fazer nada. E pode ser velhinho, pode ser doença, pode ser o que for, mas alguma coisa tem que ser feita. E aí eu comecei a ir nas minhas tribos, na tribo da escola, na tribo da faculdade, dos amigos de Nova York, e por aí foi. Hoje, não sei se você sabe, no Conselho de Apoio à Gestão da Santa Fé nós temos 7 YPOs, que de algum jeito dão uma mão lá pra Santa Fé. E ali a gente mudou a história de 7 mil crianças.
Isso que eu ia te perguntar, falar um pouco dessas que são crianças mesmo, né? Você fala 12, 13, 14 anos, enfim, a menina já tá fértil, passa por um ciclo ali de abuso, violência. Ser mãe, bom, você tem 5 filhos, eu tenho uma, a gente sabe o quanto a responsabilidade que isso é e o quanto isso muda a vida. Ser mãe aos 12, 13, 14, ainda é uma criança, uma criança que tem outra criança. Então, ia te perguntar um pouco, são 7 mil crianças, né, que você já encontrou.
Não é um número tão grande, né? Às vezes as pessoas me questionam sobre o orçamento da Santa Fé. Versus número de atendidos, mas a questão é a seguinte: primeiro, nós não somos um projeto de escala, a gente é um projeto de nicho. E cada uma vida dessas que a gente muda... Eu queria te falar sobre a engenheira Carol.
Isso que eu ia te perguntar.
A engenheira Carol participou do programa de mentoria com o Tom Osborne. O Tom mentorou a Carol. E ele ficou tão impactado pelo que foi a história de vida da Carol. Carol hoje vai se formar em engenharia no McKinsey, que nem você.
Olha que legal.
Trabalhando em G4 já há muitos anos. E a Carol teve a história completamente ressignificada, conforme muitas outras.
Ela entrou pela Santa Fé.
Pela Santa Fé.
Hoje é mãe, é engenheira e mãe de uma criança já.
Isso, e participou do trabalho do nosso programa de mentoria de jovens em vulnerabilidade, por aí vai. E o Tom, assim, tem certeza que o Tom nunca mais vai largar a Carol ao longo da vida dele, porque o programa de mentoria não acabou quando encerrou do IPO.
Nunca acaba.
Ele vai com a Carol pela vida, né? Então eu tenho muita paixão por esse projeto, eu tive também na Childhood. Eu só tive, Sheyna, que deixar de ser presidente do Conselho da Santa Fé quando chegou o convite para ser o presidente da área Brasil do IPO. Porque daí eu falei: são 5 filhos, são 5 empresas, Santa Fé, o IPO, é certeza que a Brigitte vai me dar um pé na bunda.
É isso que eu ia falar, tem uma esposa maravilhosa aí que você...
Então assim, aí eu saí da presidência formal do Conselho da Santa Fé. Mas quando terminou o meu mandato do IPO, uma das coisas que eu mais gostei de fazer foi me reaproximar da Santa Fé. Ali tem muito propósito.
É muito maravilhoso. Não é sobre 7 mil mulheres, crianças, enfim, é sobre 7 mil Carols, né? Você tá falando vidas, pessoas que—
qual seria a vida da Carol sem a Santa Fé? Eu vou te mandar depois um vídeo super bonito que tem Sobre... enfim. A gente foi parar no Festival de Cannes com um filme uma vez. Quando teve aquela exposição do Ron Mueck na Pinacoteca. A gente resolveu colocar uma criança imitando a principal escultura do Ron Mueck na porta da Pinacoteca. E aí passaram milhares de pessoas na fila e tinha um cartaz onde ele tava em cima que dizia assim: "Quando você vai querer ver gente de verdade?" Porque a gente passa na rua e às vezes vê essas pessoas e de repente eles são invisíveis. Eles saíram do bueiro, né? E é esse vídeo, ficou uma coisa tão potente, foi parar em Cannes, né?
Eu vou te mandar, você vai gostar de ver também no link.
Quando você vai ver, crianças de verdade, né?
Ai, maravilhoso!
Falando assim, voltando no começo da nossa conversa, tem origem na família da minha mãe, do João Vilacchi, da Suzana, porque eles eram vicentinos, né? E eles moravam em Genópolis. É devoto de São Vicente, tá, né? Muito religioso. Família da minha mãe muito religiosa, morava ali do lado do Mackenzie, né?
Eu nasci na Itambé.
Eles estavam na Marquês de Itu, né? E com eles a gente foi aprendendo esse olhar para o próximo, né? Eu lembro muito deles sentado numa mesa cheio de pessoa de cabeça, de cabelo branco, né? Não posso nem falar muito de gente de cabelo branco assim, mas sempre cuidando assim, com o olhar do cuidar cuidar do próximo, ajudar o próximo. Então quando eu fui buscar dos porquês, né, eu tenho esse negócio dessa chama dentro de mim tão, tão grande, né, acho que tem origem nisso.
E ter assim esses meus colegas no Conselho de Apoio à Gestão da Santa Fé, tantos amigos. A Thaisa é uma pessoa que ajuda assim, quando chegar a hora da Thaisa ajudar, é a Thaisa com aquela potência, você tem que segurar porque ela vai lá e ela resolve, sabe, ela faz. Gente que faz, gente que faz Com certeza, ele faz sempre melhor do que você pediu, né? Deixa até um obrigado aí para a Thaís e para todos os conselheiros aí do IPO. Ai, que legal. André, está uma delícia aqui, queria explorar muitos outros itens, mas a gente já está chegando no fim. Você comentou sobre o IPO, né, quando você assumiu a diretoria Brasil. A gente sempre termina falando um pouco do impacto do IPO na sua vida, né? E eu acho que você mencionou em vários momentos, né? Mas queria que você falasse um pouquinho, se você fosse dizer o que o IPO mais impactou, como foi, Foi ser diretor da área Brasil? O que que você traz e leva de YPO até hoje?
Quando a gente fala de YPO, a primeira coisa que eu tenho que sempre lembrar é de agradecer meu amigo Vasco de Oliveira. Eu não sei se você já conheceu o Vasquim, mas também é outro. Eu sei que ele já esteve aqui, mas que vale você conhecer, fazer um microfórum. Uma mente brilhante, meu amigo querido do coração que me convidou para estar aqui. Eu tava no Vistage, eu não sei se você conhecia o Vistage. Não. Vistage é um IPO só fórum.
Tá.
Eu adorava estar com aqueles meus 10 amigos, colegas de fórum, fiquei muitos anos lá e quando eu saí do Vistage, até saí sentido, tava inclusive com o De Luca no mesmo fórum e vim pro IPO com o convite do Vasquinho. E uma das coisas que ele me falou, ele era o chair Brasil naquela época, era assim: pula pra diretoria porque dentro da diretoria você vai conhecer um IPO de um um tamanho completamente diferente de quem tá só pertencendo à organização, né? Então, Paulinho Scaffi logo me chamou para ser Assistant Learning, e aí eu comecei a trilhar toda aquela carreira, né, nas diretorias em São Paulo. E eu acho que a beleza do YPO, para mim, tá na cultura do YPO, que se conecta tanto com a cultura da nossa empresa, da minha filosofia de vida. Né, um lugar onde assim, lifelong learning, né, que tem a ver com a nossa academia em Geform, que a gente fez aos 47 anos, que forma as pessoas de um jeito tão legal, né, essa possibilidade da gente conhecer as pessoas e aprender juntos e se desenvolver como filhos, como pais, como parceiros, maridos, esposas, e por aí vai, né, executivos principalmente, né, Isso é uma coisa super bacana. Eu tenho dois fóruns muito legais. Deixa eu já um convite para quem só tem um fórum normal, que procure um fórum setorial, porque meu fórum setorial...
O seu é construção?
Construção. Eu sou o fórum número 1 de construção. Ah, legal. Eu tenho uma característica, Gina, que assim, é de curiosidade. Eu sou muito curioso. E logo que eu entrei no IPO, eu vi na internet, lá no nosso Connect, que tinha um evento na Dinamarca, na Singularity, sobre o futuro da construção.
Olha!
Eu nem sabia que existia Singularity na Dinamarca. E lá fui eu, um brasileiro entre 180 YPOers.
Uau!
De lá veio uma ideia de fazer construção de prédios de madeira engenheirada que, se Deus quiser, daqui a 6 meses, São Paulo vai ter no começo da Faria Limos, 2 primeiros prédios Comerciais de madeira engenheirada, madeira fornecida pelo nosso querido amigo Dario Guarita, o YP Horto também. Tá ficando lindo, Dario, os prédios. E aí o que eu queria contar pra vocês é que lá aquela comunidade de europeus, americanos, eles já conviviam em fóruns de construção com muita intensidade. E aí eu voltei com essa ideia e provoquei algumas pessoas, acho que era o Pedro Pena, o Luiz Vairo e tal, e a gente foi começando a criar os fóruns de construção. Que para nós são agendas super ricas, né? Então o IPO, desde que eu entrei em 2017, tem sido para mim assim um lugar de extrema relevância, não só para mim como para Brigitte, os nossos filhos, os nossos 5 filhos. Eu tenho uma gratidão enorme por tudo que eu pude aprender, tanto na diretoria, em especial na área Brasil, porque fiquei lá de junho de 23 a junho de 25. Ali liderando a área Brasil, mas com diretores assim de uma competência, de uma potência enorme, né? Eu vi o quanto a gente consegue fazer a nossa organização evoluir. Então se eu pudesse deixar uma mensagem para o pessoal, é assim: se aproximem mais da organização. Se você ainda não foi day chair de um evento, seja day chair. Se você ainda não foi num family, Vai no próximo Family agora em Trancoso, vai ser o máximo, o pessoal tá organizando com muito carinho. Se você não costuma frequentar os nossos eventos, frequente, porque a organização existe pra gente se transformar em líderes melhores através do network. Se você tá no IPO e você não frequenta os eventos, a gente não consegue aprender com você, né? Então a gente precisa estar com as pessoas, Xena. Precisa ir na festa de final de ano, precisa fazer microfórum. Você não sabe a quantidade de microfones que eu já fiz. Eu adoro fazer os microfones. E assim, o que eu acho mais legal é a abertura dos YPOs para fazer o microfone.
É, não existe pedir ajuda e não ter, né?
Não, veja, gente, por favor, respondem em 24 horas, hein? Tá lá na nossa cultura que o YPO responde o YPO em 24 horas. Vamos respeitar essa regra de ouro, né? Então assim, tem sido demais a jornada no YPO e sou super grato. A tudo isso que eu recebo. Quanto mais a gente dá, mais a gente recebe. Essa foi minha máxima. E se conecta, só para fechar, China, com o seguinte: o livro How Will You Measure Your Life, né, do meu paraninfo lá, fala como é que a gente vai medir a nossa vida.
Valeu a pena?
Valeu a pena? Você impactou o máximo de pessoas positivamente que você pôde impactar? Tudo isso vem, muito disso vem da história do João Vilac. Então, antes de você me dar um livro, eu vou te dar um livro.
Você já sabe qual é o livro, né?
Que eu escrevi com muito carinho aí, tive ajuda de outras pessoas, que conta a história do João Vilac, que também me deu uma régua.
Seu avô.
Meu avô, pai da minha mãe, que me deu uma régua da década de 30, de como ele calculava o preço de compra e venda pra fazer comércio. E então aquela régua, essa história, o professor, no final tudo se amarra. A gente tá numa jornada de poder impactar positivamente o máximo de pessoas que a gente se conectar. Então muito obrigado, né?
Ganhando um livro.
Espero que você goste aí, dona.
A história de uma doce família, João Vilac.
7 filhos, 14 netos, inspiração para minha família grande.
Falo que a sua pequena família, né? Porque ele tinha 7, você só 5, então É verdade, André. Para escolher o livro para você, geralmente a gente dá livros de negócios aqui, mas a gente escolheu um diferente. Não sei se você conhece, A Coragem de Ser Imperfeito, da Brené Brown. Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é. Eu acho que você já faz bastante isso.
Espero que você goste, mas vou melhorar, vou fazer melhor.
A gente sempre pode melhorar, né?
Se orgulha muito de ser uma das empresas empresas de São Paulo que mais tem mulheres na liderança há muito tempo. Tem um ranking, e o ranking é sério, né? Qual percentual a gente chega na matriz? Claro que no campo é muito diferente. Na matriz, na Faria Lima, 70% da alta gestão é feminina.
Olha, parabéns! Legal, parabéns para essas mulheres!
Mas não foi intencional, viu? É meritocracia total.
Que legal!
Mérito das nossas mulheres.
Olha, quero conhecer essas mulheres. Muito bom, parabéns, viu, André? Maravilhoso! Conversa deliciosa.
Eu que agradeço.
Fora muitas outras coisas, obrigado de novo por estar aqui com a gente.
Obrigado a vocês aí.
Para vocês que ficaram aqui até o final, queria agradecer por assistirem o IPOcast e lembrar que os nossos episódios, eles estão no Spotify e no YouTube. E assistam e até a próxima.
Até a próxima, pessoal. Obrigado pela oportunidade. Para saber mais, acesse o portal exame.com e busque pelo menu do site pelo canal Líderes Extraordinários.
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