A Biofilia | Podcast de Construção | ConstrueCast

YouTube podcast episode (ConstrueCast) titled "A Biofilia | Podcast de Construção | ConstrueCast" featuring host Paulo and guest Clara Lages (designer de ambientes). Recorded May 16, 2024. The conversation explains the concept of biophilia (term attributed to Erich Fromm, 1964), the 14 patterns of biophilic design grouped into elements, analogies and aspects of nature, and practical applications across corporate interiors, hospitals, highways rest-stops and urban planning. Benefits discussed include reduced blood pressure and heart rate, faster patient recovery, improved productivity, reduced absenteeism/presenteeism, thermal comfort, air filtration and flood mitigation (e.g., rain gardens). A notable project case: Eco Parada Madeiro (Castelo Branco) featuring >20m towers, vertical gardens, solar panels and rainwater capture. The episode links biofilia to sustainability and policy (active façades, plazas, linear parks, urban cooling).
Chapters
Constricast, arquitetura, engenharia e construção. Sejam.
Bem-Vindos. Está no ar mais um episódio do Constricast. E hoje eu tenho a honra de receber a Clara Lages. Ela é designer de ambientes. Vocês já ouviram falar esse termo? Ou isso acontece só na sua área?
Eu acho que a única faculdade que tem esse nome é a UENG, que eu me formei. Então, só lá que fala design de ambientes. É parecido com o de interiores, mas um pouquinho mais amplo, porque não restringe o interior. Pega algumas coisas de área externa, de áreas públicas também.
Então, antes de iniciar nosso bate-papo, eu queria fazer um agradecimento aos nossos apoiadores. A Produtora Infinity Plus, que é especializada em produção audiovisual para a indústria, arquitetura, engenharia e construção. A Workplace, arquitetura corporativa. Você que precisa de um ambiente produtivo, acolhedor. Você que quer proporcionar mais produtividade para os seus colaboradores. Claro, a Workplace é a melhor solução. E a VG.
Isso.
Fala da VG você. Vamos lá, vê se você está preparada.
A VG é uma empresa focada em paisagismo de performance. Então, hoje a gente trabalha mais com o mercado B2B, desde a parte de projeto, a implantação, manutenção, e sempre pensando em soluções que vão unir a performance com a sustentabilidade também.
E agora eu quero chamar a atenção para este episódio, você que está nas plataformas de áudio, eu te convido a vir assistir nas plataformas de vídeo também, que a gente vai contar alguns cases e vai mostrar algumas imagens para vocês entenderem a importância do paisagismo, a importância da biofilia nos ambientes. Então, sejam bem-vindos e bem-vindas a esse episódio, que eu tenho certeza que você vai ser profundamente tocado. Clara, só para contextualizar, o que é biofilia e qual a importância da biofilia num ambiente de trabalho, principalmente?
A biofilia foi um termo criado em 1964 por um psicanalista, Eric Fromm, e ele significa... vem do grego, a palavra bios, que é vida, e a filia, que é amor a. Então, unindo essas palavras, seria o amor à vida.
O amor à vida, já gostei.
Isso, e tem muito a ver com essa necessidade do ser humano de estar em contato com a natureza. A gente vem de uma evolução de milhares de anos. Antes, a gente vivia na natureza, fazia tudo com a natureza. De um tempo para cá, começou a criar esses grandes centros urbanos. A gente desconectou um pouco da natureza e, com isso, veio também essa questão do estresse, de depressão. por essa falta também desse contato. Então, a biofilia busca reconectar mesmo o ser humano com a natureza, através de diversas estratégias.
Sabia uma coisa que me chamou a atenção quando você fala dessa questão do amor à vida, né, que tá ligada, na verdade, que é, de certa forma, o significado da biofilia? Eu, Paulo, noto que quando você vai num ambiente ali que tem plantas, assim, geralmente as plantas, elas acabam trazendo vida para aqueles espaços.
Com certeza.
Porque quando você até tem um exemplo de um colega que ele fala, essa planta da minha casa, Quando ela tá... Quando chega alguém que ela tá bem, geralmente essas pessoas voltam. E quando entra alguém um pouco pesada, carregada, com energia, essa planta, ela fica numa... Assim, ela fica com as folhas um pouco murchas, enfim, elas... Essa planta é o sinal que aquelas pessoas geralmente não voltam mais na casa dele.
As plantas sentem, a gente está realmente conectado com a natureza. Eu acho que um exemplo também, quem já abraçou uma árvore, por exemplo, sabe qual que é a sensação? De relaxamento, de paz que você sente também. Parece brincadeira, mas quem não testou, acho que vale a pena fazer isso um dia também.
Agora, até uma outra pergunta que eu vou, só para a gente também já introduzir aqui direto, depois eu vou para algumas perguntas que tem aqui na internet. A biofilia, ela é planta? É só planta?
Não, gente, biofilia não é planta. Existem diversas estratégias para a gente poder trabalhar e tornar um ambiente biofílico. Biofilia é realmente um conceito que a gente consegue aplicar de inúmeras maneiras. E em 2014, Terapan, não sei muito bem como fala esse nome, mas teve um livro que fala dos 14 princípios da biofilia, 14 padrões para o design biofílico.
Vamos colocar na descrição dos conteúdos aqui.
E isso eu acho ótimo, porque é um ponto de partida para direcionar para os projetos também. Então, tem várias soluções que a gente pode trabalhar dentro desses pontos. Eu vou tentar falar resumidamente um pouquinho desses pontos também e como a gente consegue aplicar isso além da vegetação. São divididos em três grupos, que são os elementos da natureza, são as analogias da natureza e os aspectos da natureza. Dentro desses grupos, tem esses 14 padrões, que seria a conexão visual, aí sim entra essa parte de ter algumas plantas, ter alguns materiais naturais, trazer realmente a natureza para o ambiente. Tem a parte da conexão não visual. O que seria isso? Seria os outros sentidos, né? Então, olfato, um som. Então, colocar um som no fundo da natureza mesmo. Tem muita gente que escuta esses sons até para poder relaxar também, né? A natureza tem um ritmo nas coisas, nas árvores, em todos os elementos. Isso também a gente consegue replicar nos ambientes sem ser uma coisa muito parão, muito rígida. A ventilação é fundamental, principalmente se a gente consegue uma ventilação natural, uma corrente de ar. A presença de água, então, seja através de fontes, uma parede d'água, espelho d'água, aquários, isso também ajuda a gente a conectar com a natureza. A iluminação natural é fundamental também, até porque o nosso corpo tem um ciclo circadiano que tem a ver com o nosso reloginho biológico, que funciona de acordo com as 24 horas do dia. Se a gente não tem contato com essa iluminação natural, a gente fica meio perdido. Nosso corpo não sabe muito bem que horas são, o que está acontecendo ali. Isso atrapalha, afeta nosso descanso, nosso sono. É muito importante que, se não der também para poder ter essa iluminação natural, trabalhar com soluções, por exemplo, de iluminação dimerizável, que consiga ajustar nesse ciclo também. e os elementos também da natureza. Então, ter contato com a área externa para ver se está chovendo ou não, se está ventando, entender um pouquinho mais também da estação do ano. Então, esses são os elementos da natureza. Quando a gente entra nos... Na analogia à natureza, a gente entra nas formas. A natureza é mais aquela forma orgânica, não tem muito aquelas pontas. Então, forma orgânica, fractal, entra um pouco da questão de biomimética e outras coisas que a gente pode aplicar também. Aí vem as texturas. Então, texturas são materiais que a gente consegue utilizar. Então, uma madeira, uma pedra, elementos naturais, fibras, a gente também consegue ter um benefício utilizando esses materiais. E a questão da complexidade de ordem, porque a natureza também não é totalmente organizada, né? Então, isso é legal para gerar uma curiosidade também.
Que é aquela coisa da descoberta, né?
Nessa parte de descoberta, entramos nos aspectos da natureza, porque temos essa necessidade de descobrir novos espaços. É como um ser curioso e desbravador. Quando falamos dos aspectos da natureza, tem a perspectiva, trabalhar com vãos mais abertos também, com layout mais aberto, mas também trabalhar com essa questão de profundidade, ter uma parte mais aberta, outra menos, para poder gerar uma flexibilidade, uma variação no layout. A parte de refúgio, aí sim é onde a gente se sente mais acolhido, mais protegido, consegue descansar um pouquinho. E tem a parte do mistério. Aí sim, é quando... Eu gosto desse.
Eu gosto, adoro.
Que é legal, né? Quando você vê ali que tem uma quina e você não sabe o que está ali atrás.
Eu sou curioso, você não tem noção. Vou tentar descobrir.
Isso é muito legal, então te instiga a ir até lá também, a descobrir o espaço, a interagir um pouco mais. E a parte também de risco, perigo, que seria o último ponto. Isso é mais associado também com altura, com outras estratégias que a gente consegue trabalhar para estimular o nosso corpo mesmo nas reações.
Clara, eu queria entender de você como que você liga tudo isso, todos esses aspectos ligados à biofilia no desenvolvimento de um projeto arquitetônico, ou seja, como que a gente conecta tudo isso, porque quando você, no caso uma empresa, que contrata um escritório de arquitetura corporativa... Ah, tudo bem, a gente está falando da natureza, mas para isso tem a questão cultural da empresa. Tudo bem, eu tenho a minha cultura e vai que esse, sei lá, esse gestor, ele não é tão conectado com a natureza. Então, como que entra, de repente, a experiência desse escritório de arquitetura que vai desenvolver esse projeto? Inclusive, ele tem que trabalhar o convencimento desse gestor que, ó, esse projeto, entenda, não é pra você. São pras pessoas que vão compor esse espaço. Como que é esse desenvolvimento, assim, desse espaço?
Às vezes é um pouco de desafio, porque falta a conscientização das pessoas sobre os benefícios, mas eu acho também que depois da pandemia ficou um pouco mais palpável isso. Por quê? A gente passou semanas, meses dentro de casa, então a gente começou a sentir na pele mesmo essa necessidade de sair, essa necessidade de estar em contato com a natureza. Então eu acho que hoje, pós pandemia, mais pessoas estão abertas a isso. Mas também ainda bate muito ali na tecla de é um investimento alto, eu não tenho esse dinheiro.
Eu ia tocar nesse aspecto do investimento, mas pode continuar.
Isso. Não, então acho que realmente a gente tem que mostrar quais são esses benefícios, principalmente no mercado corporativo. Porque a gente sabe também que o maior gasto de uma empresa é a questão do RH. RH são pessoas. Então, se a gente torna o ambiente mais agradável, a gente vai reduzir a taxa de absenteísmo, de presenteísmo, vai atrair mais pessoas para o escritório, ainda mais que hoje tem essa facilidade também do home office. Então, muitos escritórios, muitas empresas, procuram a gente pensando em criar ambientes mais atrativos para os funcionários. E, nisso, a gente também consegue melhorar a produtividade, a criatividade, até retenção de talentos, melhoria de memória. Então, quando a gente começa a mostrar como que a gente consegue agregar e gerar valor através dessas soluções, aí os gestores começam a ver que realmente faz sentido esse investimento.
Eu vou trazer aqui uma provocação, que eu adoro criar uma provocação aqui, uma discussão pra minha audiência, porque nem todo mundo que tá assistindo ou ouvindo pelas plataformas de áudio são gestores ou decisores dentro das empresas. Portanto, tenho certeza que você trabalha numa empresa. Então eu te pergunto, como que tá o seu ambiente de trabalho? Você pode influenciar, você pode trazer, de repente, comece a trazer exemplos de outros lugares, mostrar para seus gestores e quem sabe você não comece a criar um movimento dentro da sua empresa para que a gente consiga, de fato, transformar esses espaços. Porque assim, não é gasto, é investimento. A partir do momento que eu tenho um local, um espaço de trabalho, que eu estou conectado com a natureza, Aquilo, com certeza, vai me tornar mais criativo, vai me deixar mais calmo, porque como você deu um exemplo aí naqueles aspectos da biofilia, você tem a questão do som, né? Quem nunca estava com insônia e colocou uma música, sabe, com aquele barulhinho da natureza, de chuva pra dormir? Entende? Então, como que a gente trabalha isso dentro das empresas? É muito importante se atentar. Então, comece a criar um movimento aí dentro da sua empresa, porque Super apoio. Vale muito a pena. Agora, eu tenho uma pergunta aqui da internet. Quais são os benefícios da biofilia para o bem-estar humano?
Então, tem vários estudos que comprovam esses benefícios da biofilia. Então, tem um que é muito interessante, que foi feito no Japão. Você pegou um grupo de colaboradores de uma empresa e dividiu esse grupo em dois. Um foi passear em um bosque e outro foi passear no centro da cidade. No final do dia, foram fazer um comparativo de pressão, frequência cardíaca, etc. E realmente viram e comprovaram que as pessoas que estiveram em contato com a natureza tiveram redução da pressão arterial, da frequência cardíaca, então realmente afeta diretamente mesmo a nossa saúde. Tem estudos, por exemplo, mais relacionados com a parte de medicina, hospitalar também, que mostra que a recuperação de pacientes é mais rápida, então que reduz a necessidade de remédio para a pressão, então tem muito benefício realmente ligado à nossa saúde.
Eu vou trazer um ponto, quando você rolou essa questão da equipe que ela ajuda na recuperação da saúde. Alguns meses atrás eu visitei um hospital e eu fiquei assim, indignado com a falta, com a ausência de planta nesse hospital. Eu não vou citar o nome porque é de uma grande rede, eu não vou citar o nome aqui. E, ao mesmo tempo, naquele mesmo mês, eu visitei um outro hospital, que é projeto de um arquiteto também, que é amigo meu, e tinha muita presença da natureza. nesse hospital. E realmente, o clima era outro. Então, qual que é, para você, a dificuldade desses gestores de hospitais implantarem a biofilia, vamos falar de biofilia, nesses espaços? Porque é notório como isso beneficia, de fato, a recuperação.
São dois pontos, eu acho. O primeiro é que hoje a gente fala muito de humanizar o espaço, porque muitas vezes aquele espaço não foi pensado para as pessoas, foi pensado para o uso, por exemplo. Então, a gente tem que realmente humanizar esse espaço para tornar mais agradável. E o segundo ponto, quando a gente fala de hospital, tem muita norma. Então, realmente, em alguns pontos, é mais difícil trazer soluções. A gente tem uma limitação ali dos materiais que a gente consegue estar utilizando. Utilização de plantas, muitas vezes, não pode. Principalmente o natural, porque pode atrair insetos.
Entendi. Até você tocou em um ponto que eu lembro, quando a minha mãe estava internada, é que a gente queria levar flores, assim, não podia.
É isso.
Entendi.
Então, tem muitas normas. Então, sim, é um desafio, mas é possível.
E aí, quem tem que trabalhar bem isso é a arquitetura. Porque, como que eu trago uma solução arquitetônica com presença de plantas?
Exato. com materiais naturais, ou não necessariamente materiais naturais, porque também muitas vezes não é possível, mas materiais que imitam elementos naturais. Com fotos, por exemplo, já é uma forma de ter um contato indireto ali. Dá para a gente trabalhar com soluções para trazer planta, por exemplo, com a vegetação artificial, que eu posso limpar ela, ou eu posso encapsular uma vegetação. Então, tem algumas soluções que a gente consegue trabalhar mesmo tendo todas essas restrições.
Agora, mais uma pergunta da internet. Quais são os exemplos de práticas biofílicas na arquitetura e no design?
Então, essa parte das práticas da biofilia tem muito a ver com os pontos que eu comentei. Então, daqueles 14 pontos, a gente consegue trabalhar em números, porque dentro de cada um, a gente tem várias estratégias. Então, isso vai realmente muito de cada projeto, igual eu comentei. No hospital lá, tem algumas restrições. No corporativo, tem outros objetivos também. E tem a parte do financeiro. No corporativo, a gente consegue trabalhar também com a acústica, por exemplo.
Nossa, que legal!
Então, tem várias soluções que a gente consegue trabalhar. Hoje também, quando a gente parte mais para a arquitetura mesmo, incorporações. Hoje, muito se fala da verticalização do verde. Então, como a gente vai fazer isso? Como a gente vai trazer isso? Quais são os benefícios? Porque as pessoas, seja num prédio corporativo ou num prédio residencial, vão estar em contato com aquela vegetação também. Então, vão ter outros benefícios, como filtragem do ar, da poeira de fora, redução do ruído. Então, para grandes centros urbanos, isso também é muito importante. Então, acho que... Tem muita forma de a gente aplicar e isso vai depender da área que cada pessoa aqui atua.
Eu tinha uma outra pergunta aqui para você, mas já que eu já respondi eu vou pular. Agora aqui, como a biofilia pode influenciar as políticas ambientais e urbanas?
Então, a gente falou muito de interiores até agora, mas vamos sair da caixinha e falar um pouco das cidades. Hoje também já está começando muito o conceito das Smart Cities, onde você consegue fazer quase tudo a pé ou de bicicleta, está tudo ali num raio mais próximo também. Então, tem a questão de a cada tantos quarteirões, a gente conseguir colocar uma praça. Nessa praça, a gente desenvolve diferentes ambientes, faz diferentes caminhos para atrair essa pessoa, gerar essa curiosidade, igual a gente comentou, dela querer explorar, conhecer. poder parar ali para descansar um pouco ou até mesmo para trabalhar, para fazer alguma coisa. A questão das fachadas ativas também ajudam muito e ajudam também na segurança. A biofilia está muito relacionada também com a parte de sustentabilidade, com a parte urbana. A gente tem muitas soluções baseadas na natureza também que a gente consegue trazer para os projetos. Então, trabalhando desde melhorando o conforto térmico das cidades. A gente sabe que quanto mais arborizado, mais ameno fica o clima também, ainda mais que tudo hoje é asfaltado. O asfalto esquenta muito e reflete nas cidades e cria essas ilhas de calor. Então, tem algumas estratégias para a gente trabalhar nisso. A parte também de alagamento. A maioria das cidades tem algum ponto que tem esse problema. Então, a gente pode trabalhar com soluções de jardim de chuva, por exemplo, que integra o paisagismo como uma solução funcional. Tem a questão hoje que a gente fala muito da descarbonização também, então a gente consegue ter esses benefícios ambientais também através dessas soluções. E como aplicar isso? Tem inúmeras formas mesmo.
Inclusive, até para dar continuidade nesse tema que você fala do paisagismo fora dos espaços, eu estou conversando com o Alex Hanasaki, Para ele falar um pouquinho da importância do paisagismo, na verdade, não só para as cidades, como para o meio ambiente. Então, da mesma forma que a biofilia dentro de um espaço de trabalho proporciona tantos benefícios, imagina um paisagismo, sabe, uma praça bem pensada, ou seja, a parte externa de um prédio corporativo, por exemplo, uma praça pública, né? Ou seja, quais são os benefícios? Porque, assim, muita gente não tem a menor noção. A gente estava conversando agora há pouco... dos porquês das coisas. Às vezes a gente tem, ah, eu tenho uma percepção disso. E depois que eu vou conversar com uma pessoa onde ela fala como aquilo foi pensado, você acaba mudando totalmente. Então, por essa razão, eu estou aí conversando com o Alexandre Azaki para ele vir aqui falar um pouquinho da importância.
Do paisagismo nas cidades. Ah, isso é ótimo. Porque a gente tem que pensar também que paisagismo, independente de ser interno ou externo, ele não é só estético. Ele tem uma funcionalidade. Então, a gente tem que aproveitar esses benefícios mesmo. Então, nas cidades, a gente consegue explorar de inúmeras maneiras, tendo vários benefícios mesmo para o meio ambiente. Então, acho que está muito ligado com essas políticas públicas, como a gente tem que... como que poderiam ser desenvolvidas estratégias para a gente valorizar os ambientes que a gente já tem também com essa estratégia de biofilia. Então, tem muita coisa que dá para fazer nas cidades, que dá para melhorar o bem-estar das pessoas que estão passando por ali também, qualidade do ar, tem muita coisa para se fazer.
Tem uma outra pergunta de um seguidor aqui que Eu preciso fazer porque ele fica bravo quando eu não faço, mas você já respondeu. Como as políticas públicas podem ser moldadas para incorporar princípios biofílicos em planejamento urbano e conservação ambiental?
As políticas públicas podem ajudar muito nesse desenvolvimento urbano sustentável. Igual estava comentando, várias estratégias que podem ser aplicadas, seja a questão de fachada ativa, seja a questão das praças que a gente comentou, criar e desenvolver parques lineares também, para trazer mais uso para a cidade. Isso também contribui até na segurança, na valorização e impulsiona o comércio, porque as pessoas vão estar transitando mais a pé ali. Acho que tem como direcionar essas políticas públicas para esse viés. Tem alguns países que já estão pensando um pouco mais nisso. Tem alguns casos também na Itália, na Alemanha, já buscam esses benefícios urbanos.
É, na Alemanha eu visitei alguns assim, que é bem bacana. Inclusive, agora eu estou para voltar nos próximos seis meses ou doze meses, e aí eu vou começar a mostrar alguns exemplos, porque é bem bacana, porque você atrai as pessoas para lá, então você cria um movimento que, consequentemente, acaba gerando segurança, porque se você tem movimentação, mais segurança você tem. Inclusive, até aqui em São Paulo mesmo tem um exemplo de bairro planejado, que é o próprio Jardim das Perdizes. Nós conversamos recentemente, fizemos um episódio para falar de bairros planejados. Tem outros bairros planejados nascendo e o paisagismo é fundamental para atrair movimento para aqueles espaços e, repito, consequentemente, gera muito mais segurança por conta da movimentação.
Exatamente, além dos benefícios ambientais que a gente estava comentando também.
Sim. Clara, agora eu queria que você falasse um pouquinho de alguns cases de biofilia, de alguns projetos, se vocês tiverem autorização para citar o nome do cliente, enfim... E por quê? Porque a gente... Vocês, repito, que estão nas plataformas de áudio, vocês conseguem ver as imagens aqui nas plataformas de vídeo. Então, fique à vontade para falar alguns.
Eu quero citar um case da AVG mesmo e alguns outros de referência. Eu acho que o principal case da AVG e que é fácil de visitar, talvez até algumas pessoas já conheçam, é a Eco Parada Madeiro, que fica ali na Castelo Branco. Foi um projeto superlegal. Foi bem quando entrei na empresa. Eu ainda era da área de projetos. Coloquei a mão na massa para fazer acontecer. E foi muito bacana porque é em uma estrada, é uma parada. Quando a gente está viajando, pensa em parar para comer alguma coisa ou ir ao banheiro. Normalmente é aquele ambiente frio, com aquela luz branca, com o banheiro meio sujo. O madeiro quis realmente desconstruir isso. É um ambiente muito agradável que te convida a parar, porque ele é muito atrativo. Tem torres de mais de 20 metros de altura também, com jardim vertical, com painel solar, captação pluvial, com algumas estratégias de sustentabilidade também. que te atraem a parar ali, e quando você entra, é um ambiente totalmente diferente do que você espera.
E nesse sentido, como eu conheço, inclusive eu fui convidado a parar ali, eu passei uma vez, eu gostei e tal, e outro dia eu parei pelo movimento, assim, não só pelo movimento, mas também, enfim, o próprio layout ali daquele espaço te convida. Agora eu te pergunto, como é muito desafiador convencer um investidor ali, a quem está construindo, investir no paisagismo por um espaço daquele. Qual que é o argumento para convencer o investimento daquele porte ali, naquela situação?
É o payback, que é como que vai se pagar. Então, muito se fala hoje de ROI, de payback, qual que é o retorno desse investimento. Acho que, independente da área que a gente está projetando, o cliente vai querer saber, tá, mas por que eu vou fazer isso? O que eu ganho com isso? Então, quando você mostra que você vai realmente atrair muito as pessoas, que você tem também um retorno financeiro utilizando soluções sustentáveis, aí a conta começa a fechar e a gente consegue realmente fazer acontecer o projeto da melhor forma.
Agora, não, entendi. Então, porque eu entendo que é desafiador, né? Porque você falar que, ah, tudo bem, a biofilia vai trazer benefícios sustentáveis, disso, disso e daquilo, muitas vezes o cara quer saber, tá, mas e o financeiro?
É. O dinheiro é muito importante também. Não dá pra gente deixar ele de lado.
É, então, por essa razão lógica. Então, é um projeto daquele, realmente atrai público, consequentemente, e vai vender muito mais, enfim. Então, inclusive, não só... pra aquele... pra o Madeiro, mas também pra aquele posto que tem do lado.
Com certeza, velho.
Aumentou ali as... Então todo mundo ganha e tal. Então, enfim. Agora eu queria aqui, a gente tem um quadro, Convidado Convida. E você tem alguém pra convidar e por quê?
Sim, eu queria convidar a Sami, da YouGreen, porque eu acho que ela tem muito a contribuir aqui com o conhecimento dela. Ela é uma grande parceira e inspiração também. Então, eu acho que ela consegue aprofundar um pouco em alguns temas e eu acho que vai ser muito legal vê-la por aqui também.
Você fala muito dessa questão do verde, da biofilia, então... Vamos dar continuidade a esse tema, que é um tema que eu também reputo, gosto bastante. Agora, tem alguma pergunta que eu deixei de te perguntar e você gostaria de reforçar aqui para a nossa audiência?
Não, eu acho que é mais reforçar essa importância mesmo da biofilia, da gente tentar trazer esses materiais e sempre voltado também para a sustentabilidade. Então, ter um projeto consciente, tentar pensar no ciclo do material, no ciclo da água, da energia. Então, acho que tudo isso se conecta e aí sim a gente consegue ganhar força para justificar o projeto.
Clara, você tocou num ponto de sustentabilidade que muita gente acha que sustentabilidade é economizar água no banho, que, enfim, que, ah, é desligar, manter uma luz apagada e tal. Eu vou te perguntar, eu vou te fazer duas perguntas do que é pra você. Primeiro, o que é sustentabilidade pra você?
Sustentabilidade tem muito a ver com o consumo consciente e a gente tentar reduzir a utilização de recursos naturais mesmo. Muitas vezes repou o que a gente já depravou, já acabou ali na natureza.
Muito bom, foi bem interessante. É que você pensa muito no que vem depois.
Exato, eu acho que a gente não pode parar no pensamento no agora, tem que pensar sempre lá na frente também.
Sempre lá na frente, na questão da durabilidade. Pensar principalmente também nas próximas gerações. E agora uma pergunta, vamos lá, vou te pegar de surpresa. O que é arquitetura para você?
A arquitetura, para mim, tem muito a ver com a conexão, porque é o que conecta as pessoas aos espaços, aos espaços, às cidades. Então tem muito essa importância de conseguir conectar tudo, fazer um bom planejamento, que vai interferir diretamente no bem-estar das pessoas e no bom desenvolvimento das cidades.
Se você tivesse que deixar um conselho pra quem tá assistindo agora sobre, por exemplo, não esqueça de tal ponto no seu ambiente corporativo ou na sua casa, tal coisa, que conselho você daria?
Eu acho que... Nossa, essa me pegou em surpresa.
Sim, lógico, pra que eu vou facilitar a sua vida? Você, com essa caráter inteligente que você tem, com esse sorriso, com essa alegria, então vem coisa boa por aí, vamos lá.
Eu acho que uma dica seria realmente pensar na saúde em primeiro lugar. Então, independente de onde a gente tá, do que a gente tá fazendo, colocar sempre a saúde e pensar em quais são os elementos que vão beneficiar isso, né?
Muito bem, agora eu queria te passar as palavras finais pra gente encerrar esse conteúdo que tá sensacional e, lógico, a gente vai conversar, terão mais episódios com você, não tenho dúvida.
Que ótimo! Eu queria agradecer a oportunidade. Espero ter esclarecido um pouquinho sobre o que é a biofilia e que vocês possam também aplicar isso nos projetos. Quero agradecer o convite e espero que a gente possa fazer outras coisas juntos por aí.
Com certeza faremos, acho que a gente tem que ampliar cada vez mais esse movimento. Antes de encerrar esse episódio, eu gostaria de agradecer mais uma vez os nossos apoiadores, a produtora de vídeos Infinity Plus, a Workplace Arquitetura Corporativa e ao Grupo VG. e pedir também para que você compartilhe nossos conteúdos porque é você que vai fazer a diferença para que a gente consiga ampliar cada vez mais esse movimento que traz conhecimento e, sobretudo, movimento para o universo da construção civil no Brasil. Até o nosso próximo encontro aqui no Constra e Cash. Claro, para aquela câmera. Tchau, gente.
Os braços que levantam o mundo Sem ter margem para errar da fundação aos caminhos, da inovação e da união. Construa e cresça, arquitetura, engenharia e construção.
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