Aceleração de Construtoras e Sistemas Inovadores | Construção Civil | Industrialização

Eduardo Gorayeb discusses how industrialized construction, especially Light Steel Frame, can speed up builders. He's produced over 60,000 housing units since starting with wall form concrete in 2002. The main barriers are supply chains, workforce training, financing timing, and the lack of certified materials, though Brazil's LSF standard arrived in 2021.
Questions this video answers
November 7, 2024.
Prêmio de Personalidade do Ano do Mercado Imobiliário, 2013.
More than 60,000 units (Minha Casa Minha Vida program).
2021.
64.5% of companies already use industrialized systems; 35% do not. 38% intend to increase use in the next 12 months. 58.4% use industrialized systems in at most 50% of their projects.
Chapters
Aceleração de construtoras com sistemas inovadores é a pauta do bate-papo de hoje. Este episódio é um oferecimento Gerdau. Para falar sobre o assunto eu recebo um convidado que furou a bolha do nosso canal. Ele foi o primeiro que passou de milhões de visualizações quando falamos do Canal ConstrueCache. Fora as pessoas que recortam conteúdo dele e postam em outros canais. Sei que está curioso para saber quem é o nosso convidado, é Eduardo Gorayeb. Eduardo, seja bem-vindo mais uma vez ao nosso Constro e Cast.
Muito obrigado, Paulo. É um prazer muito grande estar com você aqui, esse canal maravilhoso. Realmente, fiquei surpreso com a repercussão que teve o seu canal e estou aqui à disposição para nós trocarmos ideia. Aqui é um lugar bom, gostoso, porque aqui se troca ideia sobre mercado imobiliário.
E hoje vamos falar sobre um tema desafiador, né? Que quando a gente fala de inovar, quando fala em inovar, incomoda, porque tudo que é inovação traz desconforto. E eu já queria começar uma provocação. O que é inovação pra você? E na sequência você se apresenta.
É, inovar é você realmente, usando o ditado popular, sair fora do quadrado, né? Toda inovação tem muito risco. Tem muita insegurança, tem muita incerteza, porque você quando inova, você está se colocando, um novo desafio de colocar uma coisa que não é só você fazer, mas é você fazer, é dar credibilidade àquilo, ter segurança daquilo e poder garantir que aquilo que você está inovando é uma coisa sustentável, é uma coisa durável. Inovação é uma coisa de muita responsabilidade. Bom, eu, na minha vida, eu sempre gostei de inovar. Eu já comentei com você da outra vez, eu, quando trouxe, quando eu precisei ter uma construção de alta escala no Brasil, eu fui buscar o sistema de paredes de concreto, de formas. Então, em 2002, eu comecei a fazer sistema de paredes em forma de concreto. Foi uma inovação, tive que desenvolver um DATEC. E depois, muito tempo depois, desculpe, eu também fiquei fascinado com a construção off-site. E comecei em 2018, mexer com light shield frame, também não tinha norma. Desenvolvi um outro da TEC. E hoje nós somos a primeira empresa a publicar o FAD do sistema de Light to Frame. Então, a inovação é uma coisa que anda muito na minha vida. Acho que é por isso que eu perdi os cabelos.
Eduardo, e até pra deixar a nossa audiência também sabendo um pouco mais sobre você. Em 2013, você recebeu o Prêmio de Personalidade do Ano do Mercado Imobiliário.
Sim, sim.
Quem tiver curiosidade, é só colocar aí, dar um Google aí, Eduardo Gourayeb.
Na verdade foi porque nós desenvolvemos com esse sistema construtivo, acabamos sendo considerada a maior construtora do Brasil em termos de construção de casas. Eu já comentei com você, eu produzi mais de 60 mil unidades habitacionais, todas dentro do programa Minha Casa, uma grande parte dentro do programa Minha Casa Minha Vida, com esse sistema de inovação. Isso foi um momento da minha vida muito difícil, que me consumiu bastante, mas também muito prazeroso e de muita realidade, porque eu realmente consegui, talvez, realizar um dos grandes sonhos, que era promover a habitação com alta qualidade, com baixo custo, um conceito totalmente diferente. Nós inserimos o conceito de condomínio fechado para o programa Minha Casa Minha Vida. Então isso hoje eu passo nos condomínios que eu construí, que são centenas pelo Brasil, e eu olho aqueles empreendimentos maravilhosos, Então, isso me traz uma satisfação muito grande. Eu acho que isso é muito importante, a gente olhar o mercado, o que a gente pode contribuir para o mercado. Não particularmente para a minha empresa, mas para o mercado, porque eu acho que esse mercado é um local que a gente tem que trocar ideia, trocar conhecimento e cada um dá a sua contribuição.
E falar de contribuição, eu aproveito para falar de inovação. Nossa marca, conforme vocês podem ver, Mudamos. Esse é o primeiro episódio que está sendo oficializado com a marca nova e foi muito, pra mim, gratificante trazer você aqui, Eduardo, porque acho que é muito bacana quando a gente fala de propósito. E esse propósito que você tem de transformar a condição civil no Brasil, acho que a gente tem que estar muito aberto, tem que estar muito aberto a ouvir, tem que estar muito... tem que querer passar por esse processo de desconforto. Eu aproveito para dar aqui alguns recados para você se inscrever no canal, compartilhar nossos conteúdos. Conforme o Eduardo falou, a gente tem que levar o conhecimento adiante, então é uma baita oportunidade aí para você compartilhar esse conteúdo com amigos e agradecer ao apoio da Gerdau. O futuro se molda, vamos lá. Eduardo, agora eu queria que você falasse um pouco dos desafios de inovar na construção no sentido de. A gente está passando por um grande boom, um grande movimento, falando especificamente de Light to Frame. Por outro lado, eu entendo que construção industrializada, a gente não fala de um único material ou única solução construtiva. Na sua visão, como o que você enxerga que é o maior desafio falar de construção industrializada hoje?
Paulo, a construção industrializada é um processo que veio para ficar. Ele vem crescendo gradativamente. O primeiro sistema que nós tivemos foi o metálico. O metálico é o primeiro, depois veio o concreto pré-moldado, que também hoje está no desenvolvimento fantástico. Hoje nós temos o WoodFrame, o LightShieldFrame, ou seja, você vê que hoje nós temos vários processos construtivos off-site industrializados que trazem a sua colaboração para o mercado. Obviamente que para cada tipo de obra você tem um melhor sistema a ser utilizado. Eu trabalho com o LightShieldFrame, mas o LightShieldFrame não é um sistema que use Não é o sistema mais apropriado para todos os tipos de obra. Tem as suas limitações, tem o melhor custo-benefício cada processo. Eu acho que o grande desafio é todo mundo começar a olhar para isso e começar a desenvolver. Eu acredito que na parte de estruturação dos processos off-site, evoluímos bastante. Nós estamos tendo agora o sétimo congresso, que começa hoje inclusive, e se você vê o congresso do ano passado e desse ano, hoje ele está muito mais robusto, então você vê que as empresas evoluíram bastante. Nós precisamos dar continuidade nesse processo. A indústria de base tem que desenvolver acabamentos que acompanham esse processo. Nós temos que desenvolver novas tecnologias que venham a baratear a produtividade e também um aculturamento da própria população. Porque tudo que é inovador gera insegurança. Você tem muita insegurança sobre aquilo que você não domina, que você não conhece. Nós estudamos isso, conhecemos profundamente, sabemos como é que esse processo funciona, mas o nosso cliente não. Então, quando você propõe um sistema novo, poxa, mas será que isso tem durabilidade? Será que isso é melhor? Será que isso é pior? E, na verdade, a gente está ainda no sistema construtivo lá na Idade da Pedra, se você pensar em alvenaria. Então os processos hoje são muito melhores, muito mais qualificados e com materiais que passam por controle de qualidade. Hoje o processo pré-fabricado, todos os materiais tem certificação, tem controle de qualidade. Então passa de uma indústria de construção civil que você ter um controle de qualidade relativo na obra para um controle de qualidade muito alto dentro de uma industrialização, onde você tem uma cadeia de fornecedores com bastante responsabilidade para honrar aquele sistema. Então, eu acho que o processo é irreversível.
Quando você fala da cadeia da indústria como um todo, porque quando você faz o movimento de um lado, essa cadeia, ela precisa se mover como um todo. Porque quando você fala, tudo bem, eu tenho um sistema, sei lá, em light to frame ou em metálica, e de repente eu venho com um revestimento, um porcelanato, só que eu preciso de um tipo de argamassa específica. Então, se a indústria não se movimenta pra desenvolver algo que se conecte com aquele novo sistema, não faz sentido, porque tudo bem, de um lado eu me movimentei, mas o que a indústria como um todo tá fazendo pra que a gente consiga avançar de fato nesse sentido?
Então, Paulo, esse é um grande desafio que nós temos, porque hoje, por exemplo, como eu te falei, eu acho que a parte dos processos industrializados andou bastante, mas se você quer... As finalizações dessas obras, nós não temos ainda materiais adequados para fazer essa finalização de uma forma mais rápida, mais econômica e mais durável, inclusive. Por quê? Porque a indústria também é fomentada pela necessidade, pela demanda. Como o processo agora começa a evoluir bastante, eu tenho certeza que vamos começar a desenvolver tintas mais apropriadas, revestimentos, siding vinílicos, siding de madeiras, que hoje existem, mas é um custo muito alto. Então nós temos que fazer esse processo industrializar de forma que ele tenha viabilidade econômica, porque por um outro lado nós temos um cliente que precisa conseguir pagar. Então não basta ter, tem que ter com qualidade e custo adequado pra você poder utilizar.
Quando você fala de custo da outra vez que você esteve aqui a primeira vez, você tinha ali um, citou né, por isso que eu vou repetir, vou trazer aqui essas provocações, como você fala a verdade sempre, você citou que tinha um grande, que construir de forma industrializada não é caro, a gente precisa ensinar as pessoas a fazer essa conta. Então, Quem tá comprando uma casa, um apartamento ali, ele não tá olhando a estrutura. Ele tá olhando só... Falando de corpo humano, ele não tá olhando pro coração, o batimento cardíaco, nada. Tá olhando só a pele. Na sua visão, qual que é o grande desafio também de chegar e mostrar valor pra essa pessoa que tá adquirindo um imóvel industrializado? Porque as vantagens são várias, né? Desde um controle térmico e acústico, Enfim, você tem uma previsibilidade aí de entrega de obras, então assim, na sua visão, qual que é o grande desafio também pra gente começar a educar a sociedade a, ó, se atente à estrutura do seu empreendimento, do seu imóvel?
É, eu acho que são várias coisas, não é uma só, mas é isso, a durabilidade do imóvel. Garantia do imóvel, os custos, prazo de entrega, previsibilidade de custo, conforto, desempenho térmico-acústico, é uma série de coisas. E o que eu vejo hoje ainda com grande dificuldade? É que nós precisamos divulgar mais esses processos. O processo industrializado tem que ser encarado de uma forma natural, como é a alvenaria, como é o bloco de concreto, como o pré-moldado hoje, que é um sistema industrializado, é natural, ninguém questiona mais o pré-moldado. O concreto, depois de longos anos, conseguiu se consolidar nesse processo. E o light to frame, por ser um processo novo, ainda as pessoas ficam um pouco inseguras. O wood frame, mesma coisa. Para você ter uma ideia, eu estou fazendo o primeiro empreendimento em Ilha Solteira. Eu vou fazer uma palestra na UNESP de Ilha Solteira, dia 4, 5 de novembro, falando do sistema, porque nas universidades não ensinam essas matérias. Então nós temos engenheiros que saem hoje das universidades sem o conhecimento dessa tecnologia, porque não tinha norma. Então, eu acho que a partir da norma, nós vamos ter uma reciclagem na grade escolar, na universitária, nós vamos ter uma reciclagem de profissionais que começam a olhar o Grupo ITE, que é uma universidade. Cada ano, eu estive conversando com o Gilberto, que é um dos diretores, ele fala que a demanda por esse conhecimento está crescente. Então, eu acho que isso é um aculturamento, Paulo. Isso não é da noite para o dia, mas eu acho que está crescendo muito rapidamente. E eu acho que o grande problema é que nós... Temos uma cultura de custo ainda que ela é errônea. Muita gente fala que uma obra custa X para você começar a obra, mas no final ela acaba custando X mais Y e aí o processo não tem volta. Então acho que também o mercado precisa ter um amadurecimento de começar a fazer uma avaliação e fornecer valores que são reais com o mercado. Porque hoje eu te afirmo, com o custo da mão de obra que nós temos e a escassez Hoje, o processo construtivo, salvo algumas exceções, tem muito mais viabilidade do que o convencional.
Sim, inclusive, e quando você fala de obra de construir também, você traz aquela incerteza, até pelo momento que a gente passa. Você vai começar uma obra, você não sabe se vai conseguir terminar aquela obra. O Rafael, que é o engenheiro que a gente estava conversando, o engenheiro Rafael dos Santos, Ele, a gente tava conversando, ele me trouxe uma provocação, ele fala, Paulo, pra você entender a descrença do brasileiro com o sistema construtivo atual, convencional, pega um drone, sobe num bairro, não precisa ser um bairro de alto padrão, pode pegar um bairro ali médio padrão sobe, você vai ver muitas casas inacabadas por fora, sem reboco ou sem tinta, mas não é porque essa pessoa não tem condição de fazer aquele acabamento, porque muitas vezes, assim, ele vai, sei lá, vai investir ali 20 mil reais, mas ele tem um carro de 200 mil na garagem.
Exatamente.
Então o problema não é financeiro, o problema é a descrença sobre a construção padrão.
Muita gente nesse programa lote mais construção, que a caixa solta, que a pessoa compra um lote, contrata uma construtora, E pra fazer, hoje tem uma infinidade de obras paradas, porque o cara fala, eu vou construir pra você a dois mil reais um metro quadrado, três mil reais um metro quadrado. Ele começa a obra e a caixa do momento que faz o financiamento, ela não financia o construtor, ela financia o cliente final. Então a caixa amarrou o financiamento ao cliente final. O consultor começa, quando o dinheiro acaba, ele simplesmente abandona, porque ele não tem vínculo nenhum. Então ele largar ou não largar, pra ele é indiferente. E o cliente o que acontece? Ele fica com o financiamento. Tá pagando juros e não tá com a obra concluída. E pra caixa, ela emprestou aquele dinheiro, tá correndo juros. Então, esse é um problema seríssimo que nós temos no mercado hoje. Porque adquirir um imóvel é uma coisa de altíssima responsabilidade. Às vezes a pessoa se endivida pro resto da vida. Então, essa segurança, previsibilidade de custo e de prazo é fundamental, mas o brasileiro não tem isso na cabeça. É uma coisa difícil da gente implementar. Você garantir para a pessoa que vai custar 10 e que vai receber em tanto prazo, é a maior segurança que você pode dar para o mercado imobiliário. E isso parece que é mais caro no primeiro momento, porque o preço que foi ofertado na convencional é errôneo. E aí acontece isso que o engenheiro falou pra você, Rafael.
Inclusive agora tá tendo, a gente tá com um desafio aqui mesmo, próximo da Barra Funda, tá tendo assim uma... assim, tá empecheado de prédios de uma construtora, enfim, eu não vou citar o nome.
Perfeito.
Aqui, mas assim, parece uma caixa Uma caixa de concreto, sem varanda. Assim, eu fico muito triste quando eu olho que eu vejo aquele tipo de construção, e eu já tenho relato de pessoas que compraram na planta, que olharam, e quando voltaram, depois, não, cara, não faz sentido, eu moro aqui. compraram ali naquela empolgação, mas depois é que não faz sentido, porque eles usam o pior que você possa imaginar de material. Tem casos de obras entregues ali há dois anos aqui no condomínio, é muito prédio, você fica olhando e fala, como que pode isso? Dois anos depois parece que tem 15, 20 anos.
Isso está diretamente ligado a isso que a gente está conversando, a qualidade do produto em função de preço, de custo. Eu sempre tive uma filosofia na minha vida que era assim, eu construí muita casa, o programa Minha Casa Minha Vida habitacional, e eu sempre falava que nessas casas mais baratas é onde tem que se usar a melhor tecnologia e os melhores materiais. Melhores materiais não significa materiais caros, mas materiais que têm uma durabilidade. Porque esse cara faz um financiamento de 30, 35 anos. Esse imóvel tem que valer. Então, é por isso que eu te falo que quando eu passo nos condomínios que nós fizemos, sem falsa modéstia, eu olho casas que eu vendi por 60, 70 mil, hoje são condomínios maravilhosos que vendem por 350, 400 mil reais. Mas o que é isso? é que você cria o conceito, porque a construção é uma commodity. Seja ela em pré-fabricado, seja ela no convencional, tijolo é o mesmo para construtora A ou para C, mas o conceito do projeto, o cuidado com que você implanta um projeto, o capricho com que você vai dar para aquele público, independente de você estar comprando um produto de 40 metros ou de 200 metros quadrados, É isso que faz a valorização do empreendimento. É a cabeça de quem está por trás, é a cabeça de quem está pensando o que vai fornecer para aquele cliente final. Então, porque o resto da construção é commodity. Eu faço light e você também faz light. Se eu faço R$10,00 a mais ou R$10,00 a menos, não importa. Mas o conceito do projeto é que moda. Por isso até que você falou em aceleração de construtor, esse é o meu novo projeto. Porque a minha ideia não é eu criar uma grande construtora para mim, mas é eu poder compartilhar e passar um pouco do conhecimento que eu tenho para outras empresas para acelerar o empreendimento, ensinando a incorporar, como é que faz o conceito de um projeto, como é que a gente agrega valor a um produto sendo ele de 40 metros quadrados, não importa. Mas como é que eu agrego valor nesse produto? Como é que eu viabilizo o custo para esse cliente? Quer dizer, isso eu acho que é a beleza do mercado. Então, o meu novo desafio agora é esse. Eu estou tentando implantar isso, estou trazendo construtoras. Nós temos a Innova House, que é uma franqueadora nossa, que eu optei por esse modelo de franquia de desenvolvimento para poder passar o conhecimento para outros, não é para mim desenvolver. Eu quero passar esse conhecimento para outras empresas poderem desenvolver e criar novos mercados e com isso a gente melhora o mercado, melhora a credibilidade, quanto mais gente entregar produto de qualidade que o cliente agrega valor, ganha dinheiro com aquele negócio ou valoriza o seu imóvel, Porque o importante é o seguinte, o cara que financia 35 mil, quando ele paga lá mil reais por mês de uma prestação, ele olha e fala, puxa, que legal, vale 1.500, tô ganhando dinheiro, isso é legal. Agora, quando ele paga mil e fala, essa porcaria que nem por 500 eu vendo, aí dá a negligência, dá o desespero, é isso.
Dá a descrença, né?
Dá a descrença do mercado. Então, a gente tem uma responsabilidade muito grande que não é só produzir, mas é produzir coisa. boa, com qualidade e que tenha valorização. E olhando sempre, claro, a qualidade de vida do cliente final.
Nesse sentido que você fala de aceleração das construtoras, eu vou entrar agora num... Eu tenho seis perguntas aqui de um estudo que foi feito pela FGV, um estudo bem interessante, que fala, inclusive, dos números aí de industrialização, mão de obra, uma série de informações importantes que acho que cabem aqui nesse bate-papo. Mas, antes disso, eu queria te fazer uma pergunta. Pois é. Presta atenção. Você moraria em um apartamento, casa que você construiu?
Com absoluta certeza. Aliás, eu fazia isso. Todos os condomínios que eu... construía, eu comprava uma casa. Por quê? Porque eu participava da comunidade para entender o que é que eu tinha de problema naquela comunidade, o que é que as pessoas tinham insatisfação. Eu moraria tranquilamente em qualquer produto que eu produzir, porque ele foi feito dentro de critérios que eu acreditava. Eu não produzo, Paula. Aliás, essa é a primeira peneira que eu tenho na minha vida. Eu não vendo nada que eu não compro.
Eu ia falar isso agora. Quando eu recebi aqui o... eu esqueci agora o nome do CEO da Tarjabi, o Carlos Tarjabi, ele falou uma... ele teve uma fala que eu repito muito aqui. Ele fala que um dentista desempregado Desculpa, minha produção me corrigindo. Um dentista bem-sucedido e um engenheiro desempregado abrem uma construtora e vendem com a mesma qualidade, com o mesmo custo-benefício que construtoras que têm credibilidade e vendem construções aí. Enfim... É isso mesmo. Como que você enxerga esse comentário do Carlos?
É verdade, porque muita gente se aventura no mercado imobiliário a fazer, ele acha que contrata um mestre de obra e ele já virou um construtor. E não é isso, construção é uma coisa muito séria. Eu sempre falo que teve uma fase que eu construí muitos prédios. Aliás, eu comecei construindo prédios só de alto padrão, com puro andar, prédios altos. E eu olhava aquilo e falava, meu Deus do céu, quantas famílias vão estar em cima desse negócio e isso tem que ficar em pé. Então, isso é uma coisa que, obviamente, a gente vê muito pouco sinistro de prédio no Brasil, graças a Deus. Mas eu falo assim, a qualidade do produto é muito importante você entregar. E, Paulo, eu tenho 45 anos de mercado imobiliário. Eu estou aprendendo e estou errando ainda. Estou errando. Então, é um aprendizado permanente. Então, não é fácil construir, não é fácil entregar um produto de qualidade. Construir é fácil, se você não se importar com o produto final que você vai entregar. Então, as pessoas acham que tem um capital, pega um mestre de obra, vai lá e constrói uma casa e vende. Então, esse é o mercado informal que nós temos no Brasil. Que depois, quando dá patologia, o que acontece? Então, porque patologia é um outro item. Se a gente for entrar, é grande esse item.
Inclusive, eu gostaria muito que as pessoas que vão comprar um imóvel, que querem comprar um imóvel, tivesse acesso a esse tipo de conteúdo, porque eles iam pensar duas vezes, iriam questionar ali, fazer questionamentos mais pertinentes antes de adquirir um imóvel.
Com certeza.
Porque você cita num ponto aí, patologias, que é um negócio que dói, assim.
Absurdo.
Quando eu olho algumas construções... E a pessoa não tem culpa, porque ela não sabe o que está comprando.
Claro. E ela nem tem obrigação de saber. Essa é a diferença que o Carlos Tarjab falou para você. Ela nem tem obrigação. Na verdade, ela é um consumidor. Eu estou comprando um produto. A garantia, a responsabilidade de fazer é sua que está me vendendo. Você é o especialista. Então é a mesma coisa, você vai num médico fazer uma operação, você não tem que saber como que ele vai fazer a cirurgia, ele tem que te curar.
Tem que curar.
Tem que curar. Então eu tenho que te entregar um produto de qualidade, eu tenho que te dar a garantia desse produto e caso a gente venha a ter patologia, que pode acontecer, mas são pequenas patologias, também eu tenho que te dar a garantia de que eu vou Te garantir, porque o problema não é ter patologia, tudo tem patologia. Mas é você garantir ao seu cliente final que ele vai estar coberto, respaldado por uma empresa que tem capacidade de absorver isso.
É, isso é importante. Agora, aí você fala uma coisa importante, né? Eu não venderia... Nada que eu não compro. Nada que eu não compro. Isso é importante. Isso é um questionamento que a gente tem que trazer o tempo todo. Eu venderia algo que eu não compro?
É.
Isso é pra refletir. Agora eu queria entrar aqui no estudo da FGV, sobre a construção industrializada, sobre números, e quem estiver assistindo, ouvindo, preste bastante atenção nesses números, porque temos aí um oceano azul pra navegar. Empresa é indústria, né? Que investir nesse setor pode, enfim, tem um oceano azul pela frente. Segundo uma pesquisa recente da FGV, 64,5% das empresas brasileiras já utilizam sistemas industrializados, mas ainda há 35% que não adotam essa prática. Eduardo, quais desafios você acredita que essas empresas enfrentam ao optar pelo Light Steel Frame? em comparação com outros sistemas tradicionais.
Quais desafios? Hoje eu acho que o maior desafio é o desafio do desconhecimento do sistema. Então, as empresas têm um grande desafio que é trazer para o público final, porque o objetivo final sempre é o cliente final, quer dizer, Eu acho que é o desconhecimento, porque a indústria está bem desenvolvida, ela está muito bem estruturada já, nós temos grandes produtores hoje, temos várias empresas operando Light Shoe Frame, Agora, eu acredito realmente que o grande desafio é esse conhecimento, que nem o seu canal está fazendo. Essa divulgação é uma coisa super... Eu acompanho o seu canal. É muito importante o que você faz para o mercado imobiliário. Você traz conhecimento, você traz divulgação. Então, o leigo, quando ouve o seu canal, ele fala, pô, esse negócio não é uma aventura.
Tem?
Então, eu acho que o grande desafio é o desconhecimento mesmo.
É, e você toca num ponto importante nessa parte do desconhecimento, que é aquilo que a gente falou, né? Ao longo desse bate-papo, quando você não conhece, ah, tudo que é novo assusta, dá medo. Então, você tem alguma dica pra esse, além de acompanhar aqui o Constrycast?
Olha, eu acho que hoje tem muitos artigos, acho que as pessoas podiam procurar se informar um pouco mais.
Inclusive, até dá uma dica, o portal Hub Construção tem muito conteúdo lá interessante sobre sistemas construtivos inovadores, esse episódio que a gente... tá gravando agora, sai uma matéria com resumo lá no portal, pra quem vai buscar pelo Google também chegar até esse tipo de conteúdo, então... Muito.
Bom, e eu acho que também é muito importante buscar empresas tem um histórico, empresas que têm uma capacidade técnica, né? Construir é uma coisa muito séria, não é brincadeira, e as pessoas falam isso como uma coisa cotidiana, e não é. Então, procurar empresas que tenham estrutura, que tenham conhecimento, que tenham corpo técnico, que possa realmente dar a segurança para o cliente daquilo que ele está comprando. Você sabe, Paulo, no começo, quando nós começamos com Light Steel Frame, eu lá na Mindus, eu tenho uma parede de alvenaria e uma parede de Light Steel Frame, tem uma marreta lá para as pessoas baterem, para ver a segurança, porque as pessoas acham. Porque, de novo, nós vamos voltar naquele negócio do drywall, mas as pessoas acham, como vê esses seriados, que a pessoa vai lá com uma marreta, desmonta a casa toda, mas o sistema construtivo americano é totalmente diferente do sistema construtivo do Brasil. A norma nossa é muito diferente. Então, as nossas paredes não caem, não caem, não derrubam e não desmancham daquele jeito. Essa fade que nós soltamos agora, ela fala parede estrutural, que para você mexer ou remover, tem que chamar um profissional habilitado, um calculista, para poder saber o que vai fazer. Então essa é a grande diferença do processo.
E é legal também quando você traz esse ponto, porque assim, você pode bater forte ali, você pode amassar a parede.
Claro, mas não derrubar e nem furar.
Você não vai derrubar e nem furar. Isso é importante, então isso mostra que realmente está o sistema construtivo.
E depois quando a pessoa enxerga, quando ela vê a parede, ela começa a entender que ela está com uma coisa muito mais robusta, muito mais segura, de uma qualidade muito superior. Mas ela precisa ver. Então, eu acho que a disseminação do processo, agora com essas feiras, com esses congressos, a gente já vê grande esfera de construção civil, já muita parte de pré-moldo. É um processo que vai entrar naturalmente. Paulo, eu falo pra você que em três anos você não vai estar me chamando pra falar de dificuldades de novos sistemas construtivos. Nós vamos estar falando de outras coisas.
Eu acredito. A gente vai falar sobre superação disso.
Aí, de como a gente melhora a produtividade, de como a gente faz para baratear custo. Nós vamos estar discutindo outras coisas.
Vai ser outro tipo de assunto.
Com certeza.
Agora, também ainda sobre o estudo, a gente vai falar de redução de prazos e de mão de obra. Um dos principais motivos para a adoção do sistema industrializado é a redução de prazo de produção e o menor uso de mão de obra no canteiro. Como o last two frame se destaca em relação a esses benefícios na construção civil?
Bom, eu preciso... eu vou colocar para você algumas coisas aqui. O Light to Frame já é construído no Brasil há muito tempo, para construções de altíssimo padrão, como nós falamos.
Mas por que só agora, nos últimos anos, nos últimos, sei lá, de repente, dois anos, começou a se falar tanto?
Porque a necessidade do mercado vai trazendo. E é também o seguinte, aí que entra. A industrialização do aço viabilizou muito. O custo do aço abaixou muito. O Light Shield Frame hoje trabalha com uma chapa mais fina, que deu viabilidade para o negócio. A norma também veio trazer essa segurança para as indústrias. Mas voltando um pouquinho, hoje se você for construir o Light Shield Frame da maneira convencional, como se construía lá atrás, isso é uma visão minha, tá Paulo? Isso é uma visão muito particular minha. Você vai usar o mesmo você vai ter a mesma dificuldade de mão de obra, que é você leva o perfil para a obra, monta o perfil na obra, depois você põe a placa USB, o compensado naval, a placa cementícia. Você vai precisar da mesma quantidade de mão de obra com uma dificuldade a mais, que é que você não tem essa mão de obra hoje, porque essa mão de obra vai começar a ser formada agora. Nós, inclusive, na Nova House, montamos a academia agora. Então, nós estamos, para os nossos franqueados, passando vídeos de ensinamento, como é que faz mão de obra. Depois eu vou comentar com você que eu fui para Rondônia e qual é a dificuldade que tem lá. Mas, de qualquer forma, por que nós fizemos a panelização? porque é para exatamente reduzir. Quando uma parede sai da minha indústria, ela sai pronta, ela sai com a placa USB, com isolamento térmico, com a hidráulica, com a elétrica, tudo pronto, com cachilho, tudo pronto. Então, eu passo a ter na obra, não mais uma edificação, eu passo a ter uma montagem. Então a parede sai de um caminhão que colocou, parafusou, fixou, tá pronta a casa. Tanto é que a gente monta uma casa muito rapidamente. Uma casa de 100 metros quadrados, as paredes, 4, 5 horas estão todas montadas. E a cobertura em 3 dias. Então em 3 dias você tem uma casa coberta, 4 dias uma casa coberta.
O nível de acabamento já é interessante.
E agora nós também já começamos a mandar com gesso acartonado já colocado. Então agora só entra a pintura mesmo basicamente. Então essa parte da industrialização é que você vai resolvendo dentro de um ambiente controlado Todas as dificuldades e imprevistos que você teria na obra, que é que ele faz, quebra, refaz, quebra, a gente faz isso na indústria. Porque lá a gente estuda como é que vai encaixar a parede. Então tudo é planejado para que na obra seja efetivamente uma montagem. Não tem que decidir nada na obra. Toda a parte de estudo de projeto foi feita dentro da indústria. Por isso que eu falo que não é muito simples, porque você tem que prever a parede que encaixa, qual é o acabamento que vai dar, como é que você vai finalizar. Então, a obra inteira tem que ser, antes de ser produzida, concebida como é que ela vai ficar acabada para poder dar a finalização na indústria.
E aí a gente tem a questão cultural do brasileiro.
E nós temos também um problema de projeto. Nós temos... Assim, acho que um grande problema também hoje são os projetistas. Porque existe uma cultura de que você faz um projeto de prefeitura... Não, estou falando de grandes construtoras incorporadoras. Estou falando de construções individualizadas. E vai se resolvendo a obra durante a obra. na industrialização, isso é impossível. O projeto tem que sair totalmente definido, porque aquilo que está lá é o que vai chegar na obra. Então, não dá para ficar depois... Queria mudar esse ponto... Até dá, mas o adequado não é o ideal.
É o que a gente chama de 80-20, né? Então investir aí 80% do tempo em projeto e 20% do tempo em execução. Isso é importante. Agora falando em capacitação e especialização. A falta de mão de obra especializada é uma dificuldade comum mencionada pelas empresas que utilizam o sistema industrializado. Na sua experiência, como a capacitação de projetistas, que você citou agora, e gestores podem ser melhoradas para viabilizar o aumento no uso de Light Steel Framing?
Essa é a saída, né? Os profissionais começarem a entender, olha, um grande erro que tem é que você projeta uma obra em alvenaria, e quer transformar ela em Light to Frame. É possível? Claro, é possível. Mas não é a obra mais econômica nem a mais viável, porque é uma adequação, uma adaptação. Diferente de um arquiteto que conhece o sistema Light to Frame, conhece as características dos materiais que ele vai usar, conhece as dimensões dos materiais que ele vai utilizar, E aí ele pode dar uma maior racionalidade, uma maior adequação do processo. Aí o processo fica simples, rápido e de ótimo custo. Porque você tira de cada material o potencial daquele material. Diferente de eu querer adequar uma obra, porque aí você tem um desperdício. Aquilo não nasceu para ser feito em light to frame. Esse é o grande problema que nós temos hoje. É aquilo que eu te falei, como é um processo novo, recente, a nossa norma é 2021, Paulo, nós estamos há três anos, é muito novo. Não tem ainda profissional e não é por falta de capacidade, mas não tem ainda, agora que começam a surgir cursos, do momento que nós tivemos profissionais que começam a entender o light to frame, começam a projetar light to frame, nossa, essa indústria vai disparar. Então eu acho, agora, a mão de obra é um processo É engraçado o seguinte, você volta 20 anos atrás, o pedreiro era... Um azulejista, ele era um encanador, você tinha o eletricista, você tinha o armador, você tinha especialidades que não existem hoje. Você tem um pedreiro, faz tudo. Só que acontece uma coisa, o filho dele não quer mais ser pedreiro. Antigamente passava isso de pai para filho. Então, se você olhar nos canteiros de obra hoje, a idade média desse pessoal é 50, 55. E esse pessoal de obra é um pessoal mais sofrido. Então é um pessoal que não vai há 70 anos trabalhando, 60 anos já para. Então assim, se você quer olhar a sua indústria, olha a idade dos seus funcionários e vê quanto tempo ela vai durar. É isso, porque não tem. E aí quando você vai para o jovem, o jovem não quer ir mais para o canteiro de obra. Estava comentando isso aqui, nós fomos em Rondônia, a Federação das Indústrias lá fala assim, eu tenho milhares de empresas que são minhas associadas, me pedem mão de obra, eu crio o curso e ninguém vem. Eu pago para as pessoas fazerem o curso e não vem. Nós estamos chamando vocês aqui para a gente ver se cria essa nova mentalidade da construção civil, que não é mais aquela construção pesada de carregar tijolo concreto nas costas. Esse público, essa nova geração, não quer mais isso.
Inclusive, precisamos trazer mais mulheres, né?
Mais mulheres.
Tá tendo um movimento muito grande de mulheres, e a gente precisa trazer mais mulheres, porque quando a gente fala de industrialização, a gente fala muito de assertividade, qualidade, que tá diretamente ligado à obra feminina.
Hoje, lá na nossa indústria, nós temos 35%, todas as mulheres, 65% homens.
35% já é mulher.
E olha...
Sabe o que é isso?
Palmas. E tá crescendo, e tá crescendo. Ela é mais cuidadosa, ela é mais comprometida com o negócio. Algumas atividades na indústria, quando você tem que remover paredes aí, é um pouco mais pesado, você precisa ter um pouco mais de homem, né? para esse serviço um pouco mais bruto. Apesar que você tem guindastes, essas coisas todas. Mas hoje é uma tendência, uma vocação e nós estamos muito satisfeitos com esse processo.
Bacana!
Então, a gente tem que adequar a construção civil para essa nova geração que vai entrar. Nós temos que torná-la atrativa para que se crie uma nova mão de obra de construção civil, mais inteligente, que vai trabalhar com mais máquinas, mais automatizadas, que vai trabalhar com uma mão de obra menos sacrificada, vamos dizer assim, não é no sol, num ambiente controlado. Então, isso é um processo também de mudança da indústria.
É que a gente traz muita qualidade de vida, né? Para essas pessoas. Então, quem vê a construção tradicional e a construção industrializada, você percebe que é totalmente diferente, é outra realidade.
E eu tive uma passagem muito engraçada agora com um funcionário que eu contratei pra obra. Contratei ele pra obra. Só que como ele vai pra obra, e hoje o que ele precisa aprender é parafusar, então ele passa uma semana na indústria. Ele fica uma semana trabalhando na indústria pra aprender a fixação, entender como é que uma parede funciona. Pra hora que ele for montar, ele não ser um bicho totalmente desconhecido pra ele, né? E essa semana eu tive um problema muito sério, porque ele ficou uma semana na indústria, a hora que ele foi para lá, ele falou, não, não, não, não, não, quero voltar para a indústria. Então, porque você tem um pedaço para fazer a obra que é a fundação, que ainda é no sistema convencional. Ele falou, não, não, eu volto na hora da montagem. Então, você vê que realmente nós vamos ter uma dificuldade muito grande.
E você falou de um ponto importante, quando no seu episódio ele repercutiu muito, inclusive tinha muitos pedreiros que, ah, mas eu quero ver você fazer um contrapis industrializado, eu quero ver você fazer... Tal etapa da obra industrializada, gente, assim, tem parte da obra que ela vai ter que acontecer ali convencional, então assim, a gente não vai mudar 100% nunca.
Não, de forma nenhuma. A construção industrializada, ela vem aprimorar e melhorar a construção convencional, mas Eu sempre brinco que o pedreiro é o melhor cara para trabalhar com construção industrializada. Ele entende nível, ele entende pruma, ele entende esquadro. E ele vai trabalhar de uma forma muito mais leve. Ele vai deixar de fazer alguns trabalhos, mudar. Ao invés de botar tijolo, ele vai botar painel. Ele vai assentar painel.
Eu queria aproveitar já para esclarecer algumas dúvidas que eu recebo de comentários lá, inclusive nos seus episódios. Até quantos pavimentos eu posso fazer com Lightshield Frame a partir de quanto eu preciso trazer a estrutura em metálica?
Olha, hoje a norma brasileira do Lightshield Frame permite dois pavimentos. Ela tem uma abertura que ficou um pouco para mim obscura que fala em até quatro pavimentos dependendo de uma aprovação do corpo técnico que não fala o que é isso. Eu sei que o CDHU já fez alguns prédios em quatro pavimentos. Hoje, na nossa concepção, o Light Steel Frame tem viabilidade até três, quatro pavimentos. Viabilidade de custo-benefício econômico. A partir daí, eu acho que a estrutura metálica, o Steel Frame, não o Light, o Steel Frame sim, esse não tem limite. Até tem algumas construções de light to frame, dependendo do vão, que nós não fazemos light to frame puro, nós misturamos light to frame com sistema industrializado, de still frame mesmo.
Mas de certa forma, aí você vai trabalhar a espessura do perfil, né?
A espessura e esses perfis já pré-fabricados também, que tem uma durabilidade, mas eles se falam muito, por isso que eu falo, o sistema off-site é uma complementação. Eu tenho obra que eu tenho pré-moldado, light steel frame e frame.
E aí a gente vem para essa questão do crescimento do uso de sistemas industrializados. A pesquisa aponta que 38% das empresas pretendem aumentar o uso do sistema industrializado nos próximos 12 meses. Você acredita que essa tendência inclui o Light Shield Framing? Quais os setores ou tipos de obras devem liderar esse crescimento?
Não, eu acho que cada obra é uma obra e cada obra tem um sistema adequado. Eu acho que o light to frame vai atender muito essas construções de dois pavimentos, três pavimentos no máximo. Aí eu acho que o metálico vai ter essas obras de muito vão livres, grandes, como o pré-moldado. Então eu acho que o mercado inteiro vai crescer. Agora, o crescimento de cada segmento vai depender do tipo de obra e das características dessas obras. Porque eu sempre falo o seguinte, o pré-moldado, cada obra tem o seu melhor sistema. Não existe um sistema único que é adeco em todos eles, não. Como eu te falei, tem obra que nós temos os três sistemas misturados. Cada um tirando o melhor aproveitamento de cada material.
Porque é legal você falar isso, você não defende um único sistema de solução construtiva, até porque, se você pegar, recentemente eu visitei algumas obras para conhecer um novo vergalhão, o GG70, da Gerdau, que ele é mais esbelto, mais resistente, E você consegue ter uma fluidez de concreto muito maior nas estruturas, trazendo mais qualidade. Por outro lado, a indústria do cimento também tem se movimentado muito forte.
Cimentos de alta resistência.
Cimentos de alta resistência. Então, é muito legal ouvir de você essa... Vamos usar a melhor solução. para cada tipo de obra.
E um processo não vai matar o outro, muito pelo contrário, são complementares. Se você tiver inteligência, o verdadeiro engenheiro ele conhece qual é o melhor material a ser utilizado em cada tipo de obra. E é isso que ele tem que fazer. Nós temos que ter uma gama de sistemas construtivos que a gente pode buscar o melhor de cada um e construir uma obra com a melhor praticidade, independente de ser 100% light to frame. Não tem isso. Eu estou fazendo um condomínio de casa 100% light to frame, mas são casas, terras. Então, para mim, ele sozinho é autossuficiente e dá para fazer. Mas a minha cobertura, por exemplo, da Guarita, já não é no Light to Frame.
Entendeu?
Então, a gente procura tirar de cada material a sua potencialidade e usar da melhor forma possível.
Gurebi, você citou Rondônia, né? Essa sua ida pra Rondônia, e recentemente também eu fui fazer um... tô fazendo, na verdade, eu ainda estou fazendo um tour pelo Brasil inteiro. fui pra Lagoas também, fiquei extremamente, eu não diria decepcionado com a falta de industrialização, visitei condomínios ali de altíssimo padrão, ainda construídos em construção tradicional. Agora eu fui pra Balneário Camboriú, vou voltar de novo lá pra fazer, enfim, pra entender um pouco dos sistemas construtivos lá. E agora eu vou trazer uma pergunta nesse contexto de desafios regionais, né, que ainda tá dentro do estudo, da FGV. A região sudeste concentra a maior proporção de empresas que utilizam o sistema industrializado em mais de 75% de suas obras. Você vê um potencial de crescimento do lifestyle framing em outras regiões do Brasil, quais seriam os principais fatores para impulsionar esse aumento? Porque eu tô falando, por exemplo, do Nordeste, Alagoas que eu fui, você foi para Rondônia, agora a gente também tem, enfim, o Brasil é muito grande.
Olha, eu diria pra você, o Sudeste sempre foi um polo de muita pesquisa, de muito desenvolvimento, uma economia muito forte, que a necessidade faz com que, eu sempre falo que a inovação ela vem pela necessidade, pela dificuldade que você inova. Eu sei que o Norte e Nordeste ainda está com o processo de industrialização muito baixo ainda, mas isso também é um pouco cultural, porque você veja bem, você tem uma estrutura hoje montada, então esse medo de desmontar essa estrutura, de perder esse controle, é um grande obstáculo que a gente tem. Sempre que você vai tentar levar uma inovação, as pessoas, para sair daquele status quo, que estão lá é ter uma resistência grande, né? Então, eu diria até as próprias construtoras, você vai mudar o sistema, como é que eu faço? Tem que reinvestir? Então, é uma insegurança natural, mas eu tenho certeza que a dificuldade e a E essa não performance que as empresas estão tendo de prazo, de custo, gradativamente eles vão começar a inserir o processo de industrialização, mas é um processo que Não vai ser do dia pra noite, não. Ele vai demorar um pouco mais, principalmente nessas regiões. Eu acredito que a região Sudeste é a primeira que se desenvolve, você já tem o Centro-Oeste com algumas ações nesse aspecto. A região Sul já está bem desenvolvida. Então, a região Norte e Nordeste, ela vai ser a última mesmo, mas sempre foi assim. Vai chegar um pouquinho mais tarde, mas vai chegar.
Vai chegar, eu acredito também.
Sem sombra de dúvida, Paulo, vai chegar porque também hoje... Com o advento da internet, do conhecimento, todo mundo está tendo acesso. É a resistência de mudar que faz ser mais rápido ou não. Que eu entendo. Você tem uma estrutura montada que você está produzindo. Essa mudança não é uma virada de chave que você faz do dia para a noite. Você tem que ir fazendo gradativamente.
É, tem um processo. Recentemente eu visitei uma indústria e eles receberam alunos de 9, 10 anos de algumas escolas. E ver a reação dos alunos foi muito interessante. Agora, eu imagino esses alunos chegando em casa, comentando com os pais, incutindo na cabeça dos pais, opa, peraí, deixa eu prestar atenção nisso. Então, acho que esse movimento, como você fala, ele vai levar um tempo, mas vai acontecer.
Vai acontecer. Você vê, é muito interessante, né? A gente vai pro exterior, vê aquilo, fica encantado, volta, nossa, aquilo lá é maravilhoso. Mas quando você tenta implantar aqui, o cara, mas isso funciona? Quer dizer, ele viu lá, ele viveu, ele experimentou, viu que funciona, mas quando vem aqui na hora dele investir, é diferente.
Vem a dúvida, né?
A dúvida. Mas é falta de conhecimento.
E o Brasil tem uma engenharia assim...
Fantástica.
Sensacional.
Fantástica. Fantástico. Nós temos profissionais muito competentes, empresas muito competentes. O Brasil é um país, na construção civil, que eu falo pra vocês o seguinte, a gente tem muitas resistências por causa da industrialização mesmo. Nós precisamos ter indústria de base. No momento que nós tivermos a indústria produzindo material pra construção off-site, esse custo vai lá pra baixo, a produtividade vai aumentar muito, os profissionais vão se interessar porque vão entender como é que o sistema funciona. Você vê, a própria indústria do gesso, o drywall, Mas quantos aplicadores de drywall você tem hoje? Muitas empresas abriram drywall. Por quê? Porque é uma industrialização, tá certo? Então o cara faz uma parede, uma divisória, ele faz muito rápido. Então é esse processo que vai acontecer com todos os sistemas construtivos.
Aí você traz o drywall, inclusive você tem hoje placas de alta resistência, você consegue colocar ali pesos absurdos.
Absurdos. Você tem o gesso mesmo, o gesso performance, você tem gesso aí que de alta resistência, o compensado naval era um material de altíssimo custo, hoje está competindo com a placa USB?
A industrialização é isso. Então a esperança continua.
O aço caiu muito, as superfícies estão produzindo, a qualidade a galvanização que nós temos hoje, o aço brasileiro é muito melhor do que os aços chineses que vêm de lá.
Inclusive, eu vi uma reportagem recente de alguém que foi pra China pra importar chapas e tal, e esse foi um questionamento, porque ele fala assim, quando você traz esse aço, tem um questionamento muito grande sobre a questão da qualidade. E o aço brasileiro ninguém questiona.
Ninguém questiona porque ele tem um controle de qualidade de produção muito alto. E a galvanização é um fator super importante. Tanto é que para regiões vitorâneas você tem que usar um outro tipo de aço. Então esse fator é um fator de muita responsabilidade. Você não pode importar qualquer aço, não é qualquer parafuso que você pode pôr em uma estrutura de light steel frame.
É, isso é muito importante, essas dicas que você tá trazendo aqui. Só que quem tá comprando... Não tem a menor noção.
É, não, então às vezes um franquia fala assim, acabou o parafuso, vou ali comprar. Não, não, não, não, não. Eu vou botar o parafuso pra você e eu vou te enviar. Porque é um parafuso que está certificado, um parafuso que tem uma galvanização que não vai enferrujar. Porque não adianta botar um aço de qualidade se o que está fixando ele é um parafuso que vai enferrujar. Perdeu o parafuso, perdeu a estabilidade.
Perdeu a estabilidade. Está colocando só a obra em risco.
Exatamente. Então, mas quem olha esses detalhes? Quem fala disso? É isso que é o problema.
Vamos discutir mais isso aqui. Agora, a última pergunta. Quando a gente fala do perfil de obra com Lifestyle Frame, ainda segundo a FGV, 58,4% das empresas utilizam sistemas industrializados em, no máximo, 50% de suas obras. Na sua visão, o que falta para que o Lifestyle Frame seja mais amplamente adotado em uma maior proporção nas construções brasileiras?
De novo, Paulo, eu não quero ser repetitivo de novo, mas é a falta de conhecimento. Você pega, por exemplo, painel de Light to Frame para fechamento de prédios.
Mas aí, antes de você continuar, a gente está falando aqui de uma pesquisa, a gente está falando de construtoras, né? Então, por isso que a gente fala de falta de conhecimento...
Mas as construtoras também.
Você entende?
Entendo. Mas você quer ver uma coisa? Eu tenho muitas... Eu estou divulgando muito algumas coisas, e não é... Por exemplo, uma parede de light steel frame para um fechamento de prédio, uma parede com perfil de 14, enfim, esforço de vento e tudo mais, pesa em torno de 50 quilos por metro quadrado. Uma alvenaria com reboco, em torno de 250 quilos por metro quadrado. É um quinto do peso. Imagina num prédio de 20, 30 pavimentos, você tira todo esse peso, o que dá de redução? Na sua estrutura de concreto, nos seus pilares, na sua vida e na sua fundação. Além do que, nós temos um teste aqui em São Paulo, foi feito pelo bombeiro, uma placa dupla cimentícia com isolamento térmico, gesso RF por dentro, aguentando quase duas horas de fogo a 1.200 graus. Quer dizer, então é um processo muito melhor, mas agora quem faz fechamento em light shield frame? Não tem empresa para fazer. Não tem conhecimento, não tem mão de obra ainda pra isso. São muito poucas as empresas que estão trabalhando com Light Steel Framing. Então ainda não tá usando, porque também, se você chegar pra mim e falar, Eduardo, vamos pegar 10 torres aí pra fazer fechamento, não consigo.
Não tem mão de obra.
Não tenho produção pra isso. Nem Menduça tem produção pra isso.
Entendeu?
Então é um processo que nós vamos ter um crescimento gradativo. Eu tô vendo com muitos bons olhos, tô vendo esse crescimento acontecer, mas é um aculturamento que o cara tem que fazer um prédio, pegar segurança, aí ele começa, aí ele adota para todos os outros. Então alguém tem que startar esse processo. Tem alguns que já estão começando, né? Esse é um processo que é assim mesmo, né? Então algumas empresas vão ter a coragem de fazer o primeiro, vender, porque Por outro lado, ele tem... A primeira pergunta que eu ouço na minha empresa, mas o cliente compra, o cliente acredita, isso vende no mercado, é a primeira pergunta. Eu até tô fazendo esse condomínio de casa pra mostrar que eu vou fazer um condomínio inteiro e light to frame que vai ser vendido.
Mas eu percebo que é muito pouco divulgado também.
É, claro.
Não é uma crítica, eu tenho muitos amigos e amigas, enfim... que trabalham na área de comunicação e marketing das empresas construtoras e indústrias, mas o que eu sinto falta é esse tipo, esse perfil de profissional que trabalham, que atuam dentro das empresas, mas que tenha um pouquinho de brilho no olho para falar, pô, quero divulgar essa solução porque é incrível, sabe? Ah, eu quero ter o mínimo de interesse em conhecimento técnico para conversar com esse engenheiro estrutural pra eu conseguir transmitir uma informação pro mercado com mais entusiasmo, com mais paixão. Eu sinto falta disso, desse perfil de profissional dentro das empresas.
Mas Paulo, eu volto a te falar que é porque eles não conhecem o processo. É difícil você divulgar aquilo que você não conhece, é difícil você defender, porque é aquilo que você falou, se você não tem consistência para discutir aquilo, como é que você defende? Então, a gente tem que começar esse aculturamento, nós temos que começar a divulgar esses processos junto às empresas, e é uma coisa muito interessante também. Outro dia até morri de rir porque eu falei pra pessoa, o teu nível de exigência com o meu processo é uma coisa que você nunca teve na sua vida. Então, por exemplo, a gente vai montar um processo lá da diferença de 3, 4 milímetros. O cara fala, tá vendo? Não é perfeito. Eu falo, puxa, que bom. Quer dizer, na alvenaria, você engrossa 10 centímetros de reboco e ninguém fala nada. Você tem 7, 8 centímetros fora de prumo, o reboco some, aquilo esconde. Então, é um nível de exigência. E isso é muito bom, porque o processo industrializado tem que ter essa precisão mesmo. Mas eu falo o seguinte, a falta de conhecimento, qualquer coisinha que você faz que não dá certo, é motivo para dizer que não deu certo. É óbvio, o processo é muito novo. Nós vamos ter que ainda aprimorar muita coisa. Eu estou te falando, não temos material de acabamento. Hoje a gente faz com algumas possibilidades, com algumas ferramentas. Ainda a gente não tem muita ferramenta para trabalhar, não tem aquele hall de coisas. Então, a gente procura fazer o melhor possível dentro disso. Mas é infinitamente superior ao convencional, não tem nem dúvida. Mas a falta de conhecimento faz com que isso... E depois, uma máquina, você pega uma construtora, ela está operando... É o que eu te falo, essa mudança, Paulo, não é tão simples. Eu já fui uma construtora grande. Você, para mudar uma máquina operando, você tem que ser devagar. Você faz um empreendimento, deu certo, pai no outro, mas você não vira a chave do dia para a noite, entendeu? Então, é um processo que vai levar tempo. Vai levar um pouquinho de tempo.
É, eu citei desse perfil de profissional dentro de determinadas áreas, porque eu tenho o noto, né? A gente tem aqui a produtora de vídeos Infinity Plus, e eu percebo que quando a gente vai produzir um vídeo para uma indústria, ou seja, é uma empresa especializada em produção audiovisual para a indústria da construção, arquitetura e engenharia. Eu percebo que quando eu tenho funcionários ali que eles são mais entusiasmados com o setor da construção, o resultado, não só o resultado final, mas todo o processo, ele flui muito melhor, até a relação com o cliente facilita demais. Então, eu tenho casos aqui, como eu falo, eu circulo na indústria, eu circulo nas construtoras, e eu confesso que eu fico um pouco decepcionado com o perfil de alguns profissionais que estão ali na linha de frente de comunicação, porque eu falo, cara, não é, para de ter tanto ego, Vamos pensar no todo, porque assim, se a gente divulga isso de uma forma mais, ó, peraí, porque quando a gente tá falando, ah, tudo bem, você é uma empresa de metálica, mas peraí, vamos falar de solução construtiva industrializada. Quando as pessoas começam a adotar, Tô falando todo mundo ganha.
Todo mundo ganha. Ô Paulo, a hora que a gente conseguir fazer as coisas... Qual é a primeira resistência que a gente tem? É o próprio engenheiro.
Sim.
É o próprio engenheiro, é o próprio profissional, é o próprio cara de comunicação, entendeu? Esse é o primeiro obstáculo que você bate. É ele que já não acredita no negócio e não quer passar pra frente. Quando você acha o engenheiro que acredita e que vai, o negócio flui muito rapidamente e vai embora. Eu tenho casos que eu vivo que o engenheiro fala, não, não funciona. O proprietário fala, não, mas eu quero. Ele passa essa etapa, ele tem mais coragem de vencer essa barreira. E aí a gente vai e faz, e a coisa flui bem. Você entendeu?
Nesse ponto, recentemente eu fui participar de um evento de uma grande indústria de cimento. E eles estavam ali demonstrando os produtos, eu achei bem interessante, e eu conheço todo, enfim, eu construo, se você me der uma casa para construir com o sistema, Industrializado ainda não, tá? Mas eu sei operar bem uma empilhadeira, mas eu sei operar bem os equipamentos, mas eu não sei ainda ler uma planta, um projeto. Mas no tradicional eu consigo. Desde o rebuco, qualquer coisa que eu consigo, eu construí um sobrado inteiro.
Eu.
Aí eu tô ali, ouvindo, ouvindo, e eu trouxe alguma pergunta. Até questionei assim, ó. Alguém aqui, nessa mesa, sabe, conhece todo o processo de construção de uma casa, de um prédio? Assim, o básico de materiais. Porque aqui eu estou vendo todo mundo falando só de construtoras, construtoras, construtoras, arquitetos e tal. Por outro lado, se a gente começar a olhar mais para o pedreiro, trazendo o exemplo da indústria farmacêutica, o que a indústria faz muito bem? Você vai ao médico, esse médico transcreve um remédio para você. Quando você chega na farmácia, quantas vezes o farmacêutico mudou aquela receita? Ah, leva esse daqui, leva esse.
É a mesma coisa, o genérico.
Você entende por quê? Porque outra indústria está fazendo um trabalho melhor ali no ponto de venda. Agora, por que a indústria brasileira não está olhando para o ponto de venda, para o depósito? E para os pedreiros também, porque a partir do momento que os pedreiros têm um conhecimento muito maior, porque quem manda numa obra não é o dono da residência. Ele pergunta, ah, que tinta você quer? O proprietário pergunta para o pedreiro, nem é para o pintor. Entende? Ah, que cimento você quer? Então, esse cara tem muito poder. Então, enquanto a gente não mudar a mentalidade de parar, de olhar só para as construtoras, para os especificadores, os arquitetos ali, a gente nunca vai evoluir. Porque, gente, vamos trabalhar os pedreiros e os pontos de venda, os depósitos.
Com certeza. Isso é muito importante o que você está falando, porque essa é a ponta, essa é a ponta final.
E essa resistência? Eu senti lá, os engenheiros que estavam apresentando ali não tinham a menor noção de como se comunicar com esses caras.
Exatamente. Então isso é muito importante. Do momento que a gente começa a fazer essa culturização, esse aculturamento dessas pessoas e começa a divulgar o processo... Eu tenho um vídeo que eu vou te mandar. Nós fomos construir uma casa e tinha uma outra casa construída do lado, no convencional. A hora que os pedeiros viram em dois dias, três dias, a casa coberta, e eles lá botando de olho, o cara foi lá e quis tirar uma foto com uma plaquinha nossa que faz assim, desculpa o encomendo, mas é rapidinho, né? Então, ele falou assim, pô, esse negócio é maravilhoso. Então, esses caras hoje nos ligam perguntando onde tem obra pra eles poderem montar. Então, e esse negócio que você falou é muito importante. Não vai acabar mão de obra, muito pelo contrário. Hoje, nós não temos mão de obra pra nada, nem pra indústria.
Nem pra indústria.
Nem pra indústria. A gente fala mão de obra, mas a indústria também tá com dificuldade de contratar. Então, o que a gente tem que fazer? Trazer novos players pra esse mercado. O cara que não é da construção civil, fazer a construção civil ser uma fonte de desejo para que ele venha trabalhar. É esse o grande desafio. E para isso, nós temos que implementar tecnologia, fazer divulgação, dar melhor condição de trabalho.
Quando eu falo em divulgação, saber se comunicar de uma forma que atraia as pessoas. Porque assim, eu não estou indo construir uma casa. Eu tô indo construir um lar.
Um lar.
Eu tô indo... Alguém vai habitar naquele lugar. Vai construir famílias, vai... Enfim, vai dar continuidade ali, de repente... Ou seja, não é simplesmente construir uma parede, não.
É o que eu te falei. É o conceito.
É o conceito.
É o conceito do negócio.
Se comunique de uma forma que as pessoas sejam tocadas.
Exato.
Contem histórias, porque a gente tá conversando aqui. Se... Ah, alguém olha... Eu sempre falo, se alguém olha só um corte de 30 segundos, Não é a mesma coisa que chegar nesse episódio, conhecer toda a história, ouvir esse bate-papo, porque o que faz as pessoas se conectarem? São histórias.
Histórias.
Entende? Ninguém tá aqui vendendo nada, a gente tá falando, tá fazendo um bate-papo, e quando a gente começa a trazer mais gente pra essa mesa, opa, pô, que interessante. Tem gente que chega aqui, Paula, eu vi tal coisa de um convidado, poxa, aquilo me marcou muito. Outra pessoa começa, Olha, hoje eu tô mais ligado, ah, vou comprar um apartamento e mudei a minha forma de comprar porque eu vi aquele episódio sobre mercado imobiliário. Então, acho que esse tipo de pensamento, quando a gente olha mais para o conteúdo no sentido da história e parar de pensar em números, ah, qual que é o seu número de acesso? Falei, eu não quero milhões. Igual você, o seu conteúdo deu milhões e dá milhões. Por quê? Porque tá falando de inovação, é algo novo. E você tem muita história. Agora, quando a gente começa a olhar pra, peraí, o que que tá por trás dessa história? Tudo bem, eu tenho 200 sucessos ali, mas eu me conectei com essas pessoas, eu mudei a mentalidade delas, a realidade é outra.
E você vê, né? Você tocou num ponto que é o fundamental. Você foi no final da cadeia, mas é que vai puxar tudo. Quando o cliente começa a exigir mais, começa a ter essa avaliação, ele é a mola propulsora do desenvolvimento da construtora, do arquiteto, porque O nosso objetivo é atender aquela demanda. Quando ele começa a exigir muito, eu preciso me aprimorar. Eu preciso evoluir, porque senão eu não atendo mais aquele cara. Então, é um negócio muito interessante isso aí. Por isso que eu falo, você... Primeiro lugar, eu compraria o que eu tô vendendo? Compro, então eu posso vender. Não compro, então não vou vender? Porque se eu não compro, ninguém vai comprar.
Sim.
Eu sou um consumidor, tá certo? Agora, quando o cliente começa a ter um nível de exigência legal, eu começo a ter que me aprimorar. Então ele não aceita mais qualquer coisa. Ele vai chegar lá e falar, isso aqui é barato. Você fala, mas eu não quero barato. Eu quero o bom.
Eu quero o bom.
Eu quero o bom.
Eu vou morar.
Eu vou viver uma vida.
De repente eu vou construir famílias, eu vou trazer meus filhos. De repente você pode ficar com meus filhos.
Sabe, eu questiono muitas coisas nesse mercado imobiliário. Uma delas é quando o governo vem e fala, não, porque eu vou dar subsídio, porque não sei o que, mas não tem uma política constante habitacional. Agora a caixa mudou, regra de financiamento, reduziu valores. O cara compra... Uma política habitacional não é pra hoje, não é pra esse governo, não é pra um momento que tem inflação alta ou baixa. Quer dizer, tinha que ter uma política estável, que o cara sabe que ele vai comprar um imóvel naquelas condições, naquela taxa de juros. Não adianta. Então, eles fazem esses repentes. de momentos, e isso não ajuda o mercado imobiliário. Então a parte de financiamento é uma coisa super importante, Paulo. Super importante. O governo tinha que olhar pra isso. Os bancos têm que olhar pra isso. Porque na ponta final, o que vai viabilizar o cara adquirir um produto de qualidade boa, é se tiverem condições de dar pra ele poder optar por isso, não olhando somente valor. Sim, é isso.
E agora, você que está ouvindo, você vai comprar uma casa, preste atenção nisso que eu vou te falar. Cuidado com o que você está comprando, porque o impulso pode fazer você cair aí num problemão. Porque quando você vai, se você for visitar um planejado ali, não é aquilo que você vai ter.
Exato.
Aquilo é uma forma de atrair você. Então, preste mais atenção, deixe um pouco a emoção de lado e questione mais. Leve um engenheiro de repente ou traga alguém que conhece um pouco sobre aquilo que você está querendo investir, porque é uma vida. Traga o exemplo do carro. Quando você vai comprar um carro hoje, você tem dois tipos de laudos. Você tem o para documentação, que custa coisa de 150 reais, e você tem o cautelar, para ver a estrutura do veículo. Você tá investindo ali 600 reais, mas assim, ah, tudo bem, mas se você encontrar problema no carro, você não vai comprar, você vai deixar de investir 100 mil, 200 mil num carro que vai te trazer problemas futuros. E pra comprar um imóvel não é diferente.
Não é.
Acho que você que... Claro. Enfim, acho que você pode falar melhor sobre isso, mas...
Não, mas...
A gente precisa começar a olhar pra isso.
Sim. Obviamente que quando você faz um apartamento decorado, na verdade o que você quer mostrar é a potencialidade daquele imóvel. Onde você poderia chegar nele. Mas isso cega.
Isso cega quem está comprando.
Vamos dizer assim, Paulo, isso também é uma área de marketing.
Sim.
Mas as empresas sérias, elas colocam. Isso aqui não faz parte. Isso aqui não faz parte. Isso aqui não faz parte. Quer dizer, e... O sonho é uma coisa que todo mundo quer realizar. Agora, o que é importante é comprar de uma construtora séria, que tenha garantia, que faça boas práticas de construção, porque a estabilidade do imóvel, a durabilidade do imóvel é importante. Porque eu falo assim, o imóvel passou cinco anos, se ele foi bem construído, você dá uma pintura e tá novo. Agora, o imóvel que dá patologia, Paulo, não tem solução. Entendeu?
Olha, eu vou te falar, hoje eu entendo exatamente o que é patologia, mas antes eu não tinha noção nenhuma.
E as pessoas não dão valor nisso. Então, por isso que precisa comprar de empresas sérias, de empresas que têm... Então, imóvel é uma coisa que é pro resto da vida.
E é um patrimônio.
É o que você falou do carro. Você compra um carro todo estourado, vai vendendo, não tem valor. Você compra um carro bom, tem valor de revenda.
Tem valor. E não te traz problema, né?
E morre a mesma coisa, né?
Eduardo, agora a gente tem o quadro Convidado Convida, e você pode trazer um convidado aqui, pode mandar um convidado pra compartilhar conhecimento aqui pra gente. Quem é seu convidado?
Uma pessoa que eu posso trazer aqui? Paulo, eu gostaria, eu ainda acho que... Eu gostaria bastante de chamar alguma pessoa do mercado financeiro.
Pode convidar para aquela câmera ali.
Os bancos, os agentes financeiros que estão aí operando, para que olhe para esse mercado da industrialização, porque veja bem, a industrialização traz um fluxo financeiro totalmente diferente. Diferente de uma obra convencional que você vai comprando os materiais ao longo, na industrialização você é obrigado a comprar tudo com antecedência. Quando eu produzo um painel na indústria, a casa já está pronta lá na minha indústria, mas eles só medem no canteiro de obra. Então, o fluxo financeiro é totalmente descasado, além do que também chamar alguém do governo para entender que a indústria da construção civil, a gente quando entra em uma indústria de panelização, nós somos tributados como qualquer outra indústria. Então, não dá para a indústria da construção civil ter esses tributos que nós temos, inviabiliza o negócio. Então, assim, eu acho que são dois setores que precisam olhar para o mercado imobiliário e se adequarem a essa nova modalidade, porque estamos falando de coisas maravilhosas aqui, mas na ponta final o cliente precisa do dinheiro para poder comprar, então os bancos têm que ter uma modalidade de financiamento adequado e o governo tem que olhar para a indústria da construção civil como uma solução do déficit habitacional e promover de forma que não penalize a indústria com altas taxas de impostos. Porque isso, no final, reflete no cliente final. Então, eu acho que esses são os dois meus convidados que eu tenho convidado sempre, mas que eu não estou achando.
Você tem o nome dessas pessoas ou você prefere que a gente vá atrás?
Eu prefiro que você vá atrás porque É um mercado muito amplo, eu estou falando de uma forma muito genérica.
Não, deixa comigo.
Mas eu acho que são dois aspectos que podem dar uma contribuição para o mercado imobiliário fantástica. o financeiro e o governo, principalmente nessa construção off-site, a Caixa Econômica está fazendo um estudo. A gente tem a ABICOM, uma associação das empresas de construção off-site. Nós estamos falando com a Caixa Econômica sobre o processo de medição nos canteiros de obra, de antecipação. Olha que coisa engraçada. Você vai comprar um elevador, eles medem lá na indústria. Você vai comprar cachilho, eles pagam, mas os painéis não.
É muito desleal, né?
É muito desleal, é muito injusto. E você que quer inovar, como eu te falei no começo da nossa conversa, inovar significa você botar capital, você botar risco, você botar seu nome, porque você está levando o negócio, você está desenvolvendo. Eu desenvolvi um DATEC junto ao IPT, tive que pagar todos os testes. Você entendeu? E ainda, na hora que eu vou operar, estou trazendo um benefício para o mercado, na hora que eu vou operar eu enfrento todas as dificuldades, tanto de bancos quanto de... bancos, eu acho que é porque precisam ser adequados, né?
É, porque, assim, se o governo fizer parte dele...
Mas o governo tem que olhar. O governo fala em déficit opcional, fala, mas toda hora que o governo tem que dar sua colaboração, falta.
Não, vamos trazer, vamos trazer. Agora, Eduardo, tem mais, assim, alguma informação que você deixou de dar e já queria te passar aí as considerações finais.
Não, eu estou muito feliz de estar aqui batendo esse papo. Na verdade, É uma opinião minha e sei que também não é tudo 100%, muitas pessoas podem concordar ou não, mas eu estou muito feliz de a gente estar podendo discutir o mercado imobiliário. Eu não sou dono da verdade, mas estou aberto para a gente poder discutir, ver quais são as melhorias, o que eu posso colaborar. Como eu posso ajudar as empresas? Estou fazendo esse movimento de aceleração das construtoras, não só trazendo um sistema construtivo, mas passando um pouco do meu conhecimento de incorporação, de viabilidade de negócio, para a gente criar empresários da construção civil, porque só dessa forma a gente melhora o mercado, transferindo conhecimento, trazendo outras pessoas para dentro do mercado, que não vão ser meus concorrentes, vão ser meus parceiros que vão me ajudar a difundir e divulgar o mercado.
Eu acho que a união, só com a união a gente consegue de fato resolver esse problema de déficit habitacional e dar mais qualidade de vida para as pessoas.
Perfeitamente.
Eduardo, mais uma vez obrigado pela sua participação e contribuição, os contatos do Eduardo vai estar aqui nas descrições de todos os canais e todas as plataformas de áudio e de vídeo do ConstriCash. Eu queria pedir também para que você compartilhe de novo, se inscreva em nossos canais, A gente está falando de união aqui e a sua participação é parte fundamental para o crescimento desse canal e de transformação da condição civil no Brasil.
E, Paulo, eu gostaria realmente de cumprimentá-lo. por essa iniciativa, você é um pioneiro nesse negócio, você está à frente, eu vejo sua participação em feiras e eventos, eu acompanho o seu canal e realmente acho, para o público aí, que se vocês quiserem matéria com profundidade, com conhecimento, esse é o canal correto, um canal muito sério, parabéns, e não estou falando porque estou aqui não, porque realmente você faz um trabalho diferenciado no mercado aí. Parabéns e você é um grande propagador do mercado imobiliário.
Obrigado. Acho que a gente tem que, dessa forma, a gente tem que criar o movimento e agora a gente está trazendo a indústria junto conosco. Quero mais uma vez agradecer ao apoio da Gerdau e de outras indústrias aí que estarão conosco, que logo virão. Então um abraço e até o nosso próximo encontro aqui no Constricash.
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